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Cada vez mais se dá mais importância a uma alimentação saudável, sobretudo no que toca a crianças. A pensar nisso, o Governo criou uma lista com os alimentos que as escolas não podem vender, mas também com aqueles que são obrigatórios ter disponíveis. Desde as ementas das cantinas às máquinas de venda automática, estes são os alimentos permitidos e proibidos nas escolas públicas.

“O Ministério da Educação, em articulação com as autoridades de saúde, tem vindo a promover o desenvolvimento de hábitos alimentares saudáveis, através da emissão de orientações para os bufetes, máquinas de venda automática e refeitórios escolares”, refere o despacho publicado esta terça-feira em Diário da República.

Em 2019, foi criada uma lei que veio “proibir a publicidade a géneros alimentícios e bebidas de elevado valor energético, teor de sal, açúcar, ácidos gordos saturados e ácidos gordos trans em estabelecimentos de ensino pré-escolar, básico e secundário”. No ano passado, no âmbito do Orçamento do Estado para 2020 (OE2020), o Governo comprometeu-se em “implementar um conjunto de medidas” para a “adoção de hábitos alimentares saudáveis” nas escolas, nomeadamente em termos de “organização e funcionamento dos bufetes escolares”.

Assim, e tendo por base as orientações do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, da Direção-Geral da Saúde, o Governo definiu a lista dos alimentos que são obrigatórios ter à venda nas escolas, bem como aqueles que são proibidos.

Assim, este despacho determina que os bufetes escolares não podem contemplar a venda dos seguintes produtos:

  • Pastelaria, designadamente bolos ou pastéis com massa folhada e/ou com creme e/ou cobertura, como palmiers, jesuítas, mil-folhas, bola de Berlim, donuts, folhados doces, croissants ou bolos tipo queque;
  • Salgados, designadamente rissóis, croquetes, empadas, chamuças, pastéis de massa tenra, pastéis de bacalhau ou folhados salgados;
  • Pão com recheio doce, pão-de-leite com recheio doce e croissant com recheio doce;
  • Charcutaria, designadamente sanduíches ou outros produtos que contenham chouriço, salsicha, chourição, mortadela, presunto ou bacon;
  • Sandes ou outros produtos que contenham ketchup, maionese ou mostarda;
  • Bolachas e biscoitos, designadamente bolachas tipo belgas, biscoitos de manteiga, bolachas com pepitas de chocolate, bolachas de chocolate, bolachas recheadas com creme e bolachas com cobertura;
  • Refrigerantes, designadamente de fruta com gás e sem gás e aqueles cuja composição contenha cola e/ou extrato de chá, águas aromatizadas, refrescos em pó, bebidas energéticas, bem como os preparados de refrigerantes;
  • ‘Guloseimas’, designadamente rebuçados, caramelos, pastilhas elásticas com açúcar, chupas ou gomas;
  • Snacks doces ou salgados, designadamente tiras de milho, batatas fritas, aperitivos, pipocas doces ou salgadas;
  • Sobremesas doces, designadamente mousse de chocolate, leite-creme ou arroz-doce;
  • Barritas de cereais e monodoses de cereais de pequeno-almoço;
  • Refeições rápidas, designadamente hambúrgueres, cachorros-quentes, pizas ou lasanhas;
  • Chocolates;
  • Bebidas com álcool;
  • Molhos, designadamente ketchup, maionese ou mostarda;
  • Cremes de barrar, à base de chocolate ou cacau e outros com adições de açúcares;
  • Gelados.

