O Dia Mundial do Leite, celebrado a 1 de junho, volta a colocar no centro da discussão um dos alimentos mais completos e versáteis da nossa alimentação. Num momento em que os consumidores exigem mais transparência, sustentabilidade e qualidade, o setor leiteiro responde com inovação, rigor e um compromisso renovado com a saúde pública e o bem‑estar animal.
Um setor que se reinventa para ser mais sustentável
Da redução da pegada carbónica à melhoria das práticas de bem‑estar animal, os produtores portugueses têm acelerado a transição para modelos mais eficientes e responsáveis. Sistemas de monitorização, alimentação de precisão e investimentos em energia renovável estão a transformar a forma como o leite é produzido.
Qualidade e segurança: o eixo central da fileira
O leite que chega às famílias portuguesas passa por controlos rigorosos, análises laboratoriais frequentes e rastreabilidade completa — desde a exploração até ao consumidor final. Esta evolução tecnológica reforça a confiança num alimento que continua a ser uma fonte essencial de cálcio, proteínas de alto valor biológico e vitaminas fundamentais.
Um alimento presente em todas as fases da vida
Do pequeno‑almoço das crianças às receitas tradicionais que marcam a gastronomia portuguesa, o leite mantém um papel cultural e nutricional incontornável. Especialistas sublinham que, integrado numa alimentação equilibrada, contribui para a saúde óssea, o desenvolvimento cognitivo e o bem‑estar geral.
O desafio nacional: valorizar quem produz
Apesar dos avanços, o setor enfrenta pressões económicas, volatilidade de preços e custos de produção elevados. Organizações de produtores defendem que é urgente reforçar a valorização do leite nacional, garantindo condições justas para quem assegura diariamente a disponibilidade deste alimento essencial.
Fonte: Qualfood
O encerramento do Estreito de Ormuz poderá desencadear um choque sistémico no setor agroalimentar e conduzir a uma crise global de preços dos alimentos no prazo de seis a 12 meses, alertou a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
Segundo a organização, evitar este cenário exigirá a criação de rotas comerciais alternativas, contenção nas restrições às exportações, proteção dos fluxos humanitários e mecanismos que permitam absorver o aumento dos custos de transporte.
“O momento chegou para começar a pensar seriamente em como aumentar a capacidade de absorção dos países, como aumentar a sua resiliência a este estrangulamento, para que comecemos a minimizar os potenciais impactos”, afirmou Maximo Torero, economista-chefe da FAO, num novo podcast publicado na quarta-feira.
De acordo com a FAO, a janela para uma ação preventiva está a fechar-se rapidamente. As decisões tomadas agora por agricultores e governos sobre utilização de fertilizantes, importações, financiamento e escolha de culturas serão determinantes para perceber se uma crise severa de preços dos alimentos poderá emergir nos próximos seis a 12 meses.
O impacto já se começa a refletir nos mercados. O Índice de Preços dos Alimentos da FAO, que acompanha a evolução mensal dos preços internacionais de um cabaz de matérias-primas alimentares transacionadas globalmente, subiu pelo terceiro mês consecutivo em abril, impulsionado pelos elevados custos da energia e por perturbações associadas ao conflito no Médio Oriente.
A FAO descreve o choque como um processo em cadeia: energia, fertilizantes, sementes, menores produtividades, aumento dos preços das matérias-primas e, posteriormente, inflação alimentar.
Para mitigar estes efeitos, David Laborde, diretor da Divisão de Economia Agroalimentar da FAO, defende a utilização de rotas terrestres e marítimas alternativas para contornar Ormuz, incluindo através da zona oriental da Península Arábica, do oeste da Arábia Saudita e do Mar Vermelho. No entanto, estas alternativas têm capacidade limitada, o que torna essencial evitar restrições à exportação por parte dos principais produtores.
Maximo Torero sublinhou que esta preocupação é particularmente relevante para salvaguardar os fluxos de ajuda alimentar humanitária.
A situação poderá agravar-se com a chegada do fenómeno El Niño, que deverá provocar secas e alterar padrões de precipitação e temperatura em várias regiões.
