O programa Portugal Sou Eu relançou, a 20 de abril, a sua campanha de notoriedade, num momento simbólico que antecede a celebração do Dia da Produção Nacional, assinalado a 26 de abril. A iniciativa aposta numa presença multimeios e numa abordagem mobilizadora para reforçar o posicionamento do programa como referência na valorização da produção nacional.
Com presença em televisão, rádio, imprensa e meios digitais, a campanha é assinada com o claim ‘Mostra que és dos nossos. Começa hoje’, assumindo-se como um apelo direto à ação e à identificação com a marca.
O conceito criativo assenta no espírito de equipa e na força coletiva dos portugueses, procurando evidenciar o impacto das decisões de consumo no desenvolvimento económico do país. Neste enquadramento, a adesão ao selo Portugal Sou Eu é apresentada como um contributo efetivo para a economia nacional, posicionando o programa como um movimento agregador que reflete a identidade e o potencial coletivo.
Do ponto de vista visual e de linguagem, a campanha adota uma abordagem dinâmica e descontraída, orientada para a mobilização, mantendo uma ligação consistente à identidade portuguesa e explorando um território criativo distintivo.
Entre os principais objetivos estão o aumento da notoriedade espontânea da marca, a valorização do consumo de produtos e serviços nacionais e o reforço da perceção do seu valor junto dos diferentes públicos. Paralelamente, a campanha pretende intensificar o reconhecimento e a adesão ao programa, tanto por parte dos consumidores como das empresas.
A iniciativa assume ainda um papel estratégico no reposicionamento da marca, destacando atributos como a sustentabilidade e promovendo a construção de uma relação emocional mais sólida e duradoura com os seus públicos.
O programa Portugal Sou Eu foi lançado em Dezembro de 2012 pelo Governo de Portugal para dinamizar a competitividade das empresas portuguesas, promover o equilíbrio da balança comercial, combater o desemprego e contribuir para o crescimento sustentado da economia.
Dirigido ao setor primário, indústria, serviços, artesanato, comércio a retalho e por grosso, restauração e alojamento com restauração, o Portugal Sou Eu sinaliza, através da atribuição do selo, os produtos e serviços que geram valor em Portugal.
O programa Portugal Sou Eu tem mais de 4 500 empresas registadas, das quais cerca de 2 000 com processo de adesão concluído. Com o selo Portugal Sou Eu estão qualificados mais de 19 500 produtos e serviços que, no conjunto, representam um volume de negócios agregado superior a 12 mil milhões de euros. A maioria dos produtos tem marcas registadas, sendo que 57% são do setor da alimentação e bebidas e 23% correspondem às atividades de artesanato.
O programa, cofinanciado pelo Compete 2030, Portugal 2030 através da União Europeia, é gerido por um Órgão de Gestão formado pela Associação Empresarial de Portugal (AEP), Associação Industrial Portuguesa-Câmara de Comércio e Indústria (AIP-CCI), Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) e pelo Iapmei – Agência para a Competitividade e Inovação.
Assista ao vídeo da campanha AQUI.
Fonte: iAlimentar
Muitos milhões de insetos polinizadores deverão passar por eco pomares de Maçã de Alcobaça nas duas próximas semanas, no âmbito do programa de agroecologia desenvolvido pela associação de produtores para tornar a produção mais ecológica.
“Mais de seis milhões de macieiras e provavelmente mais de cinco mil milhões de flores abriram neste mês de Abril e serão visitadas pelas abelhas e por um conjunto vasto de insetos naturais e autóctones dos pomares de macieiras da região Oeste”, divulgou hoje a Associação de Produtores de Maçã de Alcobaça (APMA) estimando que, nas duas próximas semanas, os pomares consigam atrair “biliões de insetos polinizadores, principalmente as abelhas”.
O fenómeno prende-se com um programa de agroecologia desenvolvido pela APMA nos últimos oito anos, com base num estudo “da grande família de insetos polinizadores”, que demonstrou existirem “espécies destas, muito mais interessantes, mais especializadas em macieiras, mais ativas e mais bio funcionais”.
Ou seja, explica a APMA, “espécies que para além do papel na polinização desempenham grande atividade predatória de pragas em outras fases do seu ciclo de vida”, funções que têm sido aplicadas em vários ecos pomares de associados desta entidade.
“Este ano, o fenómeno foi amplificado por uma floração abundante e condições climáticas favoráveis à atividade dos insetos polinizadores”, evidente neste início de Primavera, quando os pomares de Maçã de Alcobaça iniciam o seu ciclo produtivo com a floração, que culminará com a transformação de flores em fruto.
