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Fruit Logistica Trend Report 2026 revela como a inteligência artificial está a transformar as cadeias de abastecimento globais de frutas e legumes e a acelerar a mudança em todo o setor.

A inteligência artificial e a automação estão a transformar todos os elos da cadeia de abastecimento global de frutas e legumes. O recém-publicado relatório Fruit Logistica Trend Report 2026, intitulado 'Ctrl+Alt+Refresh', analisa como as tecnologias emergentes estão a impulsionar a eficiência, a resiliência e a sustentabilidade em todo o setor de produtos frescos.

O próprio título sugere um reinício de todo o sistema: uma reconfiguração do setor global de produtos frescos com a ajuda da IA, tornando-o mais rápido, inteligente e sustentável.

O relatório, elaborado pela Fruitnet Media International em colaboração com a Fruit Logistica, combina os resultados exclusivos de uma pesquisa com casos práticos reais de empresas líderes e inovadoras de todo o mundo. “A IA já não é experimental, é essencial”, afirma Mike Knowles, diretor-geral da Fruitnet Europe e autor do relatório. “O setor dos produtos frescos está a passar por uma transformação completa à medida que as tecnologias se tornam mais úteis, acessíveis e inteligentes. Quem não se adaptar corre o risco de ficar para trás”.

A inteligência artificial em ação

Nos setores de produção, logística e retalho, as aplicações de IA já estão a ter um impacto mensurável. Estufas inteligentes, modelos preditivos de culturas e robótica autónoma estão a melhorar a consistência do rendimento e a reduzir o desperdício. Na logística e no retalho, as análises baseadas em IA melhoram a previsão da procura, o desempenho da cadeia de frio e a gestão da vida útil.

A Dole implementou ferramentas de IA nas áreas de previsão, monitorização de culturas e controlo de qualidade para melhorar a eficiência e a tomada de decisões baseada em dados. “Em qualquer área do negócio em que haja grandes volumes de dados, a IA oferecerá a oportunidade de otimizar, acelerar e gerar relatórios”, afirma Drew Reynolds, diretor técnico e de sustentabilidade. “A lógica sugere que a previsão de colheitas e a adequação dessa previsão ao embalamento, envio e vendas podem ser revolucionárias”.

A Clarifresh utiliza IA para automatizar e padronizar o controlo de qualidade em toda a cadeia de abastecimento, ajudando os produtores a reduzir o desperdício e aumentar a precisão. “O impacto é duplo”, explica Elad Mardix, diretor executivo e cofundador. “Duplicar a produtividade dos inspetores e ampliar o tamanho das amostras entre 50% e 100%, ao mesmo tempo em que se reduz o desperdício ou as reclamações entre 25% e 35% por meio de inspeções mais objetivas, um controlo de qualidade padronizado e uma amostragem mais ampla. Estes resultados foram comunicados por três importantes clientes da América do Norte e América Latina nos últimos nove meses, entre os quais se encontram os principais exportadores de citrinos, uvas e bagas”.

A Agriplace aplica inteligência artificial para simplificar a conformidade regulamentar e a transparência nas cadeias de abastecimento globais, através da extração e estruturação de dados dos documentos dos fornecedores. “Aproveitamos a inteligência artificial para digitalizar e extrair rapidamente os dados relevantes dos documentos, reduzindo o que antes eram semanas de trabalho manual para apenas alguns minutos”, afirma Nico Broersen, diretor executivo.

“Esta combinação de conhecimentos humanos e automação não só permite que as empresas comecem a trabalhar mais rapidamente, como também garante que os dados da sua cadeia de abastecimento permaneçam estruturados e fiáveis a longo prazo”.

Um futuro conectado e preditivo

Os líderes da indústria inquiridos preveem rápidos avanços na colheita autónoma, na análise não destrutiva da qualidade e na otimização da cadeia de frio. Um tema recorrente é a necessidade de interoperabilidade dos dados — sistemas capazes de ligar e partilhar informações de forma segura ao longo de toda a cadeia.

