O uso do glifosato tem desempenhado um papel relevante na redução das emissões globais de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) associadas às atividades agrícolas, segundo um novo estudo do economista agrícola Graham Brookes, da consultora PG Economics. O trabalho foi publicado recentemente na revista científica GM Crops & Food.
O glifosato é atualmente o herbicida mais utilizado pelos agricultores a nível mundial. De acordo com o estudo de Graham Brookes, da PG Economics, a sua contribuição para a mitigação das alterações climáticas está fortemente ligada à adoção de práticas de mobilização de solo de conservação, como a sementeira direta e a mobilização reduzida, que evitam a lavoura tradicional.
O relatório indica que, à escala global, as práticas de agricultura de conservação permitem uma redução líquida de cerca de 138,2 mil milhões de quilogramas de CO₂e, graças à diminuição do consumo de combustível e ao aumento da retenção de carbono nos solos. Caso as terras atualmente geridas com estas práticas fossem lavradas de forma convencional, seriam emitidos mais 41,47 mil milhões de quilogramas de CO₂e.
No total, estas práticas representam uma poupança de 179,67 mil milhões de quilogramas de CO₂e quando comparadas com os sistemas agrícolas tradicionais baseados na lavoura intensiva.
O estudo destaca ainda o papel específico do glifosato na viabilização da transição para sistemas de agricultura de conservação. Segundo os dados apresentados, o uso deste herbicida permite uma redução líquida anual de 41,93 mil milhões de quilogramas de CO₂e. Quando comparada diretamente com a lavoura convencional, a agricultura de conservação facilitada pelo glifosato resulta numa redução de 54,94 mil milhões de quilogramas de CO₂e.
Este valor é equivalente à retirada de cerca de 21,8 milhões de automóveis das estradas todos os anos, sublinha o autor.
O estudo reforça a importância das práticas agrícolas de conservação e do papel das tecnologias associadas na redução da pegada carbónica do setor agrícola, num contexto de crescente pressão para tornar a produção alimentar mais sustentável e resiliente às alterações climáticas.
Mais informações em PG Economics e GM Crops & Food.
Fonte: Centro de informação de Biotecnologia
A perda acelerada de biodiversidade pode estar a levar os mosquitos a picar seres humanos com maior frequência, alerta um novo estudo realizado por cientistas brasileiros. A investigação sugere que, à medida que outras fontes de sangue desaparecem devido à destruição de habitats naturais, os mosquitos adaptam o seu comportamento e aproximam-se cada vez mais das populações humanas.
O trabalho, publicado na revista Frontiers in Ecology and Evolution, analisou mosquitos capturados em duas reservas naturais da Mata Atlântica brasileira, no estado do Rio de Janeiro. Utilizando armadilhas luminosas, os investigadores recolheram mais de 1.700 mosquitos de 52 espécies diferentes. Entre as fêmeas que tinham ingerido sangue, foi possível identificar a origem das refeições em 24 casos.
À medida que plantas e animais desaparecem ou são afastados dos seus habitats, os mosquitos veem reduzidas as opções naturais de alimentação. “Com menos hospedeiros disponíveis, acabam por recorrer aos humanos por conveniência, uma vez que somos o hospedeiro mais abundante nestas zonas”, explica Sergio Machado, coautor do estudo e investigador da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Esta mudança de comportamento pode ter consequências graves para a saúde pública. Nas regiões estudadas, os mosquitos são vetores de vários vírus, incluindo febre amarela, dengue, Zika, chikungunya e Mayaro, doenças que representam um risco significativo e podem ter efeitos prolongados na saúde humana.
“Identificar uma forte preferência por humanos funciona como um sinal de alerta para o risco de transmissão”, concluem os investigadores, defendendo que futuras políticas de saúde pública devem ter em conta não só o controlo dos mosquitos, mas também a preservação do equilíbrio dos ecossistemas naturais.
Fonte: Green Savers
A opção do Governo passa por retirar estes sacos de utilização única e introduzir alternativas mais duráveis, apostando na mudança de práticas no ponto de venda, revelou a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, sublinhando que a solução encontrada procura evitar novos encargos para os consumidores e operadores.
Impacto ambiental em avaliação
O processo está a ser desenvolvido em articulação com o setor da distribuição, incluindo contactos com a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED).
De acordo com a mesma fonte citada pelo ECO/Capital Verde, os sacos reutilizáveis deverão ser introduzidos numa primeira fase sem custos para o consumidor, marcando uma alteração relevante na gestão de materiais no retalho alimentar.
