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A evolução do trigo cultivado foi significativamente influenciada pela competição por luz e espaço, num processo evolutivo que favoreceu plantas mais rápidas e competitivas, segundo um estudo internacional publicado na revista Current Biology.

A investigação, liderada por cientistas da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, analisou a forma como as primeiras práticas agrícolas moldaram as características do trigo ao longo de um período estimado entre 1.000 e 2.000 anos.

De acordo com os resultados, o cultivo em campos organizados criou um ambiente altamente competitivo, onde as plantas que cresciam mais rapidamente e conseguiam superar as vizinhas tinham maior probabilidade de sobreviver e reproduzir-se.

Segundo a análise, este processo levou ao desenvolvimento de variedades com características descritas como mais “competitivas”, incluindo folhas maiores, crescimento mais ereto e maior capacidade de continuar a crescer em condições de elevada densidade.

Para compreender estas alterações, os investigadores recorreram a modelos de simulação do crescimento das plantas. A análise identificou o ângulo das folhas como um fator determinante: plantas com folhas mais eretas conseguiam captar mais luz e sombrear as restantes, ganhando vantagem nos estádios iniciais de desenvolvimento.

O estudo evidencia, no entanto, uma mudança significativa na evolução do trigo em sistemas agrícolas modernos.

“Embora a evolução tenha favorecido concorrentes fortes, a agricultura moderna adensou as plantações nos campos para obter altos rendimentos. Essa prática exige culturas capazes de cooperar em vez de competir”, afirmou Colin Osborne, professor da Universidade de Sheffield.

Neste contexto, a melhoria genética passou a privilegiar variedades menos competitivas, com folhas mais pequenas e caules mais curtos, direcionando a energia das plantas para a produção de grão. A utilização de fertilizantes e herbicidas reduziu também a necessidade de competição direta entre plantas.

Os resultados apontam para uma transição estrutural na evolução do trigo, de culturas adaptadas à competição em sistemas agrícolas primitivos para variedades selecionadas para cooperação em sistemas intensivos, com implicações para o melhoramento futuro desta cultura.

Fonte: Vida Rural

Menos de metade dos consumidores europeus confia nos alimentos que consome e apenas 36% considera que esses alimentos são sustentáveis. Os dados constam do relatório “O Estado da Confiança no Sistema Alimentar Europeu”, divulgado pela EIT Food.

O relatório indica que a confiança no sistema alimentar europeu começa a recuperar depois da quebra registada em 2023, mas permanece desigual entre os diferentes intervenientes da cadeia alimentar.

“A confiança é uma condição fundamental para o bom funcionamento de um sistema alimentar”, afirma Klaus G. Grunert, professor e membro do EIT Food. Segundo o responsável, “os resultados mostram que a confiança está a recuperar em toda a Europa, mas não de forma uniforme entre todos os intervenientes”.

O estudo analisou a evolução das atitudes dos consumidores face a agricultores, retalhistas, fabricantes, restaurantes e empresas de catering, bem como autoridades públicas, entre 2021 e 2025. De acordo com os dados, a confiança aumentou em todos os setores desde 2023, ano em que tinha atingido o nível mais baixo.

Os agricultores são os intervenientes do sistema alimentar europeu que mais confiança inspiram junto dos consumidores. Mais de dois terços dos inquiridos, 68%, afirmaram confiar no setor agrícola no ano passado. Os restaurantes e empresas de catering também registaram uma melhoria, com a confiança a subir de 48% para 53%. No retalho, o nível de confiança situou-se em 54%.

Apesar da recuperação, fabricantes e autoridades públicas continuam entre os grupos que menos confiança geram, embora tenham recuperado face a níveis historicamente baixos.

“Apesar destas melhorias, a confiança geral nos alimentos permanece limitada”, refere o relatório. O documento acrescenta que, embora os consumidores percecionem cada vez mais os alimentos como mais saudáveis, seguros e autênticos, menos de metade expressa confiança nos alimentos em geral, enquanto a perceção de sustentabilidade continua particularmente baixa.

Para a EIT Food, esta desconexão evidencia a necessidade de reconstruir a confiança não apenas nas instituições do sistema alimentar, mas também nos alimentos consumidos diariamente.