“A agricultura inteligente, juntamente com a logística e o marketing inteligentes, resulta num sistema alimentar superinteligente”, conclui o relatório. “O botão Ctrl+Alt+Update foi premido: o sistema está a ser reiniciado.”

O Fruit Logistica Trend Report 2026 fornece uma visão abrangente das tecnologias e estratégias que irão moldar o futuro do negócio dos produtos frescos. 

O relatório está agora disponível para transferência gratuita nesta hiperligação:

www.fruitlogistica.com/en/about-us/publications.

Fonte: iAlimentar

Os cientistas descobriram que o "mel" produzido pelas formigas australianas possui uma atividade antimicrobiana única contra bactérias e fungos que pode tornar o líquido útil para fins medicinais.

A investigação, publicada na revista ‘PeerJ’, foi liderada por Andrew Dong e por Kenya Fernandes do Laboratório Carter da Universidade de Sydney, dirigido pelo Professor Dee Carter da Escola de Ciências da Vida e do Ambiente e do Instituto de Doenças Infeciosas de Sydney.

A equipa estudou a formiga-pote-de-mel (Camponotus inflatus), que se encontra em zonas desérticas, principalmente na Austrália Ocidental e no Território do Norte.

Nas suas colónias há uma classe de operárias sobrealimentadas que são preenchidas com néctar e substâncias açucaradas por outras formigas operárias, o que faz com que os seus abdómens se encham de "mel" e adquiram um aspeto translúcido e âmbar.

Estas formigas “tornam-se efetivamente máquinas de venda automática para a sua colónia, regurgitando "mel" quando as outras opções alimentares são escassas”.

Pode aliviar dores de garganta e servir de pomada para afastar infeções

“Usamo-lo para dores de garganta e, por vezes, como uma pomada tópica para ajudar a manter as infeções afastadas.”

“Para o nosso povo, as formigas melíferas são mais do que uma simples fonte de alimento. Escavar para as apanhar é um modo de vida muito agradável e uma forma de reunir a família”,  acrescenta que “há milhares de anos que o nosso povo desfruta das formigas melíferas”.

Quanto ao seu uso medicinal, continua, “usamo-lo para dores de garganta e, por vezes, como uma pomada tópica para ajudar a manter as infeções afastadas.”

Os investigadores consideram que o seu estudo marca a primeira vez que o "mel" de formiga foi investigado pelas suas propriedades medicinais.

“Há muito tempo que sou fascinado pela formiga melífera e pela sua forma espantosa de produzir e armazenar "mel”, afirmou Andrew Dong, líder da investigação.

“Dada a utilização medicinal do "mel" pelos povos indígenas, perguntei-me se poderia ter características antimicrobianas únicas”, acrescentou.

Os cientistas confirmaram que o "mel" de formiga tem um mecanismo de ação bastante diferente do "mel" de Manuka, que está bem estabelecido como tratamento tópico para feridas e infeções cutâneas. “A nossa investigação mostra que o "mel" de formiga-doce possui um efeito distintivo que o diferencia de outros tipos de mel”, apontou Fernandes do Laboratório Carter da Universidade de Sydney.

“Mel" de formiga-doce tem características antimicrobianas únicas que validam a sua utilização terapêutica pelos povos indígenas”

“Esta descoberta significa que o "mel" de formiga-doce pode conter compostos com um poder antimicrobiano substancial; a sua identificação pode fornecer-nos pontos de partida para o desenvolvimento de novos e diferentes tipos de antibióticos”, revela.

Os investigadores descobriram que o "mel" de formiga é eficaz contra a Staphylococcus aureus, uma bactéria do género estafilococos que coloniza a pele e o nariz das pessoas, mas se entrar através de um corte, pode causar infeções como furúnculos e feridas ou, em casos graves, a morte.

