O Marine Stewardship Council (MSC) acaba de lançar o MSC Improvement Program, uma nova iniciativa para acelerar o avanço das práticas de pesca sustentáveis em todo o mundo. O MSC, principal programa de certificação de pesca ambientalmente sustentável do mundo, já certificou mais de 500 pescadores de acordo com o seu rigoroso Padrão de Pesca.
No entanto, com o aumento da sobrepesca – cerca de 38% dos recursos pesqueiros globais estão atualmente a ser explorados além dos limites sustentáveis, de acordo com os dados mais recentes das Nações Unidas – torna-se urgente acelerar o progresso. O novo MSC Improvement Program tem como objetivo responder a esta urgência, proporcionando apoio especializado e incentivos de mercado para este setor de atividade, desde que demonstrem melhorias mensuráveis ao longo de um período de cinco anos. As melhorias seguirão um plano de ação, que será verificado de forma independente.
Projetos de Melhoria das Pescas
Esta iniciativa complementa os Projetos de Melhoria das Pescas (FIP, Fishery Improvement Projects) implementados em diversas partes do mundo.
Apesar de muitas empresas já se abastecerem de produtos do mar oriundos de FIPs, como parte dos seus compromissos com o abastecimento sustentável, a eficácia e o impacto desses projetos variam consideravelmente. Um estudo independente revelou que, embora o número de FIPs tenha aumentado, o ritmo das melhorias tem sido lento e os resultados a longo prazo continuam difíceis de alcançar.
Amanda Lejbowicz, diretora de Acessibilidade do Padrão de Pesca do MSC, afirmou: “a MSC trabalha com centenas de pescadores empenhados em todo o mundo que são líderes em sustentabilidade. No entanto, nem todos estão atualmente em condições de cumprir o nosso Padrão de Pesca, apesar da urgência crescente. Esta nova iniciativa tem como objetivo incentivar este setor a melhorar as suas práticas de sustentabilidade. Ao fazê-lo, não só promovemos a saúde dos oceanos e o futuro abastecimento de produtos do mar, como também apoiamos a subsistência das comunidades que dependem da pesca”.
Fonte: Grande Consumo
A biomassa como alternativa aos combustíveis fósseis
Ruanda tem como objetivo o acesso universal à eletricidade até 2030, mas muitas regiões rurais ainda não dispõem de energia fiável. Em resposta, os cientistas estão agora a estudar se a biomassa de árvores específicas, cultivadas de forma sustentável, pode gerar energia renovável, analisando várias espécies de crescimento rápido quanto ao seu rendimento energético.
Bonaventure Ntirugulirwa, um dos principais investigadores do projeto, referiu que, embora a biomassa tenha sido frequentemente negligenciada como fonte de energia, pode oferecer uma alternativa poderosa aos combustíveis fósseis.
"Esta iniciativa foi concebida para responder às necessidades de eletricidade nas zonas rurais." Afirmou, salientando que a energia da biomassa pode ajudar a reduzir a dependência dos combustíveis tradicionais e promover a sustentabilidade ambiental.
Explicou também que o objetivo do estudo era encontrar árvores que ardessem de forma eficiente, proporcionando uma fonte de energia sustentável. Acrescentou que o projeto apoiaria vários objetivos mais amplos, incluindo a melhoria do uso da terra, a melhoria do solo, a segurança alimentar, a resistência ao clima e a redução da pobreza nas zonas rurais.
A equipa conseguiu identificar dois tipos de árvores
Após uma investigação detalhada sobre vários tipos de árvores e arbustos de crescimento rápido, a equipa identificou a Senna siamea e a Gliricidia sepium como particularmente eficazes para a produção de energia. Estas árvores têm madeira densa com elevado valor calorífico, o que significa que ardem com uma produção significativa de calor, o que as torna um substituto viável dos combustíveis fósseis.
A equipa de investigação também analisou espécies de árvores versáteis, tais como Cajanus cajan, Calliandra calothyrsus, Hagenia abyssinica e Senna spectabilis. Estas espécies são adequadas para a produção de biomassa para eletricidade, beneficiando simultaneamente a agricultura e as comunidades locais.
