A União Europeia emitiu um alerta através do Sistema de Alerta Rápido para Géneros Alimentícios e Alimentos para Animais (RASFF) após a deteção de níveis elevados de toxinas DSP — nomeadamente ácido ocadaico e dinofisistoxinas — em coquilhas (Donax trunculus) capturadas em Portugal. Estas toxinas, produzidas por microalgas e acumuladas em bivalves filtradores, estão associadas a intoxicações gastrointestinais quando consumidas acima dos limites regulamentares.
Segundo o enquadramento do RASFF, sempre que um Estado‑Membro identifica um risco grave e direto para a saúde humana, a informação é imediatamente comunicada à Comissão Europeia, que a distribui aos restantes países para permitir ações rápidas e coordenadas.
No caso das coquilhas portuguesas, a notificação enquadra‑se na categoria de alerta, utilizada quando o produto já se encontra no mercado e exige medidas urgentes — como recolha, suspensão de comercialização ou reforço de controlo analítico.
As toxinas DSP (Diarrhetic Shellfish Poisoning) incluem o ácido ocadaico e as dinofisistoxinas, compostos que podem provocar sintomas como náuseas, vómitos, dores abdominais e diarreia poucas horas após o consumo. Embora raramente causem complicações graves, representam um risco significativo para consumidores vulneráveis e exigem vigilância apertada por parte das autoridades.
A Direção‑Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), ponto de contacto nacional do RASFF, está a acompanhar a situação e a coordenar ações com operadores e entidades regionais para garantir que os produtos contaminados não chegam ao consumidor.
Este episódio reforça a importância do sistema europeu de alerta rápido, que permite detetar, comunicar e agir rapidamente.
Fonte: Qualfood
A International Coffee Partners (ICP) assinalou o seu 25.º aniversário com um investimento acumulado de 25 milhões de euros em projetos de apoio à produção sustentável de café.
Criada em 2001, no contexto de uma crise mundial do café, a organização nasceu de uma iniciativa conjunta de empresas europeias, que decidiram cooperar de forma pré-competitiva para tornar a produção mais resiliente e sustentável.
Ao longo de um quarto de século, a ICP desenvolveu projetos centrados nas necessidades reais dos pequenos produtores. Assim, procurou promover não só a melhoria da produtividade e qualidade, mas também o fortalecimento das comunidades agrícolas e das economias locais. “Atualmente, a ICP adota uma abordagem holística que abrange não só a produtividade e a qualidade, mas também o fortalecimento dos negócios familiares, a resiliência climática, o envolvimento dos jovens e a igualdade de género”, refere a organização.
A organização trabalhou também com mais de 2.700 organizações de agricultores, contribuindo para a profissionalização de cooperativas e para o acesso a mercados mais competitivos.
A aposta na formação tem sido outro pilar central, com destaque para a inclusão. Em 2025, 45% dos participantes nas ações de formação eram mulheres e 22% jovens entre os 18 e os 35 anos.
Num contexto de crescente pressão climática e económica, a ICP tem vindo a apostar na disseminação de técnicas de adaptação e na diversificação de culturas. O objetivo é aumentar a resiliência das famílias produtoras e melhorar os seus rendimentos.
Os projetos são implementados em países como Brasil, Etiópia, Honduras, Indonésia, Tanzânia e Uganda, garantindo uma atuação próxima das comunidades.
Fonte: Grande Consumo
Uma nova variedade de banana que não escurece após o corte, desenvolvida por uma empresa britânica de biotecnologia agrícola, obteve aprovação regulamentar no Japão e no Brasil, permitindo a sua importação, comercialização e consumo nestes mercados, bem como a produção em território brasileiro.
Segundo a empresa, a autorização nestes dois países representa um passo relevante para a introdução desta variedade em mercados estratégicos da cadeia mundial de frutas frescas. No Japão, um mercado caracterizado por elevados padrões de qualidade e consistência, a nova banana surge alinhada com as exigências de frescura e segurança alimentar.
No Brasil, um dos maiores produtores e consumidores de banana a nível mundial, a aprovação abre caminho à produção local. O país representa cerca de 10% da produção global desta fruta, e a introdução da nova variedade poderá contribuir para reduzir perdas ao longo da cadeia de valor, ao mesmo tempo que diversifica a oferta disponível no mercado interno.
A característica diferenciadora desta banana é a sua capacidade de manter o aspeto e a qualidade após ser descascada ou cortada, permanecendo amarela por mais tempo. Esta propriedade permite reduzir o desperdício em diferentes fases da cadeia, incluindo retalho, restauração e distribuição.
