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A crescente consciência ambiental está a transformar o setor vitivinícola português.

Mais do que práticas sustentáveis, importa que as empresas comuniquem as suas ações ambientais com clareza e credibilidade.

Rótulos “verdes” e certificações ambientais influenciam as decisões de compra dos consumidores de vinho.

 

O despertar “verde” no setor vitivinícola

green marketing é cada vez mais uma peça-chave para o futuro do setor agrícola e vitivinícola.

Mais do que uma tendência, trata-se de uma forma de agir e comunicar, valorizando práticas sustentáveis, desde a vinha até ao consumidor final.

Ao reduzir o impacte ambiental da produção, apostar em embalagens ecológicas e transmitir de forma transparente o compromisso com a natureza, as empresas não só conquistam a confiança dos consumidores como também se diferenciam num mercado competitivo.

No caso do vinho, o green marketing reforça a ligação entre tradição e inovação, mostrando que é possível produzir com qualidade e, ao mesmo tempo, respeitar o ambiente.

Neste contexto, e para compreender esta dinâmica “verde” no mercado português, foi realizado um trabalho académico que teve por base um inquérito aplicado a uma amostra de 212 consumidores de vinho em Portugal, entre maio e junho deste ano.

O objetivo do trabalho foi conhecer e avaliar a perceção dos consumidores de vinho sobre a comunicação das ações ambientais pelas empresas vitivinícolas, com especial atenção aos elementos presentes nos rótulos.

Para ilustrar e contextualizar esta investigação, a empresa Esporão foi utilizada como um caso de estudo, reconhecida pela sua liderança em sustentabilidade no setor vitivinícola nacional.

O Esporão destaca-se pela integração estratégica de práticas sustentáveis – como a agricultura biológica em mais de 98% das suas áreas de produção, a conservação da biodiversidade e a utilização de garrafas mais leves e materiais recicláveis nas embalagens – e pela comunicação consistente dessas ações através dos seus produtos e canais, incluindo os rótulos.

Aceda aqui ao estudo realizado.

Fonte: Agroportal

 

Estão abertas as inscrições para as Centrais de Armazenamento e Embalamento (CAE) que pretendam exportar, durante a campanha 2026/2027, os frutos abaixo indicados, para os países terceiros referidos.
As CAE devem assegurar o cumprimento dos requisitos definidos nos Planos de Monitorização de Pragas das Unidades de Produção e nos Manuais de Procedimentos das Centrais, disponíveis para consulta aqui.

Planos de Trabalho acordados para exportação

  • Ameixas: Brasil
  • Ameixas, pêssegos e nectarinas: Colômbia
  • Kiwi: Colômbia
  • Laranjas: Colômbia
  • Maçãs: Peru, México, Indonésia, Equador e África do Sul
  • Peras: Colômbia, Peru, México, Indonésia e Tailândia
  • Uva de mesa: China

Inscrições:

  • O processo de inscrição decorre através do módulo “Exportações” da plataforma gesFITO e está aberto até 31 de janeiro corrente;
  • Caso uma CAE reúna as condições necessárias e haja expetativa real de exportação, o operador (CAE) deve aceder à plataforma indicada e proceder como indicado no Guia do Utilizador.

Procedimentos a cumprir pelas CAE:

  • Preencher/Atualizar o formulário de Registo da CAE;
  • Submeter, para cada destino/fruto aplicável:
    • Um formulário de Registo das Câmaras;
    • Um formulário de Descrição das Unidades de Produção (UP).
  • Nos formulários devem ser indicadas, exclusivamente, UP que cumpram integralmente o Plano de Monitorização aplicável.

Fonte: DGAV

 

A União Europeia (UE) lançou o RecFishing, uma solução digital para simplificar e racionalizar a recolha de dados sobre as capturas da pesca recreativa em todas as zonas marinhas da UE. Esta iniciativa contribuirá para “melhorar a nossa compreensão colectiva das actividades de pesca e para promover a gestão sustentável das unidades populacionais de peixes”.