Fonte: iAlimentar
As falhas nos sistemas de controlo do azeite na União Europeia (UE) estão a comprometer a qualidade, a segurança e a rastreabilidade do produto, alertou um novo relatório do Tribunal de Contas Europeu (TCE).
Segundo o TCE, embora as inspeções aos pesticidas no azeite produzido na UE sejam claras e, em geral, eficazes, os controlos sobre outras substâncias nocivas são “menos aprofundados”.
A análise sublinhou que continuam a existir regras pouco claras, sobretudo no controlo de misturas e na determinação da origem do azeite. É neste contexto que o Tribunal de Contas Europeu avaliou se os sistemas de controlo em vigor na UE garantem que o azeite comercializado é autêntico, seguro e passível de ser rastreado quanto à sua origem.
“Os consumidores têm de poder confiar na qualidade e autenticidade do azeite que compram”, considerou Joëlle Elvinger, Membro do TCE responsável pela auditoria. E continua: “a UE tem regras rigorosas, mas que nem sempre são totalmente aplicadas. É preciso melhorar as inspeções, conseguir determinar a origem e ter certeza jurídica para proteger não só os consumidores, mas também a reputação do azeite europeu”.
De acordo com o TCE, as regras da UE estabelecem requisitos mínimos de rotulagem, verificação da categoria e testes à presença de pesticidas. Ainda assim, o Tribunal de Contas Europeu assinalou que alguns controlos de conformidade são incompletos e que certas áreas do mercado ficam, por vezes, fora do alcance das inspeções.
Assim, estas lacunas fragilizam o sistema, com impacto potencial na qualidade do azeite e, em última instância, na confiança dos consumidores.
As inspeções para detetar pesticidas no azeite produzido na Europa estão bem estruturadas e os casos de incumprimento são pouco frequentes, enalteceu o TCE. Em contraste, no que toca a outros contaminantes, realçou a Instituição, os controlos nem sempre são realizados e, quando existem, muitas vezes não fica claro qual o risco que os justifica.
Apesar de a UE importar um volume de azeite equivalente a cerca de 9% da sua produção anual, o Tribunal de Contas Europeu concluiu que, nos países analisados, os controlos a pesticidas e a outras substâncias nocivas no azeite proveniente de países terceiros são inexistentes ou muito escassos.
A análise avançou ainda que os Estados-Membros verificam a rastreabilidade do azeite no âmbito dos controlos de segurança alimentar e de conformidade, mas o grau de exigência varia. Alguns não aprofundam esta verificação, enquanto outros, como Espanha e Itália, acompanham a origem das azeitonas e do azeite em todas as fases da cadeia de abastecimento através de registos eletrónicos, com o objetivo de reforçar a transparência e prevenir fraudes.
“No entanto, é difícil seguir o azeite nos casos em que atravessa fronteiras”, avisou o TCE, sublinhando que é o caso, em especial, do azeite que tem origem em mais de um país da UE ou em que uma parte vem de fora da UE.
Os auditores avisaram ainda que faltam regras ou orientações abrangentes sobre o modo e o momento em que deve ser verificada a origem. Além disso, frisa o TCE, algumas exigências legais, nomeadamente sobre a mistura de azeites de diferentes colheitas ou categorias, são pouco claras, “o que leva a práticas nacionais variáveis que podem afetar a qualidade do produto ao longo do tempo”.
A auditoria avaliou o enquadramento do sistema de controlo e a sua aplicação entre 2018 e 2023 em quatro Estados-Membros: Bélgica, Grécia, Espanha e Itália. Em conjunto, os três últimos concentram cerca de 91% da produção europeia de azeite.
Fonte: Agroportal
A Serra da Estrela enfrenta hoje um conjunto de pressões ambientais e sociais que colocam em risco o equilíbrio dos seus ecossistemas e os benefícios que estes proporcionam às populações. O projeto “SerE+ – Rede de Áreas de Aceleração de Serviços dos Ecossistemas na Serra da Estrela”, que será apresentado esta tarde, pretende precisamente criar uma rede com vista a promover a conservação dos valores naturais e o restauro ecológico na região, o bem-estar das populações locais e a sustentabilidade económica.
Em entrevista, Pedro Horta, coordenador do projeto implementado por um consórcio coordenado pela organização não governamental de ambiente Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural, explica que as montanhas do Mediterrâneo, e a Serra da Estrela em particular, “são territórios extremamente vulneráveis a um grande conjunto de ameaças de origem antropogénica das quais se destacam as alterações climáticas”. O grande objetivo, acrescenta, “passa por salvaguardar os serviços de ecossistemas que estamos a perder gradualmente e potenciá-los nos locais com as melhores características para o investimento em restauro ambiental”.
