A Olivum – Associação de Olivicultores e Lagares de Portugal – reviu em baixa as previsões para a campanha olivícola nacional, estimando agora uma redução de cerca de 20% na produção de azeitona face à campanha anterior.
De acordo com o comunicado de imprensa, duas semanas após a previsão inicial de uma quebra de 10%, os primeiros dias de colheita confirmaram uma produção inferior ao esperado, resultado do calor extremo e da falta de chuva registada nos últimos quatro meses.
A nota de imprensa avança ainda que, em várias regiões do país, a seca e as temperaturas elevadas durante a maturação causaram desidratação do fruto, comprometendo a produtividade. Mesmo nos olivais com rega, a escassez de água está a ter impacto direto na redução da produção.
“Nos meses cruciais para a formação do azeite encontrámo-nos perante um cenário difícil, praticamente sem qualquer precipitação”, referiu a Diretora-executiva da Olivum, Susana Sassetti.
E continua: “este ano, em relação à campanha anterior, em muitas zonas, o olival não teve capacidade para manter o desenvolvimento normal do fruto. Este cenário cria um clima de preocupação no setor, que enfrenta uma campanha marcada por grande variabilidade entre regiões e variedades, mas com uma tendência comum de redução de produtividade”.
Fonte: Vida Rural
Investigadores da Universidade de Tecnologia de Kaunas (KTU), na Lituânia, desenvolveram compostos orgânicos capazes de detetar concentrações mínimas de oxigénio de forma rápida, visual e sem necessidade de metais pesados. Esta inovação tem aplicações diretas na indústria alimentar, especialmente no domínio das embalagens inteligentes e da monitorização da cadeia de abastecimento.
Os sensores permitem verificar imediatamente se uma embalagem perdeu o seu selo, uma vez que a sua luminescência varia de acordo com a presença de oxigénio: quando o oxigénio desaparece, a intensidade da luz aumenta e a cor muda de azul para verde, sendo esta mudança visível a olho nu, o que os torna uma ferramenta eficaz para o controlo de qualidade sem necessidade de equipamento adicional.
Alternativa segura e sem metais pesados
Ao contrário de outros sensores que utilizam metais como a platina ou o irídio, os desenvolvidos pela KTU baseiam-se em derivados orgânicos de tiantreno, o que elimina os riscos associados à toxicidade e ao impacto ambiental. Esta caraterística é especialmente relevante para utilização em embalagens alimentares ativas e inteligentes, onde a segurança do consumidor é uma prioridade.
O desempenho baseia-se na fosforescência à temperatura ambiente, uma propriedade rara nos compostos orgânicos, que permite uma deteção prolongada e muito sensível do oxigénio residual no interior da embalagem.
Vantagens competitivas para a indústria
Graças à sua elevada sensibilidade - uma das mais elevadas jamais registadas para sensores sem metais - estes compostos são particularmente úteis em aplicações em que é essencial garantir uma atmosfera modificada ou a ausência de oxigénio, como nos produtos perecíveis ou de gama alta.
Além disso, a sua síntese simples e a sua escalabilidade poderiam facilitar a sua incorporação em soluções industriais, tanto em embalagens unitárias como em sistemas de controlo de armazenamento ou de transporte.
Esta tecnologia abre também a porta a novas soluções de rotulagem ou tintas inteligentes capazes de indicar visualmente se um produto sofreu uma alteração das suas condições de conservação, proporcionando um valor acrescentado ao fabricante, ao distribuidor e ao ponto de venda.
O desenvolvimento faz parte do projeto do Centro de Excelência em Ciências Físicas e Tecnológicas (TiFEC) e posiciona os sensores orgânicos como uma ferramenta promissora para melhorar a segurança, a rastreabilidade e a diferenciação no sector alimentar.
Fonte: iAlimentar
Há anos que os cientistas afirmam que a evolução dirigida é uma das formas mais poderosas de melhorar as proteínas.
O processo envolve a produção de muitas versões ligeiramente diferentes de genes, testando quais as que funcionam melhor, mantendo as vencedoras e repetindo tudo de novo - um pouco como acelerar a seleção natural no laboratório.
No entanto, só vimos isto ser aplicado a micróbios, células animais ou tubos de ensaio, o que deixou as culturas de fora durante muito tempo. Até agora.
Investigadores chineses afirmam ter encontrado uma forma de acelerar esse mesmo processo no interior das folhas - algo que normalmente demora muito tempo, uma vez que as células vegetais se dividem lentamente.
Uma folha em quatro dias
A equipa responsável pelas descobertas associou a atividade útil de um gene à rápida cópia de ADN no interior de uma folha, de modo a que as melhores variantes se multipliquem e as mais fracas desapareçam.