Klaus G. Grunert considera que “transparência, competência e cuidado serão essenciais para colmatar estas lacunas e apoiar a transição para dietas mais saudáveis e sustentáveis”.

Os resultados baseiam-se no estudo TrustTracker da EIT Food, realizado anualmente desde 2018. Em 2025, participaram quase 20 mil consumidores de 18 países europeus, contribuindo para um conjunto de dados que abrange cerca de 140 mil inquiridos nos últimos sete anos.

Fonte: Agroportal

 

Muitos plásticos acabam no mar e nos oceanos devido à má gestão do ser humano, poluindo-nos e pondo em risco os animais – e a nós próprios. Da China, surge agora um pequeno contributo para combater este flagelo.

Dependendo do tipo, o plástico pode demorar entre cem e mil anos a degradar-se, com uma média de 500 anos. Por exemplo, uma garrafa PET (um dos objectos de plástico mais usados em todo o mundo) pode demorar mil anos a decompor-se completamente. Os sacos de plástico demoram mais de 150 anos. A sua má gestão fez com que os mares e oceanos estejam muito poluídos, dando origem a “ilhas de plástico”. Não só tornam a paisagem “feia”, como os animais podem ficar feridos ou morrer por sua causa.

Os plásticos mais prejudiciais são os microplásticos (com menos de 5 mm). As estações de tratamento não conseguem retê-los, por isso, chegam directamente ao mar e são ingeridos pelos animais, os mesmos que depois consumimos. Para reduzir a poluição por plástico é necessário, em primeiro lugar, diminuir a sua quantidade. Em segundo, se, por algum motivo for necessário usá-lo, devemos reutilizá-lo ao máximo, sem que se torne prejudicial para a saúde e o meio ambiente. Por fim, devemos reciclá-lo. Quase todos conhecem a teoria, mas poucos a põem em prática. Por conseguinte, os investigadores desenvolveram um novo tipo de plástico que se autodestrói.

Um método para activar os esporos na água

Uma equipa de investigadores utilizou duas estirpes bacterianas que trabalharam conjuntamente e decompuseram completamente o plástico em apenas seis dias, sem gerar microplásticos. Zhuojun Dai, um dos autores principais do estudo, explicou que “a constatação de que os plásticos tradicionais duram séculos, enquanto muitas das suas aplicações, como as embalagens, têm uma vida útil curta, levou-nos a perguntar: “poderíamos incorporar a decomposição directamente no ciclo de vida do material?”

Aparentemente, há muitos micróbios capazes de decompor longas cadeias de polímeros em fragmentos mais pequenos através da acção de enzimas. Uma vez que os plásticos são polímeros, estas enzimas, ou os micróbios que as produzem, poderiam ser incorporadas em plásticos biológicos. “Ao incorporar estes micróbios, os plásticos poderiam ‘ganhar vida’ e autodestruir-se, transformando a durabilidade de um problema numa característica programável”, explicou Dai.

As tentativas anteriores basearam-se principalmente numa única enzima, por isso Dai e os seus colegas quiseram melhorar a eficiência da decomposição. Como? Modificando geneticamente a bactéria Bacillus subtilis para produzir duas enzimas cooperantes: uma decompõe os polímeros em fragmentos mais pequenos, enquanto a outra decompõe lentamente os fragmentos nas suas unidades monoméricas constituintes a partir de cada extremidade.

Os investigadores decidiram misturar a forma latente dos esporos de B. subtilis com policaprolactona, muito comum na impressão 3D e em algumas linhas cirúrgicas, para proteger os micróbios antes de serem necessários. O plástico vivo resultante da experiência tinha propriedades mecânicas semelhantes às das películas de policaprolactona, sem as modificar. Acrescentando-lhes um caldo nutritivo a 50 graus Celsius, os esporos foram activados, reduzindo o plástico aos seus componentes essenciais em apenas seis dias.

Para uma investigação mais profunda, os especialistas criaram um eléctrodo de plástico portátil a partir do seu plástico vivo e descobriram que funcionava como se esperava, decompondo-se completamente em duas semanas. Este é apenas o ponto de partida, uma vez que os investigadores esperam desenvolver um método para activar os esporos na água, o destino final de grande parte da poluição por plástico. Embora este trabalho tenha incidido num único polímero, é possível utilizar uma estratégia semelhante noutros tipos de plástico, incluindo os que se encontram comummente nos plásticos de uso único.

