Um grupo operativo espanhol está a desenvolver bioestimulantes a partir de microalgas autóctones do Mar Menor, em Múrcia, e da Albufera, em Valência, com o objetivo de reduzir entre 30% e 50% o uso de fertilizantes azotados convencionais em culturas hortícolas e citrinos.
O projeto aborda desafios comuns à agricultura mediterrânica, como a eficiência no uso de nutrientes e a redução do impacto ambiental associado à fertilização.
O Grupo Operativo LINOMAR procura responder à necessidade de manter níveis elevados de produtividade, reduzindo em simultâneo o impacto ambiental associado ao uso intensivo de fertilizantes azotados. A acumulação de nitratos em aquíferos, lagoas e outros ecossistemas aquáticos é apontada como uma das principais preocupações.
A iniciativa pretende transformar este problema ambiental ao criar uma oportunidade para o setor agrícola, através do desenvolvimento de bioestimulantes obtidos a partir de microalgas capazes de absorver nitratos presentes em massas de água afetadas pela atividade agrícola.
Pedro Sánchez, membro da Federação de Cooperativas Agrárias de Múrcia, entidade coordenadora do Grupo Operativo, afirma que “a ideia principal foi transformar um problema ambiental numa oportunidade, utilizando estas microalgas para produzir soluções inovadoras que permitam reduzir o uso de fertilizantes químicos na agricultura e melhorar a sustentabilidade das culturas”.
Além do desenvolvimento de novos produtos bioestimulantes, o LINOMAR visa melhorar a qualidade ambiental de espaços naturais afetados pela acumulação de nitratos.
O processo inclui a recolha e análise de água no Mar Menor e na Albufera, a seleção das microalgas mais adequadas e o aumento da produção em sistemas controlados, preparados para cultivo em larga escala.
Ao longo da investigação, a equipa verificou que as microalgas podem ser usadas não apenas como matéria-prima para bioestimulantes, mas também como ferramenta de biorremediação, pela sua capacidade de capturar nutrientes presentes em águas contaminadas e contribuir para a sua recuperação.
O Grupo Operativo LINOMAR encontra-se atualmente na fase final e já obteve resultados considerados promissores. Entre os avanços registados estão o isolamento e cultivo de diferentes espécies de microalgas procedentes do Mar Menor e da Albufera, a caracterização da sua composição bioquímica e a identificação das espécies com maior potencial para a produção de bioestimulantes.
Foram também desenvolvidos diferentes extratos experimentais e realizados ensaios agronómicos para avaliar a sua capacidade de melhorar o crescimento das culturas e a eficiência no uso de nutrientes. A equipa trabalha agora na seleção das formulações mais eficazes para validação agronómica a maior escala.
A iniciativa tem um orçamento de cerca de 595 mil euros e decorre entre 2024 e 2026 na Região de Múrcia e na Comunidade Valenciana. O projeto é financiado pelo Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural, no âmbito do Plano Estratégico da PAC 2023-2027.
Fonte: Vida Rural
Portugal foi o único país europeu a registar crescimento no mercado cervejeiro em 2025. Os números do impacto económico do sector impressionam – 7,3 mil milhões de euros de efeito total na economia nacional –, mas a Associação Portuguesa de Cervejeiros (APCV) quer mais do que dados: quer que o Governo trate o sector com a seriedade que os números justificam.
Num panorama europeu marcado pela contração, Portugal destaca-se. O mercado cervejeiro nacional cresceu 0,8% em 2025, numa altura em que vários mercados maduros registam quedas expressivas. Em termos de consumo, 2025 foi o melhor ano de sempre: 6.354 mil hectolitros, o valor mais alto da série histórica. A produção acompanhou esta tendência e atingiu 8.098 mil hectolitros, o nível mais elevado desde 2012.
Outro fator que distingue Portugal de outros mercados é a estrutura do consumo: 70% da cerveja consumida no país é bebida fora de casa, em cafés, restaurantes, bares e espaços de lazer. Esta característica amplifica o efeito multiplicador do sector sobre a economia e é precisamente isso que um estudo recente da Nova School of Business and Economics, encomendado pela APCV, veio quantificar com precisão.
