No âmbito da IA, existe uma subcategoria que se centra na criação de conteúdos novos e originais utilizando algoritmos de aprendizagem automática. Ao contrário de outras formas de IA que analisam e classificam dados existentes, a IA generativa (GenIA) produz dados sintéticos que não existiam anteriormente, imitando dados reais.
Passou de um tema futurista para uma realidade em tempo recorde, impulsionando a inovação em todos os aspetos das nossas vidas. À medida que os avanços neste tipo de tecnologia continuam a ser atualizados e desenvolvidos, as indústrias estão a registar um crescimento exponencial na utilização destas ferramentas em todos os processos de produção de uma empresa.
A IA irá afetar profundamente a forma como as empresas e os governos interagem com os consumidores e os cidadãos. Desde os avanços no diagnóstico genético à automação industrial, estas mudanças generalizadas terão grandes implicações económicas, sociais e cívicas.
O setor agroalimentar não é exceção e estão em curso trabalhos para incorporar esta tecnologia ao longo de toda a cadeia de valor. Num mundo em que a procura de alimentos está a crescer exponencialmente, a IA apresenta-se como uma solução inovadora e essencial para responder aos desafios da produção sustentável, da otimização dos recursos e da melhoria da qualidade dos produtos alimentares.
IA no sector primário
As alterações climáticas decorrentes do aquecimento global ameaçam os meios de subsistência de muitas culturas e a sua produtividade. As temperaturas mais elevadas, os fenómenos extremos, a baixa pluviosidade e a variabilidade climática tornam o planeamento agrícola mais difícil. Este facto, associado a uma população mundial em constante crescimento, significa que são necessários cada vez mais alimentos. O Banco Mundial estima que será necessário produzir mais 70% de alimentos quando a população mundial atingir 9 mil milhões de pessoas, por volta de 2050. A IA está a orquestrar uma transformação notável no setor agrícola, remodelando a agricultura, melhorando a sua eficiência, produtividade e sustentabilidade.
Um exemplo disto é aplicado pela John Deere, que integra a IA no seu equipamento agrícola para facilitar a agricultura de precisão, aumentando o rendimento das culturas em 10-15%. Os sistemas de IA analisam dados de sensores do solo, relatórios meteorológicos e padrões de crescimento das culturas para otimizar a plantação, a irrigação e a colheita. Esta gestão precisa dos fatores de produção agrícola melhora a eficiência e a sustentabilidade do rendimento, reduzindo o desperdício e minimizando a utilização de água e produtos químicos.
Na mesma linha, a John Deere e a SpaceX, liderada por Elon Musk, anunciaram um acordo de colaboração para fornecer conetividade à Internet através da Starlink às explorações agrícolas, permitindo-lhes utilizar o conjunto de tecnologias agrícolas da Deere.
Desenvolvimento de novos produtos
As empresas estão sob uma enorme pressão para inovar constantemente e fornecer produtos que correspondam às exigências dos consumidores e melhorem o seu retorno sobre o investimento. Um inquérito da McKinsey revela que 84% dos executivos concordam que a inovação é fundamental para o crescimento. Curiosamente, as empresas líderes de mercado obtiveram quase o dobro das receitas com produtos e serviços que não existiam um ano antes. Os dados mostram que a inovação constante é fundamental para prosperar num mercado competitivo.
A capacidade da GenIA para complementar o desenvolvimento de produtos na indústria alimentar é enorme. Há muito que as empresas utilizam a automatização para reduzir alguns dos aspetos mais mundanos da carga de trabalho de desenvolvimento. Com a GenIA, a expetativa é que, ao estender-se ainda mais, e mais profundamente, aos aspetos mais criativos do processo, as equipas terão mais liberdade para se concentrarem nas caraterísticas mais críticas e inovadoras do produto, contribuindo de forma mais direta e substancial para o valor do negócio.
Desta forma, marcas líderes de mercado como a Danone, aproveitando o poder da IA, pretendem melhorar as suas ofertas de produtos, captar as tendências dos consumidores e ganhar vantagem competitiva no mercado.
Qualidade e segurança dos alimentos
A segurança alimentar é um pilar fundamental na indústria agroalimentar, uma vez que garante que os alimentos consumidos são seguros, nutritivos e adequados ao consumo humano. A qualidade é um aspeto intrinsecamente ligado à segurança alimentar na indústria, alargando o conceito de segurança alimentar para incluir aspetos como a homogeneidade e a conformidade com as normas para garantir que um produto é adequado para consumo.
