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Fraude com ervas aromáticas

  • Tuesday, 24 February 2026 14:37

Os preparados à base de ervas são frequentemente comercializados como remédios suaves e naturais – mas, considerando que ervas e especiarias estão sempre entre os principais itens vulneráveis ​​a fraudes alimentares, o que está exatamente a comprar ao adquirir um remédio à base de ervas?

Um estudo recente realizado por investigadores portugueses sobre produtos à base de ervas verificou a autenticidade de 94 produtos utilizando métodos baseados no ADN, e os resultados foram preocupantes.

Taxas de fraude de 66%

 A equipa adquiriu produtos fitoterápicos rotulados como misturas de uma única espécie e de múltiplas espécies de diversos fornecedores online em Portugal. Esses produtos incluíam ervas comuns como erva-de-são-joão, camomila, melissa, alecrim, funcho, espinheiro-alvar, verbena, ginkgo, valeriana, angélica, ginseng, guaraná, erva-mate, moringa, centelha asiática, capim-limão, laranja-doce, papoila-da-califórnia e lavanda, entre outras.

Quase dois terços dos produtos estavam rotulados incorretamente (n = 94). Dois terços!

Para contextualizar, a maioria dos levantamentos sobre fraude alimentar em produtos específicos constata que cerca de 10% das amostras são afetadas por fraude. Vinte por cento é considerado um valor excepcionalmente alto. Sessenta e seis por cento é um valor altíssimo.

Entre os produtos rotulados como de espécie única (n = 88), a rotulagem incorreta afetou 64% das amostras quando avaliadas com a abordagem mais sensível. Ou seja, 56 das 88 amostras para as quais a amplificação de DNA foi possível apresentaram problemas em relação à sua composição.

Para as misturas de ervas com múltiplas espécies (n = 6), todos os produtos (100%) estavam rotulados incorretamente.

No contexto deste estudo, rotulagem incorreta significa que o produto foi adulterado ou diluído com material vegetal de outra espécie ou foi totalmente substituído por material vegetal de outra espécie.

Fonte: The Rotten Apple

A Comissão Europeia propôs hoje a suspensão de taxas sobre importações pela União Europeia (UE) de fertilizantes azotados e matérias-primas para a sua produção, à exceção dos originários da Rússia e Bielorrússia, devido à invasão da Ucrânia.

Num comunicado hoje divulgado, o executivo comunitário refere estar a cumprir, com esta proposta, um compromisso assumido em 07 de janeiro pelos Estados-membros para “reforçar o setor agroalimentar da UE, reduzindo os custos para os agricultores e para a indústria de fertilizantes, com uma poupança estimada de 60 milhões de euros em direitos de importação”.

A medida visa ainda a redução da dependência da UE face à Rússia e à Bielorrússia.

Os fertilizantes azotados são ricos em nitrogénio e as matérias-primas para a sua produção são a ureia e o amoníaco.

Bruxelas garantiu que a medida proposta é calibrada de acordo com as necessidades do mercado da UE, através de um sistema de quotas que prevê que as importações que excedam estes contingentes estarão sujeitas às tarifas normais.

A manutenção das taxas aduaneiras sobre adubos importados da Rússia e Bielorrússia insere-se na estratégia definida pela UE no âmbito da invasão da Ucrânia por tropas de Moscovo, com a colaboração de Minsk, há precisamente quatro anos.

Fonte: Agroportal

Risco climático, Agricultura e ESG

  • Tuesday, 24 February 2026 10:48

O recente fenómeno climático extremo que assolou Portugal, voltou a afetar a agricultura e expôs, mais uma vez, uma realidade que não pode ser ignorada: o risco climático é uma variável económica e financeira estrutural. Não se trata de choques recorrentes, mas de um contexto de risco em mutação, em que fenómenos ainda raros tendem a tornar-se mais frequentes, afetando rendimentos, ativos, investimento e estabilidade financeira. Foram estimados 775 milhões de euros de prejuízos no setor agrícola e florestal, que muito provavelmente estarão subavaliados.

O impacto das alterações climáticas tem sido sistematicamente abordado como um tema ambiental ou, no limite, social, muitas vezes politizado, quando é na sua essência uma questão de governance, estratégia e gestão de risco. Risco climático não é ideologia. É economia e bem-estar.

