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As Nações Unidas designaram 2026 como o Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores para destacar o papel vital que as pastagens e as comunidades pastoris desempenham na produção sustentável de alimentos, na gestão dos ecossistemas e na mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

Em entrevista à Sala de Imprensa da FAO, Thanawat Tiensin, Diretor-Geral Adjunto da FAO e Diretor da Divisão de Produção e Saúde Animal, explicou o que são pastagens, onde se encontram, como funcionam os sistemas pastoris e por que protegê-las e investir nelas é essencial para construir sistemas agroalimentares mais sustentáveis, resilientes e inclusivos em todo o mundo.

Leia a entrevista aqui.

Fonte FAO

 

Dados do INE analisados pela UNAC – União da Floresta Mediterrânica revelam que as exportações portuguesas de cortiça atingiram 1.100 milhões de euros em 2025. Embora se tenha verificado um aumento de 1,7% na quantidade exportada (148 mil toneladas), registou-se uma redução de 2,2% no valor total face a 2024. No entanto, o preço médio global acumulou um crescimento de 27% entre 2021 e 2025.

O segmento de rolhas continua a ser o motor do setor, representando mais de 70% do valor de mercado. Entre 2024 e 2025, as rolhas aglomeradas cresceram 7% em valor, enquanto as de espumante apresentaram um comportamento estável. Geograficamente, 2025 confirmou o reforço dos mercados europeus (com França a registar o maior aumento de preço médio) e uma perda de representatividade do mercado dos EUA, que apresentou quebras de valor e volume.

A UNAC lança, contudo, um alerta crítico: o preço de aquisição da matéria-prima no campo baixou 28% nos últimos dois anos. António Gonçalves Ferreira, da UNAC, sublinha que esta depressão do preço "não pode continuar a colocar em perigo a rentabilidade da produção primária", lembrando que apenas as florestas com valor asseguram a sustentabilidade produtiva de toda a fileira.

Fonte: Agronegócios

A Comissão Europeia autorizou a utilização de uma beterraba sacarina geneticamente modificada e renovou a autorização de um milho geneticamente modificado para utilização em alimentos e rações na União Europeia. A decisão foi anunciada a 27 de fevereiro de 2026, após avaliação científica da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA).

Segundo a Comissão, a avaliação científica concluiu que ambas as culturas são tão seguras para a saúde humana, para os animais e para o ambiente como as suas equivalentes convencionais.

De acordo com o executivo europeu, estes organismos geneticamente modificados foram sujeitos a uma avaliação científica abrangente, destinada a garantir um elevado nível de proteção da saúde pública e do ambiente.

As decisões permitem a importação e a utilização destas culturas na alimentação humana e animal na União Europeia. No entanto, não incluem autorização para o seu cultivo em território europeu.

As autorizações são válidas por um período de 10 anos. Todos os produtos derivados destas culturas terão de cumprir as regras europeias de rotulagem e rastreabilidade aplicáveis aos organismos geneticamente modificados.

A Comissão explicou ainda que estava legalmente obrigada a adotar estas decisões depois de os Estados-Membros não terem alcançado uma maioria qualificada a favor ou contra as propostas apresentadas.

Fonte: Centro de Informação de Biotecnologia

A literacia alimentar da população adulta em Portugal apresenta um nível global de 57,5%, revelando que, apesar do acesso generalizado à informação sobre nutrição e alimentação, persistem dificuldades em transformar esse conhecimento em escolhas alimentares mais equilibradas. Os dados constam do 'Estudo Nacional de Avaliação da Literacia Alimentar em Adultos', apresentado esta terça-feira no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, e desenvolvido pela Associação Portuguesa de Nutrição (APN), com apoio do Continente e realização da Pitagórica.

Os resultados evidenciam diferenças relevantes entre grupos populacionais. Jovens adultos, pessoas empregadas e agregados familiares com rendimentos mais elevados registam níveis de literacia alimentar superiores. Em contraste, pessoas idosas, indivíduos desempregados e famílias com rendimentos insuficientes apresentam valores mais baixos.

Segundo o estudo, estas diferenças refletem desigualdades sociais que influenciam diretamente a capacidade de aceder à informação, compreendê-la, avaliá-la e aplicá-la nas escolhas alimentares do dia a dia.

