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Portugal voltou ao radar europeu da segurança alimentar após a deteção de hidrocarbonetos de óleos minerais — MOSH (Mineral Oil Saturated Hydrocarbons) e MOAH (Mineral Oil Aromatic Hydrocarbons) — em azeite destinado ao mercado comunitário, originando uma notificação no sistema RASFF.

Embora a listagem pública atual não apresente ainda um caso específico de azeite português com MOSH/MOAH, o alerta enquadra‑se no tipo de notificações que o sistema publica regularmente sobre contaminantes em géneros alimentícios, incluindo hidrocarbonetos aromáticos em produtos vegetais, como demonstrado por notificações recentes de MOAH em passas .

A notificação, classificada como alerta, foi emitida após análises laboratoriais identificarem níveis acima dos valores de referência europeus, desencadeando ações imediatas de controlo pelas autoridades nacionais, nomeadamente a Direção‑Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), que atua como ponto de contacto do RASFF em Portugal .

O que são MOSH e MOAH — e porque preocupam

Os MOSH podem acumular‑se em tecidos humanos, enquanto os MOAH, sobretudo os compostos com três ou mais anéis aromáticos, estão associados a potencial genotóxico e carcinogénico. A sua presença no azeite é considerada um risco relevante, especialmente quando ultrapassa limites orientativos definidos por autoridades europeias e laboratórios de referência.

Como ocorre a contaminação

A investigação preliminar aponta para três vias prováveis:

  • Lubrificantes industriais usados em maquinaria agrícola ou equipamentos de extração;

  • Materiais de contacto inadequados durante o armazenamento ou transporte;

  • Contaminação ambiental em fases de colheita ou processamento.

A experiência do RASFF mostra que contaminações por hidrocarbonetos são recorrentes em produtos vegetais, como evidenciado por notificações recentes de MOAH em frutos secos e frutas desidratadas — um padrão que reforça a necessidade de vigilância reforçada também no setor oleícola.

Consequências imediatas

Após a notificação, as autoridades portuguesas ativaram o procedimento habitual descrito no sistema RASFF:

  • Rastreabilidade completa do lote contaminado;

  • Retirada do mercado, quando aplicável;

  • Inspeção dos operadores económicos envolvidos, conforme previsto nas Ordens de Operações emitidas pela ASAE e DGAV .

O objetivo é impedir que qualquer produto não conforme permaneça no circuito comercial.

Impacto para o setor e para o consumidor

O azeite é um dos produtos alimentares mais emblemáticos de Portugal. A presença de MOSH e MOAH — mesmo que acidental — ameaça a confiança dos consumidores e pressiona o setor a reforçar:

  • Boas práticas de fabrico;

  • Substituição de lubrificantes técnicos por versões food‑grade;

  • Controlo analítico sistemático antes da colocação no mercado.

O que esperar nos próximos meses

Com a crescente atenção europeia aos contaminantes químicos, e perante a tendência de notificações relacionadas com hidrocarbonetos aromáticos no RASFF, é provável que a Comissão Europeia avance para critérios mais restritivos e obrigações analíticas reforçadas para azeites e óleos vegetais.

Portugal, enquanto país produtor, terá papel central na adaptação a estas exigências.

Fonte: Qualfood

O acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul está em vigor provisoriamente há apenas 3 semanas e já apresenta os seus primeiros resultados concretos: a quota anual de importação com tarifa zero para o bloco sul-americano foi esgotada. As 6667 toneladas que a UE autorizou para 2026 foram atingidas em meados de Maio, o que significa que, pelo resto do ano, o arroz Mercosul entrará no mercado europeu com tarifas normais.

Foi a Subsecretária de Relações Exteriores do Uruguai quem confirmou a informação. Segundo fontes do setor, a vantagem competitiva do Uruguai decorre de ser o único parceiro do Mercosul que cumpre integralmente os requisitos sanitários da EU, o que lhe permitiu aproveitar a quota de forma preferencial desde o 1º dia em que entrou em vigor.

 O esgotamento da quota em apenas algumas semanas não representa uma ameaça imediata para os produtores de arroz europeus, mas indica a capacidade de exportação do bloco sul-americano em vista dos aumentos anuais planeados. O acordo estipula aumentos de 10 000 toneladas/ano até atingir 60 000 toneladas em 2031. Se a oferta de exportação do Mercosul absorver cada aumento com a mesma rapidez, o fluxo de arroz isento de tarifas para a Europa crescerá de forma constante nos próximos 5 anos.

Fonte: Agrodigital

Segundo a Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM), as doenças da tiroide podem afetar até um milhão de portugueses, mas cerca de 600 mil não estão diagnosticados, porque os sintomas são, muitas vezes, desvalorizados e confundidos com situações do dia a dia. Falamos de doenças como o hipotiroidismo e o hipertiroidismo, mas também de tiroidite de Hashimoto. “Há uma larga percentagem da população que tem tiroidite de Hashimoto, mas muitas delas nem sabem, porque esta doença não causa necessariamente sintomas e tem um grande espectro de manifestações clínicas”, explica Ana Wessling, médica endocrinologista.