Pelo contrário, estes são os alimentos que os bufetes escolares devem disponibilizar obrigatoriamente:

  • Água potável gratuita;
  • Garrafas de água mineral natural e água de nascente;
  • Leite simples meio-gordo e magro;
  • Iogurtes meio-gordo e magro, preferencialmente sem adição de açúcar;
  • Pão, preferencialmente de mistura com farinha integral e com menos de 1 g de sal, por 100 g de pão, preferencialmente recheado com atum (de preferência conservado em água, ou outros peixes de conserva com baixo teor de sal), fiambre com baixo teor de gordura e sal (preferencialmente de aves, carnes brancas cozidas ou assadas), ovo cozido, pasta de produtos de origem vegetal à base de leguminosas ou frutos oleaginosos ou queijo meio-gordo ou magro. Estes pães devem ser preferencialmente acompanhados com produtos hortícolas, designadamente alface, tomate, cenoura ralada e couve roxa ripada;
  • Fruta fresca, preferencialmente da época, podendo ser apresentada como salada de fruta fresca sem adição de açúcar;
  • Saladas;
  • Sopa de hortícolas e leguminosas, no caso dos estabelecimentos com ensino noturno.

Ainda assim, os bufetes escolares podem ainda disponibilizar:

  • Queijos curados com teor de gordura não superior a 45%, queijos frescos e requeijão;
  • Frutos oleaginosos ao natural, sem adição de sal ou açúcar;
  • Tisanas e infusões de ervas sem adição de açúcar;
  • Bebidas vegetais, em doses individuais, sem adição de açúcar;
  • Snacks à base de leguminosas que contenham: pelo menos 50% de leguminosas e um teor de lípidos por 100 g inferior a 12 g e um teor de sal inferior a 1 g;
  • Snacks de fruta desidratada sem adição de açúcares;
  • Sumos de fruta e ou vegetais naturais, bebidas que contenham pelo menos 50 % de fruta e ou hortícolas e monodoses de fruta.

Pode consultar o Despacho 8127/2021 na sua plataforma Qualfood.

Fonte: ECO/ Qualfood

 

A ideia deste novo projeto nasceu nos primeiros meses da pandemia de Covid-19, em consequência do aumento de peso das crianças e jovens, principalmente, durante os períodos de confinamento obrigatório. Nesse sentido, a APCOI prepara uma app de realidade aumentada, para incentivar os mais novos a terem uma alimentação saudável.

O jogo educativo móvel está a ser desenvolvido pela ONTOP, em conjunto com a APCOI – Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil e financiado pela Novo Nordisk, e ficará disponível gratuitamente para smartphones iOS e Android até ao final do ano. Mário Silva, presidente da APCOI, revela que “a app, desenhada à medida por especialistas, combina várias técnicas de gamificação, como realidade aumentada, geocaching e colecionismo, para levar as famílias portuguesas a descobrir super alimentos escondidos e a acumular dicas nutricionais para ganhar prémios, criando oportunidades de aprendizagem e diversão dentro e fora de casa”.

Heróis da Fruta

A app é inspirada no programa escolar Heróis da Fruta. que a APCOI promove nas escolas desde 2011 e cujo 10.º aniversário se assinala já em outubro.

Nuno Folhadela, CEO da ONTOP, recorda as brincadeiras de criança do tempo dos pais e descreve que a experiência desta app se trata de adaptar essas sensações e diversão aos dias e às crianças de hoje. “Estamos a desenvolver uma verdadeira caça ao tesouro por Portugal, numa mistura tecnológica e criativa em realidade aumentada, com a missão de promover um estilo de vida saudável e uma infância feliz”.

Helena Novais, diretora de Public Affairs da Novo Nordisk Portugal refere que colocar o digital ao serviço da saúde é uma estratégia crítica nos dias de hoje. “Acreditamos que aliar o potencial das novas tecnologias com modelos de intervenção com resultados tão positivos, como o projeto Heróis da Fruta, será um contributo muito importante na prevenção do excesso de peso e obesidade infantil em Portugal, sendo um caminho que apoiamos com muito entusiasmo”.

Fonte: Grande Consumo

“RADIANT: realizando cadeias de valor dinâmicas com culturas subutilizadas” é o novo projeto europeu coordenado pelo Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF), da Escola Superior de Biotecnologia (ESB) da Universidade Católica Portuguesa no Porto, financiado pelo Horizonte 2020 (H2020), o programa-quadro comunitário europeu para a Investigação e Inovação. O objetivo é desenvolver soluções e ferramentas que irão fomentar a agrobiodiversidade, combatendo o paradigma agrícola de monocultura e de agricultura industrializada.