Diferenças marcadas entre grupos da população

Embora muitos participantes indiquem compreender parte da informação presente nos rótulos alimentares, nas datas de validade ou nas recomendações de profissionais de saúde, a sua aplicação prática continua a representar um desafio. Avaliar selos nutricionais, interpretar alegações presentes nos produtos, compreender informação sobre alergénios ou selecionar alimentos mais equilibrados são algumas das situações onde surgem maiores dificuldades.

Os resultados apontam, assim, para uma diferença entre o conhecimento disponível e a sua tradução em decisões alimentares concretas.

Consumo alimentar apresenta menor nível de literacia

Entre as várias dimensões analisadas, a área do consumo apresenta o score mais baixo, com 54,7%. Nesta vertente, os participantes revelam dificuldades em compreender o impacto social, económico e ambiental das suas escolhas alimentares.

O estudo identifica também limitações na perceção do efeito dessas decisões na preservação da biodiversidade ou no contributo que os hábitos alimentares podem ter para o desenvolvimento do território local.

Perante estes resultados, os autores destacam a necessidade de tornar a informação sobre nutrição e sustentabilidade alimentar mais acessível e prática, de forma a apoiar decisões mais conscientes por parte dos consumidores.

A recolha de dados foi realizada online entre 16 e 24 de outubro de 2025, junto de mil adultos residentes em Portugal continental e regiões autónomas, com 18 ou mais anos. O estudo apresenta uma margem de erro de ±3,2% e um nível de confiança de 95,5%. A investigação foi submetida e aprovada pela Comissão de Ética do Instituto Universitário de Ciências da Saúde – Centro de Estudos Superiores de Saúde (IUCS-CESPU).

Fonte: iAlimentar

A Comissão Europeia lançou uma nova plataforma de inteligência artificial (IA), a TraceMap, para acelerar a deteção de fraudes alimentares, de surtos de alimentos contaminados e de doenças de origem alimentar em toda a UE.

Em conformidade com as elevadas normas de segurança da UE para os alimentos e os produtos importados, este novo instrumento reforçará a segurança dos consumidores e ajudará as autoridades nacionais a trabalhar de forma mais eficaz, inovando na forma como avaliamos, detetamos e respondemos aos riscos de segurança alimentar e às atividades fraudulentas.

O TraceMap utilizará a IA para:

- Melhorar as avaliações dos riscos para a segurança alimentar, simplificando o acesso e analisando os dados críticos.

- Identificar rapidamente as ligações entre os operadores e as remessas.

- Monitorizar toda a cadeia de abastecimento agroalimentar, uma vez identificado um risco, permitindo uma recolha mais rápida de produtos não seguros ou fraudulentos.

A partir de hoje, o TraceMap está acessível às autoridades nacionais em todos os Estados-Membros, permitindo-lhes orientar melhor os controlos e realizar investigações mais aprofundadas, sem exigir recursos adicionais. Utilizará os dados exaustivos dos atuais sistemas agroalimentares da UE para acompanhar os padrões comerciais e os fluxos de produção a um ritmo acelerado. A plataforma melhorará a exatidão do rastreio, acelerará a deteção de operadores suspeitos e ajudará os investigadores a detetar fraudes alimentares e surtos de origem alimentar e a retirar rapidamente do mercado produtos não conformes. O TraceMap habilita os Estados-Membros a colmatar lacunas, corrigir vulnerabilidades e reforçar as suas medidas antifraude no setor agroalimentar.

Permitirá igualmente um melhor controlo das mercadorias importadas, em consonância com as medidas reforçadas estabelecidas na Visão para a Agricultura e a Alimentação.

O TraceMap foi criado pela Comissão, utilizando tecnologia de IA que processa, estrutura e interpreta dados de diferentes plataformas de gestão da segurança dos alimentos em toda a UE, incluindo o Sistema de Alerta Rápido para os Géneros Alimentícios e Alimentos para Animais (RASFF) e o Sistema Especializado e de Controlo do Comércio (TRACES). Uma versão-piloto do TraceMap foi recentemente utilizada para apoiar a identificação e a recolha de fórmulas lácteas para lactentes fabricadas com óleo de ARA contaminado proveniente da China.