“Ter uma tiroidite de Hashimoto, autoimune ou crónica, significa que o sistema imunitário produz anticorpos que causam uma inflamação da tiroide. Há pessoas que, apesar disso, continuam a ter um bom equilíbrio hormonal portanto, têm poucos sintomas. Outras têm esses anticorpos e a tiroide não consegue funcionar tão bem – têm défice hormonal –, pelo que têm muito mais sintomas”, descreve a médica.

Nestes casos, o selénio ajuda a diminuir os níveis dos tais anticorpos, os anti-TPO, e a inflamação da tiroide. No entanto, “ainda não se conseguiu encontrar nenhum efeito na melhoria hormonal. Para quem precisa de tomar medicação ou tem hipotiroidismo, o selénio melhora os anticorpos e o aspeto da tiroide, mas ainda não melhora muito bem a função. Não substitui o tratamento”, esclarece Ana Wessling, referindo que o mineral ajuda a atrasar a progressão da doença de Graves, por exemplo.

“Recentemente, foi feito um estudo em que se percebeu que as mulheres grávidas com tiroidite que tomam selénio no segundo e terceiro trimestres têm maior estabilidade imunológica, menor taxa de tiroidite pós-parto e menor agravamento da função tiroideia. Aqui parece ter um papel mais preventivo”, acrescenta.

A dose diária recomendada de selénio é 55 microgramas para adultos e adolescentes e entre 20 a 40 microgramas para crianças. O micronutriente está presente na natureza, no solo e nos alimentos, mas o seu teor é variável, já que depende dos níveis de selénio do solo onde o alimento foi cultivado. Atum em óleo, salmão, bacalhau, carne de porco ou vaca, ostras, assim como cereais, frutos secos oleaginosos e laticínios são fontes de selénio. “As castanhas do Brasil são um alimento muito rico – normalmente, duas a três castanhas contêm a quantidade recomendada”, menciona a endocrinologista.

Com base na sua experiência clínica, Ana Wessling diz que “há hoje em dia algum défice” na população, mas não vê “défices muito graves”, antes “níveis próximos do limite inferior de referência”. Ainda assim, reconhece, estes “podem não ser níveis ideais ou ótimos”. As razões, aponta a médica, podem ser “problemas de digestão ou absorção”, que alteram a capacidade de absorver selénio, e a pobreza do solo cultivado.

Tudo começa nos solos agrícolas

“Os solos da agricultura intensiva estão muito pobres e nem sempre se usam adubos com selénio. Acabamos por ter trigo e cereais a crescer em campos com pouco selénio e, algumas vezes, esses cereais servem de alimento para os animais, podendo resultar num défice na cadeia alimentar”, explica.

Este foi, aliás, o tema de estudo da tese de doutoramento, publicada em 2014, de Catarina Galinha, agora médica interna de Radiologia. “O objetivo do estudo [“Selenium Supplementation of Cereal Crops – Different Approaches to Enhancing Selenium Levels in Wheat Cultivars”] foi perceber como podíamos melhorar a ingestão de selénio de uma forma mais natural, sem ser através de suplementação. Como sabemos, os portugueses gostam de pão, por isso, a ideia era entender se era possível aumentarmos o teor de selénio na farinha de trigo”, explica Catarina Galinha.

“Fomos a várias regiões do país, a Trás-os-Montes, Beira e Alentejo, onde apanhámos espigas de trigo e solo. Verificámos que os solos portugueses são pobres em selénio e, consequentemente, o trigo também. De acordo com algumas referências bibliográficas já um bocadinho antigas – na altura era o que estava disponível – para se considerar que um solo fosse adequado para fazer crescer plantas com um teor normal de selénio, esse solo teria de ter 600 ppb (partes por bilião), ou microgramas, de selénio. Na altura, o solo menos pobre que analisámos tinha 200”, conta a especialista.

Contudo, nem sempre o solo que tem o valor mais alto de selénio é aquele que produz o melhor trigo, porque as características de cada solo, tal como o seu tipo ou nível de pH, influenciam a forma como o mineral se encontra na terra. “O estudo confirmou que o trigo capta melhor o selénio na forma de selenato do que de selenito, por exemplo. Não interessa só o teor de selénio no solo, interessa a forma biodisponível do selénio”, afirma Catarina Galinha, assegurando que as conclusões do estudo foram positivas e que a suplementação do solo com selénio levou a um aumento no teor de selénio presente no trigo já em farinha.

Em 1984, para resolver o mesmo problema, o governo da Finlândia aprovou uma lei que impôs o enriquecimento obrigatório de todos os fertilizantes com selénio de forma a garantir uma ingestão adequada do mineral pela população. Em Portugal não existe nenhuma medida nacional neste sentido, sendo que há quem recorra à suplementação.