Descobriram também que o "mel" de formiga é potente contra duas espécies de fungos, Aspergillus e Cryptococcus. Ambos os fungos podem ser encontrados no solo e esta capacidade de os inibir provavelmente evoluiu para evitar que as colónias de formigas fossem invadidas por fungos. Estes fungos podem também causar infeções graves em pessoas com sistemas imunitários debilitados.

Fonte: Greensavers

 No dia 13 de novembro, celebra-se o Dia Mundial da Qualidade, uma data que convida organizações e profissionais de todo o mundo a refletirem sobre o papel da qualidade na construção de um futuro mais sustentável, inovador e centrado nas pessoas. Em 2025, o tema escolhido — “Qualidade: Pense Diferente!” — desafia-nos a romper com paradigmas e a reinventar a forma como encaramos a excelência.

Pensar diferente é pensar melhor

A proposta deste ano é clara: sair da zona de conforto. Em vez de seguir modelos tradicionais, somos convidados a explorar novas abordagens, integrar tecnologias emergentes, valorizar a criatividade e colocar o cliente no centro de todas as decisões. A qualidade deixa de ser apenas uma métrica — passa a ser uma cultura viva, adaptável e transformadora.

O que significa “pensar diferente” na qualidade?

  • Desafiar rotinas e processos que já não servem os objetivos atuais;
  • Incentivar a inovação em todos os níveis da organização;
  • Promover a escuta ativa de colaboradores, clientes e parceiros;
  • Adotar uma mentalidade ágil, aberta à mudança e à experimentação;
  • Transformar erros em oportunidades de aprendizagem.

O Qualfood junta-se à celebração

No Qualfood, acreditamos que a qualidade é um compromisso diário. Este ano, celebramos o Dia Mundial da Qualidade com ações internas que promovem o pensamento criativo, a melhoria contínua e o envolvimento de todos os colaboradores. Porque pensar diferente é também agir diferente — e é assim que construímos um futuro mais eficiente, ético e sustentável.

Fonte: Qualfood

Supermercados da região de Darwin, na Austrália, poderão vir a ter cogumelos cultivados a partir de resíduos de algodão, graças a um projeto da Charles Darwin University (CDU) que pretende expandir a indústria agrícola do Território do Norte.

O projeto, liderado pelo candidato a doutoramento Waseem Ahmed, do Research Institute for Northern Agriculture (RINA) da CDU, tem como objetivo criar uma economia circular, utilizando resíduos da cultura do algodão – conhecidos como “cotton trash” – para o cultivo de cogumelos.

A produção de algodão no Território do Norte já ultrapassa as 10 mil hectares e estima-se que alcance 15 mil hectares nos próximos anos. Este processo de aproveitamento dos resíduos de algodão é pioneiro na Austrália, onde, até agora, os resíduos de cana-de-açúcar e de trigo eram os mais utilizados na produção de cogumelos.

A produção anual de cogumelos na Austrália ronda os 65 mil toneladas, às quais se juntam cerca de 5 mil toneladas importadas.

O projeto, iniciado por Ahmed em 2024, divide-se em três etapas: avaliar a viabilidade do uso de resíduos de algodão no cultivo de cogumelos, desenvolver receitas de crescimento eficazes utilizando resíduos de algodão e outros subprodutos, e realizar uma análise económica sobre o potencial da indústria. A segunda etapa, que inclui testes de crescimento e análise nutricional, deverá ser concluída até ao final do ano.

Ahmed conseguiu já cultivar cogumelos ostra utilizando resíduos de algodão, com os testes realizados nos laboratórios da Berrimah Farm, do Departamento de Agricultura e Pesca do NT.

“Propor-se que o algodão seja uma cultura central aqui no Território do Norte faz todo o sentido”, afirma Ahmed, citado em comunicado. “Temos excesso de resíduos de algodão. São ricos em nutrientes e podemos usá-los de forma eficiente para criar uma indústria sólida. Atualmente, o Território do Norte gera entre 2,5 e 3 mil toneladas de resíduos de algodão por ano, e quando complementados de forma adequada, podem produzir entre 600 e 700 quilogramas de cogumelos por tonelada. Isto não é uma indústria de 1 ou 2 milhões de dólares – é uma indústria potencial de 100 milhões de dólares. Temos todos os ingredientes necessários para uma produção de qualidade.”

