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Governo vai alterar em 2025 a classificação do caroço de azeitona de resíduo para subproduto. Para já, em Portugal, os caroços servem só para estranhos campeonatos para ver quem os cospe mais longe.

Quando se olha para a imensidão de olivais modernos no Alentejo, só se pensa no azeite que podem produzir, cerca de 80% da produção nacional. Mas nem só de “ouro líquido” vive a produção olivícola. Da azeitona, depois de moída, centrifugada ou prensada, extrai-se, para além do azeite, água e um resíduo final composto de alguma polpa e casca (que são transformadas nas fábricas de bagaço de azeitona) e caroço. Muito caroço, centenas de milhares de toneladas. O que fazer com estes despojos que têm mercado e valor noutros países? Graça Carvalho, ministra do Ambiente, adiantou ao PÚBLICO que, no início de 2025, Portugal vai alterar a classificação do caroço de azeitona, passando de resíduo a subproduto, à “semelhança do que já acontece em Espanha”.

O resíduo de caroço de azeitona “representa 13% da sua massa total”, explicou ao PÚBLICO Susana Sassetti, directora executiva na Associação de Olivicultores e Lagares de Portugal (Olivum). E avança uma estimativa da produção na campanha em curso: se for alcançada, como se espera, uma recolha de 1,2 milhões de toneladas de azeitonas a nível nacional, “será obtida uma produção de 170 mil toneladas de azeite, e um volume de caroços que ficará pelas 156 mil toneladas”. Só nos concelhos da região Alentejo, com maior incidência em Beja, Ferreira do Alentejo e Serpa, concentram-se 60 lagares, onde estão acumuladas muitas dezenas de milhares de toneladas de caroços de azeitona.

Na deslocação que fez a um dos maiores lagares da região instalado nos arredores de Beja, no final de Novembro, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, deparou-se com uma imagem que a surpreendeu: “Fui confrontada com enormes montes de caroços de azeitona que pareciam dunas de areia.”

José Manuel Gonçalves, proprietário do lagar, comenta, em declarações ao PÚBLICO, a observação da ministra. “Temos muito caroço de azeitona em stock, mas não o conseguimos colocar no mercado porque é difícil vender o que é considerado um resíduo”, observa.

Este condicionalismo leva os interessados a adquiri-los em Espanha, onde o caroço de azeitona é considerado um subproduto. “Ninguém arrisca queimar um resíduo pelas consequências que daí podem advir” como infracção ambiental, salienta o empresário, realçando o seu elevado poder térmico. “É como queimar azinho”, compara.

Também Bruno Cantinho, director executivo na Olivogestão, empresa que lidera um lagar em Serpa, reconheceu ao PÚBLICO a existência de “grandes complicações em colocar no mercado o caroço de azeitona, que é excelente” para ser utilizado como biomassa, frisando que tanto em Espanha como em Itália é considerado um subproduto.

Na 11.ª edição das Olivum Talks, realizadas em Beja a 3 de Outubro, Sílvia Ricardo, directora do Departamento de Resíduos da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), admitiu que este organismo “não tinha forma de excluir o caroço de azeitona da condição de resíduo”, argumentando que “Portugal tem uma visão mais restritiva sobre o tema” e que a Comissão Europeia “fora omissa” nas respostas que deu sobre a classificação a dar.

Portugal: caroço passa de resíduo a subproduto

Graça Carvalho reagiu à indefinição referida por Sílvia Ricardo e, “em linha com a directiva europeia das energias renováveis”, adianta que Portugal vai alterar a classificação do caroço de azeitona, passando de resíduo a subproduto, à “semelhança do que já acontece em Espanha”, garantiu ao PÚBLICO a ministra do Ambiente e Energia.

A reclassificação assenta “numa lógica de promoção da economia circular e de promover ainda uma maior utilização de energias renováveis, nomeadamente da biomassa”, justifica a ministra. “Não o considerar como subproduto significa uma perda de competitividade para o nosso país e, principalmente, para a região do Baixo Alentejo”, acrescenta.

A classificação do caroço de azeitona derivado da extracção de azeite foi reivindicada pela Olivum, alegando que o seu "estatuto" de resíduo “acarreta grandes dificuldades na valorização comercial e impossibilita a sua exportação, quando existe uma procura mundial crescente pela sua capacidade calorífica”.

A ministra do Ambiente já accionou o processo para alterar esta classificação. “Trata-se de um processo rápido, devendo o mesmo estar concluído durante os primeiros meses de 2025." Assim, milhares de toneladas de caroço de azeitona que se têm acumulado junto aos lagares na região alentejana deixarão de ser uma dor de cabeça e poderão ser rentabilizadas como biomassa para a produção de energia térmica.

O negócio: desde a energia a almofadas e tijolos

O estudo A Actividade Internacional de Extracção de Caroço de Azeitona como Energia Limpa. Oferta, procura e efeitos económicos, sociais e ambientais. O caso particular de Espanha, da autoria da empresa de consultoria agrícola Juan Vilar Consultores Estratégicos, destaca a importância comercial deste subproduto.