Essa abordagem é insuficiente, nomeadamente no setor agrícola dada a sua exposição e vulnerabilidade aos eventos climáticos. A crescente frequência e intensidade de fenómenos extremos traduz-se em maior volatilidade de rendimentos, degradação de ativos produtivos (incluindo o capital natural) e aumento significativo do risco, incluindo o de crédito. Para bancos e seguradoras, o clima deixou de ser um “fator de contexto” e passou a ser uma variável crítica. O mesmo tem de acontecer para agricultores, cooperativas, e demais agentes económicos.

É precisamente aqui que o enquadramento ESG (Environmental, Social, and Governance) ganha relevância, desde que aplicado com rigor e foco na materialidade. O pilar Ambiental (E) tem sido o mais visível, associado a questões como o stress hídrico, erosão do solo, e outros impactos nos ecossistemas que culminam em perda de produtividade e impacto direto nos rendimentos agrícolas. Mas, a verdadeira falha está na Governance (G). Promover modelos agrícolas sem incorporar cenários climáticos robustos é, do ponto de vista económico, uma desadequada gestão do risco. Continuar a financiá-los e a subsidiá-los, também.

O setor financeiro começou a reconhecer a nova realidade climática na determinação do risco, para todos os setores. Bancos centrais, supervisores, seguradoras, bancos, investidores estão a integrar riscos físicos e de transição nos seus modelos, recorrendo à ciência climática, a modelação de cenários e a testes de stress. O objetivo é claramente evitar a subavaliação do risco e a consequente acumulação de perdas nos balanços. Este movimento não é ideológico — é prudencial.

A agricultura é um setor particularmente exposto. Vinhas, pomares, olivais, estufas ou infraestruturas de regadio são ativos de longo prazo e investimentos pensados para décadas. Quando o clima se torna estruturalmente mais instável, esses ativos enfrentam risco de desvalorização antes do fim da sua vida útil. Isto afeta decisões de investimento, encarece o financiamento e reduz a atratividade do setor.

A dimensão Social (S) do ESG reforça este diagnóstico. A instabilidade crescente do rendimento agrícola pressiona mecanismos de apoio público, fragiliza economias regionais e territórios, e aumenta a necessidade de fundos de calamidade após cada evento extremo. O que começa como uma perda climática no campo, acaba por se traduzir num custo orçamental para o Estado. As perdas são compensadas por apoios públicos, não apenas por razões económicas, mas porque a agricultura desempenha a função social essencial de produção de alimentos. A esta dinâmica pode acrescer a instabilidade dos preços dos bens alimentares, com impactos diretos no bem-estar das famílias e na inflação.

É neste ponto que a política pública também precisa de se alinhar. Enquanto o setor financeiro avança na quantificação e integração do risco climático, pressionando, em cascata, as empresas para tal, muitas políticas (agrícola, ordenamento do território, etc) continuam a tratar eventos extremos como exceções e não como parte de uma nova normalidade.

É certo que uma parte de prejuízos não poderão ser evitados, mesmo com planeamento e adoção de medidas de adaptação, e os apoios de emergência serão sempre necessários e muitas vezes insuficientes. Mas, sem incorporar risco climático nos critérios de investimento público, nos sistemas de seguros, na gestão da água e no desenho dos incentivos, a política pública estará a reforçar a exposição futura, em vez de a mitigar. É importante canalizar capital público e privado para modelos de resiliência, assentes em práticas de agricultura climaticamente inteligente. As empresas agrícolas precisam de capital para essa transição.

Neste contexto, aplicar ESG na agricultura não é produzir mais relatórios, nem adotar uma linguagem vaga. É alinhar práticas com finanças responsáveis: usar ciência climática, incorporar cenários de risco, diferenciar incentivos, orientar capital (público e privado) para modelos produtivos resilientes. O foco tem sido colocado nas ações de mitigação orientadas para a descarbonização, e que são bastante importantes, mas importa reforçar as medidas de adaptação e a inovação tecnológica que as aceleram.

Ignorar a realidade não elimina o risco, apenas o transfere e amplifica. Num contexto de mudança do clima, tratar o risco climático como risco económico e financeiro não é uma opção, nem tão pouco ideologia. É uma condição mínima de boa governação nas empresas e na política pública.