Sob a direção do Professor Gao Caixia do Instituto de Genética e Biologia do Desenvolvimento do CAS e do Professor Qiu Jinlong do Instituto de Microbiologia, a investigação é apresentada sob a forma de uma plataforma denominada Geminivirus Replicon-Assisted in Planta Direted Evolution, ou “GRAPE”.
De acordo com a investigação, a abordagem baseia-se nos geminivírus - vírus de ADN de plantas conhecidos pela replicação em círculo rolante, que produz muitas cópias de ADN circular. Funciona através da mutação de um gene de interesse no laboratório e da inserção das variantes em “réplicas” de ADN circular modificado.
Essas bibliotecas são depois entregues nas folhas de Nicotiana benthamiana, disseram os cientistas, explicando que se uma variante fizer o trabalho que os investigadores pretendem, desencadeia mais cópias de réplicas, pelo que essa variante se torna mais comum. Isto faz com que as variantes que não fazem nada fiquem para trás, com o ciclo a terminar numa folha em cerca de quatro dias, o que é rápido para os padrões das plantas, disseram os investigadores.
Uma agricultura mais resiliente?
A equipa de investigação argumenta que o GRAPE se adapta melhor a problemas específicos das plantas do que os sistemas que desenvolvem genes em micróbios, porque a seleção ocorre no interior das células vegetais e o método pode visar características que dependem da regulação das plantas.
Acrescentam ainda que qualquer função que possa ser associada à replicação em círculo rolante é candidata, o que pode significar boas notícias para além da imunidade, desde proteases para investigação a futuras características relevantes para a reprodução.
O que os cientistas afirmam ser uma grande vantagem neste caso é a velocidade, a escalabilidade e menos becos sem saída quando se passa do laboratório para o terreno. Se assim for, o GRAPE pode muito bem tornar-se noutra ferramenta para uma engenharia de culturas mais rápida e, a seu tempo, para uma agricultura mais resiliente.
Fonte: tempo.pt
A proteção das explorações avícolas contra a Gripe Aviária começa com a sensibilização e a prevenção.
A Campanha #NoBirdFlu, promovida pela European Food Safety Authority (EFSA) a nível da União Europeia (UE), tem fornecido informações essenciais sobre biossegurança nas explorações avícolas, dirigidas a quem trabalha numa exploração avícola, cuida de um bando de aves num quintal ou visita explorações avícolas no âmbito da sua atividade profissional.
Para ajudar a prevenir a introdução da doença e impedir a propagação da Gripe Aviária na sua exploração avícola, importa adotar uma prática essencial: manter as diferentes espécies de aves de capoeira em alojamento separados.
Saiba que: Uma espécie, um espaço. Alojamentos separados
Diferentes espécies de aves de capoeira – como galinhas, patos e perus – devem ser mantidas separadas.
Isto porque a mistura de espécies aumenta o risco de propagação de doenças, que podem afetar determinadas espécies sem se manifestarem.
Outros animais, incluindo animais de estimação ou outros animais de pecuária, devem também ser mantidos afastados das aves de capoeira.
Fonte: DGAV
Três em cada quatro europeus reconhecem a importância da economia social para o bem-estar da sociedade, revela o novo Eurobarómetro Especial divulgado pela Comissão Europeia. O estudo mostra um forte consenso entre os cidadãos sobre o papel central que as organizações da economia social desempenham no apoio às pessoas, às comunidades e ao meio ambiente, bem como na resposta a desafios sociais cada vez mais complexos.
As conclusões do inquérito são avassaladoras: 75% dos europeus consideram que a economia social é essencial para o futuro coletivo, e a maioria defende um reforço das políticas públicas de apoio a este setor. Entre as medidas mais valorizadas destacam-se o apoio direto às organizações (88%), ações de sensibilização (86%), ajuda à criação de novos projetos (86%) e financiamento público (80%).
O estudo indica igualmente que a visão dos europeus sobre o papel das empresas está a evoluir. Cerca de 93% acreditam que os negócios devem orientar-se por valores da economia social, privilegiando objetivos sociais e ambientais, redistribuindo lucros e adotando modelos de governação democráticos.
A FENAREG – Federação Nacional de Regantes de Portugal realizará as XVI Jornadas do Regadio, no LNEC, em Lisboa, sob o tema “Regadio: um olhar para o futuro” e com o Alto Patrocínio do Presidente da República. O evento pretende lançar um alerta estratégico: Portugal está a perder mais de 500 milhões de euros por ano por não investir em regadio, e a execução célere da Estratégia Nacional “Água que Une” é vista como determinante para inverter o défice agroalimentar e transformar o país num produtor excedentário.
A FENAREG lembra que o regadio é responsável por 30% do Valor de Produção Agrícola, representando mais de 2 mil milhões de euros e 147 mil empregos diretos. Atualmente, abrange 633 mil hectares, cerca de 17% da Superfície Agrícola Utilizada (SAU). Com a modernização tecnológica das últimas décadas, a eficiência no uso da água aumentou mais de 80%, garantindo maior sustentabilidade e competitividade.
