Os tomates são ricos em vitaminas C, A e K, antioxidantes como o licopeno e fibras. Ajudam a proteger o coração, reduzem inflamações, melhoram a saúde da pele e fortalecem o sistema imunitário. Contribuem para a prevenção de alguns cancros e promovem uma digestão mais saudável.
Possuem um reduzido teor calórico, hidratam e constituem um alimento versátil para a alimentação do dia-a-dia. Além disto, são um fruto famoso por ajudar no controlo do peso, muito utilizado por quem quer manter ou perder peso. Entre as variedades mais conhecidas deste fruto estão o tomate chucha, tomate cereja, tomate maçã ou coração de boi.
A frequência da rega da planta do tomate depende das condições locais e da fase da estação. Se o tomateiro estiver a ser plantado a partir das sementes, a fase inicial precisa de regas frequentes e superficiais, para manter a superfície ligeiramente húmida. Se não fizer uma rega frequente no início, “(...) forma-se uma crosta e as pequenas plântulas não conseguem atravessá-la”, refere Brenna Aegerter, consultora agrícola da Universidade da Califórnia.Assim que as plantas estiverem bem enraizadas, o ideal é regar com menos frequência, mas em profundidade, para manter o solo uniformemente húmido, sem ficar encharcado.
Joe Masabni, professor e especialista em horticultura, salienta o cuidado a ter no final da estação com a eventualidade de uma rega excessiva: os frutos podem ganhar um sabor insípido e uma textura mole. Para aprimorar o sabor, Masabni recomenda regar em profundidade uma vez por semana, mesmo que a planta pareça stressada ou o solo esteja seco.
Quando as folhas não se mantêm verdes ao longo da estação, são sinal de que uma doença estará a instalar-se no tomateiro (míldio e murcha de verticílio entre as mais comuns). As plantas dos tomateiros devem estar verdes desde o solo até ao topo durante toda a estação.
Para evitar o aparecimento e espalhamento das doenças que danificam a planta do tomateiro, Masabni recomenda uma pulverização regular com produtos orgânicos.
O perito em horticultura enfatiza que essa pulverização depende das condições climáticas do local em que reside. Se residir numa zona mais seca basta aplicar a cada duas semanas ou dez dias. Mas se vive numa zona chuvosa e húmida, a pulverização deve ser mais frequente, de cinco em cinco ou de sete em sete dias.
Segundo Masabni, a investigação científica já foi capaz de comprovar que “assim que o fruto atinge a maturidade fisiológica, ou seja, quando está verde com um ligeiro tom rosado, já pode ser colhido”.
Masabni realça o cuidado a ter com demasiado espaço entre os tomateiros, recomendando que as plante a 60 cm de distância umas das outras. Uma poda regular das folhas inferiores faz com que obtenha mais plantas por espaço e promove uma boa circulação do ar. Para tal comece por:
Quando ocorre um aumento da humidade noturna, esta tende a provocar um aborto das flores. Masabni explica que “ao remover os ramos e folhas mais altos, a energia alimentar que a planta produz vai ajudar os frutos existentes a ficarem maiores e mais saborosos, em vez de ir para as flores mais jovens que podem nunca se desenvolver”.
Os tomates podem sofrer de podridão apical, causada por uma deficiência de cálcio no solo. Para evitar que os tomates fiquem impróprios para consumo, Masabni recomenda guardar as cascas de ovo. “Seque-as, triture-as e coloque o equivalente em pó de uma casca de ovo por planta no fundo do buraco que cavar para a planta”, afirma o perito.
As raízes da planta absorvem o cálcio dissolvido. Como alternativa, dissolva as cascas de ovo em vinagre e verta a mistura no solo uma ou duas semanas após o transplante, para um reforço instantâneo de cálcio.
Seja prudente quanto à rotação de culturas e ao plantio de tomates ao lado ou após outras plantas da família das solanáceas, como beringelas, pimentos ou batatas.
Uma equipa de investigadores da Universidade de Adelaide está a explorar uma solução inovadora que pode ajudar a combater simultaneamente a poluição por plásticos e a necessidade global de energia limpa: converter resíduos plásticos em combustível utilizando luz solar.
O estudo, publicado na revista Chem Catalysis, demonstra como tecnologias alimentadas por energia solar podem transformar plásticos descartados em hidrogénio, gás de síntese e outros compostos químicos úteis para a indústria.
Atualmente, são produzidas mais de 460 milhões de toneladas de plástico por ano em todo o mundo, sendo que uma parte significativa acaba no ambiente. Ao mesmo tempo, cresce a urgência de reduzir a dependência de combustíveis fósseis, impulsionando a procura por alternativas mais limpas.