Com a introdução de novas medidas em Janeiro, “a plataforma RecFishing está pronta para transformar a forma como os dados são recolhidos e utilizados pelas 22 nações costeiras da UE. Ao simplificar a forma como as informações sobre as espécies e as unidades populacionais de peixes são recolhidas, esta nova plataforma ajudará as autoridades a tomar decisões mais informadas, assegurando a saúde e a longevidade dos ecossistemas marinhos”, avança uma nota da Comissão Europeia.

Fornecerá igualmente aos cientistas “dados sólidos, melhorando a sua capacidade de monitorizar os níveis das unidades populacionais de peixes e impulsionando iniciativas de apoio à utilização sustentável dos recursos marinhos. A plataforma servirá como um instrumento importante para promover a responsabilização e a inovação nas práticas de pesca recreativa”.

“A pesca recreativa faz parte do compromisso da UE de promover a gestão ambiental e garantir um futuro próspero tanto para os nossos oceanos como para as comunidades que deles dependem”, reforça a mesma nota.

Mais informações sobre esta nova plataforma digital aqui.

Fonte: Agricultura e Mar

O valor da água no setor agroalimentar

  • Wednesday, 21 January 2026 14:29

O desenvolvimento económico, a urbanização, a poluição, a desflorestação e as alterações climáticas têm exercido enorme pressão sobre a disponibilidade de recursos naturais finitos, designadamente a água, colocando em risco não só a nossa saúde mas também a nossa capacidade de produção de bens e serviços essenciais, incluindo alimentos.

O micélio está a ganhar destaque no campo da biotecnologia não apenas como fonte de alimento, mas também como material sustentável para aplicações industriais e ecológicas.

Com propriedades únicas de crescimento, versatilidade e biodegradabilidade, o micélio está a emergir como uma das peças-chave para soluções que combinam inovação e sustentabilidade ambiental.

O micélio é a “raiz” dos fungos — uma rede de filamentos que cresce através de materiais orgânicos. Ao alimentar-se de resíduos agrícolas ou industriais (como serradura ou palha), estas redes naturais criam uma matriz sólida que pode ser moldada em materiais leves, resistentes e completamente biodegradáveis.
Este processo elimina a necessidade de químicos nocivos e consome muito menos energia do que a produção de muitos materiais convencionais, contribuindo para uma economia circular com menor impacto ambiental.

 

Principais aplicações do micélio na biotecnologia sustentável

Materiais de construção ecológicos

Materiais compósitos feitos a partir de micélio podem substituir isolamentos tradicionais e elementos estruturais na construção. São leves, funcionam como excelente isolante térmico e acústico e reduzem até 60 % das emissões de carbono incorporado em comparação com materiais convencionais.

Moda e têxteis sustentáveis

O micélio é usado para criar biotecidos semelhantes ao couro — biodegradáveis, com baixa pegada hídrica e sem químicos agressivos. Estes materiais podem ser usados em calçado, bolsas e acessórios, reduzindo drasticamente o impacto ambiental da indústria da moda.

Embalagens biodegradáveis

O micélio pode ser moldado em embalagens que se decompõem naturalmente em poucas semanas, sem libertar microplásticos ou resíduos tóxicos — uma alternativa aos plásticos derivados de petróleo.

Alimentos funcionais e proteínas alternativas

Projetos pioneiros estão a explorar o micélio como base de alimentos funcionais — ricos em nutrientes — oferecendo alternativas nutritivas às proteínas tradicionais. Este tipo de biotecnologia pode transformar resíduos em ingredientes alimentares sustentáveis.

 

Onde é que o micélio está a ser usado em biotecnologia em Portugal?

O potencial do micélio já está a ser explorado em várias frentes dentro do ecossistema tecnológico português:

Construção e materiais sustentáveis

  • Hyphae – Mycelium Solutions – Startup portuguesa que desenvolve biomateriais sustentáveis à base de micélio, com aplicações em embalagens, design e construção, substituindo plásticos e materiais sintéticos com soluções regenerativas.
  • Biofab – Subsidiária nacional da britânica Mykor que produziu um isolante biológico à base de micélio; este produto inovador foi reconhecido com o Prémio Nacional de Inovação 2025 e reduz significativamente o carbono incorporado nos materiais de construção.