A PepsiCo utiliza um “cérebro artificial” chamado Bonsai para garantir uma qualidade consistente do produto durante a produção. Este agente de IA controla de forma autónoma os parâmetros da extrusora, ajustando variáveis como a temperatura e a humidade para manter a qualidade desejada. Athina Kanioura, diretora de estratégia e transformação da PepsiCo, disse numa entrevista ao The Economic Times que prevê uma maior autonomia para o projeto Bonsai, com o objetivo de melhorar a eficiência operacional e a produção, mantendo ao mesmo tempo a qualidade distintiva da sua gama de produtos.
Cadeia de abastecimento
As cadeias de abastecimento são a espinha dorsal da indústria alimentar. A IA na cadeia de abastecimento ajuda a rastrear os produtos desde a colheita até aos canais de distribuição e a gerir os inventários com maior precisão. A IA também ajuda a estabelecer uma melhor vigilância das normas alimentares, testando produtos a todos os níveis e garantindo configurações de higiene alimentar em diferentes cenários operacionais.
A inteligência artificial (IA) na cadeia de abastecimento alimentar oferece inúmeras vantagens importantes. Permite uma previsão exata da procura e dos preços, otimiza a gestão do inventário e a logística e reduz o desperdício alimentar, especialmente de alimentos perecíveis. Ao analisar dados em tempo real, ajuda as empresas a ajustarem-se proactivamente às exigências do mercado e a identificarem potenciais perturbações, reforçando assim a resiliência das cadeias de abastecimento.
A McDonald's anunciou a sua incursão na inteligência artificial há alguns meses. A empresa pretendia implementar a IA para otimizar as operações e melhorar a experiência do cliente, reduzindo os tempos de espera e minimizando os erros nas encomendas. Mas nem todos os casos de utilização da IA foram bem-sucedidos. No caso da McDonald's a realidade não correspondeu às expectativas. Clientes e funcionários relataram uma série de problemas, desde interfaces de utilizador frustrantes até ao processamento incorreto de encomendas. Por isso, a McDonald's voltou ao básico - está a recalibrar a sua aposta na IA.
Fonte: iALIMENTAR
A empresa intermunicipal de Valorização de Resíduos do Baixo Alentejo - Resialentejo, leva a efeito a partir de hoje, dia 8 de outubro, a campanha de sensibilização para o combate ao desperdício alimentar intitulada "Era só o que faltava".
A campanha contempla uma vertente inovadora, com a realização do concurso de culinária “Sobras com sabor”, que pretende sensibilizar a comunidade escolar para a prática de uma alimentação sustentável e saudável, estimulando a partilha de ideias entre alunos e famílias.
Destaque também para sessões de showcooking, que demonstram formas simples de reduzir o desperdício alimentar com o aproveitamento de sobras. As atividades serão lúdicas e ao mesmo tempo pedagógicas, incluindo a utilização de uma mascote e um momento de exposição de conteúdos.
O objetivo é conduzir ao aprofundamento da problemática do desperdício e partilha de informações práticas para a redução de perdas e valorização de resíduos alimentares, em contexto doméstico.
Este é um problema mundial, que, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), resulta no desperdício de cerca de um terço de todos os alimentos produzidos em todo o mundo.
Saliente-se que através desta ação, a Resialentejo pretende contribuir para a consciencialização da população sobre a problemática do desperdício, dotar as famílias de informações práticas sobre redução de perdas e valorização de resíduos alimentares, e educar as faixas etárias mais jovens para a importância de uma alimentação saudável e variada.
Fonte: Região Sul
O Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) decidiu que os produtos transformados que contêm proteínas vegetais podem utilizar termos como “salsicha” ou “bife” nos seus rótulos, independentemente de incluírem, ou não, pormenores adicionais, como “vegetal” ou “de soja”.
O acórdão dá razão a quatro organizações – Protéines France, União Vegetariana Europeia (EVU), Association Végétarienne de France (AVF) e a Beyond Meat – que operam no sector dos produtos vegetarianos e à base de plantas, que se opuseram a um decreto do governo francês que proibia a utilização destas denominações para designar produtos transformados que contêm proteínas vegetais, a fim de proteger a transparência da informação sobre os géneros alimentícios no comércio.
Estas entidades pediram a anulação do decreto ao Conselho de Estado francês, que submeteu várias questões prejudiciais ao Tribunal de Justiça sobre a interpretação do regulamento.
Em resposta, o TJUE considera que, salvo adoção de uma denominação legal, os Estados-membros não podem proibir a utilização de termos tradicionalmente associados a produtos de origem animal para designar um produto que contém proteínas vegetais.