Em Espanha, com mais de 2,7 milhões de hectares de cultivo de azeitona, são produzidos 6,2 milhões de toneladas de azeitona por campanha, que fornecem 450 mil toneladas de caroços, das quais 323,5 mil toneladas são comercializadas, enquanto o restante é consumido em lagares e fábricas de bagaço de azeitona como fonte de calor para processos de extracção, respectivamente, de azeite ou óleo.

O caroço da azeitona gera energia para abastecer mais de 100.000 lares espanhóis e a sua comercialização como biocombustível já dinamiza um negócio que supera os 50 milhões de euros por ano.

Este subproduto da azeitona não está a ser utilizado apenas na produção de energia. Serve para quase tudo. Para além da sua elevada capacidade calorífica pelas gorduras que lhe estão associadas, a empresa Charcolive de Córdoba enche travesseiros com caroços de azeitona pela melhor adaptação que possibilitam ao contorno da cabeça e pescoço.

É também aplicado na construção de edifícios. A utilização deste material permite não só reduzir a densidade dos materiais de construção, tornando-os mais leves, mas também melhorar o isolamento térmico e acústico. Em 2020, na cidade de Guichen, em França, foi inaugurado um campo de futebol feito com caroços de azeitona. A sua aplicação em pavimentos sintéticos não apresenta qualquer risco para a saúde e o ambiente, e não emite emissões tóxicas em caso de chuva ou fricção na pele do jogador.

O que fazer com milhares de toneladas de caroços de azeitona em Portugal? O destino muda em 2025
Investigadores da Universidade de La Rioja em Logroño, Espanha, já fabricam tijolos com caroços de azeitona para reduzir a pegada de carbono dos edifícios e o impacto ambiental da construção. E cientistas da Universidade de Granada concluíram que podem absorver metais pesados dissolvidos na água, ficando em condições de utilização como biocombustível sem afectar o ambiente com emanações tóxicas.

Fonte: Público

A União Europeia perde todos os anos cerca de mil milhões de toneladas de solo devido à erosão. O último relatório "O estado dos solos na Europa" revela que pelo menos 61% do solo europeu apresenta sinais preocupantes de degradação.

Os solos são o principal suporte e fonte de água e de nutrientes para as plantas e as árvores, condicionando o crescimento e produtividade agrícola e florestal em todo o planeta.

Na União Europeia (UE), a perda de carbono orgânico do solo afeta 48% dos solos, de acordo com o último relatório "O estado dos solos na Europa", desenvolvido em parceria pelo Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia e a Agência Europeia do Ambiente.

O documento, publicado em finais de outubro, emite vários sinais de alerta. O mais preocupante é que, pelo menos 61% do solo europeu apresenta sinais de degradação. E, mais grave, a qualidade dos solos está a perder-se a um ritmo mais elevado do que aquele que a natureza consegue repor.

perda potencial de biodiversidade dos solos na Europa está calculada em 37,5%, devido a múltiplos fatores de degradação, como a erosão, poluição, impermeabilização, perda de nutrientes ou a compactação e salinização.

Só a erosão, causada pela água em terras agrícolas, está quantificada em 32%, sendo uma das formas mais prevalentes de degradação do solo europeu.

Pese embora a informação já conhecida, os responsáveis do Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia e a Agência Europeia do Ambiente, que são os autores do relatório "O estado dos solos na Europa”, queixam-se da falta de dados para conhecer melhor a saúde dos solos, com vista a travar ou a reverter as pressões e agressões a que estão expostos.

Para a elaboração deste documento, os seus autores avaliaram 18 processos de degradação de solo, agrupados em nove temas: erosão, poluição, impermeabilização, perda de biodiversidade do solo, nutrientes, perda de solos orgânicos, perda de carbono orgânico no solo, compactação e salinização do solo.

Mil milhões de toneladas de solo perdido

Com base nestes dados, o Observatório do Solo da União Europeia elaborou o mapa das áreas suscetíveis de estarem afetadas por um ou mais processos de degradação do solo.

Estima-se que a União Europeia perca anualmente cerca de mil milhões de toneladas de solo devido à erosão, o que é considerado um valor insustentável e que excede a taxa natural de formação do solo, que pode levar séculos ou milénios.

A erosão hídrica é um dos fenómenos mais perniciosos para a saúde dos solos. No entanto, aproximadamente um quarto do solo europeu é afetado pela erosão causada pelas águas, com maior incidência (32%) nos solos agrícolas. E as projeções publicadas no relatório "O estado dos solos na Europa” não são animadoras. Estas indicam que, em 2050, este fenómeno poderá ter aumentado entre 13 e 25%.

À erosão hídrica soma-se a erosão causada pelo vento, assim como por várias atividades humanas no setor primário, como as lavouras e colheitas. Estas, além de contribuírem para a perda de solo, são igualmente uma causa direta do aumento da sua compactação, principalmente em solos sujeitos a práticas intensivas.

