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As alterações na dieta e o envelhecimento populacional podem explicar o aumento das infeções causadas por esta bactéria e reportadas pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças

Todos os anos, milhares de pessoas na Europa adoecem após ingerir alimentos contaminados, como os ovos, carne e produtos prontos a comer entre as fontes mais frequentes de infeção. E isto acontece mesmo com elevados standards de segurança alimentar.

A tendência crescente de infeções pode refletir alterações nos padrões de consumo, como a maior preponderância de alimentos prontos a comer, manuseamento inapropriado e práticas de armazenamento. Ainda assim, no que se refere aos alimentos prontos a consumir, o nível de contaminação permanece muito baixo em todas as categorias: a proporção de amostras a exceder os limites de segurança para a Listeria monocytogenes varia entre 0 e 3 % em todos os produtos analisados, com as salsichas fermentadas a revelarem-se o produto mais frequentemente contaminado.

O ECDC apela, por isso, à proteção de grupos vulneráveis como pessoas mais velhas, grávidas, ou pessoas imunocomprometidas, através de vigilância eficaz, práticas seguras de produção e precauções em casa.

Entre as medidas de proteção caseira estão manter o frigorífico a 5 ºC ou abaixo, consumir os produtos antes da data de expiração, cozinhar os alimentos cuidadosamente, sobretudo carne, lavar as mãos, facas e superfícies após manusear alimentos crus e manter os alimentos crus separados dos cozinhados.

 Fonte: TecnoAlimentar

 

O país enfrenta uma emergência no tratamento de resíduos: aterros saturados, valorização energética incapaz de acompanhar a produção de lixo e uma sociedade que continua a consumir mais, a separar pouco e a rejeitar novas infraestruturas. A resposta exige investimento, planeamento e, sobretudo, a compreensão de que estas instalações existem apenas para servir as populações — e que, sem elas, não há ambiente, saúde pública ou futuro sustentável.

É pública a situação de emergência nacional no setor dos resíduos urbanos, há muito prevista e anunciada pelos seus agentes. A gravidade da situação decorre da conjugação de dois fatores principais: a capacidade de aterro em vias de esgotamento e a insuficiente capacidade de valorização energética por incineração dedicada, a par da estagnação da valorização de resíduos recicláveis — a reciclagem — e da ainda incipiente recolha e valorização de biorresíduos, que, na verdade, deveriam ser os destinos dominantes dos resíduos produzidos.

O que significa que, apesar dos investimentos realizados ao longo dos anos para infraestruturar o país com vista a tratar adequadamente os resíduos que produz, é preciso continuar a investir. Para assegurar o encaminhamento dos resíduos cuja produção continua a crescer, é necessário aumentar a capacidade das atuais infraestruturas de tratamento de resíduos.

Acontece que a população, que não reduz o consumo e, por conseguinte, a quantidade de resíduos produzidos; que continua a preferir depositar o lixo que produz misturado no mesmo contentor, inviabilizando a sua reciclagem, é a mesma que, não tendo demonstrado ainda estar disponível, como seria necessário, para mudar a sua perceção sobre a importância do seu papel para a melhoria do desempenho global, também não está disponível para que, na região onde vive, sejam ampliadas ou construídas novas instalações para acolher os resíduos que produz.

Isto significa que não é apenas a capacidade das instalações que tem de ser melhorada e adequadamente dimensionada às necessidades do país real; é também a capacidade de a sociedade compreender que as instalações de tratamento de resíduos só existem para dar resposta às suas próprias necessidades.

O propósito das instalações de tratamento de resíduos é servir as populações na medida dos resíduos por estas produzidos. É nessa mesma medida que devem localizar-se no sítio mais adequado em termos ambientais, económicos e sociais. As instalações de tratamento de resíduos são, do mesmo modo, um indicador de desenvolvimento de cada região, não sendo ambiental nem economicamente sustentável que os resíduos sejam deslocados de um lado para o outro, aumentando desnecessariamente o custo do seu tratamento e a sua pegada ambiental.

