O Sistema de Alerta Rápido para Géneros Alimentícios e Alimentos para Animais (RASFF) emitiu uma notificação de segurança alimentar após a deteção de fragmentos de vidro em duas embalagens de filetes de pescada congelados, produzidos em Portugal e destinados ao mercado europeu.
Segundo a informação divulgada pelas autoridades competentes, o problema foi identificado durante um controlo oficial de rotina realizado no país de destino. Os fragmentos, de pequenas dimensões mas potencialmente perigosos, foram encontrados no interior das embalagens, levando à ativação imediata do alerta e à recomendação de retirada do lote afetado da cadeia de distribuição.
As autoridades portuguesas já foram notificadas e encontram‑se a colaborar com os serviços europeus para identificar a origem da contaminação e garantir que o incidente permanece circunscrito ao lote em causa. A empresa responsável pela produção está igualmente a realizar uma avaliação interna dos seus processos de segurança e qualidade.
Até ao momento, não foram reportados casos de consumidores afetados, mas o RASFF classifica o risco como sério devido ao potencial de lesões físicas associadas à ingestão de corpos estranhos.
O alerta reforça a importância dos mecanismos de controlo e da cooperação entre Estados‑Membros para garantir a segurança dos alimentos que circulam no mercado europeu.
Fonte: Qualfood
Em um novo artigo publicado no International Journal of Food Microbiology , pesquisadores do Instituto Norueguês de Pesquisa em Alimentos, Pesca e Aquicultura (Nofima) relataram um processo bem-sucedido de "Buscar e Destruir" realizado por um produtor de salmão defumado envolvido em um surto de listeriose. O artigo descreve como a empresa identificou a fonte da contaminação e controlou a Listeria monocytogenes em suas instalações, além de destacar as principais lições para o setor.
Fonte: Food Safety Magazine
Investigadores chineses identificam mecanismo genético que permite desenvolver variedades de soja mais resistentes a solos salinos. Este é um desafio crescente para a agricultura em muitas regiões do mundo.
Uma equipa de investigadores na China conseguiu identificar um mecanismo genético chave que aumenta a tolerância da soja a elevados níveis de salinidade. O estudo incidiu sobre a soja selvagem (Glycine soja) e foi publicado na revista científica Plant Physiology and Biochemistry.
A investigação centrou-se no fator de transcrição GsWRKY23, que regula a ativação de um gene downstream, GsPER3, desempenhando um papel fundamental na resposta das plantas ao stress salino. O gene GsPER3 está envolvido no controlo das espécies reativas de oxigénio produzidas durante situações de stress ambiental, ajudando a proteger as células vegetais.
Os investigadores da Universidade Agrícola de Nanjing e da Universidade Agrícola de Xinjiang demonstraram que o GsWRKY23 ativa diretamente o gene GsPER3 ao ligar-se a uma região específica do seu promotor. Através de técnicas de edição genética, verificou-se que plantas com sobre-expressão de GsWRKY23 apresentavam níveis mais elevados de expressão de GsPER3 e maior atividade de peroxidase (POD), uma enzima associada à defesa antioxidante. Em contraste, plantas com expressão reduzida de GsPER3 mostraram uma resposta oposta.
Os resultados revelam que a ativação de GsPER3 melhora significativamente a tolerância à salinidade. As plantas modificadas apresentaram maior peso, melhor retenção de água nas folhas e menores níveis de danos celulares, avaliados através da redução da fuga eletrolítica e do teor de malondialdeído em raízes e folhas.
Segundo os autores, estes resultados demonstram o potencial da edição genética para desenvolver variedades de soja mais resilientes, capazes de crescer em solos salinos, um desafio crescente para a agricultura em muitas regiões do mundo.
Fonte: CiB
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), realizou nas últimas semanas, uma operação de fiscalização através da Brigada Especializada de Vinhos e Produtos Vitivinícolas da Unidade Regional do Centro, direcionada à verificação do cumprimento das regras na distribuição e posterior comercialização de produtos vitivinícolas, no distrito de Viseu.
Durante a ação de inspeção, procedeu-se à apreensão de aproximadamente 21.130 litros de vinho engarrafado e prontos para serem introduzidos no consumo, dos quais, 11.450 litros de vinho branco e 9.680 litros de vinho tinto, em claro incumprimento da legislação aplicável.