Apesar do consumo estimado de cogumelos no NT ser de cerca de 250 toneladas, Ahmed sublinha o potencial de exportação do produto.

Proveniente de uma família agrícola, Ahmed acredita que o projeto pode ser escalado do laboratório para uma produção industrial com grandes benefícios económicos e ambientais para a região.

“Este método não só cria uma fonte de alimento saudável a partir de resíduos locais, como também contribui para diversificar e fortalecer a economia do Território. Uma economia circular protege o ambiente, gera mais empregos e permite reaproveitar os resíduos, reciclando-os de forma inovadora para benefício da sociedade e da economia”, explica Ahmed.

O projeto conta ainda com a colaboração do Departamento de Turismo e Comércio do NT e da Northern Territory Farmers Association como parceiros da indústria.

Fonte: Greensavers

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), através da Unidade Regional do Sul – Unidade Operacional de Évora, realizou, nas últimas semanas, uma operação de prevenção criminal com o objetivo de identificar práticas fraudulentas na cadeia de valor do mel, assegurando a conformidade dos produtos com os requisitos legais em vigor e a proteção dos consumidores.

A operação decorreu nos concelhos de Évora e Aljustrel após deteção de venda de mel embalado com número de controlo veterinário (NCV) falsificado, e com base nas diligências realizadas com base na rastreabilidade documental, a ASAE identificou o operador económico responsável pelo embalamento e colocação no mercado do produto.

Com o resultado da inspeção, foi instaurado um processo-crime pela presumível prática dos crimes de falsificação de documentos e fraude sobre mercadorias, tendo sido igualmente identificado um ilícito de natureza contraordenacional por indução em erro dos consumidores quanto à origem do produto, já que a rotulagem indicava tratar-se de mel produzido pelo próprio operador, quando, na realidade, todo o produto encontrado nas instalações era adquirido a terceiros.

A operação culminou na apreensão de mais de cinco toneladas de mel embalado e a granel, abrangendo variedades monoflorais e poliflorais.

Verificou-se ainda que o operador económico em causa possui instalações registadas como Unidade de Produção Primária (UPP), estando autorizado apenas a extrair e embalar mel da sua própria exploração, embora se tenha verificado que todo o mel presente nas instalações tinha origem em outros produtores, sem qualquer quantidade da sua produção, sendo que as embalagens apreendidas ostentavam rotulagem com um número de controlo veterinário (NCV) falso, correspondente ao registo da UPP, e indicavam, de forma indevida, que o mel era produzido pelo próprio operador.

Este operador económico é reincidente na adoção de práticas fraudulentas, com embalamento de mel adquirido a terceiros como se fosse de produção própria e pela utilização indevida de números de controlo veterinário (NCV) pertencentes a outros operadores.

A ASAE continuará a desenvolver ações de fiscalização, no âmbito das suas atribuições e competências, em todo o território nacional, na salvaguarda da segurança alimentar e saúde pública dos consumidores.

Fonte: iAlimentar

Solos a morrer não nos alimentam. A agricultura regenerativa pode salvá-los?
Em duas propriedades que são referências na agricultura regenerativa em Portugal, a Vivid Farms, em Santarém, e a Terramay no Alandroal, luta-se para criar solo fértil onde havia argila e poeira.

Ana Carvalho baixa-se, pega em dois pedaços de terra, e estende as mãos para que possamos vê-los bem. A diferença é nítida: um é de um castanho muito escuro, o outro é castanho-claro, semelhante a barro. “O nosso solo era assim, dava para fazer pratos”, diz, com um sorriso. Paulo Carvalho, que é, com Ana, o fundador da Vivid Farms, onde nos encontramos, perto de Santarém, confirma: “É um solo muito argiloso, com muita pedra. Quando comprámos esta propriedade, há quatro anos, um engenheiro agrónomo disse-me ‘não queres ir fazer agricultura para outro lado?’.”