Uma macieira pode produzir durante a floração “entre 1.000 a 5.000 flores e, geralmente, basta que 1% a 5% das flores sejam fecundadas para assegurar uma produção anual razoável”, refere a APMA, estimando que as macieiras em flor atraiam nesta altura vários biliões de insetos polinizadores.
Passada esta fase de atividade de polinização, “dada a elevada população destes indivíduos, entrar-se-á na fase de controlo de pragas, particularmente de pulgões que serão o próximo alimento da fase larvar da próxima geração destes maravilhosos e polivalentes insetos”, explica a APMA.
Este processo é referido como “um dos serviços de natureza que a Maçã de Alcobaça IGP (Identidade Geográfica Protegida) proporciona e contribui, ao longo do seu processo produtivo, no sentido de ser cada vez mais um sistema agrícola benéfico a todos os níveis, ecológico, social e económico”, com produtores, técnicos, organizações e detentores de Eco Pomares a investirem em infraestruturas ecológicas e naturalização de espaços envolventes “com flora adequada à alimentação e multiplicação destas espécies, mesmo para além dos períodos de floração e atividade das macieiras”, explica a APMA.
Os estudos locais em curso e outras evidências científicas “provam que as maçãs obtidas pela polinização cruzada (insetos), têm mais qualidade, melhor desenvolvimento e mais riqueza nutricional, da ordem dos 6% a 10% superior face a maçãs não polinizadas” refere o texto.
A Maçã de Alcobaça IGP inclui nove variedades (Casanova de Alcobaça, Golden Delicious, Red Delicious, Royal Gala, Fuji, Granny Smith, Jonagold, Reineta e Pink), produzidas na região do Oeste e que representam uma produção anual que varia entre as 50 mil e as 70 mil toneladas por ano, segundo a APMA.
Fonte: Agroportal
Um projeto desenvolvido pela Science 351 e cofinanciado pelo Compete 2030 está a criar revestimentos naturais para papel, com o objetivo de substituir o plástico nas embalagens alimentares, melhorando a resistência à água, gorduras e gases e mantendo a reciclabilidade.
A Science 351 está a desenvolver uma tecnologia inovadora que pretende transformar o papel numa alternativa eficaz ao plástico nas embalagens alimentares, através do projeto ‘The Wall Paper’, cofinanciado pelo Compete 2030. A iniciativa centra-se na criação de revestimentos de base natural capazes de ultrapassar as limitações técnicas que atualmente condicionam o uso do papel em contacto direto com alimentos.
Apesar de ser biodegradável e reciclável, o papel apresenta fragilidades significativas, nomeadamente a absorção de água e gordura e a baixa resistência ao oxigénio e ao vapor de água. Estas características obrigam, frequentemente, à utilização de camadas plásticas, comprometendo a sua sustentabilidade.
Para responder a este desafio, o projeto aposta no desenvolvimento de revestimentos biodegradáveis que conferem propriedades hidrofóbicas e oleofóbicas ao papel, assegurando simultaneamente uma barreira eficaz contra gases e humidade. Segundo a Science 351, o objetivo passa por “redesenhar o papel”, dotando-o de funcionalidades avançadas sem recorrer a compostos petroquímicos.
A solução integra biomoléculas e recursos naturais, muitos dos quais provenientes de subprodutos agroflorestais, promovendo a valorização de matérias-primas endógenas e uma lógica de economia circular. Além disso, os novos materiais incorporam propriedades antioxidantes e antimicrobianas, contribuindo para reforçar a segurança alimentar e prolongar o tempo de conservação dos produtos.
O ‘The Wall Paper’ prevê o desenvolvimento de vários protótipos com características específicas, adaptados a diferentes tipologias de alimentos, como produtos secos ou com elevado teor de gordura, incluindo cereais, frutos secos ou snacks. A aplicação destes materiais poderá aumentar a durabilidade dos alimentos e reduzir o desperdício.
De acordo com informação do Compete 2030, o apoio ao projeto tem permitido aprofundar a investigação, testar soluções e mitigar o risco associado à inovação tecnológica. A iniciativa posiciona a Science 351 na linha da frente do desenvolvimento de soluções sustentáveis para a indústria da embalagem, reforçando simultaneamente o contributo nacional neste domínio.