O documento chama ainda à atenção para a degradação das turfeiras, que são ecossistemas vitais típicos de zonas encharcadas. Estas zonas húmidas funcionam, por um lado, como sumidouros de gases de efeito de estufa (GEE), mas, por outro, a conversão e utilização destes solos para outras finalidades transforma-os em emissores destes gases para a atmosfera.

drenagem de turfeiras tem sido uma prática comum, principalmente na Europa Central, e as turfeiras drenadas na União Europeia são responsáveis por cerca de 5% do total de GEE que a UE emite para a atmosfera, de acordo com o relatório agora publicado. A principal causa é a secagem destas áreas para instalação de campos agrícolas, onde, em muitos casos, a recuperação das zonas húmidas já não é viável.

Declínio da saúde dos solos

O Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia e a Agência Europeia do Ambiente advertem ainda que, além da perda direta de solo, somam-se inúmeros sintomas que indicam o declínio da sua saúde na Europa. E, se não forem travados e revertidos, põem em risco o alcance das metas europeias em várias áreas, relacionadas com a sustentabilidade do espaço europeu, desde a produção de alimento à biodiversidade e neutralidade carbónica.

Recorde-se que a Comissão Europeia estabeleceu metas no sentido de, até 2030, 75% dos solos da UE serem saudáveis, tendo em conta o seu papel essencial na alimentação, biodiversidade, água e clima.

“Os solos saudáveis estão no coração do Pacto Ecológico Europeu" ("Green Deal", na designação em inglês), lê-se no documento da Missão "Soil Health and Food", publicado pela Comissão Europeia.

No relatório "O estado dos solos na Europa” agora publicado é apontado o exemplo do carbono orgânico do solo, que continua em declínio. Entre 2009 e 2018, perderam-se cerca de 70 milhões de toneladas de carbono orgânico dos solos minerais em terras aráveis na União Europeia e no Reino Unido, refere o documento.

Solos degradados na Ucrânia

salinização é outra das fontes de degradação dos solos na Europa, sendo particularmente problemática nas regiões mais áridas e mediterrânicas.

Nesta vertente, é mais preocupante a chamada salinização secundária, que decorre da acumulação excessiva de sais solúveis na camada superior do solo, em parte devido às práticas de irrigação desadequadas, refere este estudo, da autoria do Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia e a Agência Europeia do Ambiente.

O relatório analisa ainda vária informação sobre os solos, oriunda de vários países fora do espaço comunitário. Além do Reino Unido, ex-Estado-membro, foram analisados dados referentes à Islândia, Noruega, Suíça, Turquia, Ucrânia e vários países balcânicos.

De todos estes países não comunitários, o documento refere-se em particular à “destruição severa do solo ucraniano”, na sequência do ataque russo. A estimativa é que “mais de 10 milhões de hectares de terras agrícolas” estejam atualmente degradadas, devido ao conflito militar que se arrasta sobretudo desde 24 de fevereiro de 2022.

Fonte: Tempo.pt

O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), através do seu Departamento de Alimentação e Nutrição, e em colaboração com o Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM – Universidade de Aveiro), promove, nos dias 25 e 26 de setembro de 2025, no Funchal, a 6ª edição da Conferência Internacional sobre Contaminantes Alimentares (ICFC 2025). O evento será subordinado ao tema “Desafios dos contaminantes emergentes (CEs) e saúde planetária”.

À semelhança de edições anteriores, a ICFC 2025 tem como objetivo debater os desafios futuros na área da segurança alimentar e saúde humana. A conferência tem como destinatários profissionais da saúde, ambiente e alimentação, investigadores, academia, autoridades reguladoras, instituições governamentais e privadas, representantes da indústria e estudantes envolvidos na área da segurança alimentar e saúde humana.

A Conferência Internacional em Contaminantes Alimentares é um evento multidisciplinar onde investigadores de todo o mundo, independentemente da sua experiência e notoriedade, podem partilhar ideias e conhecimento sobre a saúde humana e os contaminantes alimentares. Sobre a edição de 2025, será divulgada, oportunamente, informação mais detalhada, incluindo as datas limite para a submissão de comunicações.

A principal via de exposição a contaminantes químicos é a via alimentar, pelo que a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) estabeleceu como obrigatória a análise dos riscos (Risk Analysis) associados à cadeia alimentar. A avaliação do risco pretende estudar os efeitos adversos para a saúde, que resultam da exposição do homem a perigos com origem nos alimentos.

Fonte: INSA - Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge

Investigadores financiados pela UE estão a explorar a forma de produzir novos materiais fortes e sustentáveis a partir de cascas de nozes difíceis de quebrar.

As cascas das nozes contêm células com estruturas de interbloqueio únicas que as tornam interessantes para serem transformadas em materiais fortes e biodegradáveis.

A Dra. Notburga Gierlinger, uma investigadora austríaca especializada no estudo da estrutura e composição de materiais vegetais, é particularmente fascinada pelos frutos secos.

Quando se depara com um pistácio ou uma noz, abre-os com cautela, intrigada com a forma como a natureza conseguiu criar materiais tão fortes.

