Portuguese English French German Italian Spanish

  Acesso à base de dados   |   em@il: qualfood@idq.pt

As culturas lenhosas mediterrânicas destacam-se pelo equilíbrio entre rentabilidade, estabilidade de mercado e adaptação climática.

O regadio intensivo (abacate, citrinos e frutos vermelhos) oferece maiores receitas por hectare, mas com maior risco hídrico e exigência técnica.

O mercado de quintas rústicas produtivas registou um crescimento de 72% no volume de anúncios em 2025, com clara preferência pela segurança hídrica e propriedades sustentáveis que rodam mais rápido.

O setor agrícola português consolida-se como um mercado estratégico para o investimento. Segundo o Relatório sobre Culturas mais Rentáveis e Sustentáveis em Portugal, elaborado pela Cocampo – a plataforma de anúncios especializada na venda e arrendamento de fincas rústicas, a combinação de práticas sustentáveis, adoção tecnológica e uma clara orientação para culturas de alto valor acrescentado está a transformar o mapa agrícola do país.

Num contexto de transição para a eficiência produtiva, o relatório sublinha que a escolha da cultura e a sua perfeita adequação territorial são os fatores determinantes para garantir rentabilidade e resiliência climática.

O equilíbrio das culturas lenhosas

A análise posiciona as lenhosas mediterrânicas — olival, vinha de qualidade e frutos secos como amendoeira e pistácio — como as culturas com melhor equilíbrio para o investidor.

Estes produtos beneficiam de uma procura global sólida e registam uma melhoria progressiva nos retornos históricos. A modernização, especialmente através de sistemas superintensivos, permite acelerar a recuperação do investimento com mecanização da colheita e otimização de custos, além de oferecer maior resiliência ao stress hídrico.

Fruticultura de alta margem: receitas e desafios

Para projetos com elevada capacidade técnica, o relatório indica que o abacate, os citrinos e os frutos vermelhos (mirtilos, framboesas e morangos) apresentam as maiores receitas potenciais por hectare.
Contudo, o sucesso destes modelos depende de disponibilidade garantida de água e de uma infraestrutura logística exigente, dada a perecibilidade dos frutos.

Dinamismo do mercado de quintas rústicas

Os dados internos da plataforma Cocampo revelam um forte dinamismo nas quintas rústicas com vocação produtiva. Em 2025 registou-se um crescimento de 72% no volume de anúncios face ao ano anterior.
A oferta concentra-se especialmente no Algarve (44,6%), Norte (14,9%), Centro (10,9%) e Alentejo (6,8%). Cerca de 48% das propriedades apresentam condições ideais para olival intensivo ou superintensivo, 18% para vinha de qualidade, 15% para frutos secos e um crescente 12% para frutos vermelhos e abacate em zonas com regadio consolidado.

A procura privilegia claramente a segurança hídrica: as pesquisas de fincas com direitos de água ou regadio aumentaram 32%. As propriedades com características sustentáveis rodam 22% mais rápido no mercado.

“A agricultura em Portugal deixou de ser uma atividade tradicional para se tornar num setor onde convergem a tecnologia de precisão e a sustentabilidade. O que realmente importa já não é apenas produzir, mas otimizar o uso da água e a saúde do solo para que cada exploração seja um ativo valioso a longo prazo”, concluem da Cocampo.

Aceda aqui ao relatório.

Fonte: Agroportal

Uma nova geração de trigo capaz de suportar secas prolongadas, ondas de calor e solos cada vez mais pobres está a ganhar forma — e o motor desta transformação não é um laboratório tradicional, mas sim inteligência artificial (IA). Investigadores europeus anunciaram esta semana um avanço que pode redefinir a segurança alimentar num planeta em aquecimento acelerado.

A tecnologia analisa milhões de combinações genéticas em minutos, algo que levaria décadas a olho humano. O sistema cruza dados de clima, solo, produtividade e resistência a pragas, identificando padrões invisíveis até para especialistas experientes. O resultado é uma espécie de “GPS genético” que aponta, com precisão inédita, quais as variedades de trigo têm maior probabilidade de prosperar num futuro climático imprevisível.

Os cientistas envolvidos descrevem o impacto como “um salto evolutivo assistido”. Em vez de esperar que a natureza faça o seu trabalho ao longo de gerações, a IA acelera o processo, permitindo que agricultores tenham acesso a sementes mais robustas muito antes de as condições se tornarem críticas.