Fonte: Agroportal

O setor da amêndoa continua a expandir-se em Portugal, impulsionado pela procura internacional e pelo aumento da área agrícola dedicada ao fruto seco. No entanto, apesar do dinamismo, especialistas e produtores alertam que a consolidação do mercado ainda está distante, travada por desafios estruturais que vão desde a fragmentação da produção até à volatilidade dos preços.

Nos últimos anos, o país assistiu a um crescimento expressivo das plantações, sobretudo no Alentejo e em Trás‑os‑Montes. A modernização dos pomares, a entrada de investidores estrangeiros e a aposta em sistemas de rega mais eficientes contribuíram para elevar a produtividade e colocar Portugal no radar dos principais compradores europeus.

Ainda assim, o setor enfrenta obstáculos significativos. A maioria dos produtores continua a operar de forma isolada, dificultando a criação de escala e o acesso a canais de comercialização mais competitivos. A falta de unidades de transformação e descasque em algumas regiões obriga muitos agricultores a exportar o produto em casca, perdendo valor acrescentado.

Outro ponto crítico é a oscilação dos preços internacionais, influenciados sobretudo pela produção da Califórnia, líder mundial. A dependência deste mercado torna os produtores portugueses vulneráveis a flutuações que escapam ao seu controlo.

Apesar das dificuldades, o potencial de crescimento permanece elevado. Organizações do setor defendem que a criação de cooperativas mais robustas, o investimento em transformação local e a aposta em certificações de qualidade podem acelerar a consolidação e reforçar a competitividade da amêndoa portuguesa.

Para já, o setor cresce — e a tendência deve manter-se — mas o caminho até um mercado verdadeiramente estruturado continua longo.

Fonte: Qualfood

As plantas já foram cultivadas no espaço. Culturas como a alface, o tomate, o rabanete e o pimento foram cultivadas - e consumidas - com sucesso pelos astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional.

Mas estas realizações apenas arranham a superfície do que é possível, afirmam os autores de um novo documento que delineia as prioridades científicas e tecnológicas que poderão transformar as “culturas espaciais” experimentais em sistemas bioregenerativos completos de apoio à vida.

As plantas como suplemento

As plantas cultivadas no espaço são atualmente vistas como um suplemento nutricional - algo que os astronautas comem para além dos alimentos altamente processados e pré-embalados que normalmente lhes são oferecidos. Mas o documento defende que as plantas devem ser vistas como uma infraestrutura essencial - produzindo oxigénio, purificando a água, reciclando resíduos e apoiando o bem-estar da tripulação como parte de sistemas de suporte de vida em circuito fechado.

“As plantas são um elemento fundamental para manter os astronautas vivos em missões de longa duração: podem ajudar a reciclar o ar, purificar a água e, claro, fornecer alimentos frescos”, explica o Dr. Giovanni Sena, Professor Associado do Departamento de Ciências da Vida do Imperial College de Londres.

O documento estabelece um roteiro global para a utilização da biologia vegetal no apoio a missões espaciais de longa duração, acelerando simultaneamente uma agricultura mais sustentável na Terra. O documento reúne "investigadores de todo o mundo para chegarem a acordo sobre as prioridades e as medidas práticas para o conseguir. E o mais interessante é que muito do que aprendemos para o espaço contribui diretamente para tornar a agricultura na Terra mais sustentável", acrescenta Sena.

Missão partilhada

A investigação partilha as lições aprendidas com o cultivo de plantas em órbita, incluindo melhorias na compreensão da forma como as plantas respondem aos principais fatores de stress relacionados com o espaço, como a microgravidade, a radiação, os ambientes magnéticos alterados, a disponibilidade limitada de água e o crescimento em solos lunares e marcianos semelhantes aos regolitos. Também assinala os obstáculos que subsistem à implantação de “estufas espaciais” fiáveis nos futuros habitats lunares e marcianos.

O resultado: o quadro do Nível de Prontidão do Sistema Biorregenerativo de Apoio à Vida (BRL), que avalia o grau de proximidade entre diferentes culturas e o seu funcionamento como componentes fiáveis e integrados de sistemas de apoio à vida fora do nosso planeta.