Quanto ao tipo de instalações, deve merecer igualmente a melhor ponderação do ponto de vista da sua eficácia, eficiência e desempenho ambiental. É preciso, por isso, para responder o melhor possível às necessidades da sociedade e à proteção do ambiente — que é parte integrante e essencial dessas mesmas necessidades — planear bem, aprender com os erros cometidos e evoluir.

No passado, foram feitos avultados investimentos em unidades de tratamento mecânico e biológico (TMB), bem como na recolha seletiva, que deve ser reforçada. No entanto, a expectativa de que aquelas instalações, por si só, fossem suficientes para reduzir a deposição em aterro e evitar o aumento da capacidade de valorização energética revelou-se infundada. Esse objetivo não foi cumprido, sobrecarregando a utilização dos aterros, o que já não é caminho — não só porque não existe capacidade suficiente, mas sobretudo porque, do ponto de vista ambiental, está longe de ser a solução a privilegiar. Muito pelo contrário: é a solução a reduzir ao mínimo, mais concretamente a 10% do total dos resíduos produzidos, até 2035.

Posto isto, e tendo em conta que há muito não há tempo a perder, é preciso acolher a instalação de unidades de tratamento de resíduos com a mesma racionalidade com que se acolhem quaisquer outras infraestruturas sociais, comerciais ou industriais. Afinal, é precisamente para acomodar as necessidades de saúde pública, qualidade do ambiente e qualidade de vida das populações que estas instalações existem — ou, simplesmente, não seriam necessárias.

Fonte: GreenSavers

Portugal vive um momento crucial de transição para uma economia circular e aquilo a que assistimos é um verdadeiro paradoxo que não pode ser ignorado. Se a circularidade da economia é assumidamente uma prioridade estratégica e ambiental, porque é que a reciclagem está abaixo do seu verdadeiro potencial, nomeadamente no que toca às embalagens de vidro?

Este é, comprovadamente, um dos raros materiais que é 100% reciclável e infinitamente reutilizável, capaz de regressar ao mercado exatamente sob a mesma forma, sem perda de qualidade. Poucos materiais oferecem esta garantia de circularidade perfeita! Ainda assim, continuamos a desperdiçá-la.

Cada embalagem de vidro, como as garrafas, que é devolvida ao vidrão transforma-se em matéria-prima secundária, o chamado casco de vidro, para ser reintroduzida no processo de produção de novas garrafas.

As nossas garrafas de cerveja de cor âmbar são um exemplo concreto desta realidade: em 2024, o fabrico de cada uma incorporou, em média, 59% de casco de vidro, permitindo reduzir o uso de matérias-primas virgens e o consumo de energia associado à produção, com a consequente diminuição das emissões de CO₂. Esta percentagem poderia ser significativamente superior, uma vez que Portugal dispõe de capacidade instalada e de infraestruturas industriais preparadas para este processo. O entrave surge antes, numa fase crítica: a devolução e a recolha seletiva.

As metas que o País tem de cumprir e o patamar em que atualmente se encontra tornam esta realidade evidente. Em 2025, Portugal deveria estar a reciclar 70% de todas as embalagens de vidro colocadas no mercado. No entanto, os números ficam aquém desse objetivo. Em 2024, a taxa de retoma rondou os 50%, muito abaixo do estipulado, o que levou o País a solicitar uma derrogação de cinco anos à União Europeia, ajustando temporariamente a meta do vidro em menos 5%, de 70% para 65%.

Este pedido de derrogação é um sinal claro do que está a acontecer: a reciclagem de embalagens de vidro não cresce ao ritmo necessário e os desafios persistem. Apesar do investimento crescente no setor, nomeadamente em inovação tecnológica e em ações de sensibilização, esse esforço ainda não se traduz numa mudança estrutural de comportamentos.