Marta Vasconcelos, investigadora do Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF/ESB/UCP) e coordenadora do projeto RADIANT, afirma que “no último século, 75% da diversidade genética das culturas foi perdida. Existem cerca de 259.000 espécies de plantas, das quais 50.000 são comestíveis (sendo 150-200 realmente consumidas), e apenas três fornecem 60% das calorias e nutrição da dieta humana (milho, arroz e trigo). Este cenário é o culminar de um processo que começa logo ao nível da produção local de alimentos mais diversificados, pois os obstáculos são muitos.”

É com a finalidade de reduzir estes obstáculos e de tornar possível um aumento da diversidade de culturas, refletida nos alimentos consumidos pelos cidadãos, que o RADIANT se propõe, através de uma abordagem baseada na “Teoria da Mudança”, a criar ferramentas que preservem a agrobiodiversidade, tornando possível a diversificação da disponibilidade de alimentos produzidos localmente. Ao promover culturas subutilizadas, que incluem uma mistura de espécies pouco produzidas, como as leguminosas, ou variedades mais antigas e “esquecidas” de culturas mais comuns, como o trigo, milho, cevada ou tomate, a ambição do RADIANT é reduzir a ‘lacuna de produção’ entre as culturas mais populares e as subutilizadas, e a ‘lacuna nutricional’ – entre os alimentos mais consumidos, e os alimentos mais necessários para uma dieta saudável. A investigadora coordenadora do projeto refere, também, que, a par destes objetivos, se pretende “garantir um desenvolvimento económico e social justo para todos os intervenientes das cadeias de valor.”

Projeto Europeu RADIANT em números 

O projeto europeu “RADIANT – Realizando Cadeias de Valor Dinâmicas com Culturas Subutilizadas”, coordenado pelo Centro de Biotecnologia e Química Fina da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica no Porto, envolve 29 entidades de 12 países – Portugal, Eslovénia, Reino Unido, Hungria, Espanha, Grécia, Itália, Alemanha, Irlanda, Bulgária, Países Baixos, Chipre – e conta ainda com a Food and Agriculture Organization (FAO) das Nações Unidas como parceira.

Com o projeto europeu RADIANT pretende-se demonstrar transições bem-sucedidas para sistemas inclusivos de agrobiodiversidade; realizar programas de melhoramento para que as culturas subdesenvolvidas sejam mais competitivas; testar as melhores práticas agrícolas que maximizem a  sua produção sustentável; ampliar o seu reconhecimento ambiental, social e nutricional, através da caracterização dos seus múltiplos benefícios; oferecer soluções para a sua integração em cadeias de valor rentáveis, com base em inovações políticas, sociais e de governança; capacitar a sociedade para integrar estes alimentos nas suas dietas.

Com uma duração de 4 anos e um financiamento acima dos 5.9 milhões de euros através do H2020, o projeto conta com 20 explorações agrícolas piloto, as chamadas “explorações AURORA”, que abrangem as diferentes agroecologias em toda a Europa, e onde boas práticas serão testadas e demonstradas. Marta Vasconcelos explica ainda que “para a concretização do projeto, serão, também, recrutados 45 agricultores participativos para facilitar a integração destas culturas subutilizadas, realizando uma gestão adaptativa da agrobiodiversidade através de ferramentas construídas pelo próprio projeto.”

Fonte: Greensavers

No mês de Setembro, decorre mais um período obrigatório de Declarações de Existências de Galinhas Poedeiras, conforme Aviso da Direção Geral de Alimentação e Veterinária, publicado neste portal.

A declaração de existências poderá ser efetuada diretamente pelo produtor através do seguinte endereço de internet https://avidec.dgav.pt, ou em alternativa em qualquer departamento dos Serviços de Alimentação e Veterinária Regionais.

Fonte: DGAV

Mais recente atualização das freguesias afetadas pela doença Flavescência Dourada que constituem as zonas de intervenção prioritária (ZIP) e das freguesias onde o inseto vetor está presente.