Os números do estudo são expressivos. Em 2024, as cervejeiras portuguesas faturaram 1.122,48 milhões de euros em vendas diretas (sem IVA), o que corresponde a 0,20% de todas as vendas em Portugal. O output total situou-se em 1.019,04 milhões de euros. O valor acrescentado bruto direto foi de 329,01 milhões de euros, os salários pagos ascenderam a 85,41 milhões de euros e o sector empregou diretamente 2.519 pessoas. Dentro da indústria de bebidas, o peso é ainda mais significativo: as cervejeiras respondem por 25,49% do volume de negócios, 28,52% do VAB e 13,69% do emprego de todo o sector.
João Duarte, investigador da Nova School of Economics e responsável pelo estudo, recorre a uma metáfora para explicar este efeito: “Estes cervejeiros são radiadores que aquecem toda a economia, desde que não haja muitas fugas no quarto”. Em Portugal, há poucas fugas: o fornecimento é maioritariamente nacional – Portugal importa apenas levedura –, e o consumo concentra-se no canal fora de casa, onde cada cerveja consumida arrasta consigo valor acrescentado de restaurantes, cafés e hotéis.
O efeito multiplicador é concreto e mensurável: cada milhão de euros de atividade económica direta gerada pelo sector cervejeiro contribui, em média, para 11,99 milhões de euros adicionais em output na economia, 5,93 milhões de euros em VAB, 2,26 milhões de euros em receita fiscal e 167 postos de trabalho em equivalente a tempo inteiro. Traduzindo este multiplicador para um rácio de emprego: um posto de trabalho direto na indústria cervejeira origina 68 empregos indiretos em sectores relacionados, da indústria vidreira à distribuição, passando pelo retalho e pela restauração.
A produtividade do sector também impressiona: o valor acrescentado bruto por trabalhador cresceu de 105 mil euros em 2021 para 130 mil euros em 2024, um aumento de 24% em três anos. Este valor é quase três vezes a média da economia portuguesa – que se ficou pelos 45 mil euros em 2023 – e quase o dobro da média do sector de bebidas no seu conjunto.
A contribuição do sector para a receita fiscal é igualmente relevante: 2,73% de todos os impostos diretos analisados (Segurança Social, IRS, IRC e IVA). “O sector tem estado a fazer bem, apesar do risco regulatório e fiscal. Mas isto é apesar desse risco, não por causa dele”, sublinha o investigador da Nova SBE.
Quando se contabilizam os efeitos diretos, indiretos e induzidos – incluindo o impacto sobre a restauração e a distribuição –, o efeito total no PIB ascende a 7.331,5 milhões de euros, representando 2,53% do Produto Interno Bruto nacional em 2024. O impacto total em output é de 12.216,6 milhões de euros, o VAB total gerado chega a 6.042,6 milhões de euros e a receita fiscal total mobilizada ascende a 2.300,5 milhões de euros. Em termos de emprego, o sector suporta, direta e indiretamente, 170.283 postos de trabalho em equivalente a tempo inteiro.
“Quando pensamos em mudanças neste sector – fiscais ou regulatórias–, há todos estes efeitos indiretos que têm de ser considerados, não só sobre a economia, mas também sobre o financiamento de eventos sociais e desportivos em todo o país”, reforça o investigador da Nova SBE.
Um estudo liderado por investigadores do CIBIO-BIOPOLIS, da Universidade do Porto, apresenta uma tecnologia genética que triplica os níveis de zinco no sorgo, permitindo enriquecer nutricionalmente este cereal sem lhe prejudicar o desenvolvimento.
O estudo liderado por membros do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO) da Universidade do Porto, em colaboração com o Carlsberg Research Laboratory, mostra como “a modulação de um sensor molecular permite obter variedades de sorgo com o triplo dos níveis de zinco”, explica aquela instituição em comunicado hoje divulgado.
Na prática, estes resultados, mostram como “é possível biofortificar culturas agrícolas essenciais com precisão, respondendo de forma sustentável à carência global de micronutrientes na população humana”.
Esta resposta, sobretudo tendo em conta o impacto da carência de zinco no desenvolvimento humano, num contexto em que cerca de 30% da população mundial sofre de micronutrientes, segundo estima o estudo, vem da análise de um gene específico no sorgo, um dos cereais mais importantes do mundo, e das mais resistentes à seca.
A tecnologia “FIND-IT” permitiu encontrar plantas cuja variante de um sensor de zinco, naquele gene, permite induzir maior absorção e acumulação deste nutriente, triplicando o teor de zinco nos grãos.
“Este resultado exemplifica como a investigação fundamental em biologia de plantas, neste caso sobre a regulação molecular da nutrição vegetal, contribui para resolver problemas globais de nutrição humana de forma sustentável”, declarou Ana Assunção, uma das investigadoras, citada em comunicado.
