Portuguese English French German Italian Spanish

  Acesso à base de dados   |   em@il: qualfood@idq.pt

Farinhas brancas mais saudáveis, sem alteração do sabor, textura e preço? Sim, é possível. A tecnologia de edição genética CRISPR pode ajudar a melhorar a saúde alimentar através de pão e farinhas mais nutritivas, mantendo o sabor e o custo.

O Chile aprovou, pela primeira vez nas Américas, um trigo desenvolvido com recurso à tecnologia CRISPR — um método de edição genética de alta precisão. O cereal, criado, distingue-se por ter um teor de fibra até dez vezes superior ao trigo convencional. A decisão das autoridades chilenas abre caminho para ensaios em campo e validação comercial, tal como acontece com variedades tradicionais, marcando um marco internacional na biotecnologia agrícola.

Segundo a empresa responsável, o objetivo é simples: tornar o pão branco — um dos alimentos mais consumidos no Chile e na Argentina — mais saudável. Nestes países, a ingestão média de fibra é menos de metade do recomendado pelas diretrizes de saúde, o que aumenta riscos para o bem-estar da população.

Até agora, a indústria tentou enriquecer a farinha com fibras de milho, batata ou banana, mas estas soluções afetavam o sabor e a textura, além de encarecerem os produtos. Por outro lado, a farinha integral nunca conquistou a maioria dos consumidores, devido ao gosto, ao hábito e ao preço. Com o novo trigo, será possível produzir farinhas brancas mais ricas em fibra, sem comprometer a qualidade nem a acessibilidade.

O projeto é resultado de uma parceria entre a investigação e duas históricas empresas de sementes, uma chilena e uma argentina. A inovação contou ainda com apoios públicos de investigação e poderá ter impacto global, já que o mercado de fibras de trigo deverá mais do que duplicar até 2033.

A tecnologia CRISPR, muitas vezes descrita como uma “tesoura molecular”, permite editar com precisão o próprio genoma das plantas, sem recorrer a genes externos, o que significa que não se trata de um organismo transgénico. No caso do trigo, cuja informação genética é cinco vezes maior que a humana, esta abordagem permite acelerar processos que, com métodos tradicionais, demorariam até 15 anos.

Depois da decisão chilena, a empresa de investigação já submeteu pedidos de avaliação regulatória na Argentina e prepara-se para fazê-lo em mercados estratégicos como o Brasil e os Estados Unidos. Em paralelo, negocia com grandes indústrias alimentares da América Latina para testar, já em 2026, a utilização deste trigo em pães e bolachas.

Se bem-sucedida, esta inovação poderá transformar um alimento tão comum como o pão num aliado mais forte da saúde pública, colocando o Chile na linha da frente mundial da edição genética aplicada à alimentação.

Fonte:CiB

O presidente da maior cooperativa leiteira em Portugal,  Idalino Leão, apontou hoje que o setor atravessa uma fase de "estabilidade e previsibilidade", algo que se tem refletido positivamente na rentabilidade dos produtores.

"Neste momento, o setor da produção de leite está a viver um período de estabilidade e também de alguma previsibilidade, mesmo num contexto de turbulência europeia e mundial com guerras, taxas e inflações. Essa estabilidade tem proporcionado alguma rentabilidade para os agricultores", afirmou o presidente Idalino Leão, à Lusa.

 Apesar dessa estabilidade, Portugal teve, em 2024 e segundo o Instituto Nacional de Estatística, um ligeiro aumento nas importações de produtos lácteos, algo que o líder da maior cooperativa leiteira do país sente que pode ser invertido.

"Portugal é excedentário em leite líquido, mas ainda é deficitário em produtos lácteos. Existem algumas subcategorias, de gordura e proteína, que ainda não produzimos e, para corresponder às necessidades, recorremos a importações. Não por falta de capacidade produtiva, mas porque algumas grandes marcas internacionais conseguem colocar no nosso mercado a preços mais baratos", explicou.

O dirigente acrescentou que a estratégia tem de passar por um reforço da qualidade do leite nacional, apostando na valorização dos produtos sólidos.

"É um caminho que o setor também está a fazer, explicando de forma pedagógica a importância de produzirmos cada vez mais sólidos, porque são esses que nos vão permitir, na fase industrial, reduzir este défice", apontou.

