A ligação de Campilhas ao Alqueva é como pão para a boca dos agricultores da região do Alto Sado, uma terra fértil que aguenta várias culturas. Esta barragem no concelho de Santiago do Cacém é uma das mais antigas de Portugal e tem sido uma das mais afetadas nos anos mais recentes.
A televisão deu a conhecer Campilhas em 2022, quando, após anos de seca, a sua albufeira atingiu o nível mais baixo do país. O problema está identificadíssimo, mas, por alguma razão, a barragem não figura no documento “Água que Une”, ou, pelo menos, não figurava no documento inicialmente entregue aos agricultores e que esteve em consulta pública.
Campilhas é uma das 59 medidas específicas para o regadio que valem 500 milhões de euros e que devem ser incluídas na estratégia nacional da água, revela José Núncio, presidente da Federação Nacional de Regantes de Portugal (Fenareg), ao Jornal Económico.
“Detetámos em falha uma série de empreitadas, de ações concretas que não estão previstas, pelo menos, no documento inicial”, justifica.
Disto mesmo deu conta ao ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, e aos responsáveis pela elaboração da estratégia “Água que Une” – liderada pelo professor universitário e antigo presidente da Câmara de Lisboa, Carmona Rodrigues – que acorreram ao debate sobre investimento, financiamento e sustentabilidade do regadio em Portugal, que a Fenareg promoveu em parceria com a Agro.Ges – Sociedade de Estudos e Projectos e a sociedade de advogados VdA – Vieira de Almeida, esta quarta-feira, no âmbito da Agroglobal 2025, no CNEMA, em Santarém.
Outras falhas identificadas? “Algumas obras importantes de reabilitação de regadios antigos. Nos últimos anos tem-se apostado muito no Alqueva, mas a verdade é que os regadios têm todos mais de meio século e precisam ser reabilitados, de modo a responder às necessidades atuais dos agricultores e aos objetivos que estes têm ao nível dos projetos de eficiência”, explica José Núncio ao JE.
São várias ligações previstas e consideradas fundamentais, sobretudo nos rios Mondego, Sorraia e na Lezíria do Tejo. “Há locais em todos os rios que praticamente tem obras a reabilitar que vão para além das verbas que são inscritas nesta primeira versão da estratégia nacional. Julgo que todos estarão inscritos na “Água que Une”, mas a estratégia não cobre todas as necessidades identificadas por cada um destes aproveitamentos”, acrescenta.
A estratégia do Governo foi apresentada há cerca de seis meses e os regantes saúdam-na e aplaudem-na, mas consideram que é urgente que vá para o terreno. Não se pode esperar mais! A larga maioria dos projetos que a Fenareg identifica como tendo ficado de fora, está pronta para avançar, com estudos feitos e financiados pelo PDR 2020, mas continua sem perspectiva de execução.
Em Portugal, a agricultura é responsável por 73% do total da utilização da água. O número é expressivo, como expressiva é a perda de 80% da água superficial todos os anos, num contexto de alterações climáticas.
Isto acontece porque não temos barragens suficientes para a armazenar, salienta José Núncio. Não há tempo a perder, alerta, até porque os tempos que aí vêm só farão aumentar as clivagens entre dois mundos muito diferentes em termos das necessidades de água: o norte e o sul da Europa. País mediterrânico, Portugal tem obrigatoriamente de olhar para este recurso, para a resiliência hídrica.
No financiamento europeu também surgem nuvens trazidas pela reforma da Política Agrícola Comum (PAC). “Houve alturas, no passado, com muito mais disponibilidade do que julgo será de agora em diante. Perderam-se oportunidades”, diz José Núncio.
No horizonte vislumbram-se desafios que vão para além da alimentação, salienta. Hoje, é a defesa. Amanhã, porventura, será, a saúde. Ou outra qualquer área. Nada está adquirido.
Fonte: Jornal Económico
Oito Estados-membros da União Europeia (UE) produtores de arroz, entre os quais Portugal, criaram hoje, em Itália, uma aliança em defesa da qualidade do arroz europeu, para coordenar políticas que garantam uma concorrência leal face a países terceiros.
Este “grupo de coordenação” foi estabelecido na localidade italiana de Vercelli (norte), onde hoje teve início o Festival Internacional do Arroz, e que acolheu, paralelamente, uma conferência internacional sobre “O futuro do setor do arroz da UE: uma estratégia comum”, na qual participou o ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes, assim como responsáveis governamentais dos restantes países que formam a nova aliança: a anfitriã Itália – que é de forma destacada o principal produtor de arroz da UE -, Espanha, Grécia, França, Roménia, Bulgária e Hungria.
“Tendo em conta o papel fundamental do setor do arroz e o leque de desafios que este enfrenta atualmente em questões relacionadas com o comércio, os oito países produtores de arroz da UE concordam com a necessidade de estabelecer uma aliança entre si, o EURice, que, sob uma presidência anual rotativa entre os seus membros, se deve reunir regularmente como um grupo de coordenação permanente para abordar as questões do setor”, lê-se no comunicado final hoje adotado.