Entre as recomendações de curto prazo, a FAO defende a criação rápida de corredores terrestres e marítimos alternativos para contornar Ormuz, a não imposição de restrições à exportação de energia, fertilizantes e outros fatores de produção, e a isenção da ajuda alimentar de limitações ao comércio.
A organização recomenda ainda intervenções de emergência que promovam a consociação de culturas, nomeadamente cereais e leguminosas, como forma de reduzir a utilização de fertilizantes azotados e gerar benefícios nutricionais, ambientais, económicos e agronómicos.
Para apoiar produtores e famílias vulneráveis, a FAO recomenda a ativação de programas de proteção social, mas desaconselha subsídios generalizados. A organização considera que esse tipo de apoio aumenta a pressão sobre as contas públicas e tende a beneficiar menos quem mais precisa. A prioridade, segundo a organização, deve passar por apoios direcionados aos grupos mais vulneráveis, com recurso a registos digitais que permitam encaminhar assistência para agregados rurais e pequenos produtores.
A médio prazo, a FAO recomenda evitar o aumento da procura de biocombustíveis durante períodos de escassez, garantir que as respostas de política energética não agravam crises alimentares e alargar o acesso a crédito acessível para agricultores, empresas agroalimentares, pequenas e médias empresas e outros agentes das cadeias de valor.
A organização defende linhas de crédito de emergência com juros reduzidos, calendários de reembolso alinhados com os períodos de colheita e períodos de carência de seis a nove meses. Recomenda também a combinação de empréstimos agrícolas com acordos de compra garantida por agregadores, transformadores ou compradores públicos.
Entre as medidas de longo prazo, a FAO propõe a diversificação de portos, corredores, sistemas de armazenamento e logística, bem como o reforço de reservas regionais e da capacidade de armazenagem. A organização defende ainda maior resiliência dos sistemas de transporte nacionais e transfronteiriços.
A FAO recomenda também o uso de financiamento concessional para acelerar a diversificação da matriz energética e expandir sistemas de regadio com substituição do gasóleo por soluções elétricas e solares. Entre as restantes medidas estão a expansão de maquinaria eletrificada, drones, tecnologias de agricultura de precisão, mapeamento de solos e aplicação mais eficiente de fertilizantes.
A organização defende ainda fundos de inovação para apoiar amoníaco verde, bioestimulantes, genética de culturas e tecnologias de eficiência nutricional. Embora estas soluções possam demorar três a cinco anos a produzir efeitos, a FAO considera que poderão reforçar de forma significativa a resiliência a longo prazo.
Fonte: Vida Rural
O Dia Nacional do Pescador, celebrado a 31 de maio, é mais do que uma data simbólica — é um tributo vivo a uma das profissões mais duras, mais antigas e mais essenciais para a identidade portuguesa. Hoje, o país olha para o mar com respeito renovado e reconhece o papel insubstituível de quem, todos os dias, enfrenta a incerteza das ondas para garantir alimento, cultura e economia às comunidades costeiras.
Heróis silenciosos de um mar que nunca dorme
A pesca continua a ser uma atividade marcada por risco, resistência e sacrifício. Os pescadores portugueses trabalham em condições extremas, muitas vezes durante a madrugada, enfrentando frio, instabilidade e longas horas de esforço físico. São eles que mantêm viva uma tradição que moldou a história do país e que continua a alimentar milhares de famílias.
Economia azul: um setor que move comunidades inteiras
Da pesca artesanal às grandes frotas, o setor representa um pilar económico para regiões como Matosinhos, Peniche, Sesimbra, Aveiro ou Olhão. A fileira do pescado — captura, transformação, conservação e exportação — continua a ser uma das mais relevantes para a economia nacional, com impacto direto no emprego e na vitalidade das comunidades costeiras.
Mas o futuro exige equilíbrio: pesca sustentável, inovação tecnológica e gestão rigorosa dos recursos marinhos são hoje palavras de ordem para garantir que o oceano continua a ser fonte de vida e não de escassez.