A este respeito, o tribunal afirma que uma medida que se limita a proibir a utilização de termos como “salsicha” para designar géneros alimentícios com determinadas características não equivale a uma medida que exija que os géneros alimentícios satisfaçam determinadas condições para poderem utilizar esses termos.
No entanto, acrescenta que, se uma autoridade nacional considerar que as condições específicas de venda ou de promoção de um género alimentício induzem o consumidor em erro, pode tomar medidas contra o operador da empresa do sector alimentar em causa.
Fonte: Grande Consumo
As catástrofes ambientais e as temperaturas extremas criam frequentemente uma cascata de complicações inesperadas, incluindo inundações, cortes de energia, danos provocados por bolor, bem como riscos para a saúde, como insolação, desidratação e complicações respiratórias e cardíacas no caso de ondas de calor e baixa humidade. No entanto, existe também um maior risco de intoxicação alimentar em situações climatéricas extremas.
De acordo com os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, existe a possibilidade de um aumento de doenças de origem alimentar, produzidas por bactérias como a Salmonella e a E. coli, após catástrofes naturais, quando é afetado o armazenamento refrigerado. Além disso, o calor também pode facilitar a proliferação de bactérias e fungos nos alimentos, o que torna a refrigeração adequada dos alimentos ainda mais essencial.
Manter a porta do frigorífico fechada
Em condições normais, o seu frigorífico deve ser mantido a 4°C ou menos, e o congelador a -18°C ou menos, de acordo com o CDC. Quando falta a eletricidade devido a uma tempestade, é uma corrida contra o tempo para garantir que os alimentos não se estragam.
“As bactérias multiplicam-se rapidamente entre temperaturas de 40 graus Fahrenheit (4°C) e 140 graus Fahrenheit (60°C)”, afirma Leana Wen, especialista em saúde da CNN.
“Normalmente, os frigoríficos conseguem manter os alimentos frios se a energia for desligada durante menos de quatro horas e a porta não for aberta.”
Para se certificar de que tem a temperatura certa, o CDC sugere a compra de um termómetro alimentar.
Os congeladores podem dar-lhe mais tempo
Os alimentos armazenados num congelador a -18°C podem ser recongelados ou cozinhados em segurança, desde que a temperatura não suba acima da marca crítica de 4°C, de acordo com o CDC.
Uma vez cortada a eletricidade, um congelador cheio pode manter uma temperatura segura até 48 horas com a porta fechada. Mas se estiver meio cheio, esse tempo pode ser reduzido para 24 horas - mais uma vez, apenas se a porta permanecer fechada. Por esta razão, os especialistas sugerem que se minimize qualquer atividade que envolva o frigorífico.
Algumas pessoas podem recorrer (erradamente) a colocar mais artigos no congelador para poupar tempo. Bill Marler, um advogado de segurança alimentar em Seattle, diz que há alguns fatores a considerar.
“Se o fizer, está essencialmente a adicionar alimentos mais quentes a um ambiente frio, como se estivesse a colocar alimentos quentes no frigorífico”, diz o especialista à CNN. “Isto irá aumentar a temperatura de todo o congelador e reduzir o tempo que os alimentos podem permanecer seguros”.
Para saber quando tudo está perdido, o CDC e outros especialistas em alimentos seguem um ditado simples: “Quando em dúvida, deite fora”.
Alguns alimentos apresentam riscos diferentes
Os alimentos pré-embalados e prontos a comer podem representar um problema particular quando se considera a segurança alimentar.
“Coisas como refeições de charcutaria, charcutaria, salsichas e até mesmo alguns tipos de queijos de pasta mole armazenados incorretamente podem estar ligados à Listeria (bactéria)”, diz Marler.
“Os legumes e a fruta podem ser um pouco mais fáceis, porque nos dizem quando não estão bons para comer. Mas com alguns alimentos prontos a consumir, pode ser mais difícil de perceber.”
O especialista aconselha as pessoas a evitarem a contaminação cruzada. “Não deixe que o líquido das salsichas contamine outros alimentos e guarde as carnes - mesmo as cozinhadas - separadamente das frutas, legumes e afins.”
Manter os alimentos separados é uma prática que deve começar no supermercado, de acordo com o CDC. Também devem ser mantidos em áreas separadas quando no frigorífico, independentemente das condições climatéricas.
Cozinhado não é sinónimo de seguro
Enquanto produtos como leite e carne crua são as primeiras coisas a considerar ao esvaziar um frigorífico muito quente no caso de uma queda de energia, Wen disse que é importante não esquecer os alimentos cozidos.