Eles não quiseram. Compraram os 20 hectares iniciais, aos quais acrescentaram agora mais 100 hectares, e estão a provar que as práticas da agricultura regenerativa conseguem transformar um solo pobre e desgastado num solo vivo e fértil. Mas não é fácil, avisam. O objectivo, optimista e ambicioso, é conseguir 0,5 % de aumento anual de matéria orgânica, e a boa notícia é que partiram de um solo inicial com apenas 1,5%, “um valor baixíssimo”, e em algumas partes do terreno já têm entre 3 e 4% de matéria orgânica.

Longe do Ribatejo, no Alentejo, perto do Alandroal e junto à fronteira com Espanha, outro casal, David e Anna de Brito, compraram uma primeira propriedade, a Granja, de 260 hectares e juntaram-lhe uma segunda, Santa Catarina, com mais 300, fundando o projecto Terramay.

“As pessoas falam em perfis de solo, em húmus e tudo o mais, e aquilo que nós encontrámos aqui, neste areal, é isto”, diz David, raspando com uma mão no chão e mostrando um punhado de terra branca, sequíssima. “Por mais que escavemos, o que vamos encontrar é pedra-mãe. E como o solo está constantemente exposto a temperaturas superiores a 35 graus Celsius, isto que vemos já não é solo, é pó, é poeira. Está morto.” Sobre a pedra deveriam existir várias camadas de solo, sendo a superior a mais rica em matéria orgânica e base para a produção de hortícolas, por exemplo.

Leia o artigo completo aqui.

Fonte: Público

Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu aprovou o Pacote do Vinho, que abre a porta ao fim da proibição da produção de vinho a partir de castas como a Isabella, que produz o Vinho de Cheiro dos Açores, um “património” que deve ser preservado na sua essência e valorizado, segundo o enólogo António Maçanita

A aprovação pela Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu do chamado ‘Pacote do Vinho’ pode ter sido o primeiro passo para o levantamento da proibição da comercialização de vinho na União Europeia a partir da casta Isabella, que produz o tradicional Vinho de Cheiro nos Açores.

Contudo, o processo ainda está longe de estar concluído (ver caixa). Refira-se que só podem ser comercializados na União Europeia vinhos feitos a partir de castas de uvas que estejam na lista de castas autorizadas.

A casta Isabella, a partir da qual se produz o tradicional Vinho de Cheiro dos Açores, é uma das que está proibida. Esta casta existe na Europa, em países como Itália ou Espanha, não sendo este um problema exclusivo dos Açores. Recentemente, o eurodeputado socialista açoriano, André Franqueira Rodrigues, promoveu no Parlamento Europeu um debate sobre as chamadas ‘castas proibidas’, onde participou António Maçanita, enólogo e coproprietário da Azores Wine Company, na ilha do Pico, que fez uma apresentação sobre a necessidade de rever as restrições que ameaçam vinhas únicas no mundo, profundamente enraizadas na tradição açoriana.

Recentemente, entre os enólogos europeus, houve um ressurgir do interesse pelas ‘castas proibidas’ de uvas, sendo que em muitos casos os motivos que levaram à sua proibição já não se colocam, tendo sido alvo de documentários e artigos em revistas da especialidade. Estas variedades híbridas oriundas do continente americano foram introduzidas na Europa a partir do século XIX como forma de combater pragas que devastaram as vinhas também nos Açores, como foram os casos do oídio ou da filoxera.

Conforme recorda em declarações ao Açoriano Oriental António Maçanita, nos Açores, na década de 1850, o oídio fez com que a produção de vinho no arquipélago caísse bruscamente de cerca de 10 milhões de litros para 28 mil litros anuais, em menos de uma década. Contudo, salienta António Maçanita, castas como a Isabella, que produzem o Vinho de Cheiro são “híbridos” naturais, “que vieram substituir durante muito tempo quase 90 por cento da área de produção”, até voltarem de novo a cair e a dar lugar às castas açorianas autorizadas pela União Europeia.