Fonte: Comissão Europeia

O Governo fixou em 616 hectares o valor máximo a considerar para as autorizações de plantação de novas vinhas este ano, segundo o Despacho nº 2981/2026.

“A área total máxima a atribuir, a nível nacional, é de 616 hectares”, lê-se no diploma. Este valor corresponde a 0,36% da área total efetivamente plantada em 31 de julho de 2025.

A área agora delimitada vai ser distribuída, prioritariamente pelas Regiões Vitivinícolas, até ao limite de 0,55% da área plantada com vinha em cada uma delas.

Caso as regiões não atinjam esta percentagem, a área em causa é redistribuída por outras, cabendo ao Instituto da Vinha e do Vinho (IVV) definir os procedimentos a adotar.

O despacho, assinado pelo ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, define ainda um conjunto de outros limites para várias regiões, como, por exemplo, de 0,10 hectares para a produção de vinhos com Denominação de Origem (DO) Porto.

Estão ainda previstos 3,80 hectares para a produção de vinhos com DO Douro ou Indicação Geográfica (IG) Duriense, 0,10 hectares para os vinhos sem direito a DO ou IG e 8,95 hectares para plantações com castas aptas à produção de vinhos DO Madeira ou Madeirense, com exceção das castas Tinta Negra e Caracol.

Para a plantação de vinhas da casta Caracol está prevista a distribuição de um hectare, enquanto para a plantação de vinhas sem direito a DO ou IG e para apenas as castas não autorizadas nas DO Madeira e Madeirense ou IG Terras Madeirenses está prevista a distribuição de 0,05 hectares.

Para a produção de vinhos com DO ou IG na região do Alentejo vão ser distribuídos 100 hectares, enquanto para a região do Algarve, e nas mesmas condições, estão previstos três hectares.

Na Região dos Vinhos Verdes o máximo a distribuir é de 85 hectares para a plantação nas áreas de DO ou IG sob a sua tutela.

Os candidatos a estas autorizações têm de possuir um documento válido para a utilização da superfície agrícola a ocupar com vinha e não podem possuir vinhas em situação irregular.

Por outro lado, têm de fazer a sua inscrição ou a atualização dos dados de exploração no Sistema de Identificação do Parcelário.

Caso a superfície abrangida pelas candidaturas exceda o limite definido, é aplicado um máximo de 30 hectares por requerente.

As candidaturas devem ser submetidas no ‘site’ https://sivv.ivv.gov.pt/.

No caso da Região Demarcada da Madeira, as candidaturas devem ser submetidas junto do Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato da Madeira.

Já no que se refere aos Açores, a submissão é feita junto da Direção Regional de Desenvolvimento Rural.

Fonte: Agroportal

A indústria alimentar e das bebidas da União Europeia mantém-se como o maior setor transformador do bloco, com um volume de negócios de 1,523 biliões de euros e cerca de 4,8 milhões de pessoas empregadas. Os dados constam do relatório ‘Data & Trends of the EU Food and Drink Industry 2026’, divulgado pela FoodDrinkEurope, que analisa a evolução económica, comercial e estrutural do setor na Europa.

Setor líder na indústria transformadora europeia

O estudo indica que a indústria alimentar representa 15,5% do volume de negócios da indústria transformadora europeia e contribui com 12% do valor acrescentado do setor. Em 2023, o valor acrescentado da indústria alimentar e das bebidas atingiu 296 mil milhões de euros, reforçando o peso económico deste segmento na economia europeia.

O setor é, igualmente, o maior empregador da indústria transformadora da União Europeia, concentrando cerca de 16% do emprego industrial. No total, emprega aproximadamente 4,8 milhões de trabalhadores e paga cerca de 134 mil milhões de euros em salários e remunerações.

PME dominam estrutura empresarial

A estrutura empresarial caracteriza-se por uma elevada fragmentação, com cerca de 309 mil empresas ativas no setor. As pequenas e médias empresas representam 99,2% do total e asseguram mais de metade dos postos de trabalho, sendo responsáveis por 38,7% do volume de negócios da indústria alimentar europeia.