Fonte: National Geographic

Os mirtilos que não cumprem os requisitos para comercialização em fresco vão ser aproveitados para o desenvolvimento de novos produtos alimentares no âmbito do projeto InovBlueValue. A iniciativa, liderada pela Green Factor e iniciada em janeiro de 2026, pretende valorizar os chamados mirtilos de refugo através da criação de um extrato bioativo e de um snack sem glúten, promovendo soluções sustentáveis e com potencial de aplicação industrial.

Green Factor, em parceria com o Instituto Politécnico de Bragança, o More CoLAB e a Tecpan, arrancou em janeiro de 2026 com o projeto InovBlueValue - Estratégia de Valorização Sustentável da Cadeia de Valor do Mirtilo. Cofinanciada pelo programa Norte 2030, a iniciativa pretende encontrar novas aplicações para os mirtilos de refugo, frutos que não chegam ao mercado em fresco por não reunirem condições ao nível do calibre ou do estado de maturação.

Atualmente, estes mirtilos são encaminhados sobretudo para a indústria de transformação ou para alimentação animal, representando perdas económicas para os produtores. O projeto pretende inverter esse cenário através da criação de produtos de valor acrescentado com viabilidade industrial.

Entre as soluções previstas está o desenvolvimento de um extrato multifuncional rico em compostos bioativos, com propriedades antioxidantes e corantes, destinado, entre outras aplicações, à pastelaria industrial. A segunda aposta passa pela criação de um snack sem glúten enriquecido com pó de mirtilo e com o próprio extrato desenvolvido no âmbito do projeto.

Para concretizar estes objetivos, a equipa vai analisar diferentes categorias de mirtilos de refugo, otimizar os processos de extração e estabilização do extrato e estudar a produção do snack através de tecnologia de extrusão. O trabalho inclui ainda a avaliação das características dos produtos ao longo do tempo de prateleira e a validação do extrato em produtos de pastelaria numa escala de produção considerada industrialmente relevante.

Citado em comunicado, Tadeu Alves, administrador da Green Factor, afirma que o projeto pretende encarar os mirtilos de refugo “não como uma perda, mas sim como uma matéria-prima com potencial para gerar inovação e novos produtos”. Segundo o responsável, a iniciativa procura acrescentar valor a um recurso atualmente destinado à alimentação animal, contribuindo para a sustentabilidade da cadeia de valor do mirtilo.

O consórcio reúne entidades com competências nas áreas da investigação, desenvolvimento tecnológico e aplicação industrial. Para além da vertente de desenvolvimento de produto, o InovBlueValue prevê ações de demonstração e disseminação de resultados com o objetivo de reforçar a ligação entre o sistema científico e as empresas e promover a transferência de conhecimento para a indústria.

A conclusão do projeto está prevista para dezembro de 2028.

Fonte: iAlimentar

A implementação de um quadro viável para determinar a precisão das bases de dados sobre a autenticidade do mel tem-se revelado um verdadeiro ponto de discórdia nos últimos anos

Um novo relatório, encomendado pelo Programa de Autenticidade Alimentar, concluiu que, apesar de muitas vezes serem não publicadas e opacas, as bases de dados sobre a autenticidade do mel são utilizadas para fundamentar decisões comerciais importantes em matéria de testes.

Fundamentalmente, esta falta de transparência tem conduzido a disputas legais e, de acordo com o Departamento do Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais (DEFRA), mina a confiança nos métodos analíticos utilizados para verificar a autenticidade do mel.

Como resultado,  o DEFRA, a Agência de Segurança Alimentar e a Food Standards Scotland organizaram um seminário em 2009 com especialistas e representantes da indústria, identificando a necessidade de um mecanismo para avaliar a adequação das bases de dados de autenticidade do mel à sua finalidade. Agora concluída, a estrutura visa permitir a avaliação da adequação das bases de dados de autenticidade à sua finalidade, numa tentativa de facilitar decisões de aplicação fiáveis e reduzir a ambiguidade jurídica.

 Por que razão é a implementação de tal estrutura tão importante? Em termos simples, porque a fraude no mel é generalizada em todo o Reino Unido e na UE.

Ainda em 2023, uma investigação conduzida pela UE revelou que 46% dos produtos amostrados eram suspeitos de fraude.