Segundo a Federação, elevar a área de regadio para 20,2% do SAU, conforme previsto na Estratégia “Água que Une”, seria suficiente para reduzir o défice agroalimentar superior a 5 mil milhões de euros e colocar Portugal mais próximo do superavit, reforçando a coesão territorial e a autonomia alimentar.
O responsável reforça ainda que a falta de investimento pode custar 4.500 euros por hectare por ano, o que, em dez anos, representa mais de 5,4 mil milhões de euros, valor superior ao investimento previsto até 2030.
As XVI Jornadas do Regadio reúnem decisores políticos, especialistas e representantes do setor agrícola, num debate que abordará a Estratégia Europeia de Resiliência Hídrica, o papel da Política Agrícola Comum (PAC) na modernização do regadio e os desafios da sustentabilidade.
Entre os oradores convidados estão José Núncio, António Carmona Rodrigues (coordenador do projeto “Água que Une”), Paulo do Nascimento Cabral (eurodeputado e membro da Comissão de Agricultura e Desenvolvimento Rural) e os ex-secretários de Estado Nuno Russo, José Diogo Albuquerque e Gonçalo Rodrigues, entre outros.
Durante o evento, será também lançado o Observatório do Regadio, uma nova ferramenta de monitorização e análise de dados para apoiar políticas públicas e decisões de investimento no setor.
Portugal tem previstos mais de 10 mil milhões de euros em investimento hídrico até 2040, sendo 5 mil milhões até 2030. A FENAREG alerta que qualquer atraso na execução da Estratégia “Água que Une” compromete a modernização e a digitalização do setor, e com isso a competitividade da agricultura nacional.
A nível europeu, a Estratégia de Resiliência Hídrica prevê 15 mil milhões de euros até 2027 e um aumento de 10% na eficiência hídrica até 2030.
“A água é o elo que une economia, ambiente e território. O futuro da agricultura e da segurança alimentar depende da forma como gerimos este recurso estratégico. O momento é agora”, sublinha José Núncio, acrescentando: “Sem regadio, não há agricultura moderna nem segurança alimentar”.
Fonte: Grande Consumo
Investigadores da Universidade de Heidelberg identificaram um novo mecanismo molecular que ajuda as plantas a conservar água em condições de seca e elevada luminosidade. O estudo revela como sinais químicos vindos do solo ativam, nas folhas, a produção da hormona que leva ao fecho dos poros responsáveis pela perda de água.
Um grupo internacional de cientistas, liderado pelo Centro de Estudos de Organismos (COS) da Universidade de Heidelberg, descobriu um mecanismo até agora desconhecido que permite às plantas resistirem melhor à seca. A investigação identificou o papel de um complexo proteico nos cloroplastos — o complexo cisteína sintase — que atua como sensor das condições ambientais e desencadeia a produção da hormona ácido abscísico (ABA), responsável pelo fecho dos estomas, os poros das folhas que controlam a troca de gases e a perda de vapor de água.
Os investigadores também conseguiram modificar geneticamente a planta modelo Arabidopsis, tornando-a mais resistente à desidratação do solo sem comprometer o crescimento. Este avanço poderá abrir caminho a novas estratégias para aumentar a resiliência das culturas agrícolas face ao aquecimento global e à escassez de água.
O estudo, realizado em colaboração com a Universidade Agrícola de Nanjing, na China, foi financiado pela Fundação Alemã de Investigação e publicado na revista Nature Communications.
Leia o estudo.
Fonte: CiB
O projeto da ‘startup’ moçambicana Agriview, de transformar cascas de milho em loiça biodegradável, venceu o Prémio África de Inovação em Engenharia, atribuído pela Royal Academy of Engineering de Londres, colocando Moçambique “no mapa da inovação sustentável global”.
“O prémio atribuído valida o propósito de transformar um mau hábito num gesto positivo para o ambiente, onde cada prato biodegradável dá origem a uma árvore e contribui para remover até 25 quilogramas de dióxido de carbono da atmosfera, por ano”, disse Joaquim Rebelo, cofundador da empresa, citado num comunicado da Agriview.
O projeto, concebido pelos moçambicanos Rui Bauhofer e Joaquim Rebelo, propõe-se a substituir o plástico descartável por loiça feita de resíduos agrícolas, num processo que permite que as peças, após o uso, se decomponham e libertem sementes capazes de germinar, criando novas plantas.
De acordo com a mesma informação, a Agriview arrecadou o prémio “One to Watch” do Africa Prize, a maior distinção do continente dedicada à engenharia, reconhecendo soluções inovadoras e escaláveis para desafios ambientais e sociais, após uma disputa que envolveu 30 países africanos.
Saber mais.
