Importância da manutenção da biodiversidade da videira
Portugal tem inscritas na base de dados internacional de variedades de videira (VIVC) 250 variedade autóctones, num total de 350 variedades autorizadas a fazer vinho em Portugal.
Tendo em atenção a dimensão do país, um número tão elevado de variedades é demonstrativo da importância e da antiguidade da cultura da vinha no nosso país.
Um número tão elevado de variedades permite elaborar um leque enorme de tipos de vinho, em função das caraterísticas da variedade e das combinações entre elas.
Um vinho de lote é sempre mais complexo que um vinho elementar (de uma casta), pois, embora haja variedades que, devido às sua caraterísticas, permitem obter bons vinhos elementares, a generalidade não o permite. Níveis equilibrados de acidez, açúcar, compostos fenólicos, taninos e outros compostos, são raros num única variedade. Assim, o lote, desde que estudado para obter um determinado vinho com equilíbrio, complexidade e potencial de envelhecimento, é mais indicado que o vinho elementar.
Portugal tem este potencial, é prioritário e determinante mantê-lo para manter o nosso prestígio no setor, senão estaremos a concorrer diretamente com vinhos do “novo mundo”, bons, mas sem personalidade.
Riscos de extinção de variedades de videira
Esta riqueza em biodiversidade está em risco por vários fatores:
No passado, plantava-se o porta-enxerto e no ano seguinte recolhia-se noutra vinha, do próprio ou de alguém conhecido, o material vegetativo da casta ou castas que pretendíamos multiplicar. Era este material que era enxertado no porta-enxerto plantado no ano anterior.
Este material vegetativo, normalmente era constituído por várias castas que eram, assim, propagadas.
Atualmente, para instalar uma nova vinha, contratamos com um viveirista a aquisição de enxerto-prontos de uma casta, que já vem do viveiro enxertada e é plantada diretamente no terreno.
Passámos de uma plantação multivarietal para uma monovarietal, indutora de uma grande perda de biodiversidade.
O consumidor moderno tende a valorizar o consumo de vinhos monovarietais ou com poucas castas, identificadas na rotulagem das garrafas.
Devido a preocupações ambientais, há necessidade de reduzir ao máximo a aplicação de pesticidas, nomeadamente fungicidas anti-míldio e anti-oídio, as doenças mais frequentes na vinha.
Esta necessidade levou à criação e plantação de castas resistentes a estas doenças criptogâmicas.
Estas castas são novas e podem contribuir para o abandono das castas tradicionais, geralmente bastante sensíveis a estas doenças e mais onerosas no seu combate.
Medidas de mitigação e recuperação varietal
Não há um modo ótimo de evitar a redução do património genético da videira.
Contudo, há ações Fonte: Agroportalque podem minorar ou inverter a tendência acima expressa:
Fonte: Agroportal
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em conjunto com a Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgou um relatório intitulado Priorizando questões de segurança alimentar relacionadas à qualidade química da água em sistemas agroalimentares, destacando abordagens para identificar e priorizar riscos à segurança alimentar decorrentes de perigos químicos transmitidos pela água. O objetivo é apoiar as autoridades nacionais e regionais, juntamente com as partes interessadas nos setores da água e agroalimentar, na avaliação dos riscos químicos, bem como na caracterização e gestão dos riscos para a segurança alimentar no uso da água na produção agroalimentar.
«Com a água a desempenhar um papel fundamental no setor agroalimentar, avaliar os riscos químicos na água utilizada para a produção agroalimentar é essencial para garantir alimentos seguros.
«Realizar uma avaliação abrangente de uma vasta gama de produtos químicos na água para o sistema agroalimentar foi a primeira tentativa no mundo.
O relatório destaca que muitos contaminantes químicos nas fontes de água agroalimentares carecem de diretrizes de gestão de riscos à segurança alimentar, uma lacuna que requer atenção urgente. Desafios emergentes, como as alterações climáticas, os avanços na química, o uso de fontes alternativas de água, novos sistemas de produção de alimentos, misturas químicas, resistência antimicrobiana e tecnologias digitais em crescimento influenciam ainda mais o uso e a reciclagem da água, levantando preocupações adicionais sobre a segurança alimentar.
