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À primeira vista, transportar abelhas pode parecer uma necessidade de nicho. Mas, na realidade, está no centro de uma transformação silenciosa da agricultura moderna. À medida que a produção alimentar se torna mais intensiva e dependente de culturas que exigem polinização — como amêndoas, frutos vermelhos ou pomares — cresce também a necessidade de deslocar milhões de abelhas entre regiões, acompanhando os ciclos de floração.

Esta prática, conhecida como apicultura migratória, levou ao desenvolvimento de serviços logísticos altamente especializados. Os apicultores deixaram de operar apenas localmente e passaram a integrar cadeias agrícolas mais amplas, onde o tempo, a localização e a saúde das colónias são determinantes para a produtividade. Nesse contexto, os camiões para transporte de colmeias tornaram-se uma peça essencial, garantindo que as abelhas chegam em segurança aos destinos onde são mais necessárias — e no momento certo.

O mercado global de camiões para transporte de colmeias deverá atingir cerca de 1,07 mil milhões de euros até 2030, crescendo a uma taxa média anual de 6,5%, segundo um relatório recente da The Business Research Company.

O estudo aponta para um crescimento de 782 milhões de euros em 2025 para aproximadamente 828 milhões de euros em 2026, refletindo a crescente profissionalização da apicultura e o aumento da procura global por serviços de polinização.

Este segmento logístico especializado acompanha a expansão de um setor mais amplo: a apicultura. Na Europa, o mercado apícola foi avaliado em cerca 3,66 mil milhões de euros em 2024 e deverá crescer para 6,04 mil milhões de euros até 2033, evidenciando a importância crescente desta atividade no espaço europeu.

Os camiões dedicados ao transporte de colmeias — equipados com sistemas de ventilação, racks modulares e mecanismos de carga — tornaram-se essenciais para a chamada apicultura migratória, permitindo deslocar colónias para zonas com maior disponibilidade de néctar ou para culturas agrícolas que dependem de polinização.

Na União Europeia, estima-se a existência de cerca de 600 mil apicultores e 16 milhões de colmeias, embora apenas uma pequena fração opere em escala comercial, o que indica margem para crescimento e modernização — incluindo na logística associada.

Portugal insere-se neste panorama europeu. Estudos académicos mostram que o país integra o grupo de nações com atividade apícola relevante, ainda que com forte presença de produtores de pequena escala e características heterogéneas entre regiões. Quanto a números, em Portugal existem 12.282 apicultores registados, 43 mil apiários e 765.594 colmeias.

A procura por mel — impulsionada por tendências de consumo mais naturais — e o aumento da dependência agrícola de polinizadores são apontados como principais motores do crescimento. Paralelamente, a produção europeia de cerca de 200 mil toneladas de mel por ano não é suficiente para cobrir a procura interna, o que reforça a pressão sobre o setor para aumentar a produtividade e eficiência.

É neste contexto que os camiões de transporte de colmeias ganham relevância estratégica. O relatório destaca ainda tendências como a adoção de veículos elétricos ou de baixas emissões, sistemas de controlo climático para proteger as abelhas durante o transporte e tecnologias de monitorização da saúde das colónias.

Pedro Acabado, apicultor da Pa Bees & Blooms conta que é o segundo ano que contrata um serviço de camião refrigerado para levar colmeias do Alentejo para uma cultura de Kiwis no Norte. O valor situa-se entre os 1000 e os 1500 euros para transportar cerca de 500 a 650 colmeias.

No entanto, diz que em Portugal como as distâncias são curtas muitas vezes faz o transporte durante a noite utilizando o seu próprio camião, quando a cultura fica mais próxima e demora uma hora ou duas.  Contudo, salienta que o mercado de polinização teve um boom e que há muitos apicultores que não têm as condições logísticas apropriadas para fazer o transporte das abelhas e que este tipo de serviço é uma alternativa no mercado.

Fonte: Jornal Económico

A SeaForester, com o apoio de uma conhecida marca de alimentação animal, desenvolveu e colocou em operação a terceira geração de viveiros móveis de algas (G3) em Peniche, desde início de 2025. Esta nova tecnologia reduziu o ciclo de produção de 12 para sete semanas e, combinada com uma nova unidade de viveiros construída em 2026, triplicou a capacidade de produção total.

Este avanço tecnológico significativo alcançado em Portugal, promovido pela SeaForester, especialista em biologia marinha, promete revolucionar a velocidade e a escala da restauração de ecossistemas marinhos em todo o mundo, com um ganho de eficiência até 60%.

Este marco, alcançado com o apoio estratégico da marca, no âmbito do seu programa de sustentabilidade oceânica, representa um ponto de viragem, permitindo que a restauração de florestas de algas, vitais para a biodiversidade marinha e para a captura de carbono, passe de projetos-piloto para uma implementação em larga escala. O novo viveiro, sediado em Peniche, tem a capacidade de produzir algas para cobrir mais de 1 hectare por ciclo.