De acordo com Ntirugulirwa, "os agricultores tiveram a oportunidade de testar diferentes práticas nas suas terras e escolher os métodos mais adequados às suas condições específicas". Os agricultores do Ruanda identificaram então as espécies que satisfaziam as suas necessidades locais.
Agora que as espécies de árvores mais promissoras foram identificadas, a equipa está concentrada em aumentar a produção de eletricidade. Ntirugulirwa salientou que o sucesso do projeto depende do envolvimento dos agricultores no cultivo de biomassa suficiente para apoiar a produção consistente de energia.
Fonte: Sapo
Há já algum tempo que estamos em permanente transformação e os impactos que temos em praticamente todos os setores têm origem em causas globais. A alimentação, sem dúvida, é e tem sido um setor essencial. Mas está a tornar-se cada vez mais complexo responder ao rápido crescimento da população e oferecer às pessoas uma dieta variada, não só devido ao aumento do nível de vida, mas também devido a mudanças nas escolhas de estilo de vida. Este contexto coloca-nos no epicentro de uma revolução alimentar global, em que a eficiência na produção alimentar é crucial. Todos ouvimos dizer que as projeções sugerem que, em 2050, a população mundial atingirá 10 mil milhões de pessoas, o que exigirá um aumento de 70% na produção de alimentos em relação aos níveis atuais. Uma parte do mundo desperdiça e por vezes demoniza os alimentos e, por outro lado, mais de 780 milhões de pessoas, segundo a ONU, passam fome.
Um discurso fatalista que deve levar todos nós, que trabalhamos neste setor, a trabalhar urgentemente para oferecer soluções que nos permitam aumentar a produção alimentar de forma segura e sustentável e melhorar a saúde pública a longo prazo através da alimentação.
A urbanização e as alterações demográficas estão a redefinir os nossos hábitos, conduzindo a um estilo de vida mais sedentário, com menos tempo passado na cozinha e uma preferência crescente por escolhas de consumo que nem sempre são as mais adequadas. Os hábitos alimentares desequilibrados estão associados a um aumento das doenças crónicas, como a obesidade, a hipertensão e a diabetes, o que representa um desafio económico significativo para os sistemas de saúde pública. Uma sociedade cada vez mais envelhecida, na qual devemos concentrar-nos e oferecer produtos alimentares adaptados às necessidades da população. Passámos da necessidade de colocar flúor na água potável há mais de 60 anos, para delinear quais serão os requisitos nutricionais mais procurados para ajudar a melhorar a qualidade de vida através da alimentação.
É essencial uma abordagem holística que promova uma nutrição mais sustentável e saudável. A cooperação entre os sectores da saúde e da alimentação é vital para enfrentar estes desafios e aliviar o peso económico dos sistemas de saúde a nível mundial.
A sustentabilidade tornou-se uma necessidade incontornável em todos os domínios, sendo a indústria alimentar responsável por um quarto das emissões globais de CO2 e por 70% do consumo de água doce. Face a estes desafios, surgem oportunidades significativas para melhorar estes processos e torná-los mais eficientes, reduzindo o seu impacto ambiental e aumentando a sua sustentabilidade.
A resposta está na ciência e na inovação para fornecer opções que são necessárias a longo prazo.
No setor das pescas, onde 50% das capturas mundiais são capturadas na natureza e cerca de 5,5 milhões de toneladas de atum são capturadas anualmente, a rastreabilidade, a eficiência, a sustentabilidade e a valorização através da comunicação tornam-se aspetos críticos. Estima-se que 20% desta pesca seja ilegal, com origem predominante na Ásia, afetando significativamente as empresas que operam ao abrigo de regulamentos europeus muito mais exigentes e sustentáveis. A rastreabilidade e a comunicação destes produtos por parte das empresas de pesca são cruciais para que o consumidor compreenda não só a diferença de preço entre os produtos, mas também para que possa fazer escolhas baseadas em práticas de pesca sustentáveis e não sustentáveis e nas condições de trabalho das pessoas que estão por detrás dos produtos suspeitosamente mais baratos.
No domínio da biotecnologia e do desenvolvimento de proteínas alternativas, a ciência e a tecnologia estão a encontrar soluções para produzir mais com menos, desenvolvendo processos mais circulares. Ainda longe de ser uma solução global, mas crucial para enfrentar o desafio de reduzir o desperdício alimentar e reintegrá-lo na cadeia alimentar, quer como biofertilizantes, quer como alimento para animais e humanos.