O artigo, assinado por Liliana S. Silva, Ana Assunção, Soren Knudsen, Anko Blaakmeer e Feixue Liao, denota a primeira demonstração no sorgo com esta biofortificação em zinco, embora os investigadores procurem soluções idênticas para outras culturas agrícolas de grande consumo global.
Fonte:Green Savers
Investigadores de três institutos Fraunhofer desenvolveram um revestimento biodegradável para sementes, com capacidade integrada de armazenamento de água e proteção contra herbicidas, a fim de facilitar altas taxas de germinação.
Os herbicidas usados no controlo de ervas daninhas podem afetar as plântulas e prejudicar o crescimento de culturas sensíveis. As sementes em germinação são também particularmente vulneráveis à falta de precipitação, um problema que as alterações climáticas ameaçam tornar recorrente. É o que tem acontecido na Alemanha, nos últimos anos, nos meses de março e abril, fazendo com que muitas plântulas secassem antes de se conseguirem estabelecer. Para colmatar este problema, os investigadores do Instituto Fraunhofer de Microengenharia e Microssistemas (IMM), do Instituto Fraunhofer de Tecnologia Química (ICT) e do Instituto Fraunhofer de Biologia Molecular e Ecologia Aplicada (IME) desenvolveram um revestimento de sementes projetado para garantir uma produção estável, mesmo em condições ambientais adversas. A experiência faz parte de um projeto denominado SeedPlus.
Duas funções principais são combinadas no revestimento SeedPlus e incorporadas ao encapsulamento: uma função de suporte para obter uma melhor gestão da água, e um revestimento que protege as sementes contra herbicidas. Depois, formulações à base de polímeros naturais garantem que as sementes sejam constantemente abastecidas com humidade durante a fase de germinação, mesmo em cenário de escassez de água.
Ao mesmo tempo, a membrana seletiva, que inclui materiais adsorventes como carvão ativado, protege as plântulas contra herbicidas sem prejudicar a germinação ou o crescimento. O revestimento multifuncional permite reduzir o uso de agentes de proteção vegetal e melhora as condições de cultivo em regiões com pouca chuva.
“O revestimento é composto por múltiplas camadas de diferentes espessuras que encapsulam as sementes. A forma e o tamanho dependem do tipo de semente utilizado, e o revestimento pode ser ajustado às necessidades das sementes e produzido em escala”, explica Alexander Dresel, investigador do Fraunhofer ICT, citado em comunicado.
O processo de leito fluidizado permite controlar de forma precisa a espessura das camadas, tornando-o especialmente adequado para tipos de sementes sensíveis. Nesse processo, as sementes ficam suspensas no leito fluidizado através de um fluxo de gás, enquanto recebem a pulverização dos materiais de revestimento.
No processo de revestimento em tambor, as sementes são agitadas num tambor rotativo, enquanto os materiais de revestimento são adicionados gradualmente, o que, de acordo com Thomas Heintz, do Fraunhofer ICT, é uma “boa escolha para a produção em massa”.
Para revestir sementes menores, os investigadores do Fraunhofer ICT utilizam o método de superfície químico húmido, no qual as sementes são imersas na estrutura de revestimento e depois deixadas a escorrer.
Revestimento de sementes sem microplásticos
Os revestimentos convencionais de sementes frequentemente contêm componentes químicos sintéticos, considerados microplásticos. Neste caso, os investigadores substituíram esses polímeros sintéticos por formulações naturais ecologicamente inofensivas.
Philip Känel, pesquisador do Fraunhofer IME em Münster, explica que estão a ser usados “exclusivamente materiais naturais orgânicos e inorgânicos. Realizamos testes sistemáticos com diferentes combinações de materiais, incluindo polissacarídeos, proteínas, borrachas e materiais inorgânicos porosos, como carvão ativado, para determinar as composições mais eficientes.”
O revestimento SeedPlus atua diretamente na semente, o que significa que a água e a proteção são fornecidas exatamente onde são necessárias, permitindo reduzir a quantidade de pesticidas utilizada.
Germinação aumentou em 58 %
Os investigadores realizaram testes com sementes de dente-de-leão russo e beterraba açucareira, tanto em estufas quanto em condições externas, para verificar se a combinação das funções de proteção e armazenamento de água realmente funciona. Comparadas às sementes não tratadas, as sementes revestidas apresentaram uma taxa de germinação até 58 % maior.
