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A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) publicou recentemente um relatório informativo que aborda estratégias para minimizar os riscos microbiológicos e promover a saúde pública por meio de práticas eficazes de gestão da água no setor pesqueiro.

O objetivo do relatório é fortalecer as capacidades nacionais para garantir a segurança da água utilizada na produção e no processamento de frutos do mar em operações de pesca e aquacultura, por meio da aplicação de ferramentas baseadas em risco e da conformidade com as normas do Codex Alimentarius .

O relatório é fruto de um workshop internacional realizado em Choluteca, Honduras, de 23 a 25 de abril de 2025, organizado pela FAO e pelo Serviço Nacional de Saúde Agropecuária de Honduras (SENASA).

As principais mensagens do relatório incluem:

  • Água adequada à finalidade: O relatório defende uma mudança de paradigma em direção a uma abordagem de uso da água adequada à finalidade, indo além das noções generalizadas de "água limpa". Essa metodologia enfatiza a importância de avaliar fontes de água específicas, identificar potenciais riscos microbiológicos e implementar medidas de controlo direcionadas para garantir a segurança alimentar;
  • Árvores de decisão para mitigação de riscos: O relatório incentiva o uso de árvores de decisão — desenvolvidas pelas Reuniões Conjuntas de Especialistas em Avaliação de Riscos Microbiológicos (JEMRA) da FAO/Organização Mundial da Saúde (OMS) — como ferramentas práticas para que os operadores de empresas alimentares (OEA) avaliem sistematicamente a qualidade da água e façam a gestão dos riscos. Essas árvores de decisão fornecem uma estrutura passo a passo para avaliar sistemas hídricos, identificar pontos críticos de controlo e selecionar estratégias adequadas de tratamento e monitorização;
  • Colaboração global para normas adequadas: Ao reconhecer a natureza diversa dos sistemas de pesca e aquacultura em todo o mundo, o relatório enfatiza a necessidade de colaboração internacional para desenvolver orientações práticas e adequadas que possam ser adaptadas aos contextos de produção locais;
  • Recurso abrangente para implementação: O relatório inclui a agenda do workshop, os planos e os slides da apresentação, fornecendo um recurso completo para que os países membros implementem atividades semelhantes e aprimorem as práticas de segurança hídrica nos seus setores de pesca.

De forma geral, o relatório oferece orientações práticas, promove a colaboração e fornece aos países as ferramentas necessárias para salvaguardar a segurança alimentar no setor das pescas.

Fonte: FoodSafety magazine

Nutricionista sugere nutrientes com capacidade de regulação do equilíbrio emocional

Os alimentos ricos em triptofano, magnésio e antioxidantes ajudam o organismo a produzir serotonina e dopamina, que são neurotransmissores essenciais para promover a sensação de calma, motivação e bem-estar.

“A alimentação tem um papel muito mais importante no estado de espírito do que muitas vezes se pensa. O triptofano atua como matéria-prima para a produção de serotonina, um neurotransmissor essencial na regulação do bem-estar emocional. Por sua vez, o magnésio contribui para reduzir a tensão física e mental, enquanto os antioxidantes ajudam a proteger as nossas células dos danos causados pelo stress oxidativo.

Incluir estes nutrientes regularmente na dieta dá ao organismo o apoio necessário para se sentir melhor e manter um equilíbrio emocional”, explica Ingrid Daniele, nutricionista.

A nutricionista elaborou uma lista com alguns dos mais relevantes:

• Abóbora e batata-doce: ambas são ricas em betacarotenos (precursores da vitamina A), antioxidantes e hidratos de carbono complexos, que fornecem energia de forma sustentada e ajudam a evitar flutuações nos níveis de glicose e a fadiga associada.

Incluí-las em cremes, assados ou como acompanhamentos é uma opção recomendável para combater o cansaço típico das mudanças de estação.

• Uvas e romãs: o seu elevado teor em polifenóis, resveratrol e vitamina C confere-lhes propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes. Estes compostos contribuem para melhorar a circulação sanguínea e proteger as células contra o dano oxidativo, favorecendo uma maior vitalidade e ajudando prevenir o cansaço físico e mental frequente no outono.