Além de aumentar a resiliência, o sistema também ajuda a reduzir desperdício: evita testes de campo longos e dispendiosos, concentra recursos nas variedades mais promissoras e diminui a dependência de fertilizantes e irrigação intensiva.

Fonte: Qualfood

Uma equipa de investigadores liderada pela Universidade Northwestern, nos Estados Unidos da América (EUA), desenvolveu uma célula de combustível que utiliza microrganismos presentes no solo para gerar eletricidade, com potencial aplicação na alimentação de sensores usados na agricultura de precisão.

O dispositivo, de pequenas dimensões, produz energia ao capturar os eletrões libertados pelos microrganismos durante a decomposição da matéria orgânica.

Segundo os cientistas, esta abordagem permite gerar quantidades reduzidas de eletricidade, suficientes para alimentar sensores subterrâneos sem recurso a baterias convencionais.

A tecnologia foi testada na monitorização de parâmetros como a humidade do solo e a deteção de toque, podendo também ser aplicada no acompanhamento de movimentos de fauna em áreas agrícolas. O sistema inclui ainda uma antena que transmite dados utilizando sinais de radiofrequência existentes.

Segundo os investigadores, o dispositivo demonstrou funcionamento consistente em diferentes condições, incluindo solos secos e ambientes alagados, apresentando uma duração cerca de 120% superior à de sistemas semelhantes.

A agricultura de precisão depende de redes alargadas de sensores para monitorizar variáveis como humidade, nutrientes e contaminantes, apoiando a tomada de decisão e a gestão da produção. No entanto, o fornecimento de energia a estes dispositivos continua a ser um desafio, devido à necessidade de substituição de baterias ou às limitações dos sistemas solares.

“Se imaginarmos um futuro com biliões destes dispositivos, não podemos construir cada um deles com lítio, metais pesados e toxinas perigosas para o ambiente, por isso,  precisamos de encontrar alternativas que forneçam pequenas quantidades de energia”, afirmou Bill Yen, líder do projeto. O investigador acrescenta que, enquanto houver carbono orgânico no solo, “a célula de combustível pode potencialmente durar para sempre”.

As células de combustível microbianas funcionam de forma semelhante a baterias, mas utilizam bactérias para libertar eletrões que geram corrente elétrica. “Esses microrganismos já vivem no solo um pouco por todo o lado e, por isso, podemos usar sistemas de engenharia simples para capturar a eletricidade que produzem”, referiu George Wells, um dos autores do estudo, sublinhando que a tecnologia se destina a aplicações de baixo consumo.

Para ultrapassar limitações associadas a versões anteriores, a equipa desenvolveu um novo design que posiciona os componentes em orientação perpendicular, permitindo manter simultaneamente condições de humidade e acesso ao oxigénio. Esta configuração melhora o desempenho em ambientes secos e aumenta a resistência a inundações.

O protótipo final foi testado em condições reais, tendo gerado, em média, 68 vezes mais energia do que a necessária para o funcionamento dos sensores. O trabalho continua em desenvolvimento, com foco na melhoria da eficiência e na utilização de materiais biodegradáveis.

Fonte: Vida Rural

Estudo mostra que um sistema de inteligência artificial pode reconhecer doenças em folhas com alta precisão e acelerar a monitorização das lavouras, abrindo espaço para respostas mais rápidas no campo e decisões orientadas.

Quando uma lavoura começa a perder vigor, a folha quase sempre dá os primeiros sinais. Manchas, mudanças de cor, deformações e áreas secas costumam aparecer antes de o problema se transformar em queda de produtividade. Um estudo aceite para publicação na Scientific Reports, que apresenta um sistema de inteligência artificial capaz de classificar doenças foliares com alta precisão e velocidade.

No trabalho, os investigadores desenvolveram o modelo DeepGreen, baseado numa arquitetura Conv-7 DCNN (Rede Neural Convolucional Profunda com 7 camadas convolucionais) com camada de atenção modificada, para identificar doenças em folhas de tomate, batata e pimentão. O resultado reportado foi de 99,18% de acurácia, com precisão média de 99,17%, números que colocam o sistema entre os mais fortes do conjunto comparado no artigo.