“As cascas são tão duras que tenho sempre medo de usar os dentes para não os danificar”, disse Gierlinger, professora associada de ciência dos materiais na Universidade BOKU de Recursos Naturais e Ciências da Vida em Viena, Áustria.

Parte do puzzle

Uma das principais áreas de investigação de Gierlinger inclui a utilização de uma técnica chamada espectroscopia Raman para estudar a distribuição da lenhina, da celulose e de outras biomoléculas nas paredes celulares das plantas. O objetivo é compreender as suas propriedades e funções mecânicas.

Uma investigação mais aprofundada durante um projeto de investigação de cinco anos apoiado pela UE, denominado SCATAPNUT, levou Gierlinger e a sua equipa a descobrir que as cascas de frutos secos, como o pistácio e a noz, contêm células de puzzle em 3D - células que têm estruturas únicas interligadas, semelhantes às peças de um puzzle. Este facto contribui para a sua resistência e durabilidade invulgares.

Intrigada com as suas descobertas, Gierlinger está agora a liderar mais investigação financiada pela UE num projeto chamado PUZZLE MATERIALS, que está a investigar como fazer materiais funcionais para aplicações industriais a partir de cascas de pistácio e de noz.

A presença das células puzzle significa que as cascas das nozes oferecem propriedades diferentes das fibras normalmente encontradas em plantas como o cânhamo e a madeira. Gierlinger e a sua equipa estão atualmente a explorar os tipos de novos materiais que podem ser criados a partir das cascas de nozes, bem como as melhores formas de as utilizar.

As caraterísticas específicas das células do puzzle tornam-nas particularmente interessantes para a transformação em bioplástico biodegradável.

A sustentabilidade é a prioridade

Em 2020, a UE adotou um novo plano de ação para a economia circular como parte do Pacto Ecológico Europeu. Este plano inclui o apoio à conceção de novos materiais que reduzam os resíduos e a pressão sobre o ambiente.

A proposta de Gierlinger prevê a utilização de um resíduo atual - as cascas de nozes - para criar novos materiais que poderão substituir os plásticos, oferecendo assim um duplo benefício ambiental.

Com a produção média europeia de cerca de 186,5 kg de resíduos de embalagens em 2022, os materiais reutilizáveis e compostáveis são agora mais necessários do que nunca. Gierlinger espera que um material produzido a partir de cascas de nozes possa ser uma das muitas soluções que contribuem para a redução dos resíduos de plástico na Europa e no mundo.

“Penso que as nogueiras poderão tornar-se mais importantes no futuro, porque são árvores resistentes e resilientes, com boa madeira e nozes saudáveis”, afirmou. “Estamos sempre a tentar pensar quais os produtos que podem tornar-se mais importantes numa sociedade sustentável.”

A sua proposta também se enquadra bem no quadro voluntário europeu “seguro e sustentável desde a conceção”, desenvolvido para orientar o processo de inovação para produtos químicos e materiais mais seguros e sustentáveis.

Um processo sustentável

Gierlinger e a sua equipa de investigação estão a procurar formas de processar as cascas descartadas que sejam simultaneamente eficientes e amigas do ambiente. O primeiro passo é dissolver as cascas de noz num solvente para separar as células e regenerar a lenhina.

A celulose proveniente de resíduos do processamento de kombucha ou de bioreactores é também adicionada à massa resultante em diferentes volumes, dependendo da flexibilidade desejada para o produto final. Os investigadores estão a estudar diferentes opções de materiais para as nozes, incluindo um produto semelhante ao couro e outro mais parecido com o plástico.

O objetivo é produzir materiais de nozes sustentáveis, eficientes em termos energéticos, eficientes em termos de recursos e biodegradáveis, com uma pegada ambiental e de carbono reduzida, especificamente concebidos para os sectores das embalagens e dos têxteis.

Paraskevi Charalambous, uma cientista bioquímica e de materiais da BOKU, faz parte da equipa de investigação que trabalha neste processo. Uma das suas contribuições notáveis inclui a investigação de solventes com um ponto de fusão muito baixo.

A intenção é encontrar um solvente que possa ser reciclado, algo que Charalambous admite ter sido um desafio.

“Não tem sido fácil recuperar o produto químico que utilizamos na sua forma original”, afirmou.

Foram feitos progressos significativos desde o início do projeto em 2023 e os investigadores conseguiram produzir várias amostras, incluindo uma amostra de uma carteira em pele de noz.

A grande vantagem do material, quer acabe por ser couro ou plástico, é o facto de ser reciclável e compostável. Normalmente, os materiais compósitos - uma combinação de dois materiais com propriedades diferentes - são difíceis de reciclar porque são adicionados outros químicos para ajustar a função do material.

O processo utilizado neste caso não o faz, pelo que o produto pode ser dissolvido novamente e reutilizado. Gierlinger também disse que é possível compostar o material, se necessário, embora ela promova a reutilização e a reciclagem em primeiro lugar.