Cultura, identidade e memória coletiva
O pescador é também guardião de tradições que fazem parte da alma portuguesa: as artes de pesca transmitidas entre gerações, as lotas que marcam o ritmo das cidades costeiras, as festas do mar, os sabores que definem a gastronomia nacional.
Celebrar este dia é reconhecer que Portugal não existe sem o mar — e que o mar não existe sem aqueles que o conhecem como ninguém.
Um futuro que depende de todos
O Dia Nacional do Pescador é um convite à reflexão:
Porque honrar os pescadores é também proteger o oceano que nos sustenta.
Fonte: Qualfood
Portugal reúne condições para liderar a transição para a agricultura regenerativa no Sul da Europa, num contexto em que fatores como risco climático, biodiversidade, disponibilidade de água e saúde do solo ganham peso na avaliação da terra agrícola. A conclusão consta do estudo “The Living Asset – Rebuilding Portugal’s Natural Capital Through Regenerative Agriculture”, desenvolvido pela Savills Portugal.
O relatório identifica a agricultura regenerativa como uma classe de ativos emergente e descreve Portugal como um “mercado paradoxal”, devido à diversidade de climas, solos e sistemas produtivos, contrastando com o reduzido peso da agricultura na economia nacional, inferior a 3% do valor acrescentado bruto.
Segundo a Savills, esta diferença entre potencial ecológico e contributo económico cria espaço para modelos de investimento focados na valorização do capital natural e na recuperação da base ecológica da produção agrícola.
“Estamos a assistir a uma reconfiguração profunda da forma como a terra agrícola é avaliada. Já não basta olhar para o rendimento das culturas: a saúde do solo, a água e a biodiversidade tornaram-se variáveis financeiras tão relevantes quanto as tradicionais”, afirma Alexandra Gomes, head of research da Savills Portugal.
A responsável acrescenta que “Portugal tem aqui uma oportunidade de alinhar performance económica e ambiental numa mesma classe de ativos”.
O estudo aponta para uma mudança estrutural nos modelos agrícolas europeus, com os sistemas extrativos a darem lugar a práticas focadas na regeneração do solo, água e biodiversidade.
Entre as principais tendências identificadas para a próxima década estão a crescente valorização da resiliência climática, a integração do capital natural nas avaliações financeiras, a procura por produtos sustentáveis, a especialização regional e a generalização da monitorização das práticas regenerativas.
Segundo a Savills, a terra agrícola em Portugal pode gerar retornos anuais entre 5% e 7%, acima dos cerca de 3% associados aos ativos imobiliários considerados “super core”.
O estudo sublinha ainda que os investidores passaram a considerar a saúde do solo, a disponibilidade de água e a biodiversidade como indicadores centrais de estabilidade e valorização de longo prazo, com impacto no acesso a financiamento verde e no cumprimento de objetivos ESG.
Apesar do enquadramento da Política Agrícola Comum (PAC) e do Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC), a agricultura regenerativa continua a beneficiar apenas parcialmente dos apoios existentes.
A Savills estima que entre 40% e 60% da área cultivada em Portugal integre pelo menos uma prática regenerativa, embora apenas 10% a 15% opere num regime considerado totalmente integrado.
A cultura da amêndoa surge como um dos casos mais representativos desta transformação. Em menos de uma década, Portugal tornou-se o terceiro maior exportador líquido mundial de amêndoa, impulsionado pelos perímetros de rega do Alqueva e de Idanha-a-Nova.
Segundo o estudo, o crescimento do investimento internacional neste segmento aumentou também a pressão sobre recursos como água e solos, tornando as práticas regenerativas determinantes para proteger a sustentabilidade do investimento.
“As práticas regenerativas representam um avanço significativo para a agricultura, sendo provavelmente a evolução mais relevante desde a introdução dos fertilizantes químicos”, afirma Bruno Amaro, rural business developer da Savills Portugal.
O responsável acrescenta que “Portugal tem assumido um papel de destaque na sua implementação” e refere que “o amendoal, por exemplo, destaca-se como uma das culturas onde os resultados têm sido mais expressivos”.