Ao propor uma alternativa baseada em materiais naturais e recicláveis, o projeto abre caminho a uma nova geração de embalagens alimentares mais sustentáveis e alinhadas com as metas ambientais do setor.
Fonte: iAlimentar
A utilização de denominações comumente associadas à carne e aos produtos cárneos (por exemplo, “hambúrguer”, “salsicha” ou “bife”) em produtos vegetais tornou-se uma questão regulatória central na União Europeia (UE). Embora essa terminologia seja amplamente utilizada pelos operadores para comunicar as características e o modo de consumo desses produtos, levanta várias questões relacionadas com a proteção dos consumidores, a concorrência leal e a competência legislativa para a sua regulamentação. Os desenvolvimentos recentes, tanto a nível da UE como dos Estados-Membros, culminando numa nova iniciativa da Comissão Europeia em 2025, sugerem que o enquadramento regulamentar dos termos cárneos poderá entrar em breve numa nova fase, com implicações potencialmente significativas para o setor dos produtos plant-based.
Regulamentação europeia e termos lácteos
A UE já adotou uma abordagem bastante rigorosa no que diz respeito à utilização das denominações dos produtos lácteos. O Regulamento (UE) n.º 1308/2013 (Regulamento da Organização Comum dos Mercados – “OCM”) reserva expressamente termos como “leite”, “queijo”, “manteiga” e “iogurte”, entre outros, aos correspondentes produtos de origem animal, com um número limitado de exceções. Esta abordagem foi no fundo confirmada pelo Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) no acórdão TofuTown (C-422/16). Neste processo, o TJUE concluiu que produtos exclusivamente de origem vegetal não podem, em princípio, ser comercializados utilizando termos lácteos, mesmo que o rótulo inclua qualificadores como “vegetal” ou “vegan”. Além disso, o acórdão sublinha que a proteção dos termos reservados é absoluta, salvo derrogação expressa no direito alimentar europeu.
Primeira tentativa de regulamentar os termos cárneos a nível europeu
Em contraste com o setor dos produtos lácteos, a UE não adotou, até à data, restrições equivalentes para as denominações comumente associadas à carne e aos seus derivados. No entanto, em 2021, no contexto dos trabalhos do Parlamento Europeu no âmbito da reforma da Política Agrícola Comum (PAC), foi apresentada uma iniciativa legislativa para restringir a utilização de termos como “hambúrguer”, “salsicha” ou “bife” apenas a produtos que contivessem efetivamente carne. Ainda assim, esta proposta acabou por não reunir apoio político suficiente, sendo rejeitada pelos eurodeputados. Consequentemente, não existem atualmente regras específicas harmonizadas a nível da UE que regulem a utilização de denominações cárneas em produtos plant-based.
Iniciativas nacionais e o acórdão Protéines France
Na ausência de harmonização a nível da UE, vários Estados-Membros procuraram regulamentar esta matéria a nível nacional. A Itália, por exemplo, adotou legislação que restringe a utilização de denominações associadas aos produtos cárneos em produtos vegetais. No entanto, essa legislação não tem sido aplicada na prática, até à data, pois o legislador italiano nunca chegou a estabelecer uma lista oficial de termos reservados. A França, por seu lado, entre 2022 e 2024 adotou dois decretos com vista a estabelecer uma lista de termos cárneos correntes (tal como “bife”, “escalope” e “salsicha”) reservados aos correspondentes produtos de origem animal. No entanto, estas medidas foram impugnadas judicialmente, dando origem ao processo Protéines France perante o TJUE (C-438/23).
Neste acórdão, o TJUE clarificou os limites da intervenção nacional nesta matéria. O juiz europeu concluiu que o Regulamento (UE) n.º 1169/2011 relativo à prestação de informação sobre os géneros alimentícios aos consumidores (Regulamento “FIC”) harmoniza determinadas regras relativas à designação dos géneros alimentícios, inclusive o conceito de “denominação corrente”. Tal conceito refere-se a termos e designações que os consumidores associam de forma automática a determinados alimentos sem necessidade de explicações ou informações adicionais. Consequentemente, os Estados-Membros da UE não podem - tal como fez a França - restringir a utilização de denominações correntes através da legislação nacional.