Também nesse capítulo, a modernização tecnológica foi outro dos pontos destacados por Idalino Leão, que lembrou que a digitalização, a robotização e até o recurso à inteligência artificial já são uma realidade plenamente integrada nas explorações.

"Quando ouço falar de inteligência artificial parece uma novidade, mas para nós isso já é passado. A zootecnia e a agricultura de precisão são algo que já fazemos há muitos anos. Hoje o setor é completamente robotizado", vincou.

No plano europeu, Idalino Leão manifestou preocupação com eventuais cortes nos apoios oriundos da Política Agrícola Comum (PAC), que poderão acontecer em 2027.

"A nossa agricultura ainda precisa de investimento. Nós não podemos abdicar desta fatia importante através do apoio direto dos fundos comunitários. Temos de diminuir o nosso défice agroalimentar e, neste clima de incerteza geopolítica, a questão da alimentação é também uma questão de soberania e de defesa", afirmou.

Idalino Leão foi, ainda, questionado sobre os impactos negativos ou oportunidades que a questão das tarifas impostas pelos Estados Unidos da América poderá ter no setor, a nível nacional, apesar de as exportações de leite para o mercado americano serem residuais.

"Creio que o problema será mais na questão da alimentação animal, na importação de soja ou milho, dos quais somos deficitários. Se isso acontecer, vai obrigar, obviamente, a um aumento dos custos de produção dos agricultores, que se refletirá em toda a fileira agroalimentar", partilhou.

Idalino Leão abordou estes temas na projeção da 11.ª edição da AgroSemana -- Feira Agrícola do Norte, promovida pela cooperativa, que acontece entre 4 e 7 de setembro, no Espaço Agros, na Póvoa de Varzim, distrito do Porto.

O evento, que no ano passado foi visitado por cerca de 80 mil pessoas, mantém o objetivo de aproximar agricultores e consumidores, através de um programa diversificado que conjuga conhecimento técnico, valorização animal e momentos de convívio.

De acordo com a organização, haverá seminários e conferências com especialistas internacionais dedicados à cultura do milho e à produção animal, bem como concursos pecuários onde estarão presentes alguns dos melhores exemplares do país.

A programação inclui ainda gastronomia, espetáculos musicais e uma vertente familiar, com visitas às quintas para dar a conhecer de perto a vida dos agricultores e os cuidados com o bem-estar animal.

"É novamente o espírito de abrirmos as nossas portas, mostrarmos aquilo que somos, sem dogmas, sem mitos, provando aos nossos consumidores que sabemos fazer produtos seguros e saudáveis", sintetizou Idalino Leão.

Fonte: Notícias ao Minuto

Uma empresa desenvolveu uma técnica patenteada que permite utilizar até mais 30% do fruto do cacau na produção de chocolate, sem comprometer o sabor. Segundo a empresa, esta abordagem não só reduz o desperdício, como também ajuda os agricultores a obter um maior rendimento e valor das suas colheitas de cacau.

Tradicionalmente, apenas os grãos de cacau são usados na produção de chocolate. Estes grãos são colhidos, fermentados, secos, torrados e depois moídos até se transformarem numa pasta, o chamado licor de cacau. No entanto, grande parte do fruto do cacau, incluindo a polpa, a placenta e a casca da vagem, continua a ser largamente desperdiçada.

Com a nova técnica, todo o conteúdo interno da vagem é recolhido como uma massa húmida, que fermenta naturalmente. Esta massa é depois moída, torrada e seca em flocos de chocolate, que podem ser utilizados na produção.

 Louise Barrett, diretora do Centro de Investigação e Desenvolvimento em Confeitaria da empresa em York, no Reino Unido, afirmou: “com as alterações climáticas a afetarem cada vez mais os rendimentos das culturas de cacau em todo o mundo, estamos a explorar soluções inovadoras que possam ajudar os agricultores a maximizar o potencial das suas colheitas. Esta técnica revolucionária permite utilizar mais do fruto, ao mesmo tempo que continuamos a oferecer chocolate delicioso aos nossos consumidores. Embora este projeto ainda esteja numa fase piloto, estamos atualmente a explorar formas de aplicar esta inovação a uma escala maior“.