O relatório identifica o Alentejo, Oeste, Douro, Ribatejo e Açores como regiões com maior potencial para escalar modelos regenerativos.
A Savills conclui que Portugal entra numa “década decisiva”, defendendo que a combinação de diversidade ecológica, preços da terra ainda competitivos e pressão climática poderá posicionar o país como um hub regenerativo no Sul da Europa até 2030.
O estudo foi apresentado publicamente esta terça-feira, 26 de maio, em Évora, no V Congresso Portugal Nuts, dedicado à competitividade dos frutos secos e à agricultura regenerativa.
Fonte: HiperSuper
A 15.ª edição da campanha Escola Electrão já permitiu recolher mais de 306 toneladas de resíduos elétricos, pilhas e lâmpadas em escolas de todo o país, reforçando o envolvimento da comunidade escolar na promoção da reciclagem e da sustentabilidade ambiental.
Promovida pelo Electrão, a iniciativa conta este ano letivo com cerca de 700 estabelecimentos de ensino inscritos e, até ao momento, possibilitou o encaminhamento para reciclagem de cerca de 290 toneladas de equipamentos elétricos usados, mais de 11 toneladas de pilhas e cinco toneladas de lâmpadas.
O projeto procura sensibilizar alunos, professores e famílias para a importância da correta separação de resíduos, incentivando a entrega de aparelhos elétricos, pilhas e embalagens para reciclagem. Em parceria com a EGF, a campanha inclui também a recolha de embalagens através do concurso “Recicla e Ganha”.
As escolas participantes acumulam pontos em função das quantidades recolhidas, convertidos posteriormente em prémios e cheques-prenda. A participação simultânea nos programas do Electrão e da EGF garante ainda pontuação adicional aos estabelecimentos de ensino.
Desde a criação da iniciativa, há 15 anos, a Escola Electrão já possibilitou a recolha de cerca de 7.500 toneladas de resíduos, entre pilhas, baterias, lâmpadas e equipamentos elétricos.
Para Ricardo Furtado, diretor-geral de elétricos e pilhas do Electrão, o impacto da campanha vai além das escolas. “Ao levarmos esta iniciativa para os estabelecimentos de ensino estamos a contribuir para que crianças e jovens adquiram hábitos de reciclagem desde cedo e os levem para as suas casas e comunidades”, afirma.
Além da vertente de recolha, a campanha aposta também na criatividade e sensibilização ambiental através de concursos como o “Repórter Electrão”, dedicado à produção de reportagens vídeo sobre reciclagem, e a “Instalação Electrão”, que desafia os alunos a criarem instalações artísticas a partir de resíduos.
No primeiro período do atual ano letivo foram apresentados 75 trabalhos na categoria Repórter Electrão e 17 propostas de instalações artísticas. Já no segundo período, dedicado ao tema da reciclagem de pilhas, participaram 32 escolas com 86 reportagens e 18 instalações submetidas a concurso.
A campanha prolonga-se até ao final do ano letivo, mantendo o objetivo de reforçar hábitos de reciclagem junto das novas gerações e aumentar a valorização dos resíduos em Portugal.
Fonte: Grande Consumo
TraceMap é uma plataforma de inteligência artificial lançada pela Comissão Europeia para acelerar a deteção de fraudes alimentares, de surtos de alimentos contaminados e de doenças de origem alimentar
Este instrumento, lançado em março, visa reforçar a segurança dos consumidores e ajudar as autoridades nacionais a trabalhar de forma mais eficaz.
Concretamente, o TraceMap vai recorrer à IA para melhorar as avaliações dos riscos para a segurança alimentar, simplificando o acesso e analisando os dados críticos, identificar rapidamente as ligações entre os operadores e as remessas e monitorizar toda a cadeia de abastecimento agroalimentar, uma vez identificado um risco, permitindo uma recolha mais rápida de produtos não seguros ou fraudulentos.
A ferramenta já está acessível às autoridades nacionais dos Estados-Membros, para que possam orientar melhor os controlos e aprofundar melhor as investigações sem necessidade de recursos adicionais.