Depois de decidir qual o melhor caminho a seguir, o objetivo será então colocar estes novos materiais de nozes em produção. “O próximo passo seria tentar encontrar algumas empresas interessadas”, disse Gierlinger.

A investigação deste artigo foi financiada pelo Conselho Europeu de Investigação (CEI). As opiniões dos entrevistados não refletem necessariamente as da Comissão Europeia. 

Fonte: Horizon e Qualfood

 

O documento oferece conselhos sobre a forma de otimizar a monitorização e a redução dos riscos à medida que as infeções da estirpe patogénica H5N1 se propagam.

No meio de uma vaga de casos de infeção de bovinos e outros mamíferos por gripe aviária, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) publicou novas diretrizes que aconselham os seus membros a implementar programas de vigilância eficazes para a deteção precoce da gripe nos bovinos.

Desde o seu aparecimento, há mais de duas décadas, o vírus H5N1 da gripe aviária altamente patogénica (GAAP) evoluiu em vários clados. O clado 2.3.4.4b, detetado pela primeira vez em 2021, demonstrou uma capacidade significativa de infetar uma vasta gama de espécies, incluindo aves selvagens, aves de capoeira e, mais recentemente, mamíferos terrestres e marinhos, incluindo tigres, ursos, focas e cães e gatos de estimação. As deteções em gado leiteiro em 2024, juntamente com casos entre trabalhadores agrícolas expostos a gado infetado, sublinham a necessidade urgente de reforçar os sistemas de vigilância.

“Tendo em conta a propagação mundial da gripe A (H5N1) do clado 2.3.4.4b, espera-se a propagação das aves para os bovinos (e provavelmente dos bovinos para os seres humanos) noutros países”, de acordo com a nova publicação da FAO, Recomendações para a vigilância da gripe A (H5N1) em bovinos - com aplicação alargada a outros mamíferos de criação.

As novas diretrizes da FAO surgem na sequência de uma publicação técnica anterior que resume a situação emergente, as lacunas de conhecimento e as ações de gestão de risco recomendadas, e enfatizam o papel crítico dos sistemas de vigilância passiva eficazes que incentivam a notificação de casos suspeitos por parte dos agricultores e veterinários. O reforço da notificação deve centrar-se em áreas de alto risco, como as que têm populações densas de aves de capoeira ou de gado leiteiro ou atividade de aves migratórias, e deve considerar-se a possibilidade de recorrer a fontes informais, incluindo alterações dos preços de mercado, meios de comunicação social e redes comunitárias.

As orientações foram concebidas para melhorar a deteção precoce de eventos de alastramento e apoiar medidas de controlo de doenças baseadas em provas, com o objetivo de ajudar os membros a otimizar a utilização de recursos limitados através do aproveitamento das atividades de vigilância existentes para alcançar os seus objetivos de vigilância. Estas recomendações têm uma aplicação mais alargada a outras espécies de animais de criação.

O que se sabe e o que fazer

Alguns animais infetados apresentam sinais clínicos graves e elevada mortalidade; os observados nos bovinos afetados incluem diminuição da produção de leite, leite espesso semelhante ao colostro, redução da ingestão de alimentos, letargia, febre e desidratação. No entanto, nalguns animais, a infeção pode não dar origem a quaisquer sinais clínicos, o que torna potencialmente difícil a sua deteção.

Ainda há muito por compreender sobre a transmissão da GAAP H5N1 entre os bovinos, mas parece ser principalmente causada por movimentos de bovinos infetados e, potencialmente, por pessoal ou equipamento partilhado entre explorações. Os dados também sugerem que ocorreram eventos de alastramento entre explorações leiteiras infetadas e unidades avícolas próximas. Outras espécies também foram afetadas, incluindo gatos e ratos, e também foi observada a transmissão de aves de capoeira para suínos. Mesmo que os suínos não mostrem sinais de doença, representam um ponto de preocupação, uma vez que os suínos podem catalisar a rearticulação genética dos vírus da gripe aviária e humana, criando potencialmente novas estirpes com potencial pandémico.

As recomendações da FAO propõem que o objetivo mínimo de vigilância para todos os países deve ser a deteção rápida de eventos de propagação da GAAP H5N1 das aves para espécies não aviárias, incluindo o gado. Se forem detetados, os profissionais veterinários e de saúde devem estar preparados para desencadear uma resposta rápida, reforçar as medidas de atenuação dos riscos e produzir provas para apoiar a tomada de decisões e as políticas.

Os sistemas de vigilância básicos, mas eficazes, começam por encorajar os agricultores a auto-relatarem as doenças suspeitas e a tirarem partido das visitas de rotina dos veterinários às explorações. Estes sistemas podem ser expandidos através de testes oportunistas durante campanhas de vacinação, monitorizando relatórios de grupos comunitários e industriais sobre a redução da produção de leite e adotando estratégias de amostragem baseadas no risco.