Ainda mais impressionante, 100% das amostras recolhidas no Reino Unido reprovaram no teste.

Analisar a autenticidade do mel, ao contrário de outros alimentos como a carne ou os laticínios, é um processo incrivelmente complexo.

Não que a deteção de fraudes alimentares seja alguma vez simples, mas a composição do mel apresenta um conjunto específico de desafios, bastante distinto do de outros produtos. Esta composição também pode variar consoante o néctar das plantas e a área onde as abelhas se alimentaram. E, para piorar a situação, as táticas utilizadas pelos fraudadores tornaram-se cada vez mais sofisticadas e, consequentemente, mais difíceis de detetar.

Por exemplo, o mel pode agora ser adulterado com xaropes personalizados feitos de arroz, trigo ou beterraba sacarina, concebidos para imitar o perfil de açúcares do mel.

E o quadro é ainda mais complicado pela falta de um consenso sobre os métodos de análise.

Técnicas como a espectroscopia por ressonância magnética nuclear são capazes de detetar alguns açúcares adicionados, por exemplo, mas podem ainda assim ter de recorrer a bases de dados que não abrangem todos os tipos de variação natural.

«O mel é composto principalmente por frutose, glicose e água, com uma composição adicional altamente complexa de componentes menores e vestigiais, com muita variação natural. O mel é produzido por abelhas não domesticadas, mas criadas, que mantêm a sua natureza selvagem de forrageamento.

«Existem espécies variadas, fatores temporais, climáticos e ambientais diferentes, práticas de apicultura e colheita distintas e processamento pós-colmeia. Ter tudo isto em conta é um enorme desafio para a autenticação através de bioanálises direcionadas e não direcionadas e para a interpretação dos dados resultantes.»

A interpretação da autenticidade de qualquer alimento baseia-se frequentemente em bases de dados de marcadores de autenticidade ou do seu inverso. Essas bases de dados existem na literatura científica publicada, com a vantagem de serem submetidas a revisão por pares e estarem disponíveis para utilização por outros cientistas.

No entanto, estes conjuntos de dados contêm frequentemente um número reduzido de amostras autenticadas e centram-se num único ou num subconjunto restrito das facetas da complexidade bioquímica apresentada pelo mel.

Como resolver este problema?

 Tendo em conta estes desafios e dificuldades enraizados, o relatório concluiu, sem surpresa, que a normalização das abordagens para a análise de bases de dados é essencial para melhorar o panorama altamente complexo dos testes ao mel que existe atualmente.

Leia o artigo completo aqui.

Fonte: Food Manufacture

A Península Ibérica afirmou-se como a principal região europeia para o investimento em retalho no primeiro trimestre de 2026, com Portugal e Espanha a somarem 1.384 milhões de euros transacionados no sector, ultrapassando mercados tradicionalmente dominantes como o Reino Unido e a Alemanha. Os dados são da JLL, que destaca o crescente interesse do capital internacional pela região.

Portugal contribuiu com 340 milhões de euros de investimento em retalho nos primeiros três meses do ano, reforçando a atratividade do mercado nacional, sustentada pelo crescimento do consumo privado, pela força do turismo e pela procura consistente por ativos considerados de elevada qualidade.

Segundo a consultora, o desempenho da Península Ibérica resulta de uma combinação de fatores favoráveis, entre os quais o crescimento económico acima da média europeia, a estabilidade geopolítica e a capacidade de atração de operadores e investidores internacionais.

 “A Península Ibérica é um dos mercados mais atrativos para o investimento em retalho na Europa. O capital institucional, os gestores de investimento e os patrimónios privados observam o sector com muita atenção”, afirma Augusto Arrochella Lobo, head of commercial capital markets da JLL Portugal.

Em Portugal, o mercado foi impulsionado por operações envolvendo centros comerciais e retail parks, incluindo ativos como GaiaShopping, ArrábidaShopping e Matosinhos Retail Park, refletindo o dinamismo do sector e os elevados níveis de ocupação.

O retalho nacional arrancou 2026 com indicadores positivos. Dados do INE citados pela JLL mostram que as vendas no retalho, excluindo combustíveis, cresceram 4,4% em termos homólogos até março, impulsionadas pelos produtos não alimentares (+5,1%) e alimentares (+3,6%).