Uma foto da folha pode tornar-se alerta mais rápido

O estudo parte de uma ideia fácil de perceber: usar imagens das folhas para reconhecer padrões que, a olho nu, podem ser confundidos ou percebidos tarde demais. Para treinar o sistema, os autores utilizaram o banco PlantVillage, disponível publicamente no Kaggle, com 20.638 imagens distribuídas em 15 categorias ligadas a folhas saudáveis e doentes de tomate, batata e pimentão. As imagens passaram por redimensionamento, normalização e aumento artificial de dados para reforçar o treino do modelo.

Na prática, isto significa transformar a câmara numa espécie de triagem inicial. O sistema não “cura” a planta e tampouco substitui o especialista, mas pode encurtar o intervalo entre o aparecimento do sintoma e a decisão de manejo. Segundo o artigo, o modelo também teve desempenho compatível com aplicações em tempo real, com 112,49 quadros por segundo, tempo de inferência de 18,34 segundos para 2.064 amostras de teste e 8,89 milissegundos por imagem.

Porque isto interessa além do laboratório?

O ponto mais relevante da investigação não é apenas a taxa alta de acerto, mas a utilidade prática de ganhar tempo. Em culturas sensíveis, dias de atraso entre o primeiro sintoma e a resposta no campo podem elevar perdas e encarecer o manejo. O estudo mostra que a proposta superou modelos conhecidos usados como comparação, como VGG-19, MobileNet, ResNet50V2, InceptionV3 e DenseNet121; neste conjunto, o DenseNet121 foi o melhor entre os pré-treinados, com 93,12% de acurácia, abaixo dos 99,18% do modelo proposto.

Numa rotina agrícola, uma ferramenta assim pode ajudar a:

  • priorizar áreas com suspeita mais forte de infeção;
  • organizar inspeções de forma mais rápida;
  • registar a evolução visual dos sintomas;
  • reduzir a demora entre observação e decisão;
  • apoiar equipas que não têm acesso imediato a especialistas.

O valor está em acelerar a leitura inicial do problema, principalmente quando a área é grande ou o acompanhamento precisa de ser frequente.

Alta precisão não elimina a necessidade de validação

O próprio artigo faz um alerta importante: mesmo com resultado muito alto, ainda existe possibilidade de erro. Os autores destacam que falsos negativos podem atrasar o tratamento e ampliar perdas, enquanto falsos positivos podem levar a intervenções desnecessárias e aumentar custos.

Outro sinal interessante é que o modelo também foi testado noutros conjuntos de dados. No banco de milho, alcançou 97,38% de acurácia; no de alface, 0,97. Estes números sugerem potencial de generalização, mas ainda não resolvem a principal pergunta do uso quotidiano: como o sistema se comporta em campo real, com variações de luz, sombra, poeira, sobreposição de folhas e câmaras diferentes.

A notícia, portanto, não é a chegada de uma solução mágica, e sim o avanço de uma ferramenta que pode tornar a monitorização agrícola mais rápida, mais padronizado e mais útil para decisões práticas.

Fonte: tempo.pt

Investigadores na África do Sul desenvolveram a primeira videira geneticamente editada no continente africano. Os cientistas usaram a tecnologia CRISPR para aumentar a resistência a doenças e melhorar a tolerância à escassez de água. Um avanço com potencial para proteger a produção de uvas das alterações climáticas.

Uma equipa de cientistas da Stellenbosch University e do Agricultural Research Council, na África do Sul, alcançou um marco histórico na biotecnologia africana ao desenvolver a primeira videira editada geneticamente no continente.

O trabalho, publicado na revista científica Plant Stress, utilizou a tecnologia CRISPR-Cas9 para desativar um gene específico, conhecido como VvDMR6.1, associado à suscetibilidade das plantas a infeções.

O principal objetivo foi combater o míldio, uma doença fúngica devastadora que representa uma ameaça constante à viticultura em todo o mundo. Ao silenciar este gene, os cientistas conseguiram reduzir significativamente a vulnerabilidade da videira ao agente patogénico.

Além da resistência a doenças, os resultados revelaram um benefício adicional inesperado: as plantas editadas demonstraram maior capacidade de conservação de água. Este efeito duplo sugere que uma única alteração genética direcionada pode reforçar simultaneamente a defesa contra pragas e a adaptação a condições ambientais adversas, como a seca.

De acordo com a investigadora principal, Manuela Campa, esta inovação surge num momento crítico, em que as alterações climáticas estão a intensificar tanto os períodos de seca como a incidência de doenças nas culturas agrícolas.