• Cogumelos: destacam-se pelo seu teor em vitamina D, uma vitamina essencial para o funcionamento do sistema imunitário e a síntese de serotonina, um neurotransmissor associado ao estado de espírito. Assim, incorporá-los em guisados ou salteados é uma forma simples e saborosa de cuidar do bem-estar emocional nos meses de menor exposição solar.

• Frutos secos: as nozes, amêndoas ou avelãs são uma fonte natural de magnésio, ácidos gordos, ómega-3 e antioxidantes (como a vitamina E). Estes nutrientes contribuem para o bom funcionamento do sistema nervoso e têm sido associados a melhorias na memória, concentração e regulação emocional. Para beneficiar das suas propriedades, recomenda-se consumir uma mão cheia por dia (cerca de 20-30 g), seja como lanche ou incorporadas em saladas e pratos.

• Legumes: lentilhas, grão-de-bico e feijões destacam-se pelo seu teor em triptofano, proteínas vegetais de boa qualidade e fibra solúvel e insolúvel. Estes componentes favorecem a produção de serotonina e promovem um trânsito intestinal adequado, o que é fundamental para o equilíbrio emocional através do eixo intestino-cérebro. A sua versatilidade torna-os uma base ideal para pratos de colher, salteados e até saladas completas.

• Chocolate negro: com um elevado teor de cacau (70% ou mais), fornece flavonoides, magnésio e pequenas doses de cafeína. Tudo isso estimula a produção de endorfinas, associadas à sensação de prazer e bem-estar. Consumir uma pequena porção diária (cerca de 10 g) ou adicionar cacau puro sem açúcar ao pequeno-almoço ou a receitas saudáveis é uma forma simples de usufruir dos seus benefícios de forma equilibrada.

Fonte: TecnoAlimentar

O Instituto Tecnológico de Embalagem, Transporte e Logística espanhol ITENE está a desenvolver processos avançados de pirólise lenta e rápida para valorizar resíduos agrícolas, florestais, madeireiros e plásticos complexos, com o objetivo de transformá-los em carvão vegetal, biocidas, ceras ou revestimentos de alto valor acrescentado, de acordo com informações divulgadas pela empresa num comunicado de imprensa.

O centro tecnológico ITENE trabalha no desenvolvimento de novas tecnologias termoquímicas que permitem valorizar resíduos de base biológica - como resíduos agrícolas, florestais ou madeireiros e resíduos sintéticos, entre eles plásticos complexos, degradados ou contaminados. O objetivo é transformar esses materiais em produtos industriais sustentáveis, como carvão vegetal melhorado, bio-óleo purificado, carvão ativado, ceras industriais ou biocidas, promovendo a circularidade e reduzindo o impacto ambiental dos resíduos atualmente destinados a aterros ou incineração.

Estas ações fazem parte do projeto Pyrocycle, financiado pelo Instituto Valenciano de Competitividade Empresarial (IVACE+i) com fundos do FEDER (Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional), e que decorre entre abril de 2025 e junho de 2026. Os seus resultados poderão beneficiar setores como a indústria química, a gestão de resíduos, a reciclagem ou a agricultura, conforme confirmado pelo grupo Itene.

De resíduos difíceis a recursos industriais

A biomassa lignocelulósica ascende globalmente a 181.500 milhões de toneladas por ano, das quais apenas 4,5% são utilizadas. Entretanto, em Espanha, apenas 34% dos plásticos são reciclados e, na região de Valência, 60% dos resíduos urbanos não são valorizados. Neste contexto, a pirólise lenta permitirá transformar os resíduos biológicos em produtos úteis para a agricultura ou para o tratamento ambiental de águas e resíduos, enquanto a pirólise rápida dos plásticos permitirá obter frações líquidas ricas em hidrocarbonetos com aplicações na indústria química e de revestimentos.

“Com Pyrocycle pretendemos demonstrar que os resíduos atualmente considerados de difícil recuperação, como as misturas de plásticos degradados ou contaminados, podem ser convertidos em recursos úteis para a indústria. Graças a processos termoquímicos avançados, poderemos obter produtos com aplicações reais, desde biocidas para uso agrícola até ceras industriais e adsorventes”, explica Miriam Lorenzo, responsável pelo projeto no Itene.