“Este viveiro G3 não é apenas uma melhoria, é um salto quântico. Muda fundamentalmente a nossa capacidade de resposta à crise dos oceanos”, afirma Pål Bakken, fundador e CEO da SeaForester. “Passamos de uma escala artesanal para uma escala que pode, efetivamente, começar a curar o nosso litoral. O apoio de parceiros é crucial, pois eles não só fornecem recursos, mas partilham a visão de investir em soluções escaláveis e baseadas na ciência para resolver problemas sistémicos”, acrescenta.

A parceria, que utiliza subprodutos da indústria pesqueira nos seus alimentos para animais de companhia, reflete um compromisso com a saúde de toda a cadeia de valor marinha. Ao apoiar a restauração dos habitats que servem de maternidade para inúmeras espécies de peixe, o parceiro investe na resiliência do ecossistema do qual também depende.

“O nosso compromisso com o oceano tem de ir além da gestão responsável da nossa cadeia de fornecimento. Temos de ser um agente ativo de regeneração”, declara Kerstin Schmeiduch, diretora de Comunicação Corporativa e Sustentabilidade. “Quando a SeaForester nos apresentou a tecnologia G3, percebemos que estávamos perante uma solução que poderia verdadeiramente escalar o impacto. Apoiar este tipo de inovação disruptiva é a forma mais eficaz de cumprirmos a nossa promessa de deixar um planeta mais saudável”.

Para assinalar o Dia Mundial dos Oceanos, que se comemorou a 8 de junho, e demonstrar a implementação desta nova tecnologia, a marca, em parceria com a SeaForester e a Câmara Municipal de Cascais, realizou uma ação de plantação de algas marinhas em Cascais.

Fonte: iAlimentar

O estado da Flórida, nos EUA, iniciou uma das maiores experiências agrícolas com edição genética: a plantação comercial de mais de 300 mil árvores de citrinos geneticamente editadas com a tecnologia CRISPR. O objetivo é combater o “greening” (HLB), uma doença que reduziu drasticamente a produção e ameaça a viabilidade da indústria citrícola no país.

Depois de duas décadas de perdas contínuas provocadas pelo Huanglongbing (HLB), também conhecido como enverdecimento dos citrinos, a citricultura da Flórida entra numa nova fase marcada pela aposta em biotecnologia de ponta. Este ano serão plantadas mais de 300.000 árvores cítricas editadas com a tecnologia CRISPR, num dos ensaios mais ambiciosos até agora realizados em agricultura comercial.

O objetivo já não é apenas testar em ambiente controlado, mas avaliar o comportamento destas variedades em condições reais de produção, numa indústria fortemente afetada pela doença, por fenómenos climáticos extremos e por uma quebra acentuada da produção. Em duas décadas, a produção passou de cerca de 251 milhões de caixas para menos de 14 milhões.

A iniciativa é coordenada por estruturas de investigação e transferência tecnológica como a Citrus Research and Field Trial Foundation (CRAFT), que gere ensaios em larga escala e já canalizou mais de 85 milhões de dólares para apoiar produtores. O programa inclui ainda pagamentos diretos por árvore plantada e reembolsos adicionais para materiais genéticos emergentes, como portainjertos editados com CRISPR.

O esforço é também suportado por investimento público: a Comissão Citrícola da Florida aprovou recentemente cerca de 2 milhões de dólares para apoiar custos de licenciamento e adoção destas novas variedades. O modelo combina financiamento público com participação privada e recolha de dados em campo durante vários anos.

No plano científico, a Universidade of Flórida desempenha um papel central no desenvolvimento de novas plantas através de edição genética, melhoramento de precisão e inteligência artificial. Investigador têm sublinhado a complexidade de tornar os citrinos resistentes ao HLB, uma doença bacteriana para a qual não existe cura conhecida.

Em paralelo, o USDA-ARS tem vindo a desenvolver também ferramentas de diagnóstico baseadas em CRISPR, capazes de detetar a bactéria com uma sensibilidade muito superior aos métodos convencionais, permitindo decisões mais rápidas no terreno.

O sistema em implementação na Flórida não aposta numa única solução, mas sim num ecossistema integrado: plantas editadas para maior tolerância à doença, ferramentas de deteção precoce e um modelo de financiamento que partilha o risco entre produtores e Estado.

Mais do que um ensaio agrícola, este programa é já visto como um teste global à viabilidade da edição genética em culturas permanentes de grande escala. Os resultados poderão ter impacto direto noutras regiões citrícolas, incluindo a América do Sul, onde o HLB já está presente em vários países produtores.

Se os resultados forem positivos, esta poderá marcar um ponto de viragem na forma como a biotecnologia é usada para responder a doenças agrícolas complexas, não em laboratório, mas diretamente no campo.

Mais informação aqui.

Fonte: Centro de informação de biotecnologia

Um estudo de investigadores da Universidade de Calgary, no Canadá, concluiu que plantas como arroz e tomate reduzem ativamente a sua capacidade de absorver ferro quando estão expostas a situações de seca. A investigação, publicada na revista Cell, aponta para possíveis implicações na qualidade nutricional das culturas agrícolas.