Segundo os investigadores, o plástico — rico em carbono e hidrogénio — pode ser encarado não apenas como lixo, mas como um recurso valioso. O processo utilizado, conhecido recorre a materiais chamados fotocatalisadores, que são ativados pela luz para decompor o plástico a temperaturas relativamente baixas.
Este método permite produzir hidrogénio, considerado um combustível limpo por não emitir poluentes no ponto de utilização, além de outros produtos químicos com valor industrial. Em comparação com métodos tradicionais de produção de hidrogénio, como a divisão da água, esta abordagem pode ser mais eficiente do ponto de vista energético.
Ensaios recentes já demonstraram resultados promissores, incluindo elevadas taxas de produção de hidrogénio e a geração de compostos como ácido acético e hidrocarbonetos semelhantes ao gasóleo. Em alguns casos, os sistemas funcionaram continuamente durante mais de 100 horas, evidenciando melhorias na estabilidade.
Apesar do potencial, os investigadores alertam para desafios importantes. A diversidade dos plásticos — que variam em composição e contêm aditivos como corantes e estabilizadores — dificulta o processo de conversão, tornando necessária uma triagem e preparação eficaz dos resíduos.
Outro obstáculo prende-se com o desenvolvimento de fotocatalisadores mais resistentes e eficientes, capazes de operar de forma consistente em condições exigentes. Além disso, a separação dos produtos resultantes, frequentemente uma mistura de gases e líquidos, ainda exige processos intensivos em energia.
A equipa defende uma abordagem integrada, combinando avanços em engenharia química, design de reatores e otimização dos sistemas. Entre as soluções em estudo estão reatores de fluxo contínuo e sistemas híbridos que combinam energia solar com outras fontes.
Os autores acreditam que, com mais investigação e inovação, esta tecnologia poderá desempenhar um papel relevante na transição para uma economia circular e de baixo carbono, transformando um dos maiores problemas ambientais da atualidade numa oportunidade energética sustentável.
Fonte: GreenSavers
Lavar as mãos salva vidas — e 2026 volta a lembrar que este gesto básico continua a ser a primeira linha de defesa contra doenças evitáveis. Hospitais, escolas, empresas e instituições de saúde em todo o mundo assinalam hoje o Dia Mundial da Higiene das Mãos, reforçando uma mensagem clara: a prevenção começa na palma da mão.
Este ano, a Organização Mundial da Saúde destaca que até 70% das infeções associadas aos cuidados de saúde podem ser evitadas com práticas adequadas de higiene. No entanto, estudos recentes mostram que a adesão continua abaixo do recomendado, sobretudo em ambientes de grande circulação.
“A higiene das mãos não é apenas um hábito — é um compromisso com a segurança coletiva”, sublinha a OMS.
Em Portugal, várias unidades de saúde lançaram campanhas de sensibilização, com demonstrações práticas, auditorias internas e desafios interativos para profissionais e utentes. O objetivo é simples: transformar um gesto de segundos num reflexo automático.
Além do setor da saúde, também escolas e empresas reforçam hoje ações de formação, lembrando que lavar as mãos antes de comer, depois de usar transportes públicos ou ao chegar a casa reduz drasticamente o risco de transmissão de vírus e bactérias.
Num mundo onde a mobilidade é cada vez maior e os surtos se propagam com rapidez, a mensagem deste dia é inequívoca: a higiene das mãos é uma responsabilidade partilhada — e cada pessoa conta.
Fonte: Qualfood
A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e a Direção‑Geral da Economia (DGE) publicaram, a 27 de abril de 2026, a Circular n.º 02/2026, um documento que vem clarificar — de forma inédita — as obrigações dos estabelecimentos de restauração e bebidas no âmbito do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR).
Com a implementação plena do sistema volta®, o setor HORECA passa a desempenhar um papel central na recolha e encaminhamento de embalagens de bebidas de uso único, em plástico, metal ou alumínio, com volume inferior a 3 litros. Estas embalagens, quando colocadas no mercado nacional, estão sujeitas ao pagamento de um depósito que é devolvido ao consumidor quando a embalagem é entregue na rede SDR.
O que muda para restaurantes, cafés e bares?