“Por um lado, o selénio é um componente essencial de enzimas que interferem na estabilização das hormonas da tiroide e, por outro, atua como antioxidante”, ilustra Ana Wessling, notando que “há pessoas que se sentem melhor quando tomam selénio, mesmo que os níveis não estejam muito graves”. Mas a médica defende que, em casos de suplementação, é sempre importante “não dar em excesso” ou “coisas que não são necessárias”.

Fonte: Expresso

 

Investigadores do VIB-VUB Center for Structural Biology, centro de investigação ligado ao VIB e à Vrije Universiteit Brussel, em Bruxelas, identificaram um mecanismo até agora desconhecido que ajuda a aumentar a eficácia de um biopesticida biológico amplamente utilizado no controlo de pragas.

O estudo, publicado na Nature Communications, descreve a forma como a bactéria Bacillus thuringiensis produz fibras proteicas que formam uma rede molecular capaz de manter juntos esporos infeciosos e toxinas.

Bacillus thuringiensis é uma bactéria usada no controlo de pragas agrícolas por atuar em larvas de insetos. O processo ocorre em duas fases: primeiro, a bactéria liberta toxinas que danificam o sistema digestivo do inseto; depois, os esporos entram, germinam e multiplicam-se no interior do organismo.

Quando a fonte de alimento se esgota, a bactéria produz novos esporos e toxinas, que são libertados no ambiente e ficam disponíveis para infetar outro inseto. Segundo a informação divulgada, por atuar apenas sobre determinados insetos, a bactéria é considerada segura para humanos, outros animais e insetos benéficos, como as abelhas.

Uma das questões em aberto para os investigadores era perceber como os esporos e os cristais de toxina permaneciam juntos no ambiente durante tempo suficiente para infetar insetos de forma eficaz. A equipa do VIB-VUB Center for Structural Biology identificou a resposta numa rede fibrosa até agora desconhecida, designada “sporesilk”.

Com recurso a técnicas avançadas de imagiologia, os investigadores observaram que os esporos da bactéria e os cristais de toxina estão inseridos numa malha densa de fibras proteicas com oito nanómetros de largura. Estas fibras apresentam uma estrutura organizada em dupla hélice e estão quimicamente interligadas, formando um material estável.

De acordo com o estudo, as fibras auto-organizam-se e mantêm-se intactas em condições extremas, incluindo calor, seca, químicos agressivos e tensão mecânica. “Este é um dos materiais proteicos mais robustos que vimos na natureza”, afirma Han Remaut, autor sénior do estudo.

A função desta rede passa por manter juntos os elementos necessários à infeção. “A sporesilk atua como uma rede molecular que agrupa os esporos e os cristais de toxina em ‘unidades de infeção’ compactas”, refere Mike Sleutel, do VIB-VUB, enfatizando que, “assim, quando as larvas de insetos ingerem a bactéria, recebem ao mesmo tempo os esporos infeciosos e a carga tóxica”.

Quando os investigadores removeram o gene responsável pela produção destas fibras, os agrupamentos desagregaram-se. Como resultado, a bactéria tornou-se menos eficaz na eliminação de larvas de insetos, tendo sido observada uma mortalidade mais tardia em modelos experimentais.

Pelo contrário, a adição das fibras, por engenharia genética ou através da mistura com fibras purificadas, permitiu restaurar o agrupamento entre esporos e toxinas e aumentar a eficiência na eliminação dos insetos.

“Isto poderá oferecer uma forma prática de desenvolver biopesticidas mais potentes e fiáveis, mantendo os padrões regulatórios e de segurança ambiental”, afirma Remaut.

O estudo aponta ainda para possíveis aplicações noutros domínios. Pela sua durabilidade e capacidade de auto-organização, estas fibras proteicas poderão servir de base ao desenvolvimento de novos biomateriais para biotecnologia e engenharia.

Segundo os investigadores, compreender e utilizar mecanismos naturais como este poderá contribuir para soluções agrícolas mais sustentáveis e para reduzir a dependência de pesticidas químicos.

Fonte: Agroportal

As exportações portuguesas de frutos secos atingiram um novo máximo e ultrapassaram os 156 milhões de euros, o que representa um crescimento de 20% face aos 130 milhões faturados no exterior durante o ano anterior, de acordo com os números avançados ao ECO pela Portugal Nuts.

Mais de 90 produtores de amêndoa e noz reúnem-se esta terça-feira em Évora, no V Congresso Portugal Nuts, para debater os desafios do setor, numa altura em que os frutos secos representam 6% do total das exportações dos produtos vegetais nacionais.

Em quantidade, as exportações passaram de 37,25 mil toneladas em 2024 para 41,80 mil toneladas em 2025, um crescimento de mais de 12% (+4,55 mil toneladas).

A amêndoa mantém-se como o fruto seco mais exportado, representando cerca de 75% do total das exportações do setor em 2025, ao atingir 115,45 milhões de euros, um crescimento face aos 110 milhões registados no ano anterior. A exportação de amêndoas sem casca ultrapassou, também pela primeira vez, a de amêndoas com casca, passando a representar 65% do valor exportado e refletindo uma maior valorização do produto no mercado internacional. Espanha é o principal comprador.

