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Uma equipa de investigadores liderada por cientistas da Rutgers University-New Brunswick, nos Estados Unidos da América (EUA) concluiu que a produção mundial de alimentos essenciais, como frutas e vegetais, está a ser limitada pela falta de polinizadores.

O estudo, publicado na revista científica Nature Ecology & Evolution, analisou o rendimento de culturas de mais de 1.500 campos agrícolas em seis continentes e descobriu que um terço a dois terços das culturas incluem terrenos que não estão a produzir os níveis que deveriam devido à falta de insetos polinizadores.

Desta forma, os investigadores encontraram défices de produção em 25 tipos de culturas e em 85% dos países analisados, com as culturas de mirtilo, café e maçã a serem identificadas como as mais frequentemente afetadas pela limitação de polinizadores.

A investigação não se aplicou às principais culturas alimentares, como o arroz e o trigo, que não requerem polinizadores para se reproduzir. No entanto, a polinização é fundamental para a proliferação de alimentos importantes para uma alimentação equilibrada e rica em nutrientes, como a fruta, os vegetais ou as nozes.

“Os polinizadores sustentam a reprodução de cerca de 88% das plantas com flor a nível mundial e 76% das principais culturas alimentares globais. As abelhas são geralmente consideradas os polinizadores mais eficazes porque visitam mais flores e carregam mais pólen do que outros insetos”, explicou Rachael Winfree, autora principal do estudo.

Os cientistas acreditam que os atuais défices na produção e rendimento das culturas podem ser corrigidos ao serem aumentadas as visitas dos polinizadores aos campos agrícolas mais afetados. Sugerem que isto seja feito através de investimento contínuo na gestão e em técnicas para atrair estes insetos, assim como através de mais pesquisa sobre os polinizadores.

“As descobertas são significativas porque mostram que a avaliação da produção e da colheita das culturas são relevantes para calcular se existe um adequado fornecimento mundial de certos alimentos”, afirmou Winfree, avançando ainda que “as nossas conclusões mostraram que, se os agricultores prestarem mais atenção aos polinizadores, podem tornar os seus campos agrícolas mais produtivos e eficientes”.

 

Fonte: Vida Rural

A empresa que fornece refeições às escolas de segundo e terceiro ciclo do Porto vai ser multada em 2203,5 euros por ter servido um prato vegetariano com seitan fora do prazo a um aluno da Secundária Filipa de Vilhena.

O estudante não teve qualquer problema, pelo menos que tenha chegado ao conhecimento do município, e a situação reporta-se apenas a uma refeição de um total de 3618 servidas no dia em causa. Mas a empresa vai ser multada por ter falhado o previsto no contrato, designadamente as cláusulas referentes à salvaguarda da qualidade dos produtos utilizados.

O caso foi detetado a 16 de maio, numa visita de monitorização à unidade de alimentação de escola. Os técnicos verificaram que na câmara de frio estava uma embalagem de seitan com data de abertura de 14/5/2024 e com o prazo de validade expirado (“consumir de preferência até 24/4/2024”). Foi confirmado que esse seitan foi usado para confecionar uma refeição vegetariana (seitan no forno com alho francês e salada de batata, cenoura e feijão verde) no dia 14 de maio, quando a embalagem foi aberta.

O produto foi então para análise, tendo sido atestada a “inconformidade da qualidade microbiológica da refeição, que foi considerada não satisfatória”, diz a proposta que vai ao Executivo. “A refeição não apresentava as condições de segurança alimentar exigidas”, acrescenta o documento.

Notificada pelo município, a empresa assumiu a “gravidade da situação” e informou “ter espoletado medidas corretivas”. Para o cálculo do valor da penalidade a pagar (e o incumprimento de cláusulas pode chegar a 10% do valor do contrato), contaram os factos de ser a primeira infração, de ter afetado apenas 0,028% das refeições confecionadas nesse dia (uma das 3618 servidas) e de o aluno em causa não ter sofrido consequências, pelo menos que sejam do conhecimento do município.

A empresa foi penalizada, ainda assim, por falhar nos procedimentos de segurança alimentar, designadamente na vigilância dos prazos de validade dos produtos, tendo usado seitan com prazo de validade expirado há 21 dias, período durante o qual a embalagem esteve guardada em câmara de frio. A empresa aceitou o valor da multa e predispôs-se a pagar de imediato.