Segundo o responsável da empresa, “estas aprovações representam um grande passo em frente para levar produtos inovadores e com redução de desperdício aos consumidores em todo o mundo”. O responsável acrescenta que “o Japão e o Brasil desempenham papéis cruciais no mercado global de frutas, e estas decisões refletem a crescente confiança internacional em novas tecnologias agrícolas projetadas para cadeias de suprimentos modernas”.
A variedade foi lançada comercialmente em 2025 e corresponde à primeira nova variedade de banana introduzida em mais de 75 anos.
Fonte: Vida Rural
Investigadores do Instituto Universitário de Ciências da Saúde (IUCS) concluíram que as explorações intensivas de gado do Norte podem ser reservatórios de uma bactéria resistente, associada a infeções hospitalares, defendendo a “necessidade urgente” de uma vigilância integrada.
Os resultados do estudo, que vai ser apresentado hoje num congresso internacional no Porto, mostram “a necessidade urgente de uma vigilância no âmbito da abordagem One Health dos enterococos [a bactéria estudada], clinicamente relevantes no gado, especialmente em sistemas de produção intensiva”, observou a investigadora Ana Raquel Freitas, do IUCS da Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário (CESPU), em declarações à Lusa.
A professora explicou que a abordagem One Health (uma só saúde, em português) defende que a saúde humana está intimamente ligada à saúde animal e ambiental, pelo que a vigilância deve ter isso em conta.
O controlo “neste tipo de ambientes de produção” não inclui obrigatoriamente a pesquisa por bactérias resistentes a antibióticos, nomeadamente a que agora foi estudada pelo instituto da CESPU, com sede em Gandra, Paredes, no distrito do Porto, referiu a investigadora.
Na investigação, a equipa analisou as fezes das vacas e todo o ambiente da exploração, tendo encontrado a bactéria “nas máquinas, nos robôs do leite, nas botas do explorador, do veterinário, no intestino dos veterinários, dos tratadores, do dono da exploração, etc”, observou Ana Raquel Freitas.
“O uso de antibióticos neste tipo de produção intensiva de animais está muito mais apertado, mas ainda são usados antibióticos nos animais doentes. E as bactérias já estão instaladas, já estão lá. Conseguem persistir, manterem-se ao longo de gerações e ao longo das cadeias. Isto não vai desaparecer nunca. Portanto, a vigilância tem que ser apertada”, vincou.
O estudo centrou-se na bactéria ‘Entorococcus’ e encontrou também “variantes com resistência a antibióticos considerados críticos, como a linezolida”, um antibiótico “muito importante para tratar infeções humanas, de última linha”.
“Esta é uma bactéria que existe no nosso intestino. É uma bactéria que faz parte do nosso trato gastrointestinal, do homem e dos animais, e que nos faz falta, até nos faz bem. No entanto, é também uma bactéria oportunista, ou seja, que pode causar infeções em determinados contextos, nomeadamente pacientes hospitalizados, pacientes com imunodepressão ou doenças”, afirmou Ana Raquel Freitas.
A origem da bactéria é desconhecida, notou.
“Como é que elas vão parar aqui aos bovinos? Não sabemos. O circuito, até pode ser de origem humana. Até podem vir na ração ou do ambiente. O importante aqui é o risco inerente, quer por contacto direto com os tratadores, os veterinários, com o animal, quer pela cadeia alimentar, porque nós comemos esta carne e bebemos o leite”, observou.
Fonte: Agroportal
Em 2023, a área agrícola total em produção biológica em Portugal estava contabilizada em 860 878 hectares. O Despacho agora assinado pelo ministro da Agricultura e Mar vem esclarecer procedimentos, definir responsabilidades e, em alguns casos, operacionalizar instrumentos.
Na agricultura, o modo de produção biológica é um sistema global de gestão das explorações agrícolas e de produção de géneros alimentares que combina vários fatores em simultâneo.
Por um lado, implica a adoção das melhores práticas ambientais, um elevado nível de biodiversidade, a preservação dos recursos naturais, a aplicação de normas exigentes em matéria de bem-estar dos animais e um método de produção em sintonia com a preferência de certos consumidores por produtos obtidos utilizando substâncias e processos naturais.