O documento apresenta 12 prioridades de investigação e desenvolvimento para acelerar o progresso, incluindo o desenvolvimento de sistemas análogos robustos baseados na Terra, modelação preditiva, abordagens de biologia sintética, melhores ferramentas de monitorização para experiências de voos espaciais e uma maior coordenação internacional e partilha de dados.

Estas tecnologias poderão também ter impacto na agricultura na Terra; a agricultura ultra-eficiente em ambiente controlado, a reciclagem de nutrientes em circuito fechado e as culturas que se desenvolvem em condições de stress extremo são cada vez mais importantes para a produção de alimentos nas cidades, nas regiões propensas à seca e em ambientes com recursos limitados.

O documento também aborda a investigação emergente sobre a forma como as raízes das plantas respondem a sinais ambientais para além da gravidade, como o eletrotropismo. Esta é uma área que Sena conhece bem, e o seu grupo tem investigado a forma como campos elétricos fracos podem orientar o crescimento das raízes. Esta técnica poderia ser utilizada para controlar e moldar sistemas radiculares complexos em ambientes agrícolas de microgravidade ou de baixa gravidade. Juntamente com o gravitropismo e o hidrotropismo, esta técnica poderia ajudar a conceber sistemas de crescimento de plantas resistentes para habitats espaciais.

Nenhum país ou agência espacial pode resolver os desafios sozinho, será necessário um esforço conjunto com infra-estruturas partilhadas, dados abertos e alinhamento entre os principais programas internacionais. E, em última análise, aprender e compreender como cultivar plantas de forma fiável no espaço irá promover a nossa exploração do espaço e transformar a forma como os alimentos são produzidos no nosso próprio planeta, conclui o documento.

Fonte: Tempo.pt

Portugal é um dos maiores produtores e exportadores de vinho do mundo, com vinhas que cobrem mais de 170 mil hectares e um setor que impacta direta e indiretamente mais de 168 mil empregos. Mas o vinho europeu está sob pressão e o Conselho da União Europeia decidiu agir com uma resposta de fundo.

“Embora a União continue a ser líder mundial na produção, consumo e valor exportado de vinho, as mudanças sociais e demográficas estão a ter impacto na quantidade, qualidade e tipos de vinho consumidos”, lê-se no documento oficial agora aprovado, notando ainda que “o consumo de vinho na União está no nível mais baixo das últimas três décadas”.

A isto acrescem mercados de exportação tradicionais adversamente afetados por uma combinação de tendências de consumo em queda e fatores geopolíticos, bem como uma produção cada vez mais imprevisível devido às alterações climáticas, fatores que, em conjunto, empurram os preços para baixo e esgotam as reservas financeiras dos viticultores.

Foi sob este ambiente que o Conselho da União Europeia aprovou esta segunda-feira um pacote legislativo abrangente que altera as regras de apoio ao setor vitivinícola, reconhecendo que a crise que os produtores enfrentam hoje é estrutural, e não passageira.

“Ao adotar hoje o regulamento relativo ao setor vitivinícola, menos de um ano após a sua proposta pela Comissão, o Conselho e os Estados-membros demonstram mais uma vez que estão atentos às preocupações dos agricultores e do setor agrícola, e que estão dispostos a tomar medidas eficazes para lhes dar resposta”, refere Maria Panayiotouministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Ambiente do Chipre, em comunicado, sublinhando inclusive que, desta forma, “isso garante que o setor já possa se beneficiar deles este ano.”

O regulamento agora aprovado, que foi negociado durante meses entre o Parlamento Europeu e os Estados-membros, é a resposta mais ampla das últimas décadas às dificuldades do setor. Recorde-se que o Parlamento Europeu tinha dado luz verde ao texto legislativo a 10 de fevereiro, com uma maioria esmagadora de 625 votos a favor, 15 contra e 11 abstenções, e cabia agora ao Conselho dar o passo final.

O acordo político tinha sido fechado a 4 de dezembro de 2025, na sequência de recomendações formuladas pelo Grupo de Alto Nível para a Política do Vinho, criado precisamente para identificar soluções para os desafios que o setor enfrenta.