Para os cidadãos, reciclar vidro implica um esforço adicional, desde o armazenamento das garrafas vazias em casa até à sua devolução ao vidrão, um esforço que nem sempre é reconhecido ou valorizado. No canal HORECA, onde o consumo de embalagens de vidro é elevado e diário, os desafios são ainda mais expressivos. Espaços limitados, rotação de staff, tarefas de final do dia, peso das embalagens vazias, ruído para a vizinhança, logística complexa e custos operacionais tornam a devolução do vidro um processo pouco eficiente para muitos estabelecimentos.

O vidro colocado fora do circuito correto perde-se irremediavelmente. Ir “para o lixo” significa, na prática, a deposição em aterro, onde o vidro não se decompõe biologicamente, podendo permanecer durante milhares de anos ou por tempo indeterminado, fragmentando-se sem nunca desaparecer por completo.

Portugal tem condições para fazer melhor. Transformar vidro usado em novas embalagens não é apenas uma obrigação ambiental ou uma meta europeia: é uma oportunidade económica, industrial e climática. Mas para a concretizar, é essencial valorizar o vidro, saber que é produzido à base de matérias-primas naturais, como areia e calcário, ou de embalagens recolhidas seletivamente, e agir para a sua valorização.

Enquanto continuarmos a tratar um recurso infinito como se fosse descartável, continuaremos também a adiar a construção de círculos perfeitos, rumo à circularidade plena.

Porque todos os gestos contam, devolva todas embalagens de vidro, garrafas ou frascos ao vidrão! Não quebre o ciclo!

Fonte: GreenSavers

A produção de azeite, a carne de caça e as obras de arte vendidas em galerias passam a ser tributadas com o IVA de 6% a partir de 2 de janeiro 2026, com a entrada em vigor do Orçamento do Estado para 2026.

A lista de bens com IVA reduzido – na qual estão elencados os bens e as prestações de serviços tributados com a taxa de 6% – passa a contar com três novas tipologias de bens ou serviços.

Da mesma forma, com o novo Orçamento do Estado para 2026 (OE2026) ficou assegurando que um conjunto de produtos continua a estar isento do imposto sobre o consumo.

O IVA de 6%, que já se aplica ao azeite enquanto bem, passa a cobrir “as operações de transformação de azeitona em azeite”, até agora tributadas com o IVA normal, de 23%.

O mesmo sucede com a venda de carne de caça, cujo IVA baixa de 23% para 6%, na sequência de uma proposta de alteração ao OE para 2026 (OE2026) apresentada pelo PSD e CDS-PP para equivaler a tributação da carne de caça ao que se verifica com as carnes e miudezas comestíveis, frescas ou congeladas.

Quando apresentaram esta proposta de alteração, as bancadas que suportam o Governo no parlamento justificaram o desagravamento com o facto de a carne de caça maior abatida em Portugal ser “imediatamente transportada para Espanha, onde é transformada, embalada e comercializada, sem gerar qualquer receita fiscal” em Portugal, regressando ao mercado nacional como produto final e “deixando em Espanha todo o valor acrescentado associado à cadeia de valor, desde o processamento à comercialização”.

Também as transmissões de objetos de arte efetuadas pelos revendedores registados de obras de arte passam a ser tributadas a 6%, em vez de 23%. Com isso, ficam em situação de igualdade com as vendas de obras realizadas pelos próprios autores, herdeiros e legatários, que já são tributadas com o IVA reduzido.

Além do alargamento da lista de 6%, o OE2026 prolonga até 31 de dezembro as isenções de IVA que atualmente já existem para quem compra adubos, fertilizantes e corretivos de solos, farinhas, cereais e sementes utilizados nas atividades de produção agrícola.

A legislação garante que estas operações continuam a conferir “o direito à dedução do imposto que tenha incidido sobre bens ou serviços adquiridos, importados ou utilizados pelo sujeito passivo para a sua realização”.

Também é prolongada até 31 de dezembro a isenção de IVA atualmente em vigor “na aquisição de alimentação para animais de companhia por parte das associações zoófilas legalmente constituídas”.