“Os alimentos cozinhados não devem ser deixados à temperatura ambiente durante mais de duas horas. Os restos de comida que não possam ser mantidos a uma temperatura de 40 graus Fahrenheit (4°C) ou menos devem ser deitados fora”, afirma.
O CDC também tem uma tabela útil sobre o tempo que os alimentos podem permanecer frescos num frigorífico em funcionamento, quer esteja aberto ou fechado.
As pessoas com doenças pré-existentes devem ser mais cuidadosas
Os efeitos das doenças de origem alimentar podem variar desde um ligeiro desconforto até complicações potencialmente fatais. De acordo com o CDC, as pessoas com doenças pré-existentes podem correr um maior risco de contrair doenças graves.
“Varia de acordo com o tipo de contaminação, mas as mulheres grávidas, as pessoas muito jovens e muito idosas e as pessoas com o sistema imunitário comprometido correm maior risco de contrair doenças graves, como a provocada pela Listeria, que pode ocorrer devido a um manuseamento ou armazenamento inadequado dos alimentos”, afirma Marler.
Se pertence a um destes grupos de alto risco, o CDC recomenda que preste especial atenção aos procedimentos de segurança alimentar quando compra, prepara, cozinha e armazena os seus alimentos.
Fonte: CNN Brasil
Face à constante procura por parte dos consumidores de produtos biológicos, a ASAE no âmbito das suas competências de fiscalização em toda a cadeia de valor alimentar, procedeu à realização de várias ações a nível nacional, na vertente in situ como online, em várias atividades económicas relacionadas com a produção biológica de alimentos ou a sua utilização, designadamente distribuidores, grossistas, retalhistas, mercados, estabelecimentos de restauração, entre outros.
Como balanço da operação, foram fiscalizados cerca de uma centena de operadores económicos que tiveram como principal objetivo a verificação das informações constantes da rotulagem dos produtos com menções relativas a produção biológica e a verificação do cumprimento dos requisitos legais, essencialmente ao nível da rotulagem e informação ao consumidor, bem como a segurança dos géneros alimentícios, tendo sido instaurados 7 processos de contraordenação.
A ASAE manterá a sua atuação de forma a garantir a defesa do consumidor bem como a leal concorrência entre os operadores económicos.
Fonte: ASAE
Dos fumados “carcinogénicos” ao infame óleo de palma, dos misteriosos “açúcares adicionados” ao temível sal, a comida de hoje mais parece um inimigo do qual temos de nos defender do que um dos grandes prazeres da vida. “Graças ao marketing hiperagressivo e aos muitos arautos da desgraça que usam as redes sociais para espalhar informações alarmistas sem base científica, quantos mais alimentos temos ao nosso dispor, mais eles nos causam ansiedade e desconfiança. ‘Isto faz bem ou faz mal, sim ou não?’, é a pergunta que todos nós fazemos sempre que nos põem um prato à frente”. É desta forma que lemos um excerto da recensão ao livro Posso comer ou faz-me mal? - Manual de autodefesa alimentar (edição Contraponto), assinado pelo químico italiano Dario Bressanini.
Nas mais de 300 páginas do presente título, o autor propõe-nos um caminho de descoberta, o de compreendermos como é, de facto, feita a investigação científica para sermos capazes de distinguir a ciência da aldrabice.
Dario Bressanini, grande comunicador de ciência, ajuda-nos a evitar cair nas armadilhas da publicidade, do marketing e dos mitos mirabolantes, como o do chocolate que emagrece (e que também ajuda a ganhar prémios Nobel), o açúcar dietético. O autor desconstrói muitos dos nossos maiores medos em relação à comida, para que possamos fazer escolhas alimentares mais sensatas e saudáveis sem perdemos o sono e a tranquilidade.
Sobre o livro, escreve na introdução que lhe fez a professora catedrática da NOVA Medical School Conceição Calhau: “Atente-se ao capítulo dedicado ao sal rosa dos Himalaias (...) Nele, o autor apresenta a combinação perfeita do pormenor químico com o maior rigor científico e humor, ao surpreender o leitor com a explicação para a cor do sal e o seu pseudointeresse enquanto alegada fonte de ferro”.