O responsável do projeto que envolve mais três entidades: o CE3C – Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa; o Município de Seia, através do Centro de Interpretação da Serra da Estrela e a Agencia Estatal Consejo Superior de Investigaciones Científicas M.P. (CSIC), através da Estação Biológica de Doñana, de Espanha, diz ainda que “estas áreas funcionarão como microreservas que estarão distribuídas pelo território e servirão de fonte de serviços e biodiversidade para as áreas adjacentes, mas também para as gerações futuras”.
Leia a entrevista aqui.
Fonte: Green Savers
A marca gKRAFT™ Bioshield, a solução de embalagens sustentáveis desenvolvida por uma empresa portuguesa, foi distinguida com o Prémio Cinco Estrelas 2026, na categoria Embalagens Sustentáveis, um reconhecimento que reforça o posicionamento da marca como referência na transição para alternativas de base natural aos materiais de origem fóssil.
A atribuição do resulta de um processo de avaliação, desenvolvido de acordo com a metodologia própria deste sistema, que analisa a perceção dos consumidores em diferentes dimensões relevantes. A metodologia seguida pela 5 Estrelas prevê Testes de Experimentação com “50 utilizadores habituais de produtos que utilizem embalagens sustentáveis” e um “Estudo de Mercado à Marca” através de um inquérito online a “pelo menos 1000 respostas válidas”.
O relatório que esteve na base da distinção conclui que os resultados obtidos permitem afirmar que a marca gKRAFT™ Bioshield é considerada pelos consumidores como “extraordinária” e “realmente Cinco Estrelas”, garantindo, assim, para 2026, o título na respetiva categoria.
gKRAFT™ Bioshield integra o portefólio de soluções da empresa portuguesa para packaging, iniciado em 2021.
Produzida a partir de fibra de eucalipto globulus, proveniente de florestas plantadas e geridas de forma responsável, a marca foi criada com o propósito de produzir tableware e embalagens alimentares de uso único, verdadeiramente sustentáveis e seguras.
A distinção da marca gKRAFT™ Bioshield com o Prémio Cinco Estrelas 2026 contribui para o reforço do seu posicionamento no segmento das embalagens sustentáveis e constitui mais um reconhecimento do percurso da empresa no desenvolvimento de produtos inovadores, alinhados com as tendências de consumo responsável e com os objetivos de transição para uma economia mais circular.
Fonte: iAlimentar
Na Tanzânia, uma equipa internacional de investigadores liderada pelo Imperial College London criou os primeiros mosquitos geneticamente modificado capazes de bloquear a transmissão da malária em África. Este avanço científico poderá transformar o combate a uma das doenças mais mortais do continente.
Investigadores do Imperial College London, em parceria com o Instituto Tropical e de Saúde Pública da Suíça (Swiss TPH), o Ifakara Health Institute (IHI) e o Instituto Nacional de Investigação Médica da Tanzânia (NIMR), desenvolveram com sucesso os primeiros mosquitos geneticamente modificados (GM) concebidos para impedir a transmissão da malária. O trabalho insere-se no projecto Transmission Zero e representa a primeira estirpe de mosquito GM compatível com gene drive desenvolvida em solo africano.
O estudo, publicado na revista científica Nature, descreve a introdução, em condições de contenção, de características antimaláricas em populações locais de mosquitos. Estas características baseiam-se em moléculas naturais encontradas em rãs e abelhas, que demonstraram ser eficazes a bloquear o desenvolvimento do Plasmodium falciparum, o principal parasita responsável pela malária em África.
Segundo os investigadores, os mosquitos modificados impediram de forma eficaz o ciclo do parasita no interior do insecto, interrompendo assim a transmissão da doença. Apesar dos resultados promissores, os cientistas sublinham que ainda são necessários mais estudos antes de avançar para ensaios no terreno.
A próxima fase do projecto Transmission Zero inclui avaliações rigorosas de risco, diálogo com as entidades reguladoras e um processo contínuo de envolvimento das comunidades locais. “Agora, queremos avançar ao ritmo certo. É importante não ir depressa demais e garantir que as pessoas apoiam esta nova tecnologia, mas também devemos agir com urgência e tratar a malária como a emergência que é”, afirmou Nikolai Windichler, investigador do Transmission Zero e do Departamento de Ciências da Vida do Imperial College London.