Embora a edição genética já seja amplamente aplicada em culturas anuais, a sua utilização em espécies lenhosas perenes, como a videira, tem sido limitada devido aos longos ciclos de melhoramento e à complexidade dos processos de regeneração. Este avanço poderá, assim, abrir caminho a práticas agrícolas mais sustentáveis e resilientes em África.

Esta descoberta tem implicações importantes para o futuro da produção de vinho e de uvas de mesa no continente, ajudando a proteger culturas de elevado valor económico face a um ambiente cada vez mais instável.

Leia aqui o estudo.

Fonte: Centro de informação de biotecnologia

O atum é mais do que um alimento presente em milhões de mesas. É um pilar económico para comunidades costeiras, um motor de exportações e uma peça-chave no equilíbrio dos ecossistemas marinhos. Mas, neste Dia Mundial do Atum, especialistas e organizações internacionais reforçam uma mensagem clara: a sobrevivência desta espécie depende das escolhas que fazemos agora.

Com a procura global em alta e várias populações de atum sob pressão, a FAO e diversas entidades ambientais alertam para a necessidade de reforçar práticas de pesca sustentável, melhorar a rastreabilidade e combater a pesca ilegal — um problema que continua a ameaçar a recuperação de várias espécies.

Portugal em destaque: tradição, consumo e responsabilidade

Portugal, um dos maiores consumidores de peixe per capita do mundo, tem no atum um produto emblemático — seja fresco, em conserva ou transformado. As indústrias conserveiras nacionais, reconhecidas internacionalmente, têm vindo a investir em certificações de sustentabilidade e em métodos de captura mais responsáveis, alinhando-se com as exigências dos mercados europeus.

Neste 2 de maio, associações do setor reforçam o compromisso com práticas que garantam que o atum continue a ser um recurso abundante para as próximas gerações, sem comprometer a biodiversidade marinha.

Sustentabilidade no prato: o poder está nas escolhas do consumidor

A celebração deste dia é também um convite ao público:

  • optar por atum certificado (como MSC);
  • valorizar marcas que investem em pesca responsável;
  • diversificar o consumo de espécies;
  • e apoiar iniciativas de conservação dos oceanos.

Cada escolha conta — e pode ser decisiva para travar a sobre-exploração.

Um futuro possível: oceanos saudáveis, comunidades resilientes e atum para todos

O Dia Mundial do Atum não é apenas uma efeméride. É um lembrete de que a relação entre humanidade e oceano está num ponto crítico. A boa notícia é que, quando a gestão é rigorosa e a pesca é sustentável, as populações de atum mostram uma capacidade extraordinária de recuperação.

A pergunta que fica no ar é simples: vamos agir a tempo de garantir que este símbolo dos mares continue a fazer parte do nosso futuro?

Fonte: Qualfood

Um estudo internacional revelou a presença de microplásticos e nanoplásticos em quase todas as amostras de tecido cerebral analisadas, levantando novas questões sobre como estas partículas entram no organismo humano e quais poderão ser os seus efeitos na saúde.

A investigação analisou amostras de cérebro de 113 pacientes com tumores cerebrais e 35 doações post-mortem de indivíduos sem doença oncológica. Os resultados indicam que foram detetados microplásticos ou nanoplásticos em 99,4% das amostras com doença e em 100% das amostras de cérebros saudáveis.

Os investigadores observaram ainda concentrações mais elevadas de nanoplásticos nas áreas próximas de tumores, o que poderá sugerir uma maior permeabilidade da chamada barreira hematoencefálica em contextos de doença, facilitando a entrada destas partículas no tecido cerebral.

barreira hematoencefálica é um mecanismo natural de proteção que regula a passagem de substâncias entre o sangue e o cérebro, sendo essencial para manter o sistema nervoso central isolado de toxinas e agentes externos.

Apesar dos resultados, os autores sublinham que ainda há grande incerteza científica sobre a forma como os microplásticos chegam ao cérebro e sobre os seus impactos reais na saúde humana. Os métodos atuais de deteção apresentam resultados inconsistentes, o que limita a interpretação dos dados.

Os investigadores defendem a necessidade de desenvolver tecnologias mais precisas para rastrear microplásticos no organismo e compreender melhor a sua distribuição nos tecidos humanos.