Foram instaurados dois processos de contraordenação, por incumprimento das regras das menções obrigatórias na rotulagem de vinhos e falta de comunicação prévia dos rótulos ao Instituto da Vinha e do Vinho.
A falta de rotulagem impede a identificação adequada do produto, o que configura uma violação das exigências legais em vigor e uma prática fraudulenta, na medida em que induz em erro o consumidor, permitindo ao agente económico comercializar o produto com características
falsas ou manipuladas, resultando em lucros indevidos e fomentando uma concorrência desleal no mercado.
Fonte: ASAE
A crescente consciência ambiental está a transformar o setor vitivinícola português.
Mais do que práticas sustentáveis, importa que as empresas comuniquem as suas ações ambientais com clareza e credibilidade.
Rótulos “verdes” e certificações ambientais influenciam as decisões de compra dos consumidores de vinho.
O despertar “verde” no setor vitivinícola
O green marketing é cada vez mais uma peça-chave para o futuro do setor agrícola e vitivinícola.
Mais do que uma tendência, trata-se de uma forma de agir e comunicar, valorizando práticas sustentáveis, desde a vinha até ao consumidor final.
Ao reduzir o impacte ambiental da produção, apostar em embalagens ecológicas e transmitir de forma transparente o compromisso com a natureza, as empresas não só conquistam a confiança dos consumidores como também se diferenciam num mercado competitivo.
No caso do vinho, o green marketing reforça a ligação entre tradição e inovação, mostrando que é possível produzir com qualidade e, ao mesmo tempo, respeitar o ambiente.
Neste contexto, e para compreender esta dinâmica “verde” no mercado português, foi realizado um trabalho académico que teve por base um inquérito aplicado a uma amostra de 212 consumidores de vinho em Portugal, entre maio e junho deste ano.
O objetivo do trabalho foi conhecer e avaliar a perceção dos consumidores de vinho sobre a comunicação das ações ambientais pelas empresas vitivinícolas, com especial atenção aos elementos presentes nos rótulos.
Para ilustrar e contextualizar esta investigação, a empresa Esporão foi utilizada como um caso de estudo, reconhecida pela sua liderança em sustentabilidade no setor vitivinícola nacional.
O Esporão destaca-se pela integração estratégica de práticas sustentáveis – como a agricultura biológica em mais de 98% das suas áreas de produção, a conservação da biodiversidade e a utilização de garrafas mais leves e materiais recicláveis nas embalagens – e pela comunicação consistente dessas ações através dos seus produtos e canais, incluindo os rótulos.
Aceda aqui ao estudo realizado.
Fonte: Agroportal
Estão abertas as inscrições para as Centrais de Armazenamento e Embalamento (CAE) que pretendam exportar, durante a campanha 2026/2027, os frutos abaixo indicados, para os países terceiros referidos.
As CAE devem assegurar o cumprimento dos requisitos definidos nos Planos de Monitorização de Pragas das Unidades de Produção e nos Manuais de Procedimentos das Centrais, disponíveis para consulta aqui.
Planos de Trabalho acordados para exportação
Inscrições:
Procedimentos a cumprir pelas CAE:
Fonte: DGAV
A União Europeia (UE) lançou o RecFishing, uma solução digital para simplificar e racionalizar a recolha de dados sobre as capturas da pesca recreativa em todas as zonas marinhas da UE. Esta iniciativa contribuirá para “melhorar a nossa compreensão colectiva das actividades de pesca e para promover a gestão sustentável das unidades populacionais de peixes”.
Com a introdução de novas medidas em Janeiro, “a plataforma RecFishing está pronta para transformar a forma como os dados são recolhidos e utilizados pelas 22 nações costeiras da UE. Ao simplificar a forma como as informações sobre as espécies e as unidades populacionais de peixes são recolhidas, esta nova plataforma ajudará as autoridades a tomar decisões mais informadas, assegurando a saúde e a longevidade dos ecossistemas marinhos”, avança uma nota da Comissão Europeia.
Fornecerá igualmente aos cientistas “dados sólidos, melhorando a sua capacidade de monitorizar os níveis das unidades populacionais de peixes e impulsionando iniciativas de apoio à utilização sustentável dos recursos marinhos. A plataforma servirá como um instrumento importante para promover a responsabilização e a inovação nas práticas de pesca recreativa”.