Em resultado dos mais recentes trabalhos de prospeção do Plano Nacional para controlo da Flavescência Dourada, foi publicado o Despacho nº 7583/2021 que atualiza as listagens de freguesias que constituem as zonas de intervenção prioritária (ZIP) e das freguesias onde o inseto vetor está presente, bem como a respetiva classificação de risco de disseminação da doença.

De acordo com o Plano Nacional para o controlo da doença verificou-se a necessidade de voltar a atualizar as referidas listas (última atualização inscrita do Despacho nº 7189/2020, de 19 de Julho), impondo-se a publicação do atual Despacho nº 7583/2021, de 12 de Julho de 2021.

Este diploma indica a listagem das freguesias que constituem as ZIP, que correspondem a áreas do território nacional constituídas pelas freguesias onde são detetadas plantas de videira contaminadas com Flavescence dorée phytoplasma, e pelas respetivas freguesias limítrofes e não limítrofes que foram abrangidas pelo perímetro definido em informação obtida através do Sistema de Informação da Vinha e do Vinho (SIVV) e que estão sujeitas a medidas fitossanitárias específicas.

Considera-se erradicada a ZIP situada na Região Centro, por ter evidenciado através de prospeção oficial ausência de focos da doença durante 5 anos consecutivos.

Lembramos que a Portaria n.º 165/2013 estabelece as medidas de proteção fitossanitária, adicionais e de emergência, destinadas à erradicação no território nacional do fitoplasma de quarentena Flavescence dorée phytoplasma, responsável pela doença vulgarmente designada por Flavescência Dourada, assim como à contenção da dispersão do inseto vetor, a cigarrinha Scaphoideus titanus Ball.

Fonte: Agroportal

Ángel León, famoso chef e proprietário do Aponiente, um dos melhores restaurantes da Espanha, que está localizado na cidade de Cádiz, descobriu com a sua equipa os cereais marinhos. O projeto não se concentra apenas nas aplicações gastronómicas do cereal, mas também o de criar um banco de sementes para repovoar áreas húmidas costeiras, desenvolvendo também sistemas de plantio e colheita que se adaptem ao ambiente marinho. A cultura experimental ocupa cerca de três mil metros quadrados do Parque Natural da Bahia de Cádiz, próximo ao município de Puerto Real.

“Pretendemos criar o primeiro e único centro de I&D especializado do mundo nas culturas de plantas marinha”, diz o chef. “O objetivo é continuar a investigar este cereal marinho, pois pode dar-nos muitas chaves para mitigar os efeitos das alterações climáticas, e restaurar os ecossistemas aquáticos”, acrescenta.

O cultivo deste cereal levanta a possibilidade de criar um “jardim marinho” que permita produzir um alimento barato e nutritivo em áreas do planeta onde o acesso a água doce é escasso e ainda há água salgada. De acordo com a informação publicada no site cerealmarino.com, é uma semente ou grão muito mais denso do que outros cereais e também muito mais nutritivo, a meio caminho entre o arroz e as leguminosas.

Num estudo comparativo com outros cinco cereais (arroz, cevada, trigo, aveia e milho), foram detetadas mais proteínas de alta qualidade, hidratos de carbono e vitaminas A e E do que qualquer outro tipo de cereais, bem como elevadas concentrações de vitaminas B, ácidos gordos essenciais, ómegas 3 e 6 e aminoácidos que não existem noutros cereais comuns, o que o torna um “superalimento com qualidades excecionais para uma alimentação saudável”.
Fonte: Greensavers

A planta de mandioca foi geneticamente modificada para ser resistente ao vírus da CBSD, uma doença que se tornou epidémica e que pode destruir uma plantação inteira de mandioca.

As plantas de mandioca geneticamente modificadas (GM) estão a um passo de serem comercializadas no Quénia. Se forem aprovadas, as sementes da variedade transgénica de mandioca vão ser disponibilizadas gratuitamente aos pequenos agricultores quenianos, que se vêm a braços com os ataques da CBSD (Cassava brown streak disease), uma doença viral transmitida pela mosca-branca ou pela partilha de estacas que torna as plantas incomestíveis até pelos animais e pode destruir toda uma plantação de mandioca.   

