A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) apreendeu 410 quilos de carne num talho em Barcelos e instaurou um processo-crime, por posse e comercialização de géneros alimentícios "bastante deteriorados e impróprios para o consumo", foi anunciado.
Em comunicado, a ASAE refere que estão em causa géneros alimentícios "anormais corruptos".
O género alimentício anormal é considerado corrupto quando entrou em decomposição ou putrefação, quando encerra substâncias, germes ou produtos nocivos ou quando se apresenta "de alguma forma repugnante".
Na operação, foram apreendidos 410 quilos de carne provenientes de bovinos e suínos, no valor de cerca de 2.500 euros.
A ação contou com a colaboração do médico veterinário da Câmara Municipal de Barcelos. Contactados pela Lusa, a ASAE e o médico veterinário escusaram-se a revelar em que freguesia se encontra o talho em questão, tendo aquele organismo adiantado apenas que é "nos arredores de Barcelos".
Fonte: Jornal de Notícias
Antes posta de lado, a prima da jaca é como uma batata que cresce das árvores. Voltou em força nas regiões tropicais e promete substituir o milho ou até o arroz. “As pessoas estão a começar a reconhecer o seu incrível potencial”.
Cresce em condições adversas, sobrevive a furacões, floresce em solos degradados e prospera perto de água salgada. É uma das plantas alimentares com maior rendimento por unidade de área e poderia facilmente sustentar uma família com um esforço mínimo.
Já foi também um mero alimento de pessoas escravizadas, mas a capacidade da árvore da fruta-pão é hoje cada vez mais popular entre os agricultores das zonas tropicais das Caraíbas e ilhas do Pacífico, de acordo com os especialistas que falaram com o Wired.
A planta perene de folhas grandes, da família das jacas, não tem um sabor especialmente atrativo ou doce, mas ganhou um novo propósito especialmente pela segurança que oferece em contextos ameaçados pelas secas e ondas de calor.
“Não existe realmente um clima demasiado quente para a fruta-pão”, acredita o geógrafo Russell Fielding: “As pessoas estão a começar a reconhecer o seu incrível potencial”.
Superalimento rico em nutrientes
A fruta tem uma presença histórica no Taiti, Havai e Jamaica, mas caiu gradualmente em desuso graças ao aumento das dietas processadas tipicamente ocidentais. O seu sabor insípido e consistência viscosa quando madura tornaram-na menos apelativa para muitos em comparação com outros alimentos.
Para além de resistente, tem um grande potencial como superalimento rico em nutrientes. É cada vez mais vista pelos seus apoiantes como mais versátil e mais nutritiva do que alimentos básicos mais comuns, como o arroz e o milho.
Além disso, o seu traço insípido permite-lhe ser usada numa variedade de pratos: sopas, guisados, saladas e até em produtos comerciais como batatas fritas (na Jamaica) e vodka (vendida nas Ilhas Virgens). A sua durabilidade também é rara no mundo da fruta: dura muito, quando seca ou transformada em farinha.
Visto que já está naturalmente adaptada a temperaturas mais quentes, e dada a sua resiliência, produtividade e valor nutricional, investigadores acreditam que a fruta-pão pode vir a estar no centro da indústria alimentar no futuro, em vez de milhões serem desperdiçados no desenvolvimento de versões de alimentos tolerantes ao clima de culturas tradicionais.
"A criar rendimentos" e a combater a fome
Na Jamaica e no Haiti, a fruta já cria oportunidades de emprego, além de aliviar a insegurança alimentar.
No Haiti, por exemplo, agrónomos locais criaram moinhos de fruta-pão, destinados a transformar o fruto em farinha para substituir as dispendiosas importações de trigo. A iniciativa tem dado mais poder aos agricultores e comerciantes locais e a farinha tem sido um poderoso aliado do combate à fome infantil, ao ser usada para alimentar crianças em idade escolar.
“Há mil milhões de pessoas com fome no planeta e oitenta por cento delas vivem nos trópicos, onde a fruta-pão prospera“, explica Diane Ragone, diretora de um instituto exclusivamente dedicado à fruta. Na sua opinião, a árvore é mesmo de aproveitar.