Embora a presença destas partículas seja agora amplamente confirmada, permanece por esclarecer se estão diretamente associadas ao desenvolvimento de doenças ou se a sua acumulação tem efeitos clínicos significativos.

Fonte: GreenSavers

Durante anos, o debate em torno das proteínas alternativas girou quase exclusivamente em torno da soja, da ervilha e do trigo. O feijão mungo – Vigna radiata, cultivado há milénios na Ásia, Índia e Médio Oriente – ficou à margem, apesar de reunir um conjunto de características que o tornam particularmente atrativo para a formulação de produtos inovadores.

A GlobalData, identificou o feijão mungo como uma oportunidade de inovação de primeira linha para os fabricantes que procuram diferenciar-se no saturado segmento das proteínas vegetais, destacando o seu perfil comparável à carne em termos funcionais como um elemento diferenciador chave.

O mercado global de proteína de feijão mungo foi avaliado em cerca de 890 milhões de dólares e deverá crescer para 1.700 milhões de dólares até 2032, a um ritmo anual composto de 8,5%. Um crescimento expressivo, impulsionado por um conjunto de fatores que se reforçam mutuamente: a transição para dietas mais ricas em proteínas vegetais, a procura de ingredientes com perfil clean label, a expansão do mercado de análogos de carne e a crescente insatisfação dos consumidores com produtos ultratransformados à base de soja.

Funcionalidade que rivaliza com a carne

O argumento técnico a favor do feijão mungo é sólido. A sua proteína apresenta capacidades de absorção de água e de gordura comparáveis às da proteína de soja, dois dos atributos mais críticos para replicar a suculência e a textura da carne em produtos plant-based. Estudos laboratoriais mostram que, em análogos de carne de alta humidade produzidos por extrusão, o isolado proteico de feijão mungo gera estruturas fibrosas semelhantes à carne quando a sua concentração atinge os 40 a 50% da formulação – um resultado que poucas proteínas vegetais conseguem igualar sem recurso a aditivos. 

A proteína 8S globulina presente no feijão mungo apresenta uma estrutura molecular com 68% de identidade de sequência com a beta-conglicinina da soja, o que explica o seu comportamento funcional similar. Além disso, a sua capacidade de gelificação melhora com o aumento da temperatura, o que é relevante para processos industriais de alta intensidade. A estas vantagens junta-se uma propriedade sensorial interessante: através de hidrólise enzimática, a proteína de feijão mungo pode desenvolver aroma e sabor subtilmente umami – características tipicamente associadas à carne.

Clean label, sem alergénios, sustentável

Para além das propriedades funcionais, o feijão mungo acumula vantagens competitivas noutras dimensões que os fabricantes valorizam cada vez mais. É naturalmente hipoalergénico – ao contrário da soja e do trigo, dois dos principais alergénios alimentares -, o que alarga o seu potencial de mercado a consumidores com restrições alimentares específicas. É também uma leguminosa com baixo impacto ambiental, fixadora de azoto no solo, que requer menos água e terra por quilo de proteína produzida do que a maioria das culturas proteicas de referência.

Do ponto de vista do consumidor, a simplicidade do ingrediente é uma vantagem: o feijão mungo é reconhecível, tem história culinária em múltiplas culturas e presta-se a formulações com listas de ingredientes curtas. Num contexto em que 64% dos consumidores globais afirmam preferir produtos plant-based com menos processamento, segundo a Innova Market Insights, este atributo é cada vez mais um critério de decisão de compra.

Europa como terreno fértil, mas ainda subexplorado

Na Europa, o crescimento do mercado de proteínas vegetais encontra suporte nas metas de diversificação proteica que vários retalhistas de peso já assumiram publicamente. A Ahold Delhaize comprometeu-se a que 50% das proteínas vendidas nas suas lojas europeias sejam de origem vegetal até 2030. A Carrefour superou em 2024 o seu objetivo de 500 milhões de euros em vendas plant-based – dois anos antes do previsto. A penetração do feijão mungo neste ecossistema, porém, mantém-se limitada: a maioria das formulações plant-based europeias continua a depender da ervilha e da soja importada.

A diversificação de fontes proteicas é apontada por analistas da GlobalData como uma prioridade estratégica para o sector. A dependência excessiva de poucas culturas cria vulnerabilidade na cadeia de abastecimento e fragiliza a resiliência das marcas em contextos de volatilidade de preços ou disrupção logística. O feijão mungo – cuja produção global atingiu 5,3 milhões de toneladas métricas em 2026, com destaque para a Índia, que registou um recorde de 3,8 milhões de toneladas – oferece uma alternativa com cadeia de abastecimento estruturada e preços relativamente estáveis.