A malária continua a causar centenas de milhares de mortes por ano, sobretudo em África, e os cientistas acreditam que abordagens inovadoras como esta poderão complementar as estratégias existentes de controlo da doença, como redes mosquiteiras, insecticidas e medicamentos.
Fonte: CiB
Uma equipa de investigação da Universidade de Sevilha obteve um molho saudável a partir da vagem de ervilha. Este molho para saladas contém fibra da leguminosa e óleo de chia, sem qualquer aditivo para o estabilizar. Para manter o produto estável durante mais tempo, a fibra da vagem de ervilha é submetida a altas pressões, sendo forçada a fluir através de uma série de microcanais, o que transforma as suas propriedades iniciais. Desta forma, obtém-se um produto semelhante à maionese, com elevado teor de fibra e livre de estabilizantes químicos, ao mesmo tempo que se valoriza um subproduto da indústria alimentar.
A novidade que permite obter este novo molho, mais sustentável e saudável, é o processo de microfluidização. Através deste método físico, a fibra da vagem de ervilha é submetida a altas pressões, sendo obrigada a fluir através de uma série de microcanais. Desta forma, as suas propriedades iniciais são alteradas, aumentando a capacidade de retenção de água e permitindo manter o alimento estável por mais tempo.
Saiba mais aqui
Fonte: iAlimentar
Salmonella não tifoide, formadora de biofilme e resistente a medicamentos, representa um desafio significativo para a segurança alimentar global. Reconhecendo a ameaça à saúde pública representada tanto por esse patógenio zoonótico transmitido por alimentos quanto pelo aumento da resistência antimicrobiana (RAM), pesquisadores da Universidade de Wroclaw revisaram os desafios únicos apresentados pelos biofilmes de Salmonella e as estratégias alternativas (não antibióticas) emergentes para o controlo, num artigo publicado na revista Pharmaceuticals . Os autores do artigo incluem Michał Małaszczuk, candidato a doutorado, Aleksandra Pawlak, doutora, e Paweł Krzyżek, doutor.
Salmonella no contexto da abordagem "Uma Saúde, Um Biofilme"
A revisão analisou Salmonella sob a perspectiva da abordagem "Uma Saúde - Um Biofilme", que enfatiza a interconexão entre a saúde humana, animal e ambiental, e coloca o biofilme no centro dessa relação, posicionando-o como um elo biológico. Relevante para a segurança alimentar, esse conceito destaca os riscos microbiológicos decorrentes da contaminação de alimentos, animais de produção e sistemas hídricos, e aponta o uso de antimicrobianos na pecuária como um fator-chave para a resistência antimicrobiana.
A ameaça dos biofilmes de Salmonella resistentes a medicamentos
A Organização Mundial da Saúde (OMS) inclui cepas de Salmonella resistentes a fluoroquinolonas em sua Lista de Patógenios Bacterianos Prioritários, ressaltando seu alto risco.
Um fator crítico de virulência para Salmonella é sua capacidade de produzir biofilmes, que facilitam a colonização do hospedeiro. Essas comunidades microbianas também aumentam a sobrevivência, promovem a resistência a múltiplos fármacos (MDR) e contribuem para falhas no tratamento. Os biofilmes persistem em superfícies de contato com alimentos e em reservatórios animais, especialmente aves, representando um importante desafio para a segurança alimentar, pois permitem que Salmonella sobreviva a condições ambientais adversas e resista a sanitizantes.
Alternativas promissoras aos antibióticos convencionais para biofilmes de Salmonella
Considerando a crescente ameaça de Salmonella resistente a antibióticos, investigadores estão a explorar estratégias alternativas e integradas para prevenir e interromper biofilmes de Salmonella , tais como:
O Caminho a Seguir
Apesar das pesquisas promissoras, a implementação de estratégias alternativas para o controlo do biofilme de Salmonella no mundo real é complexa devido à heterogeneidade do biofilme, às condições específicas do hospedeiro e ao potencial de desenvolvimento de resistência dos microrganismos às terapias alternativas. São necessários mais estudos para compreender os mecanismos de formação do biofilme em condições ambientais e do hospedeiro relevantes e para avaliar a eficácia de intervenções alternativas para Salmonella como parte de uma abordagem integrada de Saúde Única.
De modo geral, os autores acreditam que uma mudança para uma abordagem multifacetada no controlo de Salmonella — combinando vacinas, bacteriófagos e outros agentes anti-biofilme não tradicionais ou inovadores — oferece um caminho para reduzir a dependência de antibióticos, ao mesmo tempo que protege a saúde pública contra patógenos transmitidos por alimentos.
Fonte: Food Safety
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