O trabalho analisou a forma como as plantas respondem ao stress hídrico e de que modo essa resposta influencia a relação com os microrganismos presentes no solo, incluindo bactérias e fungos nas raízes.

“Descobrimos que esta alteração resulta de mudanças específicas nas raízes das plantas”, afirma Connor Fitzpatrick, autor principal do estudo e professor assistente no Departamento de Ciências Biológicas da Faculdade de Ciências da Universidade de Calgary. “Isto acontece porque as plantas, sob stress de seca, reduzem tanto os seus sistemas imunitários como os mecanismos de absorção de ferro”, enalteceu.

Segundo o investigador, esta resposta permite que um grupo específico de bactérias, designado Streptomyces, se desenvolva nas raízes. No entanto, a sua presença não significa necessariamente plantas mais saudáveis, uma vez que algumas estirpes podem ser benéficas e outras podem interferir com o desenvolvimento das plantas.

“Em conjunto, isto conduz a uma nova forma de pensar sobre as interações entre plantas e microrganismos durante a seca”, refere Connor Fitzpatrick. “A seca não se limita a provocar stress nas plantas. Reconfigura fundamentalmente a forma como gerem nutrientes e interagem com o mundo microbiano à sua volta”, afirmou.

O investigador considera que os resultados são relevantes para a biologia vegetal, mas também para a segurança alimentar e a nutrição humana.

“A deficiência de ferro já é uma das perturbações nutricionais mais disseminadas no mundo, afetando milhares de milhões de pessoas”, afirma. “Grande parte do ferro nas dietas humanas provém de plantas como cereais e leguminosas”, conclui.

O estudo sugere que os efeitos da seca sobre a produção agrícola e sobre a qualidade nutricional das culturas podem estar mais relacionados do que se pensava. “Isto significa que a seca pode não só reduzir a produtividade das culturas, como também diminuir a sua qualidade nutricional ao limitar o ferro nos tecidos comestíveis”, acrescenta o investigador.

A equipa identificou a redução da absorção de ferro enquanto procurava compreender o enriquecimento microbiano nas raízes das plantas. “Manipulámos experimentalmente o stress de seca e a disponibilidade de ferro para chegar ao mecanismo”, explica o investigador.

Numa primeira fase, os ensaios recorreram a Arabidopsis thaliana, organismo modelo em biologia vegetal. Posteriormente, os investigadores demonstraram o mesmo processo em diferentes culturas, como o arroz e o tomate.

De acordo com o investigador, os resultados abrem caminho ao desenvolvimento de tratamentos probióticos para o solo ou a estratégias de melhoria de culturas que mantenham a absorção de ferro durante períodos de seca.

Fonte: Vida Rural

A resistência antimicrobiana representa uma ameaça de longo prazo para a segurança alimentar, a produção pecuária, a economia e a saúde humana, levando a perdas económicas significativas, alerta uma nova avaliação económica da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Segundo o relatório The future of antimicrobial use in livestock – The economic cost of action or inaction, mantendo-se as tendências atuais, impulsionadas pelo aumento da procura de alimentos de origem animal e pela intensificação da produção, o uso global de antimicrobianos na pecuária poderá aumentar quase 30% até 2040, face a 2019.

A análise conclui que os promotores de crescimento antimicrobianos estão associados a ganhos de produtividade no curto prazo, sobretudo em regiões com menos recursos. No entanto, as perdas produtivas de longo prazo associadas ao aumento da resistência antimicrobiana poderão ser significativamente superiores.

Nos cenários avaliados, as perdas acumuladas na produção pecuária podem atingir cerca de 318 mil milhões de dólares até 2040 num contexto de elevada resistência antimicrobiana, contra cerca de 53 mil milhões de dólares no cenário mais severo de retirada progressiva dos antimicrobianos usados para promover o crescimento animal.

“Os custos de reduzir o uso desnecessário de antimicrobianos são frequentemente imediatos e concentrados, enquanto os benefícios de preservar a eficácia antimicrobiana são de longo prazo e amplamente partilhados”, afirmou Thanawat Tiensin, diretor-geral adjunto da FAO, diretor da Divisão de Produção e Saúde Animal e médico veterinário-chefe da organização.

Para o responsável, “a eficácia antimicrobiana deve ser tratada como um bem público global”, exigindo um melhor alinhamento entre os incentivos nacionais e ao nível das explorações e os benefícios globais de preservação da sua eficácia, com investimento que torne a prevenção viável em escala.

O relatório defende abordagens integradas que combinem regulação, incentivos económicos, investimento em serviços veterinários, vigilância e diagnóstico, bem como alternativas como vacinação, biossegurança e melhoria das práticas de gestão. A FAO estima que seriam necessários, pelo menos, 28,4 mil milhões de dólares em investimento de transição para cobrir os custos de curto prazo da ação.

