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A eficiência no setor alimentar deixou há muito de se medir apenas pela capacidade de produzir mais em menos tempo. Num contexto marcado por exigências regulamentares crescentes, pressão sobre custos operacionais, escassez de recursos humanos qualificados e maior escrutínio por parte das autoridades de controlo oficial e dos consumidores, a eficiência passou a estar diretamente associada à segurança dos processos, à otimização dos recursos e à sustentabilidade operacional.

Neste enquadramento, a higienização assume um papel central. Longe de ser apenas uma tarefa operacional, constitui simultaneamente um pré-requisito fundamental dos sistemas baseados nos princípios do HACCP, um requisito legal obrigatório e um dos fatores com maior impacto direto na segurança dos alimentos, na continuidade operacional e na produtividade das unidades alimentares.

Higienização: um desafio estrutural para a eficiência alimentar

As operações de higienização, que englobam a limpeza e a desinfeção de instalações, equipamentos, utensílios e superfícies que entram em contacto com os alimentos, representam um dos maiores desafios operacionais no setor alimentar. Quando estes processos são planeados ou controlados de forma incorreta, tornam-se uma fonte recorrente de ineficiência, traduzindo-se em paragens prolongadas, desperdício de água e produtos químicos, aumento do consumo energético e maior risco de contaminações cruzadas.

Por outro lado, quando estas operações estão corretamente estruturadas e integradas nos sistemas de gestão da segurança dos alimentos, as operações de higienização garantem a produção de alimentos seguros e tornam-se um verdadeiro instrumento de melhoria contínua, contribuindo para a estabilidade dos processos e para a valorização operacional das organizações.

A complexidade e a frequência destas tarefas exigem um planeamento rigoroso, baseado na análise de risco, na definição clara de responsabilidades e na verificação sistemática da sua execução. É precisamente neste ponto que a tecnologia tem vindo a assumir um papel cada vez mais relevante.

Digitalização como ferramenta de planeamento e controlo operacional

Nas últimas décadas, a transformação digital dos processos alimentares introduziu uma nova abordagem à gestão da higienização. Plataformas tecnológicas como a SARA HACCP permitem reorganizar o planeamento, a execução e a verificação das operações de limpeza e desinfeção, integrando-as diretamente nas rotinas diárias dos operadores do setor alimentar, promovendo um maior envolvimento das equipas operacionais e reforçando a consistência dos registos associados aos sistemas baseados nos princípios do HACCP.

A digitalização destes processos vai muito além do mero registo administrativo. O planeamento da higienização passa a assumir-se como um instrumento ativo de gestão e controlo operacional, permitindo definir rotinas com base na análise de risco, estabelecer cronogramas de execução, designar responsáveis e indicar os produtos de limpeza e desinfeção a utilizar, de acordo com parâmetros previamente definidos.

Com a plataforma SARA HACCP, os registos são efetuados digitalmente no momento da execução, incluindo data, hora, operador e eventuais observações ou não conformidades. Esta abordagem assegura uma rastreabilidade integral, reduz omissões e facilita uma resposta rápida e fundamentada em auditorias internas ou externas. A emissão de alertas automáticos para higienizações pendentes, revisões periódicas ou falhas na verificação contribui para minimizar esquecimentos e reforçar a conformidade regulamentar de forma contínua.

Impacto direto na segurança dos alimentos

Um processo de higienização eficaz constitui um dos pilares da prevenção de perigos biológicos, químicos e físicos no setor alimentar. Ao garantir uma limpeza e desinfeção adequada das superfícies e equipamentos, previne-se a formação de biofilmes e a proliferação de microrganismos patogénicos, protegendo a integridade e a qualidade dos alimentos.

A utilização de plataformas digitais como a SARA HACCP permite ainda centralizar a informação relativa aos procedimentos de higienização juntamente com outros parâmetros críticos de controlo, como registos de temperatura, monitorização de pragas ou ocorrências operacionais, proporcionando uma visão integrada do estado higio-sanitário das instalações. Desta forma, a higienização deixa de ser encarada como uma tarefa isolada e passa a integrar um sistema coerente de prevenção, controlo e acompanhamento contínuo.