Fonte: Jornal de Notícias

Cientistas extraíram uma cadeia de ADN do que julgam ser o queijo mais velho do mundo, através de múmias da Idade do Bronze sepultadas num cemitério chinês do povo Xiaohe.

Os estudiosos encontraram queijo kefir espalhado à volta da cabeça e do pescoço dos cadáveres com cerca de 3.300 e 3.600 anos, na bacia de Tarim, no noroeste da China, de acordo com uma investigação publicada na revista Cell, esta quarta-feira.

Ainda que a substância tenha sido observada pela primeira vez há duas décadas, só agora foi identificada.

“Itens alimentares como o queijo são extremamente difíceis de preservar ao longo de milhares de anos, o que faz desta uma oportunidade rara e valiosa. Estudar o queijo antigo em grande pormenor pode ajudar-nos a compreender melhor a dieta e a cultura dos nossos antepassados”, explicou o investigador Qiaomei Fu, citado pelo New York Post.

O extrato mitocondrial, que se descobriu conter ADN de vaca e de cabra, foi retirado de três túmulos diferentes quando se soube das preferências culinárias dos Xiaohe. Ao contrário da Grécia e do Médio Oriente, os diferentes tipos de leite animal eram separados em lotes de queijo.

Também foi encontrada a presença de bactérias fúngicas consistentes com os atuais grãos de kefir, o que permitiu à equipa traçar a sua linhagem. Aliás, a atual bactéria Lactobacillus terá tido origem tanto na China, como na Rússia. Anteriormente, julgava-se que era exclusiva das montanhas russas do Cáucaso.

O estudo revelou ainda que a bactéria pode ter levado à estabilização da genética e melhorado a fermentação do leite ao longo do tempo.

“Este é um estudo sem precedentes, que nos permite observar como uma bactéria evoluiu ao longo dos último três mil anos. Além disso, ao examinar os produtos lácteos, obtivemos uma imagem mais clara da vida humana antiga e das suas interações com o mundo. Isto é apenas o começo e, com esta tecnologia, esperamos explorar outros artefactos anteriormente desconhecidos”, apontou o investigador.

 

Fonte: Notícias ao Minuto

O consumo de água engarrafada tem de ser repensado, uma vez que tem impactos crescentes tanto na saúde humana como na do planeta, alerta um artigo publicado nesta terça-feira na revista científica BMJ Global Health. Estima-se que um milhão de garrafas de plástico são compradas por minuto no planeta, um número que só tende a crescer, de acordo com os autores do artigo.

“É vital que as populações e os governos compreendam que a conveniência da água engarrafada em plástico tem um custo elevado tanto para a saúde humana como para a do planeta. A água da torneira em muitos países de rendimento alto e médio-alto é não só mais segura e mais acessível, como também mais sustentável”, afirma o co-autor Amit Abraham, docente no Instituto de Saúde Populacional de Weill Cornell Medicine, no Qatar. ​

O comentário publicado na BMJ Global Health detalha que entre 10% e 78% das amostras de água engarrafada contêm contaminantes, incluindo microplásticos, ftalatos (utilizados para tornar os plásticos mais duráveis) e bisfenol A (BPA). Ainda que existam limiares de segurança a curto prazo, refere o artigo, os efeitos a longo prazo destes contaminantes permanecem em grande parte desconhecidos.

“As condições de armazenamento da água engarrafada aumentam significativamente o risco de os contaminantes do plástico lixiviarem. Armazenamento prolongado e exposição a altas temperaturas ou luz solar podem fazer com que compostos químicos nocivos, como o BPA e os ftalatos, passem para a água”, escrevem os autores.

A contaminação por microplásticos está associada, na saúde humana, ao stress oxidativo, à desregulação do sistema imunitário e a alterações nos níveis de gordura no sangue. Já a exposição ao BPA tem sido relacionada com problemas de saúde como a hipertensão arterial, as doenças cardiovasculares, a diabetes e a obesidade.

 

Fonte: Público

A Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos de Saúde (Aemps) ordenou a proibição da comercialização e mandou retirar do mercado o suplemento alimentar Max Ero Plus, por conter a substância sildenafil , princípio ativo do viagra, que não está declarado na rotulagem.

Em comunicado, a Aemps explicou que «a presença do sildenafil confere ao produto o estatuto de medicamento, mas esta substância é “escondida” ao consumidor, apesar de poder causar graves danos à saúde».