Em termos de investimento, o setor lidera também na indústria transformadora europeia, com cerca de 52 mil milhões de euros investidos em ativos físicos em 2023. Apesar disso, o relatório indica que as margens operacionais têm enfrentado pressão devido ao aumento dos custos de produção, mantendo-se em torno de 8% desde 2014, com uma ligeira redução nos últimos anos.

União Europeia mantém liderança nas exportações

No comércio internacional, a União Europeia mantém-se como o maior exportador mundial de alimentos e bebidas. Em 2024, as exportações para mercados extracomunitários atingiram 190 mil milhões de euros, enquanto as importações somaram 109 mil milhões, resultando num saldo comercial positivo de 81 mil milhões de euros.

O relatório destaca ainda o peso do consumo alimentar no orçamento das famílias europeias. Em 2023, os consumidores da União Europeia gastaram cerca de 1,934 biliões de euros em alimentos e bebidas, o equivalente a 21,6% da despesa total das famílias.

Portugal entre os países onde o setor é o principal empregador industrial

Em Portugal, a indústria alimentar e das bebidas também assume um papel relevante na economia. Em 2023, o setor gerou cerca de 23,9 mil milhões de euros de volume de negócios, com um valor acrescentado de 4,5 mil milhões de euros.

O setor emprega aproximadamente 113,7 mil trabalhadores e integra mais de 11,5 mil empresas, posicionando-se como o principal empregador da indústria transformadora no País.

Custos e sustentabilidade colocam novos desafios

Apesar da relevância económica do setor, o documento aponta desafios relacionados com a produtividade, os custos de produção e a transição para modelos mais sustentáveis, num contexto de crescente pressão sobre os recursos e as cadeias de abastecimento.
 
Fonte: iAlimentar

As latas de alumínio continuam a afirmar-se como uma das soluções mais fiáveis para embalagens de bebidas sustentáveis, apoiadas por sistemas de reciclagem consolidados e por novas tecnologias que reforçam a rastreabilidade e a conformidade ao longo da cadeia de produção. A combinação entre as características do material e a inovação tecnológica está a consolidar o papel do alumínio como elemento central na transição para modelos de economia circular no sector das bebidas.

Uma das principais vantagens do alumínio reside na sua capacidade de reciclagem. Ao contrário de outros materiais utilizados em embalagens, como o PET ou o vidro, o alumínio pode ser reciclado indefinidamente sem perda de qualidade. Atualmente, as taxas globais de reciclagem deste material situam-se em cerca de 75%, superando as registadas nas garrafas de plástico PET (47%) e no vidro (42%). Este desempenho permite evitar cerca de 5,4 milhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono por ano.

O enquadramento regulamentar europeu também está a acelerar a adoção de soluções mais circulares. No âmbito do regulamento da União Europeia relativo a embalagens e resíduos de embalagens, as embalagens de alumínio deverão atingir uma taxa de reciclagem de 50% até 2025 e de 60% até 2030. Estes objetivos estão a impulsionar novas abordagens ao design de embalagens e a reforçar o papel estratégico do alumínio para as marcas de bebidas que procuram cumprir metas ambientais e reforçar a sua reputação junto dos consumidores.

No entanto, a sustentabilidade não depende apenas do material utilizado. A eficiência e a rastreabilidade ao longo do processo produtivo são igualmente determinantes, sobretudo num sector em que as linhas de produção podem ultrapassar as 120 mil latas por hora. A estas velocidades, a codificação das embalagens – que assegura informação essencial para rastreabilidade e cumprimento de requisitos regulamentares – torna-se um fator crítico. Erros ou falhas no processo podem resultar em recolhas dispendiosas, desperdício de produto e riscos de incumprimento regulamentar.

Segundo Russell Wiseman, responsável global de soluções para bebidas da Domino Printing Sciences, a circularidade começa muito antes de a embalagem chegar ao consumidor. “O alumínio oferece uma base infinitamente reciclável, mas o verdadeiro progresso passa por repensar cada etapa da produção, incluindo a codificação”, afirma.