Padronização, evidência e fiabilidade do sistema HACCP

Outro benefício relevante da digitalização prende-se com a padronização dos procedimentos. Em ambientes caracterizados por elevada rotatividade de pessoal e diversidade de equipamentos, a consistência das práticas de higienização é frequentemente difícil de assegurar. O planeamento digital dos métodos e instruções reduz a variabilidade da execução e promove a repetibilidade das operações.

Todos os registos ficam armazenados de forma segura e acessível, constituindo uma evidência documental robusta para auditorias, inspeções e processos de certificação. Esta fiabilidade documental é um elemento crítico para a manutenção e credibilidade dos sistemas baseados nos princípios do HACCP, reforçando a confiança das entidades certificadoras, das autoridades competentes, dos clientes e dos consumidores.

Tecnologia e fator humano: uma relação indissociável

Apesar dos ganhos proporcionados pela tecnologia, importa sublinhar que nenhum sistema é eficaz sem o envolvimento das pessoas que operam no terreno. A implementação de plataformas como a SARA HACCP deve ser acompanhada por programas de formação adequados e por uma cultura organizacional sólida, assente na segurança e na higiene alimentar.

Quando as equipas operacionais compreendem a lógica subjacente ao planeamento da higienização e reconhecem o seu impacto na segurança dos alimentos e na eficiência operacional, a adesão torna-se natural e os resultados mais consistentes. A combinação entre tecnologia e compromisso humano contribui para ambientes de trabalho mais previsíveis, controlados e seguros.

Planeamento da higienização como estratégia de gestão

A transformação digital aplicada aos procedimentos de higienização representa um avanço significativo para o setor alimentar. Num mercado altamente regulado e competitivo, investir em sistemas de planeamento como a SARA HACCP não é apenas uma opção tecnológica, mas uma estratégia de gestão orientada para a eficiência, a segurança e a sustentabilidade das operações.

Ao estruturar e controlar um dos pré-requisitos mais críticos do sistema HACCP, os processos de higienização deixam de ser percebidos como uma interrupção produtiva e passam a assumir-se como um fator de valor acrescentado, essencial à produção de alimentos seguros e à preparação das organizações alimentares para os desafios futuros.

Fonte: iAlimentar

O Dia Mundial do Queijo, assinalado a 20 de janeiro, volta a destacar a relevância cultural, económica e gastronómica de um dos alimentos mais apreciados globalmente. 

De Trás‑os‑Montes ao Alentejo, passando pela Serra da Estrela, Beira Baixa e Açores, o país distingue‑se pela riqueza de queijos com Denominação de Origem Protegida (DOP) e por um setor que combina tradição, inovação e forte ligação ao território.

Com mais de uma dezena de queijos DOP reconhecidos pela União Europeia, Portugal destaca‑se pela preservação de métodos artesanais, muitos deles transmitidos entre gerações, e pela crescente aposta na certificação, rastreabilidade e segurança alimentar — fatores essenciais para reforçar a competitividade do setor no mercado interno e internacional.

Nos últimos anos, produtores, cooperativas e entidades do setor têm investido em práticas mais sustentáveis, melhoria das condições de produção e valorização da pecuária local, contribuindo para a dinamização económica das regiões rurais e para a proteção de raças autóctones, como a ovelha Bordaleira da Serra da Estrela ou a cabra Serrana.

Para assinalar a data, várias regiões promovem iniciativas dedicadas à divulgação dos seus queijos tradicionais, incluindo degustações, visitas a queijarias, ações de formação e campanhas de sensibilização sobre a importância da certificação e da produção responsável.

O Dia Mundial do Queijo representa, assim, uma oportunidade para reforçar o reconhecimento dos produtores portugueses, promover o consumo informado e celebrar um património gastronómico que continua a afirmar Portugal no panorama internacional.