Fonte: Agroportal
Os produtores de vinho podem ter um maior controlo estilístico sobre os seus vinhos do que se pensava anteriormente, de acordo com uma investigação do Departamento de Viticultura e Enologia da Universidade Estatal de Washington (WSU). Esta maior capacidade de previsão é vantajosa no contexto de um clima quente, que faz com que as uvas amadureçam mais rapidamente.
O estudo, publicado na revista Food Chemistry, analisou dois anos de dados de uvas Sauvignon blanc para determinar de que forma os ajustes de álcool, antes e depois da fermentação, influenciam os perfis sensoriais e aromáticos dos vinhos feitos a partir de frutos com diferentes graus de maturação. Os investigadores concluíram que ambos os métodos - ajustamentos pré e pós-fermentação - geram impactos comparáveis.
“Os produtores de vinho podem atenuar alguns efeitos das alterações climáticas diluindo o mosto na vindima ou reduzindo o álcool posteriormente”, explica Jim Harbertson, coautor do estudo e professor associado da WSU. “Mesmo que o clima aqueça demasiado depressa, podem continuar a produzir o estilo de vinho que procuram".
Uma vez que a composição das uvas se altera à medida que amadurecem, os produtores de vinho decidem frequentemente o momento da vindima com base no perfil aromático e gustativo que pretendem obter. Uvas maduras significam mais açúcares e, por conseguinte, mais álcool.
“A nossa investigação mostra que os vinicultores não têm de tomar todas as decisões sobre o sabor na vinha”, afirma a coautora do estudo Danielle Fox, recentemente doutorada pela Escola de Ciências Alimentares da WSU. “Há muita flexibilidade na altura da vindima e muitas ferramentas na adega para afinar o vinho de forma a melhorar o perfil de sabor desejado após a fermentação”, acrescenta.
Os vinicultores podem controlar a concentração de álcool dos vinhos antes da fermentação através da diluição com água ou da chaptalização - adição de açúcar ao mosto. Podem também modificá-la após a fermentação através da desalcoolização. Os aromas de um vinho dependem em grande medida do seu teor alcoólico: quanto mais elevada for a concentração de álcool, mais compostos aromáticos são libertados.
À luz dos recentes avisos das agências governamentais sobre os riscos do consumo de álcool, muitos produtores de vinho estão a voltar-se para a crescente procura de bebidas com baixo teor alcoólico ou sem álcool: “a eliminação do álcool é claramente uma grande tendência na indústria do vinho neste momento”, diz Harbertson.
No entanto, a remoção do álcool pode ter efeitos negativos, como um aumento da acidez percebida: “o ajuste do álcool determina em grande parte a maioria dos atributos sensoriais do vinho, incluindo o aroma, o amargor, o calor e a sensação na boca”, explica Harbertson. ”O álcool é o que define o vinho. A sua remoção acentua os aspetos sensoriais negativos. É um processo delicado e pode implicar repensar o que queremos criar".
Enquanto as investigações anteriores sobre as castas brancas se centraram principalmente no Chardonnay e no Riesling, este estudo permitiu aos investigadores compreender melhor as particularidades do Sauvignon blanc, que é conhecido pelos seus aromas tropicais, frutados e herbais. Ao contrário de outras variedades, os compostos aromáticos do Sauvignon blanc mudam significativamente de uma colheita para outra.
“Concluímos que as uvas Sauvignon blanc perdem o seu carácter varietal único e os seus compostos aromáticos após um determinado ponto de maturação”, afirma Fox. “Se os enólogos fizerem a vindima enquanto esses compostos ainda estão presentes e, em seguida, ajustarem o mosto ou o vinho para aumentar o teor alcoólico, podem efetivamente melhorar o aroma do vinho”.
Utilizando uvas de três colheitas diferentes, os investigadores propuseram-se determinar que diferenças nos vinhos se deviam à maturação e quais se deviam à concentração de álcool. Para o efeito, pediram a um painel de provadores que descrevessem os atributos de aroma e de sabor percebidos. A surpresa veio quando os membros do painel diferenciaram os vinhos principalmente pela concentração de álcool, em vez de pela maturidade da uva.
“Descobrimos que o álcool dita em grande parte o aroma do vinho”, diz Harbertson. ”É essencialmente um tratado técnico para os vinicultores fazerem estilos diferentes a partir da mesma colheita. Uma vez que o Sauvignon blanc muda à medida que amadurece, os produtores de vinho colhem-no frequentemente em alturas diferentes e depois misturam os vinhos resultantes. Mostramos que, na essência, é possível fazer com que o vinho tenha um sabor ‘não maduro’".
Até à data, grande parte da investigação sensorial sobre a regulação do álcool centrou-se no mosto antes da fermentação. Este estudo foi mais longe e mostrou que os produtores de vinho também têm várias opções após a fermentação.