Para melhorar a compreensão dos riscos potenciais, o relatório apresenta um exercício de priorização em três etapas para identificar e avaliar qualitativamente os principais riscos químicos na água utilizada na produção agroalimentar: em primeiro lugar, compilar exemplos de riscos químicos relatados em fontes de água; em segundo lugar, avaliar qualitativamente a sua potencial absorção em diferentes sistemas de produção alimentar; e, em terceiro lugar, compilar as exposições relatadas a partir de fontes hídricas que entram na dieta.
A publicação também destaca que abordar os riscos de contaminantes químicos transmitidos pela água requer uma avaliação melhorada e padronizada da exposição alimentar, reconhecendo as interligações entre a escassez de água, a segurança alimentar, a saúde animal, vegetal, ambiental e humana. As medidas de gestão de risco devem seguir a abordagem One Health, garantindo a proteção da saúde humana e animal, bem como do ambiente.
A publicação está disponível para download no site da FAO e no site da OMS.
Fonte: FAO
O Governo criou um grupo de coordenação que tem que apresentar até 31 de março uma proposta de regulamentação e implementação do plano de ação para a gestão sustentável e valorização do setor vitivinícola do Douro.
O despacho que cria este grupo foi assinado pelo ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, foi publicado hoje, em Diário da República (DR), e tem efeitos a partir de sábado.
A criação do grupo de coordenação foi determinada pela resolução do conselho de ministros, de setembro, que aprovou o plano de ação para a gestão sustentável e valorização do setor vitivinícola da Região Demarcada do Douro (RDD).
Este grupo é responsável pelo desenvolvimento, monitorização e avaliação global da execução do plano governamental que quer ajudar o Douro.
O Governo explica, no despacho, que estabeleceu como “prioridade o compromisso com a sustentabilidade e valorização do setor vitivinícola da RDD, assegurando o equilíbrio entre oferta e procura, a estabilidade económica dos produtores e a preservação do património cultural e paisagístico, garantindo simultaneamente a competitividade e a modernização do setor”.
Neste sentido, disse que “é essencial implementar medidas que reduzam os excedentes acumulados e previnam desequilíbrios futuros, ajustando voluntariamente o potencial produtivo, promovam a reconversão de áreas vitícolas para usos alternativos compatíveis com a identidade paisagística da região, reforcem os mecanismos de rastreabilidade, legalidade e transparência no setor vitivinícola e valorizem os vinhos de denominação de origem protegida (DOP) Douro e Porto”.
Ao grupo de trabalho cabe regulamentar e implementar o plano de ação para o Douro, tendo como missão assegurar o desenvolvimento, monitorização e avaliação das medidas previstas, elaborar propostas alinhadas com as melhores práticas nacionais e europeias para garantir “um setor robusto, competitivo e preparado para enfrentar os desafios económicos e ambientais futuros”.
O grupo é coordenado pelo Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP) e inclui representantes do Instituto da Vinha e do Vinho (IVV), do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), do Gabinete de Planeamento e Políticas e Administração Geral (GPP), das comissões de coordenação e desenvolvimento regional do Norte e Centro e da Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte de Portugal (TPNP).
Estas entidades devem indicar ao IVDP os respetivos representantes no prazo de 10 dias após publicação do despacho.
O grupo terá, depois, de apresentar ao ministro da Agricultura e Mar uma proposta detalhada de regulamentação e implementação do plano, incluindo cronograma, indicadores e metas, até ao dia 31 de março.
O grupo de coordenação deve assegurar a implementação plena e gradual das medidas a partir de 2027.
A ele cabe propor a regulamentação de medidas estruturais de ajustamento do potencial produtivo, complementares e de acompanhamento, de proteção e transparência no setor e de promoção para a valorização da RDD.
Deve ainda assegurar a execução gradual e flexível das medidas e promover sessões de esclarecimento e recolha de contributos junto do setor até 30 de abril, envolvendo associações técnicas, cooperativas e entidades interprofissionais, e tem de garantir a articulação com os instrumentos de financiamento disponíveis, designadamente os programas comunitários, assegurando a mobilização dos recursos financeiros necessários.
Tem ainda a missão de preparar a implementação experimental de medidas prioritárias, tais como projetos-piloto, durante 2026, recolhendo dados para avaliação e ajustamento.