Fonte: iALIMENTAR
“Se o fim do mundo chegar amanhã, vou plantar uma árvore.” - Akira Miyawaki
A citação pertence a um botânico e ecologista japonês, cujo nome batiza o método de plantação de miniflorestas que pretende revolucionar as zonas urbanas de todo o Mundo. Ao promover o crescimento destas florestas nativas densas, que se desenvolvem rapidamente, é possível verificar benefícios como a melhoria da qualidade do ar, a captura de carbono, a redução do calor urbano, a regulação hídrica e a criação de habitats naturais para a fauna e flora locais.
No âmbito do Dia Mundial das Cidades, assinalado a 31 de outubro, foi inaugurada a Rede de Miniflorestas de Portugal, que pretende aumentar a resiliência das cidades aos efeitos das alterações climáticas. Outro dos objetivos desta iniciativa é promover a biodiversidade urbana através da plantação de florestas baseadas no método japonês Miyawaki, criado nos anos 70.
O projeto é dirigido às comunidades urbanas e rurais, instituições de ensino e entidades do governo local, que têm como objetivo transformar os seus espaços verdes e melhorar a qualidade de vida dos seus cidadãos.
Florestas mini em área, maxi em benefícios
Em Portugal, a utilização do método japonês Miyawaki é recente. Esta fórmula utiliza apenas espécies autóctones, numa seleção de árvores e plantas que poderiam nascer naturalmente nas áreas das miniflorestas. Estas zonas podem tornar-se ecossistemas maduros em apenas 10 anos, o que representa um ritmo muito superior quando comparado ao tempo que uma floresta pode levar para se regenerar. O Método Miyawaki tem sido usado com sucesso em muitos projetos em todo o Mundo, e a sua popularidade está em crescimento na Europa.
A Rede de Miniflorestas portuguesa é coordenada por várias organizações ambientais e já mapeou 30 miniflorestas em várias regiões do país, com planos de expansão para os próximos anos. Estas florestas estão espalhadas em locais como Évora, Vila Viçosa, Castro Marim, Faro, Silves, Torres Vedras, Peniche e na área metropolitana de Lisboa.
Neste projeto, a participação ativa da comunidade é incentivada, de forma a criar um impacto social e ambiental duradouro. Ao transformar espaços urbanos degradados em ecossistemas autossustentáveis, a iniciativa procura envolver as comunidades locais, promover o bem-estar e o sentido de pertença.
A Rede é composta por seis organizações (Biggest Mini Forest, Floresta Nativa / Nativawaky, Forest Impact, Ilhas de Biodiversidade, 2adapt, URBEM) que, colaborativamente, impulsionam a plantação de florestas Miyawaki em áreas urbanas e rurais, criando ecossistemas sustentáveis.
A criação da rede visa dar visibilidade às miniflorestas já plantadas e a explorar colaborações futuras entre os membros, expandido assim estas ações a todo o território português.
Alinhada com vários dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), nomeadamente o ODS 3 e 4 (Saúde e Educação de qualidade), o ODS 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis), o ODS 13 (Ação Climática) e o ODS 15 (Vida Terrestre), a Rede de Miniflorestas de Portugal está a promover as parcerias entre diversas entidades (ODS 17 Parcerias para o desenvolvimento sustentável) para facilitar a implementação de miniflorestas e criar uma rede nacional na Plataforma ODSlocal.
Fonte: Sapo
Segundo dados do ISAAA (Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações Agrobiotecnológicas), novos países da África e da Ásia estão a avançar com aprovações, incluindo variedades GM de culturas locais importantes para resistir a pragas, doenças e melhorar a nutrição.
Além disso, em todos os continentes estão a ser desenvolvidas novas culturas GM com características melhoradas, como arroz eficiente no uso de nitrogénio e resistente à salinidade, batatas com genes empilhados para resistência a doenças agressivas, bem como cereais resistentes à seca e enriquecidos com ferro, zinco e vitaminas.