Investigação alimentar e biotecnológica

  • Projeto Myco2Feed liderado pela Deifil Technology – com apoio do programa COMPETE 2030, este projeto combina ciência e sustentabilidade para desenvolver alimentos funcionais à base de micélio, com alto valor nutricional e potencial comercial sustentável.

Investigação académica & inovação proteica

  • Projeto Nutr&ssencial – colabora com o Instituto Politécnico de Bragança e outros parceiros para desenvolver micélios biofortificados com ferro e selénio e produtos proteicos sustentáveis.

 

Por que é que isto importa?

O micélio representa uma das fronteiras mais promissoras da biotecnologia aplicada à sustentabilidade. Ao transformar resíduos em materiais de alto valor acrescentado — desde isolamentos verdes até alimentos funcionais — esta solução biológica atribui um novo significado à expressão “circularidade industrial”.

Em Portugal, startups, projetos académicos e iniciativas financiadas já estão a demonstrar que a combinação de biotecnologia e economia circular pode gerar impacto ambiental real, inovação tecnológica e valor económico, abrindo caminho para um futuro mais sustentável e verde.

Fonte: CiB

A Autoridade de Segurança Alimentar da Irlanda (FSAI) publicou uma atualização significativa ao seu guia técnico para o controlo de Listeria monocytogenes em alimentos prontos a comer (RTE). As novas orientações acompanham a implementação do Regulamento (UE) 2024/2895, que entra em vigor a 1 de julho de 2026, e reforçam as responsabilidades dos operadores do setor alimentar no que diz respeito à gestão do risco associado a este patogénio.

Entre as principais alterações destaca‑se o reforço das exigências para a demonstração da vida útil, especialmente em produtos que suportam o crescimento de L. monocytogenes. Nestes casos, os operadores devem comprovar, através de estudos robustos, que o limite de 100 ufc/g é cumprido até ao final da vida útil.

O guia atualizado também dá maior ênfase aos programas de monitorização ambiental, agora considerados elementos centrais na prevenção da contaminação em ambientes de produção de alimentos RTE. A FSAI reforça a necessidade de planos estruturados de amostragem, investigação de resultados positivos e eliminação de nichos persistentes, em linha com as melhores práticas internacionais.

A nova versão apresenta orientações mais detalhadas sobre como estruturar um Programa de Monitorização Ambiental (EMP) eficaz. Inclui maior ênfase na avaliação de risco, na seleção de locais de amostragem, na frequência adequada e na necessidade de ajustar o programa com base no histórico da instalação. A categorização das zonas de risco (1 a 4) é clarificada e integrada de forma mais operacional.

A atualização descreve de forma mais clara como investigar resultados positivos de Listeria no ambiente. Inclui orientações sobre rastreabilidade interna, intensificação de amostragem, validação de higienização e análise de tendências. A necessidade de documentação estruturada e de registos consistentes é reforçada.

Com estas alterações, a Irlanda procura harmonizar a sua abordagem com o Codex Alimentarius e com o novo enquadramento europeu, promovendo uma gestão mais rigorosa e preventiva do risco de Listeria monocytogenes ao longo da cadeia alimentar.

Fonte: Qualfood

O Banco Central Europeu (BCE) antecipa que a inflação dos alimentos na zona euro continue a moderar-se nos próximos meses, beneficiando da redução das expectativas de preços de venda e da normalização gradual das cadeias de abastecimento.

A conclusão consta de um estudo recente do Eurosistema, divulgado pelo Banco Central Europeu. De acordo com as projeções macroeconómicas, a inflação alimentar deverá descer para 2,1% no terceiro trimestre de 2026, mantendo-se em níveis moderados ao longo do horizonte de projeção.