Os dados dos atuais sistemas agroalimentares da União serão usados no acompanhamento de padrões comerciais e dos fluxos de produção a um ritmo acelerado.
A plataforma melhorará a exatidão do rastreio, acelerará a deteção de operadores suspeitos e ajudará os investigadores a detetar fraudes alimentares e surtos de origem alimentar e a retirar rapidamente do mercado produtos não conformes.
Deste modo, prevê-se que seja possível aos Estados-Membros colmatar lacunas, corrigir vulnerabilidades e reforçar as suas medidas antifraude no setor agroalimentar.
Fonte: TecnoAlimentar
O Conselho da União Europeia aprovou esta quarta-feira, 27 de maio, uma posição negocial para alterar várias regras ligadas à segurança alimentar, aos alimentos para animais e à produção agrícola, numa proposta que pretende reduzir burocracia e simplificar procedimentos dentro da União Europeia.
As mudanças fazem parte do pacote legislativo ‘Omnibus X’ e abrangem áreas como o uso sustentável de pesticidas, os registos obrigatórios nas explorações pecuárias e a legislação sobre plásticos em contacto com alimentos.
Segundo o Conselho, o objetivo é reduzir encargos administrativos considerados desnecessários, sem alterar os atuais padrões europeus de segurança alimentar, proteção da saúde humana e animal e defesa do ambiente.
Uma das principais alterações diz respeito à utilização de drones na aplicação de pesticidas. A legislação europeia proíbe atualmente a pulverização aérea, embora os Estados-membros possam autorizar exceções em casos específicos. A nova proposta mantém essas derrogações e cria uma exceção adicional para determinados tipos de drones, mesmo fora dessas situações.
Segundo o Conselho, o objetivo é facilitar aplicações mais direcionadas de pesticidas, que poderão apresentar riscos iguais ou inferiores aos métodos terrestres.
O texto prevê ainda que a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (AESA) passe a definir orientações sobre os riscos associados tanto aos produtos utilizados como aos próprios drones e às condições da sua utilização.
A proposta estabelece também um prazo de 30 meses para definir quais os drones autorizados para este tipo de operações.
Enquanto esse processo não estiver concluído, os Estados-membros podem autorizar temporariamente a utilização de drones, desde que cumpram as regras atualmente em vigor para pulverizações aéreas e comuniquem a decisão à Comissão Europeia e à AESA.
Além disso, os países da União Europeia vão poder deixar de exigir aprovações individuais para determinadas aplicações aéreas de pesticidas realizadas por veículos que não drones, desde que exista previamente um plano de aplicação aprovado.
Na área da produção pecuária, o Conselho quer eliminar obrigações duplicadas relacionadas com os registos de tratamentos medicamentosos e de mortalidade animal, por considerar que essas exigências já estão previstas noutra legislação europeia sobre medicamentos veterinários e saúde animal.
O pacote inclui ainda a revogação de duas diretivas europeias sobre materiais plásticos destinados ao contacto com alimentos, adotadas nas décadas de 1980. De acordo com o Conselho, essas matérias já estão abrangidas por um regulamento europeu mais recente, em vigor desde 2011.
Em comunicado, a vice-ministra dos Assuntos Europeus de Chipre, Marilena Raouna, afirmou que a proposta abre caminho a regras “mais simples e economicamente mais eficientes” nestas áreas.
A posição, agora aprovada, vai servir de base às negociações com o Parlamento Europeu.
O Conselho indicou ainda que continua a trabalhar nas restantes propostas do pacote ‘Omnibus X’, integrado na agenda europeia de simplificação legislativa, com o objetivo de concluir o processo até ao final de 2027.
Fonte: iAlimentar
Há pouco mais de quatro anos, muitos produtos essenciais tinham preços que hoje parecem distantes da realidade dos consumidores portugueses. Em janeiro de 2022, antes da guerra na Ucrânia e da escalada internacional dos custos energéticos, uma dúzia de ovos custava menos de dois euros, o leite rondava os 70 cêntimos por litro e vários produtos alimentares mantinham valores bastante inferiores aos atuais. Desde então, a inflação disparou e, apesar de o ritmo de subida dos preços ter abrandado nos últimos anos, o custo de vida nunca voltou aos níveis anteriores.