Mais três países africanos adotaram culturas transgénicas
Em 2019, eram 29 os países que plantavam culturas transgénicas em todo o mundo. Cinco anos depois, o número aumentou para 32, com mais três países africanos a concederem aprovações de cultivo.
Em 2020, o Quénia anunciou a aprovação do algodão Bt após ensaios de campo de cinco anos mostrarem resistência efetiva à lagarta-rosada africana e um aumento no rendimento. De acordo com os resultados, prevê-se que o algodão resistente a insetos aumente a produtividade da estimativa atual de 572 kg/ha para 2.500 kg/ha e reduza o custo de produção em 40%.
Com este impacto imenso previsto, espera-se que a cultura biotecnológica aumente a produção de algodão dos agricultores quenianos e, assim, impulsione o pilar de manufatura da Agenda dos Quatro Grandes, na qual se afirma que o Quénia aspira a estar na vanguarda da produção mundial de têxteis e vestuário.
No período de cinco anos, o Quénia também levantou a proibição de 10 anos sobre a importação e o cultivo de produtos transgénicos. Embora esta decisão tenha sido contestada nos tribunais, o Quénia continuou a investigar e avançou com outras culturas, como o milho resistente a insetos (Bt), a mandioca resistente a vírus e a batata resistente ao míldio tardio. O milho Bt e a mandioca VIRCA poderão receber aprovação comercial após a resolução do caso judicial.
O Gana é o mais recente país a juntar-se à lista de países africanos que adotaram a biotecnologia na agricultura em 2024, com a aprovação comercial de feijão caupí transgénico resistente à broca de vagens, desenvolvido pelo Conselho de Investigação Científica e Industrial-Instituto de Investigação Agrícola da Savana (CSIR-SARI).
O Burkina Faso voltou à lista, com a aprovação para o cultivo de híbridos de algodão Bt de 2024 a 2033. O país produziu algodão Bt durante sete anos (de 2008 a 2015), os mesmos anos em que foi aclamado como o principal produtor de algodão da região. A suspensão da plantação ocorreu na temporada de plantio de 2016/2017 devido a preocupações sobre o comprimento da fibra das variedades que estavam a ser cultivadas na época. Este ano considerou-se que os híbridos de algodão Bt recentemente aprovados alcançaram o comprimento de fibra desejado, cumprindo os requisitos e alcançando uma vantagem competitiva para o mercado de Burkina Faso.
Fonte: Agro Portal
A gripe aviária é uma doença infeciosa viral que atinge aves, tanto domésticas como selvagens, podendo também ocasionalmente ocorrer a transmissão a mamíferos, incluindo o ser humano.
As infeções por vírus da gripe aviária apresentam-se em duas formas, os vírus de baixa patogenicidade provocam apenas sinais ligeiros de doença, enquanto os vírus de alta patogenicidade provocam mortalidade muito elevada, especialmente nas aves de capoeira, com consequências graves para a saúde das aves afetadas, a produção avícola e a biodiversidade.
A prevenção da gripe aviária é essencial para a proteção da saúde animal e humana, para a salvaguarda da biodiversidade e para garantir o rendimento da produção avícola e o abastecimento de carne de aves e de ovos. Esta prevenção assenta na adoção de medidas de biossegurança destinadas a evitar a transmissão da infeção por vírus da gripe aviária às aves domésticas.
Conheça as medidas de biossegurança da Gripe Aviária de Alta Patogenicidade (GAAP) que a DGAV divulga através:
Cartaz
Proteja as aves da sua Capoeira contra a Gripe Aviária
Folhetos
Prevenir a Gripe Aviária na sua Capoeira
Gripe Aviária – Aves de capoeira e selvagens
Fonte: DGAV
Dada a situação epidemiológica em Portugal resultante da circulação do vírus da Febre Catarral Ovina ou Língua Azul serotipo 3, divulgamos o Esclarecimento técnico n.º 12/DGAV/2024 para apoio dos médicos veterinários, proprietários ou detentores de bovinos/ovinos, distribuidores por grosso de medicamentos veterinários e técnicos executores dos planos de controlo oficiais, quanto às regras para a notificação de utilização, aquisição, posse, utilização e registo destes medicamentos veterinários.
Consulte aqui o Esclarecimento técnico n.º 12/DGAV/2024 de 4 de novembro.