Estas estratégias devem considerar fatores como geografia, padrões de migração de aves selvagens, sazonalidade, populações de animais e observações clínicas em toda a cadeia de valor do leite. Caso se confirme um caso de GAAP H5N1 numa vaca, as autoridades de saúde pública devem ser imediatamente informadas e devem ser iniciadas investigações para determinar se os trabalhadores agrícolas e outros contactos humanos próximos foram expostos ou infetados. Para doenças listadas na WOAH, os casos devem ser notificados usando o WAHIS e os especialistas técnicos também são encorajados a enviar dados para o Sistema Global de Informação sobre Doenças Animais da FAO (EMPRES-i+).

Para obter as informações mais recentes sobre a situação da gripe aviária nos animais a nível mundial, consultar a atualização da situação dos vírus da gripe aviária com potencial zoonótico da FAO e os relatórios de situação da WOAH sobre a GAAP.

Fonte: FAO e Qualfood

Aproximadamente 30% da terra agrícola global é utilizada para produzir alimentos que acabam por se perder ou desperdiçar, tornando imperativo explorar estratégias para mitigar este desperdício.

Com as melhorias significativas na tecnologia dos transportes, a acessibilidade aos alimentos frescos aumentou consideravelmente. No entanto, este progresso tem sido acompanhado por uma preocupação crescente com o desperdício de alimentos durante o transporte e o armazenamento.

Desperdício alimentar- consequências e possíveis soluções

A nível mundial, cerca de 17% dos alimentos a nível do retalho e do consumidor são desperdiçados, o que resulta em problemas como a contaminação das águas subterrâneas, as emissões de gases perigosos e a propagação de agentes patogénicos infeciosos, contribuindo todos eles para a poluição ambiental.

Numa tentativa de desenvolver tecnologias de conservação de alimentos eficientes, económicas e ecológicas, os investigadores estão a estudar alternativas para o desenvolvimento de materiais de embalagem. Entre estas, os revestimentos comestíveis feitos de polímeros naturais têm-se mostrado particularmente promissores.

Estes revestimentos protetores podem proteger os frutos da degradação pós-colheita, impedindo a perda de água e as trocas gasosas, reduzindo a necessidade de refrigeração ou de conservação sintética, ao mesmo tempo que prolongam o prazo de validade.

Biofilme ecológico

A quitina, um polímero natural derivado do endosqueleto dos crustáceos, é quimicamente modificada para produzir quitosano (CS). O CS não é tóxico, é biodegradável e tem uma notável capacidade de formação de película. No entanto, algumas limitações, incluindo a fraca barreira e as baixas propriedades antimicrobianas, impedem o seu potencial como material de revestimento alimentar.

Para resolver esta limitação, uma equipa de cientistas, liderada pelo Professor Won Ho Park da Universidade Nacional de Chungnam, Coreia do Sul, incorporou um composto polifenólico, o ácido gálico (GA), para produzir um conjugado CS-GA. O GA está abundantemente disponível nas plantas e é bem conhecido pelas suas excelentes propriedades antimicrobianas e antioxidantes.

Num novo estudo, a equipa relata a síntese e a caracterização de um filme conjugado CS-GA. Compararam-na com películas de CS para avaliar os efeitos de reforço de GA e testaram a sua eficácia em mini bananas e tomates cereja armazenados.

Observaram que a película desenvolvida apresentava uma resistência mecânica melhorada, oferecendo proteção contra danos nos alimentos durante o transporte, e propriedades antioxidantes melhoradas, levando a um prolongamento do prazo de validade.

Também demonstrou uma melhor atividade antibacteriana contra dois tipos de bactérias, confirmando a sua eficácia contra várias espécies microbianas e capacidades superiores de bloqueio de UV para evitar a foto-descoloração e os danos. Explicando os resultados do teste de armazenamento.

No futuro, esta tecnologia verde poderá desempenhar um papel significativo na redução do desperdício alimentar e também contribuir para os Objetivos de Desenvolvimento da Sustentabilidade das Nações Unidas de reduzir para metade o desperdício alimentar até 2030.

Fonte: Tempo.pt

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De acordo com os peritos da UE, a ausência de medidas comunitárias deu origem a uma enorme variedade de rótulos e alegações, deixando os consumidores com dificuldades em fazer escolhas informadas.

Os atrasos na atualização do quadro da UE em matéria de rotulagem dos alimentos contribuíram para a proliferação de sistemas voluntários e de alegações que confundem mais do que informam os consumidores, concluiu o Tribunal de Contas Europeu (TCE) num relatório publicado na segunda-feira.

Embora a rotulagem dos alimentos tenha o potencial de permitir que os consumidores tomem decisões mais saudáveis e informadas, o relatório do TCE aponta para “lacunas notáveis” no atual quadro regulamentar.

Para colmatar essas lacunas, surgiram várias iniciativas voluntárias, como a Nutri-Score, a NutrInform Battery e a Keyhole. No entanto, em vez de ajudarem os consumidores, estes sistemas concorrentes contribuíram para o caos dos rótulos alimentares.