Armazenagem obrigatória das embalagens consumidas no local — Os estabelecimentos devem garantir a armazenagem preliminar das embalagens vazias resultantes do consumo no próprio espaço;
Depósito pode ou não ser cobrado, consoante o serviço — A Circular distingue vários cenários:
Consumo no local: o depósito pode ser cobrado ou não, dependendo do modelo de venda;
Takeaway, delivery e drive‑in: o depósito é sempre cobrado no momento da venda;
Cantinas e refeitórios não HORECA: o depósito é sempre cobrado, mas não há obrigação de retoma;
Eventos e serviços não sedentários: podem existir alternativas como máquinas SDR no local ou devolução posterior.
Sem obrigação de retoma em alguns casos — Máquinas de vending e serviços takeaway não obrigam o operador a recolher embalagens — o consumidor devolve-as na rede SDR;
Encaminhamento obrigatório das embalagens — As embalagens recolhidas devem ser enviadas para:
logística inversa;
máquinas automáticas volta® (RVM);
pontos oficiais da rede SDR.
Situações sem direito a reembolso — Embalagens danificadas, sem tampa ou com código de barras ilegível não dão direito a devolução do depósito.
Um passo decisivo para a economia circular
A Circular 02/2026 reforça o compromisso nacional com metas ambientais ambiciosas, garantindo que o setor da restauração e bebidas contribui ativamente para a recolha de embalagens de elevada qualidade e para o aumento das taxas de reciclagem.
Fonte: Qualfood
A Foundation FSSC anunciou em maio de 2026 o lançamento oficial da FSSC 22000 Versão 7, uma atualização que marca um novo ciclo de exigência, harmonização e transparência para organizações certificadas em todo o mundo. A nova versão surge como resposta direta às revisões recentes da ISO 22003-1:2022, às expectativas do GFSI e às necessidades crescentes da indústria alimentar em matéria de cultura de segurança, integridade dos processos e gestão de riscos emergentes.
Principais mudanças introduzidas pela FSSC 22000 Versão 7
Impacto para empresas certificadas
A transição para a Versão 7 será obrigatória dentro do prazo definido pela FSSC, com auditorias de certificação e recertificação a migrarem progressivamente para o novo referencial. As organizações terão de:
Relevância para o setor alimentar
A FSSC 22000 Versão 7 consolida-se como um dos referenciais mais completos e reconhecidos globalmente, especialmente para empresas que procuram:
Com esta atualização, a FSSC reforça a sua posição como um dos sistemas de certificação mais alinhados com os desafios atuais da cadeia alimentar — desde riscos emergentes até expectativas sociais e ambientais.
Fonte: Qualfood
A Comissão Europeia divulgou ontem um novo estudo sobre a frota de pesca da União Europeia, concluindo que, apesar da redução da sua capacidade ao longo dos anos, persistem desequilíbrios entre os meios disponíveis e os recursos piscícolas.
O relatório mostra que a diminuição do tamanho e da potência da frota não foi suficiente para resolver problemas estruturais, frequentemente associados ao fraco desempenho económico do sector. Entre os fatores apontados estão o aumento dos custos operacionais, a volatilidade dos mercados e a pressão contínua sobre os stocks de peixe.
Além disso, o estudo identifica desafios significativos à sustentabilidade a longo prazo, como as alterações climáticas, a perda de biodiversidade e o envelhecimento tanto da frota como da força de trabalho. Estes constrangimentos afetam a resiliência e competitividade do sector, exigindo respostas estruturais.
O estudo analisa ainda experiências internacionais e métodos alternativos para medir a capacidade de pesca, com o objetivo de melhorar a gestão da frota europeia.
As conclusões irão alimentar a avaliação em curso da Política Comum das Pescas, quadro regulatório que orienta a gestão sustentável dos recursos marinhos na União Europeia. O objetivo é encontrar um equilíbrio mais eficaz entre a capacidade da frota e as oportunidades de pesca, promovendo simultaneamente a sustentabilidade económica, social e ambiental.
Encomendado pela CINEA e elaborado por especialistas independentes, o estudo baseia-se em análise de dados, estudos de caso e consultas a stakeholders de diferentes regiões marítimas.
Fonte: Grande Consumo
Investigadores da Universidade do Missouri desenvolveram uma nova abordagem de edição genética que evita o “silenciamento” de genes em galinhas, abrindo caminho à produção estável de proteínas úteis para a medicina diretamente nos ovos.
Uma equipa de cientistas da University of Missouri, nos EUA, apresentou um avanço significativo na área da genética aviária ao desenvolver uma técnica inovadora de edição genética que poderá permitir às galinhas produzir proteínas de interesse médico nos seus ovos.
O estudo responde a um problema antigo conhecido como silenciamento epigenético, um fenómeno que faz com que genes introduzidos artificialmente no ADN acabem por ser “desligados” ao longo do tempo. Esta limitação tem dificultado a criação de linhas estáveis de animais geneticamente modificados, sobretudo quando se pretende que as alterações sejam transmitidas às gerações seguintes.