Portugal é o segundo maior produtor europeu de amêndoa e o quinto a nível mundial. O presidente da Portugal Nuts, Tiago Costa, está convencido que Portugal poderá ser, já este ano, o quarto maior produtor mundial de amêndoa, atrás dos EUA, Espanha e Austrália.

Produção mundial em queda pode beneficiar produtores portugueses

Tiago Costa estima ainda que a produção mundial de amêndoa esteja em quebra. Como exemplo, refere que a Austrália, segundo maior produtor mundial, teve “um ano agrícola mau” e deverá registar produções muito baixas. Também os Estados Unidos enfrentam problemas climáticos, nomeadamente falta de água, que deverão afetar a campanha.

“Se isto se confirmar, e face às estimativas que estão a ser avançadas, podemos estar perante uma quebra da produção mundial, o que poderá permitir alguma recuperação dos preços, que têm estado muito deprimidos nos últimos anos”, diz.

Segundo Tiago Costa, o miolo de amêndoa está atualmente a ser pago entre 5 e 5,5 euros por quilo, acima dos 3 a 3,5 euros registados nos últimos dois anos.

A produção de miolo de amêndoa em Portugal pode, pelo menos, triplicar nos próximos cinco anos, quando as atuais plantações atingirem o seu potencial máximo.

Para este ano, Tiago Costa antecipa “alguma melhoria na produtividade”, justificando que “este ano foi favorável do ponto de vista atmosférico”.

or outro lado, as exportações de nozes atingiram 3,3 milhões de euros em 2025, o que corresponde a um aumento homólogo de 50% em valor, tendo Itália como principal comprador. Portugal é o quinto maior produtor europeu de nozes e o 15.º a nível mundial.

O líder da Portugal Nuts recorda ainda que a maior unidade de processamento de nozes da Europa está localizada em Portugal, mais concretamente no sul do distrito de Évora.

O presidente da associação sublinha que “o mercado europeu é o maior importador mundial de frutos secos” e que a principal origem das importações continua a ser os Estados Unidos.

“A produção europeia tem de competir com estas realidades e procura afirmar-se num contexto de grande competitividade em termos de preços, com mercados muito poderosos em capacidade de produção”, afirma Tiago Costa, destacando que “a produção europeia procura diferenciar-se pelo modo de produção, pela rastreabilidade e pela qualidade. São estes os fatores que nos permitem diferenciar a nossa oferta”.

O presidente da associação que representa o setor aponta ainda como principais entraves ao cluster o aumento dos custos de produção, impulsionado pela subida do salário mínimo nacional, pela inflação e pelo aumento do preço dos combustíveis.

Tiago Costa refere ainda que a guerra no Médio Oriente agravou não só os custos dos combustíveis, mas também dos fertilizantes, muitos dos quais produzidos na região do Estreito de Ormuz, cujos preços subiram, em alguns casos, entre 30% e 40%.

“Os custos de produção estão bastante pressionados e, ao mesmo tempo, os preços bastante voláteis, porque quando há problemas económicos há, evidentemente, redução do consumo e pressão sobre os preços”, afirma.

Ainda assim, o presidente da Portugal Nuts acredita que a instabilidade no Médio Oriente poderá representar uma oportunidade de curto prazo para os produtores europeus de frutos secos.

Fonte: Eco

Um estudo da Escola de Psicologia da Universidade de Nottingham conclui que muitos consumidores continuam a avaliar de forma incorreta o impacto ambiental dos alimentos que consomem. A investigação aponta para a necessidade de rótulos ambientais simples, capazes de apoiar escolhas alimentares mais informadas.

Publicado no Journal of Cleaner Production, o estudo analisou a forma como as pessoas percecionam o impacto ambiental de diferentes produtos de supermercado. A investigação envolveu 168 participantes no Reino Unido, convidados a classificar uma ampla variedade de produtos em categorias de impacto ambiental definidas pelos investigadores. Os resultados revelam conceções erradas consistentes sobre quais os alimentos mais ou menos prejudiciais para o ambiente.

Origem animal e processamento pesam na perceção

Segundo o estudo, os consumidores tendem a basear a sua avaliação sobretudo em dois fatores: a origem animal ou vegetal do alimento e o grau de processamento.

De forma geral, os participantes assumiram que carne, lacticínios e alimentos altamente processados apresentam maior impacto ambiental. No entanto, a investigação conclui que estas perceções nem sempre correspondem à evidência científica.

Entre os exemplos identificados, muitos participantes sobrestimaram o impacto ambiental dos alimentos processados e subestimaram o de produtos associados a elevado consumo de água, como os frutos secos.

Carne de bovino surpreende consumidores

Os investigadores verificaram também surpresa entre os participantes quanto à diferença entre o impacto ambiental da carne de bovino e o de outras carnes, como a de frango.

Para medir o impacto ambiental dos alimentos, os cientistas recorrem à avaliação do ciclo de vida, uma metodologia que acompanha todo o processo, desde a produção até ao descarte. Esta abordagem considera fatores como fertilizantes, água, energia, emissões, resíduos, uso do solo e consumo de água.