No curto prazo, esta trajetória é sustentada pela descida das expectativas de preços de venda dos fabricantes de alimentos e bebidas, que se encontram atualmente abaixo da média histórica registada entre 1999 e 2019.

 
 Café, açúcar e carne continuam a pressionar os preços

Em novembro de 2025, a taxa anual de inflação alimentar medida pelo IHPC na zona euro situava-se em 2,4%, após um pico de 15,5% em março de 2023. No acumulado de 2025 (janeiro-novembro), a inflação média dos alimentos foi de 2,9%, acima da média pré-pandemia de 2,2%.

Entre as categorias que mais contribuíram para esta pressão destacam-se o café, o chá e o cacau, o açúcar e os produtos de confeitaria e a carne, que, apesar de representarem menos de 25% do cabaz alimentar, foram responsáveis por mais de 50% da inflação alimentar em vários momentos de 2025.

Apesar da tendência de moderação, o BCE alerta que a evolução dos preços alimentares continuará a ser um fator-chave para o comportamento do consumidor, influenciando decisões de compra, perceção de valor e sensibilidade ao preço, variáveis críticas para as estratégias de pricing, promoção e marca própria no retalho alimentar.

A Universidade de Múrcia desenvolveu e patenteou uma nova ferramenta capaz de detetar e classificar o estado de saúde do gado suíno através de uma análise de saliva, oferecendo uma alternativa não invasiva, rápida e precisa aos métodos tradicionais de diagnóstico veterinário.

Segundo os investigadores, a solução surge de uma colaboração interdisciplinar que permitiu transformar dados biológicos complexos numa ferramenta prática para a gestão sanitária das explorações.

 Atualmente, o diagnóstico de doenças no setor suíno exige, na maioria dos casos, a intervenção de veterinários especializados e procedimentos invasivos, como a colheita de sangue. Estas práticas implicam a imobilização dos animais, provocam elevados níveis de stress e dificultam a monitorização contínua da saúde em explorações de grande dimensão, além de aumentarem os riscos associados à biossegurança.

A proposta da Universidade de Múrcia, frisam os investigadores, ultrapassa estas limitações ao utilizar a saliva como amostra biológica, uma solução simples e segura que pode ser recolhida pelo próprio pessoal da exploração.

 Os investigadores realçaram também que as amostras permitem identificar diversos biomarcadores ligados a processos metabólicos, imunológicos, inflamatórios e de stress, funcionando como indicadores do estado fisiológico dos animais.

Os dados recolhidos são introduzidos num sistema de classificação baseado em inteligência artificial (IA), previamente treinado com valores de referência. Este método permite distinguir, com elevada fiabilidade, animais saudáveis de animais doentes, alcançando níveis de sensibilidade e especificidade superiores a 95%.

 Além disso, enaltecem os responsáveis do estudo, o sistema possibilita uma classificação mais detalhada das patologias, diferenciando inflamações localizadas de processos sistémicos potencialmente infeciosos, informação considerada crucial para apoiar a tomada de decisões na gestão sanitária das explorações.

Num contexto em que a prevenção e o controlo de doenças contagiosas são determinantes para a sustentabilidade do setor, a ferramenta assume particular relevância para a segurança alimentar e a proteção da saúde pública, afirmaram os investigadores.

 “Ao facilitar a identificação precoce de animais doentes, a tecnologia contribui para reduzir a propagação de agentes patogénicos, otimizar o uso de tratamentos veterinários e melhorar a eficiência dos protocolos de biossegurança, garantindo simultaneamente o bom estado sanitário do efetivo suíno”, referiu Ana María Gutiérrez Montes, uma das responsáveis pela criação da ferramenta.

A ferramenta já foi validada em condições reais no âmbito de um projeto que envolveu mais de mil animais e a colaboração de várias instituições e empresas. Os resultados confirmaram uma elevada precisão e reprodutibilidade em ambientes produtivos.

A Universidade de Múrcia está agora a trabalhar com empresas do setor para promover a implementação industrial da tecnologia, com o objetivo de concluir o processo de transferência deste desenvolvimento científico para o tecido produtivo.