Três linhas de ação para uma economia mais circular

O projeto tem três linhas de ação principais: a análise e acondicionamento de diferentes resíduos biológicos e plásticos para tratamento por pirólise; a conceção e aperfeiçoamento de processos de pirólise lenta e rápida para transformar resíduos em produtos valiosos; e o desenvolvimento de melhorias nos produtos obtidos, visando a sua aplicação na agricultura, tratamento de água, revestimentos industriais e adsorventes.

“Este trabalho não só contribuirá para a redução de resíduos e emissões, como também ajudará as empresas a cumprir os requisitos europeus de sustentabilidade e economia circular. A Pyrocycle traz novas tecnologias para a indústria que combinam inovação, eficiência e compromisso ambiental”, acrescenta Lorenzo.

Fonte: iAlimentar

Em todo o setor alimentar global, os testes evoluíram de um requisito processual para um pilar da confiança. O Guia para testes mostra como os especialistas estão a lidar com as ameaças digitais, garantindo a segurança dos produtos e construindo sistemas resilientes que protegem os consumidores, ao mesmo tempo que aceleram as aprovações de novos alimentos.
Descubra como as principais empresas de alimentos e bebidas estão a avançar nos testes para garantir a segurança, a conformidade e a inovação na produção moderna. Este relatório elaborado por especialistas explora a precisão, a proteção e o progresso na produção alimentar, abrangendo a resiliência digital, a monitorização de PFAS, o controlo de alergénios e as avaliações de segurança humana para novos alimentos. Obtenha insights de líderes de controlo de qualidade e laboratórios sobre como salvaguardar a integridade dos produtos, gerir riscos regulatórios e acelerar a aprovação de ingredientes e alimentos inovadores.
Desde técnicas laboratoriais de ponta até sistemas digitais integrados, este relatório mostra como os testes estão a evoluir para proteger os consumidores, construir confiança e garantir operações preparadas para o futuro.
Irá aprender como:
- A transformação digital reforça a governança de dados e a cibersegurança nos sistemas de garantia de qualidade
- A inovação analítica melhora a precisão na deteção de PFAS e na gestão de riscos
- Os testes baseados em evidências aceleram o caminho para a aprovação de novos alimentos
No seu cerne, este relatório reflete a crescente sofisticação do setor. Os testes já não se limitam à conformidade; tratam-se de previsão, liderança e transformação de insights em segurança, eficiência e confiança do consumidor.

Saiba mais aqui.

Fonte: New Food Magazine

Campanha #NoBirdFlu de prevenção da Gripe Aviária tem por objetivo alertar para a importância da implementação de medidas simples de biossegurança a aplicar especialmente em pequenas e médias explorações avícolas.

Esta Campanha, promovida pela EFSA a nível da União Europeia (UE), foi lançada no início da época de migração de outono das aves selvagens que vêm passar o inverno no continente europeu, porque é durante os meses de inverno, quando as aves migratórias viajam e se agrupam em todo o continente, que os incidentes de gripe aviária na Europa geralmente aumentam.

Por isso importa divulgar uma das principais ações a integrar nas rotinas diárias da sua exploração: mantenha as aves selvagens afastadas da sua exploração! 

As aves selvagens e outros animais, como roedores e insetos, podem introduzir doenças nas explorações avícolas. Armazene sempre as rações em silos, recipientes fechados ou impermeáveis e mantenha os materiais destinados às camas em áreas fechadas ou cobertas para evitar a contaminação. Evite utilizar restos de rações para diferentes bandos e certifique-se de que não há massas de água, como lagos, lagoas ou charcas, à volta da exploração, pois estas podem atrair aves selvagens.