Para poder emitir declarações confiáveis sobre a ecotoxicidade e o comportamento de degradação dos materiais de revestimento ainda na fase de desenvolvimento do material — e identificar possíveis riscos ambientais relevantes — os investigadores do Fraunhofer IME também estabeleceram uma plataforma de triagem para avaliar os revestimentos inovadores de sementes.
Antes de produzir as sementes encapsuladas, os investigadores analisaram os componentes individuais do revestimento em termos de impacto ecotoxicológico sobre organismos-modelo de ambientes aquáticos e terrestres, com o objetivo de confirmar a sua segurança ambiental. Para descartar possíveis exposições de longo prazo, os testes também incluíram a avaliação da degradabilidade dos componentes individuais.
“O design sustentável da nossa tecnologia de sementes nos permite contribuir para a redução da poluição ambiental e apoiar uma agricultura ecológica, preparada para o futuro e capaz de alcançar altos rendimentos”, conclui Känel.
Fonte:TecnoAlimentar
De acordo com dados da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), a produção mundial de vinho atingiu, em 2024, cerca de 226 milhões de hectolitros, o equivalente a mais de 30 mil milhões de garrafas de 0,75 litros. Considerando um peso médio de 500 gramas por garrafa de vidro, esta produção representa cerca de 15 milhões de toneladas de vidro e o consumo aproximado de 11 milhões de toneladas de areia de quartzo, matéria-prima necessária para o seu fabrico a temperaturas próximas dos 1.500 °C.
Estes números ilustram o impacto material e energético associado ao vidro, um material historicamente ligado ao vinho, mas cuja produção e transporte implicam elevados custos energéticos e logísticos devido ao seu peso.
Menor peso e redução de emissões
O PET apresenta uma abordagem distinta. Se a mesma quantidade de vinho fosse engarrafada neste material, o peso total das embalagens seria significativamente inferior, com implicações diretas na logística e na pegada de carbono.
Neste contexto, a Alpla destaca a sua garrafa de PET para vinho, inspirada no design da tradicional garrafa Bordeaux, com apenas 50 gramas de peso e fabricada com até 100% de material reciclado.
“Dependendo da quantidade de material reciclado utilizado, a redução das emissões de CO2 pode atingir 50%. Mesmo sem conteúdo reciclado, a garrafa de PET permite reduzir as emissões de CO2 em 38% face ao vidro”, explica Daniel Lehner, diretor global de vendas para o segmento de Alimentos e Bebidas da Alpla.
A redução de peso reflete-se igualmente no transporte e no consumo energético ao longo de toda a cadeia logística, contribuindo para soluções mais eficientes e com menor utilização de recursos.
Adaptação a novos hábitos de consumo
O interesse por embalagens alternativas reflete também a evolução dos hábitos de consumo. O vinho é cada vez mais consumido em contextos informais e fora de casa, onde fatores como a mobilidade, a resistência e a conveniência assumem uma importância crescente.
As garrafas de PET são inquebráveis, arrefecem rapidamente e facilitam o consumo em atividades ao ar livre, viagens, embarcações, parques de campismo ou encontros informais, eliminando simultaneamente o risco de quebra.
Nesta perspetiva, a utilização do PET não deve ser encarada como uma substituição integral do vidro, mas sim como uma coexistência de formatos adaptados a diferentes ocasiões de consumo. Enquanto o vidro mantém a sua forte ligação a contextos mais tradicionais e formais, o PET afirma-se como uma solução leve, prática e funcional para situações em que a conveniência é um fator determinante.
Fonte: iAlimentar
As canetas detetáveis estão a tornar‑se um elemento indispensável nas unidades de produção alimentar, num momento em que a prevenção de contaminações físicas assume prioridade crescente entre empresas e auditores.
Fabricadas com materiais detetáveis por raios X e detetores de metais, estas canetas reduzem o risco de fragmentos acidentalmente entrarem na linha de produção — um dos incidentes mais reportados no sistema europeu RASFF.
A adoção deste tipo de equipamento tem aumentado em Portugal, impulsionada por requisitos mais rigorosos de normas como BRCGS e IFS, que reforçam a necessidade de controlo de objetos estranhos e de mitigação de falhas humanas.
Segundo especialistas do setor, as canetas detetáveis destacam‑se pela sua durabilidade, resistência a ambientes húmidos ou de baixa temperatura e facilidade de higienização.
Além disso, permitem uma rastreabilidade imediata caso se partam ou se percam, facilitando ações corretivas rápidas.