No comunicado final hoje adotado sobre a criação do EURice, este novo Grupo Permanente de Coordenação entre os países produtores de arroz da UE defende a necessidade de medidas face ao desequilíbrio entre as importações da União provenientes de países terceiros e as exportações, e em nome de uma concorrência leal.
Os países europeus notam que “as importações da UE provenientes de países terceiros deverão atingir 1,5 milhões de toneladas, principalmente da Índia e do Paquistão e dos países “Tudo Menos Armas”, principalmente Myanmar e Camboja, que beneficiam de uma tarifa aduaneira preferencial nula para todos os tipos de arroz e para todas as fases de transformação”, ainda que nalguns destes países haja “casos de violações dos direitos humanos” ou “utilização de substâncias ativas proibidas na UE ou aplicadas em quantidades que excedem os limites regulamentares da UE”.
Por outro lado, prosseguem, “as exportações da UE para países terceiros estão estimadas abaixo de 240 mil toneladas”, pelo que defendem que “devem ser implementadas medidas para aumentar as exportações para países não produtores que apreciam produtos de alta qualidade”.
“O arroz europeu pode ser considerado um produto de nicho destinado a consumidores dispostos a pagar um preço mais elevado por um produto de qualidade cultivado no respeito pelos princípios éticos e de sustentabilidade ambiental. A este respeito, devem ser lançadas campanhas de informação para promover as características únicas do arroz europeu e incentivar os consumidores a escolhê-lo em detrimento das alternativas asiáticas”, sustentam.
Os países produtores de arroz defendem também que “deve ser dada mais atenção a novas formas científicas de melhorar a produção de arroz” e, além disso, “é necessário que a Política Agrícola Comum [PAC] pós-2027 seja dotada de recursos financeiros adequados, para uma PAC forte e independente”.
Em declarações à Lusa, José Manuel Fernandes, começando por notar que, “per capita, Portugal é o país que mais arroz consome na UE”, apontou que a Europa pode aumentar a produção de arroz, mas, para tal, “é necessário que existam condições de concorrência leal, onde a questão da reciprocidade é importante”.
“Eu não consigo explicar a um agricultor que não pode utilizar determinados produtos fitofarmacêuticos e, depois, os portugueses vão comprar e encontram nas prateleiras alimentos que são produzidos com esses produtos fitofarmacêuticos e que vêm de países de fora da UE”, afirmou, defendendo então “cláusulas de salvaguarda automáticas quando, nas importações, não estiverem a ser respeitados as razões das isenções”.
Defendendo que o arroz português e europeu é “um produto ‘premium’, de grande qualidade”, o ministro reclama “apoios para promoção para países terceiros, sem esquecer a União Europeia e os seus 450 milhões de habitantes”, realçando também a necessidade de uma maior transparência, já que “os cidadãos europeus têm de valorizar os produtos que respeitam os mais elevados padrões ambientais e onde há um Estado social fortíssimo, mas para isso é preciso saberem a origem da produção, e a rotulagem é absolutamente essencial”.
Fonte: Agroportal
De acordo com as estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU), a população mundial deverá alcançar cerca de 9,80 bilhões de pessoas até o ano de 2050, valor que representa um crescimento aproximado de 20 % face à população atual.
Este aumento demográfico expressivo, aliado às alterações climáticas persistentes e à redução progressiva das áreas agrícolas disponíveis, configura um desafio global e societal de grande envergadura, que coloca em risco a capacidade de produção alimentar para suprir as necessidades futuras da humanidade.
Considerando as atuais tendências de consumo e desperdício alimentar, assim como o crescimento populacional, calcula-se que, em 2050, será necessário produzir cerca de 60 % a mais de alimentos do que produzimos hoje. Estes números preocupantes suscitam, de forma legítima, questões fundamentais acerca da capacidade de alimentar toda a população mundial no futuro próximo.
Além das dificuldades inerentes à produção, o setor agroalimentar contribui significativamente para a geração de quantidades substanciais de resíduos. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), aproximadamente um terço dos alimentos produzidos globalmente para consumo humano não é efetivamente utilizado para esse fim, sendo perdido ou desperdiçado. Observa-se uma distribuição geográfica diferenciada desses resíduos agroalimentares, predominando em mais de 90% na Ásia e na África.
Adicionalmente, verifica-se que nos países desenvolvidos o desperdício alimentar é mais pronunciado do que as perdas, fator que se deve à abundância de alimentos e ao elevado poder de compra. Em contraste, nos países em desenvolvimento, a proporção de alimentos perdida é superior à desperdiçada, o que se relaciona principalmente com a insuficiência de infraestruturas agrícolas adequadas e falta de recursos para a conservação e distribuição adequadas dos alimentos.
Das cerca de 1,3 mil milhões de toneladas de resíduos agroalimentares produzidos globalmente, 56 % ocorrem em países desenvolvidos e 44 % em países em desenvolvimento. As regiões da Ásia, América do Norte e Oceânia são as que mais contribuem para esta problemática, refletindo as diferenças nos sistemas produtivos, logísticos e de consumo.