Depois de as autoridades quenianas determinarem que a planta de mandioca GM é tão segura para humanos, animais e meio ambiente quanto a versão não-GM, a Organização de Investigação Agrícola e Pecuária do Quénia (KALRO), que desenvolveu a planta de mandioca GM resistente ao vírus da CBSD, recebeu autorização para realizar testes de desempenho nacionais, durante os quais a planta será cultivada em campos abertos em todo o país.  

Daqui a dois anos, a KALRO apresentará um relatório com os resultados dos testes. Deles dependerá a decisão das autoridades de disponibilizar a planta de mandioca GM aos agricultores para ser produzida.

Por ser extremamente versátil, a mandioca é uma raiz vegetal extremamente importante na economia e no abastecimento de alimentos do Quénia – pode ser amassada, frita, assada ou até mesmo seca e moída para fazer farinha para  pão. 

 Fonte: CiB - Centro de Informação de Biotecnologia

Apesar de um aumento de 2.000 pipas face a 2020, a Avadouriense considera "insuficiente" benefício de 104.000 pipas de Vinho do Porto e afirma que os preços pagos à produção ficam aquém do necessário.

A Associação dos Viticultores e da Agricultura Familiar Douriense (Avadouriense) considerou estas segunda-feira “muito insuficiente” as 104.000 pipas de mosto destinadas à produção de vinho do Porto nesta vindima e reclamou um aumento dos preços pagos aos produtores.

“O muito pequeno aumento do benefício nesta campanha (de 102.000 para 104.000 pipas) revela-se mesmo assim muito insuficiente face às necessidades e possibilidades da região, que exigiriam um valor próximo das 120.000 pipas”, afirmou a Avadouriense, associação sediada em Vila Real.

Nesta vindima, a Região Demarcada do Douro vai transformar um total de 104.000 pipas (550 litros cada) de mosto em vinho do Porto nesta vindima, um aumento de 2.000 pipas face a 2020.

O valor do benefício foi fixado em julho pelo conselho interprofissional do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP).

A organização filiada da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) considerou ainda que “os preços pagos à produção mantêm-se muito aquém do necessário”.

Vítor Herdeiro, dirigente da associação, referiu que o valor da pipa de vinho pago aos viticultores “não é suficiente sequer para fazer face aos custos de produção” e exemplificou com a necessidade de se fazerem vários tratamentos na vinha por ano.

"Este foi mais um ano desses. Foi preciso fazer muitos tratamentos para se conseguir fazer vingar a vinha e isso é muito dispendioso”, afirmou à agência Lusa.

Somam-se ainda, apontou, “os grandes aumentos nos preços dos fatores de produção, para além dos constrangimentos provocados pela pandemia de Covid-19”.

O responsável especificou que os preços pagos aos produtores rondam entre os 800 e 1.000 euros para a pipa de vinho do Porto e ente os 200 a 350 euros para o vinho de consumo, reclamando um aumento para os “pelo menos” 1.500 euros para a pipa de vinho do Porto e 600 euros para o vinho de consumo.

"Aumentar a produção e os preços pagos aos produtores são condições essenciais para assegurar a dignidade dos vitivinicultores durienses“, afirmou.

Na sequência da queda de granizo, ocorrida nos meses de abril, maio e junho, no Norte e Centro do país, o Ministério da Agricultura anunciou sete medidas de apoio excecionais para minimizar os prejuízos causados por estes fenómenos meteorológicos adversos.

Para a Avadouriense, face às intempéries, os apoios anunciados pelo Governo “ficam muito aquém do que é necessário, para garantir que os produtores possam continuar a produzir e a viver condignamente do seu trabalho”.

A CNA e a associação entendem que só uma medida “de apoio a fundo perdido poderá salvar muitos dos pequenos e médios vitivinicultores afetados” e reclamam ainda que “seja permitida, a título temporário e excecional, a entrega de cartões sem uvas, nesta campanha produtiva, com a possibilidade de serem repostas as respetivas quantidades em falta nas próximas campanhas, se a situação o permitir”.

