Portuguese English French German Italian Spanish

  Acesso à base de dados   |   em@il: qualfood@idq.pt

A Escolha Sustentável, primeiro sistema de qualificação que valoriza produtos, serviços e medidas que contribuem ativamente para a sustentabilidade a nível social, ambiental e económico, realizou um estudo que sobre as tendências e hábitos de sustentabilidade dos portugueses. A análise revela uma consciência ambiental crescente por parte dos consumidores, e um esforço coletivo para adotar estilos de vida mais responsáveis. Contudo são ainda evidentes os obstáculos que dificultam a mudança de hábitos e comportamentos.

A maioria dos consumidores acredita que as suas escolhas podem impactar o mundo (81%) e que todos temos igual responsabilidade por promover o consumo sustentável (51%). Neste sentido, 37% dos participantes procura frequentemente informação sobre a origem ou impacto dos produtos que compra e 35% fazem-no ocasionalmente.

Para grande parte dos entrevistados, os valores mais associados à sustentabilidade são a saúde e bem-estar e a justiça social (cerca de 70%), seguidos pela ética nos negócios (53%). Só metade dos inquiridos atribuiu elevada importância a conceitos como: consumo responsável, direitos dos animais e sustentabilidade ambiental (50%).

Alimentação desperta maior preocupação
 
De acordo com o estudo, a alimentação é o sector que desperta maior preocupação entre os consumidores (20%), desde o momento da escolha dos produtos, ao do consumo consciente, especialmente no esforço para evitar o desperdício. 39% preocupa-se frequentemente com a origem dos alimentos que consome e 22% está sempre atento a esta questão. No entanto, esta é também a área que enfrenta os maiores desafios, com obstáculos como o preço elevado, oferta reduzida e pouco acessível de produtos sustentáveis.

Embora 51% considere critérios éticos ou ambientais ao comprar roupa, moda e vestuário é o segundo sector mais mencionado (17%) no que diz respeito à dificuldade em consumir de forma “consciente”. Isto está relacionado com o número limitado de opções no mercado, pois quando há produtos mais ecológicos são por vezes inadequados às necessidades ou muito caros. Além disso, o mercado da fast fashion continua a ser mais acessível, tornando assim difícil a transição para opções ecológicas.

Na vertente de transporte e mobilidade as dificuldades em adotar um estilo de vida sustentável resultam da falta de alternativas públicas e do custo das opções mais ecológicas. Ao escolher o seu meio de transporte 49% tem em consideração o impacto ambiental do mesmo e 39% afirma ter isso em consideração às vezes. No entanto, 54% indica o carro próprio como o seu meio de deslocação mais frequente. Os transportes públicos (27%) e andar a pé (14%) são também citados pelos entrevistados.

Falta de confiança nas alegações ambientais

Quando questionados sobre quais os fatores que mais influenciam no momento da compra, 48% dos portugueses dão prioridade à qualidade e 34% ao preço. Apenas 11% refere o impacto ambiental ou social como critério decisivo. Ainda assim, os consumidores mostram-se dispostos a pagar mais por produtos que sejam justos, ecológicos e de produção local. Somente 7% afirma não estar disposto a pagar qualquer valor adicional por este tipo de artigos.

A estes fatores junta-se ainda a desconfiança face ao greenwashing, com muitos dos inquiridos céticos quanto à veracidade das alegações ambientais feitas por diversas empresas, o que reduz a confiança em produtos classificados como sustentáveis.

Relativamente às práticas sustentáveis implementadas no dia a dia, destacam-se a poupança de água e energia (23%), a separação dos resíduos recicláveis (23%) e a reutilização de embalagens (22%). Já a compra de produtos sustentáveis (14%) ou a utilização de transportes alternativos ao automóvel têm menor expressão (13%). Todavia, 45% dos participantes evita produtos de empresas que contrariam as suas convicções, 51% afirma fazê-lo às vezes e 4% admite não evitar estes artigos. No último ano, 25% reduziu o uso de plástico, 23% optou por arranjar ou reutilizar produtos em vez de comprar novos e 14% comprou artigos em segunda mão. No caso dos equipamentos eletrónicos, 69% dos consumidores prefere reparar antes adquirir um novo.