No entanto, segundo o TJUE, os Estados-Membros podem introduzir restrições com base em denominações legais previstas pela legislação nacional. Na prática, estas denominações correspondem a designações formalmente estabelecidas pela lei que definem, conforme adequado, um género alimentício em termos de composição, qualidade e/ou segurança. De facto, a nível nacional existem vários exemplos de denominações legais que não podem ser utilizadas para produtos vegetais (por exemplo, a designação “fiambre” em Itália). Da mesma forma, a nível europeu, termos como “carne” ou “preparação de carne”, definidos pelo Regulamento (CE) n.º 853/2004, poderiam ser considerados como denominações reservadas.
Segunda tentativa de regulamentar os termos cárneos a nível europeu
É sabido que a Comissão Europeia que tomou posse em dezembro de 2024, e à qual incumbe impulsionar a agenda política europeia até 2029, tem vindo a adotar de forma consistente posições orientadas para a salvaguarda dos interesses dos setores produtivos tradicionais nacionais, incluindo o setor da carne.
Assim, em julho de 2025, poucos meses após a publicação da decisão judicial Protéines France, a Comissão Europeia apresentou uma nova iniciativa legislativa destinada a introduzir restrições, a nível europeu, à utilização de termos cárneos em produtos plant-based. Embora a proposta ainda esteja em fase de negociação entre as instituições europeias, os primeiros indícios sugerem que a mesma reúne apoio de uma maioria de Estados-Membros e de eurodeputados.
Com base nas discussões mais recentes a nível da UE, a legislação proposta poderá vir a estabelecer uma lista de cerca de trinta termos reservados aos correspondentes produtos de origem animal, incluindo designações como “bife”, “bacon”, “costelas” e “fígado”, entre outras. Não deixa, contudo, de ser relevante observar que termos como “hambúrguer” e “salsicha”, que, de certo modo, constituem o epicentro do debate em torno do naming dos produtos plant-based, não integram, até à data, a referida lista de termos reservados aos produtos cárneos.
Por último, importa destacar que a iniciativa legislativa atualmente em discussão deverá, à partida, aplicar-se tanto a produtos 100% vegetais como a produtos híbridos (ou seja, produtos cárneos que contêm percentagens variáveis de ingredientes vegetais). Pelo contrário, subsistem incertezas quanto ao âmbito de aplicação dessa futura legislação, em particular no que diz respeito ao eventual impacto sobre a rotulagem e a apresentação dos produtos obtidos através de técnicas de agricultura celular, uma vez que esses aspetos estão sujeitos por norma à regulamentação europeia sobre os novos alimentos.
Implicações jurídicas e práticas
Neste contexto, o regime proposto deverá ter um impacto significativo na rotulagem e comercialização de produtos plant-based no mercado europeu, em particular para os operadores económicos que utilizam denominações associadas à carne como parte da sua estratégia de comunicação dirigida ao consumidor final.
Mesmo assim, esta proposta legislativa suscita algumas dúvidas importantes do ponto de vista jurídico. Em particular, não é claro - e pode mesmo questionar-se - se a abordagem preconizada se encontra plenamente alinhada com o acórdão Protéines France, que, como referido, exige que eventuais restrições à utilização de termos reservados assentem em denominações legais claramente definidas. Em contrapartida, a abordagem legislativa no caso concreto parece basear-se numa lista de termos tradicionalmente associados à carne, sem, contudo, estabelecer definições jurídicas suficientemente precisas para cada um desses termos.
No que diz respeito ao calendário de adoção, é expectável que um acordo político sobre a futura legislação possa ser alcançado até ao final deste ano ou no início de 2027. À semelhança de outras iniciativas no âmbito da rotulagem alimentar, é razoável que venha a ser previsto um período transitório de até 36 meses, permitindo assim aos operadores económicos visados adaptar progressivamente as suas práticas.
Neste contexto, os operadores do setor alimentar deverão acompanhar de perto a evolução do processo legislativo em curso, de modo a antecipar eventuais ajustamentos necessários nas suas estratégias de branding, marketing e rotulagem.
Em suma, o debate em torno do meat sounding está ainda longe de encerrado.
Fonte: iAlimentar
A DGAV anuncia a publicação da 1.ª Lista oficial de Material Policlonal de Videira, em cumprimento com o estabelecido na Portaria n.º 201/2021 de 23 de setembro.
Esta publicação constitui um marco na viticultura nacional e europeia, ao permitir a certificação voluntária de materiais de propagação de videira obtidos através de uma técnica de melhoramento inovadora, desenvolvida em Portugal e reconhecida internacionalmente pela Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), através da resolução OIV – VITI 564-B-2019.