Do livro, publicamos o excerto abaixo:
De há alguns anos para cá, explodiu a moda dos adoçantes “naturais”. Na era da demonização da sacarose, o açúcar de mesa comum, sentimo‑nos agora culpados por comer doces e não queremos ver a palavra açúcar num rótulo. Se, por vezes, como vimos, é possível camuflá‑lo sob a forma de extratos açucarados de fruta, outras vezes, é necessária uma estratégia diferente. Assim, as prateleiras dos supermercados, e mais ainda as das lojas especializadas, enchem‑se de xaropes e açúcares de vários tipos, desde o xarope de ácer ao xarope de agave, do açúcar de coco ao açúcar de palma, passando pelos maltes de todos os tipos. Todos mais ou menos promovidos e publicitados com uma aura de naturalidade que leva muitas pessoas a utilizá‑los, não pelo seu sabor, muitas vezes complexo e maravilhosamente aromático, ao contrário da sacarose comum, mas porque são supostamente “mais saudáveis”. É o que dão a entender os vários gurus da saúde na Internet. Poucos sabem, no entanto, o que contêm.
Nos países tropicais, existem várias palmeiras com um néctar de elevado teor de açúcar. Algumas palmeiras sacarinas, como a Arenga pinnata e a Borassus flabellifer, são utilizadas há séculos pelas populações locais para produzir açúcar. A inflorescência masculina é cortada e um líquido adocicado rico em sacarose é recolhido diariamente num recipiente. É possível recolher entre 5 a 30 litros de líquido por dia num período de vários meses. O néctar é, então, levado à ebulição em grandes panelas de ferro postas ao lume e concentrado até se tornar um xarope muito espesso. É vendido tal e qual, por vezes denominado “mel de palma», ou ainda concentrado para ser vertido em moldes onde solidifica.
Um produto que a indústria dos produtos saudáveis pôs recentemente nos mercados ocidentais e que está a ter grande sucesso é o chamado açúcar de coco. A fonte do néctar, neste caso, é o coqueiro (Cocos nucifera). Esta planta tem sido tradicionalmente utilizada para produzir cocos para serem vendidos frescos, ou para serem transformados em farinha, ou ainda para serem utilizados na produção de óleo de coco. Nos últimos anos, devido à procura no mercado ocidental de açúcares considerados mais naturais, algumas plantações de coco, especialmente na Indonésia e nas Filipinas, converteram‑se à produção de açúcar. Mais uma vez, o néctar é extraído da inflorescência e levado à ebulição para ficar concentrado. Uma palmeira pode produzir até 50 quilos de açúcar por ano.
O néctar de todas estas palmeiras é rico em sacarose, cerca de 15%. Assim que o néctar começa a sair, é atacado por bactérias e leveduras, que começam a produzir enzimas que convertem parcialmente a sacarose em glicose e frutose. A fermentação tem de ser mantida sob controlo com agentes antimicrobianos e conservantes, caso contrário deixará de ser possível obter açúcar sólido de boa qualidade. Durante a fervura, que pode durar várias horas, parte da glicose e da frutose, geradas pela divisão da sacarose, reage com as impurezas proteicas presentes, formando os típicos produtos castanhos aromáticos da reação de Maillard, característicos de muitos xaropes deixados a ferver durante muito tempo.
Tanto o açúcar de coco como o açúcar de palma contêm cerca de 90 % de açúcar, 70‑80 % de sacarose, o resto de glicose e frutose, mais alguma água, ácidos orgânicos e os produtos aromáticos da reação de Maillard. Se as enzimas, durante o processo, não forem mantidas sob controlo, a quantidade de sacarose pode ser inferior e a percentagem de frutose pode aumentar. No final, estes produtos são apenas uma mistura de sacarose e frutose em percentagens variáveis, e não há qualquer razão para os revestir com a aura salutar que, muitas vezes, acompanha a sua descrição comercial.
Juntamente com os produtos sólidos, existem agora também muitos xaropes doces. Os mais populares são os de ácer e de agave. Em grande medida, as propriedades dos xaropes doces que encontramos no mercado podem ser reduzidas às propriedades dos açúcares simples neles dissolvidos. A maioria dos xaropes contém entre 70 e 80 % de açúcares, que geralmente são sempre os mesmos: sacarose, glicose e frutose. Muitos xaropes são coloridos e aromáticos porque também contêm pequenas quantidades de outras substâncias que conferem cores e aromas característicos. Estas substâncias, tal como os outros açúcares, são formadas durante o processamento, através do aquecimento do sumo dos vegetais a partir dos quais são feitos.