Fonte: Agroportal

O estudo TGI da Marktest quantifica, na vaga global de 2024, em 4 milhões e 300 mil o número de portugueses que dizem comer alimentos mais saudáveis do que no passado, o que representa 57.8% dos residentes no Continente com idades entre os 15 e os 74 anos.

Este valor corresponde ao número de indivíduos que, relativamente à frase “Hoje em dia como alimentos mais saudáveis do que no passado”, indicaram as opções “Concordo Totalmente” ou “Concordo”.

É entre os mais jovens que a percentagem de concordância com esta frase chega a valores mais elevados: 71.9% dos que têm entre 15 e 24 anos afirma que hoje comem alimentos mais saudáveis do que no passado. 

Entre as regiões, é no Litoral Centro que mais indivíduos concordam com a frase (63.9%), enquanto 2 em cada 3 indivíduos da classe alta também é da mesma opinião.

Fonte: Grande Consumo

A ASAE estabeleceu uma parceria estratégica com o Electrão para reforçar a recolha e correta gestão dos Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrónicos e Pilhas, nas suas instalações – Sede, Lisboa, Coimbra, Porto e Castelo Branco, visando esta colaboração garantir que estes resíduos tenham o destino adequado, protegendo o ambiente e promovendo a economia circular.

A Electrão disponibiliza os meios de acondicionamento adequados para a deposição dos resíduos e o seu posterior encaminhamento, permitindo à ASAE, no exercício da sua responsabilidade ambiental, que cada gesto de reciclagem dos seus colaboradores contribua para a proteção do planeta e da saúde pública.

Porque cuidar do ambiente é, acima de tudo, cuidar das pessoas.

Fonte: ASAE

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), realizou, nos últimos dias, uma operação de prevenção criminal pelas suas Unidades Regionais do Norte, Centro e Sul, no âmbito do combate aos ilícitos criminais contra a saúde pública, dirigida a estabelecimentos de comércio de carnes, estabelecimentos de restauração e outros locais clandestinos, situados nos distritos de Leiria, Viana do Castelo, Braga, Porto e Porto de Mós.

Como resultado da ação, foram instaurados 5 processos-crime pela prática do ilícito criminal contra a saúde pública de abate clandestino, tendo sido apreendidas 21 carcaças de animais, designadamente, ovinos, caprinos e leitões.

Após realização de perícias por médico veterinário e dado tratar-se de carnes proveniente de abate clandestino considerados como anormais, avariados e/ou corruptos, não possuindo qualquer rastreabilidade, foi considerada como imprópria para consumo humano, tendo sido determinada a sua destruição e posterior encaminhamento para unidade de transformação de subprodutos.

Os Inquéritos instaurados foram comunicados ao Ministério Público, tendo 5 indivíduos sido constituídos Arguidos e sujeitos a Termo de Identidade e Residência.

A ASAE alerta para a compra e consumo público deste tipo de produtos cárneos que não são inspecionados ante mortem e post mortem em estabelecimentos licenciados e verificados por Médicos Veterinários oficiais, coloca em sério risco a saúde pública dos consumidores, pois estes locais não licenciados, são desprovidos de condições de higiene e funcionais, não havendo qualquer garantia quanto ao despiste de doenças zoonóticas, transmissíveis aos consumidores.

Fonte: ASAE

Investigadores da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, deram um passo importante rumo a uma produção alimentar mais sustentável, ao identificar um mecanismo biológico que poderá permitir reduzir a dependência da agricultura por fertilizantes artificiais.

As plantas necessitam de azoto para crescer, mas a maioria das culturas agrícolas, tais como o trigo, a cevada ou o milho, só consegue obtê-lo através de fertilizantes. No entanto, algumas plantas, como as ervilhas e o feijão, conseguem crescer sem fertilização artificial, graças a uma parceria natural com bactérias do solo que transformam o azoto numa forma utilizável pela planta.

 Este processo natural, conhecido como simbiose, é há muito estudado por cientistas de todo o mundo que tentam perceber se esta capacidade pode ser transferida para culturas agrícolas de grande escala.