Apesar das dificuldades, 55% dos consumidores expressa preocupação com o futuro do planeta e assume já ter adotado hábitos de consumo consciente, como a diminuição do desperdício alimentar, a reciclagem, a compra de artigos em plataforma de segunda mão ou a reparação de equipamentos eletrónicos. Os inquiridos alertam ainda que esta mudança de comportamento só será sustentável se houver acesso facilitado, transparência e preços mais justos.

As candidaturas para a edição de 2026 do Prémio Escolha Sustentável da ConsumerChoice já estão abertas para todas as marcas que pretendam concorrer para alcançar esta certificação.

Fonte: Grande Consumo

Quando tradição e futuro se encontram, nascem histórias de impacto real. A Banana da Madeira é exemplo disso mesmo: fruto da dedicação de pequenos produtores, do respeito pela terra e da aposta em práticas inovadoras, tornou-se referência nacional em sustentabilidade. O reconhecimento com o Prémio Escolha Sustentável 2025 não só valida este percurso, como abre portas para novos desafios e colaborações que prometem transformar o setor.

Para a Banana da Madeira esta distinção funcionou como um verdadeiro catalisador, reforçando internamente o sentido de missão das equipas e elevando, ainda mais, a fasquia no compromisso com a sustentabilidade.

Externamente, a visibilidade conquistada junto de clientes e parceiros foi imediata, originando novos contactos e propostas de colaboração. Um exemplo concreto foi a aceleração de um projeto-piloto de otimização hídrica com produtores locais, que já está a permitir poupanças superiores a 20% no consumo de água, sem comprometer a qualidade do fruto.

Indicadores que contam e dados que se comprovam

O caminho da Banana da Madeira assenta em métricas claras e auditadas, garantindo credibilidade e transparência:

  • Emissões evitadas de CO₂ equivalente, fruto do uso de viaturas 100% elétricas e de transporte marítimo rápido — apenas dois dias até ao continente, reduzindo significativamente a pegada de transporte.
  • Circularidade de materiais, com a substituição integral de sacos plásticos por sacos de TNT reutilizáveis, capazes de durar três a quatro utilizações, distribuídos gratuitamente aos produtores.
  • Eficiência hídrica, através de técnicas avançadas de gestão de rega adaptadas à complexa orografia madeirense.
  • Valor social, preservando práticas agrícolas tradicionais, não intensivas, e apoiando a integração e capacitação de pequenos produtores.
  • Combate ao desperdício alimentar, com o apoio anual a mais de 130 instituições sociais, através da oferta de bananas e da colaboração em diversos projetos comunitários.

Estes resultados são validados por certificações e auditorias independentes, como GlobalG.A.P., ISO 22000:2023 e Certificação Biológica Europeia, reforçadas por monitorizações regulares de entidades externas.

 

Olhar em frente: inovação, escalabilidade e colaboração

A estratégia para os próximos anos assenta em três eixos:

  1. Inovação — reforçar sistemas inteligentes de rega e monitorização de nutrientes.
  2. Escalabilidade — consolidar a presença no mercado nacional e expandir para outros mercados europeus, mantendo a baixa pegada carbónica.
  3. Colaboração sectorial — partilhar metodologias e criar sinergias com os produtores.

No horizonte, porém, não faltam desafios: a volatilidade climática e a necessidade de conciliar a transição energética e logística com custos competitivos, sem abdicar de princípios ambientais.

 O resultado é um fruto que transporta o sabor da tradição, a qualidade da certificação e um compromisso inabalável com o futuro do planeta.

Leia o artigo completo aqui.

Fonte: Greensavers

Nos arredores de Lisboa, um local industrial abandonado ganhou nova vida como uma biorrefinaria de última geração. Está a aumentar a produção de microalgas – uma nova fonte de nutrição.

Estes organismos unicelulares podem produzir compostos como proteínas, lípidos e hidratos de carbono com muito pouca água e sem necessidade de terras aráveis – todos elementos cruciais na busca pela melhoria da segurança alimentar.

Mas há um senão. Continua a ser um desafio cultivar e processar microalgas numa escala e a um custo que possam competir com produtos nutricionais comuns, como o óleo de palma ou a soja.