Fonte: Qualfood

Como produzir embalagens alimentares sem plástico, reduzir o uso de conservantes e, ao mesmo tempo, valorizar subprodutos alimentares até agora desperdiçados?

Um projeto europeu liderado pelo Centro de Biotecnologia e Química Fina, integrado na Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa, está a dar resposta a estes desafios, aliando inovação científica, sustentabilidade e impacto industrial.

A investigação desenvolvida no Porto poderá contribuir para uma verdadeira revolução no setor das embalagens nos próximos dois anos.

Fonte: Jornal de Notícias

Num contexto internacional marcado pela intensificação da concorrência geopolítica, pelas tensões comerciais e pela disputa pela liderança tecnológica, a Europa procura novas formas de afirmar a sua relevância económica e simbólica. É neste enquadramento que surge a proposta “Made in Europe”, um selo de qualidade e confiança concebido pelo think tank 21st Europe, com o objetivo de elevar a marca Europa junto dos consumidores e mercados globais.

A iniciativa parte da premissa de que a estrutura regulatória europeia — frequentemente percecionada como um entrave competitivo — pode, na realidade, constituir uma vantagem estratégica, ao assegurar elevados padrões de transparência, segurança e proteção do consumidor.

 Regulação como vantagem competitiva

Segundo o 21st Europe, o selo “Made in Europe” pretende ir além da simples indicação de origem geográfica. A proposta assenta na ideia de converter regulação, confiança e transparência em forças económicas, permitindo à Europa competir não em escala ou volume, mas em credibilidade. “‘Made in Europe’ consiste em transformar esses padrões em estratégia, utilizando a regulação como ativo económico”, defende o think tank, sublinhando que, num mundo onde as fronteiras entre o físico e o digital são cada vez mais difusas, a confiança tende a tornar-se um fator decisivo de escolha.

Um dos pilares da proposta é a ligação do selo ao Passaporte Digital do Produto, um registo digital que será obrigatório para todos os produtos vendidos na União Europeia a partir de 2030. Este passaporte reunirá informação verificável sobre origem, sustentabilidade, impacto ambiental e desempenho, integrando a rastreabilidade diretamente no produto.

Desta forma, o cumprimento normativo deixa de ser um processo invisível para se transformar num sistema vivo de confiança, acessível ao consumidor no momento da decisão de compra.

 Mais do que o local de produção

Embora comparável à marcação CE — que atesta o cumprimento de normas europeias de saúde, segurança e ambiente — o selo “Made in Europe” terá um alcance mais amplo. Para o utilizar, um produto ou serviço deverá criar a maior parte do seu valor na Europa, refletindo não apenas onde é fabricado, mas como é concebido, produzido e distribuído.

O selo comunicaria quatro atributos centrais: durabilidade e circularidade, refletindo uma filosofia de design orientada para a longevidade e não para ciclos curtos de consumo; transparência, através de um histórico verificável do produto, da sua origem ao seu impacto; segurança, enquanto garantia de alinhamento com os padrões europeus de privacidade, fiabilidade e proteção; e justiça, associada à criação e partilha de valor, responsabilidade social e compromisso com pessoas, comunidades e o planeta.

Fonte: Grande Consumo

O deputado único do JPP na Assembleia da República, Filipe Sousa, defendeu que a aguardente utilizada na produção do Vinho do Porto e do Moscatel do Douro seja exclusiva das uvas cultivadas na região demarcada.

Em declarações aos jornalistas no final de um almoço com produtores da Região Demarcada do Douro, realizado em Lamego (distrito de Viseu), o deputado do Juntos Pelo Povo (JPP) disse que essa é uma forma de valorizar a produção local e garantir preços mais compensadores.

Neste âmbito, vai apresentar um projeto de lei que será discutido na Assembleia da República no dia 30.