Fonte: Vida Rural

Investigadores da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, desenvolveram um novo método que poderá permitir a deteção de sequências específicas de ADN recorrendo apenas à câmara de um smartphone. A técnica baseia-se em proteínas geneticamente modificadas que emitem luz na presença de ADN, tornando possível captar esse sinal luminoso com um telemóvel.

Esta abordagem inovadora poderá substituir análises laboratoriais de ADN que são atualmente dispendiosas, demoradas e dependentes de equipamento especializado. Em vez disso, a deteção passa a ser feita através de sinais de luz, o que abre a porta a testes mais rápidos, baratos e acessíveis em áreas como a alimentação, a saúde, a agricultura e a indústria farmacêutica.

O estudo, publicado na revista Nature Communications, resulta de vários anos de investigação da equipa dinamarquesa na engenharia de moléculas e de células sintéticas, com o objetivo de compreender melhor o funcionamento das células naturais. Os resultados demonstram que interações específicas com o ADN podem ser exploradas para criar sistemas simples e portáteis de deteção genética.

Embora a tecnologia ainda não esteja pronta para utilização no dia a dia, os investigadores sublinham que os resultados mostram um enorme potencial para realizar análises de ADN fora do laboratório, de forma rápida e eficiente. As possíveis aplicações vão desde o controlo de qualidade alimentar e a deteção de agentes patogénicos até à monitorização ambiental e a diagnósticos médicos no terreno.

Mais informações sobre o estudo podem ser consultadas no artigo divulgado pela Universidade de Aarhus.

Fonte: Centro de Informação de Biotecnologia

A eficiência no setor alimentar deixou há muito de se medir apenas pela capacidade de produzir mais em menos tempo. Num contexto marcado por exigências regulamentares crescentes, pressão sobre custos operacionais, escassez de recursos humanos qualificados e maior escrutínio por parte das autoridades de controlo oficial e dos consumidores, a eficiência passou a estar diretamente associada à segurança dos processos, à otimização dos recursos e à sustentabilidade operacional.

Neste enquadramento, a higienização assume um papel central. Longe de ser apenas uma tarefa operacional, constitui simultaneamente um pré-requisito fundamental dos sistemas baseados nos princípios do HACCP, um requisito legal obrigatório e um dos fatores com maior impacto direto na segurança dos alimentos, na continuidade operacional e na produtividade das unidades alimentares.

Higienização: um desafio estrutural para a eficiência alimentar

As operações de higienização, que englobam a limpeza e a desinfeção de instalações, equipamentos, utensílios e superfícies que entram em contacto com os alimentos, representam um dos maiores desafios operacionais no setor alimentar. Quando estes processos são planeados ou controlados de forma incorreta, tornam-se uma fonte recorrente de ineficiência, traduzindo-se em paragens prolongadas, desperdício de água e produtos químicos, aumento do consumo energético e maior risco de contaminações cruzadas.

Por outro lado, quando estas operações estão corretamente estruturadas e integradas nos sistemas de gestão da segurança dos alimentos, as operações de higienização garantem a produção de alimentos seguros e tornam-se um verdadeiro instrumento de melhoria contínua, contribuindo para a estabilidade dos processos e para a valorização operacional das organizações.

A complexidade e a frequência destas tarefas exigem um planeamento rigoroso, baseado na análise de risco, na definição clara de responsabilidades e na verificação sistemática da sua execução. É precisamente neste ponto que a tecnologia tem vindo a assumir um papel cada vez mais relevante.

Digitalização como ferramenta de planeamento e controlo operacional

Nas últimas décadas, a transformação digital dos processos alimentares introduziu uma nova abordagem à gestão da higienização. Plataformas tecnológicas como a SARA HACCP permitem reorganizar o planeamento, a execução e a verificação das operações de limpeza e desinfeção, integrando-as diretamente nas rotinas diárias dos operadores do setor alimentar, promovendo um maior envolvimento das equipas operacionais e reforçando a consistência dos registos associados aos sistemas baseados nos princípios do HACCP.