Os membros do grupo de coordenação não têm direito a qualquer remuneração ou abono adicional pelo desempenho das suas funções e a sua missão cessa a 31 de dezembro de 2030.
Fonte: Agroportal
A Comissão Europeia apresentou esta semana um conjunto de medidas destinadas a reforçar a competitividade, a sustentabilidade e a resiliência do setor agroalimentar da União Europeia, combinando a simplificação da legislação em matéria de segurança dos alimentos com um financiamento recorde para a promoção dos produtos agroalimentares da UE.
A Comissão propôs um pacote de medidas para racionalizar e simplificar a legislação europeia relativa à segurança dos alimentos e dos alimentos para animais que abrangem áreas como os produtos fitofarmacêuticos e biocidas, os alimentos para animais, os controlos oficiais, bem como a saúde e o bem-estar animal. O objetivo é tornar os procedimentos mais claros e eficientes, reduzindo encargos administrativos para empresas e administrações públicas, sem comprometer os elevados padrões europeus de proteção da saúde humana e animal.
Além disso, a Comissão adotou o programa de trabalho da política de promoção agroalimentar para 2026, que prevê um financiamento total de 205 milhões de euros, o montante mais elevado alguma vez atribuído a este instrumento. Este apoio destina-se a cofinanciar ações de promoção de produtos agroalimentares sustentáveis e de elevada qualidade, tanto no mercado interno da UE como em países terceiros, contribuindo para o aumento da notoriedade dos produtos europeus, o reforço da confiança dos consumidores e a diversificação dos mercados de exportação.
Um dos destaques do programa de 2026 é também o lançamento de uma nova campanha europeia de promoção dos alimentos da UE e do papel central dos agricultores na sociedade, a decorrer nos 27 Estados-Membros. A iniciativa visa reforçar o orgulho dos consumidores europeus na qualidade dos produtos agroalimentares da UE e aproximar produtores e consumidores.
Fonte: Comissão Europeia
A PetriTag é uma etiqueta inteligente patenteada, à base de papel, que funciona como um teste visual simples para detetar o crescimento bacteriano. Ao contrário das etiquetas tradicionais que apenas monitorizam o tempo ou a temperatura, a PetriTag deteta mudanças biológicas reais. Colocada dentro da embalagem, absorve o líquido libertado pelo produto. Se detetar níveis elevados de bactérias, a etiqueta muda de cor, fornecendo um aviso visual precoce até dois dias antes do produto estar visivelmente deteriorado e se tornar inseguro, apresenta a AlmaSience, laboratório de inovação colaborativa que cria parcerias com a indústria para comercializar tecnologias sustentáveis em fase inicial.
Concebida para uma adoção simples, a tecnologia adapta-se a vários pontos da cadeia de abastecimento. Quer seja aplicada diretamente dentro da embalagem de consumo para rastreamento ao nível da unidade, quer integrada em caixas de transporte a granel para monitorização da cadeia de logística. “Portugal é um mercado de lançamento estratégico, com um setor de produtos do mar avaliado em aproximadamente três mil milhões de euros e consumo per capita de pescado entre os mais elevados da Europa. A PetriTag contribui para a redução do desperdício, melhoria da segurança alimentar e garantia de padrões internacionais para as exportações, que atualmente atingem 1,25 mil milhões de euros”, destaca a AlmaScience num comunicado acerca do prémio.
“Provámos com sucesso a tecnologia em testes-piloto de pequena escala com diferentes parceiros no âmbito da Agenda Mobilizadora PRR Embalagem do Futuro. Agora, estamos focados na próxima fase: comercialização. Procuramos ativamente investidores e parceiros que sejam tão apaixonados quanto nós por criar uma cadeia de frio mais segura e reduzir o desperdício alimentar. Convidamo-los a juntar-se ao nosso programa-piloto e a adaptar a PetriTag às suas necessidades operacionais específicas”, avança Carlos Silva.
Fonte: Hipersuper
A União Europeia deu mais um passo no combate à poluição por microplásticos com a entrada em vigor, a 16 de dezembro, de nova legislação destinada a prevenir perdas de pellets de plástico ao longo de toda a cadeia de valor. As novas regras procuram reduzir emissões na origem, garantir concorrência leal no Mercado Único e incentivar a adoção de práticas mais limpas e inovadoras.