"Os consumidores estão simplesmente perdidos", afirmou Keit Pentus-Rosimannus, membro do TCE. A coexistência de múltiplos sistemas de rotulagem - cada um com significados e objectivos distintos - compromete o seu papel de orientação das escolhas.

A falta de clareza vai para além dos rótulos nutricionais e inclui alegações ambientais, slogans e termos indefinidos como "fresco", "natural" e "sem antibióticos", muitos dos quais podem induzir os consumidores em erro.

"As regras da UE estão cheias de lacunas que deixam os consumidores vulneráveis e as empresas do sector alimentar podem e, naturalmente, aproveitam-se deste vazio jurídico", alertou Pentus-Rosimannus, acrescentando que as empresas do sector alimentar apresentam os produtos como mais saudáveis ou mais ecológicos do que realmente são.

Estagnação das regras

Embora tenham sido feitas algumas atualizações através de outros regulamentos - como a Lei Geral dos Alimentos e o Regulamento das Alegações - aspetos fundamentais como a rotulagem nutricional, as alegações ecológicas, as normas de bem-estar animal e a rotulagem de origem continuam fragmentados, sendo frequentemente tratados a nível nacional.

O principal quadro de rotulagem dos alimentos da UE, o Regulamento relativo à informação sobre os alimentos prestada aos consumidores, não foi atualizado desde a sua introdução em 2011.

Apesar dos debates realizados durante o anterior mandato legislativo, os esforços para modernizar estas regras estagnaram, em parte devido às sensibilidades políticas e à oposição de alguns Estados-Membros em relação ao Nutri-score, a principal rotulagem nutricional na corrida para obter a aprovação da UE.

Pentus-Rosimannus, membro do TCE, reconheceu a complexidade de alcançar um consenso em toda a UE, tendo em conta as diferentes tradições e perspectivas nacionais.

"Mas isso não pode ser uma desculpa para permitir que o status quo continue indefinidamente", afirmou.

Os grupos de defesa dos consumidores, como o BEUC, também apelam a uma ação rápida para colmatar estas lacunas, com a sua responsável política Emma Calvert a salientar a necessidade urgente de um rótulo nutricional unificado na frente da embalagem.

"A falta do prometido rótulo nutricional comunitário na parte frente das embalagens priva os consumidores de um instrumento essencial para fazerem escolhas mais saudáveis numa altura em que as taxas de obesidade e de excesso de peso são alarmantemente elevadas", afirmou.

A Comissão Europeia respondeu ao relatório do TCE, reconhecendo a necessidade de regras mais rigorosas para proteger os consumidores de alegações enganosas.

No entanto, o executivo comunitário não especificou os planos para atualizar o Regulamento relativo à informação sobre os alimentos prestada aos consumidores - que continua a ser uma questão sensível - referindo, em vez disso, as futuras regras sobre as alegações ambientais.

Na sua bem sucedida audição como Comissário europeu responsável pela agricultura e alimentação, Christophe Hansen admitiu a necessidade de uma maior coerência na rotulagem. "Temos tantos rótulos voluntários que não estão harmonizados", afirmou, apelando a um "exercício de racionalização" para aumentar a confiança dos consumidores e o funcionamento do mercado interno.

Fonte: Euronews

Vários estudos científicos indicam que as alterações climáticas impactam a produção e a abundância de alimentos. Contudo, estas mudanças também podem afetar a própria segurança e qualidade nutricional dos produtos que consumimos, bem como a saúde dos animais e das plantas.

As palavras “bactérias carnívoras” podem remeter, à primeira vista, para um filme de ficção científica de Hollywood. Contudo, esta expressão tem vindo a ser usada nos últimos anos para descrever as Vibrios, um grupo de bactérias que estão cada vez mais presentes em marisco devido ao aumento da temperatura dos oceanos.

As bactérias Vibrio prosperam em águas quentes e de baixa salinidade, assim como em zonas onde rios se encontram com o mar. Em caso de contacto físico, estas bactérias podem causar infeções em feridas e nos ouvidos. Contudo, quando ingeridas através de marisco cru ou malcozinhado, podem também provocar gastroenterite ou infecções graves.

Recentemente, cientistas da Agência Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) descobriram que, nos últimos 20 anos, a Europa tem vindo a assistir a um aumento das infeções por Vibrio. Tal acontece devido a fenómenos meteorológicos mais extremos, entre os quais ondas de calor, que promovem a sua presença e crescimento.

Esta investigação permitiu revelar ainda que determinadas estirpes de Vibrio desenvolveram resistência a antibióticos, o que aumenta as preocupações sobre estas bactérias. Os peritos da EFSA concluíram que a deteção de resistência antimicrobiana é preocupante devido ao seu potencial para a saúde pública”, uma vez que afeta a eficácia de tratamentos com determinados antibióticos.

Mas como podemos reduzir este risco emergente enquanto consumidores? Depois de analisarem intensivamente as Vibrios e os seus impactos a nível da segurança alimentar, os cientistas da EFSA recomendam evitar o consumo de marisco cru ou mal cozinhado. Estes conselhos são particularmente importantes para grupos vulneráveis.