De acordo com os autores, este será o primeiro estudo a explorar a forma como as pessoas percecionam o impacto ambiental de uma gama alargada de produtos comuns num supermercado típico.

Rotulagem ambiental pode facilitar escolhas

Os participantes tiveram ainda acesso a estimativas científicas sobre o impacto ambiental de cada produto e foram questionados sobre se esses resultados eram superiores ou inferiores ao que esperavam.

Segundo Daniel Fletcher, investigador e autor principal do estudo, “descobrimos que os participantes estariam dispostos a mudar o seu comportamento de compra com base nesta tarefa, relatando intenções de diminuir (ou aumentar) o seu consumo futuro de produtos cujo impacto ambiental estimado cientificamente os surpreendeu, sendo alto (ou baixo)”.

O investigador acrescenta que os resultados sugerem que os consumidores podem ter dificuldade em comparar o impacto ambiental de produtos de origem animal e de alimentos altamente processados, por verem esses efeitos como demasiado diferentes para serem comparados diretamente.

Nesse contexto, defende que “rótulos de impacto ambiental que atribuem aos alimentos uma classificação geral única (como A-E) poderiam facilitar essas comparações para os consumidores”.

Mais informação para escolhas sustentáveis

Alexa Spence, professora e coautora do estudo, sustenta que os dados sobre o impacto ambiental dos produtos alimentares estão a abrir novas perspetivas de investigação nesta área. “O estudo deixou claro que existem muitos equívocos a respeito disso, o que reforça a necessidade da rotulagem de impacto ambiental, que ajudaria as pessoas a estarem mais bem informadas para fazer escolhas alimentares sustentáveis”, afirma.

A investigação reforça, assim, a importância de mecanismos simples de comunicação ao consumidor, num contexto em que a sustentabilidade alimentar depende não apenas da disponibilidade de dados científicos, mas também da capacidade de os tornar compreensíveis no momento da compra.

Fonte: Grande Consumo

O crescimento acelerado da aquacultura tem sido essencial para responder ao aumento da procura global por pescado, mas coloca desafios ambientais relevantes. Os impactes associados à produção de aquacultura variam amplamente em função da espécie produzida, do tipo de sistema produtivo e da intensidade da produção. Estudos de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) mostram que a ração e a energia são, na maioria dos casos, os principais contributos para a pegada ambiental destes sistemas.

A melhoria do desempenho ambiental da aquacultura passa por uma abordagem integrada, com especial enfoque na alimentação dos peixes. A origem e o perfil dos ingredientes das rações, a eficiência na utilização dos nutrientes, as práticas de alimentação durante a produção e o papel da inovação tecnológica, incluindo a nutrição de precisão, assumem aqui um papel central. A certificação ambiental surge também como um instrumento de apoio à transparência e confiança dos consumidores, enquadrando uma reflexão sobre como produzir pescado de forma mais eficiente, responsável e ambientalmente sustentável.

Impactes ambientais da produção de pescado em aquacultura 

O consumo per capita de pescado mais do que duplicou desde 1960 e a aquacultura foi a principal fonte para satisfazer esta procura. Em 2022, a produção global de pescado atingiu 185,4 milhões de toneladas, sendo 51 % proveniente de aquacultura e ultrapassando a pesca pela primeira vez. A China é o país com a maior produção e em conjunto com a Indonésia, Índia, Vietname, Bangladesh, Filipinas, Coreia do Sul, Noruega, Egito e Chile, contribuem com mais de 90 % da produção global de aquacultura. Apesar dos ambientes costeiros e marinhos serem zonas privilegiadas para desenvolver a aquacultura, a nível global, a maior parte da produção ocorre em ambientes terrestres. Um fator importante é que o que se considera pescado de aquacultura engloba uma elevada diversidade, incluindo mais de 730 espécies produzidas comercialmente, entre peixes, moluscos, crustáceos; e vários tipos de sistemas de produção em relação à sua intensidade (i.e., extensivo, semi-intensivo e intensivo). 

O rápido crescimento da aquacultura trouxe desafios ambientais significativos, incluindo a depleção de recursos, poluição marinha e emissões de gases com efeito de estufa (GEE) que contribuem para as alterações climáticas. As águas residuais das explorações de aquacultura podem conter grandes quantidades de nutrientes e sólidos em suspensão, ou estar contaminadas com produtos químicos ou resíduos farmacêuticos. Para além disso, a aquacultura é dependente dos combustíveis fósseis para satisfazer as suas necessidades energéticas das operações, como o bombeamento ou aerificação de água, e a produção de rações, contribuindo com cerca de 0,5 % das emissões globais antropogénicas de GEE. 