Esta abordagem de seleção permite conciliar a manutenção de uma diversidade genética significativa e o melhoramento e estabilidade das características agronómicas de castas antigas, contribuindo para a preservação e valorização do património vitivinícola.
Consulte a publicação: Registo Oficial de Material vitícola policlonal
O Dia Mundial da Terra, celebrado a 22 de abril, volta a unir milhões de pessoas em todo o mundo numa mobilização que ganha força a cada ano. Em 2026, a data surge num contexto marcado por fenómenos climáticos extremos, pressões sobre a produção alimentar, escassez hídrica e perda acelerada de biodiversidade — desafios que colocam a sustentabilidade no centro das decisões políticas, económicas e sociais.
Ao longo do dia, cidades de vários continentes promovem ações de reflorestação, limpezas de praias e rios, monitorização de ecossistemas, debates sobre economia circular e programas educativos que procuram envolver desde crianças até líderes empresariais. Organizações ambientais destacam que, apesar dos avanços tecnológicos e do aumento da consciência pública, a janela de oportunidade para limitar o aquecimento global continua a estreitar-se.
Especialistas sublinham que 2026 é um ano decisivo para acelerar compromissos internacionais, reforçar metas de redução de emissões e investir em soluções que conciliem desenvolvimento económico com proteção ambiental. Projetos de energias renováveis, agricultura regenerativa e restauração de habitats naturais são apontados como pilares essenciais para garantir um futuro mais resiliente.
Mas o Dia da Terra não se faz apenas de grandes iniciativas. Em várias comunidades, pequenos gestos ganham protagonismo: famílias que reduzem o uso de plástico, escolas que criam hortas urbanas, empresas que adotam políticas de neutralidade carbónica e cidadãos que se envolvem em ações de voluntariado ambiental. Para muitos, estas escolhas individuais representam a base de uma transformação coletiva.
A mensagem que ecoa globalmente é clara: proteger o planeta não é apenas uma causa ambiental — é uma responsabilidade intergeracional que define o futuro das sociedades. O Dia Mundial da Terra lembra que cada decisão conta e que o compromisso com a sustentabilidade deve ser contínuo, não apenas simbólico.
Fonte: Qualfood
Um novo estudo conduzido por investigadores na Etiópia conclui que a utilização de culturas geneticamente modificadas na alimentação animal não tem efeitos negativos na saúde nem na produtividade do gado, apesar das preocupações persistentes sobre o seu impacto.
Investigadores da Universidade de Arba-Minch e da Universidade de Borena, na Etiópia, avaliaram os efeitos da utilização de organismos geneticamente modificados (OGM) na alimentação de animais de produção, concluindo que estes não apresentam riscos adversos para a saúde nem para o desempenho produtivo do gado.
As culturas geneticamente modificadas têm sido amplamente adotadas a nível global, sobretudo devido às suas vantagens em termos de maior produtividade, melhor valor nutricional e maior resistência a pragas e doenças. No entanto, a sua utilização continua a gerar debate público, com preocupações relacionadas com possíveis riscos para a saúde, impactos ambientais e questões éticas.
Entre as principais críticas apontadas ao uso de OGM na alimentação animal estão a possibilidade de resistência a antibióticos, reações alérgicas, transferência de genes para plantas selvagens e perda de biodiversidade. Ainda assim, os investigadores sublinham que a biotecnologia oferece benefícios relevantes, incluindo melhorias na eficiência produtiva e na qualidade nutricional dos alimentos.
Publicado na revista científica Journal of Veterinary Medicine and Animal Health, o estudo baseou-se no conceito de “equivalência substancial”, utilizado para comparar culturas geneticamente modificadas com as suas versões convencionais. Os resultados mostram que a composição nutricional dos alimentos OGM é, em geral, semelhante à dos alimentos não modificados.
Apesar disso, os autores alertam que algumas diferenças observadas devem ser alvo de investigação adicional, de forma a compreender melhor a sua relevância biológica.
Para mais informações, leia o abstract do estudo no Journal of Medicine and Animal Health.
Fonte: Centro de informação de biotecnologia
A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e os seus parceiros europeus estão a lançar a 6ª edição da campanha Safe2Eat, uma iniciativa transfronteiriça destinada a sensibilizar os cidadãos para a segurança dos alimentos
O objetivo da campanha é fornecer orientações práticas e baseadas em dados científicos para que os consumidores possam fazer escolhas alimentares informadas.
Desde a sua primeira edição, com nove países participantes, a campanha tem vindo a expandir-se. A edição de 2026 abrange agora 23 países de toda a Europa e não só.