De outra forma, os produtores prejudicados pelas intempéries ficariam duplamente penalizados”, frisaram as organizações.

Vítor Herdeiro lembrou ainda a questão da Casa do Douro e a recente declaração de inconstitucionalidade de algumas normas do decreto-lei nº 73/2019 que a reinstitucionalizou como associação pública de inscrição obrigatória.

O acórdão do Tribunal Constitucional concluiu que os estatutos da Casa do Douro possuíam várias normas inconstitucionais, após a apreciação da lei aprovada na Assembleia da República e que entrou em vigor em janeiro de 2020.

"É a experiência e a prática que demonstram que os interesses dos milhares de pequenos e médios vitivinicultores durienses são incompatíveis com os interesses do agronegócio, aos quais foi entregue a Casa do Douro e que não mais têm feito do que esvaziá-la de condições para retomar o seu papel”, referiu a Avadouriense.

Vítor Herdeiro disse esperar que o problema levantado pelo Constitucional seja resolvido o “mais depressa possível”, sendo necessário que o processe regresse ao Parlamento.

Fonte: Observador

Está a ser desenvolvido um novo projeto pelo MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente do Politécnico de Leiria, que utiliza extratos de algas em óleos alimentares com o intuito de prolongar o seu tempo de vida útil.

“Os óleos alimentares estão sujeitos a reações de degradação promovidas pelo contacto com o oxigénio (oxidação), por temperaturas elevadas e pela água libertada pelos alimentos, o que resulta na formação de compostos responsáveis pela diminuição das qualidades nutricionais e por defeitos sensoriais, nomeadamente, o ranço. O uso de antioxidantes sintéticos em óleos, isto é, de compostos capazes de prevenir a oxidação, apresenta efeitos limitados devido à sua volatilidade e instabilidade a altas temperaturas, além da evidência de que o seu uso pode ter efeitos cancerígenos”, começa por explicar a investigadora Carla Tecelão.

Foi neste contexto que surgiu o projeto Ocean2Oils, financiado pelo Fundo Azul – Direção-Geral de Política do Mar, que visa explorar as potencialidades que o oceano pode oferecer para ultrapassar alguns constrangimentos no processamento de óleos alimentares, considerando que as algas são uma fonte de compostos de alto valor, em particular, de antioxidantes e pigmentos, que podem ser usados em alimentos e suplementos alimentares.

“Verifica-se que os óleos suplementados com extratos de algas possuem maiores teores de pigmentos (clorofilas e carotenoides) e de compostos fenólicos com elevada atividade antioxidante. Salienta-se que o processo de extração não utiliza solventes nefastos para o ambiente, recorrendo-se à extração assistida por ultrassons (uma técnica emergente, identificada como “verde”). A aplicação de revestimentos com compostos provenientes de algas permitiu reduzir o teor de gordura em filetes de peixe após fritura, tornando-os mais saudáveis”, afirma a investigadora.

O projeto tem como objetivo implementar um processo sustentável e integrado de exploração de algas comestíveis, algumas invasoras da costa portuguesa, promovendo o conceito de economia circular, em três linhas de investigação: utilizar as algas como fonte de antioxidantes naturais para a suplementação de óleos alimentares, aumentando o seu valor nutricional e a sua estabilidade, com consequente redução do impacto ambiental dos resíduos; aplicar os extratos das algas no desenvolvimento de revestimentos comestíveis para aplicação em alimentos antes da fritura, com o intuito de minimizar a perda de água e a absorção de óleo dos produtos fritos; aproveitar a biomassa residual, que ainda é rica em nutrientes, em rações para aquacultura.