Os pellets de plástico - matéria-prima essencial para a maioria dos produtos plásticos - são identificados como uma das principais fontes de microplásticos. Uma vez libertados no ambiente, resistem à biodegradação e dispersam-se por solos, rios e oceanos, representando riscos significativos para os ecossistemas e potenciais impactos na saúde humana.
A regulamentação aplica-se a todos os operadores económicos na União Europeia que gerem instalações com manuseamento anual igual ou superior a cinco toneladas de pellets de plástico. Estão abrangidos fabricantes, recicladores, transformadores, armazenistas e outros operadores, bem como transportadores que movimentem pellets dentro da UE e intervenientes no transporte marítimo.
Entre as principais obrigações, os operadores passam a ter de prevenir, conter e proceder à limpeza de quaisquer derrames ou perdas, além de elaborar e implementar planos de gestão de riscos ajustados à natureza e dimensão das suas instalações. No caso dos transportadores, não é exigida a elaboração de planos de gestão de riscos, mas estes devem cumprir as restantes obrigações previstas no regulamento.
As empresas de grande e média dimensão que manuseiem mais de 1.500 toneladas de pellets por ano ficam obrigadas a obter um certificado de conformidade ou uma licença. Para pequenas empresas e microempresas, aplicam-se requisitos de cumprimento simplificados, numa lógica de proporcionalidade regulatória.
A Comissão Europeia anunciou ainda que, até 17 de dezembro de 2026, irá desenvolver materiais de sensibilização e formação para apoiar a aplicação do regulamento. Paralelamente, será solicitado às organizações europeias de normalização que preparem normas harmonizadas para a estimativa das quantidades de perdas de pellets.
Com este novo enquadramento legal, Bruxelas reforça a resposta europeia à poluição por microplásticos, apostando na prevenção, na responsabilização dos operadores e na harmonização de regras como pilares centrais da transição para uma economia mais sustentável.
Fonte: iAlimentar
Um novo estudo da Too Good To Go revela que, mesmo com a inflação e maior contenção nos gastos de Natal, 6 em cada 10 portugueses continuam a desperdiçar comida, mantendo-se o desperdício médio nos 10%.
Um ponto positivo: 37% dos portugueses afirma não desperdiçar qualquer alimento, um aumento significativo face a 2024, refletindo uma maior consciência e controlo na gestão alimentar.
Inflação não elimina desperdício
A subida generalizada dos preços está a moldar o comportamento de consumo dos portugueses neste Natal. 84% dos inquiridos afirma que irá reajustar os seus gastos, seja optando por produtos mais económicos, seja reduzindo as quantidades compradas. Mais de metade (58%) diz que dará prioridade a produtos com desconto e 26% planeia comprar menos alimentos, enquanto apenas 16% manterá os hábitos de compra habituais.
Mesmo com maior planeamento e preocupação com o orçamento, 5 em cada 10 admite que irá comprar mais comida do que o necessário. Este desfasamento entre intenção e comportamento ajuda a explicar porque é que os níveis de desperdício alimentar se mantêm alinhados com os valores observados em 2024.
Desperdício que pesa no bolso
Nesta quadra, os portugueses vão gastar, em média, 120€ em produtos alimentares típicos de Natal, um valor que se soma aos 265€ que já desembolsam mensalmente em supermercado. Este ano, o orçamento total de Natal deverá crescer cerca de 63€ face ao ano anterior, não por um aumento do poder de compra, mas devido à pressão da inflação e à manutenção das tradições festivas, num país que continua entre os que mais gastam em alimentação na União Europeia.
Mesmo tentando controlar as despesas no dia-a-dia, os hábitos mantêm-se: Tendo em conta que 10% dos alimentos do natal comprados para a quadra acabam por não ser consumidos, isto representa um desperdício médio de 12€ por pessoa apenas em produtos natalícios, sem contar o desperdício habitual ao longo do resto do ano.
Para Tiago Figueiredo, Country Director Interim da Too Good To Go Portugal: “Apesar da inflação, os portugueses continuam a preparar comida em excesso, mas a prática de reaproveitar sobras está cada vez mais consolidada. Pequenas mudanças, como planear as refeições e reutilizar excedentes, permitem reduzir desperdício, poupar no orçamento familiar e contribuir para um Natal mais sustentável”.