A campanha reúne Estados-Membros da UE – Áustria, Bélgica, Bulgária, Croácia, Chipre, Chéquia, Estónia, Grécia, Hungria, Irlanda, Letónia, Luxemburgo, Polónia, Portugal, Roménia, Eslováquia, Eslovénia e Espanha –, bem como países parceiros, incluindo Bósnia-Herzegovina, Montenegro, Macedónia do Norte, Sérvia e Turquia.
Destaques do sistema Safe2Eat 2025: envolver os cidadãos e moldar atitudes
De acordo com um inquérito da IPSOS realizado em novembro de 2025, o quinto ano da iniciativa Safe2Eat obteve um forte reconhecimento e envolvimento, alcançando 41 % dos cidadãos nos países inquiridos. Para além de sensibilizar o público, a campanha incentivou a reflexão e o debate. Os cidadãos que foram alvo da campanha referiram prestar mais atenção à segurança dos alimentos, refletir de forma mais crítica sobre as suas escolhas alimentares e demonstrar uma maior curiosidade pelos dados científicos subjacentes à alimentação segura.
A Safe2Eat 2026 centra-se em três domínios principais:
Fonte: TecnoAlimentar
Um estudo que combina arqueologia e modelos climáticos mostra que, após 9.000 anos de cultivo, o arroz asiático atingiu o seu pico histórico de temperatura nos últimos 200 anos: o aquecimento global compromete o seu futuro para sempre.
Para quase metade da humanidade, o arroz é mais do que apenas um alimento: é a base da sua alimentação diária. Metade de todos os seres humanos obtém 20% das suas calorias deste grão, e mais de mil milhões de pessoas dependem do seu cultivo para o seu sustento. É um número enorme de pessoas que dependem de um único grão.
Um estudo publicado na revista Communications Earth & Environment cruzou 9.000 anos de evidências arqueológicas com dados agrícolas modernos e projeções climáticas, e a conclusão é preocupante: o arroz asiático nunca prosperou onde a temperatura média anual ultrapassa 28 °C ou onde o pico da estação quente ultrapassa 33 °C. Estes limites, estáveis ao longo da sua história de cultivo, estão agora ameaçados.
O termómetro que o arroz jamais conseguiria atravessar
Uma equipa de investigadores da Universidade da Flórida rastreou a jornada do arroz através de 803 sítios arqueológicos na Ásia. O resultado foi conclusivo: em quase nove milénios, a humanidade levou o arroz para climas mais frios — quando o clima arrefeceu abruptamente há cerca de 4.200 anos, surgiram variedades resistentes que permitiram que o cultivo se expandisse até à Coreia e ao Japão — mas ele nunca conseguiu adaptar-se ao calor extremo.
Como explica o investigador principal Nicolas Gauthier, em temperaturas extremamente elevadas, "chega um ponto em que a planta fisicamente para de funcionar". Ao contrário do frio, que pode ser evitado ajustando-se as taxas de crescimento, o calor excessivo simplesmente paralisa o mecanismo biológico da planta.
E a onda de calor que se aproxima é de outra magnitude. O estudo alerta que, nos próximos 50 anos, o aquecimento global avançará 5.000 vezes mais rápido do que qualquer mudança de temperatura à qual o arroz teve que se adaptar em toda a sua história evolutiva.
Em 2070, quase toda a área de distribuição meridional da cultura — da Índia à Malásia — terá uma temperatura média anual superior a 28 °C. As projeções estimam que as áreas acima destes limiares poderão aumentar de dez a trinta vezes nos principais países produtores asiáticos até ao final do século.
Um problema que não é partilhado igualmente
A Índia, atualmente o maior produtor mundial de arroz, com quase 150 milhões de toneladas anuais, enfrenta um risco real. Mas, paradoxalmente, aqueles que mais dependem do arroz para o seu sustento serão os que terão menos acesso às novas variedades geneticamente adaptadas que a ciência pode desenvolver em resposta. As regiões mais afetadas no sul — Indonésia, Malásia e Bangladesh — não são as que lideram a inovação agrícola global.
Mas Gauthier é categórico: mesmo que se evite uma fome em larga escala, o processo será disruptivo e desigual. O cultivo de arroz pode deixar de ser praticado no Sudeste Asiático e migrar para outras regiões, mas isso não resolve o problema daqueles que não podem mais cultivá-lo.