Mudar a produção alimentar
O local em Lisboa, parte de uma colaboração de investigação financiada pela UE chamada MULTI-STR3AM, pode ter oferecido um caminho a seguir. A cooperação reuniu uma equipa multinacional de investigadores e especialistas da indústria para enfrentar este desafio.

«É possível cultivar microalgas em antigas instalações industriais ou outras áreas que não são adequadas para uso agrícola», afirmou Mariana Doria, diretora de análise de negócios e mercado da empresa portuguesa de biotecnologia A4F – Algae for Future. Ela coordenou a colaboração internacional, que decorreu de 2020 a abril de 2025.

Atualmente, a agricultura utiliza quase 40 % das terras da UE e um quarto da sua água. Separar a produção alimentar da terra é, portanto, um passo crucial para melhorar a segurança alimentar e tornar a indústria alimentar mais sustentável.

O MULTI-STR3AM foi financiado pela Circular Bio-based Europe Joint Undertaking. Esta parceria público-privada entre a UE e o Bio-based Industries Consortium apoia a investigação que ajuda na transição para uma economia competitiva, sustentável e com baixas emissões de carbono na Europa.

«O mundo está a mudar, a agricultura está a mudar», afirmou Rebecca van der Westen, tecnóloga sénior de produtos da Flora Food Group, uma empresa alimentar holandesa com presença em mais de 100 países em todo o mundo.

«Então, como podemos sustentar-nos de forma saudável? As microalgas são uma das respostas.»

Alquimia das algas
Para crescer, as microalgas precisam de água, CO2 e nutrientes essenciais, como azoto e fósforo. Através dos seus processos metabólicos, transformam estes nutrientes inorgânicos em glicose e outras moléculas orgânicas.

Na maioria das vezes, esse processo ocorre por meio da fotossíntese, que requer luz solar. No entanto, algumas microalgas podem crescer no escuro, alimentando-se de nutrientes orgânicos, como a glicose, um processo conhecido como crescimento heterotrófico.

No MULTI-STR3AM, as microalgas são cultivadas em fotobiorreatores ou tanques de fermentação. Quando atingem o crescimento suficiente, a sua biomassa é colhida e transferida para processamento na biorrefinaria de Lisboa.

As células das microalgas são abertas e os seus componentes valiosos – proteínas, lípidos, pigmentos e hidratos de carbono – são separados e refinados em ingredientes utilizáveis.

A instalação processa cerca de 10 toneladas de biomassa por ano e foi concebida para lidar com uma vasta gama de estirpes de microalgas.

Para aumentar a sustentabilidade, o CO2 residual da combustão de gás natural é reintroduzido no sistema como recurso para as microalgas. Os resíduos líquidos das indústrias próximas servem de meio de cultura e a água é recirculada após a colheita da biomassa.

Por fim, os ingredientes processados são fornecidos a várias indústrias para utilização em produtos de consumo.

Leia o artigo completo aqui.

Fonte: Horizon Magazine

 

Resíduos como caroços de azeitona, cascas de laranja ou podas de videira, tidos como lixo, ganham uma nova vida com o projeto BioShoes4All, que os vai incorporar em sapatos portugueses, num investimento de 60 milhões de euros.

Este projeto, que envolve 50 empresas, para além de 20 entidades do sistema científico e tecnológico, surgiu com o objetivo de dar um novo impulso à transição do ‘cluster’ do calçado português para uma economia baseada em recursos renováveis, com um ‘empurrão’ do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

“O objetivo foi identificar subprodutos agroalimentares, agroindustriais e agroflorestais, que Portugal tem em grande quantidade e que não eram valorizados. Por exemplo, a casca do pinheiro, o pó de café moído ou folhas e podas de videira”, explicou a responsável pelo projeto, Maria José Ferreira, à Lusa.

Destes subprodutos são assim extraídos “ingredientes químicos”, que depois são usados para transformar as peles.

Já os caroços de azeitona, a pele da castanha, cascas de arroz, restos de tomate ou de casca de laranja podem ganhar uma nova vida em palmilhas, garantido que o produto para além de sustentável é resistente.

Maria José Ferreira quer que estas soluções agradem visualmente ao consumidor, mas também que este seja informado de que está a comprar sapatos “que também são bons para ele”, do ponto de vista do conforto, mas também biomecânico.