Para ultrapassar este desafio, os investigadores recorreram à tecnologia CRISPR e direcionaram a inserção genética para um gene associado à enzima GAPDH, essencial para o metabolismo da glicose. Como esta enzima está ativa em praticamente todas as células e de forma contínua, a equipa partiu do princípio de que qualquer gene inserido nesta região também permaneceria ativo.
Para confirmar a hipótese, os cientistas introduziram um marcador fluorescente que permite observar se o gene permanece “ligado”. Após vários meses e múltiplas divisões celulares, os resultados mostraram que o marcador continuava ativo, indicando que o silenciamento genético não ocorreu.
Este avanço representa uma prova de conceito importante para o desenvolvimento de galinhas geneticamente modificadas capazes de produzir, de forma consistente, proteínas com aplicações clínicas — como anticorpos usados na prevenção de doenças virais, incluindo a gripe. Atualmente, os ovos já são utilizados para a produção de alguns destes compostos, mas a nova abordagem poderá tornar o processo mais eficiente e previsível.
Além das aplicações médicas, a técnica poderá ter impacto na agricultura e na economia. Os investigadores apontam, por exemplo, a possibilidade de introduzir genes que reduzam a transmissão da gripe aviária, garantindo que estas características benéficas se mantêm ativas e são herdadas ao longo das gerações.
A investigação foi publicada na revista científica Poultry Science . Os cientistas estão agora a colaborar com parceiros académicos e industriais para explorar aplicações práticas desta tecnologia e identificar as modificações genéticas com maior potencial impacto.
Fonte: CiB
As culturas lenhosas mediterrânicas destacam-se pelo equilíbrio entre rentabilidade, estabilidade de mercado e adaptação climática.
O regadio intensivo (abacate, citrinos e frutos vermelhos) oferece maiores receitas por hectare, mas com maior risco hídrico e exigência técnica.
O mercado de quintas rústicas produtivas registou um crescimento de 72% no volume de anúncios em 2025, com clara preferência pela segurança hídrica e propriedades sustentáveis que rodam mais rápido.
O setor agrícola português consolida-se como um mercado estratégico para o investimento. Segundo o Relatório sobre Culturas mais Rentáveis e Sustentáveis em Portugal, elaborado pela Cocampo – a plataforma de anúncios especializada na venda e arrendamento de fincas rústicas, a combinação de práticas sustentáveis, adoção tecnológica e uma clara orientação para culturas de alto valor acrescentado está a transformar o mapa agrícola do país.
Num contexto de transição para a eficiência produtiva, o relatório sublinha que a escolha da cultura e a sua perfeita adequação territorial são os fatores determinantes para garantir rentabilidade e resiliência climática.
O equilíbrio das culturas lenhosas
A análise posiciona as lenhosas mediterrânicas — olival, vinha de qualidade e frutos secos como amendoeira e pistácio — como as culturas com melhor equilíbrio para o investidor.
Estes produtos beneficiam de uma procura global sólida e registam uma melhoria progressiva nos retornos históricos. A modernização, especialmente através de sistemas superintensivos, permite acelerar a recuperação do investimento com mecanização da colheita e otimização de custos, além de oferecer maior resiliência ao stress hídrico.
Fruticultura de alta margem: receitas e desafios
Para projetos com elevada capacidade técnica, o relatório indica que o abacate, os citrinos e os frutos vermelhos (mirtilos, framboesas e morangos) apresentam as maiores receitas potenciais por hectare.
Contudo, o sucesso destes modelos depende de disponibilidade garantida de água e de uma infraestrutura logística exigente, dada a perecibilidade dos frutos.
Dinamismo do mercado de quintas rústicas
Os dados internos da plataforma Cocampo revelam um forte dinamismo nas quintas rústicas com vocação produtiva. Em 2025 registou-se um crescimento de 72% no volume de anúncios face ao ano anterior.
A oferta concentra-se especialmente no Algarve (44,6%), Norte (14,9%), Centro (10,9%) e Alentejo (6,8%). Cerca de 48% das propriedades apresentam condições ideais para olival intensivo ou superintensivo, 18% para vinha de qualidade, 15% para frutos secos e um crescente 12% para frutos vermelhos e abacate em zonas com regadio consolidado.
A procura privilegia claramente a segurança hídrica: as pesquisas de fincas com direitos de água ou regadio aumentaram 32%. As propriedades com características sustentáveis rodam 22% mais rápido no mercado.