O arroz sobreviveu a eras glaciais, secas e ao colapso de grandes civilizações. Desta vez, a velocidade da mudança é o verdadeiro problema. As alterações climáticas operam em cascata: o que afeta uma cultura hoje pode perturbar cadeias de abastecimento inteiras amanhã, aumentar os preços e desestabilizar comunidades que ninguém menciona nos noticiários.
Cada décimo de grau que não for reduzido hoje é uma dívida que alguém pagará amanhã, provavelmente com um prato vazio.
Fonte: tempo.pt
Foram os vegetais de folha verde, como os espinafres, e as frutas favoritas das crianças, como os morangos e as uvas, aqueles que apresentaram níveis mais elevados de resíduos de pesticidas potencialmente nocivos. São conclusões para a realidade dos Estados Unidos e assentes em testes governamentais, plasmadas no Guia do Consumidor para Pesticidas em Produtos Frescos de 2026.
Nectarinas, pêssegos, cerejas, maçãs, amoras, peras, batatas e mirtilos completam a lista dos “Doze Sujos” deste ano, como as frutas e legumes mais carregados de pesticidas, segundo o relatório divulgado pelo Environmental Working Group (EWG), que é uma organização de defesa da saúde.
Os espinafres, que ocupam o primeiro lugar, apresentaram mais resíduos de pesticidas por peso do que qualquer outro tipo de produto agrícola. Continham, em média, quatro ou mais tipos de pesticidas, segundo o EWG, que publica este relatório anual desde 2004.
As amostras dos vários tipos de produtos agrícolas apresentaram, em média, quatro ou mais pesticidas. Exceção feita às batatas, que apresentaram uma média de dois. O consumo de produtos com vários pesticidas é, segundo os especialistas, preocupante, uma vez que exposição a misturas de pesticidas pode acumular-se, aumentando o risco.
Para elaborar o relatório, o EWG analisou os mais recentes testes de resíduos de pesticidas realizados pelo Departamento de Agricultura dos EUA a 54.344 amostras de 47 frutas e legumes.
Antes de esta entidade examinar cada amostra, a fruta ou o vegetal são descascados, esfregados e lavados cuidadosamente, para simular o comportamento dos consumidores em casa. Mesmo após estas etapas, os testes encontraram vestígios de 264 pesticidas — destes, 203 estavam presentes nos produtos da lista “Doze Sujos”.
Impactos dos pesticidas na saúde
Estudos anteriores demonstraram uma possível ligação entre os pesticidas e partos prematuros, malformações congénitas como defeitos do tubo neural, abortos espontâneos ou aumentos de danos genéticos em humanos. A exposição a pesticidas tem também sido associada a concentrações reduzidas de espermatozoides, doenças cardíacas, cancro e outros distúrbios.
Segundo a Academia Americana de Pediatria, as crianças são particularmente suscetíveis a contaminantes como os pesticidas, inclusive quando ainda estão no útero. A exposição a pesticidas durante a gravidez pode levar a um risco aumentado de defeitos congénitos, de baixo peso à nascença e de morte fetal. Já a exposição na infância tem sido associada a problemas de atenção e aprendizagem, bem como ao cancro.
Por sua vez, a Aliança para a Alimentação e a Agricultura, que representa os agricultores de produtos biológicos e convencionais, vem há muito criticando este relatório anual.
Relatórios anteriores do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) e da FDA (Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA) mostraram que, quando “os agricultores utilizam pesticidas, seguem as leis e regulamentos rigorosos que regem a utilização de pesticidas para fornecer frutas e legumes seguros e saudáveis às famílias americanas, incluindo as deles próprios", diz um porta-voz da AFF - Federação Americana de Agricultores - em comunicado.
“A simples presença de resíduos não significa, de uma forma automática, que algo seja inseguro. A EPA - Agência de Proteção Ambiental dos EUA estabelece limites para os resíduos de pesticidas que já incluem amplas margens de segurança para proteger bebés e crianças”.
Químicos que duram para sempre presentes na nossa comida
Pela primeira vez, o relatório constatou que mais de 60% de todas as amostras da lista "Dirty Dozen" continham pesticidas que são também "químicos eternos", de seu nome PFAS. Os três pesticidas detetados com mais frequência nos produtos agrícolas foram as substâncias perfluoroalquiladas e polifluoroalquiladas.
Os PFAS são conhecidos como “químicos eternos” porque as suas ligações moleculares podem levar anos, décadas ou até mesmo séculos a decompor-se completamente no ambiente.