Instale telhados sólidos, paredes do chão ao teto, janelas com rede à prova de pássaros e vedações seguras nas instalações das aves. Os parques exteriores devem ser protegidos com redes ou cercas de arame de malha adequada, para impedir a entrada de aves selvagens. Não coloque comedouros nem bebedouros nos parques exteriores. Certifique-se de que a relva ou vegetação perto das vedações é mantida limpa e aparada para evitar a acumulação de zonas húmidas e afastar aves selvagens à procura de alimentos. Verifique com regularidade os espaços evitando a existência de buracos ou brechas nas vedações, redes e locais de alojamento das aves. A utilização de dispositivos ou equipamentos de dissuasão pode também ajudar a desencorajar as aves selvagens de se aproximarem da zona da exploração.

Fonte: DGAV

A rotação de culturas é “mais eficaz do que a monocultura” em termos de “produtividade, qualidade nutricional dos produtos e rendimento para os agricultores”, de acordo com um estudo internacional.

O estudo, coordenado pela Universidade Agrícola da China e com a participação do Instituto Nacional de Investigação Agrícola, Alimentar e Ambiental de França (INRAE), foi publicado no final de outubro na revista científica Nature Communications, noticiou na terça-feira a agência France-Presse (AFP).

Embora a rotação de culturas — a alternância de diferentes culturas (cereais, leguminosas ou oleaginosas, entre outras) no mesmo terreno — seja amplamente adotada na Europa, principalmente para o controlo de doenças e pragas e para limitar o crescimento de ervas daninhas, “a monocultura ainda predomina em África e no Sul da Ásia”, observou o INRAE em comunicado.

A rotação de culturas é “mais eficaz do que a monocultura” em termos de produtividade, qualidade nutricional dos produtos e rendimento para os agricultores.

O instituto sublinhou ainda que “a monocultura contínua de soja ainda é praticada em algumas regiões, principalmente na América do Sul, em resposta à forte procura do mercado por estas matérias-primas agrícolas”, que são utilizadas principalmente para alimentação animal e produção de óleo para biocombustíveis.

Com o objetivo de apoiar a transição dos sistemas agrícolas em todo o mundo e de respeitar melhor os solos, o ambiente, a saúde humana e o clima, os investigadores consideraram “essencial quantificar as vantagens e desvantagens da rotação de culturas em comparação com as monoculturas”.

Este estudo analisou “um conjunto de 3.663 pontos de dados de 738 experiências agronómicas conduzidas em condições agrícolas no período de 1980 a 2024” para quantificar o impacto da rotação em três dimensões principais: produtividade, qualidade nutricional dos alimentos e rendimento dos agricultores.

Esta meta-análise mostrou que, em média, a nível global, “em todas as combinações de culturas, a rotação de culturas aumenta a produtividade total em 20% em comparação com as monoculturas contínuas”.

A mesma variação é observada no rendimento dos agricultores.

A análise indica ainda que as produtividades são mais estáveis de ano para ano em rotação do que em monocultura.

Por fim, o estudo realça que uma rotação que inclua leguminosas introduz variedades mais ricas em proteína e energia do que os cereais.

Fonte: Agroportal

 

No início deste ano, a Universitat Autònoma de Barcelona lançou um novo laboratório especializado na determinação da composição dos vinhos por espetrometria. O sistema, desenvolvido no âmbito do projeto europeu TRACEWINDU, liderado pela UAB, permite determinar a composição do vinho de forma económica e adicionar um rótulo inteligente único a cada garrafa, com tecnologia blockchain, que garante a sua rastreabilidade desde a vinha até à mesa.

Há quatro anos que a UAB lidera um consórcio internacional cujo objetivo é melhorar a produtividade das vinhas e garantir a rastreabilidade do vinho ao longo de toda a cadeia de valor, com rotulagem inteligente e registo de dados baseado na tecnologia descentralizada de cadeia de blocos.

O projeto europeu TRACEWINDU, coordenado pelo professor do Departamento de Química da UAB, Manuel Valiente, está a desenvolver um sistema de etiquetas inteligentes para rastrear o percurso de cada garrafa desde o produtor de vinho e com o registo de todos os intermediários pelos quais passa.