O que sobra na mesa de Natal mudou
O estudo revela também uma alteração clara no perfil dos alimentos desperdiçados. Em 2025, as sobras concentram-se sobretudo em alimentos base, frequentemente preparados em excesso, enquanto as sobremesas deixam de ser um problema relevante. O pão (27%) e os acompanhamentos como batatas, arroz e massa (24%) lideram o desperdício, seguidos de legumes cozidos (12%) e produtos lácteos (12%).
Ideias para reaproveitar o que sobra
O reaproveitamento de sobras é um poder secreto dos portugueses, com 96% a afirmar que já transformam o que sobra em novas refeições. Esta prática reduz o desperdício, poupa tempo em refeições futuras, prolonga os sabores de Natal e torna os pratos mais saudáveis, ao controlar ingredientes e quantidades.
Algumas formas simples de aproveitar as sobras incluem:
Fonte: Grande Consumo
Durante o mês de janeiro, decorre mais um período obrigatório de Declarações de Existências de Ovinos e Caprinos (DEOC), conforme Aviso da Direção Geral de Alimentação e Veterinária, publicado neste portal.
A declaração de existências de ovinos e caprinos poderá ser efetuada diretamente pelo produtor na Área Reservada do portal do IFAP, ou em qualquer departamento dos Serviços de Alimentação e Veterinária Regionais ou ainda nas entidades protocoladas com o IFAP, através da aplicação SNIRA/iDigital (Modelo 657/DGV).
Fonte: DGAV
O Governo apresentou na passada quarta-feira, 17 de dezembro, um programa de 30 milhões de euros que aposta no pastoreio como instrumento de prevenção de incêndios, com o objetivo de reduzir a suscetibilidade do território ao fogo e atrair mais pastores para o país.
O Programa de Apoio à Redução da Carga de Combustível Através do Pastoreio foi apresentado pelos ministros do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, e da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, que defenderam que as medidas previstas deverão atrair mais pessoas para a profissão de pastor e reforçar a presença de rebanhos em zonas particularmente críticas em termos de risco de incêndio.
Segundo o Executivo, o programa prevê apoios às áreas de baldio, no valor de 120 euros por hectare, bem como apoios diretos aos animais, através de um pagamento complementar anual de até 30 euros por ovelha ou cabra e até 150 euros por bovino, com o objetivo de alcançar até 135 mil hectares geridos.
O programa inclui ainda apoios ao investimento na instalação de novas pastagens e incentivos à entrada de novos produtores, através de um prémio de instalação de 30 mil euros, pago ao longo de cinco anos.
Os responsáveis lembraram também que 92% do território continental é ocupado por áreas agrícolas, florestais ou agroflorestais e que, nas últimas décadas, a superfície florestal aumentou significativamente. O abandono da gestão ativa do território contribuiu para a intensificação dos incêndios rurais, num contexto em que a superfície agrícola diminuiu 22,4% entre 1989 e 2023 e o efetivo pecuário recuou 43% no mesmo período.
Do montante global do programa, fixado em 30 milhões de euros por ano e concebido para um horizonte de cinco anos, cerca de metade destina-se ao apoio aos animais e ao reconhecimento dos serviços de ecossistema que prestam na redução da carga de combustível, explicou a ministra. O programa contempla ainda incentivos à entrada de novos pastores, com apoios que podem atingir 700 euros mensais durante três anos.
A ministra sublinhou ainda que o Ministério do Ambiente está empenhado no combate à desertificação, no apoio à floresta e na prevenção de incêndios, recordando que o Governo aumentou o financiamento para a conservação florestal de 44 milhões de euros em 2024 para 82 milhões de euros em 2025.
Para o financiamento das equipas de sapadores florestais, o Fundo Ambiental reservou 151 milhões de euros até 2029.
Já o ministro da Agricultura destacou a importância de iniciativas como a agora apresentada para a coesão territorial, a competitividade, a sustentabilidade ambiental e também para a segurança.