A organização assinala que as orientações internacionais apontam cada vez mais para a restrição e eliminação progressiva dos antimicrobianos usados para promover o crescimento animal. Ainda assim, o relatório sublinha que o esforço para avançar com ajustes não será uniforme, uma vez que estes produtos estão associados a ganhos de produtividade, em particular em sistemas com maior risco sanitário e menor acesso a serviços veterinários, medidas de biossegurança e alternativas acessíveis.

De acordo com a análise, o uso futuro de antimicrobianos na pecuária pode ser reduzido através de ganhos de produtividade, sistemas de saúde animal mais robustos e melhor prevenção.

O relatório avança ainda que a eliminação progressiva de antimicrobianos usados para promover o crescimento animal implica, contudo, um impacto inicial visível, seguido de uma recuperação parcial à medida que os produtores se adaptam e adotam alternativas.

A resistência antimicrobiana segue uma trajetória distinta: os seus efeitos económicos podem ser menos evidentes numa fase inicial, mas tendem a aumentar ao longo do tempo. Para a FAO, esta diferença temporal ajuda a explicar o adiamento da ação, mesmo quando o argumento económico de longo prazo favorece a intervenção.

O relatório apresenta um enquadramento económico integrado de abordagem “Uma Só Saúde” e uma análise por cenários para avaliar o retorno do investimento na gestão responsável dos antimicrobianos na pecuária. A FAO conclui que esta transição não pode depender apenas de orientações técnicas ou de regulação nacional, defendendo metas claras, financiamento sustentável, incentivos de mercado e apoio à adoção ao nível das explorações.

Entre os instrumentos económicos referidos estão limites de utilização, normas transacionáveis e medidas fiscais, sempre adaptados ao contexto de cada país. A FAO considera ainda essencial combinar restrições com apoio direcionado à transição, incluindo investimentos em biossegurança, vacinação, serviços veterinários e acesso acelerado a alternativas não antibióticas eficazes.

A pressão sobre o setor deverá manter-se, uma vez que a produção pecuária global deverá aumentar cerca de 23% até 2040, liderada pela produção de aves e leite. No mesmo horizonte, a Ásia e o Pacífico deverão continuar a ser os maiores utilizadores globais de antimicrobianos na pecuária, representando quase 65% do total, seguidos da América do Sul, com cerca de 19%. África terá uma quota inferior, mas uma das taxas de crescimento mais elevadas.

Fonte: Vida Rural

Os alimentos produzidos a partir do reaproveitamento de excedentes agrícolas e subprodutos da indústria alimentar estão a ganhar relevância junto de fabricantes e consumidores, surgindo como uma resposta simultânea ao desperdício alimentar, à pressão sobre os custos e à crescente procura por opções mais sustentáveis.

Conhecidos como “upcycled foods”, estes produtos transformam ingredientes que normalmente seriam descartados em novos alimentos com valor acrescentado. A tendência está a ganhar força à medida que as empresas procuram melhorar a eficiência na utilização de recursos e reforçar as suas credenciais ambientais, num contexto em que o desperdício alimentar continua a representar um desafio global.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), o desperdício alimentar é responsável por cerca de 8% a 10% das emissões globais de gases com efeito de estufa e gera perdas económicas estimadas em um bilião de dólares por ano.

A crescente sensibilização dos consumidores para estas questões está a criar novas oportunidades de mercado. Dados da GlobalData revelam que metade dos consumidores considera que a origem sustentável de um produto influencia sempre as suas decisões de compra, reforçando o potencial comercial das soluções baseadas em reaproveitamento alimentar.

Empresas como a norte-americana Misfits Market e a britânica Oddbox têm sido pioneiras neste segmento. Ambas recuperam frutas e legumes excedentários ou considerados esteticamente imperfeitos, comercializando-os através de modelos de subscrição. No caso da Misfits Market, a estratégia vai mais longe, incluindo uma gama própria de produtos transformados a partir de ingredientes reaproveitados, como arroz partido, aparas de produção ou excedentes alimentares.

Apesar do interesse crescente, o preço continua a ser um fator decisivo para a adoção destes produtos. Um estudo da GlobalData mostra que muitos consumidores estão a reduzir despesas com alimentação devido ao aumento do custo de vida, enquanto um terço identifica os preços elevados como uma barreira à compra de produtos sustentáveis.

Segundo os analistas da consultora, o futuro dos alimentos reaproveitados dependerá da capacidade das marcas em combinar sustentabilidade com acessibilidade. Embora a consciência ambiental esteja a impulsionar a procura, a criação de uma base de consumidores fiel exigirá produtos competitivos em preço e capazes de demonstrar benefícios concretos para o ambiente e para a economia.

À medida que fabricantes e retalhistas procuram novas formas de reduzir desperdícios e melhorar margens, o reaproveitamento alimentar afirma-se como uma das tendências mais promissoras da indústria alimentar, conciliando inovação, sustentabilidade e eficiência económica.