“Era importante ultrapassar os limites e levar a investigação um passo mais além”, conclui Fox. “A análise sensorial é dispendiosa e demorada. As nossas descobertas permitir-nos-ão prever melhor o aroma de um vinho e maximizar a eficiência no futuro”.
Fonte: iAlimentar
À beira-mar, entre poças de maré e aromas iodados, cresce um ingrediente que promete transformar a forma como nos alimentamos e nos relacionamos com os ecossistemas costeiros: as algas. Entre os dias 10 e 12 de outubro, o memmo Baleeira, em Sagres, foi palco do Atlantic Wild Wisdom, um encontro único que celebrou a relação profunda entre o oceano e as pessoas, e durante o qual Joana Duarte, fundadora da Rota das Algas, e Roushanna Gray, do projeto sul-africano Veld and Sea, mostraram como este recurso natural pode inspirar experiências sensoriais e regenerar ecossistemas.
Em entrevista à Green Savers à margem deste evento, Joana e Roushanna revelam que o contacto direto com o mar é o ponto de partida para despertar a curiosidade e o respeito pelas algas. Desde passeios na maré baixa à identificação e colheita sustentável das espécies, os projetos combinam educação ambiental, ciência e gastronomia. As algas, ricas em minerais, proteínas e antioxidantes, ganham vida na cozinha — em caldos, marinadas, fermentados ou sobremesas — transformando a perceção do público ocidental que ainda as vê como algo exótico. Mais do que um alimento, tornam-se uma ponte entre ecossistema e prato, permitindo compreender o impacto da nossa alimentação no oceano.
Além do sabor, as algas desempenham um papel crucial na regeneração dos ecossistemas marinhos: absorvem carbono, filtram nutrientes em excesso e fornecem abrigo e alimento para diversas espécies. Os projetos de Joana e Roushanna demonstram que a colheita responsável e o cultivo sustentável podem ser aliados da biodiversidade costeira e da economia local. Ao integrar ciência, arte e gastronomia, estes programas incentivam hábitos conscientes e mostram que proteger o mar pode começar pelo que colocamos no nosso prato, transformando curiosidade em ação e respeito pela natureza.
Ambas fundaram projetos profundamente ligados ao mar e à educação ambiental. Que momento ou experiência pessoal despertou o vosso interesse pelas algas?
Joana: O meu interesse pelas algas nasceu da curiosidade e do fascínio por tudo o que o mar oferece. Sempre senti que o oceano guarda um património imenso, invisível para a maioria de nós. As algas, em particular, despertaram a minha curiosidade há cerca de 4 anos. O primeiro contacto mais profundo aconteceu quando comecei a estudá-las de forma prática — a provar, cozinhar e observar o seu comportamento em receitas. Percebi que não eram apenas um ingrediente: eram um sabor, ou conjunto de sabores, e um elo entre a natureza, a alimentação e o equilíbrio dos ecossistemas costeiros. Foi aí que nasceu a vontade de partilhar essa descoberta.
Roushanna: A minha relação com as algas começou ao longo da costa sul-africana, onde temos a sorte de ter dois grandes sistemas oceânicos, a corrente fria e rica em nutrientes de Benguela e a corrente mais quente de Agulhas, cada uma oferecendo uma variedade distinta de espécies. Temos cerca de 900 espécies de algas ao longo dos 3.000 quilómetros da nossa costa.
Como forager e educadora que já trabalhava com plantas terrestres, fiquei fascinada pelos ecossistemas intertidais, esses mundos de transição onde os organismos fotossintéticos prosperam entre o mar e o ar.
As algas são produtoras primárias: transformam a luz solar e a água do mar em compostos complexos que sustentam a vida. Quando comecei a explorar as poças das marés, percebi que, sob a superfície, não existia apenas uma despensa, mas um verdadeiro arquivo vivo de resiliência e adaptação.
Como descreveriam o vosso trabalho — a Rota das Algas em Portugal e o Veld and Sea na África do Sul — a quem nunca ouviu falar destes projetos?
Joana: A Rota das Algas é uma experiência sensorial e educativa que convida as pessoas a conhecer o litoral de uma forma diferente. Começa muitas vezes na maré baixa, com os pés na areia e as mãos na água, a identificar e recolher algas de forma sustentável. Aprendemos a identificá-las, mas também a conhecer um pouco da ecologia das zonas intertidais, a história das algas na alimentação e damos algumas noções de oceanografia e astronomia. Depois seguimos para a cozinha, onde as transformamos em sabores, texturas e histórias. O projeto combina gastronomia, ecologia e educação ambiental — e procura criar uma ponte entre quem vive do mar, quem o estuda e quem o saboreia. No final direcionamos a quem vem connosco a fazer escolhas conscientes a nível de algas disponíveis no mercado. Apelamos sempre a uma procura por algas produzidas/cultivadas de forma responsável e sustentável a nível ambiental e cujos métodos de produção respeitem as normas e regulamentações em vigor. É um projeto de literacia dos Oceanos focado nas Macroalgas e nas suas aplicações gastronómicas.