A elevada quantidade de resíduos gerados pelo setor agroalimentar configura um problema a nível mundial, uma vez que acarreta efeitos negativos em múltiplas vertentes. Do ponto de vista social, estes resíduos traduzem uma perda significativa de nutrientes e comprometem a disponibilidade de alimentos, contribuindo para o aumento da fome e da insegurança alimentar, além de contribuir para o aumento dos preços dos alimentos. Do ponto de vista económico, tais perdas relacionam-se com os custos elevados na produção de alimentos que não chegam ao consumidor, incluindo despesas com água, energia, solo e mão-de-obra. Do ponto de vista ambiental, o impacto é particularmente preocupante, visto que a decomposição dos resíduos agroalimentares resulta na emissão de aproximadamente 3,3 mil milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano, reforçando os gases com efeito estufa e contribuindo significativamente para as alterações climáticas globais. (...)
Leia o artigo completo aqui.
Fonte: Tecnoalimentar
Em Portugal testa-se um sistema de rega gota a gota adaptado ao arroz e ao tipo de terreno. Cultivar arroz sem alagamento, rentável e sustentável, será uma revolução. O Jornal Económico esteve nos campos de demonstração da Agroglobal em Almeirim e viu como o futuro chegou mais cedo pela mão da ciência e da tecnologia.
Os fascinantes espelhos de água límpida, que em semanas dão lugar aos longos mantos em vários tons de verde e servem de poiso e alimento às elegantes garças dos arrozais de Alcácer do Sal, não se confundem com este banal campo, também ele verde, em Almeirim.
A orizicultura no estuário do Sado é uma cultura de regadio, de solo submerso. O chão que pisamos na secular Quinta da Alorna, no Ribatejo, é arenoso e seco. Mas algo está a mudar.
“Instalámos um sistema de rega gota a gota adaptado à cultura do arroz e ao tipo de terreno”, conta-nos Frederico Teixeira, responsável pelo desenvolvimento de campos de demonstração da Agroglobal.
Os campos, uma vitrina da inovação agrícola em Portugal, hoje estão à pinha de agricultores e jornalistas que os visitam no âmbito da 10.ª edição da Agroglobal. Após mais um telefonema, o nosso guia, um charmoso engenheiro zootécnico de 52 anos, retoma a explicação: “Aquilo que estamos a fazer é cultivar arroz num solo diferente e com uma tecnologia de rega diferente. A terra é arenosa e regada gota a gota, como acontece com qualquer outra cultura”.
A partir do seu smartphone, Frederico Teixeira, nascido na Nazaré e formado na Universidade dos Açores, sabe tudo o que se passa naqueles hectares à frente e nos outros que ficaram para trás. Fará prova disso ao Jornal Económico.
Viajamos num todo o terreno por 80 hectares património da Quinta da Alorna, mas que a Agroglobal explora nesta edição do certame. Dos dois lados da Nacional 118, mostram a céu aberto, as práticas inovadoras que juntamente com empresas suas parceiras no projeto estão a desenvolver para as culturas do milho, tomate, batata, batata-doce e arroz.
E é neste último que a conversa ainda recai.“o grande desafio é mesmo conseguir produzir arroz numa terra que até pode ser inclinada”, afirma.
Em Alcácer do Sal, o maior produtor de arroz do país com os seus cerca de seis mil hectares de arrozais, a planura é também um elemento definidor.
O objetivo deste projeto alvo de ensaio pela Agroglobal é mostrar que “é possível e viável” produzir arroz em terrenos não convencionais para o cultivo tradicional da cultura do arroz, fora dos perímetros junto aos rios, e com redução de custos operações. A produtividade é de facto um senhor desafio. “Tenho ideia que há-de ser entre as quatro e as seis toneladas por hectare (ha). O nosso objetivo era chegar às oito”, aponta-me o anfitrião.
Cá, a tecnologia em teste não está adotada, até ao momento, por nenhum agricultor. Os resultados ditarão muita coisa. Se der certo, será uma boa notícia para o maior consumidor de arroz da Europa. Com mais de 18 kg/ano per capita, Portugal apresenta um valor quatro vezes superior à média da União.
Milho rei
Além do arroz sem alagamento, que poupará milhares de litros de água por hectare, o milho em linhas pareadas é outra inovação da ciência e da tecnologia. Quer-se aumentar a eficiência da rega e reduzir a utilização de fertilizantes.
O milho é protagonista da Agroglobal desde a primeira edição. O amarelo das maçarocas brilha no sol de Almeirim.
A Bayer, multinacional alemã, apresenta aqui um sistema de cultivo revolucionário baseado numa nova geração de híbridos de milho, os chamados “Smart corn”. O Preceon, assim se chama, engloba também “soluções digitais e um serviço agronómico diferenciado que visa ajudar os agricultores a mudar o cenário da agricultura”. Apenas três países – Estados Unidos, Itália e Espanha – tiveram, até à data, a honra de o conhecer.