Fonte: Grande Consumo

O oceano cobre mais de 70% da superfície da Terra, regula o clima, produz mais de metade do oxigénio que respiramos e sustenta milhões de famílias que dele dependem para viver. Mas, apesar desta importância colossal, enfrenta hoje uma pressão sem precedentes: poluição, sobrepesca, acidificação, perda de biodiversidade e impactos crescentes das alterações climáticas. 

Este Dia Mundial dos Oceanos surge como um apelo global para inverter a maré. Organizações científicas, governos, empresas e cidadãos estão a unir esforços para proteger ecossistemas marinhos críticos — dos recifes de coral às pradarias marinhas, das zonas costeiras às profundezas ainda desconhecidas.

Portugal na linha da frente da proteção marinha

Com uma das maiores zonas económicas exclusivas da Europa, Portugal tem um papel estratégico na defesa dos oceanos. Projetos de monitorização da biodiversidade, inovação azul, energias renováveis marinhas e combate ao lixo marinho estão a ganhar força, reforçando o compromisso nacional com a sustentabilidade oceânica.

Ao mesmo tempo, comunidades piscatórias continuam a adaptar-se a práticas mais sustentáveis, garantindo que a economia do mar pode prosperar sem comprometer os recursos das gerações futuras.

A ciência mostra o caminho

Da biotecnologia marinha à inteligência artificial aplicada à conservação, a ciência está a abrir novas portas para compreender e proteger os ecossistemas oceânicos. Estudos recentes revelam que restaurar habitats marinhos pode multiplicar a biodiversidade em poucos anos e aumentar a resiliência climática das zonas costeiras.

Um chamado à ação

O Dia Mundial dos Oceanos não é apenas uma data simbólica — é um convite para agir. Reduzir o consumo de plástico, apoiar pesca sustentável, valorizar produtos do mar certificados, participar em ações de limpeza costeira ou simplesmente divulgar informação credível são passos que fazem diferença.

O oceano dá-nos tudo: alimento, oxigénio, equilíbrio climático, beleza, vida. Hoje, pede-nos algo em troca — cuidar dele com a urgência e a responsabilidade que merece.

Fonte: Qualfood

Ensaio com camelina geneticamente editada pretende aumentar a produção de óleo e poderá abrir caminho à aplicação da tecnologia em culturas agrícolas de maior relevância económica.

O centro de investigação britânico Rothamsted Research iniciou o primeiro ensaio de campo no Reino Unido com uma cultura desenvolvida através de edição genética ao abrigo do novo quadro legal para organismos obtidos por melhoramento genético de precisão. Este é um passo importante para a biotecnologia agrícola no país e para a avaliação do potencial destas tecnologias em condições reais de cultivo.

A cultura escolhida para este ensaio é a Camelina sativa, uma oleaginosa utilizada na produção de óleos vegetais e biocombustíveis. O objetivo é testar variedades editadas geneticamente para verificar se os resultados obtidos em laboratório se confirmam no terreno.

O ensaio é o primeiro a ser registado ao abrigo da Lei de Tecnologia Genética (Melhoramento de Precisão), aprovada no Reino Unido em 2023, e das respetivas regulamentações que entraram em vigor em 2025. Esta legislação criou um regime específico para plantas desenvolvidas através de técnicas de edição genética que reproduzem alterações que poderiam ocorrer naturalmente ou resultar de métodos tradicionais de melhoramento.

Aumentar o tamanho das sementes e o teor de óleo

A equipa responsável pelo projeto, liderada pelas investigadoras Smita Kurup e Mollie Langdon, recorreu à tecnologia de edição genética CRISPR-Cas9 para modificar genes envolvidos na divisão celular durante o desenvolvimento dos óvulos da planta.

Ao atuar sobre estes mecanismos biológicos, os cientistas procuram aumentar o tamanho dos óvulos em formação, o que poderá resultar em sementes maiores e com maior teor de óleo. Segundo os investigadores, as alterações introduzidas consistem em pequenas inserções e deleções de ADN semelhantes às que podem surgir naturalmente ou através de cruzamentos convencionais.

Potencial para aplicação em culturas de maior importância económica

Os investigadores esperam que os conhecimentos obtidos com a camelina possam ser posteriormente aplicados à colza, uma das principais culturas utilizadas na produção de óleo vegetal no Reino Unido.

Caso os resultados de campo confirmem o desempenho observado em ambiente controlado, a tecnologia poderá contribuir para aumentar a produtividade das culturas oleaginosas e reforçar a produção nacional de óleos vegetais.

Para a equipa de Rothamsted Research, estes ensaios representam uma etapa essencial para avaliar de que forma o melhoramento de precisão pode ajudar os agricultores a produzir culturas mais produtivas e sustentáveis, contribuindo para responder aos desafios colocados pelas alterações climáticas e pela crescente procura de alimentos e matérias-primas agrícolas.

O ensaio constitui também um teste importante à nova legislação britânica, que pretende acelerar a inovação agrícola através de um enquadramento regulatório mais adaptado às tecnologias modernas de edição genética.