Prevenção de contaminações — Fragmentos são facilmente identificados pelos sistemas de deteção;
Reforço de auditorias — Equipamentos alinhados com requisitos de certificações internacionais;
Controlo operacional — Reduzem falhas associadas ao uso de materiais não detetáveis.
A Labset, parceira do Qualfood, tem sido uma das empresas a impulsionar a disponibilização de canetas detetáveis no mercado nacional. A parceria permite às indústrias alimentares aceder a soluções validadas e compatíveis com programas de Hazard Analysis and Critical Control Points (HACCP), Threat Assessment and Critical Control Points (TACCP) e Vulnerability Assessment and Critical Control Points (VACCP).
A empresa disponibiliza modelo projetado especificamente para reduzir o risco de contaminação por corpos estranhos nas indústrias alimentar e farmacêutica. O seu corpo inquebrável torna-a perfeita para uso e reutilização em ambientes de processamento. Para minimizar a sua pegada ambiental, também pode ser preenchido com uma recarga totalmente detetável para prolongar sua vida útil.
Segundo a Labset, a procura tem crescido sobretudo entre empresas que procuram reduzir não conformidades e melhorar o desempenho em auditorias externas.
“A segurança alimentar depende de detalhes que muitas vezes passam despercebidos. As canetas detetáveis são um desses detalhes que fazem a diferença”, refere a equipa da Labset.
Com a intensificação das auditorias e a maior sensibilidade dos consumidores a incidentes de contaminação, o setor tem vindo a reforçar os seus mecanismos de defesa. As canetas detetáveis, apesar de simples, representam uma das ferramentas mais eficazes para reduzir riscos operacionais e proteger a integridade dos produtos.
Fonte: Qualfood
A Comissão Europeia anunciou que já registou mais de 3700 indicações geográficas, instrumentos que protegem nomes de produtos ligados a regiões específicas e a métodos tradicionais de produção.
Segundo a instituição europeia, estes regimes abrangem produtos agrícolas, géneros alimentícios, vinhos e bebidas espirituosas, com o objetivo de proteger denominações, preservar conhecimento local e valorizar produtos associados a determinados territórios.
As indicações geográficas geram mais de 75 mil milhões de euros em vendas anuais e representam 15,5% das exportações agroalimentares da União Europeia (UE). A Comissão Europeia sublinha ainda que estes regimes apoiam o emprego, reforçam pequenas e médias empresas e ajudam os produtores a obter preços mais elevados pelos seus produtos.
No quadro dos regimes de qualidade da UE, a Denominação de Origem Protegida (DOP) e a Indicação Geográfica Protegida (IGP) aplicam-se a produtos agroalimentares e vinhos. As indicações geográficas protegem também bebidas espirituosas.
Após o registo, os nomes dos produtos passam a beneficiar de proteção jurídica contra imitação, utilização abusiva e referências enganosas no mercado da UE. Muitos produtos beneficiam também de proteção em países terceiros através de acordos internacionais.
A Comissão Europeia sublinha ainda o contributo das indicações geográficas para as comunidades rurais, através do reforço das cadeias de valor regionais, da criação de emprego local e do estímulo a atividades como o turismo. Estes regimes são também apresentados como uma forma de preservar o património agrícola europeu e de reforçar a reputação internacional dos produtos alimentares e das bebidas da UE.
A instituição disponibilizou também um novo guia sobre indicações geográficas, com uma explicação passo a passo do processo de candidatura. O documento inclui vídeos de titulares de indicações geográficas em vários países europeus, que partilham experiências sobre o reconhecimento obtido e os efeitos nos seus produtos e empresas.
Com este recurso, a Comissão pretende apoiar produtores e agrupamentos de produtores da UE na preparação de candidaturas no âmbito dos regimes de qualidade aplicáveis aos produtos agroalimentares.
Fonte: Vida Rural
O setor nacional dos pequenos frutos gerou, em 2025, um impacto de 1037 milhões de euros no Valor Acrescentado Bruto (VAB), tendo a produção nacional mais do que triplicado em dez anos, de acordo com o estudo “Plano de Impactos da Produção e Comercialização de Pequenos Frutos”, desenvolvido pela EY-Parthenon.
Do impacto total estimado no VAB, 252 milhões de euros correspondem a efeitos diretos, 309 milhões a efeitos indiretos e 476 milhões a efeitos induzidos. Segundo o estudo, cerca de 76% do impacto resulta de efeitos indiretos e induzidos, evidenciando a forma como a atividade se propaga para além da produção agrícola, com efeitos em fornecedores, serviços, comércio, logística, atividades imobiliárias, restauração, energia, construção e outras áreas da economia nacional.