Janela de oportunidade para os fabricantes

O momento é propício para os fabricantes que queiram posicionar-se neste segmento antes que a competição se intensifique. A proteína de feijão mungo é ainda um ingrediente de nicho nas prateleiras europeias, mas a janela está a abrir-se: a procura supera a oferta nos mercados retalhistas europeus e norte-americanos, os custos de extrusão e processamento estão a baixar com a escala, e a investigação sobre modificações tecnológicas da proteína – ultrassonificação, ajuste de pH, spray-drying – está a alargar as suas aplicações funcionais.

As categorias com maior potencial de incorporação incluem análogos de carne (hambúrgueres, salsichas, produtos fatiados), ovos vegetais – onde o feijão mungo já é o ingrediente central em marcas como a JUST Egg - snacks proteicos, bebidas funcionais e produtos de padaria enriquecidos. Em todos estes segmentos, a vantagem competitiva do feijão mungo sobre a ervilha e a soja reside numa combinação difícil de replicar: funcionalidade técnica elevada, perfil nutricional completo, menor alergenia, apelo clean label e uma narrativa de sustentabilidade credível. Para os fabricantes dispostos a investir em formulação e em cadeia de abastecimento, o feijão mungo pode ser o próximo grande salto proteico.

Fonte: Grande Consumo

DGAV | Flavescência dourada da videira

  • Thursday, 30 April 2026 11:11

No contexto do programa de contenção e erradicação da flavescência dourada da videira, a DGAV procede à divulgação dos seguintes documentos:

EDITAL 2/2025/FD_ST
Luta contra a doença “Flavescência Dourada” e seu vetor Scaphoideus titanus Ball.
Notificação da aplicação de medidas fitossanitárias na zona demarcada em contenção, que se mantem em vigor

EDITAL 1/2026/FD_ST
Notificação da Aplicação de Medidas Fitossanitárias
Luta contra a doença “Flavescência Dourada” e seu vetor Scaphoideus titanus Ball

DESPACHO n.º 69/G/2026
Manutenção das Zonas Demarcadas em Erradicação para a doença da Flavescência Dourada (Grapevine flavescence dorée phytoplasma) e atualização da lista de freguesias onde o inseto vetor Scaphoideus titanus Ball está presente, com indicação do n.º de tratamentos obrigatórios, face ao risco de disseminação da doença.

 

Fonte: DGAV

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), através das suas Unidades Regionais, realizou no mês de abril, uma operação nacional de segurança alimentar centrada na verificação da presença de acrilamida, um contaminante que se forma em alimentos ricos em hidratos de carbono quando sujeitos a processos de confeção ou transformação a temperaturas superiores a 120ºC, e em condições de baixa humidade, por poder representar riscos relevantes para a saúde dos consumidores e dirigida ao setor da indústria das batatas fritas e aperitivos.
Esta operação teve como propósito avaliar o cumprimento das normas de segurança alimentar aplicáveis e as medidas preventivas e de controlo adequadas para a mitigação da formação de acrilamida nos produtos fabricados, com análise das práticas de fabrico adotadas pelos operadores e os sistemas HACCP implementados, e ainda de licenciamento da atividade.
No âmbito desta operação, foram fiscalizados 15 operadores económicos, tendo destas ações resultado a instauração de seis processos contraordenacionais por incumprimentos em matéria de higiene e segurança alimentar, incluindo a violação dos requisitos gerais e específicos de higiene previstos no Regulamento (CE) n.º 852/2004 e a inexistência de processos baseados nos princípios do HACCP.
Foram apreendidas cerca de 2 toneladas de aperitivos, 40 kg de batatas fritas, mais de 27 600 embalagens de produtos alimentares, cerca de 2 toneladas de bobines de rótulos de produtos alimentares e ainda, um instrumento de pesagem.

Foram ainda detetadas infrações relativas às práticas de rotulagem, ao regime geral do controlo metrológico legal dos métodos e instrumentos de medição, ao início de exploração de estabelecimento industrial de tipo 3 sem o devido enquadramento legal, e ao Código da Propriedade Industrial, nomeadamente o uso indevido de nome, insígnia ou logótipo.

Fonte: ASAE