“Pense que, com plantações agroflorestais como estas, é possível transformar uma encosta nua num jardim que pode alimentar pessoas e durar séculos”, diz, sobre o gravemente desflorestado Haiti: uma transformação das encostas “poderia acontecer facilmente em cinco a dez anos“, acredita.
“O sucesso que estamos a ver no Haiti é espantoso. Está a criar rendimentos para pessoas que não os tinham“, diz Mary McLaughlin, presidente e fundadora da Trees That Feed Foundation, a principal fornecedora de árvores de fruta-pão para o mundo.
Para lá das Caraíbas
O potencial da fruta-pão estende-se além das Caraíbas.
Em Porto Rico, o fruto — mais conhecido pelos locais como “pana” — é há muito um alimento básico. Agora, empresas como a Amasar estão a transformá-lo em produtos de sucesso comercial, como misturas para panquecas e waffles.
“Os porto-riquenhos são os pioneiros da fruta-pão. Estávamos a comer fruta-pão antes de comermos plátanos cultivados localmente”, diz o CEO da startup Villalobos Rivera.
Depois do furacão Maria ter destruído a maior parte das culturas agrícolas em 2017, os lhéus isolados começaram a colaborar: “Estamos a ensinar à República Dominicana e a outros países como comemos fruta-pão e como a transformamos em diferentes alimentos”.
Os governos e as organizações estão atentos ao potencial da fruta-pão. A República Dominicana já está a doar centenas de milhares de árvores de fruta-pão aos agricultores, enquanto o governo da Jamaica incentiva o seu crescimento em áreas urbanas. Em África, a fruta-pão também já é plantada no Uganda.
No Havai, o cultivo da fruta-pão também aumentou. Até Gordon Ramsay ficou pasmado com a versatilidade da fruta. “Imagine isto numa tarte, com chocolate ou um bocado de mel”, disse o guardião da maior exploração do fruto ao conhecido chef. “Estiveste a fumar?”, respondeu-lhe o britânico, impressionado.
Noa Kekuewa Lincoln, da Universidade do Havai, insiste no potencial da fruta e alerta: “nos Estados Unidos, estamos a gastar centenas de milhões de dólares por ano na investigação do milho para o tornar mais tolerante a temperaturas mais altas, mas a fruta-pão já está adaptada a temperaturas mais altas e muitos dos mesmos produtos poderiam ser feitos a partir dela”.
“O cultivo da fruta-pão pode ajudar a mudar o nosso sistema alimentar de uma monocultura em grande escala para uma produção diversificada e uma produção alimentar mais caseira e comunitária. Embora a maioria das pessoas não tenha tempo para cultivar nos seus quintais, toda a gente pode tirar uma hora e plantar uma árvore de fruta-pão”, incentiva o professor.
Fonte: ZAP
Emily Nkhana, uma pequena agricultora no norte do Malawi, deitava fora as bananas que estavam maduras demais, ou deixava-as simplesmente apodrecer — até ter encontrado um uso lucrativo para elas: o vinho de banana.
O calor extremo estava a fazer as bananas amadurecerem rápido demais, resultando em grandes perdas para Emily Nkhana e diversos outros agricultores que vivem no distrito de Karonga, no Malawi.
“Então descobrimos como fazer vinho de banana“, conta Emily à BBC, enquanto descasca os limões usados para preservar o sabor das bananas na fábrica de processamento da Cooperativa Twitule.
Para os agricultores, não se trata apenas de fazer vinho, mas também de sobrevivência, resiliência e de abraçar as novas possibilidades trazidas pelas alterações climáticas.
O cultivo era feito perto das margens do Lago Malawi. Mas, com aumento do nível das águas causado pelo aumento das chuvas, as plantações de banana passaram a ser inundadas, forçando os produtores a migrar para terras mais altas, mas mais quentes, onde as temperaturas chegam aos 42°C.
“Na antiga quinta, o nosso desafio era a grande quantidade de água do lago. Algumas das bananas afogavam-se na água, ou nem conseguíamos ver onde as tínhamos plantado. Aqui em cima, temos demasiado calor. Isto faz com que as nossas bananas amadureçam muito depressa e sejam desperdiçadas”, diz Emily.
Emily faz parte de um grupo de mulheres unidas pela cooperativa para melhorar as suas condições económicas através da agricultura.