O que muda para os produtores europeus

Para gerir melhor a oferta e evitar a sobreprodução crónica, o novo regulamento reforça o sistema de autorizações de plantação de vinhas e confere aos Estados-membros maior flexibilidade regional.

O texto reconhece que “a relação entre a oferta de produção, a procura dos consumidores e as exportações no mercado mundial é atualmente instável, resultando em graves perturbações do mercado”, e por isso permite agora que os países limitem as novas plantações em zonas com excesso de oferta, chegando mesmo a fixar limites regionais de 0% para novas autorizações.

Em situações de catástrofe natural, eventos meteorológicos extremos ou surtos de doenças, os viticultores passam ainda a ter mais um ano para plantar ou replantar vinhas afetadas, sem penalizações administrativas. O pacote prevê também um conjunto significativo de apoios financeiros:

  • No que respeita à adaptação às alterações climáticas, os Estados-membros podem agora beneficiar de um cofinanciamento europeu até 80% dos custos efetivos de reestruturação e reconversão das vinhas;
  • Para a promoção de vinhos europeus em mercados de países terceiros, como os EUA, o Canadá ou países asiáticos, o financiamento europeu pode chegar a 60% das despesas elegíveis, podendo os Estados-membros contribuir com mais 30% para pequenas e médias empresas e 20% para empresas de maior dimensão. As campanhas de promoção podem ainda ser financiadas durante três anos, renováveis por mais dois períodos de três anos, num total máximo de nove anos consecutivos.

Uma das áreas com maior impacto para os consumidores diz respeito à rotulagem dos vinhos sem álcool ou com teor alcoólico reduzido, um segmento em crescimento acelerado em toda a Europa.

O regulamento harmoniza as regras a nível europeu: vinhos com menos de 0,05% de álcool deverão ser rotulados como “alcohol-free 0,0%” (sem álcool 0,0%), enquanto vinhos com teor igual ou superior a 0,5% de álcool, mas pelo menos 30% abaixo do padrão da categoria devem ser designados como “alcohol reduced” (teor alcoólico reduzido).

O texto final reconhece que “a procura crescente por parte dos consumidores de produtos de videira com teor alcoólico reduzido, produzidos por desalcoolização, representa uma oportunidade para o setor”, clarificando que é agora possível produzir vinhos espumantes desalcoolizados a partir de vinhos tranquilos através de segunda fermentação ou adição de dióxido de carbono.

O enoturismo e as vendas diretas nas regiões produtoras surgem igualmente reforçados no novo quadro legislativo. O documento reconhece que “o enoturismo é uma atividade comercial cada vez mais importante para muitos operadores vitivinícolas”, pelo que passa a ser elegível o apoio a estruturas e instrumentos de marketing orientados para a venda direta a turistas nas regiões produtoras.

As organizações de produtores que gerem denominações de origem protegida e indicações geográficas protegidas passam também a poder aceder a apoios específicos de enoturismo, o que representa uma oportunidade direta para regiões portuguesas como o Douro, o Alentejo ou o Minho, cujos vinhos têm reconhecimento global.

Para Portugal, este pacote chega num momento em que o setor vitivinícola representa mais de 2,5% do PIB nacional e onde as exportações de vinho ultrapassaram os 965 milhões de euros em 2024, mas com o setor a mostrar grandes desafios no último ano, como espelhado pela perda de 50 mil hectares de vinhas na última década, segundo dados do Instituto da Vinha e do Vinho

Com a aprovação do Conselho concluída, o regulamento seguirá para publicação no Jornal Oficial da União Europeia, após o que entrará em vigor e começará a produzir efeitos concretos para os produtores.

Fonte: Eco

A ASAE procedeu à monitorização da cadeia alimentar, com vista à proteção das populações e dos consumidores, à salvaguarda do regular funcionamento do mercado e à prevenção de práticas lesivas num contexto considerado de particular vulnerabilidade.

As ações permitiram identificar perdas significativas de alimentos devido à quebra da cadeia de frio em vários concelhos, bem como danos estruturais graves em estabelecimentos e falhas prolongadas no abastecimento de água e energia, fatores que condicionaram o normal exercício das atividades económicas.

Foram ainda levantados 13 processos de contraordenação, maioritariamente por faltas graves nas condições de higiene e segurança que colocavam em risco os consumidores. A autoridade determinou também quatro suspensões de atividade em estabelecimentos de restauração e bebidas por inexistência de condições mínimas de funcionamento.