Neste sentido, são realizadas análises científicas que atestam que o produto é ‘bio’.

Este projeto quer chegar a adultos, mas também a crianças, para além ter opções mais técnicas ou dedicadas ao público sénior.

Outro aspeto em que a BioShoes4All está a dar “os primeiros passos” é na garantia de que o calçado pode também ele vir a ser reciclado e a integrar a economia circular.

“Vai ser necessário mais trabalho e projetos complementares. O calçado é um produto muito complexo, com muitos materiais, e não podemos pôr em causa a sua durabilidade e resistência. Não podemos ter um sapato que se desmanche facilmente”, avisou a responsável.

Conforme apontou, os consumidores têm-se mostrado muito interessados nestas soluções, tendo o projeto somado contactos de potenciais clientes europeus e não europeus na feira de calçado MICAM, que encerra hoje, em Milão, Itália, e na qual foram apresentados os resultados do BioShoes4All.

No futuro, o projeto quer também vir a integrar no calçado subprodutos que venham do mar, estando já em contacto com várias entidades que podem ajudar nesta matéria.

Este projeto conta com um financiamento de 40 milhões de euros, num total de 60 milhões de euros de investimento.

Segundo os dados disponibilizados pela APICCAPS – Associação Portuguesa da Indústria do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e Sucedâneos, no primeiro semestre de 2025, as exportações portuguesas de calçado aumentaram 3,7% em valor para 843 milhões de euros.

Entre janeiro e junho, foram exportados 36 milhões de pares, mais 5,4%.

Em 2024, as exportações do ‘cluster’ do calçado atingiram 2.147 milhões de euros.

No ano passado, Portugal produziu 80 milhões de pares de sapatos, sendo que 68 milhões de pares foram exportados, no valor de 1.724 milhões de euros.

O calçado português foi, neste período, comercializado, em mais de 170 países e Belize foi o mais recente destino.

O Plano Estratégico do Cluster do calçado prevê um investimento de 600 milhões de euros até 2030.

Fonte: Agroportal

As candidaturas ao apoio de 50 cêntimos por quilo de uva a destilar no Douro devem ser submetidas até 15 de setembro, medida que privilegia viticultores com até cinco hectares e insere-se no plano aprovado pelo Governo.

O regulamento do plano de ação para a gestão sustentável e valorização do setor vitivinícola da Região Demarcada do Douro (RDD) foi publicado hoje, em Diário da Republica, depois de aprovado no conselho de ministros de 28 de agosto.

A medida é publicada numa altura em que o Douro está já em vindima, perspetivando-se uma quebra de produção que poderá atingir os 50%, ultrapassando os 20% da previsão oficial do Instituto da Vinha e do Vinho.

“O Douro tem uma especificidade que devemos atender, é património da UNESCO e, por isso, aprovamos uma resolução de conselho de ministros que tem um efeito imediato no que diz respeito a um apoio de 50 cêntimos por quilo [uva] para todos os viticultores e com o objetivo de destilação”, afirmou na altura o ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes.

O plano do Governo foi aprovado depois de queixas e alertas de produtores por não conseguirem escoar a uva ou pela sua venda a preços baixo, enquanto os comerciantes apontavam aos ‘stocks’ cheios e às quebras nas vendas de vinho.

A medida “uvas para vinho a destilar” pretende “assegurar um rendimento mínimo ao viticultor, através de um apoio que permitirá a redução dos excedentes de vinho na RDD, sendo atribuído um apoio de 50 cêntimos por quilo de uva destinada a destilação.

A dotação orçamental da medida é de 15 milhões de euros provenientes do Orçamento do Estado.

De acordo com o regulamento hoje publicado, “são considerados prioritários os viticultores cuja área total de exploração não exceda cinco hectares” e as candidaturas têm de ser submetidas pelo vinificador junto do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP) até 15 de setembro de 2025.

Segundo o que é explicado, o IVDP efetua o levantamento das quantidades máximas por viticultor, com a imposição de um limite máximo individual de 30% da média de produção dos últimos cinco anos.