Espera-se que esta rastreabilidade proteja o setor vitivinícola de milhares de milhões de euros de perdas anuais devidas à contrafação e ao comércio ilegal. Desta forma, os consumidores poderão fazer as suas compras com base em informações completas e fiáveis sobre todo o processo de produção, desde a vinha até à mesa. Juntamente com a utilização da inteligência artificial no tratamento de dados, o projeto contribuirá para aumentar a segurança alimentar e a confiança entre produtores e consumidores do setor.

Os investigadores vão também correlacionar todas as informações obtidas a partir da análise sensorial dos vinhos para gerar um passaporte para cada produto, que será incluído no rótulo sob a forma de um código QR. Este rótulo inteligente fornecerá todas as informações relevantes sobre o produto ao longo do seu ciclo de vida de uma forma transparente, utilizando a tecnologia blockchain que impede qualquer manipulação fraudulenta.

Leia o artigo completo aqui.

Fonte: iAlimentar

 

Catálogo Digital de Alimentos

  • Tuesday, 04 November 2025 14:07

O Programa Nacional para a Promoção de uma Alimentação Saudável (PNPAS) da DGS lançou o Catálogo Digital de Alimentos, uma nova ferramenta digital cujo objetivo é ajudar a fazer escolhas alimentares mais saudáveis

Com este Catálogo Digital de Alimentos é possível explorar, de forma simples e intuitiva, a composição nutricional e lista de ingredientes de diversos produtos alimentares de várias categorias. Basta aceder ao catálogo e selecionar uma das categorias disponíveis no menu para ter acesso a toda a informação desejada.

Nesta primeira fase, o Catálogo inclui dados de nove categorias de alimentos: leite e bebidas lácteas aromatizadas, iogurtes, leites fermentados, queijos frescos e preparados de queijo fresco, cereais de pequeno-almoço, bebidas vegetais e alternativas vegetais ao iogurte, produtos de charcutaria, produtos de padaria, produtos de pastelaria pré-embalados, sumos e refrigerantes.

Esta ferramenta reúne informação sobre mais de 2000 produtos alimentares disponíveis no mercado português, incluindo valor energético, teor de gordura, ácidos gordos saturados, açúcar e sal, lista de ingredientes, bem como a respetiva classificação Nutri-Score e Semáforo Nutricional.

O Catálogo Digital de Alimentos integra-se na participação de Portugal num sistema europeu de monitorização da oferta alimentar, que envolve 19 países da União Europeia.

O catálogo está disponível em https://nutrimento.pt/noticias/catalogo-digital-de-alimentos-pnpas/

Fonte: TecnoAlimentar

A castanha: o 'tesouro' do mês de novembro

  • Tuesday, 04 November 2025 11:51

Novembro traz o perfume das castanhas assadas, símbolo do outono português. Entre tradições, sabores e memórias, a castanha celebra a união e o aconchego das noites frias.

Novembro chega envolto em aromas outonais, folhas douradas e o característico cheiro das castanhas assadas que invade ruas e praças. Poucos frutos evocam o outono com tanta força como a castanha, símbolo de partilha, aconchego e tradição. Mais do que um simples alimento, ela representa uma ligação profunda entre a natureza e a cultura portuguesa.

Um fruto com história

A castanha, fruto do castanheiro (Castanea sativa), tem raízes antigas na Península Ibérica.

Antes da introdução da batata e do milho, a castanha era uma das principais fontes de energia para as populações rurais, especialmente nas regiões montanhosas do Norte e Centro do país. Chamavam-lhe, com razão, “o pão dos pobres”, pois era abundante, nutritiva e versátil.

Com o passar dos séculos, a castanha foi deixando o papel de base alimentar, mas nunca desapareceu da mesa portuguesa. Continuou presente em feiras, romarias e, claro, nas celebrações do Magusto, uma das tradições mais queridas do outono.

O Magusto e o Dia de São Martinho

O Magusto é uma festa que se realiza por todo o país, geralmente em torno do dia 11 de novembro, o Dia de São Martinho. Conta a lenda que Martinho, um soldado romano, partilhou a sua capa com um mendigo durante uma tempestade, e logo o tempo clareou e aqueceu. Assim nasceu o chamado “verão de São Martinho”, um período de dias amenos em pleno outono.