Fonte: DGAV
Entre reatores e tubos de ensaio, uma nova agricultura desponta: é a era da produção de carne, peixe e outros alimentos em laboratório. Para uma equipa de empreendedores e cientistas apaixonados, a proposta não é apenas revolucionária; trata-se de uma transformação necessária para o futuro da alimentação humana. Nas suas palavras, esta é a «quarta revolução agrícola».
Mas recuemos no tempo. No Instituto Superior Técnico (IST), em Oeiras, um prato de filetes de robalo criados em laboratório representa um marco pioneiro na ciência alimentar mundial. Diana Marques, doutoranda em Bioengenharia, deu o pontapé inicial para este projeto em 2019, durante uma disciplina de Empreendedorismo, propondo a ideia de criar sushi em laboratório. Desde então, a iniciativa evoluiu rapidamente: de um projeto embrionário, passou a contar com uma equipa multidisciplinar de cerca de 15 investigadores que trabalham na criação de peixe e carne de laboratório, agora com bioimpressão 3D.
No laboratório, o ambiente é de entusiasmo e Diana, assim como Frederico Ferreira, professor do IST e líder deste projeto, acreditam que este processo é mais do que uma solução, é um diálogo: entre a ciência, a sustentabilidade e as preocupações crescentes com os impactos da pecuária tradicional. «Esta é uma solução alimentar, mas não a única, nem quer ser a única. Trata-se de abrir espaço para um novo tipo de diálogo na alimentação», explica a estudante. Para ela e o professor, a produção celular de alimentos representa mais do que simplesmente comer carne sem origem animal: é uma possibilidade inédita de repensar a relação da humanidade com a comida e com o planeta.
Uma peixaria no laboratório
O docente descreve o avanço da equipa nos últimos dois anos como «maravilhoso», com conquistas significativas, incluindo o financiamento de 215 mil euros pelo Good Food Institute para o projeto Algae2Fish. Os investigadores agora são capazes de produzir filetes de peixe de seis centímetros de espessura, manipulando a textura e o cheiro dos filetes com precisão para se assemelharem ao peixe convencional. De acordo com o professor, o laboratório muitas vezes já possui o odor característico de uma peixaria, o que tem sido motivo de comentários bem-humorados entre os colegas.
Com uma metodologia que permite o crescimento de células animais em condições controladas, a equipa consegue reproduzir carnes de diferentes animais sem o uso ou sacrifício dos mesmos. O processo ocorre em bioreatores que lembram fermentadores de cerveja ou iogurte e a semelhança é propositada: o cultivo de células vivas segue um método não tão diferente do utilizado na fermentação de alimentos há séculos. «As pessoas podem achar estranho pensar em carne feita num laboratório, mas não se deram conta de que outros alimentos que consumimos também já passam por processos controlados, similares», explica o professor e Diana assente.
Para esta equipa, o processo científico não é apenas empolgante, mas também promissor em termos de sustentabilidade. Referem-se ao atual modelo agrícola global como insustentável e consideram este novo método como uma resposta a desafios ambientais urgentes, como a diminuição das emissões de gases de efeito estufa e o uso de água e terras férteis. «A quarta revolução agrícola é histórica e é a primeira vez que temos a possibilidade de fazer algo verdadeiramente sustentável em termos ambientais, económicos e sociais. Em todas as revoluções anteriores, não houve esta preocupação com o meio ambiente», afirmam.
E há ainda um desejo de preservar e respeitar a cultura alimentar local e mundial. «Não estamos aqui para acabar com as tradições, mas para criar alternativas. As pessoas ainda vão ter o seu bife, o seu peixe e nós vamos ajudá-las a fazer isso de forma sustentável», destaca Frederico Ferreira, sendo que a equipa que lidera espera que essa transição para alimentos celulares possa tornar-se um «novo normal», onde o prazer de comer se alinha com uma postura ética e ecológica.