Filipe Sousa contou ter ficado perplexo quando soube que, na Região Demarcada do Douro, dois terços das uvas usadas no vinho são oriundas do estrangeiro e decidiu avançar com uma iniciativa que vá ao encontro dos interesses “da grande maioria dos agricultores”.

No almoço estava Arlindo Castro, que foi exportador durante 35 anos e sublinhou a importância de o produto nacional ser mais valorizado.

“O vinho do Porto é um bem de luxo, deve ser assim classificado, e, como tal, deve ser rarefeita a sua oferta. Com este projeto que o JPP apresentou haverá uma rarefação de oferta de vinhos do Douro na sua globalidade de 40%, o que permitirá voltar a limitar a oferta e assim conseguirmos melhores preços, tanto para o comércio, como para os produtores”, explicou.

Na sua opinião, “os stocks serão obrigatoriamente valorizados”, uma vez que, ao subir o preço da matéria-prima, o preço de venda também subirá.

“Todos os stocks na posse dos operadores serão revalorizados imediatamente. A única questão que existe é a do crescimento do preço do vinho do Porto”, considerou Arlindo Castro, acrescentando que, segundo um estudo, “esse reflexo será de um euro por garrafa”.

No seu entender, “parece um bocado ridículo considerar que isso seja um óbice tão relevante para que não seja implementada esta medida que o JPP propõe”.

José Manuel Santos, viticultor de Lamego e dirigente associativo do setor, mostrou-se revoltado com a perda de rendimento “ano após ano”.

“É preciso fazer alguma coisa de fundo, estrutural, e o caminho é que toda a matéria-prima que é necessária para o Vinho do Porto, e não só, seja oriunda da região. Os lavradores ficavam descansados, porque tudo aquilo que produziam era vendido”, frisou.

Fonte: Agroportal

O Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos da América apresentou uma nova pirâmide alimentar que coloca as proteínas animais, os lacticínios e as gorduras naturais na base das recomendações nutricionais, reduzindo o peso dos cereais e dos hidratos de carbono refinados.

Esta atualização foi recebida com agrado pela Associação Portuguesa dos Industriais de Carnes (APIC), pois, considera, vem confirmar o papel essencial das proteínas animais numa alimentação equilibrada e representa uma mudança estrutural face às orientações seguidas nas últimas décadas.

Conhecida como 'The New Pyramid', a nova estrutura alimentar, divulgada na plataforma oficial realfood.gov, inverte o modelo tradicional ao valorizar alimentos minimamente processados e densos em nutrientes. Carne, peixe, produtos de origem animal, lacticínios e gorduras naturais passam a assumir um lugar central, a par de frutas e vegetais, enquanto os grãos são remetidos para uma porção significativamente mais reduzida.

Leitura do setor das carnes

Para a APIC, a nova pirâmide constitui uma validação do valor nutricional das carnes e produtos de origem animal. A associação sublinha que a produção portuguesa segue elevados padrões de qualidade, segurança alimentar e bem-estar animal, alinhando-se com os princípios agora consagrados.

A APIC lembrou ainda que esta posição oficial dos Estados Unidos reforça a mensagem que tem vindo a defender junto das autoridades nacionais e europeias, encarando-a como uma oportunidade para contribuir para futuras revisões das recomendações nutricionais, com base científica e numa abordagem equilibrada ao consumo de carne.

Base científica e foco na saúde

De acordo com a informação divulgada, a revisão das diretrizes assenta em evidência científica recente que reconhece a importância das proteínas animais de alta qualidade para a saúde muscular, metabólica, hormonal e imunológica. As gorduras naturais são igualmente destacadas pelo seu contributo para a absorção de nutrientes e para o bem-estar geral.

As novas orientações promovem ainda o conceito de “real food”, defendendo o consumo de alimentos integrais e o afastamento de produtos ultraprocessados, açúcares adicionados e óleos industriais, associados ao aumento de doenças crónicas.