Para a obtenção do apoio, deve ser celebrado um acordo prévio entre viticultor, vinificador e destilador, cujo modelo de implementação é determinado pelo IVDP, podendo ser estabelecidas regras de rateio se for ultrapassado o orçamento disponível.

O IVDP deve comunicar até 22 de setembro as candidaturas aprovadas e volumes máximos de uvas para destilação objetos de apoios e respetivos rateios, quando aplicável, sendo que os viticultores com área total igual ou inferior a cinco hectares não estão sujeitos a rateio.

Aos restantes viticultores sujeitos a uma percentagem de rateio, quando aplicável, será assegurado, pelo menos, 25% do valor correspondente à quantidade elegível candidatada.

O pagamento do apoio ao viticultor, incluindo aos associados das adegas cooperativas, é feito pelo IVDP através da “conta produtor”, após verificação do cumprimento de todos os requisitos legais e o vinho será entregue ao destilador inscrito no instituto público, que controla a destilação.

O plano governamental inclui ainda medidas estruturais de ajustamento do potencial produtivo na RDD, de forma a adaptar a oferta à procura do mercado, inibe novas autorizações de plantação de modo a travar o contínuo aumento da área apta à produção de vinho do Porto e apoia a reconversão de áreas de vinha com culturas alternativas, salvaguardando a identidade cultural e património vitícola da RDD.

Prevê ainda medidas específicas para as adegas cooperativas, uma intensificação da fiscalização e rastreabilidade dos produtos rotulados como Denominação de Origem Protegida (DOP) Porto ou Douro, bem como o reforço dos controlos dos movimentos de vinho para o interior da região demarcada.

Inclui um programa plurianual de promoção e internacionalização dos vinhos do Douro, quer mobilizar o potencial turístico da região e reforçar o consumo responsável.

Quanta carne as pessoas devem consumir por dia ou por semana? E os laticínios? E os ovos?

É uma pergunta comum não apenas na mente dos consumidores, mas também na dos produtores de alimentos.

As receitas dos produtos devem aumentar ou reduzir o teor de ovos? O consumo de laticínios está "na moda" ou "fora de moda"? E quanta carne é considerada excessiva?

Tudo isso será respondido por uma nova orientação global para alimentos de origem animal que está atualmente em desenvolvimento.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) é a responsável pelas diretrizes globais. A agência de saúde da ONU abriu uma consulta pública este mês para reunir o máximo de evidências e insights possíveis para o desenvolvimento de suas diretrizes.

Isso ocorre em meio à crescente compreensão do impacto da dieta na desnutrição e nas doenças não transmissíveis (DNTs).

Alimentos de origem animal são conhecidos por serem boas fontes de proteína biodisponível, bem como vitaminas e minerais essenciais, mas o consumo excessivo pode ser uma má notícia.

Carne processada, carne vermelha e carne gordurosa têm maior probabilidade de estar na lista de desejos dos médicos. Comer grandes quantidades de ovos também pode ser prejudicial à saúde, devido ao alto teor de colesterol presente nos ovos. E o teor de gordura saturada dos laticínios pode aumentar o risco de doenças cardíacas.

Mas, inversamente, a substituição de todos os alimentos de origem animal por alimentos de origem vegetal também traz riscos à saúde. "O consumo de alimentos de origem vegetal pode estar associado à redução do risco de doenças crônicas não transmissíveis relacionadas à dieta, mas dietas compostas quase exclusivamente por alimentos de origem vegetal podem aumentar o risco de deficiências nutricionais", explica a OMS.

Uma equipa de especialistas recrutada pela OMS é responsável por desenvolver a orientação.

Conhecida como grupo de desenvolvimento de diretrizes da OMS (GDG), a equipa já determinou o escopo da diretriz da OMS sobre ingestão ideal de alimentos de origem animal, após rever a literatura científica.

Além dos efeitos na saúde, o GDG também levará em conta fatores contextuais, como impacto ambiental e sustentabilidade. Riscos microbianos e químicos associados a alimentos de origem animal e vegetal também serão considerados.

Está longe de ser a primeira vez que a OMS estabelece diretrizes globais sobre a quantidade e a frequência de consumo de um determinado alimento ou ingrediente. A agência da ONU já fez isso para proteínas, gorduras e carboidratos, bem como para sal, açúcares livres e calorias totais.