Promovido por 2 empresas do sector, o relatório analisa a evolução e o impacto económico da fileira em Portugal, medindo os efeitos diretos, indiretos e induzidos no VAB, emprego, remunerações e receita fiscal.
A produção nacional de pequenos frutos mais do que triplicou em dez anos, passando de 27,6 mil toneladas em 2015 para 91,4 mil toneladas em 2025. De acordo com o estudo, a produção atingiu 580 milhões de euros em 2025, o que representa um crescimento de 72,6% face a 2020. Para 2026, a projeção aponta para um valor recorde de 645 milhões de euros.
O crescimento tem sido impulsionado sobretudo pela expansão da framboesa, da amora e do mirtilo, culturas que representam a maior parte do aumento do volume de negócios do setor desde 2020.
Joel Vasconcelos, CEO de uma das empresas do sector, afirma que “os pequenos frutos são hoje uma das fileiras mais dinâmicas da agricultura portuguesa, com escala e capacidade exportadora”. O responsável acrescenta que se trata de “um setor que é muito mais do que a produção agrícola: é uma fileira económica estruturante, com capacidade para gerar riqueza, emprego, rendimento e receita fiscal em Portugal”.
“É um setor que nasce no território, mas cujo impacto se multiplica por toda a economia. O aprofundamento do conhecimento sobre o contributo económico, social e territorial da produção de pequenos frutos em Portugal permite apoiar a necessária reflexão sobre as condições necessárias ao crescimento sustentável da fileira”, refere ainda.
O estudo indica que, em 2025, o setor gerou 34.369 empregos equivalentes a tempo completo (ETC), dos quais 17.433 resultam diretamente da atividade dos pequenos frutos. Para 2026, a EY-Parthenon projeta um aumento para 36.702 empregos ETC.
Segundo o estudo, embora Portugal não consiga competir diretamente, pela sua escala, com os maiores produtores mundiais, como o México e os Estados Unidos, o posicionamento da fileira passa por investir em culturas diferenciadas para mercados que privilegiam a qualidade face ao volume.
Em 2025, as exportações nacionais de pequenos frutos atingiram 398 milhões de euros, mais do que triplicando o valor registado há uma década.
Eduardo Bremm, diretor de Operações, refere que “o país reúne uma combinação muito particular de condições climáticas, diversidade geográfica, perícia técnica e experiência agrícola que permite produzir pequenos frutos com elevados padrões de qualidade, reconhecidos nos mercados internacionais”.
“É essa combinação – território, clima, inovação, saber e capital humano – que tem permitido afirmar o país como uma origem de referência para framboesas, mirtilos e amoras. Há 20 anos que estamos presentes em Portugal, acreditando a produção de pequenos frutos, e acreditando que o potencial deste setor deve continuar a ser desenvolvido lado a lado com os produtores, com foco na qualidade, na consistência e na sustentabilidade”, acrescenta.
Para as empresas em questão, os resultados demonstram que os pequenos frutos são uma fileira estratégica para Portugal, mas evidenciam também a necessidade de criar condições para que o crescimento seja sustentável, previsível e equilibrado.
Entre as prioridades identificadas estão a melhoria das infraestruturas públicas, a gestão eficiente da água, a simplificação administrativa, o apoio à inovação, a previsibilidade regulatória, a qualificação da mão de obra e respostas coordenadas em matéria de habitação, mobilidade e integração de trabalhadores nos territórios onde a atividade tem maior expressão.
Joel Vasconcelos defende que “o crescimento económico não dispensa responsabilidade territorial e social”. Segundo o responsável, “o caminho de crescimento dos pequenos frutos em Portugal tem sido feito, em grande medida, pela visão dos produtores, que investem, procuram soluções para atrair e integrar mão de obra e inovam em práticas agrícolas cada vez mais sustentáveis”.
“Mas é preciso que a esta visão se junte uma visão política que olhe de forma estratégica para a fileira. Para continuar a crescer, o setor precisa de políticas públicas estáveis, investimento em infraestruturas, simplificação administrativa e respostas equilibradas para os territórios onde a atividade está instalada”, conclui.
Fonte: Vida Rural
A bolota, produzida principalmente por sobreiros e azinheiras, é um recurso tradicional português com elevado potencial económico, ambiental e cultural.