A produção do peixe envolve várias etapas. Primeiro, as células, geralmente estaminais, são cultivadas e transformadas em músculo ou gordura, as principais componentes de carnes e peixes. Com o auxílio de uma bioimpressora 3D, criada pelo doutorando Afonso Gusmão, as células são organizadas em camadas para formar produtos complexos como filetes. As novas tecnologias permitem que a equipa crie texturas autênticas e apetitosas. Os filetes impressos, por exemplo, são submetidos a pequenas descargas elétricas, um processo que ajuda a criar fibras alinhadas, melhorando a experiência de mastigação e a autenticidade do produto.
Esta nova alternativa, contudo, ainda tem de vencer desafios regulatórios e de aceitação pública. Os processos de aprovação de novos alimentos na Europa são rigorosos e, enquanto noutras partes do mundo, como a Ásia e os Estados Unidos, o caminho para o mercado é menos complexo, na União Europeia a equipa enfrenta barreiras.
Um peixe à espera de regulamentação
«Aqui na Europa é complicado, as autorizações são extremamente rigorosas e não há previsões claras sobre quando essa regulamentação será flexibilizada», comenta Frederico Ferreira, apontando que, embora isso garanta a segurança dos consumidores, pode desacelerar o ritmo das inovações locais. «Já provámos protótipos base, mas sem células. São bastante planos, sem gosto residual. Já a fórmula com algas, também sem células, cheira a mar e sabe a peixe», partilha Frederico Ferreira.
Ainda que estejam na vanguarda de um dos setores mais empolgantes da ciência de alimentos, os investigadores reconhecem que a mudança não será fácil. Nas suas palavras, «é entusiasmante porque temos a oportunidade de fazer algo realmente positivo, algo que pode mesmo ajudar o planeta. Mas também é uma responsabilidade enorme, porque cabe-nos fazer com que essa mudança ocorra de maneira segura e acessível».
O próximo passo para a equipa é o teste sensorial, numa colaboração com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), que terá um painel de degustação para avaliar as características dos filetes de robalo cultivado. Contudo, para que esse peixe chegue ao mercado, a equipa ainda enfrenta os desafios mencionados. Tanto Frederico Ferreira como Diana Marques salientam que, em países como Singapura e os EUA, a legislação permite testes limitados em animais, mas a Europa ainda tem de avançar neste tema.
Apesar disto, mantêm-se otimistas, sendo que o projeto é fortalecido por uma crescente adesão de outros profissionais e um mercado curioso. «O que estamos a criar é uma oportunidade única, de fazer um novo sistema de alimentos. O objetivo principal é disponibilizar uma alternativa viável ao consumo de carne e peixe nos próximos anos», afirmam com brilho nos olhos. A sensação é a de estar a um passo de mudar o curso da alimentação para sempre: uma mistura de desafio e privilégio que todos os membros da equipa parecem partilhar.
Fonte: Jornal I
Cientistas da University of New South Wales (UNSW), na Austrália, desenvolveram uma aplicação para smartphones, chamada VibMilk, que deteta a deterioração do leite usando a função de vibração integrada no dispositivo.
“É possível sentir o cheiro ou o gosto se o leite estiver estragado, mas isso requer abrir a embalagem. Fazê-lo expõe-no a bactérias e acelera a deterioração. O VibMilk não é invasivo, o que significa que pode testar a qualidade do leite sem abrir a embalagem, explicou Wen Hu, do Departamento de Ciências da Computação e Engenharia.
A combinação de água, gorduras, proteínas e vitaminas do leite é o meio perfeito para o crescimento de uma variedade de bactérias, algumas das quais prejudiciais para os seres humanos.
Apesar de os tratamentos de pasteurização e temperatura ultra-alta (UHT) serem projetados para evitar esse crescimento, nem sempre são bem-sucedidos, causando doenças, desperdício e perdas financeiras associadas.
Aliás, um estudo de 2022 permitiu apurar que as famílias norte-americanas deitam fora 19% dos laticínios que compram. Muitos consumidores confiam nas datas de “validade” das embalagens para determinar se o produto é seguro para consumo, mas os cientistas alertam que são apenas estimativas aproximadas e podem ser imprecisas.
“A data de validade representa uma indicação e não uma expiração definitiva”, sublinhou Hu. “Quando os fabricantes definem as datas, fazem suposições sobre fatores como temperatura e duração do armazenamento com base nos piores cenários. Se o leite for mantido nas condições corretas, será seguro para consumo alguns dias após a data indicada no rótulo, mas se não for, pode nem estar bom antes dessa data.”