A OMS também está no processo de definir diretrizes globais sobre a quantidade de alimentos ultraprocessados ​​(AUP) que é segura para consumo.

Fonte: FoodNavigator Europe

Vivemos tempos de paradoxos alimentares. De um lado, prateleiras cheias, frutas reluzentes calibradas ao milímetro, filetes de peixe perfeitamente dispostos no gelo e a promessa de frescura pronta a consumir. Do outro, zonas de conflito, escassez e insegurança alimentar agravada por guerras duradouras, privando milhões do acesso a alimentos básicos. Neste mundo, onde a abundância convive com a carência, é eticamente insustentável não haver políticas de combate ao desperdício de alimentos frescos como acontece com hortofrutícolas descartados por não corresponderem a padrões estéticos, pescado subvalorizado por não se adequar aos critérios comerciais ou desadequado planeamento no retalho que promove muitas vezes a produção excedentária de tantos outros bens alimentares frescos. No seio desta problemática, os alimentos frescos, pela sua elevada perecibilidade e/ou sensibilidade à gestão pós-colheita, abate ou captura, representam uma fatia considerável do desperdício ao longo da cadeia agroalimentar.

Este número da TecnoAlimentar convida, por isso, à reflexão e à ação. A academia e a indústria não hesitaram em responder ao desafio lançado pelo nosso editor convidado, a Professora Doutora Beatriz Oliveira, cujas preocupações sobre o tema têm sido amplamente expressados nos mais diversos foruns. Os artigos reunidos no dossier, também alinhados com estas preocupações, propõem caminhos concretos para um sistema alimentar mais justo e eficiente. Produtos que não chegam à mesa pelos canais habituais podem, com o apoio científico, ter um percurso circular, com a valorização das suas propriedades e componentes em todas as fases de transformação.

Entre os temas em destaque, analisam-se estratégias de valorização de frutas frescas e subprodutos hortofrutícolas, sem esquecer os principais pontos críticos de desperdício em cadeias agroalimentares insulares, onde se mapeiam com rigor os fluxos de desperdício agroalimentar e propõem soluções adaptadas à escala e especificidades locais. Entre as ilhas e o continente existe ainda um mar, generoso mas finito, que exige de nós respeito e responsabilidade. A quantidade de pescado fresco que não chega ao consumo humano, por falta de canais adequados de valorização, é também alvo de estudo e preocupação de unidades de investigação que meritoriamente apoiam este cluster.

A este quadro junta-se a perspetiva de um agente económico com forte presença nos setores da restauração coletiva e da distribuição no canal HORECA que, na entrevista deste número, partilha a sua abordagem estratégica à redução do desperdício, com especial incidência na gestão de frescos. A integração de boas práticas operacionais e soluções tecnológicas adaptadas à escala e complexidade do setor revela o papel estruturante que os operadores logísticos e de fornecimento coletivo podem desempenhar na mitigação de perdas de produtos frescos.

E porque a mudança começa muitas vezes em casa, aborda-se o desperdício alimentar no contexto doméstico. Muitas vezes fruto de desinformação, hábitos enraizados ou escolhas impulsivas. Reduzir o desperdício não é apenas uma meta técnica é também um imperativo moral, um exercício à escala planetária.

No que diz respeito aos esforços do lado de quem investiga e produz conhecimento, é tempo de reequilibrar prioridades. Os princípios de segurança alimentar estão hoje bem definidos e aplicados através de regulamentação e sistemas de controlo robustos. O conhecimento sobre a composição nutricional dos alimentos e dos seus subprodutos encontra-se amplamente consolidado na literatura científica. Depois de décadas de investigação e milhares de euros investidos na exploração destes temas, torna-se agora prioritário avançar para a concretização de soluções práticas que reduzam, de forma efetiva, o desperdício ao longo de toda a cadeia de valor.

Deste modo, é urgente menos diagnóstico e mais implementação, com inovação aplicada, articulação entre agentes e compromisso efetivo com a sustentabilidade do sistema alimentar.

 

Fonte: Tecnoalimentar

A confederação das cooperativas agrícolas defendeu hoje a criação de uma entidade reguladora para o setor agroalimentar, para que os elos da cadeia estejam em “pé de igualdade”, e pediu que seja convocada a plataforma PARCA.