“A agricultura em Portugal deixou de ser uma atividade tradicional para se tornar num setor onde convergem a tecnologia de precisão e a sustentabilidade. O que realmente importa já não é apenas produzir, mas otimizar o uso da água e a saúde do solo para que cada exploração seja um ativo valioso a longo prazo”, concluem da Cocampo.
Aceda aqui ao relatório.
Fonte: Agroportal
Uma nova geração de trigo capaz de suportar secas prolongadas, ondas de calor e solos cada vez mais pobres está a ganhar forma — e o motor desta transformação não é um laboratório tradicional, mas sim inteligência artificial (IA). Investigadores europeus anunciaram esta semana um avanço que pode redefinir a segurança alimentar num planeta em aquecimento acelerado.
A tecnologia analisa milhões de combinações genéticas em minutos, algo que levaria décadas a olho humano. O sistema cruza dados de clima, solo, produtividade e resistência a pragas, identificando padrões invisíveis até para especialistas experientes. O resultado é uma espécie de “GPS genético” que aponta, com precisão inédita, quais as variedades de trigo têm maior probabilidade de prosperar num futuro climático imprevisível.
Os cientistas envolvidos descrevem o impacto como “um salto evolutivo assistido”. Em vez de esperar que a natureza faça o seu trabalho ao longo de gerações, a IA acelera o processo, permitindo que agricultores tenham acesso a sementes mais robustas muito antes de as condições se tornarem críticas.
Além de aumentar a resiliência, o sistema também ajuda a reduzir desperdício: evita testes de campo longos e dispendiosos, concentra recursos nas variedades mais promissoras e diminui a dependência de fertilizantes e irrigação intensiva.
Fonte: Qualfood
Uma equipa de investigadores liderada pela Universidade Northwestern, nos Estados Unidos da América (EUA), desenvolveu uma célula de combustível que utiliza microrganismos presentes no solo para gerar eletricidade, com potencial aplicação na alimentação de sensores usados na agricultura de precisão.
O dispositivo, de pequenas dimensões, produz energia ao capturar os eletrões libertados pelos microrganismos durante a decomposição da matéria orgânica.
Segundo os cientistas, esta abordagem permite gerar quantidades reduzidas de eletricidade, suficientes para alimentar sensores subterrâneos sem recurso a baterias convencionais.
A tecnologia foi testada na monitorização de parâmetros como a humidade do solo e a deteção de toque, podendo também ser aplicada no acompanhamento de movimentos de fauna em áreas agrícolas. O sistema inclui ainda uma antena que transmite dados utilizando sinais de radiofrequência existentes.
Segundo os investigadores, o dispositivo demonstrou funcionamento consistente em diferentes condições, incluindo solos secos e ambientes alagados, apresentando uma duração cerca de 120% superior à de sistemas semelhantes.
A agricultura de precisão depende de redes alargadas de sensores para monitorizar variáveis como humidade, nutrientes e contaminantes, apoiando a tomada de decisão e a gestão da produção. No entanto, o fornecimento de energia a estes dispositivos continua a ser um desafio, devido à necessidade de substituição de baterias ou às limitações dos sistemas solares.
“Se imaginarmos um futuro com biliões destes dispositivos, não podemos construir cada um deles com lítio, metais pesados e toxinas perigosas para o ambiente, por isso, precisamos de encontrar alternativas que forneçam pequenas quantidades de energia”, afirmou Bill Yen, líder do projeto. O investigador acrescenta que, enquanto houver carbono orgânico no solo, “a célula de combustível pode potencialmente durar para sempre”.
As células de combustível microbianas funcionam de forma semelhante a baterias, mas utilizam bactérias para libertar eletrões que geram corrente elétrica. “Esses microrganismos já vivem no solo um pouco por todo o lado e, por isso, podemos usar sistemas de engenharia simples para capturar a eletricidade que produzem”, referiu George Wells, um dos autores do estudo, sublinhando que a tecnologia se destina a aplicações de baixo consumo.
Para ultrapassar limitações associadas a versões anteriores, a equipa desenvolveu um novo design que posiciona os componentes em orientação perpendicular, permitindo manter simultaneamente condições de humidade e acesso ao oxigénio. Esta configuração melhora o desempenho em ambientes secos e aumenta a resistência a inundações.
O protótipo final foi testado em condições reais, tendo gerado, em média, 68 vezes mais energia do que a necessária para o funcionamento dos sensores. O trabalho continua em desenvolvimento, com foco na melhoria da eficiência e na utilização de materiais biodegradáveis.
Fonte: Vida Rural
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