A produção de vinho é um empreendimento de pequena escala nos quintais destas mulheres, onde plantam bananas.
O processo de vinificação acontece num pequeno complexo com uma casa de quatro quartos na vila de Mchenjere.
E o processo é bastante simples: as bananas maduras são descascadas, cortadas em pedaços pequenos, pesadas e misturadas com açúcar, fermento, passas, água, e cobertas com limões.
A mistura é então deixada a fermentar durante várias semanas, transformando a polpa da banana num vinho potente e aromático, contendo 13% de álcool – semelhante ao vinho feito de uvas.
“É um vinho de ótima qualidade. Temos que o beber sentados, para poder aproveitar o sabor doce”, diz Emily.
Vinho de banana pode soar como algo incomum para quem está acostumado aos sabores do vinho tradicional. Para quem experimenta, no entanto, é tudo menos dececionante.
Com uma coloração que pode variar de amarelo claro a âmbar, o vinho tem um sabor levemente doce e frutado, geralmente com um aroma subtil e um leve sabor a limão e banana.
“É suave e leve, quase como um vinho de sobremesa“, diz Paul Kamwendo, um entusiasta de vinhos local que se tornou num dos maiores fãs de vinho de banana em Karonga. “Não fazia ideia de que era possível fazer vinho com bananas.”
Para Emily e os seus colegas, a chave para um bom vinho de banana está no equilíbrio entre doçura e acidez.
“O momento certo é tudo”, diz. “Temos que saber quando as bananas estão no melhor ponto. Se estão muito maduras, o vinho torna-se muito doce. Se estão muito verdes, fica muito azedo.”
A ascensão do vinho de banana no Malawi foi recebida com entusiasmo por produtores e consumidores.
Nos mercados locais, garrafas de vinho de banana, vendidas a 3 dólares, tornaram-se comuns, com vendedores ansiosos para mostrar as últimas criações.
“Vendemos para mercados por todo o Malawi, na capital Lilongwe e na maior cidade, Blantyre, e está sempre esgotado“, diz Tennyson Gondwe, CEO da Community Savings and Investment Promotion (Comsip), uma cooperativa que treinou as mulheres na produção de vinho com qualidade e sabor.
Emily diz que fazer vinho, em vez de apenas vender bananas – que muitas vezes acabam desperdiçadas -, transformou a sua vida e a de outras mulheres.
“Algumas de nós construímos casas, algumas têm gado, outras têm galinhas. Podemos dar-nos ao luxo de comer refeições decentes.”
A cooperativa Twitule produz entre 20 e 50 litros de vinho por mês — e espera agora poder comprar máquinas para ajudar os produtores a expandir.
“Queremos produzir mais vinho. Queremos mudar-nos desta pequena casa para uma fábrica”, diz Emily.
E o grupo tem planos ainda maiores: a cooperativa pediu às autoridades competentes do Malawi aprovação para exportar o produto.
“As pessoas estão curiosas”, diz Emily, sorrindo enquanto mexe a mistura de vinho, preparando-a para a fermentação. “Querem saber qual é o gosto. E, quando experimentam, ficam surpreendidos com quão bom é.”
Fonte: ZAP
Novas regras impedem a entrada no mercado europeu de produtos provenientes de terras alvo de desflorestação ou degradadas. Brasil é país de alto risco e pode ver as suas exportações cair já no próximo ano.
A entrada em vigor, no final do ano, da chamada lei antidesflorestação pode causar a escassez de produtos como cacau e madeira ou aumentar os preços na UE, disseram especialistas à Lusa em Macau.
O Regulamento Europeu para Produtos Livres de Desflorestação (EUDR, na sigla em inglês) foi aprovado em 2023 e vai entrar em vigor, para a maioria das empresas, a 30 de dezembro, com regras mais apertadas para tentar criar cadeias de abastecimento mais transparentes.
Mas o vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente, Ivan Tomaselli, avisou que “existe um risco, especialmente a curto prazo, de escassez de certas mercadorias e produtos na Europa”.
As novas regras impedem a entrada no mercado europeu de produtos provenientes de terras alvo de desflorestação ou degradadas. Os principais produtos afetados serão óleo de palma, gado, soja, café, cacau, madeira, borracha e derivados.