Contudo, as Vibrios são apenas uma das formas como as alterações climáticas podem afetar a segurança alimentar. Angelo Maggiore, cientista na unidade de Conhecimento e Inovação da EFSA, considera que “as alterações climáticas podem intensificar riscos já existentes para a segurança dos alimentos e mesmo conduzir a novos riscos”. Estes novos desafios estão agora a ser analisados pelos cientistas.

Biotoxinas na Madeira e um novo olhar para a segurança dos alimentos

Segundo o projeto da EFSA sobre alterações climáticas, designado de CLEFSA, as Vibrios são um dos riscos com maior probabilidade de emergência para a segurança dos alimentos na Europa. Este projeto promove a inclusão das alterações climáticas na identificação e análise de riscos para a segurança e qualidade nutricional dos alimentos e de ração, bem como para a saúde animal e das plantas.

Curiosamente, Portugal desempenhou um papel na identificação dos sinais destes potenciais riscos. Em 2004, cientistas registaram a presença de ciguatoxinas na Madeira. Estas biotoxinas são contaminantes químicos produzidos de forma natural por certos tipos de algas.

O consumo de peixe contaminado por ciguatoxinas pode causar efeitos gastrointestinais, cardiovasculares e neurológicos, com impactos a curto e longo prazo. Esta é a forma mais comum de intoxicação alimentar marinha no mundo, com cerca de 20 a 50 mil casos registados por ano. No entando, estima-se que menos de 10% dos casos sejam reportados.

A deteção destas biotoxinas da Madeira e das Ilhas Canárias, associada a surtos de ciguatera nestas áreas, despertou a atenção da comunidade científica. As algas que produzem estas biotoxinas são encontradas principalmente em áreas tropicais e subtropicais – o clima e a temperatura influenciam a sua presença em ambientes marinhos.

Face a este novo perigo para a saúde pública, a EFSA e a Autoridade Espanhola de Segurança Alimentar lançaram, em 2016, o projeto EuroCigua. Esta iniciativa pretende investigar os riscos associados à intoxicação por peixe contaminado com ciguatoxinas. No total, 13 organizações de seis Estados-Membros, incluindo a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) aderiram ao projeto, que agora se encontra na segunda edição.

Por outras palavras, esta nova perspetiva da segurança alimentar permite integrar cenários de alterações climáticas no estudo das ameaças emergentes à saúde pública. “O projeto CLEFSA ajuda-nos a compreender melhor como as alterações climáticas conduzem a novos riscos para a segurança alimentar, em particular nos ambientes marinhos”, afirma Angelo Maggiore.

Nos últimos anos, esta abordagem conduziu a novas investigações científicas. Recentemente, a EFSA estudou o impacto potencial da utilização crescente dos oceanos na segurança dos alimentos marítimos. Outro exemplo desta abordagem é a análise de como as alterações climáticas aumentaram a aptidão dos ambientes europeus para pragas nas plantas.

“Os efeitos das alterações climáticas podem parecer desencorajadores, mas podemos implementar abordagens inovadoras para lidar com a complexidade do sistema alimentar e estarmos preparados para o que o futuro pode trazer”, conclui Angelo Maggiore.

Fonte: GreenSavers

A Comissão adotou hoje uma proibição da utilização do Bisfenol A (BPA) em materiais que entram em contacto com os alimentos, devido ao seu impacto potencialmente nocivo para a saúde. O BPA é uma substância química utilizada no fabrico de determinados plásticos e resinas.

A proibição significa que o BPA não será permitido em produtos que entrem em contacto com alimentos ou bebidas, como o revestimento de latas de metal, garrafas de plástico reutilizáveis, refrigeradores para distribuição de água e outros utensílios de cozinha. A proibição surge na sequência de um voto positivo dos Estados-Membros da UE no início deste ano e de um período de análise pelo Conselho e pelo Parlamento Europeu, e tem em conta a mais recente avaliação científica da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA). A EFSA concluiu, nomeadamente, que o BPA tem efeitos potencialmente nocivos para o sistema imunitário e a proibição proposta seguiu-se a uma consulta pública e a amplas discussões com todos os Estados-Membros.

O BPA já é proibido na UE para biberões e produtos similares. Para a maioria dos produtos, haverá um período de eliminação progressiva de 18 meses e exceções muito limitadas quando não existirem alternativas, a fim de dar tempo à indústria para se adaptar e evitar perturbações na cadeia alimentar. A proibição inclui também outros bisfenóis que são prejudiciais para os sistemas reprodutivo e endócrino.

Oliver Várhelyi, Comissário responsável pela Saúde e o Bem-Estar dos Animais, afirmou: “A manutenção de elevados padrões de segurança alimentar na União Europeia e a proteção dos cidadãos é uma das principais prioridades da Comissão. A proibição de hoje, que se baseia em pareceres científicos sólidos, protegerá os nossos consumidores contra os produtos químicos nocivos que podem entrar em contacto com os seus alimentos e bebidas.”

Fonte: Comissão Europeia