Fonte: CiB

O processamento industrial do peixe de aquacultura gera grandes volumes de subprodutos, tradicionalmente classificados como resíduos, que representam um desafio ambiental e económico para o setor. Na União Europeia, cerca de 45% da biomassa de peixe processado corresponde a subprodutos, incluindo cabeças, vísceras, espinhas, peles e escamas, totalizando centenas de milhares de toneladas por ano.

O potencial da economia circular como enquadramento para a valorização destes materiais, destacando a sua elevada riqueza em proteínas, lípidos ricos em ácidos gordos ómega-3, minerais e compostos bioativos. As principais estratégias de valorização, nomeadamente a hidrólise enzimática para obtenção de péptidos bioativos, a extração de colagénio, gelatina, óleos ricos em EPA e DHA e a recuperação de minerais como o cálcio, e ainda as aplicações destes compostos na alimentação humana e animal, cosmética, biomedicina, agricultura sustentável e produção de energia, bem como os benefícios e desafios associados à implementação de modelos circulares. Por fim, as perspetivas futuras centradas no desenvolvimento de biorrefinarias aquícolas e na inovação tecnológica como motores da transição para sistemas produtivos mais sustentáveis.

ECONOMIA CIRCULAR E SUBPRODUTOS DE PEIXE DE AQUACULTURA 

A economia circular constitui um modelo alternativo ao paradigma linear tradicional (“extrair–produzir–descartar”), promovendo a utilização eficiente de recursos, a minimização de resíduos e a regeneração de sistemas naturais. No contexto da aquacultura, a aplicação deste conceito é particularmente relevante, dado o elevado volume de subprodutos gerados ao longo da cadeia de valor do peixe, sobretudo nas etapas de processamento industrial. Esta abordagem contribui não só para a redução do impacto ambiental da atividade aquícola, mas também para o reforço da sustentabilidade económica do setor, promovendo a diversificação das fontes de receita e uma utilização mais eficiente de recursos.

Com base em dados da FAO, Eurostat e EUMOFA, a produção aquícola da União Europeia situa-se em torno de 1,1 milhões de toneladas anuais. Estima-se que até 75% do peixe de aquacultura seja sujeito a processamento industrial, correspondendo a aproximadamente 0,8–1,0 milhões de toneladas por ano (em equivalente de peso inteiro). Considerando que, em média, cerca de 45% da biomassa processada é convertida em subprodutos, o volume anual de desperdício de peixe gerado pela aquacultura na UE pode ser estimado entre 360 000 e 450 000 toneladas. Os principais subprodutos incluem cabeças, vísceras, espinhas, pele e escamas. Estes materiais apresentam uma composição nutricional caracterizada por elevados teores de proteínas de alto valor biológico, lípidos (incluindo ácidos gordos ómega-3 de cadeia longa), minerais e compostos bioativos, o que os torna particularmente atrativos para processos de valorização.

ESTRATÉGIAS PARA VALORIZAÇÃO 

Entre as abordagens de valorização mais estudadas destaca-se a hidrólise enzimática, que permite a libertação controlada de péptidos bioativos a partir das proteínas presentes nestes subprodutos. Estes péptidos podem apresentar diversas atividades biológicas, incluindo propriedades antioxidantes, anti-hipertensivas, anti-inflamatórias, antidiabéticas, antimicrobianas e moduladoras do sistema imunitário, possibilitando a sua utilização em áreas como o desenvolvimento de alimentos funcionais, nutracêuticos, suplementos alimentares e ingredientes bioativos para aplicações específicas na indústria alimentar e da saúde. O controlo das condições de processo e a seletividade enzimática são determinantes para maximizar a bioatividade, a estabilidade e a reprodutibilidade dos compostos obtidos.

A extração de colagénio e gelatina a partir de peles, escamas e espinhas constitui outra estratégia de valorização com elevado interesse tecnológico. O colagénio de origem marinha, para além do seu valor nutricional, apresenta propriedades funcionais interessantes, sendo utilizado em produtos gelificados, sobremesas e alimentos reformulados, incluindo aplicações direcionadas a grupos com necessidades nutricionais específicas. Paralelamente, a valorização da fração lipídica permite a recuperação de óleos ricos em ácidos gordos ómega-3, nomeadamente EPA e DHA, que podem ser purificados, estabilizados ou microencapsulados para incorporação em matrizes alimentares.

A recuperação de minerais, em particular o cálcio a partir de espinhas e escamas, tem igualmente vindo também a ganhar relevância, permitindo o desenvolvimento de ingredientes minerais naturais para, por exemplo, fortificação de alimentos.  

Fonte: TecnoAlimentar

A guerra no Irão está a introduzir uma nova vaga de disrupção nos mercados globais de consumo, num contexto em que empresas e consumidores ainda recuperam dos efeitos acumulados da crise financeira de 2008, da pandemia de Covid-19 e da guerra na Ucrânia.