Durante o Magusto, famílias, escolas e comunidades juntam-se à volta de fogueiras para assar castanhas, beber vinho novo ou jeropiga e celebrar a amizade.

É um ritual simples, mas profundamente enraizado na cultura portuguesa. O fumo das castanhas e o convívio à volta do lume tornam este momento um símbolo de união e de agradecimento pelas colheitas do ano.

Propriedades nutricionais e benefícios

A castanha é um alimento equilibrado e saudável, rico em hidratos de carbono complexos, que fornecem energia de forma gradual. Contém fibra alimentar, essencial para o bom funcionamento do intestino, e minerais como potássio, magnésio e fósforo, importantes para a saúde muscular e óssea.

Diferente da maioria dos frutos secos, a castanha tem baixo teor de gordura e é pobre em calorias, o que a torna ideal para quem procura uma alimentação equilibrada.

É ainda uma fonte de vitamina C e vitaminas do complexo B, que ajudam no metabolismo energético e fortalecem o sistema imunitário, algo particularmente útil nos meses frios.

Por ser naturalmente isenta de glúten, a castanha é também uma excelente opção para pessoas com doença celíaca ou intolerância ao glúten.

Versatilidade na cozinha

A castanha pode ser saboreada de inúmeras formas. As castanhas assadas são a versão mais popular, crocantes por fora, macias por dentro e cheias de sabor.

No entanto, podem também ser cozidas com erva-doce e sal, usadas em sopas, purés, recheios de aves, ou transformadas em doces e bolos. Nos últimos anos, tem ganho destaque a farinha de castanha, usada em pão, panquecas ou bolos, com um sabor naturalmente adocicado e uma textura suave.

Outro produto muito apreciado é o marron glacé, uma iguaria francesa feita com castanhas cristalizadas em calda de açúcar, uma verdadeira tentação gourmet.

A castanha portuguesa e a sustentabilidade

Portugal é um dos principais produtores de castanha da Europa, com destaque para as regiões de Trás-os-Montes, Beira Interior e Minho. Os castanheiros crescem em solos pobres e montanhosos, contribuindo para a preservação do território e evitando a desertificação. O cultivo de castanha é, assim, uma forma de agricultura sustentável, que mantém vivas as comunidades rurais e protege a biodiversidade.

Comprar castanhas portuguesas significa apoiar produtores locais e valorizar um produto que faz parte da nossa identidade cultural e gastronómica. Além disso, a castanha é um alimento de baixo impacto ambiental, uma vez que não requer grandes quantidades de água nem o uso intensivo de químicos. É, por isso, um excelente exemplo de como a tradição e a sustentabilidade podem andar de mãos dadas.

O sabor da tradição

A castanha é muito mais do que o fruto que anuncia o outono. É uma herança viva, uma memória coletiva e um elo entre gerações. Seja assada na rua, cozida em casa ou incorporada num prato requintado, traz sempre consigo o sabor do calor humano e da terra.

Em novembro, quando o frio começa a apertar, nada aquece mais do que uma mão cheia de castanhas e o riso partilhado em volta do lume. Entre o fumo, o vinho novo e as conversas amenas, a castanha continua a lembrar-nos que os momentos simples são os mais saborosos.

Fonte: tempo.pt

35% dos consumidores europeus estão dispostos a comer "carne cultivada" e 23% experimentariam "alimentos" impressos em 3D, de acordo com um estudo da rede europeia EIT Food. Além disso, cerca de 43% mostram interesse por produtos "lácteos" obtidos através de fermentação de precisão, embora, por outro lado, apenas 26% se digam a favor de alimentos geneticamente modificados.

Numa indústria de carne europeia que enfrenta pressões crescentes - ambientais, de bem-estar animal, de recursos naturais e de mudança na procura do consumidor - as tecnologias de proteínas alternativas e, em particular, a "carne cultivada" (também chamada de "carne de cultura celular") emergem como uma via de transformação. Compreender o impacto, as oportunidades e os desafios técnicos, de mercado e regulatórios é essencial para os operadores do setor.