“O pesticida PFAS é o ingrediente ativo nestes produtos porque é eficaz a matar organismos. É precisamente por isso que é tão preocupante para a saúde pública e para o ambiente em geral”, dizia Bernadette Del Chiaro, vice-presidente sénior de operações da EWG na Califórnia, à CNN, numa entrevista recente.
Diversos compostos químicos PFAS têm sido associados a cancro, obesidade, doenças da tiroide, colesterol elevado, diminuição da fertilidade, danos no fígado, disfunções hormonais e danos no sistema imunitário, segundo a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA). Alguns destes compostos podem causar danos em concentrações na ordem de um bilionésimo de grama.
“Infelizmente, não há forma de conter os danos”, lamentou Del Chiaro. “Não podemos pura e simplesmente prejudicar os esporos de bolor ou os que existem num insetos num pêssego sem, hipoteticamente, prejudicar a criança que o come. O facto de estarmos a pulverizar, de forma intencional, os produtos que compramos no supermercado com químicos permanentes é algo que nos devia mesmo fazer-nos abrir os olhos”.
Um porta-voz da CropLife America, que representa a indústria dos pesticidas, diz à CNN, por e-mail, que a “campanha anual de disseminação do medo promove a desconfiança no nosso sistema alimentar e nas ferramentas que os agricultores utilizam para proteger as suas culturas contra as ervas daninhas, as pragas e as doenças”.
“O facto é que mais de 99% dos produtos testados estão muito abaixo dos limites de segurança estabelecidos pela Agência de Proteção Ambiental (EPA), que consideram o padrão de ouro”, junta.
Reduzir a exposição a pesticidas vindos dos produtos agrícolas
No seu relatório anual, o EWG cria também anualmente a lista "Quinze Limpos", que é uma lista de produtos não biológicos com a menor quantidade de resíduos de pesticidas.
Este ano, quase 60% das amostras do programa “Quinze Limpos” não apresentaram resíduos detetáveis de pesticidas. O ananás, o milho doce e o abacate lideraram a lista como os produtos menos contaminados entre todos aqueles que foram testados. De seguida, vêm a papaia, a cebola, as ervilhas congeladas, os espargos, a couve, a couve-flor, a melancia, a manga, a banana, a cenoura, o cogumelo e o kiwi.
A solução não passa por deixar de comer produtos frescos, sublinham os especialistas. As frutas e os legumes são a base de uma alimentação saudável. Por isso, o segredo está em consumir o máximo possível de diferentes tipos de frutas e legumes.
Outra excelente forma de reduzir a exposição a pesticidas passa por escolher mais produtos da lista “Quinze Limpos” e menos da lista “Doze Sujos”, bem como comprar versões biológicas das 12 frutas e legumes mais contaminados, afirma Varun Subramaniam, analista científico do EWG.
Os estudos demonstraram que consumir mais alimentos biológicos do que alimentos cultivados de uma forma convencional pode contribuir para reduzir os níveis de pesticidas presentes nos seres humanos, acrescenta.
“Há também, muitas vezes, opções orgânicas na secção de congelados”, diz Subramaniam. “Contudo, se não encontrar versões orgânicas de amoras, por exemplo, sabemos que toda e qualquer lavagem é sempre melhor do que não fazer nenhuma”.
Segundo a Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA), todos os produtos, mesmo os biológicos, devem ser lavados antes de serem descascados, de modo a evitar a transferência de sujidade e bactérias da faca para a fruta ou o vegetal. Após a lavagem, seque com um pano limpo ou com papel de cozinha.
Produtos firmes, como cenouras, pepinos, melões e batatas, podem ser esfregados com uma escova de legumes limpa em água corrente, segundo a FDA. Todos os outros produtos podem ser esfregados de uma forma suave enquanto são enxaguados. Não há necessidade de utilizar lixívia, sabão ou produtos de limpeza específicos para frutas e legumes — são porosos e podem absorver estes químicos.
Retire as folhas mais de fora da couve, da alface e de outras verduras de folha e lave cada uma delas cuidadosamente — mas não deite água em excesso, ou vai acabar por dar cabo delas.
Os especialistas afirmam que o ideal é utilizar água a baixa pressão e que esteja mais quente do que os legumes, bem como um escorredor para os secar. Não se esqueça é de lavar o escorredor depois. A exceção são as folhas verdes embaladas que já foram submetidas a tripla lavagem, que, segundo a FDA, não necessitam de mais uma passagem por água.
Fonte: CNN Portugal
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