À medida que o leite se estraga, muda de um colóide – uma substância uniformemente dispersa noutra – para os seus componentes separados de coalhada, soro e água.
Esta degradação muda as propriedades físicas do líquido, produzindo diferentes sinais de vibração. Com essas mudanças, surge também uma mudança no pH, de 6,6 (fresco) para 4,4 (completamente estragado).
O VibMilk usa os sinais de vibração produzidos pelo motor de um smartphone e recolhidos pela sua unidade de medição inercial (IMU) para detetar o grau de vibração produzido. Aplicando algoritmos de machine learning aos dados, a app atribui um dos 23 níveis de pH.
Durante as experiências realizadas pela equipa, o VibMilk previu o pH do leite com uma precisão média de 98,35%.
Fonte: ZAP
Investigadores da Universidade do Nevada desenvolveram uma tecnologia inovadora — inspirada nas “coisas fixes da natureza” — que extrai eficazmente grandes quantidades de água do ar, mesmo em condições de humidade extremamente baixa.
Inspirada em processos naturais observados em rãs e plantas aéreas, esta tecnologia usa uma membrana de hidrogel e pode ser alimentada por energia solar, oferecendo uma fonte de água sustentável para regiões áridas.
Transformar o ar que nos rodeia em água potável há muito que parece uma maravilha, mais próxima da ficção científica do que da realidade – especialmente quando se trata de captar uma quantidade sustentável em ambientes secos e de baixa humidade.
No entanto, numa altura em que se assiste agravamento da enorme seca que afeta os abastecimentos de água em diversas regiões do planeta, uma equipa de investigadores da Universidade do Nevada (UNLV) criou uma tecnologia inovadora que permite extrair quantidades significativas de água — mesmo do ar árido.
As suas descobertas foram apresentadas num artigo publicado em 22 de outubro na Proceedings of the National Academy of Sciences.
A liderar o projeto está H. Jeremy Cho, professor de engenharia mecânica da UNLV, que, com a sua equipa, introduziu uma abordagem fundamentalmente nova à recolha de água atmosférica — transformando o vapor de água no ar.
Segundo o Sci Tech Daily, ao contrário das tecnologias existentes, que produzem baixos rendimentos e se debatem com uma humidade inferior a 30%, este novo método foi concebido para funcionar eficazmente mesmo em condições extremamente secas.
“Este trabalho demonstra que é possível captar água a um ritmo muito rápido”, afirmou Cho. “Podemos começar a prever o tamanho do sistema necessário para produzir uma determinada quantidade de água”.
“Se eu tiver um metro quadrado, que é cerca de um metro e meio por um metro e meio, podemos gerar cerca de 4 litros de água por dia no deserto do Nevada, e até três vezes mais em ambientes húmidos”.
Esta tecnologia e abordagem, que foi testada ao ar livre em Las Vegas e é eficaz até 10% de humidade, captura diretamente a água numa solução salina líquida que é adequada para posterior transformação em água potável ou produção de energia, permitindo novas capacidades para regiões áridas.
Um ingrediente-chave no processo é uma membrana de hidrogel “pele”. A inspiração para este material vem da natureza — especificamente das rãs e das plantas aéreas, que utilizam uma técnica semelhante para transportar a água do ar ambiente para um líquido para armazenamento interno.
“Pegámos nessa ideia biológica e tentámos fazê-la à nossa maneira”, explica Cho. “Há tantas coisas fixes a acontecer na natureza – só temos de olhar à nossa volta, aprender e inspirar-nos.”
Além disso, a pesquisa demonstra que a recolha de água atmosférica pode ser alimentada por energia solar. Graças à luz solar frequente em locais como o Vale de Las Vegas, que tem uma média de 300 dias de sol por ano, a luz solar pode fornecer energia para reduzir o custo teórico e eventual da produção de água.
“Os nossos recursos hídricos estão a esgotar-se e o clima do nosso planeta está a mudar”, afirmou Cho. “Para alcançar a sustentabilidade, temos de mudar os nossos hábitos. Toda esta ideia parecia ficção científica, mas é possível e estamos mesmo a fazê-lo.”
Fonte: ZAP
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