Os principais eixos de comércio de rua em Lisboa e Porto continuam igualmente a registar elevada procura. Em Lisboa, o turismo e a restauração mantêm-se motores da atividade comercial, enquanto o Porto reforça a sua posição junto de marcas internacionais.

Esta procura tem pressionado as rendas prime para níveis historicamente elevados. No primeiro trimestre, o Chiado registou rendas de 155 euros por metro quadrado por mês, enquanto a Rua de Santa Catarina, no Porto, atingiu os 90 euros por metro quadrado mensais.

O segmento alimentar e os supermercados destacam-se também como áreas de crescente interesse para investidores e operadores. As rendas prime para supermercados standalone chegaram aos 16 euros por metro quadrado por mês, refletindo a aposta em formatos de proximidade e conveniência.

A JLL antecipa que o mercado português de retalho mantenha uma trajetória positiva ao longo de 2026, apoiado pela procura contínua por ativos de qualidade, pelo crescimento do retalho experiencial e pela integração entre canais físicos e digitais. Centros comerciais, retail parks e supermercados deverão continuar a concentrar grande parte da atividade de investimento nos próximos meses.

Fonte: Grande Consumo

O uso crescente de plástico reciclado em embalagens de alimentos e outros materiais que entram em contacto com alimentos oferece benefícios ambientais claros, mas também levanta preocupações cruciais de segurança química, que ressaltam a necessidade de discussão sobre padrões harmonizados globalmente, de acordo com um novo relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

O relatório, publicado e intitulado " Implicações para a segurança alimentar de plásticos reciclados e materiais alternativos para contato com alimentos" , surge num crescimento constante do mercado global de embalagens de alimentos.

Salgadinhos, refeições prontas, fast food, doces e bebidas engarrafadas ilustram como a mudança nos padrões de consumo e as alterações no estilo de vida estão a impulsionar a procura por embalagens de alimentos.

Os materiais em contacto com alimentos (MCAs) desempenham um papel importante na redução das perdas e do desperdício de alimentos, prolongando a vida útil e protegendo a qualidade dos alimentos, ajudando assim a diminuir os custos de produção, melhorar a eficiência dos sistemas agroalimentares, apoiar a segurança alimentar e nutricional e contribuir para a sustentabilidade ambiental.

No entanto, o uso generalizado de FCMs à base de plástico com longas meias-vidas ambientais está contribuindo para uma epidemia global de resíduos plásticos, o que está a impulsionar uma mudança gradual para plásticos reciclados.

Embora menos de 10% dos resíduos plásticos gerados globalmente tenham sido reciclados até ao momento, espera-se que essa percentagem aumente por razões de sustentabilidade, o que levanta importantes questões sobre a segurança química dos alimentos.

O relatório argumenta que os objetivos ambientais devem ser perseguidos em paralelo com as preocupações de saúde decorrentes da potencial contaminação química e da migração de materiais em contacto com alimentos (FCMs).

"Queremos reciclar mais plástico, mas também queremos garantir que, ao resolver um problema, não criemos novos. A segurança alimentar deve ser uma consideração central na transição para sistemas agroalimentares e padrões de consumo alimentar mais sustentáveis", afirmou Corinna Hawkes, Diretora da Divisão de Sistemas Agroalimentares e Segurança Alimentar da FAO.

Proteção do meio ambiente e da saúde pública

A avaliação oportuna das questões de segurança alimentar é fundamental para permitir que os materiais em contacto com alimentos reciclados e alternativos alcancem seu potencial máximo, protegendo a saúde do consumidor e garantindo o comércio justo.

Uma área de preocupação é a potencial introdução de novos riscos associados às fontes de matéria-prima – como pesticidas, toxinas naturais ou alergénios – em materiais compósitos de base biológica derivados de recursos naturais e renováveis, como milho, cana-de-açúcar e mandioca. Preocupações adicionais surgem do uso de novas substâncias adicionadas intencionalmente, como nanomateriais, que são utilizadas para melhorar o desempenho do material ou viabilizar funções ativas de embalagem.

O relatório defende a limpeza e remoção eficazes de produtos químicos durante os processos de reciclagem de plásticos, especificamente concebidos para materiais compósitos alimentares. Sistemas adequados de controlo e triagem de resíduos podem separar os materiais de embalagens de plástico para uso alimentar antes da reciclagem, de acordo com os Códigos de Identificação de Resinas específicos para polímeros sintéticos.