Mais do que uma técnica agrícola, a prática da agricultura biológica é uma forma de estar mais próxima da natureza e das pessoas, também porque se baseia no respeito pelos ciclos naturais, na proteção da biodiversidade e na valorização dos recursos locais, promovendo ainda um equilíbrio entre o ser humano e a natureza.
Mais. Está demonstrado que este modo de produção agrícola pode desempenhar um papel importante na mitigação dos efeitos das alterações climáticas e na restauração da biodiversidade.
O que significa ser biológico?
É um facto que os produtos de origem agrícola biológica estão cada vez mais presentes nos nossos mercados e nas superfícies comerciais da chamada grande distribuição e, mesmo, nos pequenos estabelecimentos de bairro.
A associação ambientalista ZERO questiona, porém, sobre o que significa, na verdade, o termo biológico.
Numa outra perspetiva, “podemos olhar a agricultura biológica como um sistema de regulamentação e certificação da aplicação de normas em matéria de bem-estar dos animais e método de produção obtida com utilização de substâncias e processos naturais”, acrescenta a associação ambientalista.
A agricultura biológica também é conhecida como “agricultura orgânica” (no Brasil e em países de língua inglesa), “agricultura ecológica” (em Espanha e na Dinamarca) ou “agricultura natural” (no Japão).
Portugal: 860 878 ha em modo biológico
Em 2023, a área agrícola total em produção biológica em Portugal estava contabilizada em 860 878 hectares, o que representava uma proporção de 22,3% da Superfície Agrícola Utilizada (SAU) e um aumento de quatro vezes em cinco anos.
Portugal registou, aliás, um aumento da área agrícola em produção biológica para todos os grupos de culturas, com prevalência gradual em “prados e pastagens permanentes” que, em 2023, representaram 50,5% da área total em modo de produção biológica.
O Despacho nº 5207/2026 que o ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, fez publicar esta semana determina agora a criação e operacionalização de uma plataforma digital de suporte aos modos de produção biológica e produção integrada.
O Ministério da Agricultura fala de um “reforço da partilha de informação entre entidades públicas e o controlo destes regimes” de produção agrícola: biológica e integrada.
São, assim, disposições e diretrizes específicas no quadro da ação governativa e que careciam de publicação em Diário da República, para serem formalizadas, tornando públicas as decisões e orientações definidas pelas entidades competentes.
Controlo da comercialização pela ASAE
Em Portugal, o controlo oficial da produção biológica é regulamentado pelo Plano de Controlo em Regimes de Qualidade (Produção Biológica) – PNCP, coordenado pela Direção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (“DGADR”).
Este controlo incide sobre as fases de produção, preparação, distribuição, importação e colocação de produtos biológicos à disposição do consumidor final.
A verificação destas práticas cabe aos organismos de controlo reconhecidos pela DGADR, que verificam os sistemas de controlo disponíveis através de uma supervisão anual.
Numa outra vertente, o controlo da comercialização dos produtos biológicos nos vários locais de venda é assegurado pela Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE).
A associação ZERO alerta, contudo, para o facto dos organismos de controlo serem, “sobretudo, empresas privadas , cuja fonte de receita é advém dos produtores que controlam”.
Assim sendo, “apesar da existência de uma supervisão robusta, este possível conflito de interesses pode levar a lacunas no controlo”, avisa a ZERO.
Fonte: tempo.pt
A restauração dos solos pode provocar um arrefecimento climático três vezes superior ao aquecimento causado pelos gases com efeito de estufa (GEE), indica um relatório divulgado hoje, que aponta o solo como um “poderoso regulador” do clima.
O relatório “A Esponja de Carbono do Solo: Restaurar o Sistema de Arrefecimento Hidrológico da Terra para a Estabilidade Climática”, realizado pela organização internacional “Save Soil”, considera o solo uma “infraestrutura climática essencial” mas que é “gravemente negligenciada”.
Os autores do documento indicam que solos saudáveis são o caminho “mais subutilizado” para a estabilidade climática, e explicam que a recuperação da matéria orgânica do solo poderia aumentar a evapotranspiração [processo em que a água passa da terra para a atmosfera por meio da evaporação e da transpiração das plantas] o suficiente para compensar três ‘watts’ por metro quadrado (W/m²) de aquecimento solar.
O desequilíbrio energético total que impulsiona o aquecimento global é de aproximadamente 0,9 W/m², dizem os autores do relatório.
“Estamos a ignorar um dos mais poderosos reguladores climáticos bem debaixo dos nossos pés. Restaurar o solo é reativar o sistema natural de arrefecimento da Terra”, afirmou Praveena Sridhar, conselheira científica e política principal do Save Soil, citada num comunicado sobre o relatório.