Esta técnica tem o potencial de aumentar significativamente a quantidade de matéria-prima de cacau disponível para os agricultores, além de lhes libertar tempo precioso. Com um processo de extração mais eficiente, os produtores poderão dedicar-se mais a práticas agrícolas sustentáveis, como a poda das árvores de cacau.

Fonte:Grande Consumo

Os benefícios da aveia na alimentação

  • Friday, 29 August 2025 08:27

Proteínas, hidratos de carbono de absorção lenta são alguns dos benefícios alimentares deste cereal

Uma marca de alimentação, destacou um conjunto de benefícios da aveia, acompanhados de dicas de utilização.

O facto de ser um cereal rico em hidratos de carbono de absorção lenta é um dos benefícios destacados, aliado ao seu elevado teor em fibra solúvel e insolúvel. Além disso, os beta-glucanos presente neste cereal contribuem para a manutenção dos níveis normais de colesterol no sangue.

A aveia é também uma fonte de manganês, biotina, fósforo, magnésio, cobre, ferro, zinco, potássio e folato – além de fitoquímicos com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias.

Em termos de sugestões, podem ser utilizados flocos de aveia grossos em overnight oats e flocos de aveia finos em papas de aveia doces ou salgadas. A aveia pode também ser adicionada a sopas e guisados para dar corpo e fibra, ou como substituto de pão ralado em panados, ou como base para hambúrgueres vegetarianos caseiros. Já a farinha de aveia pode ser usada em pães, bolachas, bolos, panquecas e como base para pizzas mais leves.

Fonte: TecnoAlimentar

A vindima de 2025 apresenta-se como uma das mais desafiantes das últimas décadas para as regiões do Douro, Alentejo e Vinho Verde. Com as vinhas ainda a ser cuidadosamente monitorizadas e os primeiros cortes de uvas brancas já em curso, as equipas de viticultura e enologia perspetivam rendimentos mais baixos, mas com promissores sinais de qualidade superior.

O ano vitícola de 2025 foi marcado por uma inconstância climática sem precedentes. Se o ciclo anterior em 2024 foi moderado, este ano trouxe extremos: dezembro fechou excecionalmente seco, seguido de um inverno e início de primavera marcados por precipitação anómala em janeiro, março e abril. Só na região do Douro, março ficou para a história como o mais chuvoso deste século — um fator que influenciou o abrolhamento das vinhas, registado na última semana do mês, em linha com a média dos últimos 30 anos.

No entanto, esta abundância hídrica não persistiu. Entre Junho e Julho, a ausência quase total de chuva e a ocorrência de quatro ondas de calor — uma delas particularmente severa — provocaram um défice de precipitação acumulada de 34% no Douro. Durante a primeira quinzena de Agosto, a região viveu dez dias consecutivos com temperaturas máximas acima dos 40ºC, superando o recorde do verão de 2003, que registara sete dias seguidos nestas condições extremas. No Alentejo e em Monção e Melgaço, embora as temperaturas não tenham atingido os mesmos picos, a ausência de chuva fez-se igualmente sentir.

 Impacto nas vinhas: bagos menores, sinais de qualidade

As reservas de água acumuladas no início da campanha permitiram uma floração rápida e, no geral, um bom vingamento. Contudo, o calor intenso e persistente condicionou o desenvolvimento dos bagos, que apresentam tamanhos até 30% inferiores à média na região do Douro — uma redução que poderá impactar significativamente o volume da produção.

Apesar do cenário adverso, os primeiros indicadores são positivos quanto à qualidade das uvas. Estudos de maturação conduzidos pelas equipas da Symington desde o início de Agosto apontam para uvas saudáveis, com um ciclo fenológico a evoluir dentro da normalidade. O acompanhamento rigoroso das castas tintas, ainda em maturação, e as vindimas já em curso das uvas brancas reforçam o otimismo moderado dos especialistas em relação ao potencial enológico deste ano.

Nas propriedades da Symington espalhadas pelo Douro, Alentejo e região de Monção e Melgaço, os preparativos para a vindima estão em ritmo acelerado. Adegas emblemáticas como a Quinta da Fonte Souto, no Alentejo, e a Quinta do Sol, no Douro, já abriram portas para receber as primeiras uvas, enquanto outras adegas especializadas aguardam o arranque pleno da campanha.