A Aemps analisou o produto em laboratório e confirmou que contém sidenafil «indicado para restaurar a função erétil, aumentando o fluxo sanguíneo peniano por inibição seletiva da enzima fosfodiesterase 5 (PDE-5)».

Segundo a Aemps, «os inibidores da PDE-5 são contraindicados em doentes com enfarte agudo do miocárdio, angina instável, angina de esforço, insuficiência cardíaca, arritmias não controladas, hipotensão, hipertensão arterial não controlada, histórico de acidente isquémico cerebral, insuficiência hepática grave e pessoas com antecedentes de neuropatia óptica isquémica ou doenças degenerativas hereditárias da retina».

Além disso, o sildenafil interage com outros medicamentos e pode causar reações adversas de gravidade variável, incluindo problemas cardiovasculares, uma vez que o seu consumo tem sido associado a enfarte agudo do miocárdio, arritmias, palpitações, taquicardia, acidente vascular cerebral e até morte súbita.

Fonte: Sapo

Na semana em que se assinala o Dia Internacional da Consciencialização sobre a Perda e o Desperdício Alimentar, um investigador da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) está a estudar um método de dar uma segunda vida a resíduos orgânicos através da extração dos antioxidantes para posterior aplicação em suplementos alimentares.

A solução de Pedro Velho evita a utilização de solventes poluentes e dá uma segunda vida ao desperdício alimentar, agrícola e biomassa.

A frequentar o Programa Doutoral em Engenharia Química e Biológica na FEUP, Pedro Velho aplica termodinâmica em várias vertentes, e analisa de que forma o desperdício alimentar, agrícola e biomassa pode ser aproveitado e resultar na microencapsulação dos antioxidantes em suplementos alimentares.

O estudo deste procedimento de extração aplicado aos antioxidantes baseia-se num sistema aquoso bifásico composto, normalmente, por água, sal e solvente de química verde, solvente esse que é mais ecológico do que os solventes tradicionais mais poluentes.

Pedro Velho sintetiza soluções com solventes verdes baseados em aminoácidos e vitaminas, usando-os para extrair os antioxidantes. Desta forma, o processo torna-se muito mais sustentável, por estes solventes serem, geralmente, biodegradáveis, feitos de recursos renováveis e com menor toxicidade.

A técnica aplicada pelo investigador não é nova, mas esta aplicação na indústria alimentar é inédita e pode revolucionar o aproveitamento que é dado aos resíduos orgânicos. “Esta é uma técnica que já é usada de forma muito reduzida para reciclar corantes da indústria têxtil.

Para antioxidantes não há, ainda, aplicação comercial, mas antes disso é necessário avaliar quais as melhores combinações de espécies químicas para extrair os antioxidantes mais abundantes nos biorresíduos. Esta solução permitirá valorizar estes desperdícios e atrasar a sua incineração”.

A desenvolver esta investigação no Laboratório de Processos de Separação e Reação – Laboratório de Catálise e Materiais (LSRE-LCM) da FEUP, o bolseiro de doutoramento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) foi, em setembro de 2024, distinguido com a capa do Journal of Chemical & Engineering Data – volume 69, edição 9, assim como nas edições 1 e 7. Em fevereiro do mesmo ano, foi destacado na capa da Industrial & Engineering Chemistry Research – volume 63, edição 6.

O estudo desta aplicação está a ser acompanhado por Gonçalo Perestrelo, mestre em Engenharia Química, e por Maria Eugénia Macedo, Professora Associada do Departamento de Engenharia Química da FEUP e investigadora do LSRE-LCM, integrado no laboratório associado ALiCE.

 

Fonte: Universidade do Porto - FEUP

A taxa de materiais reciclados consumidos pela economia global diminuiu de 9,1% em 2018 para 7,2% em 2023, uma queda de 21% em cinco anos, tema que vai estar em debate no Innovators Forum ’24.

De acordo com o “Circularity Gap Report 2024”, a taxa de materiais reciclados consumidos pela economia global registou uma “queda de 21% em cinco anos”.

Paralelamente, no mesmo período, o consumo continua a acelerar: “No mesmo período, consumimos mais de 500 gigatoneladas. Isso representa 28% de todos os materiais que a humanidade consumiu desde 1900”, segundo o relatório.

O estudo adianta que a “economia circular atingiu o ‘status’ de megatendência”, tendo o volume de discussões, debates e artigos sobre o conceito quase triplicado nos últimos cinco anos.