Numa análise intitulada “Lessons From Past Global Crises for the Iran War”, a Euromonitor olha para estas três crises anteriores para identificar padrões de comportamento, riscos para as empresas e prioridades estratégicas no atual contexto geopolítico. A consultora considera que, embora cada crise tenha tido uma origem distinta, os seus impactos sobre o consumo revelam tendências comuns: maior procura por valor, pressão sobre os preços, necessidade de cadeias de abastecimento mais resilientes e vantagem competitiva para empresas com portefólios diversificados e estratégias de preço flexíveis.

Quarta grande disrupção em menos de 20 anos

Segundo a Euromonitor, a guerra entre Estados Unidos/Israel e Irão, em 2026, marca a quarta grande perturbação económica nos mercados de consumo em menos de duas décadas.

O impacto está a fazer-se sentir, desde logo, em áreas como viagens, energia, transporte e produção alimentar. A análise refere que o sector das viagens enfrenta a maior disrupção operacional desde a pandemia, enquanto os produtores alimentares lidam com a inflação impulsionada pelos custos de transporte e com escassez de fatores de produção essenciais, como fertilizantes e CO₂.

A consultora sublinha que as empresas não poderão simplesmente transferir todos os aumentos de custos para consumidores, já desgastados por crises sucessivas. Parte da pressão terá de ser absorvida nas margens, sobretudo em categorias intermédias, onde a sensibilidade ao preço tende a ser mais acentuada.

Crise de 2008 trouxe o trading down

A primeira grande lição vem da crise financeira global de 2008. Na altura, a disrupção começou nas economias desenvolvidas e espalhou-se rapidamente através dos canais financeiros.

A consequência mais evidente no consumo foi a inversão do movimento de trading up para trading down. Ou seja, muitos consumidores passaram a trocar produtos premium por alternativas de preço mais acessível, incluindo marcas massificadas ou posicionadas no segmento masstige.

Na beleza e na moda, esta tendência foi particularmente visível. A Euromonitor recorda que o crescimento do retalho premium de beleza e cuidados pessoais mais do que reduziu para metade em 2008, ficando em apenas 2% em valor corrente, à medida que os consumidores migraram para propostas mais acessíveis. Depois da crise, a despesa global no retalho demorou três anos a recuperar.

A principal lição para o presente é clara: em períodos de aperto financeiro, o consumidor tende a reavaliar prioridades, procurar preço e reduzir a exposição a categorias ou marcas consideradas dispensáveis.

Covid-19 acelerou digital e bem-estar preventivo

A segunda lição vem da pandemia. Ao contrário da crise financeira, a Covid-19 provocou uma disrupção imediata no consumo de bens de grande consumo, marcada por açambarcamento, deslocação do consumo para casa, maior procura por formatos familiares e aceleração do comércio eletrónico.

Segundo a Euromonitor, as categorias associadas à cozinha em casa beneficiaram fortemente deste contexto. As vendas globais de meal kits cresceram 50%, enquanto os alimentos básicos aumentaram 7% em valor corrente em 2020.

Mas o legado mais duradouro da pandemia foi a aceleração digital. As vendas online de alimentos embalados dispararam, consolidando o online grocery e os modelos diretos ao consumidor como canais permanentes e não apenas soluções temporárias de crise.

Ao mesmo tempo, a Covid-19 redefiniu prioridades de consumo em torno da ideia de “bem-estar como prevenção”. Alimentos funcionais, produtos associados à imunidade e soluções ligadas ao equilíbrio mental ganharam relevância, num contexto em que saúde, segurança e conveniência passaram a pesar mais na decisão de compra.

Guerra na Ucrânia agravou energia, matérias-primas e marca própria

A terceira crise analisada pela Euromonitor é a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022. O conflito surgiu quando a economia global ainda recuperava dos impactos da pandemia e teve efeitos diretos nas cadeias de abastecimento, nos preços da energia e nas matérias-primas agrícolas.

A consultora refere que este contexto acelerou uma situação de estagflação, combinando inflação elevada com crescimento económico fraco. A subida dos preços pressionou os consumidores, enquanto o fraco crescimento salarial afetou a confiança.

As categorias alimentares foram particularmente afetadas, sobretudo óleos alimentares e produtos dependentes de cereais. O consumidor respondeu aumentando a compra de marcas próprias. No Reino Unido, por exemplo, a quota da marca própria na massa seca cresceu 4,3 pontos percentuais em 2022.

Foi também neste contexto que a shrinkflation ganhou escala como estratégia empresarial: manutenção do preço facial, mas redução da quantidade ou dimensão do produto. Para as empresas, a lição passa pela gestão fina da arquitetura de preço, formato e margem, mas com risco reputacional se o consumidor sentir falta de transparência.

Cadeias de abastecimento entram no centro da estratégia

A Euromonitor identifica a resiliência das cadeias de abastecimento como uma das principais respostas empresariais às crises recentes.

Nas disrupções anteriores, as empresas que conseguiram reagir melhor foram aquelas com capacidade para ajustar preços de forma seletiva, repensar formatos de embalagem, diversificar portefólios e acelerar canais digitais.

A consultora destaca exemplos como a transição da Shiseido para o comércio eletrónico durante a pandemia, a adoção de entregas diretas via WeChat por empresas chinesas de lacticínios e o reforço da força de trabalho da Amazon em 100 mil pessoas para responder ao aumento da procura online.