Segundo Charles Symington, diretor de produção e principal enólogo da Symington Family Estates, “vivemos uma vindima desafiante, em que a resiliência das vinhas e o trabalho das equipas são postos à prova. Apesar da quebra de produção, acreditamos que a qualidade poderá surpreender positivamente, sobretudo nas castas tintas, caso se confirmem as previsões de temperaturas mais amenas e algumas chuvas nos próximos dias“.

Fonte: Grande Consumo

Filippo Grassi, analista da indústria alimentar, e Daniel Davis, especialista em cadeia de abastecimento, investigam a crescente ameaça da fraude alimentar, desde produtos com rótulos falsos até escândalos envolvendo carne e frutos do mar. Eles exploram casos reais, riscos para os consumidores e como a rastreabilidade, a regulamentação e a tecnologia podem proteger as cadeias de abastecimento globais.
De acordo com o Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia (JRC), em abril de 2025, houve pelo menos 36 casos graves de fraude alimentar em todo o mundo que levaram a apreensões em massa, encerramento de empresas e até prisões. Em 6 de abril de 2025, uma «quantidade significativa de produtos hortícolas não rastreáveis» foi apreendida em Catânia, Itália, por terem sido considerados «mal rotulados» com a intenção de enganar os consumidores.

A fraude alimentar não é uma questão distante — está a acontecer agora mesmo em mercados e restaurantes em todo o mundo.

No dia seguinte, 7 de abril de 2025, um restaurante chinês em Madrid, Espanha, foi fechado por servir pombos que alegavam ser patos.2 Após o encerramento do restaurante, descobriu-se que o seu armário de armazenamento de carne continha carnes descongeladas e congeladas de origem não rastreável, incluindo, entre outras, pepinos-do-mar, um item proibido.2 Esses itens não rastreáveis conseguem passar despercebidos devido à enorme rede de conexões que compõem as cadeias de abastecimento.

Casos recentes revelam a crescente escala da fraude alimentar
Essas cadeias de abastecimento evoluíram para as suas formas atuais como resultado da globalização em massa. Embora permitam que uma infinidade de alimentos diversos sejam consumidos em todo o mundo, elas trazem desafios significativos em termos de rastreabilidade, controlo e sustentabilidade.

Por exemplo, a globalização incentivou a prática do monocultivo e da agricultura em grande escala para acompanhar a procura. Isso levanta preocupações sobre a perda de biodiversidade, a degradação do solo e a potencial dependência excessiva de algumas culturas básicas. Embora pareça beneficiar os pequenos agricultores ao abrir mais mercados para os seus produtos, também criou mais concorrência, o que pode levar a práticas ilegais, especialmente se não houver as ferramentas legais e técnicas necessárias para garantir padrões alimentares adequados. Uma maior interconectividade também cria vulnerabilidade contra flutuações globais de preços que, de outra forma, não os afetariam. A instabilidade e a incerteza, combinadas com margens mais apertadas a superar, podem influenciar os empresários a agir de forma fraudulenta. Os atos individuais das empresas não existem no vácuo. Competir à escala global tornou-se caro e difícil, por isso muitas empresas estão a cortar custos para acompanhar o ritmo. O resultado é uma miríade de incidentes de fraude em massa na indústria alimentar.

Leia o artigo completo aqui.

Fonte: New Food Magazine

Uma versão com partículas extremamente finas da creatina monohidratada foi considerada não nova após uma avaliação de «baixo risco, mas grande impacto».
A Agência Espanhola para a Segurança Alimentar e Nutrição  analisou a creatina monohidratada micronizada, produzida por síntese química, na sequência de um pedido apresentado nos termos do artigo 4.º do Regulamento 2015/2283.
Concluiu que, uma vez que a creatina monohidratada era consumida na UE antes de 1997 e a micronização não altera a sua composição, valor nutricional ou segurança, a creatina monohidratada micronizada não é um alimento novo e pode continuar a ser utilizada em produtos alimentares sem autorização especial.
A creatina monohidratada é um dos tipos de creatina mais estabelecidos no mercado, com pesquisas que apoiam a sua utilização para o desempenho atlético, a saúde muscular e a função cognitiva.
O formato micronizado já é comum no mercado, uma vez que pode melhorar a solubilidade e a biodisponibilidade, levando alguns especialistas em regulamentação a especular sobre o motivo pelo qual está agora a ser avaliado.