A nova investigação revelou que esta cooperação entre plantas e bactérias depende de pequenas alterações numa proteína presente nas raízes das plantas, que funciona como um sensor. Esta proteína ajuda a planta a decidir se deve ativar as suas defesas contra microrganismos ou aceitar bactérias benéficas.

 Segundo os investigadores, apenas duas pequenas alterações nessa proteína são suficientes para fazer com que a planta desligue temporariamente o seu sistema de defesa e permita a entrada de bactérias que fornecem azoto.

“É uma descoberta notável e muito importante”, afirmou Simona Radutoiu, professora de biologia molecular e uma das autoras do estudo. E continua: “mostrámos que duas alterações muito pequenas podem levar a planta a mudar completamente de comportamento — de rejeitar bactérias para cooperar com elas”.

 Os cientistas identificaram uma região específica dessa proteína, a que chamaram “Determinante de Simbiose 1”, que funciona como um verdadeiro ‘interruptor’, controlando a resposta da planta.

As alterações foram testadas com sucesso em laboratório numa planta modelo e, posteriormente, em cevada, um cereal amplamente cultivado. A longo prazo, os investigadores acreditam que esta descoberta pode abrir caminho ao desenvolvimento de culturas como trigo, milho ou arroz capazes de obter azoto sem necessidade de fertilizantes sintéticos.

 Apesar do potencial, os cientistas sublinharam que ainda há desafios pela frente. “Temos de encontrar outras peças essenciais deste puzzle”, alertou Simona Radutoiu.

Atualmente, a produção de fertilizantes artificiais representa cerca de 2% do consumo energético global e está associada a emissões significativas de dióxido de carbono. Reduzir a sua utilização teria um impacto relevante na pegada ambiental da agricultura, enfatizam os investigadores.

Fonte: Vida Rural

Investigadores da Universidade de Córdoba caracterizaram o perfil nutricional e fitoquímico de bolotas de 14 azinheiras, identificando os compostos que poderiam determinar a sua aptidão para o consumo humano e promover a utilização de um alimento tradicionalmente subutilizado.

A azinheira, espécie chave no ecossistema mediterrânico e no montado, produz um fruto utilizado quase exclusivamente na alimentação do porco ibérico. No entanto, a bolota apresenta caraterísticas de interesse para a alimentação humana: elevado teor de amido, perfil lipídico semelhante ao do azeite, ausência de glúten e um contributo significativo de fibra e ferro. Possui também uma notável variedade de compostos fenólicos e metabolitos secundários com atividade antioxidante, anti-inflamatória e antimicrobiana.

A equipa de investigação AGR-164 da Universidade de Córdoba, em colaboração com o grupo de Agroindústria e Qualidade Alimentar do centro IFAPA Alameda del Obispo, analisou bolotas de 14 azinheiras para estudar a sua composição e a variabilidade existente entre indivíduos, dado que a espécie não é domesticada e produz frutos muito diversos - doces, amargos, grandes ou pequenos.

Utilizando técnicas como a espetrofotometria de infravermelhos próximos, reações colorimétricas, cromatografia líquida de alta eficiência e espetrometria de massa, o estudo identificou dois grupos principais de bolotas: bolotas maiores, de baixo amargor, e bolotas médias, mais amargas. As caraterísticas comuns incluem um elevado teor de amido, ácidos gordos predominantemente insaturados e níveis elevados de cálcio e sódio.

As análises metabolómicas revelaram perfis muito específicos para cada árvore, bem como a presença de compostos recentemente associados a atividades bioativas. A equipa detetou igualmente numerosos metabolitos de origem microbiana, sugerindo a existência de um microbioma associado às sementes que poderia mesmo influenciar o amargor do fruto.