“A pesca recreativa faz parte do compromisso da UE de promover a gestão ambiental e garantir um futuro próspero tanto para os nossos oceanos como para as comunidades que deles dependem”, reforça a mesma nota.
Mais informações sobre esta nova plataforma digital aqui.
Fonte: Agricultura e Mar
Em Portugal, o setor agrícola é responsável por 75% do total de água utilizada, um número que contrasta com a média da União Europeia (24%) e chega a ser superior à média mundial (69%), estando no entanto alinhado com o de países mediterrânicos como a Espanha e a Grécia. Tal é explicado pela existência de regadio, em que a rega de culturas compensa o calor e a falta de chuva que caracterizam as estações quentes do ano.
Para aprofundar conhecimento sobre esta problemática, a Fundação Gulbenkian encomendou ao C-Lab o estudo “O Uso da Água em Portugal”, desenvolvido entre 2019 e 2020.
Fazer diferente e pensar a longo prazo é um desafio que compete a todos: agricultores, setor agrícola, indústria alimentar, grande distribuição e consumidor, que faz a escolha final.
O projeto Gulbenkian Água tem três áreas de atuação prioritárias:
Fonte: Fundação Calouste Gulbenkian
O micélio está a ganhar destaque no campo da biotecnologia não apenas como fonte de alimento, mas também como material sustentável para aplicações industriais e ecológicas.
Com propriedades únicas de crescimento, versatilidade e biodegradabilidade, o micélio está a emergir como uma das peças-chave para soluções que combinam inovação e sustentabilidade ambiental.
O micélio é a “raiz” dos fungos — uma rede de filamentos que cresce através de materiais orgânicos. Ao alimentar-se de resíduos agrícolas ou industriais (como serradura ou palha), estas redes naturais criam uma matriz sólida que pode ser moldada em materiais leves, resistentes e completamente biodegradáveis.
Este processo elimina a necessidade de químicos nocivos e consome muito menos energia do que a produção de muitos materiais convencionais, contribuindo para uma economia circular com menor impacto ambiental.
Principais aplicações do micélio na biotecnologia sustentável
Materiais de construção ecológicos
Materiais compósitos feitos a partir de micélio podem substituir isolamentos tradicionais e elementos estruturais na construção. São leves, funcionam como excelente isolante térmico e acústico e reduzem até 60 % das emissões de carbono incorporado em comparação com materiais convencionais.
Moda e têxteis sustentáveis
O micélio é usado para criar biotecidos semelhantes ao couro — biodegradáveis, com baixa pegada hídrica e sem químicos agressivos. Estes materiais podem ser usados em calçado, bolsas e acessórios, reduzindo drasticamente o impacto ambiental da indústria da moda.
Embalagens biodegradáveis
O micélio pode ser moldado em embalagens que se decompõem naturalmente em poucas semanas, sem libertar microplásticos ou resíduos tóxicos — uma alternativa aos plásticos derivados de petróleo.
Alimentos funcionais e proteínas alternativas
Projetos pioneiros estão a explorar o micélio como base de alimentos funcionais — ricos em nutrientes — oferecendo alternativas nutritivas às proteínas tradicionais. Este tipo de biotecnologia pode transformar resíduos em ingredientes alimentares sustentáveis.
Onde é que o micélio está a ser usado em biotecnologia em Portugal?
O potencial do micélio já está a ser explorado em várias frentes dentro do ecossistema tecnológico português:
Construção e materiais sustentáveis
Investigação alimentar e biotecnológica
Investigação académica & inovação proteica
Por que é que isto importa?
O micélio representa uma das fronteiras mais promissoras da biotecnologia aplicada à sustentabilidade. Ao transformar resíduos em materiais de alto valor acrescentado — desde isolamentos verdes até alimentos funcionais — esta solução biológica atribui um novo significado à expressão “circularidade industrial”.
Em Portugal, startups, projetos académicos e iniciativas financiadas já estão a demonstrar que a combinação de biotecnologia e economia circular pode gerar impacto ambiental real, inovação tecnológica e valor económico, abrindo caminho para um futuro mais sustentável e verde.
Fonte: CiB
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