Rupert Oliver, especialista da Organização Internacional da Madeira Tropical, apontou o cacau como um dos produtos mais vulneráveis e lembrou que, devido a fatores como a guerra na Ucrânia e a subida do preço do petróleo, o chocolate já se tornou “60% a 70% mais caro” na UE.
Madeira pode ser a mais afetada
Ivan Tomaselli disse acreditar que a madeira poderá ser a mais afetada, uma vez que, ao contrário de produtos como a soja ou a carne, produzidos sazonalmente nos mesmos terrenos, a gestão florestal implica uma rotação constante de terras.
Ou seja, todos os anos os produtores terão de repetir os mesmos procedimentos para comprovar que a madeira não veio de terras alvo de desflorestação, que em alguns casos podem significar “documentos com mais de 300 páginas”, sublinhou o brasileiro.
O EUDR inclui um sistema de três níveis para classificar os países no que toca ao risco de importação de produtos vindos de terras alvo de desflorestação ou degradadas.
Impacto “bastante significativo” nas exportações brasileiras
Tomaselli previu que a UE classifique o Brasil como um país de “alto risco”, devido ao “reconhecimento internacional de uma alta taxa de desflorestação”, à expansão “muito rápida” das áreas de agricultura e pecuária e ao papel fulcral do Brasil no comércio mundial de matérias-primas.
O presidente da Associação das Indústrias Exportadoras de Madeira do Estado do Pará disse que as empresas “não têm receio nenhum quanto à prestação de informações sobre o que é produzido”.
“O que para nós ainda não está claro é como serão essas regras”, lamentou Deryck Martins. O dirigente acusou ainda a UE, composta de “países que já utilizaram grande parte dos recursos naturais”, de tentar impor normas a Estados ainda em desenvolvimento.
Ivan Tomaselli disse temer que o impacto para o Brasil seja “bastante significativo, com uma redução de exportações a começar já em 2025”.
O empresário sublinhou que quase 100% das exportações de ‘pellets’ de madeira do Brasil têm como destino a UE, assim como perto de 60% dos troncos. Portugal é mesmo o maior comprador de troncos brasileiros, acrescentou.
Fonte: ZAP - Lusa
A Comissão Europeia publicou o seu relatório de 2023 sobre a Rede de Alerta e Cooperação, que facilita a cooperação e o intercâmbio de informações entre os Estados-Membros sobre os controlos oficiais na cadeia agroalimentar.
O relatório revela um aumento significativo das notificações em comparação com 2022 - um sinal do crescimento da cooperação entre os Estados-Membros neste domínio.
A Rede de Alerta e Cooperação é composta por quatro sub-redes, cada uma com um foco individual.
O Sistema de Alerta Rápido para Alimentos para Consumo Humano e Animal (RASFF) facilita o intercâmbio rápido de informações entre as autoridades de segurança alimentar sobre riscos para a saúde relacionados com alimentos para consumo humano, alimentos para animais ou materiais em contacto com alimentos.
Em 2023, registou-se um aumento de 8 % nas notificações RASFF, com um total de 4695 notificações. Tal como nos anos anteriores, o problema mais notificado no RASFF dizia respeito a resíduos de pesticidas, seguido de perto pelos microrganismos patogénicos. Os países que mais notificaram continuaram a ser a Alemanha, os Países Baixos e a Bélgica.
A componente de Assistência e Cooperação Administrativa (AAC) permite aos Estados-Membros notificar violações da legislação da UE em matéria de segurança dos alimentos que não constituam um risco para a saúde. Em 2023, registou-se um aumento de 24% nas notificações de AAC, com 3166 notificações.
A maioria das notificações de AAC em 2023 estava relacionada com frutas e produtos hortícolas não conformes, mais uma vez principalmente devido a resíduos de pesticidas, seguidos de casos de rotulagem incorreta, como alegações de saúde não autorizadas para suplementos alimentares.
A Rede de Fraude Agro-Alimentar (FFN) registou um aumento de 26 % nas notificações, com 758 suspeitas de fraude. O comércio ilegal de cães e gatos continuou a ser um problema importante, com 414 notificações. Outras suspeitas relacionavam-se com a substituição de carne, a adulteração de mel e a rotulagem incorrecta de azeite. Além disso, 1075 notificações AAC e 1625 notificações RASFF foram assinaladas como potenciais fraudes, o que levou os Estados-Membros a aprofundar as inspecções ou investigações.