Recomendações alimentares

A nova pirâmide define um objetivo diário de ingestão de proteína entre 1,2 e 1,6 gramas por quilograma de peso corporal. No que respeita aos vegetais e à fruta, são recomendadas três porções diárias de legumes e duas de fruta, privilegiando diversidade, cor e frescura. Os cereais integrais mantêm-se nas recomendações, com duas a quatro porções por dia, sendo desencorajado o consumo de hidratos de carbono altamente refinados.
Fonte: iAlimentar

A Lipor e a Novo Verde implementaram um sistema de Inteligência Artificial que permite analisar, em tempo real, os resíduos processados na Unidade de Triagem Automática de Embalagens da Lipor, aumentando o controlo sobre a qualidade dos materiais e a eficiência da operação. A solução resulta de uma parceria com a tecnológica Greyparrot e surge num contexto de maior exigência das metas europeias de reciclagem até 2030.

Segundo um comunicado da Lipor, a tecnologia responde à necessidade de conhecer com maior detalhe a composição dos resíduos, em particular das embalagens plásticas e metálicas, que apresentam frequentemente níveis elevados de contaminação.

Até agora, essa caracterização era feita através de amostragens manuais realizadas apenas duas vezes por ano, representando menos de 1% do material tratado. Com a instalação do sistema Greyparrot Analyzer no tapete de alimentação da linha de triagem, a análise passou a ser contínua e a abranger a totalidade do fluxo processado, recorrendo a visão computacional para recolher dados precisos e permanentes. O sistema Greyparrot Analyzer foi financiado pela Novo Verde como forma de promoção da Inovação e da Investigação & Desenvolvimento.

Informação para melhorar a recolha e o produto final

O sistema permite analisar de forma detalhada os resíduos provenientes dos oito municípios associados da Lipor, identificando não conformidades e contaminantes por circuito e sistema de recolha. Esta informação é partilhada com os municípios, possibilitando correções a montante e contribuindo para reduzir a entrada de materiais impróprios na unidade. 

Ao identificar com maior rigor o material que entra na linha de triagem, a tecnologia contribui também para diminuir rejeições e melhorar a consistência e a qualidade do produto final, fatores relevantes para a valorização e comercialização dos recicláveis.

Dados operacionais ao serviço da eficiência

Para além da caracterização dos resíduos, o sistema recolhe informação operacional sobre o funcionamento da linha, como paragens, períodos de inatividade e equilíbrio do caudal. Estes dados apoiam a afinação do processo e permitem uma gestão mais informada da operação. 

De acordo com a informação divulgada, os indicadores obtidos reforçam a eficiência global da unidade e contribuem para uma operação mais estável e sustentável, demonstrando o papel da Inteligência Artificial na modernização dos processos de triagem.

Fonte: iAlimentar

Um estudo global de grande escala, que analisou dados de 60 anos relativos a 205 países e regiões, revelou falhas significativas na forma como as principais culturas alimentares do mundo utilizam os nutrientes aplicados sob a forma de fertilizantes. A investigação, liderada pela Academia Chinesa de Ciências (CAS), centrou-se em quatro culturas básicas da alimentação humana — arroz, trigo, milho e soja — e concluiu que, apesar do forte aumento no uso de fertilizantes, a eficiência de utilização do azoto e do fósforo continua alarmantemente baixa.

De acordo com os investigadores, a eficiência de utilização do azoto (NUE) e do fósforo (PUE) mantém-se em níveis críticos. O estudo identifica contrastes marcados entre culturas e regiões: enquanto o arroz em regiões tropicais e o trigo em zonas temperadas apresentam níveis relativamente mais elevados de eficiência, a produção de milho em grandes potências agrícolas, como os Estados Unidos e a China, segue um padrão preocupante de “elevados inputs e baixa utilização”.

Um dos dados mais relevantes é que a eficiência do uso do fósforo em todas as quatro culturas analisadas fica abaixo dos 50%. Isto significa que grande parte do fósforo aplicado não é absorvido pelas plantas, obrigando as culturas a recorrerem às reservas naturais do solo, com potenciais impactos negativos na sustentabilidade dos sistemas agrícolas a longo prazo.