A metodologia amplamente utilizada para avaliar o desempenho ambiental é a Avaliação do Ciclo de Vida (ACV). Esta metodologia quantifica os impactes ambientais de um produto ao longo de seu ciclo de vida, abrangendo todas as etapas, desde a extração de recursos para a produção de ração até ao processamento, embalagem, distribuição, utilização e fim-de-vida. Os estudos de ACV sobre sistemas de produção em aquacultura têm mostrado que a ração e a energia são os fatores que mais contribuem para os impactes ambientais e estes impactes dependem diretamente da espécie e da intensidade de produção. 

A produção da ração é o fator chave para as alterações climáticas, acidificação, e no uso de energia. A influência da espécie produzida e a sua taxa de conversão alimentar é particularmente determinante para o desempenho ambiental dos sistemas, já que as necessidades nutricionais das espécies variam amplamente, podendo ser herbívoras ou quase exclusivamente carnívoras. Em particular, o cultivo de espécies marinhas extrativas (sem a necessidade de serem alimentadas com ração) e de baixo nível trófico, como bivalves, constitui a alternativa com menores impactes ambientais (i. e., menores emissões de GEE e menor uso de terra e água por unidade de produção).

Espécies como o salmão ou o robalo requerem frequentemente uma ração mais rica em proteínas, que pode incluir farinha e óleo de peixe, soja e outros ingredientes agrícolas. Estes ingredientes geram impactes ambientais a montante, especialmente se provenientes de cultivos relacionadas com a desflorestação ou capturas da pesca de peixe selvagem para a farinha e óleo de peixe. Outras fontes de stress ambiental podem advir da utilização de substâncias tóxicas (por ex., tintas anti-incrustantes), perturbação do fundo marinho devido à acumulação de matéria orgânica, poluição genética devido à fuga de indivíduos que depois se cruzam com indivíduos das populações selvagens, libertação de parasitas ou propagação de doenças. Por outro lado, a poluição de plástico devido, por exemplo, à perda de boias, revestimentos ou redes, é cada vez mais considerada apesar de ser ainda difícil de quantificar este tipo de impactes nos ecossistemas marinhos. 

No entanto, a abrangência dos estudos de ACV é ainda limitada. Existem numerosos estudos de ACV sobre salmão do Atlântico, que constitui um tipo de produção relativamente homogéneo e intensivo, enquanto que espécies omnívoras como peixes de água doce (especialmente carpas), que representam a maior parte da produção de aquacultura mundial, estão pouco representadas. E embora a aquacultura proveniente da Ásia represente mais do 90 % da produção global e o pescado seja uma importante fonte de proteína para a segurança alimentar desses países, os sistemas de aquacultura da Ásia estão sub-representados nos estudos de ACV.

Fonte: TecnoAlimentar

Um coletivo de produtores do Douro, lançou um novo vinho,  que recupera uma casta histórica e rara da região

O Vinhas do Palácio Alvarelhão 2023 é um vinho raro e de produção muito limitada de apenas 1188 garrafas, que recupera uma das castas autóctones mais antigas do Douro, regularmente referida nos romances de Miguel Torga.

Proveniente de uma vinha plantada em 1920 em solos xistosos, o vinho presta homenagem ao Alvarelhão, uma casta autóctone já praticamente inexistente na região, de maturação longa e particularmente difícil de cultivar.

“Recuperar castas históricas como o Alvarelhão é também preservar a memória, identidade e autenticidade do Douro. Este vinho nasce de uma visão de longo prazo, onde inovação e património coexistem e se traduzem na valorização da extraordinária riqueza do Douro - património mundial da UNESCO – e uma das regiões clássicas do mundo do vinho”, afirma Filipe Caetano, Administrador-executivo, citado em comunicado.

Segundo o responsável pela viticultura e enologia, “este é um vinho muito aromático e elegante, com taninos suaves e de grande finesse, indicando potencial de envelhecimento”.

Vinificado integralmente em inox, o vinho apresenta aromas de cereja fresca, amora silvestre e ligeira romã.

Recomenda-se ser servido ligeiramente fresco, e harmoniza particularmente bem com pratos delicados, como carpaccio de vitela, robalo grelhado, tártaro de vitela ou saladas frescas. É também apto para veganos e vegetarianos.

Fonte: TecnoAlimentar

Entre 14 e 16 de maio de 2027, o Douro será anfitrião das Sessões de Vinhos Tintos e Brancos e de Vinhos Doces e Fortificados do Concours Mondial de Bruxelles (CMB), reunindo especialistas, provadores, produtores, compradores, escanções e jornalistas de todo o mundo. O anúncio foi feito pelo CMB em parceria com a Comunidade Intermunicipal do Douro (CIM Douro).

Para o CEO do Concours Mondial de Bruxelles, Quentin Havaux, a escolha é um regresso à Europa e a um dos terroirs mais emblemáticos do mundo. “Depois de termos dado destaque às vinhas emergentes do ‘planeta’ vinho, regressamos à Europa, para um dos terroirs históricos e mais emblemáticos do mundo, o berço do ilustre Vinho do Porto“, afirmou. 