Em Portugal, segundo dados do Eurostat, a taxa de circularidade era de cerca de 2% em 2022, posicionando o país em 24.º lugar entre os 27 Estados-membros da União Europeia, cuja média é de 11,7%, de acordo com um comunicado da Sonae sobre a nova edição do Innovators Forum ’24, que este ano é dedicado ao tema.

Os especialistas estimam que a economia circular possa ajudar a reduzir as emissões atmosféricas em 40%, gerar até dois milhões de empregos e criar um mercado avaliado entre dois e três mil milhões de dólares até 2026, lê-se no documento.

O Innovators Forum ’24, que decorre em 27 de novembro em Lisboa, vai contar com especialistas nacionais e internacionais para debater a circularidade, esperando-se mais de 400 participantes. A iniciativa terá transmissão ‘online’.

“Estamos a consumir recursos a um ritmo que o planeta não consegue suportar, sem dar tempo à natureza para se restaurar”, afirma João Günther Amaral, membro da Comissão Executiva da Sonae, citado em comunicado.

“Perante este cenário, não temos escolha: ou mudamos radicalmente a forma como utilizamos os recursos naturais ou não haverá futuro”, adverte.

Na segunda edição do Innovators Forum “vamos reunir especialistas para discutir soluções práticas e concretas para implementar a circularidade, porque só com uma mudança imediata e colaborativa entre empresas, Governo, academia e sociedade podemos contribuir para uma economia que respeite os limites do planeta”, remata.

 

Fonte: Green Savers & Lusa

No Dia da Sustentabilidade, a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa | NOVA FCT anuncia que o projeto “ValorCannBio – Valorização de subprodutos da canábis medicinal como biopesticida para o olival” é um dos vencedores da 6.ª edição do Programa Promove da Fundação ”la Caixa”, em colaboração com o BPI e Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), na categoria de projetos-piloto inovadores.

O projeto vai receber financiamento de 150 mil euros para explorar os subprodutos da produção de canábis medicinal como biopesticidas sustentáveis e eficazes para controlar as principais doenças do olival.

ValorCannBio é liderado pelo InnovPlantProtect (InPP), em parceria com o Laboratório Associado para a Química Verde (LAQV) da NOVA FCT e as empresas GreenBePharma (GBP) – produção de canábis medicinal, e AGR Global – cultivo e produção de olival.

O projeto ValorCannBio pretende controlar duas das mais importantes doenças do olival, uma cultura de extrema importância económica e social em Portugal: a Gafa e a Tuberculose. A Gafa é considerada prioritária, por causar perdas de produção que podem atingir os 100 por cento a que correspondem mais de 50 milhões de euros, a redução da qualidade do azeite e estar a levar ao desaparecimento do património genético das variedades de olival tradicional como a galega, altamente suscetível à doença. A tuberculose, é uma doença do olival que se espalha pela quase totalidade dos olivais e que reduz a qualidade do azeite.

Para contribuir para o controlo das duas doenças que afetam o olival, a equipa de investigadores envolvida no projeto desenvolverá um biopesticida a partir de folhas da planta de canábis, consideradas excedentes do processo de produção de canábis medicinal em Portugal, que legalmente têm de ser destruídas. Este processo vai permitir atender às necessidades dos olivicultores, mas também abrir uma nova cadeia de valor associada à utilização de um subproduto da indústria da produção desta planta com fins medicinais.

“As soluções existentes no mercado para combater a Gafa e a Tuberculose não são eficazes e recaem em grupos dos pesticidas de síntese química, com impactos negativos no meio ambiente, e que estão a ser descontinuados, pelo que é premente encontrar alternativas. Por outro lado, as empresas de canábis podem vir a escoar os excedentes da biomassa para uma futura indústria produtora de biopesticidas, evitando os altos custos de destruição e apostando numa economia circular.

Este projeto visa a integração dos conceitos de agricultura sustentável, aliados à química verde, para obtenção de produtos mais amigos do ambiente”, explica Ana Rita Duarte, investigadora do LAQV da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa | NOVA FCT.

Os sistemas eutéticos profundos (DES) são misturas de duas espécies sólidas que em determinada razão molar formam um novo composto com propriedades diferentes. No projeto ValorCannBio, a equipa de investigadores pretende utilizar estes solventes como alternativas verdes aos solventes orgânicos comuns que têm geralmente elevada toxicidade associada para a extração de compostos bioativos.