Para ultrapassar estes bloqueios estruturais, o estudo propõe a criação de um “atlas global da eficiência dos nutrientes” e apresenta um modelo de otimização em três níveis — cultura, região e tecnologia. Em vez de se limitar a ajustes nas práticas de fertilização, a investigação defende uma reorganização profunda dos agroecossistemas, alinhando de forma mais inteligente as culturas com as condições climáticas e os tipos de solo específicos.

Entre as soluções sugeridas estão a fertilização de precisão em zonas onde a eficiência é particularmente baixa e a priorização de recursos de gestão em áreas consideradas “sumidouros de eficiência”. Os autores defendem ainda a integração de tecnologias avançadas, como variedades de culturas com maior eficiência no uso de nutrientes, mobilização reduzida do solo e microrganismos funcionais, em pacotes de gestão agrícola mais completos.

Segundo os investigadores, esta abordagem integrada poderá permitir à agricultura mundial quebrar o ciclo de desperdício de fertilizantes, reduzir impactos ambientais e avançar para um modelo mais verde e sustentável. Mais informações estão disponíveis na notícia publicada em CAS Newsroom.

Fonte: Centro de informação de Biotecnologia

Uma equipa internacional de investigadores desenvolveu uma tecnologia que permite a plantas herbáceas, incluindo o milho, funcionarem como biossensores vivos, capazes de detetar quantidades mínimas de químicos diretamente no terreno.

O trabalho resulta de uma colaboração entre o Donald Danforth Plant Science Center, a Universidade da Flórida e a Universidade do Iowa, com os investigadores a conseguirem desenvolver plantas que produzem um pigmento roxo visível, a antocianina, sempre que são expostas a determinados estímulos químicos. Esta alteração de cor funciona como um sinal de alerta, indicando a presença de contaminação, deriva química ou outras.

Os cientistas adaptaram um circuito genético ativado por estímulos específicos que desencadeia o próprio mecanismo natural da planta responsável pela produção de antocianinas. O sistema foi testado com sucesso numa gramínea modelo, abrindo caminho à sua aplicação em culturas como o milho.

Entre os principais avanços estão a identificação de fatores genéticos capazes de ativar a produção do pigmento, a demonstração do funcionamento do sistema em plantas inteiras e o desenvolvimento de técnicas de imagem hiperespectral, que permitem detetar estas mudanças de cor à distância, sem danificar as plantas.

Ao contrário de estudos anteriores, centrados sobretudo em plantas dicotiledóneas usadas em laboratório, este avanço aplica-se a gramíneas, que estão na base da produção mundial de cereais, enfatizaram os cientistas.

Os responsáveis pelo estudo avançaram que este trabalho representa um passo decisivo para o desenvolvimento de sistemas de monitorização baseados em plantas, capazes de detetar contaminação, exposição química ou outros fatores ambientais que influenciam o rendimento agrícola. 

Na sua ótica, à medida que estas ferramentas se tornam mais sofisticadas, a capacidade das próprias plantas “reportarem” os seus fatores de stress poderá transformar a gestão agrícola e reforçar a resiliência dos sistemas de produção.

Fonte: Vida Rural

Há cada vez mais jovens a produzir fumeiro no concelho de Montalegre, através de um equilíbrio entre a tradição e a inovação, facto que “tranquiliza” a autarquia transmontana às portas de mais uma Feira do Fumeiro.

Na Aldeia Nova do Barroso, a família Costa prepara a 35.ª Feira do Fumeiro de Montalegre, que decorre de 22 a 25 de janeiro, há vários meses.

Maria João Costa, de 24 anos, é a produtora mais nova desta edição e, pela primeira vez, terá um ‘stand’ com o seu nome, apesar de marcar presença no certame desde o primeiro ano de vida.