Uma região com séculos de história vitivinícola

O Douro é amplamente reconhecido como a mais antiga região vinícola demarcada e regulamentada do mundo. Em 1756, a Coroa Portuguesa estabeleceu regras, limites e mecanismos de controlo para proteger a autenticidade e a qualidade dos vinhos durienses, muito antes de o conceito de denominação de origem se generalizar no universo do vinho. O Alto Douro Vinhateiro, classificado como Património Mundial da UNESCO desde 2001, estende-se por cerca de 250 mil hectares, dos quais mais de 43 mil são de vinha plantada.

A região divide-se em três sub-regiões – Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior – e acolhe mais de 116 castas autorizadas. Entre as tintas mais emblemáticas destacam-se Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Sousão e Tinta Barroca. Nas brancas, assumem relevo Rabigato, Malvasia Fina, Moscatel Galego Branco e Viosinho. O Vinho do Porto, impulsionado pelo comércio britânico a partir do século XVIII, é hoje uma das primeiras grandes marcas internacionais associadas a um território específico. 

Oportunidade estratégica de projeção internacional

Para a CIM Douro, receber o evento vai além de uma distinção honorífica. “Esta escolha distingue não apenas a excelência dos vinhos do Douro, mas também a história, a autenticidade e a capacidade de acolhimento de uma região única, onde a vinha, a paisagem e a identidade caminham lado a lado há séculos“, declarou João Gonçalves, presidente da Comunidade Intermunicipal do Douro.

O responsável acrescentou que o objetivo passa por mostrar ao mundo um Douro contemporâneo: “Queremos que quem venha ao Douro descubra muito mais do que uma região vinícola: descubra um território vivo, acolhedor, inovador e preparado para construir futuro“. A organização prevê que o evento atraia decisores, compradores, jornalistas e líderes de opinião de todo o mundo, com impacto direto na valorização dos vinhos, do turismo e da economia regional.

Criado em 1994, o Concours Mondial de Bruxelles avalia anualmente mais de 15.000 vinhos provenientes de todo o mundo, através de provas cegas conduzidas por um painel independente de especialistas internacionais. A CIM Douro, a maior do país, agrupa 19 municípios dos distritos de Bragança, Vila Real, Guarda e Viseu, numa área de 4.032 km2 e cerca de 180 mil habitantes.

Fonte: Grande Consumo

A indústria do vinho está a esgotar o recurso sem o qual nenhum vinho existe. Um relatório global lançado pela Fundação Porto Protocol propõe uma mudança de paradigma urgente.

A vinha sempre viveu à beira do impossível. Cresce em solos pobres, em encostas íngremes, sob calores que serrariam qualquer outra cultura. É essa adversidade que lhe dá carácter. Mas o que durante séculos foi uma tensão produtiva tornou-se, nas últimas décadas, uma ameaça real: a água, essa presença silenciosa que sustenta cada cacho, está a escassear de formas que a viticultura nunca antes enfrentou com esta velocidade nem com esta consistência.

Em maio de 2026, a Fundação Porto Protocol lançou Saving Every Drop in Wine: Global Insights and Solutions from the Porto Protocol Community, um relatório com mais de 200 páginas que representa, até hoje, o levantamento mais abrangente sobre gestão da água na indústria do vinho. 

Da autoria de Jihanny Brecci, o documento reúne contributos de alguns dos mais respeitados especialistas internacionais em viticultura e climatologia – entre eles Cornelis van Leeuwen, da Universidade de Bordéus, Hervé Quénol, Linda Johnson-Bell, Lucrezia Lamastra, Mimi Casteel e Nicolas Quillé MW – e cruza investigação científica com estudos de caso práticos provenientes de produtores de cinco continentes. O resultado é um diagnóstico sobre o que está realmente em jogo, e uma proposta de como repensar, estruturalmente, a relação do setor com a água.

O que os números dizem

A agricultura é responsável por cerca de 70% do consumo global de água doce. A viticultura, dentro desse universo, ocupa uma posição particularmente vulnerável: depende de um equilíbrio climático fino, de sazonalidades previsíveis e de solos com capacidade de reter humidade suficiente para atravessar os meses mais quentes. Portugal, tal como Espanha, enfrentou nas últimas colheitas os dois extremos – secas severas seguidas de chuvas recorde, criando condições de crescimento imprevisíveis. A Espanha viveu em 2025 o terceiro ano consecutivo de seca, com eventos climáticos extremos que resultaram na segunda menor colheita dos últimos 30 anos.

Os dados não deixam margem para conforto. Investigação publicada em revistas científicas de referência aponta que, se o aquecimento global ultrapassar os 2°C acima da média pré-industrial, cerca de 29% das regiões vinícolas atuais poderão registar condições climáticas demasiado extremas para produzir uvas. Um adicional de 41% poderá também tornar-se inadequado para a viticultura caso os produtores não consigam adaptar os seus métodos. As zonas costeiras e de planície da Grécia, Itália, sul da Califórnia e Espanha estão entre as mais expostas. E a emergência de novas regiões vitivinícolas em latitudes mais elevadas – Inglaterra, Escandinávia, partes do Canadá – não compensa, em volume nem em identidade, o que se arrisca a perder no Mediterrâneo.