No seu primeiro ano de funcionamento, a Rede Fitossanitária (PHN) gerou 128 notificações, uma vez que os Estados-Membros partilharam informações pormenorizadas sobre remessas não conformes de plantas, produtos vegetais e outros artigos (como sementes, frutos, produtos hortícolas, madeira e flores) e outros problemas fitossanitários.
Fonte: European Comission & Qualfood
Um novo relatório dos parceiros da EFSA no projeto NAMs4NANO propõe um sistema de promoção de Novas Metodologias de Abordagem (New Approach Methodologies - NAMs) para avaliar os potenciais riscos das nanopartículas para a segurança alimentar.
As NAMs referem-se a uma grande variedade de métodos de ensaio e avaliação de produtos químicos que não recorrem a experiências em animais ou seres humanos. Para além de substituírem gradualmente os ensaios em animais, estes métodos podem contribuir para melhorar as avaliações de segurança, utilizando modelos que simulam melhor as condições nos seres humanos.
Estes métodos podem ser testados em tubos de ensaio, placas de cultura ou com recurso à utilização de software. As abordagens baseadas em NAM oferecem um grande potencial para a avaliação da segurança das nanotecnologias, uma vez que, em muitos casos, os métodos tradicionais não podem ser facilmente adaptados para lidar com os perigos à escala nanométrica. Em particular, a sua utilização nas primeiras etapas de uma avaliação de riscos pode minimizar a necessidade de estudos adicionais em animais.
Os avanços na ciência e na tecnologia estão a estimular uma inundação destas abordagens, mas poucas delas foram validadas de acordo com normas internacionais para utilização em avaliações de riscos regulamentares.
Proposta NAMs4NANO
A proposta descreve um quadro genérico para um sistema de qualificação. Este inclui o processo global, os critérios de avaliação, a descrição do método de ensaio e os procedimentos para descrever a criação do NAM, a sua aplicação e a fase de avaliação. Aborda também a validade científica: como demonstrar a sua fiabilidade e relevância para um contexto de utilização específico.
O presente relatório foi desenvolvido por cientistas de 10 institutos de investigação em colaboração e sob a coordenação do Instituto Federal Alemão de Avaliação de Riscos (BfR), destinando-se a estimular um debate mais alargado entre peritos e partes interessadas envolvidas na nanotecnologia, na segurança alimentar e na saúde pública.
Fonte: EFSA news & Qualfood
O poder dos micróbios no nosso dia-a-dia em cartoons. Este é o desafio lançado pela Sociedade Portuguesa de Microbiologia. As candidaturas podem ser apresentadas a partir desta terça-feira, 17 de setembro (neste link). Procuram-se imagens que informam, divertem, intrigam e impressionam quem as observa, foi divulgado em comunicado.
Segundo a mesma fonte, já na sua sexta edição, os premiados pelo concurso de Comunicação de Ciência em Microbiologia têm apresentado trabalhos que dão a conhecer as múltiplas facetas dos microrganismos, desde as suas aplicações práticas aos cuidados que devemos ter para prevenir doenças, passando pelo seu papel na natureza.
Entre os mais de 150 temas já abordados estão perguntas como: estará a saúde oral associada à obesidade infantil? Porque é importante lavar as nossas mãos? O contacto com animais pode potenciar a transmissão de doenças? Entre outros temas, como infeções sexualmente transmissíveis, o poder das bactérias do mar ou as capacidades dos probióticos.
Inserido nas comemorações do Dia do Microrganismo, que se assinala a 17 de setembro, este desafio, lançado anualmente pela Sociedade Portuguesa de Microbiologia , convida os concorrentes a dirigirem-se tanto a públicos adultos como, numa categoria que lhes é dedicada, às crianças, usando imagens e narrativas mais adequadas aos mais jovens. Cada imagem é apoiada por um texto, que de forma breve e simples, explica a base científica e conceitos inerentes ao que se pretende comunicar.