A sua baixa estatura – 30% menos do que o tradicional, permite-lhe resistir melhor aos ventos fortes e diminui-lhe o risco de queda. O sistema de enraizamento profundo garante-lhe melhor acesso aos recursos hídricos e absorção de nutrientes. Ao agricultor facilita tarefas como rega, fertilização e tratamentos fitossanitários.
“O potencial de rendimento é de 1 tonelada/hectare em grão e 2 toneladas/hectare em silagem, em comparação com o milho convencional”, ouvimos dos responsáveis da Bayer. Nós e a comitiva de visitantes no terreno, que incluía um muito atento José Manuel Fernandes, ministro da Agricultura e Mar.
A Agroglobal desafia nesta edição também produtores de batata, de batata-doce e de tomate. Com a sua rama rasteira, a batata-doce ocupa a área mais pequena no chão de Almeirim. Mas é para os tomateiros que os olhos se viram agora. Não comportariam nem mais uma unidade milimétrica. Destinam-se à indústria. Frederico Teixeira diz que a rentabilidade do tomate ronda as 100 toneladas/ha, número que conta em muito ultrapassar, aqui. A produção em Almeirim está estimada em 150 toneladas/ha. É pão para a boca de quem produz. Explica :“Nos últimos anos, todos os fatores de produção aumentaram várias vezes: a água, a eletricidade, a mão de obra, os herbicidas, os seguros… mas o agricultor continua a receber os mesmos 17 cêntimos por quilo”. Não aprofundaremos o mistério, pelo menos, não aqui. “A agricultura é uma atividade económica e só funciona se for rentável. Acontece que nenhuma outra atividade tem tanto risco e as empresas precisam melhorar a rendibilidade”, conclui.
É em nome desse bem maior e de um não menor – dar de comer às pessoas – que esta revolução está a ser feita. Não só aqui, mas também aqui, na outra margem do Tejo, onde se chega atravessando a ponte Salgueiro Maia, junto ao vale de Santarém. É Verão, mas o céu está abafado e há salpicos de chuva. Qualquer agricultor a terá abençoado.
Fonte: Jornal Económico
Não é um bom momento para ser uma marca de alternativa à carne.
As pressões vêm de todos os lados. Por um lado, muitos consumidores não estão tão interessados em sustentabilidade como antes, um aspecto que a categoria de alternativas à carne defende há muito tempo.
Por outro lado, a reação contra alimentos ultraprocessados está a colocar muitos alimentos de origem vegetal em evidência — e não de uma maneira boa.
Há pressão para que o setor de alternativas à carne se reinvente, encontre novos motivos para os consumidores comprarem seus produtos e abrace a nova obsessão da alimentação: a saúde.
Alternativas à carne e a tendência da saúde
A saúde, tanto na demanda por alimentos funcionais quanto integrais, foi a tendência definidora do ano passado.
Tendências como bebidas funcionais , alimentos que promovem a saúde intestinal e qualquer alimento rico em proteínas e fibras estão a atrair consumidores, que procuram ingredientes que lhes proporcionem benefícios tangíveis. Enquanto isso, a reação contra os UPFs alinha-se com o retorno à culinária caseira e ao amor por alimentos integrais.
As alternativas à carne estão entre dois concorrentes. Os flexitarianos, que compõem a maior parte do mercado, competem com carne de verdade. A carne convencional pode ser considerada, pelo menos em sua forma não processada, uma opção mais saudável. De facto, as proteínas de origem animal geralmente são de qualidade superior às de origem vegetal, embora com algumas exceções.
Por outro lado, alimentos integrais de origem vegetal, como frutas, vegetais e nozes, bem como substitutos de carne mais tradicionais, como tofu, tempeh e seitan, oferecem uma alternativa mais tradicional e geralmente mais nutritiva aos hambúrgueres e salsichas de origem vegetal para vegetarianos e veganos.
Em contraste, alternativas à carne, certas ou erradas, são frequentemente percebidas como prejudiciais à saúde e rotuladas como "ultraprocessadas". Elas podem conter, em média, menos aditivos do que o pão fatiado , mas não é assim que os consumidores veem.
Diante da forte concorrência de ambos os lados, as alternativas à carne precisam reinventar-se.
Carne alternativa visa eliminar associações "não saudáveis"
É necessária uma reformulação. E muitas das principais marcas de produtos à base de plantas assumiram a responsabilidade de fazer isso acontecer, inspirando-se no cenário atual de consumo e tentando adaptar seus produtos a ele.
A Beyond Meat, após vários relatórios de lucros abaixo do esperado, está a concentrar-se em saúde funcional com seu novo produto Beyond Ground.
Com 27 g de proteína e 4 g de fibra, o produto também evita imitações de carne, o que significa que não convida a comparações diretas com outros produtos. Em vez disso, é algo único.
Assim como o produto Super Superfood da marca de origem vegetal THIS, que também foca em saúde e nutrição.