Sobre o regresso da casta Isabella à lista de castas autorizadas pela União Europeia, António Maçanita é claro: “devia rever-se esta proibição, uma vez que não existem fundamentos de saúde ou técnicos que a justifiquem”, até porque já existem muitas castas híbridas autorizadas na Europa, por serem “muito mais resistentes às doenças”, permitindo também um uso de fitofármacos “menos intenso”. 

Por isso, António Maçanita não vê outra razão para a proibição de castas como a Isabella que não seja a do ‘lobby’ das empresas fitofarmacêuticas. 

Refira-se que a casta Isabella ainda existe nos Açores e pode produzir-se Vinho de Cheiro para exportação, por exemplo, para os Estados Unidos da América, mas sua comercialização está proibida na União Europeia e pode trazer consequências legais para os infratores.

António Maçanita defende que a autorização da casta Isabella não seria propriamente para expandir o seu cultivo nos Açores, mas antes para preservar as vinhas que ainda existem na sua expressão antiga, o que já não acontece noutros lugares da Europa e que fazem parte do património cultural dos Açores. “Se dermos um copo de Vinho de Cheiro a um açoriano em qualquer parte do planeta, ele não precisa que lhe digam o que é”, afirma António Maçanita, para quem o Vinho de Cheiro faz parte de tradições como as Festas do Espírito Santo e não se deve deixar perder, mas antes proteger e valorizar na sua essência, com a sua componente aromática muito intensa, resultante do seu cruzamento com a uva lambrusca, que incute nos vinhos um aroma de morangos silvestres, a que se associa o caráter do solo vulcânico dos Açores. 

Contudo, enquanto a sua produção e comercialização não for autorizada pela União Europeia, corre-se o risco do Vinho de Cheiro desaparecer na sua forma tradicional de produção ou desvirtuar-se com misturas de outros vinhos. 

E mesmo quando para muitas pessoas o Vinho de Cheiro não é considerado um vinho bom, este enólogo responde que “a definição de ‘bom’ é algo que tem muito a ver com arquétipos”, havendo fora da União Europeia vinhos vendidos em restaurantes com estrelas Michelin produzidos a partir de castas proibidas na União Europeia, pelo que “há um potencial que tem de ser desbloqueado”, numa altura em que o setor do vinho não passa um bom momento na Europa e precisa, se calhar, precisamente de um refrescamento através do levantamento da proibição de certas castas que podem trazer ‘folclore’ e identidade local à produção vitivinícola.

Fonte: Açoriano Oriental

 

Portugal mantém a liderança europeia no consumo de pescado, com 14.500 toneladas certificadas MSC comercializadas em 2024-2025.

A indústria global do pescado atingiu um marco significativo na transição para modelos de exploração sustentável. De acordo com o Relatório Anual de Peixe Branco Sustentável 2025, publicado pelo Marine Stewardship Council (MSC), mais de 75% da captura mundial de peixe branco provém de pescarias certificadas como sustentáveis.

O resultado reflete duas décadas de trabalho contínuo de adaptação e melhoria das práticas de pesca, num movimento que consolidou o peixe branco como um símbolo de responsabilidade ambiental e competitividade económica no setor alimentar mundial.

O relatório destaca as pescarias de escamudo-do-Alasca e pescada da África do Sul, que celebram 20 anos de certificação MSC, bem como o granadeiro-de-cauda-azul da Nova Zelândia, que se aproxima dos 25 anos. Paralelamente, novas certificações reforçam o alcance global do programa, como o peixe-relógio da Austrália, que obteve o selo após mais de uma década de recuperação da pescaria através de uma abordagem multistakeholder.