Segundo o documento, 95% da regulação do calor da Terra dependem pelos ciclos da água e os solos saudáveis funcionam como uma “esponja de carbono”, armazenando água, sustentando a vegetação e alimentando a evapotranspiração, “o processo de arrefecimento natural mais eficaz do planeta”.
O relatório adianta que cada aumento de 1% na matéria orgânica do solo permite que a terra retenha mais 250.000 litros de água por hectare, alimentando um arrefecimento contínuo através da vegetação e do ciclo hidrológico.
Mas, alertam os autores do relatório, a “esponja” está a deteriorar-se, com 52% das terras agrícolas globais atualmente degradadas. Na Europa entre 60% e 70% dos solos estão classificados como degradados e nos Estados Unidos quase um terço está gravemente degradado.
O relatório apela para que o solo seja reconhecido como “infraestrutura climática essencial” e para que a regeneração dos solos seja integrada, em paralelo com a redução das emissões, nas estratégias climáticas nacionais e internacionais.
“Restaurar a saúde do solo representa uma das oportunidades mais rápidas e económicas para estabilizar o clima, melhorando simultaneamente a segurança alimentar e hídrica”, diz-se no comunicado.
Fonte: Agroportal
O InnovPlantProtect (InPP) – Laboratório Colaborativo localizado em Elvas, desenvolveu uma tecnologia inovadora de revestimento biológico para sementes a partir de algas, com efeito bioestimulante e com potencial para melhorar o desempenho das pastagens e forragens.
A descoberta, que está a ser patenteada, resulta de cinco anos de colaboração com uma empresa de comercialização de misturas de sementes de leguminosas, e permite estimular a nodulação em leguminosas, promover o crescimento vegetativo desde as fases iniciais de desenvolvimento, aumentar a resistência das plantas em condições de stress e melhorar o perfil nutricional do pasto, contribuindo para uma agricultura mais eficiente e sustentável.
“É com enorme satisfação que vemos uma das nossas linhas de investigação produzir resultados práticos. Não tenho dúvida que este produto vai ao encontro das necessidades de muitos produtores e contribuirá para que a nossa associada reforce a sua vertente inovadora, tornando-a ainda mais competitiva no mercado nacional e na exportação. Trabalhamos todos os dias para que isto aconteça e este é o primeiro exemplo do nosso pipeline em desenvolvimento.”, afirma António Saraiva, diretor executivo do InPP.
Já para a empresa, o novo produto, que procura ser uma alternativa eficaz ao revestimento de sementes convencional baseado em produtos sintéticos, “reflete também o trabalho das equipas de I&D, cuja colaboração tem sido decisiva para transformar conhecimento científico em inovação com utilidade prática. Nós pretendemos manter uma aposta firme no desenvolvimento de soluções diferenciadoras para o sector”, sublinha Pedro Viterbo, gestor da empresa.
Este desenvolvimento surge num contexto de forte crescimento do mercado global de biossoluções e produtos biológicos para a agricultura, impulsionado pela procura crescente por práticas agrícolas mais sustentáveis, pela necessidade de reduzir o impacto ambiental da produção agrícola e por novas exigências regulamentares. Neste cenário, soluções inovadoras baseadas em conhecimento científico tornam-se fundamentais para apoiar a transição do setor.
Esta inovação resulta de atividades de I&D desenvolvidas no âmbito da Agenda Mobilizadora Pacto da Bioeconomia Azul, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e tem como objetivo desenvolver novos produtos, processos e serviços de alto valor a partir de recursos marinhos, como é o caso deste revestimento de sementes. Como passo decisivo para a sua valorização, foi assinado em Elvas, a 4 de março deste ano, um memorando de entendimento para a exploração comercial desta tecnologia.
Para as empresas do setor agrícola, colaborar com o InPP representa uma oportunidade concreta para acelerar processos de investigação e inovação próprios, reduzir riscos associados ao desenvolvimento tecnológico e aceder a conhecimento especializado, talento científico altamente qualificado, financiamento competitivo e redes de colaboração nacionais e internacionais que reforçam a sua competitividade.
Fonte: Agronegócios
O programa Portugal Sou Eu relançou, a 20 de abril, a sua campanha de notoriedade, num momento simbólico que antecede a celebração do Dia da Produção Nacional, assinalado a 26 de abril. A iniciativa aposta numa presença multimeios e numa abordagem mobilizadora para reforçar o posicionamento do programa como referência na valorização da produção nacional.