Um produto versátil que pode ser incorporado a uma variedade de refeições, o super superfood é, de acordo com a marca, feito de ingredientes 100% naturais (incluindo espinafre, cogumelos shiitake e sementes), com o objetivo de atrair o desejo do consumidor por produtos de rótulo limpo.
A Moving Mountains, outra marca de origem vegetal, talvez esteja a distanciar-se significativamente da imitação da carne com a linha de superalimentos. Entre os produtos da linha está um falafel, que atende ao desejo do consumidor por alimentos menos processados e, ao mesmo tempo, oferece algo familiar.
Até a Quorn, uma das primeiras empresas no mercado de substitutos de carne, está a mudar. A empresa está a reformular-se, através da remoção de ingredientes artificiais de alguns de seus principais produtos.
Embora no passado as alternativas à carne frequentemente ostentassem credenciais de saúde, nunca o foco na saúde foi tão central quanto agora.
Só o tempo dirá se esse novo foco na saúde dará certo. Mas as empresas de alternativas à carne certamente perceberam para onde o vento estava a soprar e levaram isso a sério.
Fonte: FoodNavigator Europe
O desperdício alimentar é um problema global com impactos sociais, económicos e ambientais. Em Portugal, cada pessoa deita fora cerca de 100 quilos de comida por ano. Projetos como o LIFE Food Connect e o trabalho da ZERO procuram criar e otimizar a ligação entre os excedentes de alimentos e as instituições que os podem redistribuir, contribuindo para um sistema alimentar mais justo e sustentável.
O Desafio do Desperdício Alimentar em Portugal
O desperdício alimentar é um dos grandes desafios da sociedade moderna. Apesar de uma em cada cinco pessoas na União Europeia não ter acesso a uma refeição de qualidade a cada dois dias, grandes quantidades de comida são desperdiçadas em todas as etapas da cadeia, desde a produção até ao consumo final.
Em Portugal, a situação é preocupante. Os números são claros: mais de 1 milhão de toneladas de alimentos são deitadas fora anualmente. A maior parte deste desperdício ocorre nas casas das famílias, mas também tem uma presença significativa nos setores da restauração, hotelaria e retalho.
Este comportamento insustentável não só acarreta prejuízos económicos, mas também intensifica a pressão sobre os recursos naturais (como a água e o solo) e contribui para as alterações climáticas, uma vez que a produção, transporte e eliminação destes alimentos geram emissões de gases com efeito de estufa.
LIFE Food Connect: a tecnologia ao serviço da sustentabilidade
O projeto europeu LIFE Food Connect, cofinanciado pelo programa LIFE da União Europeia, nasce da necessidade de criar soluções eficazes para este problema. A iniciativa visa o desenvolvimento e a melhoria de uma plataforma digital que funciona como um elo entre os excedentes alimentares de empresas e a rede de instituições de cariz social que os podem receber e distribuir.
A plataforma otimiza o processo de doação, tornando-o mais rápido e eficiente. Ao facilitar a gestão dos excedentes, o projeto permite que alimentos que de outra forma iriam para o lixo cheguem a quem realmente precisa. O modelo do projeto é replicado em vários países do sul da Europa, incluindo Portugal, com o objetivo de criar uma rede de ação mais alargada e robusta.
O papel da ZERO: Conhecimento e Ação
A ZERO é um dos parceiros nacionais do projeto LIFE Food Connect. A associação tem um papel técnico e estratégico, contribuindo com a sua experiência em economia circular, gestão de resíduos e políticas públicas.
A intervenção da ZERO é fundamental em três frentes:
O que fazer?
Para combater o desperdício alimentar, comece por planear as suas compras e aproveite ao máximo os alimentos que já tem em casa. Caso o desperdício seja inevitável, é crucial garantir que os restos de comida são colocados no contentor de resíduos orgânicos, em vez de irem para o lixo comum.
Fonte: Zero.ong
A dessalinização da água do mar ganha destaque como solução para a escassez hídrica mundial, unindo a inovação tecnológica e a sustentabilidade, porém ainda enfrenta altos custos e impactos ambientais.
A escassez de água potável é um dos maiores desafios do século XXI. Estima-se que mais de dois biliões de pessoas vivam em regiões com escassez hídrica severa, número que tende a aumentar devido ao crescimento populacional, à urbanização e às alterações climáticas.
Nesse contexto, a dessalinização da água do mar tem vindo a ganhar relevância como uma solução tecnológica capaz de suprir parte das necessidades hídricas em regiões áridas e semiáridas. Países tradicionalmente dependentes da dessalinização, como os do Golfo Pérsico, têm sido acompanhados por outras nações, incluindo Marrocos, Índia e Chile, que enfrentam secas prolongadas e declínio das reservas subterrâneas.
Existem diversos métodos de dessalinização, mas os dois mais utilizados são a destilação térmica e a osmose inversa.
A destilação térmica consiste em aquecer a água salgada até que evapore, condensando o vapor em seguida para obter água doce. É eficiente, porém altamente intensiva em energia.