No âmbito da fiscalização, foram instaurados dois processos-crime por especulação de preços, relacionados com a venda de telhas acima do valor afixado nos concelhos da Batalha e de Coimbra.

 

Fonte: ASAE

Num estudo publicado na revista Dairy Science , pesquisadores da Faculdade de Ciências Agrícolas da Universidade Estadual do Oregon e da Estação Experimental Agrícola do Oregon decidiram caracterizar o comportamento da Listeria monocytogenes em queijo fresco e queijo cotija. Os investigadores adquiriram amostras dos dois tipos de queijo de dois lotes de produção e cinco fabricantes diferentes. Os queijos foram inoculados com cinco cepas de L. monocytogenes e armazenados por 28 dias a 7 °C, período durante o qual as populações bacterianas nos queijos foram monitorizadas.

Os investigadores descobriram que as amostras de queijo cotija não permitiram o crescimento de L. monocytogenes , provavelmente devido à diminuição da atividade da água e ao pH mais baixo, mas as populações permaneceram estáveis ​​durante o armazenamento, indicando que a contaminação por L. monocytogenes  ainda representa uma preocupação.

Por outro lado, a maioria dos produtos de queijo fresco permitiu o crescimento de L. monocytogenes  em níveis superiores a 2 unidades formadoras de colónias por grama (UFC/g) ao longo de 28 dias; no entanto, as populações de L. monocytogenes foram consistentemente controladas em amostras de um produto de queijo fresco de um único fabricante, sugerindo que a formulação ou os processos de produção podem influenciar o risco.

O sal retarda o crescimento da Listeria  no queijo fresco.

Para melhor compreender as características dos queijos que influenciam o crescimento de *L. monocytogenes*  , os investigadores realizaram uma análise de regressão e descobriram que a concentração de sal é um provável preditor de crescimento no queijo fresco. Estudos de inoculação em queijo fresco, com 1 a 3% de sal, mostraram que o sal inibe o crescimento de *L. monocytogenes*  , mas não o impede completamente. Curiosamente, a maior concentração de sal testada não inibiu o crescimento de L. monocytogenes .

Tratamentos com ácidos orgânicos mostram-se promissores.

Num estudo relacionado, publicado no Journal of Food Protection , os investigadores avaliaram se o tratamento de queijos frescos contaminados com ácidos orgânicos de grau alimentício poderia inibir o crescimento de Listeria monocytogenes, preservando as propriedades organolépticas dos queijos. Os investigadores aplicaram ácidos acético, lático e propiónico na superfície dos queijos inoculados com L. monocytogenes . Eles descobriram que a imersão dos queijos em concentrações mais elevadas de ácido acético e peracético impediu o crescimento de L. monocytogenes  durante 28 dias de armazenamento a 7 °C. O ácido lático só apresentou eficácia quando o pH do queijo fresco foi ajustado para ser mais ácido, o que pode afetar o sabor.

Fonte: Food Safety

A produção europeia de vidro de embalagem registou uma quebra de cerca de 10% entre 2022 e 2024, regressando a níveis próximos dos observados durante a crise financeira de 2008–2009. O alerta foi lançado pela Federação Europeia do Vidro de Embalagem (FEVE), que aponta os elevados custos da energia e o agravamento dos encargos associados ao carbono como principais fatores de pressão sobre a competitividade industrial.

Segundo a federação, o atual contexto já está a traduzir-se no encerramento de fornos e unidades produtivas em vários países europeus, colocando em risco capacidade industrial considerada estratégica para a União Europeia. O sector representa mais de 140 fábricas em 21 Estados-Membros e tem em Portugal empresas como BA Glass, Vidrala e Verallia, representadas pela AIVE – Associação dos Industriais de Vidro de Embalagem.

A indústria do vidro de embalagem desempenha um papel central em cadeias de valor exportadoras que, no conjunto da União Europeia, representam mais de 140 mil milhões de euros por ano, cerca de 6% das exportações totais. Sectores como o vinho, as bebidas espirituosas, a alimentação premium, a cosmética e o farmacêutico dependem fortemente deste material, que é infinitamente reciclável e compatível com modelos de reutilização.