Já para Cristina Azevedo, diretora do departamento de Novos Biopesticidas do laboratório colaborativo InnovPlantProtect (InPP), sediado em Elvas, “ao desenvolver biopesticidas de base biológica de subprodutos provenientes da uma indústria em franca expansão a nível nacional, e nomeadamente no Alentejo, o ValorCannBio contribuirá para as metas estabelecidas pela Comissão Europeia na Estratégia do Prado ao Prato e da Biodiversidade, da redução de 50 por cento do uso de pesticidas de síntese química até 2050”.

A diretora de departamento do InPP assegura ainda que “todos os impactos do ValorCannBio serão inicialmente sentidos no concelho de Elvas onde o projeto se vai desenvolver. No entanto, é expectável que estes se alarguem a toda a região de produção do olival, de Trás-os-Montes ao Algarve, onde as quebras de produção devido à Gafa e à Tuberculose estão em crescendo”.

O projeto que é hoje anunciado, é atribuído a uma equipa já distinguida por vários projetos nacionais e internacionais.

O programa Promove pretende que as entidades utilizem os seus apoios, concedidos a fundo perdido, para passar da teoria à prática: perceber a viabilidade dos conceitos científicos em desenvolvimento, assim como explorar oportunidades de negócio ou preparar pedidos de patente. Neste caso em concreto, a equipa pretende avaliar junto do mercado qual o potencial comercial desta nova solução.

 

Fonte: Green Savers

O objetivo da nova aplicação gratuita RADIANT app, do projeto europeu RADIANT – Realização de Cadeias de Valor Dinâmicas para Culturas Subutilizadas, passa por fortalecer o diálogo entre produtores, consumidores e investigadores sobre o cultivo e o consumo de culturas subutilizadas na Europa, nomeadamente leguminosas, cereais e produtos hortícolas.

O projeto, liderado pela Universidade Católica Portuguesa no Porto, abrange 29 entidades, públicas e privadas, de 12 países europeus, e conta ainda com a parceria da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).

De acordo com o comunicado de imprensa, o projeto tem uma duração prevista de 4 anos e trata-se de uma iniciativa de investigação financiada pela Comissão Europeia (CE) através do programa Horizonte 2020, que procura valorizar variedades tradicionais e promover, no nosso sistema agroalimentar, ‘Cadeias de Valor Dinâmicas’ (CDVs), mais sustentáveis e com maiores níveis de agrobiodiversidade.

Além disso, o projeto tem ainda como objetivo identificar soluções para aumentar o cultivo destas culturas e reforçar a sua integração em cadeias de valor rentáveis e resilientes.

“Com a aposta nesta aplicação, a equipa de investigação do projeto dá um passo significativo na promoção da sustentabilidade e diversificação alimentar, esperando que esta ferramenta ajude a sensibilizar e capacitar a comunidade global para os benefícios das culturas subutilizadas”, lê-se na nota de imprensa.

Além dos serviços de marketplace e fórum de conversação, a nova aplicação disponibiliza ainda um conjunto de funcionalidades com informações detalhadas, dados sobre benefícios nutricionais, receitas, modos de cultivo e uso eficiente de recursos; notificações e atualizações de notícias sobre boas práticas, eventos e resultados de investigação científica; mas também integra recursos educativos, como materiais para promover a sustentabilidade ambiental e a saúde humana nas escolas.

“O RADIANT explora variedades tradicionais que promovem a sustentabilidade ambiental e a saúde humana, combinando a neutralidade climática e a resiliência do sistema agrícola através da redução da emissão de gases de efeito de estufa,” referiu Marta Vasconcelos, investigadora do Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF) e líder do projeto de investigação europeu RADIANT.

E continua: “o grande objetivo desta nova aplicação que estamos a lançar a nível europeu é o de potenciar a comunicação entre produtores e consumidores, para que haja uma maior sensibilização para cultivar e consumir mais culturas subutilizadas, como as leguminosas, os cereais e os hortícolas”.

Em Portugal, são duas as explorações agrícolas que integram este projeto: a BioFontinhas, localizada nos Açores (Portugal), e o Freixo do Meio (Alentejo). Estas são duas das 20 explorações agrícolas piloto, designadas por “explorações AURORA”, locais de teste que promovem práticas orgânicas e sustentáveis.