A osmose inversa utiliza membranas semipermeáveis que separam a água do sal sob pressão. Atualmente, é a técnica mais difundida, representando cerca de 70% das instalações no mundo, devido ao menor consumo energético em comparação com a destilação.
Nos últimos anos, avanços em materiais de membranas, como grafeno e polímeros nanoestruturados, têm permitido ganhos de eficiência e redução de custos. Além disso, projetos de dessalinização alimentados por fontes renováveis, como energia solar e eólica, estão a emergir como alternativas mais sustentáveis.
Custos e acessibilidade
Apesar dos avanços, a dessalinização continua a ser um processo caro. O custo médio da água dessalinizada varia entre 0,50 e 1,50 dólares por metro cúbico. Além da construção de plantas industriais, a operação exige infraestrutura de bombeamento e transporte, o que eleva ainda mais os custos em regiões afastadas do litoral.
Por isso, a adoção dessa tecnologia em países mais pobres depende frequentemente de subsídios governamentais, parcerias internacionais ou investimentos privados.
Impactos ambientais
A dessalinização não está isenta de efeitos ambientais. O principal subproduto do processo é a salmoura concentrada (brine), que contém não apenas sal, mas também químicos utilizados no pré-tratamento da água.
Quando descartada diretamente no oceano, pode provocar desequilíbrios ecológicos, como a redução do oxigénio dissolvido e o impacto negativo nos organismos marinhos.
Estratégias de mitigação incluem a diluição da salmoura com efluentes tratados ou a sua utilização em indústrias químicas, reduzindo o descarte no ambiente.
Outro ponto crítico é o consumo energético. Em países que dependem de combustíveis fósseis para gerar eletricidade, a expansão da dessalinização pode aumentar significativamente as emissões de gases com efeito de estufa.
Por este motivo, a integração com energias renováveis é considerada fundamental para que a tecnologia seja ambientalmente viável a longo prazo.
Perspetivas futuras
O futuro da dessalinização dependerá da capacidade de torná-la mais acessível, sustentável e integrada a outras estratégias de gestão hídrica. Entre as tendências em investigação destacam-se:
Assim a dessalinização da água do mar representa uma solução tecnológica promissora para enfrentar a crise hídrica global, especialmente em regiões costeiras áridas. Contudo, os desafios relacionados ao custo, ao consumo energético e aos impactos ambientais ainda limitam a sua universalização.
O avanço científico e tecnológico, aliado a políticas públicas eficazes e ao investimento em energias renováveis, será determinante para que a dessalinização se consolide como um pilar do abastecimento sustentável no futuro.
Fonte: tempo.pt
Segundo um estudo britânico, 43% dos polinizadores estão em declínio devido à urbanização. E embora saibamos da devastação causada à população de abelhas, elas estão longe de ser os únicos polinizadores que sofrem em áreas urbanas.
Em jardins em Sheffield, Leeds e Leicester, Inglaterra, uma equipa de investigadores recolheu amostras de espécies polinizadoras em diversos ambientes urbanos, desde centros urbanos até áreas mais periurbanas.
Os resultados foram publicados a 6 de agosto na revista científica Royal Society, e mostram um contraste impressionante. Os investigadores constataram um declínio na abundância e na riqueza de espécies de até 43% em lotes localizados em áreas mais urbanizadas.
Os insetos polinizadores são essenciais para a reprodução de 60% a 90% das espécies de flores silvestres em todo o mundo e são considerados essenciais para 35% das espécies cultivadas. Manter a diversidade de polinizadores é fundamental para garantir uma polinização resiliente, especialmente diante de perturbações induzidas pelo Homem.
Entre os insetos afetados e em declínio estão abelhas, vespas, moscas-das-flores, borboletas e mariposas. O seu desaparecimento em ritmo alarmante levanta temores de um desequilíbrio ainda mais grave para os ecossistemas terrestres, que não podem sobreviver sem a presença desses insetos polinizadores, tão importantes quanto as abelhas.
Embora cada espécie tenha as suas próprias necessidades de habitat, os investigadores ainda atribuem este declínio a razões mais globais, como a redução da cobertura de árvores e habitats seminaturais encontrados nas cidades.
Os investigadores do estudo, portanto, defendem uma abordagem mais ampla, incluindo outros grupos de polinizadores com mais frequência em estudos futuros sobre o impacto das mudanças ambientais na biodiversidade.
Emilie Ellis, autora principal do estudo disse num comunicado: "Os insetos polinizadores são essenciais para a reprodução de quase 90% das espécies de plantas com flores silvestres e de muitas espécies cultivadas. À medida que a urbanização aumenta a perda de habitat, as comunidades de insetos sofrem e os ecossistemas tornam-se mais frágeis".
Os autores do estudo defendem, portanto, uma abordagem "mais subtil" para a conservação de polinizadores, enfatizando também a necessidade de colaboração aprofundada com planeadores urbanos e formuladores de políticas.