Em Portugal, enquanto exportador relevante de vinho, azeite, conservas e outros produtos de valor acrescentado, uma eventual redução da capacidade produtiva poderá traduzir-se em maior pressão sobre custos e menor competitividade internacional.

A par dos custos energéticos – que continuam significativamente superiores aos de outras regiões concorrentes -, o sector enfrenta o agravamento dos encargos no âmbito do Sistema de Comércio de Licenças de Emissão da União Europeia (EU ETS). Com a atualização prevista dos referenciais de emissões em 2026, algumas empresas poderão registar um aumento substancial dos custos associados ao CO₂ já no próximo ano.

Não existe uma Europa resiliente, segura ou forte sem uma indústria europeia forte”, defendeu Michel Giannuzzi, presidente da FEVE, apelando à redução dos custos energéticos e à simplificação do enquadramento regulamentar para permitir à indústria continuar a investir na descarbonização.

Também Tiago Moreira da Silva, presidente da AIVE, sublinha que o vidro de embalagem é “um pilar essencial das cadeias exportadoras portuguesas”, defendendo a criação de condições que assegurem competitividade, investimento e emprego.

A FEVE reclama medidas urgentes, entre as quais a redução dos custos de energia e carbono, ajustes nas políticas de economia circular para evitar sobre-regulação, reforço dos mecanismos de defesa comercial e incentivos à procura de produtos fabricados na Europa.

O sector emprega diretamente cerca de 50 mil trabalhadores e sustenta mais de 850 mil empregos ao longo da cadeia de valor, gerando um volume de negócios superior a 300 mil milhões de euros – cerca de 1% da produção industrial da União Europeia. Para a federação, manter uma base industrial forte será determinante para preservar a competitividade exportadora e assegurar o investimento em inovação e transição climática.

Apelo a medidas urgentes

A FEVE defende a adoção de medidas que reforcem a competitividade industrial, nomeadamente:

- Redução dos custos energéticos e de carbono associados;

- Ajustes nas políticas de economia circular que assegurem estabilidade e competitividade, evitando a sobre-regulamentação e reconsiderando opções políticas anteriores, como objetivos excessivamente prescritivos de minimização de embalagens que enfraquecem a competitividade industrial europeia;

- Reforço dos mecanismos de defesa comercial para garantir condições de concorrência justa e leal: embora os acordos de comércio livre sejam essenciais para permitir o acesso a novos mercados e aumentar as exportações, é necessária uma ação mais firme contra práticas desleais para garantir condições de concorrência equitativas para as indústrias da UE, tanto no mercado interno como nos mercados internacionais, incluindo a proteção contra a fuga de carbono;

- Incentivos de mercado que estimulem a procura por produtos seguros e fabricados na Europa.

Fonte: Grande Consumo

O XVI Congresso Nacional do Milho, organizado em paralelo com o 2.º Encontro das Culturas Cerealíferas, decorreu nos dias 11 e 12 de fevereiro em Santarém. Mais de 600 participantes, entre agricultores, políticos, académicos e estudantes debateram os temas mais estratégicos para o setor dos cereais e da agricultura em geral.

O evento demonstrou, mais uma vez este ano, a capacidade mobilizadora da ANPROMIS – Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo e dos seus associados, bem como das associações parceiras na organização, nomeadamente a ANPOC – Associação Nacional de Produtores de Proteaginosas, Oleaginosas e Cereais e com a AOP – Associação de Orizicultores de Portugal.

Sumarizamos as principais conclusões deste encontro dos produtores dos cereais:

- Cereais e Soberania Alimentar: Falar de cereais em Portugal é falar de soberania alimentar, segurança do abastecimento, equilíbrio territorial e cadeias agroalimentares estruturantes — da produção animal à indústria transformadora. Portugal apresenta atualmente um grau muito reduzido de autoaprovisionamento em cereais, particularmente em milho e trigo, mantendo uma elevada dependência externa. Esta vulnerabilidade expõe o país a crises geopolíticas e flutuações de preços que não controla. Simultaneamente, verifica-se uma redução continuada das áreas de cereais praganosos e de milho, pressionadas pela baixa rentabilidade, pelo aumento dos custos de produção, pela concorrência de culturas permanentes e pela incerteza política quanto ao futuro da agricultura europeia. Esta conjugação de fatores constitui um risco estratégico e exige respostas claras e consistentes.Torna-se assim imperioso aumentar os valores atribuídos as Pagamentos Ligados para os Cereais;