Neste contexto, a EIT Food apresentou um estudo que indica que 35% dos consumidores europeus estariam dispostos a consumir "carne cultivada". O número, ainda longe de representar uma maioria, evidencia uma abertura crescente em relação às proteínas produzidas por meio da biotecnologia, num contexto marcado pela pressão ambiental, pela necessidade de diversificar as fontes de proteína e pelo escrutínio sobre os sistemas de produção convencionais.

O mesmo relatório indica que 23% dos inquiridos experimentariam "alimentos" impressos em 3D, enquanto 43% mostram-se interessados em produtos "lácteos" obtidos através de fermentação de precisão. Em contrapartida, apenas 26% se declaram a favor dos alimentos geneticamente modificados. A aceitação varia, portanto, consoante a tecnologia e o grau de intervenção percebido.

Perfil do consumidor: jovens e com formação, mais recetivos

A disposição para aceitar alimentos produzidos por meio da biotecnologia é notavelmente maior entre os consumidores jovens e com maior nível de escolaridade. 34% dos jovens entre 18 e 34 anos estariam dispostos a experimentar este tipo de produtos, contra 17% dos maiores de 55 anos. Também se observa uma ligeira diferença por género: 28% dos homens contra 23% das mulheres.

Este padrão demográfico aponta para uma mudança geracional nos hábitos de consumo, com implicações diretas para a indústria da carne, especialmente em termos de desenvolvimento de novos produtos e adaptação de mensagens. As empresas do setor devem antecipar que uma parte crescente do mercado - urbana, jovem e com alta sensibilidade climática - poderá integrar proteínas alternativas na sua dieta habitual.

Oportunidade ou ameaça para o modelo tradicional de produção de carne?

A "carne cultivada", ao replicar tecido animal a partir de células em ambientes controlados, promete reduzir o impacto ambiental associado à pecuária convencional e oferecer uma fonte de proteína com menor pegada hídrica e de carbono. No entanto, a tecnologia ainda enfrenta desafios de escalabilidade, custo e perceção pública.

O relatório da EIT Food reflete essa ambivalência: embora muitos europeus reconheçam o potencial da biotecnologia para enfrentar desafios como as alterações climáticas ou a segurança alimentar, também temem consequências negativas, como um possível aumento dos preços, a concentração de poder nas mãos de grandes corporações ou o deslocamento dos produtores tradicionais.

Para o setor da carne, isto implica uma dupla interpretação. Por um lado, a "carne cultivada" não substituirá a produção tradicional a curto prazo, especialmente em mercados onde a ligação cultural com a carne é forte. Por outro lado, pode representar uma via complementar, especialmente em gamas premium, produtos híbridos ou segmentos onde se privilegiam credenciais sustentáveis.

Confiança, eixo do futuro regulatório

A EIT Food insiste que a confiança dos cidadãos será fundamental para a implantação dessas tecnologias. Nas palavras de Lorena Savani, porta-voz da rede, “acreditamos que a biotecnologia pode desempenhar um papel transformador, impulsionando a inovação alimentar, fortalecendo a resiliência climática e melhorando os resultados globais em matéria de saúde. A confiança e a participação dos cidadãos são essenciais para aproveitar este potencial, o que significa que o relatório é um passo crucial para a construção de um futuro sustentável, seguro e saudável para todos”.

Com a futura Lei da Biotecnologia em preparação pela União Europeia, o relatório alerta para a necessidade de abordar os receios dos consumidores e de envolver especialmente as gerações mais velhas e as regiões com ceticismo cultural. Só assim será possível criar um ambiente regulatório que, sem deixar de ser rigoroso, permita a inovação em proteínas alternativas.

Conclusão: adaptar a estratégia sem perder a identidade

O avanço da "carne cultivada" não deve ser entendido como uma ameaça imediata, mas como uma transformação incipiente que exige do setor da carne capacidade de adaptação, investimento em conhecimento e clareza na comunicação. As empresas que explorarem esta via - seja como produtoras, investidoras ou integradoras de novas tecnologias - poderão posicionar-se num futuro em que a procura por proteínas será mais diversificada, mais exigente e mais consciente.
Fonte: iAlimentar