Recordando o abandono do meio rural, o ministro José Manuel Fernandes salientou que o número de pastores diminuiu cerca de 40% desde 2007 e que a redução dos efetivos pecuários se traduz num aumento da carga de combustível e, consequentemente, num maior risco de incêndios.
Além disso, o responsável político acrescentou ainda que os baldios são uma prioridade numa fase inicial do programa, mas sublinhou a importância de alargar a intervenção a outras áreas e de promover a renovação geracional na pastorícia.
Fonte: Vida Rural
Desde a proibição de aditivos alimentares e mudanças obrigatórias nas embalagens de alimentos até leis de direito do consumidor à informação e exigências de rotulagem, manter-se a par da enxurrada de atividades legislativas e políticas que impactam a indústria alimentícia pode parecer uma tarefa impossível. O que torna essas mudanças de paradigma ainda mais complexas, mas que não tem sido discutido, são as implicações subjacentes para a segurança alimentar associadas a muitos desses padrões em evolução. Em linhas gerais, este artigo discute o que você precisa saber sobre a tempestade que se aproxima na segurança alimentar e como se preparar da melhor forma.
Alguns exemplos dos esforços significativos que estão sendo feitos para alterar drasticamente a composição de nossos alimentos incluem a revogação da autorização do corante FD&C Red 3 pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA, a solicitação do Departamento de Saúde e Serviços Humanos para que a indústria elimine gradualmente os corantes sintéticos "à base de petróleo" e projetos de lei estaduais que visam a remoção de inúmeros aditivos alimentares, desde aspartame e glutamato monossódico (MSG) até dióxido de titânio e óleos vegetais. Considerando a natureza funcional dos aditivos que são centrais para muitas dessas políticas, os proprietários de marcas estarão atentos a substitutos que possam preencher as lacunas de funcionalidade criadas pela remoção desses ingredientes .
Outra possibilidade para a qual os proprietários de marcas devem estar preparados é a adulteração econômica de novos ingredientes cruciais. Como em qualquer setor, aqueles na indústria alimentícia buscam consistência em seus ingredientes. No entanto, ao combinar a demanda crescente com as potenciais variações sazonais de produtos com ingredientes de origem natural, por exemplo, pode ser tentador para fornecedores menos confiáveis fortificar ingredientes de origem natural com substâncias para mascarar variações entre lotes ou para estender o fornecimento.
Considerada individualmente, a substituição de um único ingrediente alimentar existente por uma nova alternativa pode ser relativamente rotineira. No entanto, a substituição de múltiplos ingredientes alimentares funcionais em proximidade pode ser exponencialmente mais complexa. As relações dinâmicas entre certos ingredientes alimentares exigem a análise dos produtos alimentares acabados para garantir que não haja interações imprevistas entre ingredientes que funcionam idealmente quando considerados individualmente, mas que talvez não em conjunto, e que as receitas sejam especificamente adaptadas para atender aos requisitos necessários. Não são apenas as alterações nos próprios aditivos alimentares que os fabricantes de alimentos precisam ter em mente ao qualificar novos materiais e atualizar os planos HARPC. As potenciais interações dos alimentos com os materiais de embalagem também ganharam destaque.
A crescente preocupação com a segurança alimentar é agravada pela dinâmica das exigências para embalagens de alimentos em nível estadual. O número de estados que buscam enfrentar o problema do lixo plástico de frente, por meio da substituição de plásticos tradicionais por alternativas compostáveis, da imposição de exigências mínimas de conteúdo reciclado para materiais de embalagem e da promoção de materiais de embalagem reutilizáveis, está aumentando vertiginosamente. No entanto, o desejo de mudar rapidamente o paradigma das embalagens deve ser moderado pela realidade de que as considerações regulatórias e de segurança alimentar para novos materiais de embalagem não são triviais.
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Em última análise, apesar dos apelos por ações urgentes para substituir certos ingredientes alimentares e componentes de embalagens, aqueles que atuam na cadeia de abastecimento alimentar devem ter paciência e lembrar que não há como burlar os procedimentos adequados de gestão de mudanças. Indivíduos qualificados devem realizar os procedimentos necessários de qualificação de ingredientes, exercer os níveis apropriados de diligência regulatória e conduzir as avaliações de perigo/risco exigidas por lei.
Leia o artigo completo aqui.
Fonte: Food Safety Magazine
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