- Autoaprovisionamento e Uso do Território: Portugal necessita de implementar com urgência a Estratégia +Cereais. Não é aceitável normalizar níveis tão baixos de autoaprovisionamento. Os cereais desempenham um papel essencial nas rotações culturais, na sustentabilidade do regadio, na preservação da fertilidade dos solos e na fixação de agricultores. Abandoná-los é fragilizar estruturalmente o sistema agrícola nacional;

- Acordos Comerciais e Concorrência Desleal: O setor manifesta profunda preocupação relativamente ao acordo entre a União Europeia e o Mercosul. Os produtores portugueses não estão contra o comércio internacional. Contudo, não podem aceitar concorrência desleal. Persistem diferenças significativas ao nível das matérias ativas autorizadas e das práticas fitossanitárias utilizadas em países terceiros, muitas das quais estão proibidas na União Europeia há longos anos, por razões ambientais e de saúde pública. Aos agricultores europeus são exigidos padrões cada vez mais rigorosos — e justamente — mas não pode ser admissível que se importem produtos que não cumprem essas mesmas regras. A sustentabilidade não pode ser um ónus interno e uma permissividade externa. Se a União Europeia pretende manter padrões elevados, esses padrões devem ser igualmente exigidos às importações;

- Importações da Ucrânia: A manutenção dos contingentes de importação de cereais da Ucrânia sem aplicação de direitos aduaneiros constitui outra preocupação central. Reconhecendo plenamente o contexto excecional vivido pela Ucrânia e o princípio de solidariedade europeia, importa sublinhar que essa solidariedade não pode comprometer a viabilidade económica dos agricultores europeus. A ausência de mecanismos de salvaguarda eficazes tem provocado distorções de mercado, pressionando os preços à produção e agravando a fragilidade económica de milhares de produtores. A Europa precisa de instrumentos de equilíbrio e correção que protejam quem produz dentro do seu espaço regulatório. É assim imperioso atualizar os preços de intervenção para os cereais;

- O Futuro da Política Agrícola Comum: O setor acompanha com apreensão a perspetiva de redução do financiamento da futura Política Agrícola Comum (PAC). A PAC não é apenas um instrumento de apoio ao rendimento. É um pilar de coesão territorial, estabilidade económica e segurança alimentar na União Europeia. Para culturas exigentes em investimento, tecnologia e gestão de risco — como o milho, os cereais praganosos e o arroz — uma PAC forte, previsível e devidamente financiada é absolutamente determinante para assegurar competitividade e continuidade produtiva;

- “Água que Une”: A estratégia “Água que Une”, apresentada pelo Governo, representa uma visão estruturante para o futuro: ligação entre territórios, eficiência no uso da água e adaptação às alterações climáticas. O investimento em infraestruturas hídricas é investimento em soberania, resiliência e futuro. Num contexto de variabilidade climática crescente, é nos períodos de abundância que se deve preparar o país para os ciclos de escassez. A oportunidade política atualmente existente em torno da gestão da água não pode ser desperdiçada nem adiada. O país exige ação;

- Uma Europa que resolve problemas: O Congresso assinalou os 40 anos de adesão de Portugal à União Europeia. A opinião foi unânime: estamos melhor na UE do que fora dela. O futuro requer confiança e foco numa Europa eficaz em solucionar desafios;

- Compromisso do Setor: Os produtores de cereais portugueses pedem regras justas, coerência política e condições para continuar a produzir. O setor quer produzir mais, melhor e de forma sustentável. Para isso, necessita de políticas que não penalizem quem cumpre, de uma Europa que proteja os seus agricultores e de um país que reconheça o valor estratégico da sua agricultura.

A ANPROMIS, a ANPOC e a AOP reafirmam a sua disponibilidade para o diálogo institucional, para a construção de soluções e para a defesa firme dos produtores nacionais. Porque sem cereais não há soberania alimentar. E sem agricultores não há futuro!

Fonte: AgroNegócios