Como Jill Edmondson, que participou da investigação, destaca: "O nosso estudo demonstra a importância dos espaços urbanos seminaturais para os insetos dos quais dependemos, não apenas para embelezar os nossos jardins, mas para sustentar sistemas agrícolas em todo o mundo".
Fonte: Tempo.pt
De sofisticados lattes de leite de aveia a produtos orgânicos cultivados no mercado local, os alimentos orgânicos deixaram de ser um nicho e tornaram-se populares. Mas os agricultores europeus, considerando as regras complexas e os custos da agricultura sustentável, têm dificuldades para acompanhar a demanda.
Em 2020, a Comissão Europeia estabeleceu uma meta ousada: 25% das terras agrícolas da UE sob gestão orgânica até 2030. No entanto, em 2023, apenas 11% das terras agrícolas haviam sido convertidas para produção orgânica.
Para colmatar essa lacuna, investigadores, agricultores e especialistas em políticas financiados pela UE, provenientes de 10 países da UE e da Suíça, estão a trabalhar para identificar barreiras, testar soluções e moldar políticas para um setor biológico mais resiliente. A sua colaboração de investigação, OrganicTargets4EU, decorrerá de 2022 a fevereiro de 2026.
No entanto, políticas por si só não plantarão sementes nem colherão safras. Para os agricultores, adaptar terras e modelos de negócios aos padrões orgânicos traz incerteza, e eles precisam decidir se o risco compensa.
Uma mudança baseada em política, mercado e confiança
“Os agricultores precisam de um motivo para sequer considerar a adoção de produtos orgânicos. E precisam ter certeza de que a produção é viável”, disse o Dr. Nicolas Lampkin, líder do pacote de trabalho de políticas do Instituto Thünen, na Alemanha, um órgão de pesquisa que assessora o governo em questões relacionadas à agricultura, silvicultura, pesca, desenvolvimento rural e sustentabilidade.
Essa confiança, ele explicou, depende de políticas de apoio, mercados estáveis e conhecimento acessível.
Se faltar apenas um deles, os agricultores hesitam. Vimos isso na França e na Alemanha, onde as taxas de conversão [para o orgânico] estão estagnadas, enquanto na Grécia e em Portugal, onde o apoio político melhorou, o interesse está a crescer rapidamente.
No sul da Europa, subsídios atrativos e melhor apoio consultivo ajudaram mais agricultores a comprometerem-se. Mas a conversão é uma decisão profundamente pessoal. Alguns agricultores preocupam-se em encontrar compradores para produtos orgânicos ou temem ser expostos caso a demanda diminua.
A agricultura orgânica também pode exigir mais trabalho manual, máquinas diferentes e novas habilidades, especialmente nos primeiros anos. Sem redes fortes ou aconselhamento adaptado localmente, muitos simplesmente não se sentem preparados.
Lampkin estima que 16 a 18% de terras agrícolas orgânicas até 2030 pode ser mais realista, mas insiste que a meta já colocou em prática uma mudança valiosa.
Da política aos campos
Transformar estratégias em soluções viáveis exige mais do que definir metas: exige colaboração em campo. É por isso que a equipa do OrganicTargets4EU está a testar soluções diretamente com os agricultores.
Oito "parceiros de prática" – organizações na Áustria, Dinamarca, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Itália e Romênia – realizam pequenos workshops em língua local para explorar oportunidades reais. Na Áustria e em Portugal, onde a área agrícola orgânica já ultrapassa 25%, pesquisadores estão a estudar os fatores de sucesso para replicá-los em outros lugares.
Na Alemanha, os pesquisadores destacaram como as agências que protegem a água potável estão a apoiar a agricultura orgânica em áreas de bacias hidrográficas — uma inovação que pode ser ampliada.
Os resultados dos workshops são inseridos num banco de dados público de “resumos de práticas”, ou resumos fáceis de entender para os agricultores, em linguagem acessível.
A retenção também é uma prioridade. "Não podemos focar apenas em novas conversões", enfatizou Ambra De Simone, gerente associada de pesquisa e inovação da IFOAM Organics Europe, que coordena o trabalho da equipe de pesquisa.
“Manter os atuais agricultores orgânicos no sistema é igualmente importante.”
Clínicas de acompanhamento abordam desafios da vida real, desde renovações de certificação até diversificação de mercado, ajudando a garantir que agricultores experientes não retornem aos métodos convencionais.
Pesquisa, inovação e uma visão mais ampla
Mas as soluções locais são apenas parte do cenário. Para incentivar a mudança em todo o continente, a equipa do OrganicTargets4EU também está a fortalecer os vínculos transfronteiriços em pesquisa e políticas.
Por meio da CORE Organic Network, liderada por Ivana Trkulja, do Centro Internacional de Pesquisa em Sistemas Alimentares Orgânicos (ICROFS) da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, o projeto se conecta a financiadores nacionais, ministérios, organizações setoriais e pesquisadores.
“A agricultura orgânica é intensiva em inovação e conhecimento, o que requer financiamento e apoio contínuos para pesquisa, tanto em nível nacional quanto europeu”, explicou Trkulja.