O xarope de ácer é o xarope clássico para as panquecas do pequeno‑almoço, que a Vovó Donalda fazia na banda desenhada e que agora também são populares entre nós. É produzido principalmente no Canadá, fazendo ferver durante muito tempo a seiva recolhida de certas espécies de áceres, como o bordo‑sacarino, o bordo‑preto e o bordo‑vermelho. O sumo é fervido para reduzir o teor de água e, durante o processamento, são produzidas as substâncias aromáticas características, bem como pequenas quantidades de glicose e frutose resultantes da divisão da sacarose. A seiva, um líquido límpido e quase insípido, tem um teor de sacarose de 2 a 5%. Uma vez que, por lei, o xarope de ácer deve ter um teor mínimo de 66% de açúcar, é necessário utilizar 15 a 30 litros de seiva recolhida da árvore para obter 1kg de xarope de ácer. Esta é uma das razões pelas quais o xarope de ácer é tão caro. Retirando a água, os açúcares presentes são 98% de sacarose, com vestígios de glicose e frutose.
O xarope de agave, também designado por “néctar de agave”, é obtido a partir de certas espécies de agave, nomeadamente a agave azul (Agave tequilana), também utilizado no México para a produção de tequila. O coração da planta é espremido para se obter a seiva que contém vários polissacáridos, sendo o principal a inulina, um polímero composto por frutose. O sumo é aquecido e as enzimas decompõem a inulina, produzindo frutose, o principal açúcar do xarope de agave. Dependendo do método de produção e da matéria‑prima, o xarope de agave pode ter um teor de frutose de 70 a 90% em relação aos açúcares totais presentes, uma concentração que o torna o xarope natural com maior teor de frutose.
No imaginário de alguns consumidores, todos estes xaropes aromáticos são vistos como naturais. E são, claro está, tal como a sacarose normal. Mas não deixa de ser irónico constatar que os sabores pelos quais são famosos e a sua coloração são o resultado do tratamento térmico industrial a que são submetidos.
Existem também outros xaropes, por exemplo, os de malte. O malte é o produto da germinação da semente de um cereal. Durante o processo de germinação, o amido presente na semente é parcialmente transformado em açúcares. A partir do grão germinado obtém‑se uma farinha, chamada farinha de malte, ou pode‑se adicionar água e, após uma filtragem, obter uma solução sacarina que, quando devidamente concentrada, dá origem ao xarope de malte. Todos os grãos de cereais, como a cevada, o trigo ou o milho, são ricos em amido e podem ser utilizados para produzir o malte, mas este é frequentemente obtido a partir da cevada, em parte porque é o ponto de partida para a produção de cerveja. O xarope de malte é rico em dissacárido maltose, um açúcar simples constituído por duas moléculas de glicose, e tem um sabor característico. É adicionado aos produtos de pastelaria porque a maltose tem muitas propriedades semelhantes às da glicose, incluindo a capacidade de participar na reação de Maillard e, por conseguinte, de dourar e acastanhar, ao contrário da sacarose.
Todos os açúcares considerados alternativos que vimos contêm vestígios de outras substâncias, como o cálcio e o potássio. No entanto, estes encontram‑se em quantidades extremamente baixas pelo que não têm qualquer importância do ponto de vista nutricional, dadas as pequenas quantidades de açúcares que utilizamos.
Então, porque é que são tão populares ultimamente? Os aromas maravilhosos e os sabores complexos. Claro. Mas quanto às suas propriedades nutricionais, bem, são equivalentes às habituais sacarose, glicose e frutose, e é desonesto sugerir que são, de alguma forma, “mais saudáveis”. Vejo demasiadas páginas Web e revistas de bem‑estar ou de culinária a lançarem mão da naturalidade destes açúcares e xaropes, sem nunca fornecerem um pingo de provas científicas de que são efetivamente mais saudáveis. Porque não podem. Não são. Receitas de doces em que o açúcar de coco ou o xarope de agave são usados como desculpa para dar a falsa ilusão a quem os faz e come de que estão a cozinhar de forma “mais saudável”. Propor a utilização de malte de espelta ou de malte de arroz preto integral (ou arroz de Vénus), colhido por virgens em noites de lua cheia, serve apenas para aliviar a consciência, numa espécie de autoindulgência plenária para expiar pequenos‑almoços e lanches talvez demasiado doces e abundantes.
Consumidos em excesso, todos os açúcares, independentemente da sua origem e grau de refinamento, podem causar ou agravar problemas de saúde como a obesidade e a diabetes. No fundo, são apenas açúcares simples com aromas particulares, mas devem ser tratados como o açúcar de mesa normal: com moderação. Sempre.