Numa análise baseada em dados do Índice de Preços no Consumidor do Instituto Nacional de Estatística (INE), a CNN Portugal avaliou a evolução dos preços entre janeiro de 2022 e abril de 2026, concluindo que muitos bens essenciais registaram aumentos acumulados superiores a 30%, havendo mesmo produtos que ultrapassaram os 70%.
Os ovos destacam-se como o caso mais expressivo. Segundo as contas realizadas a partir dos dados oficiais, o preço deste produto aumentou mais de 75% desde o início de 2022. Uma dúzia de ovos que, há cerca de quatro anos, custava aproximadamente 1,90 euros, ronda agora os 3,30 euros, traduzindo uma subida superior a um euro por embalagem.
O leite também sofreu aumentos significativos. O leite magro encareceu 54% desde 2022, o que significa que um litro atualmente vendido por cerca de 1,08 euros custaria aproximadamente 70 cêntimos antes da crise inflacionista. Já o leite gordo, que hoje ronda 1,19 euros por litro, acumulou uma subida de 48,4%, quando anteriormente estaria próximo dos 80 cêntimos.
A carne acompanhou esta tendência de forte valorização. Os preços registaram um aumento acumulado de 44,1% em pouco mais de quatro anos. Uma embalagem de bifes de frango com 680 gramas, atualmente vendida por cerca de 4,75 euros, teria custado perto de 3,30 euros em janeiro de 2022. O mesmo sucede com o bife da vazia de novilho: uma embalagem de 270 gramas, hoje nos 5,40 euros, rondaria os 3,75 euros antes da escalada inflacionista.
Mesmo produtos tradicionalmente associados a refeições económicas deixaram de ter preços acessíveis para muitas famílias. As salsichas frescas de porco, por exemplo, custam atualmente cerca de 2,99 euros por embalagem de 500 gramas, quando há quatro anos o preço estaria mais próximo dos dois euros.
A manteiga e outras gorduras derivadas do leite acumulam uma subida de 37,2%. Uma embalagem de 250 gramas que hoje custa 2,49 euros teria um preço aproximado de 1,81 euros no início de 2022.
Os cereais também registaram aumentos expressivos, na ordem dos 34,3%. Uma embalagem de 750 gramas de cereais de marca branca, atualmente vendida por 2,75 euros, custaria perto de dois euros há pouco mais de quatro anos.
O pão e os produtos de padaria também sofreram aumentos relevantes. Segundo os dados analisados, os preços cresceram 30,5% desde janeiro de 2022. Uma embalagem de pão de Rio Maior com 450 gramas, hoje vendida por 1,19 euros, custaria cerca de 91 cêntimos há quatro anos. Já uma bola de lenha passou de pouco mais de 37 cêntimos para os atuais 49 cêntimos.
Os laticínios acompanham igualmente esta tendência. O queijo aumentou quase 30% desde 2022. Uma embalagem de queijo flamengo fatiado de 800 gramas, atualmente à venda por 8,79 euros, custaria aproximadamente 6,77 euros antes da escalada dos preços.
Até o café, apesar de apresentar a subida mais moderada entre os produtos analisados, encareceu quase 25%. Uma embalagem de 16 cápsulas de café expresso de marca branca, atualmente vendida por 3,85 euros, custaria pouco mais de três euros em janeiro de 2022.
Fora da alimentação, os aumentos mantêm-se visíveis. O vestuário acumulou uma subida de 19,1%, enquanto o tabaco encareceu 17,7%. Um maço de cigarros LM azul, atualmente vendido por 5,70 euros, custaria cerca de 4,84 euros há quatro anos.
Para o economista João Rodrigues dos Santos, ouvido pela CNN Portugal, estes números ajudam a explicar porque tantas famílias sentem maiores dificuldades financeiras apesar de a inflação já não atingir os níveis recorde de 2022 e 2023. O especialista considera que a evolução dos preços representa “uma variação incomportável” e “muito desajustada do orçamento das famílias portuguesas”, defendendo que esta realidade obriga inevitavelmente a cortes no consumo de bens essenciais.