«Um ingrediente pode ser aceite sem problemas durante muitos anos e, então, um dia, podemos ser solicitados a demonstrar que não é novo», afirma Jerome Le Bloch, chefe do departamento científico da consultoria de assuntos regulatórios Nutraveris.
«Isso pode ocorrer porque um novo avaliador da autoridade está a analisar os produtos. No entanto, mais comumente, isso resulta da presença do ingrediente de forma diferente, com ênfase em uma característica específica».

Neste caso, explicou Le Bloch, a descrição como «monohidrato de creatina micronizado» pode sugerir que está envolvido um novo processo, implicando que o ingrediente é diferente do monohidrato de creatina padrão.
Uma vez que a decisão da agência espanhola reflete o estatuto pré-existente e não novo do monohidrato de creatina, que é vinculativo em toda a UE, as empresas não precisam de se preocupar com interpretações diferentes entre países.

Leia o artigo completo aqui.

Fonte NutraIngredients

À medida que as alterações climáticas, a urbanização e a insegurança alimentar remodelam a agricultura, a agricultura moderna em ambientes fechados – desde estufas a quintas verticais – surge como uma possível solução. Mas, além de alguns possíveis benefícios, quais são as implicações para a segurança alimentar?

Uma nova publicação da FAO, Agricultura moderna em ambientes fechados e segurança alimentar – Uma revisão dos riscos, controlos e considerações regulamentares, oferece a primeira revisão global abrangente das oportunidades e riscos associados às culturas cultivadas em ambientes fechados e controlados, como hortas verticais, sistemas hidropónicos e aquaponia.

A agricultura interior é frequentemente promovida como uma alternativa mais segura à agricultura convencional, com benefícios, tais como a redução do uso de pesticidas, a gestão eficiente da água e dos fertilizantes e a produção local durante todo o ano. Embora estes sistemas ofereçam possíveis vantagens, o relatório sublinha que não estão imunes a riscos de segurança alimentar. O relatório destaca que os riscos de segurança alimentar, especialmente os riscos microbiológicos como a Salmonella e a E. coli, continuam presentes. Sementes, água, substratos e até mesmo o manuseio humano podem introduzir contaminação se não forem cuidadosamente geridos.

A publicação oferece uma visão geral científica dos riscos associados às culturas em ambientes fechados, identifica as medidas de controle disponíveis e mapeia as orientações regulatórias existentes. Ela também aponta lacunas na pesquisa e enfatiza a importância de uma comunicação clara entre reguladores, produtores e consumidores para garantir a confiança nesses novos sistemas de produção.

“A agricultura interior tem um potencial significativo para contribuir para sistemas agroalimentares sustentáveis e resilientes. Mas práticas rigorosas de segurança alimentar e supervisão continuam a ser essenciais para tornar essa promessa uma realidade”, afirmou Masami Takeuchi, responsável pela segurança alimentar da FAO, que coordenou a elaboração do relatório.

“A chave para o sucesso da agricultura interior é alcançar competitividade económica com as culturas convencionais”, acrescentou Keith Warriner, um dos principais autores da Universidade de Guelph. «Ao mesmo tempo, as condições dentro das explorações agrícolas internas podem favorecer a sobrevivência de agentes patogénicos, pelo que a prioridade deve ser evitar que os perigos entrem nas instalações.» Em conjunto, estas ideias sublinham a importância de aliar a inovação à vigilância, para que a agricultura interior possa crescer de forma segura e sustentável no futuro.

À medida que a agricultura interior continua a evoluir, a integração de medidas robustas de segurança alimentar será fundamental para libertar todo o seu potencial. A agricultura moderna em ambientes fechados e a segurança alimentar – Uma revisão dos riscos, controlos e considerações regulamentares serve como um guia oportuno para os decisores políticos, produtores e investigadores que navegam neste campo dinâmico.

Leia o relatório aqui.

Fonte: FAO

 

 


De acordo com um estudo realizado na Suíça, a taxa de contaminação bacteriana em bagas congeladas é baixa.

No entanto, os investigadores alertaram que esses produtos podem representar um risco se forem consumidos sem aquecimento e não imediatamente após o descongelamento.

De novembro de 2024 a janeiro de 2025, foram analisadas 100 amostras de bagas congeladas de oito retalhistas em Zurique. Um terço estava rotulado como orgânico e 96 continham bagas importadas.