Além da avaliação com vista a atribuição dos 1.º prémio e menções honrosas, que fica a cargo de um júri multidisciplinar composto por cientistas, jornalistas e especialistas em comunicação e também por algumas crianças, a disponibilização ao público só é realizada após uma etapa de revisão por pares, prática instituída na produção de trabalhos científicos.
Em 2021, foi lançado um e-livro que compilava as três primeiras edições do concurso, havendo hoje um espaço online dedicado para a divulgação destas peças (Cartoons de Microbiologia – Um site da Sociedade Portuguesa de Microbiologia).
Para a Sociedade Portuguesa de Microbiologia, esta é mais uma das múltiplas formas de levar a Microbiologia e o poder dos microrganismos a todos. Se, por um lado, contribui para a literacia em Microbiologia, por outro estimula os especialistas no tema a explorar as suas capacidades de comunicar com audiências diversas. Além disso, é também uma forma de dar a conhecer o que fazem os microbiólogos.
Fonte: Green Savers
O fator de produção mais relevante da agropecuária está em discussão nos dias 18 e 19 de setembro em Santarém. A Alimentação Animal, que representa até 70% do custo de produção da atividade pecuária que, por sua vez, representa 36% na economia agrícola nacional, opera atualmente com um sobrecusto de 25 a 30% face aos preços praticados em 2019, antes da situação pandémica, da guerra na Ucrânia e da intensificação do conflito israelo-palestiniano. A este contexto juntam-se os custos de energia tendencialmente em alta, as exigências ambientais europeias, como o regulamento sobre a desflorestação (EUDR), e uma nova vaga de tensões no triângulo Europa, Estados Unidos e China, com o consequente e previsível incremento de custos nas matérias-primas e ingredientes para a alimentação animal. O contexto justifica o pedido ao Governo para que mantenha no Orçamento do Estado para 2025 a isenção do IVA nas transações deste setor, a qual termina em 31 de dezembro de 2024, aliviando a tesouraria de industriais e explorações agropecuárias.
Estas são as questões em destaque no primeiro dia das XIII Jornadas e II Fórum da Alimentação Animal que decorre em Santarém a 18 e 19 de setembro, com organização da IACA (Associação Portuguesa dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais) e do FeedInov CoLAB (Laboratório Colaborativo para a investigação e inovação em alimentação animal). O evento conta com a presença do Ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes. Saiba tudo AQUI ←
Embora o setor note como positiva a desaceleração dos últimos meses nos preços das matérias-primas mais relevantes para a atividade, como os cereais, a instabilidade geopolítica internacional, tal como os regulamentos ambientais da União Europeia, designadamente, o Regulamento Europeu sobre Desflorestação – que limitará a quantidade de soja disponível no mercado em total cumprimento com a legislação -, fazem prever aumentos nos custos de produção de 25 a 30 milhões de euros por ano nos alimentos para aves, suínos e bovinos em Portugal, situação que importa ter em conta, pois são estes os animais produtores das principais fontes de proteína da alimentação humana no nosso país. No contexto europeu e tendo em conta toda a fileira agropecuária, os custos adicionais ascendem aos 2,25 mil milhões de euros. A estes desafios juntam-se as tensões com a China, não sendo de excluir uma nova vaga de acumulação de stocks. A investida deste país faz prever o aumento dos custos dos principais cereais e oleaginosas – milho, trigo e soja -, situação relevante para Portugal, dada a dependência crónica de cereais importados. A importação de cereais motiva um segundo pedido por parte da indústria nacional: a definição de uma política de stocks estratégicos, “sabendo que, para tal, é imprescindível solucionar o problema da armazenagem, pública e privada, nomeadamente, no que respeita à situação da SILOPOR, que está em liquidação há 24 anos. Tudo isto põe em causa a segurança do abastecimento”, afirma Jaime Piçarra, Secretário-geral da IACA.
O primeiro dia será ainda marcado pela discussão da evolução da nutrição da alimentação animal ao longo dos últimos 30 anos, designadamente no que concerne aos ganhos de eficiência, que permitiram uma “democratização” da Alimentação, ao serviço das pessoas. O segundo dia do encontro é dedicado à apresentação das mais recentes conquistas em termos de Investigação, Desenvolvimento e Inovação na área, nomeadamente no que respeita à promoção da saúde e bem-estar animal e da sustentabilidade ambiental do Setor, sem comprometer a produção de alimentos. Este evento marca uma das principais apostas da IACA e do FeedInov para responder aos desafios do futuro, constituindo-se como o ponto de encontro entre o universo empresarial, a investigação e a academia.