Nos últimos anos, novas tecnologias permitiram responder a estes desafios. Entre elas destaca-se a codificação por laser de fibra, que permite criar códigos permanentes de alta resolução diretamente na superfície das latas, sem necessidade de tintas ou solventes. Esta solução reduz o desperdício químico e contribui para processos produtivos mais sustentáveis.

Outra inovação é a transferência da codificação para uma fase mais precoce da produção, ainda quando as latas estão vazias. Sistemas como o Beverage Empty Can Coding System (BECCS) permitem identificar eventuais erros antes do enchimento, evitando desperdício de produto e reduzindo custos associados a recolhas ou interrupções de produção.

Estas tecnologias foram desenvolvidas para acompanhar as exigências das linhas de produção de alto rendimento, garantindo simultaneamente precisão, velocidade e fiabilidade. Alguns sistemas conseguem operar a velocidades superiores a 120 mil latas por hora, integrando ainda mecanismos de verificação e rejeição automática que permitem detetar códigos defeituosos em tempo real.

Para a indústria das bebidas, a conjugação entre materiais altamente recicláveis e tecnologias de produção mais eficientes poderá ser decisiva para alcançar metas ambientais mais ambiciosas. As projeções do sector apontam para uma taxa global de recuperação de alumínio próxima dos 80% até 2030 e potencialmente próxima da totalidade até 2050.

Neste contexto, soluções tecnológicas que reforcem a rastreabilidade e reduzam o desperdício ao longo do processo produtivo poderão desempenhar um papel central no reforço da circularidade das embalagens de bebidas e na redução da pegada ambiental do sector.

Fonte: Grande Consumo

Empresas tecnológicas e o setor do agronegócio industrial estão a “brincar com o sistema alimentar” ao recorrerem à inteligência artificial (IA) e algoritmos que podem condicionar as decisões dos agricultores sobre o que é cultivado e, em última análise, sobre o que o mundo come, alertam especialistas em segurança alimentar.

O aviso surge num relatório do think tank Painel Internacional de Especialistas em Sistemas Alimentares Sustentáveis (IPES-Food), segundo o qual empresas como a Google, Microsoft, Amazon e Alibaba trabalham com grupos do agronegócio para influenciar que culturas são produzidas e de que forma.

Os autores do documento descrevem uma dinâmica “de cima para baixo” na agricultura, em que grandes empresas passam a ditar orientações sobre o que plantar, privilegiando frequentemente as culturas mais produtivas e lucrativas.

“As empresas estão a brincar com o sistema alimentar, e não podemos permitir que isso aconteça”, afirmou Pat Mooney, autor canadiano e especialista em agricultura que contribuiu para o relatório.

O especialista sustenta que estas empresas tendem a concentrar-se num conjunto reduzido de culturas, como milho, arroz, trigo, soja e batata, o que pode reduzir a diversidade agrícola.

Na leitura do responsável, os agricultores correm o risco de ficarem presos a um modelo globalizado em que, em vez de continuarem a produzir culturas adaptadas localmente e transmitidas ao longo de gerações, são pressionados a comprar sementes industriais “empacotadas” com máquinas e produtos químicos (como fertilizantes e pesticidas) provenientes de outras regiões do mundo.

Pat Mooney sublinhou ainda que o sistema alimentar global já provou ser vulnerável a choques, como a crise climática ou a guerra na Ucrânia.

“Quanto mais globalizado o sistema, mais difícil é garantir que ele realmente funcione, e a segurança alimentar é algo que precisa ser o mais local possível”, defendeu.

O relatório descreve como empresas tecnológicas alimentam modelos de IA e algoritmos com dados recolhidos junto de agricultores e através de ferramentas como sensores, satélites e drones, capazes de monitorizar condições meteorológicas e indicadores de saúde do solo. Com base nesses dados, as plataformas geram recomendações sobre o que plantar, por exemplo, sugerindo que determinada semente é adequada à humidade do solo numa região específica.

O especialista, porém, deixou o alerta de que estas recomendações tenderão a favorecer as culturas nas quais as empresas têm interesse comercial e que podem empurrar os agricultores para a compra de sementes, equipamentos e meios de produção como fertilizantes.