“É preciso que haja um equilíbrio nos três elos da cadeia – primário, indústria e distribuição -, e parece-me que a plataforma que reúne todos os ‘players’ desta fileira, a PARCA, podia servir de embrião para criarmos uma entidade reguladora”, avançou o presidente da Confagri – Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal, Idalino Leão, em declarações à Lusa.

A composição desta entidade e as respetivas competências de cada participante devem ser discutidas em sede da PARCA – Plataforma de Acompanhamento das Relações na Cadeia Agroalimentar, que não reúne desde 2024, apontou a confederação, sublinhando que a produção não está “no mesmo pé de igualdade” que a distribuição.

Contudo, Idalino Leão esclareceu não ver os operadores da grande distribuição como “os maus da fita”, mas como parceiros.

Ainda assim, referiu que “para tudo funcionar de forma equilibrada” é necessária uma entidade reguladora.

Leia o artigo completo aqui.

Fonte: Agroportal

Guia Técnico para os materiais e artigos de cortiça para contacto com géneros alimentícios foi publicado pela European Directorate for the Quality of Medicines & HealthCare (EDQM).
As recomendações presentes neste Guia Técnico visam promover a harmonização das normas técnicas em toda a Europa e facilitar a sua aplicação pelos fabricantes, embaladores e distribuidores que utilizem material de cortiça em contexto alimentar, apoiando ativamente a proteção da saúde do consumidor.
Este guia foi elaborado por um grupo de trabalho do Conselho da Europa coordenado por Portugal, representado pela Direção de Serviços de Nutrição e Alimentação da Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DSNA/DGAV).
Este trabalho contou ainda com os contributos do Centro Tecnológico da Cortiça, da Associação Portuguesa da Cortiça e do CINATE a quem manifestamos um especial agradecimento por todo o apoio prestado.

Este Guia pode ser consultado aqui.

Fonte: DGAV

A Secretaria Regional do Ambiente e Ação Climática dos Açores anunciou o arranque do projeto INTERREG VI D Madeira-Açores-Canárias (MAC 2021-2027) – “TEXTIL: Tecendo um Futuro Sustentável”, uma iniciativa europeia que pretende promover a economia circular no sector têxtil e reduzir o impacto ambiental deste segmento.

O projeto, que envolve um investimento superior a 230 mil euros, cofinanciado pelo programa INTERREG MAC, estende-se a várias regiões da Macaronésia — Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde — e a países africanos parceiros, incluindo São Tomé e Príncipe.

Segundo o secretário regional do Ambiente e Ação Climática, Alonso Miguel, a iniciativa visa “reduzir a dependência de têxteis não sustentáveis e reforçar a economia local, através da reutilização, da reciclagem e de uma gestão mais eficiente dos resíduos têxteis”.

 Envolvimento de universidades, sociedade civil e sector empresarial

O projeto conta com a participação de governos regionais e locais, de várias universidades — entre elas a Universidad de Las Palmas (Gran Canaria), a Universidad de La Laguna (Tenerife), a Universidade dos Açores, a Universidade de Cabo Verde e a Universidade de São Tomé e Príncipe — bem como de centros tecnológicos e organizações da sociedade civil, como a AJITER – Associação Juvenil da Ilha Terceira e a Fundação Gaspar Frutuoso.

O sector empresarial também marca presença através da Associação Comercial e Industrial do Funchal – Câmara de Comércio e Indústria da Madeira, reforçando a vertente prática e de aplicação no mercado.

Para Alonso Miguel, este projeto reforça a Agenda para a Economia Circular dos Açores, recentemente publicada, e responde aos desafios particulares de uma região arquipelágica.

 Alonso Miguel sublinha que o objetivo final passa por “caminhar para uma geração de desperdício zero nos Açores, alinhada com os princípios da economia circular e da sustentabilidade ambiental”.

Com esta iniciativa, o arquipélago assume-se como um dos territórios pioneiros na implementação de soluções circulares para o sector têxtil, um dos mais poluentes a nível global, contribuindo para a redução da pegada ambiental e para o fortalecimento da economia regional.

Fonte: Grande Consumo