A digitalização destes processos vai muito além do mero registo administrativo. O planeamento da higienização passa a assumir-se como um instrumento ativo de gestão e controlo operacional, permitindo definir rotinas com base na análise de risco, estabelecer cronogramas de execução, designar responsáveis e indicar os produtos de limpeza e desinfeção a utilizar, de acordo com parâmetros previamente definidos.

Com a plataforma SARA HACCP, os registos são efetuados digitalmente no momento da execução, incluindo data, hora, operador e eventuais observações ou não conformidades. Esta abordagem assegura uma rastreabilidade integral, reduz omissões e facilita uma resposta rápida e fundamentada em auditorias internas ou externas. A emissão de alertas automáticos para higienizações pendentes, revisões periódicas ou falhas na verificação contribui para minimizar esquecimentos e reforçar a conformidade regulamentar de forma contínua.

Impacto direto na segurança dos alimentos

Um processo de higienização eficaz constitui um dos pilares da prevenção de perigos biológicos, químicos e físicos no setor alimentar. Ao garantir uma limpeza e desinfeção adequada das superfícies e equipamentos, previne-se a formação de biofilmes e a proliferação de microrganismos patogénicos, protegendo a integridade e a qualidade dos alimentos.

A utilização de plataformas digitais como a SARA HACCP permite ainda centralizar a informação relativa aos procedimentos de higienização juntamente com outros parâmetros críticos de controlo, como registos de temperatura, monitorização de pragas ou ocorrências operacionais, proporcionando uma visão integrada do estado higio-sanitário das instalações. Desta forma, a higienização deixa de ser encarada como uma tarefa isolada e passa a integrar um sistema coerente de prevenção, controlo e acompanhamento contínuo.

Padronização, evidência e fiabilidade do sistema HACCP

Outro benefício relevante da digitalização prende-se com a padronização dos procedimentos. Em ambientes caracterizados por elevada rotatividade de pessoal e diversidade de equipamentos, a consistência das práticas de higienização é frequentemente difícil de assegurar. O planeamento digital dos métodos e instruções reduz a variabilidade da execução e promove a repetibilidade das operações.

Todos os registos ficam armazenados de forma segura e acessível, constituindo uma evidência documental robusta para auditorias, inspeções e processos de certificação. Esta fiabilidade documental é um elemento crítico para a manutenção e credibilidade dos sistemas baseados nos princípios do HACCP, reforçando a confiança das entidades certificadoras, das autoridades competentes, dos clientes e dos consumidores.

Tecnologia e fator humano: uma relação indissociável

Apesar dos ganhos proporcionados pela tecnologia, importa sublinhar que nenhum sistema é eficaz sem o envolvimento das pessoas que operam no terreno. A implementação de plataformas como a SARA HACCP deve ser acompanhada por programas de formação adequados e por uma cultura organizacional sólida, assente na segurança e na higiene alimentar.

Quando as equipas operacionais compreendem a lógica subjacente ao planeamento da higienização e reconhecem o seu impacto na segurança dos alimentos e na eficiência operacional, a adesão torna-se natural e os resultados mais consistentes. A combinação entre tecnologia e compromisso humano contribui para ambientes de trabalho mais previsíveis, controlados e seguros.

Planeamento da higienização como estratégia de gestão

A transformação digital aplicada aos procedimentos de higienização representa um avanço significativo para o setor alimentar. Num mercado altamente regulado e competitivo, investir em sistemas de planeamento como a SARA HACCP não é apenas uma opção tecnológica, mas uma estratégia de gestão orientada para a eficiência, a segurança e a sustentabilidade das operações.

Ao estruturar e controlar um dos pré-requisitos mais críticos do sistema HACCP, os processos de higienização deixam de ser percebidos como uma interrupção produtiva e passam a assumir-se como um fator de valor acrescentado, essencial à produção de alimentos seguros e à preparação das organizações alimentares para os desafios futuros.

Fonte: iAlimentar