Para lidar com a crescente preocupação pública sobre a exposição a micro e nanoplásticos em alimentos e bebidas, são necessários métodos analíticos validados para sua detecção e identificação. A actual falta desses métodos tem impedido, até ao momento, que as agências reguladoras determinem um risco claro para a saúde humana, argumenta o relatório.

Por fim, existem potenciais problemas no comércio global devido à falta de harmonização regulamentar.

O relatório observa que as discussões em curso no âmbito do Codex Alimentarius sobre os aspetos de segurança alimentar da utilização de plásticos reciclados em embalagens de alimentos têm evidenciado ainda mais a necessidade global de harmonização regulamentar dos materiais em contacto com alimentos, entre os países.

A harmonização dos quadros regulamentares globais não só apoiaria avaliações de risco robustas e baseadas na ciência para garantir a produção e utilização seguras de FCMs reciclados, como também contribuiria para alcançar os objetivos internacionais actuais e futuros de redução dos resíduos plásticos, argumenta o relatório.

Fonte: FAO

O Instituto de Investigação do Arroz das Filipinas obteve autorização para o cultivo comercial do arroz HIZ039, geneticamente modificado para aumentar os níveis de ferro e zinco, numa medida que visa combater deficiências nutricionais e problemas de saúde associados à má nutrição infantil.

O Philippine Bureau of Plant Industry emitiu uma licença de biossegurança para o cultivo comercial do arroz HIZ039, desenvolvido e licenciado pelo Philippine Rice Research Institute, também conhecido como PhilRice.

De acordo com a ficha informativa divulgada pelo PhilRice, o HIZ039 foi desenvolvido através de engenharia genética para aumentar a concentração de ferro e zinco nos grãos de arroz. Para isso, os investigadores utilizaram genes provenientes do próprio arroz e da espécie asiática de maçã silvestre Malus baccata.

A autorização surge após o arroz ter superado as rigorosas avaliações de biossegurança exigidas para o cultivo comercial.

O objetivo desta nova variedade é complementar os programas já existentes de combate às deficiências de ferro e zinco, especialmente em grupos mais vulneráveis. Segundo os promotores do projeto, o HIZ039 poderá fornecer entre 30% e 50% das necessidades médias diárias destes minerais em crianças em idade pré-escolar, bem como em mulheres grávidas ou a amamentar.

Os investigadores acreditam que esta alternativa alimentar mais nutritiva poderá ajudar a reduzir casos de anemia infantil evitável, atrasos no desenvolvimento cerebral, problemas de crescimento e fragilidade do sistema imunitário.

Após esta aprovação regulamentar, os responsáveis pelo desenvolvimento do HIZ039 irão avançar para as etapas de registo varietal, multiplicação de sementes e certificação, antes de o arroz chegar ao mercado filipino.

Fonte: CiB

Um novo estudo realizado por investigadores da FDA demonstrou os riscos de contaminação cruzada por alergénios de frutos do mar em sistemas de panar compartilhados utilizados na produção de alimentos. As conclusões foram publicadas no Journal of Food Protection .

Embora seja comum que empresas de serviços de alimentação de alimentos utilizem misturas para panar multiuso para alimentos de origem animal e vegetal, visando agilizar o preparo e reduzir a complexidade operacional, os riscos de contaminação cruzada por alergénios decorrentes da reutilização dessas misturas permanecem pouco explorados. Essa lacuna de conhecimento limita a base científica para a avaliação de riscos e o desenvolvimento de estratégias de controle eficazes. Portanto, o presente estudo foi conduzido para determinar em que medida os alergénios de frutos do mar podem ser transferidos para outros alimentos por meio da reutilização de misturas de panar, bem como para avaliar a eficácia de intervenções na redução de resíduos de alergeénios entre os usos.

Verificou-se que tanto as proteínas do camarão quanto as do bacalhau se acumulavam progressivamente nas misturas de panar à medida que os lotes eram preparados. No entanto, as proteínas do bacalhau desprendem mais facilmente e em concentrações mais elevadas do que as proteínas do camarão. Após panar 20 lotes de bacalhau, os níveis de proteína alergénica atingiram 628,7 microgramas por grama (µg/g), o que representa mais de 18 vezes os níveis de proteína do bacalhau medidos após panar cinco lotes.