A mensagem central é que a flexibilidade deixou de ser um atributo tático para passar a ser uma condição de sobrevivência. Portefólios com presença em segmentos premium, médio e valor tendem a oferecer maior estabilidade quando o consumo se polariza entre preço e qualidade.

Guerra no Irão pressiona energia, transporte e alimentação

No caso da guerra no Irão, a Euromonitor considera que a disrupção atual se distingue por provocar uma pressão prolongada sobre custos de energia e transporte, agravando tensões nas cadeias de abastecimento que já vinham da pandemia e da guerra na Ucrânia.

A análise refere que, em 2025, a família média já gastava mais 33% em bens e serviços do que antes da pandemia. Isto significa que a nova crise surge sobre uma base de consumidores financeiramente cansada, menos disponível para absorver aumentos adicionais de preço.

Para os produtores alimentares, este quadro é particularmente exigente. A inflação associada aos transportes pode refletir-se em matérias-primas, embalagens, distribuição e custos logísticos, afetando toda a cadeia de valor.

Empresas terão de absorver parte dos custos

Uma das conclusões mais relevantes da Euromonitor é que as empresas terão de aceitar alguma perda de margem. Num contexto de consumidores pressionados por crises sucessivas, transferir integralmente os aumentos de custos para o preço final poderá penalizar volumes, confiança e fidelidade.

A consultora antecipa uma forte pressão sobre os produtos de gama média. Estes tendem a ficar numa posição vulnerável: podem ser considerados caros face às marcas de valor, mas sem o capital simbólico ou funcional das opções premium.

Neste ambiente, as empresas terão de encontrar equilíbrio entre preço, valor percebido e diferenciação. A resposta não deverá passar apenas por promoções, mas por propostas de valor mais claras, comunicação transparente e capacidade de justificar preço através de qualidade, origem, confiança ou funcionalidade.

Confiança, autenticidade e proximidade ganham peso

Para além do preço, a Euromonitor antecipa que os consumidores irão valorizar cada vez mais confiança, autenticidade e proximidade. Em momentos de crise, o consumidor tende a procurar referências estáveis. Isto pode beneficiar marcas com ligação clara ao território, cadeias de abastecimento transparentes, produção regional ou compromisso comprovado com comunidades locais.

A análise aponta ainda para uma valorização da saúde espiritual, da comunidade e da família, à medida que a casa volta a ganhar centralidade nos hábitos de consumo. Este padrão aproxima-se de alguns comportamentos observados durante a pandemia, mas com uma diferença importante: agora, o consumidor está mais cansado, mais sensível ao preço e mais seletivo.

Do nearshoring ao friendshoring

Na dimensão industrial e logística, a Euromonitor antecipa uma evolução do nearshoring para estratégias mais explícitas de friendshoring ou ally-shoring. Ou seja, as empresas tenderão a privilegiar fornecedores e geografias consideradas politicamente alinhadas, previsíveis ou menos expostas a riscos geopolíticos.

Esta mudança poderá implicar custos adicionais, nomeadamente em armazenamento de reservas, redundância logística, diversificação de fornecedores e adaptação de infraestruturas.

Para as empresas, a eficiência pura já não chega. A prioridade passa a ser a continuidade de abastecimento, mesmo que isso implique aceitar custos estruturais mais elevados.

Comportamentos de crise tornam-se permanentes

A principal conclusão da Euromonitor é que muitos comportamentos nascidos em contexto de crise estão a tornar-se permanentes.

Localismo, procura de valor, reconfiguração das cadeias de abastecimento, bem-estar preventivo, digitalização e maior exigência de confiança deixam de ser respostas temporárias e passam a fazer parte da estrutura do consumo.

Para as empresas, isto implica ir além da simples otimização de custos. A Euromonitor defende que as organizações devem investir em fontes de abastecimento diversificadas, produção regional e propostas de valor assentes em confiança, autenticidade e envolvimento comunitário.

O que devem fazer as empresas?

A leitura cruzada das crises anteriores aponta para várias prioridades estratégicas. As empresas devem proteger a acessibilidade sem destruir valor de marca. Devem reforçar cadeias de abastecimento, sem depender de uma única origem. Devem adaptar a arquitetura de preços e formatos, mas evitando estratégias que possam ser percebidas como pouco transparentes. Devem também acelerar canais digitais, mas sem esquecer que a confiança continua a ser decisiva em categorias sensíveis.

Sobretudo, terão de reconhecer que o consumidor de 2026 não reage a esta crise como reagiria antes da pandemia. É um consumidor mais experiente em choques sucessivos, mais atento ao preço, mais exigente na relação com as marcas e menos tolerante a aumentos que pareçam injustificados.

Neste contexto, as empresas que conseguirem combinar resiliência operacional, flexibilidade comercial e relevância emocional estarão mais bem posicionadas para atravessar a nova disrupção geopolítica.

Fonte: Grande Consumo