Atualmente mais de 60 espécies de peixe branco ostentam o Selo Azul do MSC, abrangendo desde o bacalhau e escamudo a espécies emergentes como o lucioperca e o peixe-carvão-do-Pacífico. A categoria representa quase metade do pescado certificado globalmente, com aplicações que vão de produtos congelados e refrigerados a refeições prontas, surimi e restauração certificada.

“O peixe branco é uma das histórias de sucesso mais robustas da sustentabilidade nos produtos do mar”, sublinha Nicolas Guichoux, chief program officer do MSC, que acrescenta que “estas pescarias demonstram que a gestão responsável não é apenas uma obrigação ambiental, mas também um incentivo económico claro”.

Portugal: consumo elevado e mercado em diversificação

Portugal mantém-se como líder europeu no consumo de pescado, com 56,5 kg per capita, sendo o peixe branco uma componente essencial da dieta nacional.

Entre abril de 2024 e março de 2025, foram comercializadas 14.500 toneladas de peixe branco certificado MSC, distribuídas por 55 marcas. O segmento de produtos congelados representa 90% do volume, seguido por produtos para animais de companhia, uma categoria em crescimento, e por peixe salgado seco e surimi.

Esta evolução reflete não só a diversificação da oferta mas também o reforço do valor da certificação como ferramenta de diferenciação no retalho e na indústria transformadora. No entanto o relatório destaca que a oferta sustentável ainda precisa de acompanhar o ritmo da procura, impulsionada por consumidores mais informados e exigentes quanto à origem e impacto ambiental dos alimentos.

Um selo que cria valor ao longo da cadeia

Criado como um mecanismo de mercado para promover práticas sustentáveis de pesca, o programa MSC tem vindo a gerar impactos mensuráveis não apenas nos ecossistemas marinhos mas também nas cadeias de abastecimento e nas comunidades piscatórias.

O Relatório de 2025 mostra como retalhistas e marcas utilizam o Selo Azul para reforçar a confiança e transparência junto do consumidor, enquanto posicionam os seus produtos como parte de um modelo de economia azul cada vez mais relevante. Pela primeira vez, o relatório inclui uma listagem das principais marcas de peixe branco certificadas por país, reforçando o papel da rastreabilidade e da diferenciação de mercado.

“Ao colaborarmos com algumas das pescarias mais bem geridas do mundo, estamos a construir uma cadeia de abastecimento mais resiliente e responsável, preparada para responder aos desafios atuais e futuros”, conclui Nicolas Guichoux.

Fonte: iAlimentar

SDR Portugal será responsável pela implementação e gestão do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR) de embalagens de bebidas de uso único em Portugal. Sistema arranca a 10 de abril.

O sistema prevê a recuperação de embalagens de bebidas de uso único em garrafas de PET e latas de alumínio ou aço, até 3 litros, e a reciclagem de alta qualidade destes materiais.

No momento da compra de embalagens, o consumidor paga um valor fixo, independente do preço do produto, que será reembolsado na íntegra no momento da sua devolução. Retalho, lojas tradicionais e outros locais terão pontos de recolha. Após a devolução, as embalagens serão enviadas para os Centros de Contagem e Triagem. Posteriormente, serão transformadas em matérias-primas secundárias (como o rPET e ligas de alumínio ou aço reciclados), aptas para contacto alimentar, que serão utilizadas na produção de novas embalagens.

O sistema vem dar resposta à Diretiva (UE) 2019/904, que impõe metas europeias de 90 % para a recolha seletiva de garrafas de plástico e recipientes de metal de utilização única para bebidas até 2029, 30 % de incorporação mínima de material reciclado em garrafas de plástico PET de utilização única, e 65 % de incorporação mínima de material reciclado em garrafas de plástico PET de utilização única.

A SDR Portugal foi fundada em 2019 e constituída formalmente como Associação Sem Fins Lucrativos em 2021, tendo vindo a trabalhar no estudo, investigação, desenvolvimento e avaliação do modelo mais eficaz e sustentável para o futuro Sistema de Depósito e Reembolso em Portugal.