A bolota em números
Em Portugal, a produção de bolotas provém de várias espécies do género Quercus, incluindo o sobreiro, a azinheira e diferentes tipos de carvalhos, como o carvalho-alvarinho, o carvalho-negral e o carvalho-português. Actualmente, e de acordo com dados do ICNF (2019), a produção nacional anual de bolota ronda, em média, as 400 mil toneladas.
De acordo com a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), esta entidade é responsável por avaliar a segurança de alimentos e rações e já analisou diversos produtos derivados do género Quercus, incluindo bolotas de Q. rotundifolia (azinheira) e Q. suber (sobreiro), considerando-os seguros para consumo. Contudo, importa referir que, em termos de uso alimentar humano, é sobretudo a bolota de azinheira que é tradicionalmente utilizada e comercializada, sendo a de sobreiro menos comum neste contexto. Ambas as espécies estão entre as mais relevantes na Europa para fins alimentares. Embora o papel da EFSA seja avaliar a segurança e não autorizar especificamente produtos, os pareceres científicos emitidos por esta entidade sustentam a utilização alimentar das bolotas.
A presença de quercíneas em Portugal é significativa, assumindo um papel relevante na paisagem e no ecossistema florestal do país. No entanto, a caracterização da sua distribuição varia consoante a fonte de dados considerada. De acordo com os dados mais recentes do Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas (IFAP), a área total ocupada por estas espécies ronda os 370 000 hectares. Contudo, os dados divulgados pelo INE apontam para uma superfície muito mais alargada, próxima dos 1 150 000 hectares.
Esta discrepância resulta do facto de os dados do IFAP se basearem exclusivamente nas áreas declaradas no Sistema de Identificação Parcelar (iSIP), um registo obrigatório para os produtores que pretendem beneficiar dos apoios da Política Agrícola Comum (PAC). Assim, muitas áreas ocupadas por quercíneas que não estão integradas neste sistema ficam fora das estatísticas do IFAP.
Entre as diferentes espécies de quercíneas, o sobreiro (Q. suber) destaca-se como a mais representativa em território nacional. Segundo o IFAP, esta espécie ocupa cerca de 363 mil hectares, o que corresponde a 98,8 % da área total de quercíneas oficialmente registada.
A bolota enquanto produtora de “Serviços Ecossistémicos”
Os seres humanos têm um papel fundamental nos ecossistemas rurais, dos quais retiram múltiplos benefícios. Esses benefícios, sejam eles directos ou indirectos, são conhecidos como serviços ecossistémicos e incluem a produção de alimentos, a disponibilização de água, a obtenção de madeira e cortiça, a protecção do solo, a regulação da qualidade da água e do ciclo hidrológico, o sequestro de carbono, bem como valores estéticos e culturais associados à paisagem, ao lazer e ao turismo.
A base para a prestação de todos estes serviços está na biodiversidade. Em Portugal Continental, esta diversidade biológica inclui mais de 3000 espécies de plantas vasculares, cerca de 400 espécies de vertebrados e um número ainda indefinido de espécies de invertebrados. Nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira, existem mais de 1700 espécies de organismos endémicos, ou seja, espécies únicas que não se encontram em mais nenhuma parte do mundo.
Em 2005, o relatório Millennium Ecosystem Assessment (MEA) trouxe estes serviços para o centro das atenções a nível global, classificando-os em quatro grandes categorias: serviços de aprovisionamento, de suporte, de regulação e culturais.
A bolota desempenha um papel essencial nos ecossistemas mediterrânicos, particularmente nos montados que são sistemas agro-silvo-pastoris reconhecidos pela sua multifuncionalidade e elevada produção de serviços dos ecossistemas.
Entre os valores directos associados à bolota destaca-se o seu uso como alimento para espécies pecuárias e fauna silvestre, integrando-se nos serviços de aprovisionamento identificados pelo MEA - Millennium Ecosystem Assessment (2005). Além disso, a sua presença contribui para a conservação da biodiversidade, proporcionando habitat e alimento a inúmeras espécies, muitas delas com estatuto de conservação.
Em termos culturais e históricos, a bolota tem sido valorizada desde tempos antigos como símbolo de fertilidade, resiliência e sustentabilidade. A paisagem do montado, onde estas espécies predominam, representa um património cultural que integra práticas agro-florestais seculares e modelos de gestão tradicional.