Fonte: Sapo.pt
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) realizou, uma operação de fiscalização, de norte a sul do país, direcionada aos operadores económicos com instalações de talhos e estabelecimentos de retalho com secção de talho, no sentido de verificar os requisitos legais com especial destaque para o controlo de origem e rotulagem, conservação e exposição da carnes e produtos cárneos, bem como as condições higiénicas e sanitárias das instalações.
Como balanço da ação, assinala-se a fiscalização de 163 operadores económicos, tendo sido instaurados 30 processos de contraordenação, destacando-se como principais infrações, a distribuição, preparação e venda de carnes e seus produtos com desrespeito das normas higiénicas e técnicas aplicáveis, a falta de mera comunicação prévia, o incumprimento das regras aplicáveis ao controlo metrológico, entre outras.
Procedeu-se ainda à suspensão de atividade de um operador económico pelo incumprimento dos requisitos gerais e específicos de higiene e à apreensão de 770 Kg de carnes e produtos cárneos e ainda 5 instrumentos de pesagem (balanças), no valor total estimado de 15.750,00€.
No âmbito da investigação de evidências de incorporação de aditivos não autorizados em peças de carne destinada à venda como carne picada e utilização abusiva de aditivos em preparados de carne, foram ainda efetuadas colheitas de amostras para pesquisa de adição de sulfitos, as quais irão ser sujeitas às respetivas análises no Laboratório de Segurança Alimentar da ASAE.
A ASAE continuará a desenvolver ações de fiscalização, no âmbito das suas competências, em todo o território nacional, em prol de uma sã e leal concorrência entre operadores económicos, na salvaguarda da segurança alimentar e saúde pública dos consumidores.
Fonte: ASAE
Um grupo de cinco idosos foi encaminhado para o Hospital de Setúbal com ferimentos leves, este sábado, depois de terem sofrido uma intoxicação alimentar no lar Residência Porto Salus, em Azeitão.
Não são conhecidas as causas da intoxicação alimentar. O alerta foi dado às 4h19.
Fonte: CMTV
A integração da Indústria 4.0 na cadeia de abastecimento alimentar, especificamente na logística e distribuição a temperatura controlada, está a transformar profundamente o setor. Esta mudança, impulsionada por tecnologias avançadas como a Internet das Coisas (IoT), a inteligência artificial (IA) e o big data, não só otimiza a eficiência operacional, como também redefine os padrões de qualidade, segurança e sustentabilidade na gestão de produtos perecíveis.
Monitorização com IoT
O uso de IoT permitiu um avanço significativo na cadeia de frio, proporcionando uma monitorização contínua, e em tempo real, de variáveis críticas como a temperatura e a humidade. Os sensores IoT instalados nos centros de armazenamento e nos veículos de transporte captam dados essenciais que são processados e analisados instantaneamente. Esta capacidade de monitorização hiper precisa permite detetar qualquer desvio dos parâmetros estabelecidos, o que é crucial para manter a integridade de produtos perecíveis como carne, peixe e lacticínios.
Além disso, a monitorização automatizada reduz a dependência da intervenção humana, minimizando erros e aumentando a fiabilidade do sistema. Esta automatização não só garante que os produtos se mantenham dentro dos intervalos de temperatura específicos, como também permite prever falhas nos sistemas de refrigeração, assegurando a continuidade da cadeia de frio sem interrupções.
Otimização com IA e big data
A inteligência artificial e a análise de big data estão a revolucionar a otimização logística na cadeia de frio. Algoritmos de aprendizagem automática analisam dados históricos e em tempo real para prever a procura, padrões de consumo e possíveis riscos na cadeia de abastecimento. Por exemplo, as rotas de distribuição podem ser ajustadas em tempo real para evitar congestionamentos de tráfego ou condições meteorológicas adversas, garantindo que os produtos cheguem nas melhores condições. Esta otimização não só melhora a eficiência operacional, como também reduz o desperdício de produtos e o consumo energético, o que é crucial num ambiente onde a sustentabilidade se tornou uma prioridade.
Rastreabilidade e cibersegurança
A rastreabilidade e a segurança dos dados são aspetos críticos na gestão da cadeia de frio. A tecnologia blockchain oferece uma solução para assegurar a integridade e transparência da informação ao longo de toda a cadeia de abastecimento. Cada transação e alteração de estado é registada de forma imutável e acessível, permitindo uma rastreabilidade completa desde a origem até ao consumidor final.
No entanto, esta digitalização também introduz desafios em termos de cibersegurança. A proteção de dados sensíveis e a segurança dos sistemas são fundamentais para prevenir brechas que poderiam comprometer tanto a segurança dos produtos como a confiança do consumidor. Por isso, o investimento em cibersegurança avançada é indispensável para garantir a resiliência da cadeia de frio.