“Pretendemos demonstrar transições bem-sucedidas para sistemas inclusivos de agrobiodiversidade, melhorando a competitividade de culturas subdesenvolvidas e testando práticas agrícolas sustentáveis,” explicou a investigadora.

Alguns exemplos incluem lentilhas, ervilhas, diferentes variedades de feijão, árvores de frutos tradicionais e milho painço. “Estas culturas são valiosas devido ao seu elevado valor nutritivo, à resistência a ambientes hostis e a solos pobres, e à utilização eficiente da água,” explicou Marta Vasconcelos.

 

Fonte: Vida Rural

Cada português gasta por ano 350 euros em alimentos que não come, desperdiçando 184 quilos de comida anualmente, recorda uma empresa que combate o desperdício e que promove a partir de hoje a "Semana sem Desperdício Alimentar".

A propósito do Dia Internacional da Consciencialização sobre a Perda e o Desperdício Alimentar, que se assinala no dia 29, a empresa "Too Good to Go" promove a partir de hoje e até ao próximo domingo (dia 29) uma semana de sensibilização e mobilização da sociedade para o problema do desperdício.

Cada português desperdiça 2,38 quilos de alimentos por semana, alerta a plataforma de impacto social que combate o desperdício alimentar.

Os dados estatísticos indicam que os 184 quilos de alimentos desperdiçados por ano `per capita` fazem de Portugal o quarto país da União Europeia que mais desperdiça.

"Estes resíduos alimentares geram mais de seis quilos de dióxido de carbono (CO2) e o desperdício desnecessário de 1.928 litros de água por cada português, numa semana", alerta a entidade num comunicado.

Baseando a análise nos dados do Eurostat, a "Too Good To Go" destaca que cada pessoa desperdiça por mês mais de 10 quilos de comida.

E a empresa faz mais contas: Se cada português desperdiça em casa 336 euros em comida por ano, e se cada um gasta em média, em alimentação e bebidas, 3.091 euros por ano, então 3,4% deste orçamento "é gasto em alimentos que estão a ser desperdiçados" todos os anos.

"Num contexto em que a preocupação com o nosso planeta e o ambiente se está a tornar uma prioridade, e o custo de vida é cada vez mais significativo, reduzir o desperdício é uma urgência", salienta a plataforma no comunicado.

No dia 29 de setembro, a organização faz uma "chamada de atenção sobre a magnitude do desperdício alimentar e o trabalho que está a ser feito para o erradicar".

"Meio quilo de comida desperdiçada por uma pessoa durante uma semana pode parecer pouco, mas se multiplicarmos pelos 10 milhões de habitantes, em Portugal são mais de cinco milhões de quilos desperdiçados por semana", alerta.

O objetivo da Semana sem Desperdício Alimentar é "inspirar as pessoas a agirem", disse Maria Tolentino, diretora da Too Good to Go para Portugal, citada no documento.

Na semana contra o desperdício, uma iniciativa que envolve nove dos 19 países onde opera a "Too good to Go", as pessoas são convidadas a seguir um conselho diário a ser posto em prática em casa.

A empresa também sensibiliza e fornece informação e conteúdos às marcas e estabelecimentos com os quais trabalha.

Num manifesto público, a empresa também pede que o combate ao desperdício alimentar seja uma prioridade na agenda política.

O manifesto defende três medidas: a definição de objetivos "concretos e ambiciosos de redução de resíduos" a nível nacional, a contabilização dos resíduos ao longo de toda a cadeia de valor, e o estabelecimento de uma hierarquia obrigatória para "alcançar reduções e resultados tangíveis e eficazes".

No documento, a "Too Good to Go" diz estar ciente de que as empresas podem ser um grande agente de impacto, mas frisa que a legislação, "e tudo relacionado com aspetos regulamentares", pode "acelerar significativamente as soluções".

A empresa, criada na Dinamarca em 2016 quando um grupo de amigos viu ser deitada fora toda a comida que não tinha sido consumida num restaurante, faz, através de uma aplicação, a ligação entre consumidores e restaurantes, supermercados, mercearias e hotéis, permitindo aos utilizadores comprar a preços mais baixos produtos que não iam ser usados.

Este Dia Internacional da Consciencialização sobre a Perda e o Desperdício Alimentar foi proclamado pela Resolução 74/209 da Assembleia Geral da ONU em 19 de dezembro de 2019.

 

Fonte: RTP Notícias