O documento também alertou que estas ferramentas digitais são frequentemente apresentadas como “inovadoras”, o que facilita a atração de decisores políticos e investidores. Assim, mesmo quando os agricultores hesitam em seguir as recomendações, estas soluções podem acabar promovidas pelos governos como o caminho “inevitável” para o futuro da agricultura.

O mercado de ferramentas digitais aplicadas à agricultura movimentou 30 mil milhões de dólares no último ano e poderá atingir 84 mil milhões de dólares até 2034, segundo a empresa Fortune Business Insights. O relatório refere ainda que o Banco Mundial financiou 1,15 mil milhões de dólares em empréstimos para projetos de agricultura digital e que a União Europeia (UE) investiu 200 milhões de euros em investigação nesta área.

Segundo Lim Li Ching, copresidente do IPES-Food, a “agricultura por algoritmo” não corresponde ao que muitos agricultores querem e defendeu uma abordagem “de baixo para cima”, centrada no conhecimento local e nas necessidades reais das comunidades rurais.

“A inovação que realmente funciona para as pessoas precisa de estar fundamentada nas suas realidades… de forma a atuarem como guardiãs e gestoras da biodiversidade agrícola”, afirmou o copresidente do IPES-Food. E continua: “precisamos de inovações que apoiem genuinamente a sustentabilidade, que empoderem os agricultores, que sejam geridas localmente e que possam fortalecer as práticas agroecológicas, em vez de consolidar ainda mais a agricultura industrial, as monoculturas ou uma agricultura fortemente dependente de produtos químicos”.

Fonte: Agroportal

A ciência da nutrição está a revisitar um tema que, durante décadas, passou despercebido: a ingestão direta de microrganismos benéficos. Investigadores de várias universidades europeias sugerem que o consumo regular de certas bactérias e leveduras — presentes em alimentos fermentados ou cultivadas especificamente para suplementação — pode ser um dos elementos ausentes na alimentação contemporânea.

Um hábito ancestral que se perdeu

Durante grande parte da história humana, a exposição constante a microrganismos era inevitável. Alimentos frescos, pouco processados e frequentemente fermentados forneciam uma diversidade microbiana que ajudava a moldar o sistema imunitário e a saúde intestinal.

Com a industrialização alimentar, esse contacto diminuiu drasticamente:

  • Maior higienização e processamento reduzem a presença de microrganismos vivos;
  • Dietas modernas são mais pobres em fibras, essenciais para alimentar bactérias benéficas;
  • O consumo de alimentos fermentados tradicionais caiu em muitos países.

O que dizem os especialistas

Estudos recentes apontam que a ingestão controlada de microrganismos pode:

  • Reforçar o microbioma intestinal, aumentando a diversidade bacteriana;
  • Apoiar o sistema imunitário, reduzindo inflamações crónicas;
  • Melhorar a digestão e a absorção de nutrientes;
  • Contribuir para a saúde mental, através do eixo intestino-cérebro.

Embora os probióticos já sejam conhecidos, a nova tendência vai além disso: fala-se agora de “microbiota comestível”, um conceito que inclui microrganismos não apenas suplementares, mas integrados na alimentação diária.

Alimentos que voltam ao centro das atenções

Entre os produtos que ganham destaque estão:

  • Iogurtes e kefir artesanais;
  • Kombucha;
  • Kimchi e chucrute;
  • Tempeh;
  • Queijos de fermentação lenta.

Estes alimentos, além de saborosos, são fontes naturais de culturas vivas.

O que ainda falta saber

Apesar do entusiasmo, os cientistas alertam que nem todos os microrganismos são iguais e que a eficácia depende da espécie, da dose e da forma de consumo. Ensaios clínicos em larga escala estão em curso para determinar quais os microrganismos mais benéficos e como integrá‑los de forma segura e eficaz na dieta.

Uma possível revolução alimentar

Se as previsões se confirmarem, a ingestão de microrganismos poderá tornar‑se tão comum quanto tomar vitaminas. Para muitos especialistas, esta pode ser a peça que faltava para restaurar o equilíbrio entre o ser humano moderno e o seu microbioma — um equilíbrio que, afinal, sempre fez parte da nossa história.

Fonte: Qualfood