Por outro lado, as proteínas do camarão acumularam-se mais lentamente, com apenas 17,2 µg/g detectados após 20 lotes. As proteínas do camarão também demonstraram maior variação entre locais e repetições do que as do bacalhau.

No entanto, ao panar outros alimentos na mistura reutilizada após o bacalhau, a dose de referência do Codex de 5 mg de proteína total de peixe foi consistentemente excedida em porções individuais de frango, cogumelos e courgete.

Os investigadores também avaliaram a eficácia de peneirar as misturas de panar entre lotes como estratégia de controle para reduzir resíduos de alergénios nos alimentos. Embora peneiras mais finas, com poros de 75 micrômetros (µm), tenham se mostrado mais eficazes na remoção de alergénios de bacalhau e camarão, a peneira não conseguiu eliminar completamente os alergénios de frutos do mar das misturas de panar. Além disso, a peneira resultou em perda substancial de mistura utilizável, o que sugere sua inviabilidade para uso real em serviços de alimentação e ambientes industriais. Em suma, os investigadores concluíram que a peneira isoladamente pode não ser uma medida eficaz para o controle de alergénios.

Leia o artigo aqui.

Fonte: Food Safety Magazine

 

Mais de 200 mil castanheiros com cancro no Nordeste Transmontano foram, na última década, curados graças a um tratamento biológico criado pelo Instituto Politécnico de Bragança (IPB), projeto que foi prolongado por mais cinco anos.

O IPB e a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) assinaram o protocolo que prolonga por mais cinco anos este projeto de combate ao cancro do castanheiro, que envolve mais de três mil produtores, segundo avançou aos jornalistas a investigadora responsável pelo programa, Eugénia Gouveia.

O cancro do castanheiro é uma das principais doenças fitossanitárias que afeta os soutos nos concelhos de Bragança e Vinhais, onde há a maior produção de castanha do país.

O IPB desenvolveu um tratamento biológico que tem vindo a ser aplicado desde 2015 e que trata o cancro provocado pela estirpe Cryphonectria parasítica, comum na região.

De acordo com a investigadora do IPB, “10% de castanheiros” têm a doença, mas o tratamento biológico tem uma “eficácia em termos globais que rondará os 95%” e, por isso, já foram tratados “mais de 200 mil castanheiros”.

“Este é um produto biológico que atua no fungo, que é patogénico, e dessa forma o castanheiro deixa de reconhecer o fungo como parasita e para o crescimento, e promove o desenvolvimento de tecidos novos e funcionais. É um sistema altamente eficaz, altamente específico, e não interfere nem com a saúde humana, nem com o ambiente”, explicou Eugénia Gouveia.

Uma das vantagens do tratamento, em relação aos pesticidas, é que uma aplicação é suficiente para a cura da árvore.

“Todo esse trabalho que está a ser feito pelo IPB, além de já estar a apoiar de uma forma muito concreta o controlo do cancro do castanheiro, está também a obter-se informação científica para que se possa reunir, de facto, tudo o que é necessário para se vir, um dia, a homologar o produto. Até lá, obviamente, o que nos interessa a todos, quer à DGAV quer ao IPB, é apoiar os agricultores no controlo deste flagelo que afeta os nossos castanheiros”, salientou Paula Cruz Garcia, subdiretora-geral da DGAV.

O tratamento é aplicado apenas nos soutos dos agricultores que fazem parte deste programa.

O produto ainda não está à venda no mercado, sendo que, para isso, precisa de homologação. O presidente do IPB revelou hoje que espera consegui-la nos próximos anos.

“Há perspetiva que, tratando-se de um produto biológico, possa haver um processo mais simplificado e nós estamos nesta fase a preparar o dossiê para pedir a homologação do produto como produto comercial, o que dará outra liberdade”, disse Orlando Rodrigues, presidente da instituição, acrescentando que espera que antes dos cinco anos do programa o produto já esteja homologado para entrar no mercado.

Cerca de 85% da produção de castanha em Portugal é proveniente de Trás-os-Montes. Em anos ditos normais, nos concelhos de Bragança e Vinhais chegam a ser colhidas 25 mil toneladas do fruto.

Fonte: Agroportal