Com presença em televisão, rádio, imprensa e meios digitais, a campanha é assinada com o claim ‘Mostra que és dos nossos. Começa hoje’, assumindo-se como um apelo direto à ação e à identificação com a marca.
O conceito criativo assenta no espírito de equipa e na força coletiva dos portugueses, procurando evidenciar o impacto das decisões de consumo no desenvolvimento económico do país. Neste enquadramento, a adesão ao selo Portugal Sou Eu é apresentada como um contributo efetivo para a economia nacional, posicionando o programa como um movimento agregador que reflete a identidade e o potencial coletivo.
Do ponto de vista visual e de linguagem, a campanha adota uma abordagem dinâmica e descontraída, orientada para a mobilização, mantendo uma ligação consistente à identidade portuguesa e explorando um território criativo distintivo.
Entre os principais objetivos estão o aumento da notoriedade espontânea da marca, a valorização do consumo de produtos e serviços nacionais e o reforço da perceção do seu valor junto dos diferentes públicos. Paralelamente, a campanha pretende intensificar o reconhecimento e a adesão ao programa, tanto por parte dos consumidores como das empresas.
A iniciativa assume ainda um papel estratégico no reposicionamento da marca, destacando atributos como a sustentabilidade e promovendo a construção de uma relação emocional mais sólida e duradoura com os seus públicos.
O programa Portugal Sou Eu foi lançado em Dezembro de 2012 pelo Governo de Portugal para dinamizar a competitividade das empresas portuguesas, promover o equilíbrio da balança comercial, combater o desemprego e contribuir para o crescimento sustentado da economia.
Dirigido ao setor primário, indústria, serviços, artesanato, comércio a retalho e por grosso, restauração e alojamento com restauração, o Portugal Sou Eu sinaliza, através da atribuição do selo, os produtos e serviços que geram valor em Portugal.
O programa Portugal Sou Eu tem mais de 4 500 empresas registadas, das quais cerca de 2 000 com processo de adesão concluído. Com o selo Portugal Sou Eu estão qualificados mais de 19 500 produtos e serviços que, no conjunto, representam um volume de negócios agregado superior a 12 mil milhões de euros. A maioria dos produtos tem marcas registadas, sendo que 57% são do setor da alimentação e bebidas e 23% correspondem às atividades de artesanato.
O programa, cofinanciado pelo Compete 2030, Portugal 2030 através da União Europeia, é gerido por um Órgão de Gestão formado pela Associação Empresarial de Portugal (AEP), Associação Industrial Portuguesa-Câmara de Comércio e Indústria (AIP-CCI), Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) e pelo Iapmei – Agência para a Competitividade e Inovação.
Assista ao vídeo da campanha AQUI.
Fonte: iAlimentar
Muitos milhões de insetos polinizadores deverão passar por eco pomares de Maçã de Alcobaça nas duas próximas semanas, no âmbito do programa de agroecologia desenvolvido pela associação de produtores para tornar a produção mais ecológica.
“Mais de seis milhões de macieiras e provavelmente mais de cinco mil milhões de flores abriram neste mês de Abril e serão visitadas pelas abelhas e por um conjunto vasto de insetos naturais e autóctones dos pomares de macieiras da região Oeste”, divulgou hoje a Associação de Produtores de Maçã de Alcobaça (APMA) estimando que, nas duas próximas semanas, os pomares consigam atrair “biliões de insetos polinizadores, principalmente as abelhas”.
O fenómeno prende-se com um programa de agroecologia desenvolvido pela APMA nos últimos oito anos, com base num estudo “da grande família de insetos polinizadores”, que demonstrou existirem “espécies destas, muito mais interessantes, mais especializadas em macieiras, mais ativas e mais bio funcionais”.
Ou seja, explica a APMA, “espécies que para além do papel na polinização desempenham grande atividade predatória de pragas em outras fases do seu ciclo de vida”, funções que têm sido aplicadas em vários ecos pomares de associados desta entidade.
“Este ano, o fenómeno foi amplificado por uma floração abundante e condições climáticas favoráveis à atividade dos insetos polinizadores”, evidente neste início de Primavera, quando os pomares de Maçã de Alcobaça iniciam o seu ciclo produtivo com a floração, que culminará com a transformação de flores em fruto.