Roushanna: O Veld and Sea é um espaço multidisciplinar de aprendizagem ecológica que liga as pessoas à natureza através dos sistemas alimentares. Ensinamos literacia ecológica através da educação sensorial: provar, tocar, colher e cozinhar com ingredientes silvestres. As experiências combinam ciência ambiental com criatividade culinária, baseadas nos princípios da sazonalidade, biodiversidade e práticas regenerativas.
É um convite para compreender como funcionam os ecossistemas e vivenciar o nosso papel dentro deles através da comida e das histórias ecológicas que acompanham estes ingredientes selvagens.
As algas são frequentemente apontadas como um “superalimento” do futuro. Que tipo de nutrientes e benefícios oferecem e por que razão ainda são tão pouco consumidas em grande parte do mundo ocidental?
Joana: As algas são de facto um alimento extraordinário, com um perfil nutricional muito interessante: ricas em minerais, fibras, proteínas, antioxidantes e compostos bioativos únicos. No entanto, no mundo ocidental, ainda existe um certo distanciamento — talvez porque as associamos a algo “exótico” ou porque perdemos a ligação direta com o ambiente costeiro. Falta-nos literacia alimentar e sensorial para as integrar naturalmente no dia a dia, o que pode ser potenciado através de uma maior comunicação e partilha de conhecimentos entre as áreas da Ciência, Gastronomia, Indústria Alimentar e Sociedade em geral. No entanto deveremos sempre consumir as algas com moderação, uma vez que vários estudos de biodisponibilidade nutricional ainda decorrem e é necessário estar atento ao consumo de iodo através das algas.
Roushanna: As algas estão entre os organismos mais ricos em nutrientes do planeta. Contêm iodo, cálcio, magnésio, potássio, ferro e vários oligoelementos essenciais para o metabolismo e para a saúde da tiroide, por exemplo. Os seus polissacarídeos (alginatos, carragenina e ágar) funcionam como estabilizadores naturais, prebióticos e desintoxicantes.
Também concentram antioxidantes, ácidos gordos ómega-3 e proteínas com propriedades anti-inflamatórias.
Apesar disso, a familiaridade cultural é limitada no mundo ocidental, devido ao afastamento histórico dos sistemas alimentares costeiros. À medida que as sociedades se distanciaram da colheita intertidal, perdeu-se o conhecimento sobre as algas — e com ele uma antiga sabedoria sobre a nutrição marinha.
Consideram que existe uma falta de literacia alimentar e ecológica quando se fala de algas? Como é que os vossos projetos procuram colmatar essa lacuna?
Joana: Sim, há claramente uma falta de literacia alimentar e ecológica — e é precisamente aí que a Rota das Algas atua. O projeto pretende mostrar que as algas não são apenas alimento, mas parte de um ecossistema que sustenta a vida costeira. Ao envolver os participantes no processo — desde a identificação à cozinha — criamos uma aprendizagem viva, onde o conhecimento científico e o saber tradicional se encontram. Essa experiência direta transforma a forma como as pessoas olham para o mar. Mas também alerta para os riscos e inconvenientes desta recolha na Natureza, informando e direcionando quem vem connosco para escolhas mais conscientes no consumo de algas (estimular a procura por bons produtores de algas disponíveis no mercado).
Roushanna: Sim, sem dúvida. A literacia ecológica implica reconhecer como os ecossistemas sustentam a vida. Quando as pessoas veem as algas apenas como “restos” na praia – que é muitas vezes a sua primeira impressão, ao vê-las secas e arrastadas pela maré – não compreendem o seu papel na produção de oxigénio, na captura de carbono e nas cadeias alimentares marinhas.
Através de workshops experienciais, como o que realizámos com o memmo Baleeira, conseguimos criar uma ponte entre a experiência sensorial e o conhecimento ecológico. Os participantes aprendem sobre taxonomia, ciclos de vida e reprodução das algas, bem como as suas aplicações culinárias.
Quando o conhecimento é incorporado através da experiência direta – quando as pessoas colhem, processam e provam as espécies – a compreensão deixa de ser teórica e torna-se pessoal.
Numa altura em que a sobrepesca e as alterações climáticas ameaçam os ecossistemas marinhos, de que forma a colheita sustentável de algas pode contribuir para proteger a biodiversidade costeira?
Joana: A colheita sustentável é uma forma de nos reconectarmos com o ambiente sem o explorar. Quando feita com respeito — escolhendo espécies adequadas, quantidades controladas e zonas seguras — a apanha de algas pode ser também um exercício para estimular a necessidade de proteger estes ecossistemas tão frágeis. Sensibiliza para o valor ecológico das zonas entre-marés, muitas vezes esquecidas. Também o objetivo é reencaminhar quem vem à Rota das Algas para uma procura , à posteriori, de algas produzidas em aquacultura de forma sustentável. Acredito que o conhecimento e o contacto direto com o mar são os primeiros passos para o proteger: pessoas que conhecem o local tendem a protegê-lo. A educação experiencial é uma das ferramentas mais eficazes para transformar curiosidade em práticas responsáveis.