A cadeia de frio 4.0
A adoção da indústria 4.0 na cadeia de frio alimentar está a transformar a logística e distribuição a temperatura controlada, oferecendo melhorias significativas em eficiência, segurança e sustentabilidade.
No entanto, também levanta novos desafios, especialmente em termos de cibersegurança e da interoperabilidade de sistemas. As empresas do setor alimentar que adotarem estas tecnologias de forma estratégica estarão mais bem posicionadas para garantir a qualidade e segurança dos seus produtos num mercado global cada vez mais competitivo.
Fonte: iAlimentar
Os investigadores do Instituto Fraunhofer de Engenharia de Superfícies e Películas Finas IST e os parceiros do projeto BioPlas4Paper utilizaram um processo de revestimento (polimerização por plasma) para criar revestimentos de barreira repelentes de água e à base de plantas no papel, comprovando assim a resistência do papel aos efeitos do clima.
Segundo comunicado de imprensa, os “revestimentos à base de plantas para embalagens de papel poderão constituir uma alternativa sustentável no futuro” e contribuir para a redução dos resíduos de plástico, em particular embalagens, que geram volumes de resíduos particularmente elevados.
O papel, feito de matérias-primas renováveis, apresenta vantagens em relação ao plástico derivado do petróleo, porque se decompõe e não permanece no solo durante muitos anos.
No entanto, “o papel não revestido não oferece qualquer barreira à humidade ou ao oxigénio”, é “sensível à temperatura, reage fortemente à humidade e às bactérias e caracteriza-se por superfícies irregulares”.
Por este motivo os investigadores do Fraunhofer IST dedicam-se no projeto BioPlas4Paper a “explorar plenamente o potencial do material, melhorar as opções de reciclagem, substituir as embalagens de plástico e explorar novos domínios de aplicação”, para “melhorar a vida útil, a durabilidade e a qualidade dos produtos de papel”. O Fraunhofer IST trabalha, neste projeto, em estreita colaboração com a Universidade Técnica de Darmstadt e com o Instituto Thünen de Investigação da Madeira.
Os parceiros estão a concentrar-se em substâncias vegetais como o óleo de orégãos e de chia, bem como em material extrativo obtido a partir de cascas de árvores. Entre outras propriedades estas substâncias vegetais apresentam efeitos antibacterianos.
Polímeros de plasma de base biológica estabelecem ligações cruzadas com a superfície do papel
Os investigadores estão a utilizar “a tecnologia de plasma de pressão atmosférica, em que o gás é excitado com alta tensão sob pressão ambiente para gerar plasma, ou seja, uma mistura de partículas de iões, eletrões livres e, na maioria dos casos, átomos ou moléculas neutras.O processo provoca uma descarga entre os eléctrodos", explica Martin Bellmann, investigador do Fraunhofer IST em Braunschweig.
A adição de azoto converte as substâncias vegetais num aerossol que é introduzido no plasma como precursor orgânico vaporizado para formar redes de polímeros. “Os especialistas chamam a este processo, em que os precursores são ativados pelo plasma, polimerização por plasma”, explica o documento.
As partículas de tamanho micrométrico juntam-se para formar polímeros de plasma, as minúsculas gotículas também se ligam ao papel e espalham-se uniformemente sobre o substrato de papel em bruto, penetrando profundamente nos poros e fibras da superfície. “O plasma é essencial para tornar as moléculas das plantas reativas e permitir a sua ligação cruzada em polímeros”, explica Martin Bellmann.
Revestimentos hidrófobos feitos com azeite
Numerosos testes envolvendo uma vasta gama de óleos e extratos de plantas permitiram aos investigadores demonstrar que os materiais de base biológica podem ser separados ou depositados de forma reprodutível e homogénea utilizando plasma. É possível obter excelentes revestimentos hidrofóbicos com azeite e óleo de chia, por exemplo.
Dependendo dos precursores utilizados e dos parâmetros de revestimento, os investigadores podem influenciar e otimizar os revestimentos. O objetivo é preparar o papel para casos de utilização cada vez mais sofisticados e, no futuro, substituir mesmo os materiais plásticos. “Um exemplo são as caixas de transporte que, com os nossos revestimentos hidrofóbicos, podem suportar até mesmo longos períodos de chuva sem ficarem moles. O nosso objetivo é reduzir a dependência dos recursos fósseis e apoiar a transição para uma economia eficiente em termos de recursos”, afirma Martin Bellmann.
Fonte: iAlimentar
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