Licenciada em Gestão, a jovem concilia o mestrado em Administração Pública e o trabalho como técnica superior com a produção de fumeiro.

“É um negócio que vem de geração em geração, a minha avó já fazia [fumeiro], as minhas tias e a minha mãe também fazem, e eu acho que esta tradição não deve ficar por aqui, até porque é das melhores coisas que temos no Norte”, reiterou, em declarações à Lusa.

Maria João apenas vê benefícios neste trabalho e, embora “na qualidade” não acrescente nada, acredita que os jovens podem ajudar a expandir o negócio, sobretudo a nível ‘online’.

“Podemos inovar, podemos ajudar os mais antigos a não desistirem, porque sentem algumas dificuldades com a evolução tecnológica. Podemos ajudá-los e expandir o negócio de outra maneira, ir para outras vertentes”, defendeu.

Com cerca de 30 porcos destinados ao fumeiro e outros derivados, além de 200 sêmeas, pão usado na confeção das alheiras e unidade de medida usada pelos produtores, Maria João entra agora numa fase crítica, que concilia com os estudos para os exames.

“É uma altura de muito trabalho, muito ‘stress’, porque queremos levar tudo nas melhores condições possíveis. Não usamos corantes nem conservantes, portanto [há] um trabalho acrescido nesta parte de secar bem, para não ganhar bolor, limpar, levar tudo ao pormenor”, assegurou.

Ali ao lado, a tia mais velha e “capataz”, Joaquina Costa, de 63 anos, faz uma pausa na azáfama que lhe tem ocupado os dias e roubado algumas noites de sono desde setembro.

“Fui eu que comecei e levei a família toda atrás de mim. Só fizeram [a Feira do Fumeiro de Montalegre] dois anos sem eu lá andar, já a faço há 33. Só a minha família tem nove ‘stands’”, destacou.

Joaquina começou por ajudar a mãe, aos 14 anos, a criar e transformar “dois ou três porquinhos”. Atualmente, transforma cerca de 10 animais para cada certame da região, o que equivale a cerca de 50 quilos de enchidos e outros derivados.

“Agora [temos] muito mais encomendas, já temos conhecimento, aqueles clientes certinhos, de há muitos anos, que vêm buscar aos quilos. Já não é como dantes, que se vendia uma chouriça aqui, outra ali”, explicou.

Quanto ao futuro, e apesar da falta de mão de obra “de fora”, a produtora mostrou-se orgulhosa por ver os sobrinhos e o filho a dar continuidade à sua “paixão” pelo fumeiro.

“A nossa gente acho que vai [continuar]. Já estamos a meter outras pessoas [da família] para irmos explicando [como se faz], [porque] a minha mãe também explicou [a mim e às minhas irmãs] para, depois, ensinarmos aos nossos filhos como [devem] fazer”, concluiu.

O concelho de Montalegre, no distrito de Vila Real, tem 50 produtores de fumeiro, entre os quais figuram cada vez mais jovens, facto que “tranquiliza, de algum modo”, a autarquia transmontana.

“É sinal que os jovens percebem que está aqui uma atividade que dá muito trabalho, com toda a certeza, que é dura, mas que também lhes permite ter um rendimento muito significativo para o ano”, reiterou a presidente do município de Montalegre, Fátima Fernandes.

Segundo a autarca, o concelho conta com mais de 15 milhões de euros em apoios do Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas (IFAP), distribuídos por cerca de 2.400 explorações agrícolas.

“Somos um território resiliente, que se afirma por manter a tradição com inovação. Apostamos naquilo que é genuíno, autêntico e, sobretudo, nesta gente que aprimorou esta sabedoria, [agora] aliada [à] modernidade. [Temos] muita gente jovem que marca presença na [Feira do Fumeiro de Montalegre], felizmente, e que imprime [uma] dinâmica, uma visão mais fresca, diferente [ao fumeiro]”, destacou.

Fonte: Agroportal