“A discussão sobre a evolução da Alimentação Animal nos últimos 30 anos é um desígnio que a todos deve motivar: é um setor que tem vindo a sofrer processos de concentração e verticalização que o tornam cada vez mais competitivo e inovador, o que, além do apoio imprescindível para a atividade agropecuária, contribui de forma decisiva para a segurança e soberania alimentar de Portugal”, diz Romão Braz, Presidente da IACA e do FeedInov CoLAB.
Fonte: A voz do campo
Uma nova técnica temporária e não invasiva serve para monitorizar animais vivos nas investigações em laboratório. Os cientistas acreditam que esta é a primeira abordagem não invasiva que possibilita a visibilidade de órgãos internos vivos.
Um corante que dá aos Doritos a cor laranja também pode tornar os tecidos do corpo transparentes. A aplicação da corante na pele de ratinhos vivos permitiu que os cientistas conseguissem observar vasos sanguíneos e órgãos internos sem qualquer cirurgia, incisões ou danos em ossos ou na pele dos animais.
A técnica, que é reversível, funciona alterando a forma como o tecido interage com a luz e é um método menos invasivo para monitorizar animais vivos utilizados na investigação médica, revela um estudo publicado na revista Science.
Uma transparência temporária que pode ser desfeita com uma lavagem.
A técnica funciona alterando a forma como os tecidos do corpo, que são normalmente opacos, interagem com a luz. Os fluidos, as gorduras e as proteínas que compõem tecidos como a pele e os músculos têm índices de refração diferentes (medição da propagação da luz numa substância): componentes aquosos têm índices de refração baixas, enquanto os lípidos e as proteínas têm índices elevados.
Os tecidos parecem opacos porque o contraste entre estes índices de refração faz com que a luz se disperse. Os investigadores especularam que adicionar a esses tecidos um corante que absorve fortemente a luz pode reduzir o fosso entre os índices de refração dos componentes o suficiente para os tornar transparentes.
“Quando um material absorve muita luz de uma só cor, irá dobrar a luz noutras cores”, diz o coautor de estudo Guosong Hong, professor assistente de ciência e engenharia de materiais da Universidade de Stanford, na Califórnia.
Ao aplicar num ratinho de laboratório um corante alimentar comum chamado tartrazina (corante E102) que absorve a luz, a equipa conseguiu tornar os tecidos temporariamente transparentes, permitindo-lhes ver dentro dos vasos sanguíneos do cérebro e o movimento dos órgãos internos sob a pele do abdómen e pequenas unidades de músculo a funcionar.
E, tão facilmente como aconteceu, a transparência foi revertida e a pele não ficou com a cor alterada.
“Assim que lavámos e massajámos a pele com água, o efeito foi revertido em poucos minutos. É um resultado impressionante", afirma Guosong Hong.
O potencial do tecido transparente
Até ao momento, a investigação só foi feita em animais, mas se esta técnica puder ser utilizada nos humanos poderá proporcionar uma série de benefícios biológicos, de diagnóstico e até cosméticos, considera Hong.
Por exemplo, em vez de biópsias invasivas, o exame para detetar melanoma poderá ser feito olhando diretamente para o tecido de uma pessoa sem o remover. Esta abordagem também poderá substituir alguns raios X e tomografias computorizadas e tornar a recolha de sangue menos dolorosa, porque ajudará os técnicos a encontrar facilmente as veias. Também poderá melhorar serviços como a remoção de tatuagens a laser, ajudando a concentrar os feixes de laser precisamente onde o pigmento está sob a pele.
“Isto pode ter um impacto nos cuidados de saúde e evitar que as pessoas passem por exames invasivos. Se pudéssemos simplesmente olhar para o que está a acontecer debaixo da pele em vez de cortar ou usar a radiação, poderíamos mudar a forma como vemos o corpo humano", disse Hong.
Fonte: SIC Notícias
Os investigadores alemães conseguem obter proteínas e vitamina B9 dos micróbios alimentando-os apenas com hidrogénio, oxigénio e CO2.