A sua aplicação prática reside na formulação de óleos alimentares com maior estabilidade a reações de degradação e, consequentemente, com maior tempo de vida útil. Em termos económicos e ambientais os benefícios são notórios, com a diminuição de resíduos a processar. O aumento do valor nutricional do óleo alimentar tem também vantagens evidentes para o consumidor, que beneficia de um alimento enriquecido em compostos bioativos, em particular de carotenoides e compostos fenólicos, que têm demonstrado efeitos na prevenção de doenças cardiovasculares, na redução da incidência de alguns tipos de cancro bem como no controlo do índice glicémico. Os revestimentos comestíveis formulados com compostos extraídos da alga possuem também benefícios para a saúde do consumidor, diminuindo a absorção de gordura pela matriz alimentar (filetes de peixe, por exemplo) em processos de fritura.

Com início a 2 de setembro de 2019, prevê-se que o Ocean2Oils esteja concluído a 28 de fevereiro de 2022. O seu consórcio envolve duas instituições de ensino superior, o Politécnico de Leiria, na qualidade de promotor, e o Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa. Conta ainda com a participação da empresa Sovena Consumers Goods, líder do mercado português de azeite, óleos vegetais e sabões, e da Francisco Baratizo, sediada em Peniche, que se dedica à comercialização de peixe e produtos da pesca.

Fonte: Greensavers

O setor do mel não sofreu um impacto significativo face à pandemia de covid-19 e espera até recuperar dos maus anos apícolas, marcados por quebras de produção até aos 80%, apesar da vespa asiática continuar a ser um problema.

“Os impactos da pandemia no setor do mel não se fizeram sentir, uma vez que o trabalho nunca foi interrompido (à semelhança das outras atividade agropecuárias) e as vendas do produto não sofreram um impacto significativo”, adiantou à Lusa a Federação Nacional dos Apicultores de Portugal (FNAP).

Conforme apontou, a venda de mel tem uma “sazonalidade marcada”, verificando-se um pico entre o outono e o inverno, sendo que as quebras notaram-se apenas nos apicultores que fazem muitas vendas em mercados e feiras, situação que foi também confirmada pela Sociedade dos Apicultores de Portugal (SAP).

Segundo a SAP, as perspetivas são agora “promissoras”, apesar de a importação de mel de países terceiros e a “deficiente rotulagem dos mesmos” configurar um “sério obstáculo” à comercialização.

A isto acresce a concorrência com mão de obra mais barata e sem os “requisitos higiossanitários europeus”.

Já a FNAP perspetiva que 2021 seja um ano de retoma, após os maus anos apícolas de 2018 a 2020, que, nalguns casos, levaram a quebras de produção de 80% devido, nomeadamente, a perturbações climáticas na época da floração.

“A campanha está a terminar no Norte do país e a perspetiva é que 2021 possa ser um ano de retoma para muitos apicultores”, notou, acrescentando que, no Algarve e Alentejo, registaram-se colheitas normais e que os preços do mercado mundial estão estabilizados.

Porém, no Centro e no Norte, onde as crestas (recolha do mel das colmeias) são mais tardias, “ainda não se consegue perspetivar se o ano será de retoma”.

No que se refere à vespa asiática, tanto a FNAP como a SAP confirmam que continua a ser um problema, sendo que a sociedade de apicultores sublinhou a falta de prevenção e supervisão.

“A vespa, cada vez mais, continua a ser um grave problema. A extensão para Sul atinge já o Alentejo e não me parece que as entidades competentes lhe estejam a dar a importância necessária. Muitas vezes, as empresas contratadas para a sua eliminação fazem-no de forma incorreta, levando à multiplicação dos ninhos”, apontou o presidente da SAP, António Hermenegildo, em resposta à Lusa, assegurando que existe também falta de “supervisão e de prevenção”.

De acordo com os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2020, a produção de mel em Portugal fixou-se em 9.817 toneladas, sendo 9.643 toneladas das quais provenientes do continente.

Os Açores e a Madeira, por sua vez, produziram, respetivamente, 128 e 46 toneladas.

Portugal tem 747.145 colónias e 43.564 apiários registados, segundo dados da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), referentes a setembro de 2020.

A FNAP representa perto de 50 associados, entre cooperativas, agrupamentos de produtores e associações, onde se inclui a SAP.

Fonte: Agroportal