Fonte: TecnoAlimentar

A procura por soluções sustentáveis e livres de aditivos sintéticos para prolongar a vida útil dos produtos cárneos impulsiona o desenvolvimento de embalagens comestíveis com propriedades antimicrobianas. Essas tecnologias ativas e biodegradáveis estão a redefinir a forma de conservar e proteger os alimentos, alinhando-se à procura do mercado e às políticas europeias.

Uma embalagem que protege e age

De acordo com um estudo publicado no portal ScienceDirect, os revestimentos comestíveis - sejam filmes ou camadas aplicadas diretamente sobre a superfície do produto - são elaborados a partir de biopolímeros naturais, como proteínas, polissacarídeos ou lípidos, com a adição de agentes ativos que lhes conferem propriedades antimicrobianas ou antioxidantes.

Ao contrário das embalagens tradicionais, estas soluções não só são comestíveis ou biodegradáveis, como também atuam sobre a carga microbiana dos alimentos, prolongando a sua vida útil desde o primeiro momento de contacto.

Nos últimos anos, a investigação avançou significativamente na formulação destas películas, ajustando parâmetros como a permeabilidade ao oxigénio, a estabilidade mecânica ou a taxa de libertação dos agentes ativos. Ingredientes como peptídeos antimicrobianos (AMP), óleos essenciais ou nanopartículas metálicas - como as de zinco ou prata - foram incorporados a matrizes poliméricas otimizadas, permitindo um controlo mais eficaz do desenvolvimento microbiano.

Avanços recentes no uso de peptídeos antimicrobianos

Várias pesquisas recentes demonstraram que embalagens comestíveis que incorporam peptídeos antimicrobianos (AMP) podem prolongar significativamente a vida útil de carnes e produtos cárneos.

A nisina é o AMP mais estudado e foi incorporado com sucesso em materiais comestíveis como alginato de sódio, colagénio, gelatina ou quitosana, demonstrando alta eficácia na conservação de fatias de carne bovina, peito e filé de frango, presunto curado a seco, carne suína e salsichas tipo Viena.

Da mesma forma, outros peptídeos como a sakacina A, a ε-polilisina, a Lfcinβ, PLGG, MBP-1, LL-37, Cys-LL-37, RW4 ou melitina demonstraram capacidade para retardar o crescimento microbiano em diferentes tipos de carne, desde carne bovina e suína até produtos prontos a consumir, como peito de peru ou carne de porco fumada.

Vantagens técnicas e funcionais

Entre os principais benefícios desta tecnologia destacam-se:

  • Inibição seletiva de patógenos: a sua eficácia foi comprovada contra bactérias como Listeria monocytogenes, Salmonella ou Escherichia coli, comuns em carnes frescas;
  • Preservação das propriedades sensoriais: estes filmes permitem manter a textura, a cor e a suculência durante mais tempo;
  • Compatibilidade com outros sistemas de conservação: podem ser combinados com atmosferas modificadas, refrigeração ou tecnologias emergentes, como luz ultravioleta ou pulsos elétricos, para obter um efeito sinérgico.

Além disso, o seu caráter comestível ou biodegradável responde às exigências de sustentabilidade estabelecidas tanto pela regulamentação europeia como pelas expectativas do consumidor.

Barreiras para a adoção industrial

Apesar do potencial, a implementação industrial destes revestimentos ainda apresenta desafios. Um dos principais é a escalabilidade: transferir formulações de laboratório para linhas de produção requer ajustes na maquinaria, tempos de aplicação e validação da estabilidade a longo prazo. Também é necessário considerar a interação com os alimentos, uma vez que fatores como o pH, a atividade da água ou a gordura superficial podem influenciar a eficácia antimicrobiana.

Por outro lado, a segurança e a legalidade dos componentes são um aspeto crítico. Os agentes ativos devem ser autorizados pela EFSA e demonstrar que não apresentam migrações indesejadas nem toxicidade.

Fonte: iAlimentar