De acordo com um estudo publicado no Journal of Food Protection, as amostras incluíam framboesas, mirtilos, morangos, amoras, groselhas e misturas de bagas, com algumas contendo groselhas pretas ou cerejas ácidas.

Todas as amostras foram testadas qualitativamente para Salmonella, E. coli produtora da toxina Shiga (STEC) e Listeria monocytogenes, e quantitativamente para E. coli e membros do grupo Bacillus cereus. Enterobacterales produtoras de beta-lactamase de espectro alargado (ESBL-E) também foram rastreadas.

Riscos bacterianos
Não foram detetadas Salmonella, STEC e Listeria. As contagens de E. coli permaneceram abaixo dos limites de deteção. Membros do grupo Bacillus cereus estavam presentes em 12% das amostras. ESBL-E foram encontradas em duas amostras de morangos egípcios.

As bagas frescas e congeladas foram anteriormente identificadas como fonte de doenças de origem alimentar e associadas a surtos de patógenos virais (norovírus e vírus da hepatite A) e parasitários, como a Cyclospora. Os vírus têm uma dose infecciosa mais baixa do que as bactérias.

Os cientistas afirmaram que o papel das bagas congeladas na transmissão de agentes patogénicos bacterianos era pouco explorado. A temperatura de armazenamento de −18 °C (-0,4 °F) impede o crescimento bacteriano. No entanto, as bagas congeladas são comumente usadas em smoothies, sobremesas e outros produtos prontos a consumir sem passagem por um processo de aquecimento.
A concentração populacional nas amostras estava abaixo da dose infecciosa mínima estimada de Bacillus cereus. Os investigadores afirmaram que o manuseamento adequado continua a ser essencial após a descongelação, uma vez que as bactérias viáveis podem retomar o crescimento em condições favoráveis — se as bagas forem armazenadas apenas a temperaturas de refrigeração, não forem consumidas imediatamente ou não forem suficientemente aquecidas.

A deteção de Bacillus cereus sensu stricto Thuringiensis deve-se provavelmente à utilização de biopesticidas na agricultura biológica e convencional. O seu papel como risco para a segurança alimentar ainda não é claro.

O isolamento de dois ESBL-E das bagas aponta para uma potencial contaminação fecal em algum ponto da cadeia de cultivo e processamento posterior.

«As nossas conclusões apoiam a inclusão de critérios microbiológicos para bagas congeladas nos sistemas HACCP e nos testes de segurança alimentar de rotina, a fim de melhorar a monitorização e garantir uma gestão de risco adequada», afirmaram os cientistas.

Fonte: Food Safety News

Um grupo de investigadores desenvolveu uma técnica inovadora que promete transformar a biotecnologia vegetal e abrir caminho para uma agricultura mais sustentável e eficiente. O método, baseado em pequenas inserções de ARN transportadas por vírus modificados, permite silenciar genes em plantas de forma simples, específica e económica.

Publicada na Plant Biotechnology Journal, a investigação realizada pelo CSIC – Conselho Superior de Investigações Científicas, em Espanha, (em colaboração com o Instituto Universitário de Conservação e Melhoria da Agrodiversidade Valenciana e o centro italiano Cineca) demonstrou a eficácia da técnica em plantas da família das Solanáceas, incluindo tomate, batata e beringela escarlata.

O processo – designado vsRNAi (inserções de ARN curto transportadas por vírus) – consiste em usar vírus geneticamente modificados como veículos para transportar sequências de ARN ultracurtas que bloqueiam genes específicos, sem alterar de forma estável o genoma da planta.

Os resultados já mostraram potencial para induzir a floração, acelerar o desenvolvimento de variedades melhoradas, aumentar a tolerância à seca, facilitar a mecanização agrícola e até enriquecer o valor nutricional dos alimentos.

Além de permitir a personalização de características nas plantas, o método destaca-se pela sua versatilidade e pela possibilidade de aplicação em cultivos infrautilizados, como a beringela escarlata africana, com potencial de expansão para a Europa.

Segundo os investigadores, este avanço representa um passo crucial para acelerar a inovação agrícola, melhorar o rendimento dos cultivos e promover práticas mais sustentáveis num setor essencial para a segurança alimentar mundial.

Fonte: CiB