A investigação, publicada na revista 'Future Foods' e realizada no âmbito da tese de doutoramento de Marta Tienda Parrilla, abre novas vias para promover o consumo humano de bolota. As futuras linhas de trabalho incluem a avaliação da atividade biológica dos compostos mais relevantes, bem como a elaboração de um catálogo de azinheiras com caraterísticas particularmente notáveis.

Com base nestas seleções, poderia ser iniciado um programa de domesticação destinado a obter indivíduos com perfis genéticos favoráveis e capazes de produzir, geração após geração, bolotas adequadas para consumo humano. Este processo não eliminaria a variabilidade genética natural da espécie, mas permitiria identificar variedades aceites para consumo ou para aplicações na indústria alimentar. 

Fonte: iAlimentar

 

A única cidade portuguesa no projeto europeu RAPTOR, vai testar durante seis meses uma solução de entregas consolidadas e 100% elétricas, com o objetivo de reduzir emissões, aliviar o congestionamento e tornar o Mercado Municipal um exemplo de mobilidade urbana sustentável.

Guimarães foi selecionada para integrar a sétima edição do Rapid Applications for Transport (RAPTOR), um programa europeu promovido pela EIT Urban Mobility, iniciativa do Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia (EIT), que apoia cidades no desenvolvimento e teste rápido de soluções inovadoras para desafios de mobilidade urbana. A cidade vimaranense é a única representante portuguesa entre as 15 cidades europeias escolhidas, provenientes de 12 países.

O projeto funciona com base em desafios definidos pelas próprias cidades participantes. No caso de Guimarães, a proposta apresentada incide sobre a otimização e descarbonização da cadeia de micrologística associada ao Mercado Municipal, um dos polos mais dinâmicos da cidade em termos de abastecimento de produtos frescos. A implementação do projeto terá a duração de seis meses e contará com um financiamento de 60 mil euros.

Atualmente, a zona envolvente ao Mercado Municipal enfrenta problemas significativos de congestionamento e emissões, resultantes da elevada procura e da multiplicidade de entregas realizadas de forma individual e sem coordenação. Cerca de 180 fornecedores abastecem diariamente restaurantes e comerciantes locais, num modelo que gera ineficiências logísticas e agrava o tráfego, sobretudo nos períodos de maior afluência matinal.

Para responder a este desafio, o município pretende implementar um serviço de entregas consolidadas e coordenadas, recorrendo exclusivamente a veículos elétricos. A solução visa criar uma cadeia de micrologística mais eficiente e sustentável, reduzindo o número de viaturas em circulação, eliminando emissões poluentes e melhorando a fluidez do tráfego urbano.

A iniciativa enquadra-se no projeto municipal ‘Bairro C: Compromisso de Carbono Zero’ e tem como objetivo final transformar o Mercado Municipal num caso de estudo de mobilidade sustentável, alinhado com as metas de neutralidade climática. Ao centralizar e coordenar as entregas de produtos frescos através de um serviço de micrologística 100% elétrico, Guimarães pretende reforçar a eficiência operacional, diminuir o impacto ambiental e melhorar a qualidade de vida no centro urbano.

“A participação de Guimarães no programa RAPTOR reforça o nosso compromisso com soluções de mobilidade mais eficientes e sustentáveis”, afirma Vânia Dias da Silva, vereadora da Mobilidade da Câmara Municipal de Guimarães. “Com este projeto-piloto de micrologística totalmente elétrica, damos mais um passo decisivo para reduzir emissões, otimizar entregas e tornar o Mercado Municipal um exemplo de inovação com impacto real”, sublinha, acrescentando que a iniciativa consolida o papel da cidade como “laboratório vivo de soluções de mobilidade sustentável”.

Além de Guimarães, a edição de 2026 do programa RAPTOR envolve cidades como Berlim e Wiesbaden (Alemanha), Salzburgo (Áustria), Trento (Itália), Helsínquia (Finlândia), Bruxelas (Bélgica), Bilbau e Arteixo (Espanha), Londres e Edimburgo (Reino Unido), entre outras, reforçando a dimensão europeia e colaborativa do projeto.

Fonte: iAlimentar