A tecnologia, publicada na revista Cell Press Trends in Biotechnology, funciona com energia renovável para produzir uma alternativa sustentável de proteína enriquecida com micronutrientes que poderá um dia chegar aos nossos pratos.
“Trata-se de um processo de fermentação semelhante ao da cerveja, mas em vez de darmos açúcar aos micróbios, demos-lhes gás e acetato”, diz o autor correspondente Largus Angenent da Universidade de Tübingen, Alemanha. “Sabíamos que as leveduras podiam produzir vitamina B9 sozinhas com açúcar, mas não sabíamos se podiam fazer o mesmo com acetato”.
“Estamos a aproximar-nos dos 10 mil milhões de pessoas no mundo e, com as alterações climáticas e a limitação dos recursos terrestres, produzir alimentos suficientes será cada vez mais difícil”, afirma Angenent. “Uma alternativa é cultivar proteínas em bioreactores através da biotecnologia, em vez de cultivar culturas para alimentar animais. Isto torna a agricultura muito mais eficiente”, acrescenta.
A equipa concebeu um sistema de bioreactores de duas fases que produz levedura rica em proteínas e vitamina B9. Esta vitamina é também conhecida como folato e é essencial para funções corporais como o crescimento celular e o metabolismo.
Na primeira fase, a bactéria Thermoanaerobacter kivui converte o hidrogénio e o CO2 em acetato, que se encontra no vinagre.
Na segunda fase, a Saccharomyces cerevisiae, mais conhecida como levedura de padeiro, alimenta-se de acetato e oxigénio para produzir proteínas e vitamina B9.
O hidrogénio e o oxigénio podem ser produzidos através do aproveitamento da água com eletricidade produzida por fontes de energia limpa, como os moinhos de vento, por exemplo.
Acontece que a levedura alimentada com acetato produz aproximadamente a mesma quantidade de vitamina B9 que as que comem açúcar.
Apenas 6 gramas, ou 0,4 colher de sopa, da levedura seca colhida satisfazem as necessidades diárias de vitamina B9. Os níveis de vitamina foram medidos por uma equipa liderada pelo coautor Michael Rychlik da Universidade Técnica de Munique, na Alemanha.
Relativamente às proteínas, os investigadores descobriram que os níveis da sua levedura excedem os da carne de vaca, porco, peixe e lentilhas.
Oitenta e cinco gramas, ou 6 colheres de sopa, de levedura fornecem 61% das necessidades diárias de proteínas, enquanto a carne de vaca, de porco, de peixe e as lentilhas satisfazem 34%, 25%, 38% e 38% das necessidades, respetivamente.
No entanto, a levedura deve ser tratada para eliminar compostos que podem aumentar o risco de gota se consumidos em excesso. Mesmo assim, a levedura tratada ainda satisfaz 41% das necessidades diárias de proteína, comparável às fontes de proteína tradicionais.
Esta tecnologia tem como objetivo dar resposta a vários desafios globais: conservação do ambiente, segurança alimentar e saúde pública.
Funcionando com energia limpa e CO2, o sistema reduz as emissões de carbono na produção de alimentos. Desvincula a utilização do solo da agricultura, libertando espaço para a conservação. Angenent sublinha também que o sistema não irá competir com os agricultores.
Em vez disso, a tecnologia ajudará a concentrar os agricultores na produção de legumes e culturas sustentáveis. A levedura da equipa pode também ajudar os países em desenvolvimento a ultrapassar a escassez de alimentos e as deficiências nutricionais, fornecendo proteínas e vitamina B9.
Mas antes de se pegar na levedura da equipa de investigação num corredor de supermercado como alternativa às proteínas, Angenent diz que há muito mais a fazer.
A equipa planeia otimizar e aumentar a produção, investigar a segurança alimentar, realizar análises técnicas e económicas e avaliar o interesse do mercado.
“O facto de podermos produzir vitaminas e proteínas ao mesmo tempo, a uma taxa de produção bastante elevada, sem utilizar qualquer terra, é empolgante”, afirma Angenent. “O produto final é vegetariano/vegan, não-OGM e sustentável, o que pode atrair os consumidores.”
Fonte: Greensavers - sapo
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