A análise evidencia também uma das principais confusões em torno da inflação: quando os indicadores mostram desaceleração, isso não significa que os preços estejam a descer. Significa apenas que continuam a aumentar a um ritmo mais lento. Na prática, os consumidores continuam a pagar significativamente mais do que pagavam há apenas quatro anos.
Fonte: Executive Digest
O Dia Mundial da Energia, celebrado a 29 de maio, chega todos os anos como um lembrete poderoso: a forma como produzimos, consumimos e poupamos energia define o rumo ambiental, económico e social das próximas décadas.
Num momento em que a transição energética acelera e os impactos das alterações climáticas se tornam cada vez mais visíveis, esta data ganha uma relevância renovada.
A efeméride tem um objetivo claro — reforçar a importância da eficiência energética e promover uma utilização responsável dos recursos, desde os combustíveis fósseis às energias renováveis.
Não se trata apenas de tecnologia ou políticas públicas: trata‑se de escolhas diárias que começam em casa, nas empresas, nas escolas e nas cidades.
A eficiência energética é hoje um dos pilares da sustentabilidade. Reduz custos, diminui emissões, aumenta a competitividade das empresas e contribui para sistemas energéticos mais resilientes.
Pequenos gestos — como otimizar consumos, modernizar equipamentos, apostar em iluminação eficiente ou adotar energias limpas — multiplicam-se em impacto quando adotados por milhões de pessoas.
Mas o Dia Mundial da Energia também é um convite à reflexão coletiva. Governos, indústria e cidadãos são chamados a acelerar a transição para modelos mais circulares, inteligentes e renováveis.
A inovação em baterias, redes inteligentes, mobilidade elétrica e produção descentralizada mostra que o futuro energético já está a acontecer — e que todos têm um papel na sua construção.
A mensagem deste 29 de maio é simples e urgente: energia responsável é energia com futuro. E cada decisão, por mais pequena que pareça, aproxima-nos de um planeta mais equilibrado, eficiente e sustentável.
Fonte: Qualfood
A comissão Europeia publicou o Regulamento de Execução 2026/1124, que suspende temporariamente o regime de aperfeiçoamento ativo do açúcar de cana bruto destinado à produção de açúcar branco. Este regulamento, em vigor desde 27 Maio de 2026, visa conter as crescentes perturbações no mercado da EU causadas pela entrada maciça de produtos estrangeiros de baixo custo.
O regime de aperfeiçoamento ativo permitia aos operadores da EU importassem mercadorias de países terceiros, isentas de direitos aduaneiros, para processamento e posterior reexportação ou venda dentro da União Europeia. No entanto, as estatísticas refletem um aumento desproporcional na sua utilização contínua. Durante os primeiros três meses do ano comercial de 2025/2026, estas importações cresceram 43% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Este aumento coincidiu com o momento crítico do sector. Após um período de preços elevados, o aumento da área cultivada com beterraba sacarina e da produção da UE gerou um excedente. Ao mesmo tempo, a pressão do açúcar de cana importado ao abrigo deste regime – cujo valor médio é significativamente inferior ao das importações normais – provocou uma queda acentuada no preço médio do açúcar branco na EU, que caiu de 856€ por tonelada em Dezembro de 2023 para 516€ em Janeiro de 2025.
A comissão alerta que o uso excessivo desse mecanismo de importação desloca a procura por açúcar originário da União, enfraquece a posição negocial dos produtores locais e aumenta a probabilidade de um aumento problemático de stocks.
Em resposta a esta situação, a Comissão Europeia decretou a suspensão deste regime aduaneiro para os códigos NC1701 13 90 e N1701 14 90. A medida será aplicada por um período de 12 meses, estendendo-se até 27 de Maio de 2027, embora Bruxelas reavalie o impacto da suspensão no prazo de 6 meses para adoptar novas medidas, se necessário.
Fonte: Agrodigital
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