Roushanna: O envolvimento sustentável com as algas pode ter um papel essencial na proteção dos ecossistemas marinhos, mas é importante distinguir as escalas.
A colheita de pequena escala, educativa ou de subsistência pode promover a literacia oceânica e o sentido de cuidado, ajudando as pessoas a observar padrões ecológicos e a valorizar a biodiversidade.
No entanto, quando a colheita se torna comercial, a extração selvagem deixa de ser sustentável. Retirar grandes quantidades do habitat natural pode destabilizar as cadeias alimentares costeiras e reduzir as zonas de reprodução de peixes e invertebrados.
A solução passa por desenvolver uma economia azul baseada na aquacultura regenerativa. O cultivo de algas, quando feito com integridade ecológica, é uma das formas mais limpas e sustentáveis de aquacultura do planeta. Não requer água doce, fertilizantes nem solo arável, e absorve ativamente dióxido de carbono e nutrientes em excesso da água.
Geridas de forma adequada, as explorações de algas podem fornecer alimentos, rações e biomateriais, ao mesmo tempo que melhoram a qualidade da água e apoiam as comunidades locais.
Em suma: precisamos de passar da extração para a regeneração, de tirar do oceano para cultivar com ele.
O cultivo e a apanha de algas podem mesmo regenerar ecossistemas? Podem partilhar algum exemplo concreto de impacto positivo observado nas vossas regiões?
Joana: Sim, podem. As algas capturam carbono, produzem oxigénio e servem de abrigo e alimento para inúmeras espécies marinhas. Em algumas zonas onde realizamos as Rotas, nota-se que o simples facto de visitar, observar e monitorizar as espécies cria uma relação de cuidado. Já vi pescadores e mariscadores locais passarem a identificar melhor as algas e a reconhecer o seu valor — não apenas económico, mas ecológico. Pequenas mudanças de consciência geram grandes impactos.
Roushanna: Sim. O cultivo de algas pode atuar como uma forma de biorremediação. Estas macroalgas absorvem o excesso de azoto e dióxido de carbono, melhorando a qualidade da água e armazenando carbono nos seus tecidos.
Na África do Sul, projetos-piloto de aquacultura com espécies indígenas de Kelp e Ulva mostraram melhorias visíveis na clareza da água e na recuperação da biodiversidade em baías degradadas. Estas fazendas também criam meios de vida sustentáveis e reduzem a pressão sobre as populações selvagens.
É um modelo circular que ajuda a regenerar tanto os ecossistemas como as economias locais.
Em que medida as algas têm servido como inspiração para a criatividade culinária? Que tipos de pratos ou experiências gastronómicas destacariam como exemplos da sua versatilidade?
Joana: As algas abriram-me portas a um novo vocabulário culinário. São um ingrediente com uma linguagem própria: iodado, mineral, umami, mas também delicado e vegetal. Já as usei para criar caldos, marinadas, pães, sobremesas e fermentados. Uma das aplicações com que mais gosto de jogar é misturando lácteos com algas, tanto em manteigas como sobremesas. As propriedades gelificantes naturais das algas e o seu sabor, criam um perfil de aromas e sabores incríveis, e reportam-nos sempre a mar, nem nunca serem salgadas.
As algas abriram-me portas a um novo vocabulário culinário. São um ingrediente com uma linguagem própria: iodado, mineral, umami, mas também delicado e vegetal. Já as usei para criar caldos, marinadas, pães, sobremesas e fermentados, Joana
Roushanna: As algas oferecem uma ponte extraordinária entre a ciência e a gastronomia. Na cozinha, utilizamo-las para criar condimentos fermentados, caldos ricos em umami, saladas e sushi com algas frescas, e até sobremesas.
Cada espécie comestível tem o seu próprio perfil sensorial: sabor, textura, valor nutricional e época do ano. Ao incorporá-las em receitas familiares, transformamos a perceção: deixam de ser um ingrediente exótico e passam a fazer parte de uma culinária ecológica e quotidiana.
No contexto do Atlantic Wild Wisdom, que experiências gastronómicas ou oficinas dinamizaram a e o que esperam que os participantes levem consigo?
Joana: No Atlantic Wild Wisdom, partilho oficinas e degustações que exploram as algas como alimento, mas também como mensagem. Através de experiências práticas — desde o reconhecimento das espécies à sua aplicação culinária — procuro despertar curiosidade e respeito pelo oceano. Espero que cada participante leve consigo um novo olhar sobre o que o mar nos dá e uma vontade de o proteger com gestos concretos, começando pelo prato.