No Douro, essa realidade é sentida já na conta da adega. A seca severa de 2022 causou perdas de 20% das colheitas na Região Demarcada do Douro, obrigando produtores a rever práticas que consideravam consolidadas. Estudos sobre os efeitos das alterações climáticas na viticultura portuguesa sugerem um declínio nas áreas adequadas ao cultivo da vinha de cerca de 20% a 80% até 2041-2070, dependendo do cenário climático e da disponibilidade de água para rega – o que coloca uma pressão adicional sobre um dos recursos que também escasseia. O paradoxo é cruel: mais calor exige mais água; mas o calor está também a secar as fontes de onde essa água deveria vir.

Uma nova linguagem para a água

A proposta central do relatório Saving Every Drop in Wine não é técnica – ou não apenas. É, antes de tudo, conceptual. Durante demasiado tempo, a água foi tratada pela indústria como um input de produção: algo a gerir, a reduzir, a otimizar. O relatório desafia esse enquadramento, argumentando que essa abordagem é, ela própria, parte do problema. A água não é um recurso isolado. Faz parte de sistemas naturais complexos – ciclos de solo, coberturas vegetais, ecossistemas de bacia hidrográfica – que, quando degradados, deixam de funcionar como reguladores do ciclo hídrico. Uma vinha que esgota o seu solo e elimina a vegetação de suporte está, literalmente, a destruir a sua própria capacidade de reter água.

A viticultura regenerativa surge, neste contexto, como uma das abordagens mais promissoras: ao restaurar a saúde do solo, melhora a capacidade de retenção de humidade e reduz a necessidade de irrigação artificial. Tecnologias de viticultura inteligente, que utilizam sensores e sistemas de monitorização para controlar o uso da água e a saúde da vinha em tempo real, surgem como complemento indispensável, permitindo intervir com precisão em vez de irrigar por precaução ou por rotina.

O relatório, construído a partir do conhecimento coletivo da comunidade Porto Protocol, recusa a ideia de uma solução única. As realidades vitivinícolas são demasiado diversas – do Douro xistoso ao Alentejo argiloso, das encostas da Borgonha aos vales da Napa Valley – para admitir respostas universais. O que propõe é, antes, um princípio comum de orientação: trabalhar com os sistemas naturais, regenerando e fortalecendo os ecossistemas dos quais a produção depende, em vez de os forçar a compensar défices que foram criados pelas próprias práticas agrícolas.

Porto Protocol: a rede que veio do Douro

A origem do Porto Protocol é, por si só, reveladora do que está em causa. A iniciativa foi fundada por Adrian Bridge, CEO da Taylor’s Port, em 2018, com base na convicção de que os efeitos das alterações climáticas podem ser atenuados se todos desempenharem o seu papel. O primeiro evento de lançamento teve Barack Obama como orador principal; o segundo, em março de 2019, contou com Al Gore. Não se tratou de um exercício de relações públicas. O Porto Protocol reúne hoje 500 adegas em 20 países, representando 75.000 hectares de vinhas e 1,2 mil milhões de litros de vinho produzido anualmente.

O que une esta comunidade é uma ideia simples, enunciada por Adrian Bridge com a clareza de quem gere uma empresa com mais de três séculos de história: “Podemos competir em marcas. Não devemos competir em clima.” A lógica é impecável. A água, o solo e o ar são bens comuns. Melhorá-los – ou destruí-los – tem consequências que não ficam dentro das fronteiras de uma quinta nem de uma denominação de origem.

O relatório Saving Every Drop in Wine insere-se numa estratégia mais ampla da Fundação Porto Protocol, que já lançou documentos sobre embalagem e sustentabilidade do packaging, e que agora coloca a água no centro da sua agenda de investigação. O lançamento está a ser acompanhado por uma série de workshops dedicados à gestão hídrica e à adaptação climática no setor vitivinícola, abertos a produtores, técnicos e investigadores em todo o mundo.

A autora do relatório, Jihanny Brecci, definiu-o como “um documento vivo, construído a partir da inteligência coletiva da comunidade Porto Protocol”. A expressão não é retórica. Um documento vivo, por definição, não fica fechado numa gaveta depois do lançamento. Serve para orientar decisões, para alimentar debates, para mudar práticas no terreno. Esse é o teste real de qualquer relatório sobre sustentabilidade: não o reconhecimento que recebe, mas as escolhas que inspira.

O vinho é uma das mais antigas expressões culturais da humanidade. A sua relação com a água – com a chuva que cai no momento certo, com o lençol freático que alimenta as raízes em agosto, com o rio que tempera o microclima da encosta – é tão antiga quanto a própria vinha. O que mudou não é essa dependência. O que mudou é que essa água já não pode ser tratada como garantida. E reconhecer isso, com a seriedade que o momento exige, pode ser a diferença entre uma indústria que sobrevive às próximas décadas e uma que produz, cada vez mais, vinhos de despedida.

Consulte aqui o relatório.

Fonte: sapo.pt