Uma macieira pode produzir durante a floração “entre 1.000 a 5.000 flores e, geralmente, basta que 1% a 5% das flores sejam fecundadas para assegurar uma produção anual razoável”, refere a APMA, estimando que as macieiras em flor atraiam nesta altura vários biliões de insetos polinizadores.
Passada esta fase de atividade de polinização, “dada a elevada população destes indivíduos, entrar-se-á na fase de controlo de pragas, particularmente de pulgões que serão o próximo alimento da fase larvar da próxima geração destes maravilhosos e polivalentes insetos”, explica a APMA.
Este processo é referido como “um dos serviços de natureza que a Maçã de Alcobaça IGP (Identidade Geográfica Protegida) proporciona e contribui, ao longo do seu processo produtivo, no sentido de ser cada vez mais um sistema agrícola benéfico a todos os níveis, ecológico, social e económico”, com produtores, técnicos, organizações e detentores de Eco Pomares a investirem em infraestruturas ecológicas e naturalização de espaços envolventes “com flora adequada à alimentação e multiplicação destas espécies, mesmo para além dos períodos de floração e atividade das macieiras”, explica a APMA.
Os estudos locais em curso e outras evidências científicas “provam que as maçãs obtidas pela polinização cruzada (insetos), têm mais qualidade, melhor desenvolvimento e mais riqueza nutricional, da ordem dos 6% a 10% superior face a maçãs não polinizadas” refere o texto.
A Maçã de Alcobaça IGP inclui nove variedades (Casanova de Alcobaça, Golden Delicious, Red Delicious, Royal Gala, Fuji, Granny Smith, Jonagold, Reineta e Pink), produzidas na região do Oeste e que representam uma produção anual que varia entre as 50 mil e as 70 mil toneladas por ano, segundo a APMA.
Fonte: Agroportal
Um projeto desenvolvido pela Science 351 e cofinanciado pelo Compete 2030 está a criar revestimentos naturais para papel, com o objetivo de substituir o plástico nas embalagens alimentares, melhorando a resistência à água, gorduras e gases e mantendo a reciclabilidade.
A Science 351 está a desenvolver uma tecnologia inovadora que pretende transformar o papel numa alternativa eficaz ao plástico nas embalagens alimentares, através do projeto ‘The Wall Paper’, cofinanciado pelo Compete 2030. A iniciativa centra-se na criação de revestimentos de base natural capazes de ultrapassar as limitações técnicas que atualmente condicionam o uso do papel em contacto direto com alimentos.
Apesar de ser biodegradável e reciclável, o papel apresenta fragilidades significativas, nomeadamente a absorção de água e gordura e a baixa resistência ao oxigénio e ao vapor de água. Estas características obrigam, frequentemente, à utilização de camadas plásticas, comprometendo a sua sustentabilidade.
Para responder a este desafio, o projeto aposta no desenvolvimento de revestimentos biodegradáveis que conferem propriedades hidrofóbicas e oleofóbicas ao papel, assegurando simultaneamente uma barreira eficaz contra gases e humidade. Segundo a Science 351, o objetivo passa por “redesenhar o papel”, dotando-o de funcionalidades avançadas sem recorrer a compostos petroquímicos.
A solução integra biomoléculas e recursos naturais, muitos dos quais provenientes de subprodutos agroflorestais, promovendo a valorização de matérias-primas endógenas e uma lógica de economia circular. Além disso, os novos materiais incorporam propriedades antioxidantes e antimicrobianas, contribuindo para reforçar a segurança alimentar e prolongar o tempo de conservação dos produtos.
O ‘The Wall Paper’ prevê o desenvolvimento de vários protótipos com características específicas, adaptados a diferentes tipologias de alimentos, como produtos secos ou com elevado teor de gordura, incluindo cereais, frutos secos ou snacks. A aplicação destes materiais poderá aumentar a durabilidade dos alimentos e reduzir o desperdício.
De acordo com informação do Compete 2030, o apoio ao projeto tem permitido aprofundar a investigação, testar soluções e mitigar o risco associado à inovação tecnológica. A iniciativa posiciona a Science 351 na linha da frente do desenvolvimento de soluções sustentáveis para a indústria da embalagem, reforçando simultaneamente o contributo nacional neste domínio.
Ao propor uma alternativa baseada em materiais naturais e recicláveis, o projeto abre caminho a uma nova geração de embalagens alimentares mais sustentáveis e alinhadas com as metas ambientais do setor.
Fonte: iAlimentar
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