Roushanna: Co-liderei workshops imersivos com a Joana, centrados na identificação, preservação e uso culinário das algas, uma combinação entre ciência ecológica e aprendizagem sensorial.
Os participantes exploraram as poças das marés, aprenderam sobre as espécies atlânticas locais, técnicas de colheita sustentável, transformaram as suas descobertas em conservas durante a sessão Food Lab, experimentaram usá-las em cocktails e mocktails no Drinks Lab e, claro, provaram-nas num almoço costeiro preparado pelo chef Tiago Sales.
Espero que tenham saído com uma consciência mais profunda sobre os sistemas oceânicos, um sentimento de responsabilidade em relação a eles e inspiração para continuar esta viagem de descoberta.
A aproximação ao oceano — pelo mergulho, pela apanha de algas ou pela cozinha — pode transformar a relação das pessoas com a alimentação e a natureza?
Joana: Sem dúvida. Quando mergulhamos, caminhamos na maré baixa ou cozinhamos com o que recolhemos, deixamos de ver a natureza como um recurso e passamos a vê-la como um organismo vivo, do qual fazemos parte. Essa experiência desperta empatia e gratidão. E é isso que transforma a alimentação — de um ato automático em algo consciente e interligado.
Roushanna: Sem dúvida. A experiência direta é uma das ferramentas mais poderosas de mudança de comportamento.
Quando as pessoas se envolvem com o oceano, física e emocionalmente, desenvolvem empatia pela sua complexidade.
Compreender a ciência e as histórias do oceano vai além da teoria quando se observa a luz do sol a dançar nas algas, um polvo a sair da sua toca ou peixes a usar as algas como alimento, abrigo e habitat.
Essa ligação transforma os nossos hábitos de consumo; desperta gratidão e respeito, porque a comida deixa de ser apenas um recurso e passa a ser uma relação.
Trabalham com chefs, cientistas, artistas, comunidades locais. Como é que o cruzamento destas áreas tem enriquecido o vosso trabalho e a forma como comunicam a importância das algas?
Joana: O diálogo entre áreas é fundamental. A ciência dá-nos conhecimento rigoroso, a arte oferece emoção e a gastronomia traduz tudo isso em sabor. Trabalhar com comunidades locais, pescadores e mariscadores acrescenta autenticidade e respeito por saberes antigos. Este cruzamento faz com que a mensagem da Rota das Algas seja mais completa — não é só sobre o que comemos, mas sobre como habitamos o território.
Roushanna: Trabalhar entre disciplinas cria um ecossistema de compreensão mais completo.
Os cientistas trazem rigor: taxonomia, dados e ecologia marinha. Os artistas traduzem essa ciência em linguagem visual e emocional. Os chefs transformam-na em sabor e textura. As comunidades dão-lhe contexto e cultura.
Juntas, estas perspetivas formam uma teia de conhecimento que reflete a interconexão do próprio oceano. Essa colaboração ajuda a comunicar o valor das algas não apenas como recurso, mas como elemento essencial para a saúde planetária.
O que vos inspira neste momento? Que tendências ou movimentos emergentes estão a surgir em torno da alimentação sustentável com algas?
Joana: Inspira-me ver o crescente interesse por práticas regenerativas e pela redescoberta de ingredientes locais. Há um movimento global que procura reconectar a gastronomia à paisagem, e as algas estão no centro dessa transformação. Também me inspira o diálogo entre ciência e arte — formas diferentes de traduzir a linguagem do mar para quem vive longe dele.
Roushanna: Inspira-me a convergência entre a gastronomia regenerativa e a inovação em carbono azul.
Por todo o mundo, chefs estão a criar menus centrados na biodiversidade, enquanto cientistas exploram o papel das algas na captura de carbono, na proteção costeira e no desenvolvimento de novos materiais.
O surgimento de bioplásticos à base de kelp, fertilizantes naturais e fibras têxteis aponta para uma mudança empolgante, onde a biologia marinha se encontra com o design e as políticas públicas.
Se pudessem deixar uma mensagem para o público português, qual seria?
Prova a tua costa!
Quando experienciamos o oceano – quando o tocamos, cheiramos e saboreamos – começamos a compreendê-lo. E o que compreendemos, temos muito mais probabilidade de proteger.
As algas e os ecossistemas costeiros não são apenas os pulmões do planeta, são também a base das cadeias alimentares marinhas.
Ao escolhermos comer em harmonia com os ritmos do oceano, apoiar pequenos produtores e agricultores de algas, respeitar as estações e reduzir o desperdício, participamos na conservação através dos nossos pratos, através do poder das nossas escolhas alimentares.
Compreender leva ao cuidado, e o cuidado leva à proteção. Os nossos preciosos espaços azuis dependem dessa reconexão: se cuidarmos do oceano, o oceano cuidará de nós.
Fonte: Greensavers
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