Ela enfatizou que os produtos orgânicos fazem parte de uma mudança agrícola mais ampla.
“A agricultura orgânica não é uma tendência, é um compromisso de longo prazo com a transformação da agricultura, construído em mais de duas décadas de colaboração e inovação em toda a Europa.”
Cenários para o futuro
Essa ambição também se aplica à aquicultura orgânica. A UE afirmou que deseja ver "um aumento significativo" na aquicultura orgânica até 2030, mas o crescimento parece ter estagnado após um aumento de 60% entre 2015 e 2020.
Por meio de uma revisão em toda a UE e de um workshop com partes interessadas, a equipe do OrganicTargets4EU identificou os principais obstáculos à piscicultura orgânica, incluindo custos, burocracia e incentivos fracos. A equipa explorou diferentes cenários e mudanças na cadeia de suprimentos para ajudar a aquicultura orgânica a crescer e orientar políticas futuras.
Para a meta de 25% para a agricultura orgânica, a equipa está a mapear quatro cenários de como a Europa pode atingir a meta. Alguns são impulsionados pela política ambiental nacional ou da UE, outros pela demanda do mercado ou pela pressão popular.
"Esses cenários ajudam-nos a refletir sobre compensações e a antecipar quais políticas podem ter sucesso em diferentes condições", disse De Simone. Seus insights contribuirão para a elaboração de recomendações de políticas a serem apresentadas à Comissão Europeia no final de 2025.
À medida que a paisagem orgânica da Europa evolui continuamente, o foco da iniciativa está a mudar de ação e pesquisa para a criação de um legado duradouro.
A conferência final acontecerá nos dias 4 e 5 de novembro de 2025, durante as Jornadas de Inovação Orgânica da TP Organics, em Bruxelas. A conferência coincidirá com os debates sobre a próxima Política Agrícola Comum e o Plano de Ação Orgânico da UE.
“Trabalhamos na política orgânica da UE há décadas”, disse Lampkin. “Agora é a hora de transformar dados em direção.”
Independentemente de a meta de 25% ser atingida ou não, o OrganicTargets4EU está a preparar o terreno para um setor orgânico mais forte e mais bem conectado, baseado em conhecimento compartilhado, políticas inteligentes e colaboração transfronteiriça.
Fonte: Agroportal
Cinco anos após a apresentação do primeiro estudo de impacto, eis a atualização do estudo, que nos traz um cenário preocupante: mais fileiras em risco e maiores perdas:
Se há cinco anos as conclusões já foram preocupantes, com risco de perdas na ordem dos 332M€, agora o estudo foi alargado a um maior número de culturas – ciente da sua importância e primordialidade para uma alimentação equilibrada e de acesso justo – analisando qual o impacto das políticas e práticas europeias na avaliação dos produtos fitofarmacêuticos, bem como a intenção da Comissão Europeia de reduzir em até 50% a utilização destes produtos até 2030, poderá ter para oito culturas chave da agricultura portuguesa – às culturas Vinha para Vinho, Olival, Pera-Rocha, Milho e Tomate de Indústria analisados em 2020, juntaram-se este ano o Arroz, a Batata e a Maçã.
Um trabalho que, tendo como base a retirada de 44 substâncias ativas, permitiu estimar perdas muito importantes em todas as fileiras, assim como um impacto económico e social muito expressivo para a agricultura nacional, que deve orientar novos caminhos, encontrar novas soluções e agir em defesa do setor e da sua atividade.
IMPACTO ECONÓMICO
A agricultura portuguesa poderá perder até 510 milhões de euros anuais de rendimento devido à redução da produtividade e ao aumento dos custos de produção causados pela retirada de substâncias ativas essenciais à proteção das culturas. O impacto corresponde a 7% da produção vegetal nacional prevista para 2025.
Em termos de Margem Bruta, as perdas podem atingir 425 milhões de euros por ano, ou seja, 10,3% do Valor Acrescentado Bruto (VAB) da agricultura nacional – uma quebra ainda mais acentuada do que os 9% registados em 2020.
VIABILIDADE DAS CULTURAS
Neste estudo é possível constatar que, devido à perda de produtividade e ao aumento dos custos no que respeita a soluções alternativas para proteção das culturas, existe o risco de 4 fileiras perderem a viabilidade económica: a Vinha nas regiões do Douro, Trás-os-Montes, Beiras e Alentejo, o Arroz no Mondego, o Milho no Minho e o Tomate para a Indústria no Ribatejo.
Em suma, das oito fileiras analisadas é possível concluir que, ao dia de hoje, o grande problema que as culturas enfrentam – e que poderia levar ao desaparecimento ou viabilidade com perdas muito significativas de pelo menos cinco fileiras chave – prende-se com a diminuição da produtividade e o aumento de custos, sobretudo devido à falta de alternativas eficazes que assegurem a proteção das culturas num ambiente de produção seguro e sustentável.
Leia o artigo completo aqui.
Fonte: Agroportal
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