Do ponto de vista regulador, as árvores produtoras de bolota contribuem para a regulação do ciclo hidrológico e amenização edafo-climática, promovendo a infiltração de água no solo, a retenção de humidade e a estabilização térmica dos microclimas locais. Estes factores são essenciais na prevenção de incêndios florestais, dada a resiliência natural destas espécies e a sua baixa inflamabilidade relativa.
A bolota e os montados onde é produzida têm também um crescente potencial como espaços de educação ambiental e recreio, através de iniciativas de turismo sustentável, rotas interpretativas e acções de sensibilização, como as organizadas pela Pepe Aromas, no Alentejo. O turismo ecológico, baseado na observação da biodiversidade, gastronomia local e vivências rurais, é uma via emergente para a valorização integrada destes territórios.
Por fim, a presença destas formações arborizadas em zonas periurbanas ou rurais contribui para a manutenção da qualidade do ar e conservação do solo e da água, integrando-se nos serviços de suporte e regulação previstos no quadro do MEA - Millennium Ecosystem Assessment (2005).
Fonte: TecnoAlimentar
A produtividade do trabalho agrícola em Portugal aumentou 277% nas últimas três décadas, num período em que os salários no setor cresceram mais de 50% na última década, acima da média da economia nacional.
Segundo a análise da CONSULAI, apesar da evolução em produtividade, investimento e competitividade, a renovação geracional mantém-se como um dos principais desafios para a agricultura portuguesa.
A idade média da mão de obra familiar agrícola passou de 46 para 59 anos em cerca de 30 anos, enquanto o número de trabalhadores familiares caiu mais de 50%. A tendência de envelhecimento é também visível ao nível europeu, onde apenas 12% dos gestores agrícolas têm menos de 40 anos.
“Durante décadas, a agricultura portuguesa resolveu o desafio da produtividade. Hoje, o desafio é outro: garantir quem vai liderar, investir e produzir no futuro. O maior risco para o setor deixou de ser tecnológico ou económico e passou a ser humano. A renovação geracional é uma condição essencial para a competitividade da agricultura portuguesa e para a capacidade de o país responder aos desafios alimentares, ambientais e territoriais das próximas décadas”, afirma Pedro Santos, diretor-geral da CONSULAI.
Entre 2007 e 2022, instalaram-se em Portugal 10.513 jovens agricultores, responsáveis por mais de 1,5 mil milhões de euros de investimento e pela gestão de mais de 252 mil hectares de superfície agrícola. Segundo a informação disponibilizada, trata-se de uma geração com idade média de 33 anos, maioritariamente com formação superior ou técnico-profissional especializada. Ainda assim, quase um terço iniciou atividade sem experiência prévia no setor.
Entre os principais obstáculos identificados estão o acesso à terra, o financiamento, a escala económica das explorações e a integração em mercados organizados. A sustentabilidade dos projetos agrícolas liderados por novos produtores surge, assim, associada não apenas à motivação dos jovens, mas também à existência de condições estruturais para que estes negócios possam ganhar escala e competitividade.
“Existe ainda um desfasamento significativo entre a perceção pública e a realidade do setor. A agricultura de hoje é uma atividade empresarial, tecnológica e altamente especializada. Atrair talento exige mostrar que estamos perante um setor com futuro, capacidade de inovação e oportunidades de carreira qualificadas”, acrescenta Pedro Santos.
A renovação geracional assume relevância económica num setor com peso nas exportações, no emprego e na criação de valor. Em 2023, o complexo agroflorestal gerou 9,4 mil milhões de euros de Valor Acrescentado Bruto, representando 5,1% do PIB nacional. O setor assegurou ainda 456 mil postos de trabalho e exportações de 15,2 mil milhões de euros, equivalentes a cerca de 12% das exportações nacionais.
Num contexto de pressão sobre a segurança alimentar, alterações climáticas e necessidade de gestão sustentável do território, a entrada de novos profissionais é apontada como um fator crítico para a competitividade futura do setor.
“Quando falamos de renovação geracional estamos a falar da capacidade de Portugal assegurar produção alimentar, criar emprego, valorizar os territórios rurais e manter uma economia mais resiliente. O desafio é nacional e exige uma visão de longo prazo”, defende Rui Almeida, diretor da CONSULAI.
Estes temas serão abordados no B-Rural Summit, iniciativa promovida pela CONSULAI, que terá lugar no dia 23 de junho, em Lisboa, reunindo especialistas, empresários, jovens empreendedores e decisores para discutir o futuro da agricultura e da floresta em Portugal.
Fonte: Vida Rural
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