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O apoio extraordinário de 12 milhões de euros será pago diretamente pelo Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP) aos viticultores durienses, em função da quantidade de uvas que fique por colher nesta vindima.

O Ministério da Agricultura e Mar explica em comunicado, algumas das normas para a atribuição do apoio excecional e adianta que a portaria que estabelece as regras de acesso à medida já foi assinada pelo ministro da Agricultura e enviada para publicação em Diário da República (DR).

O Governo aprovou, em Conselho de Ministros, Resolução do Conselho de Ministros nº177/2026, um regime de exceção, com uma dotação global de 12 milhões de euros, para garantir um apoio ao rendimento dos viticultores do Douro que, devido às atuais dificuldades de mercado, não consigam vender a totalidade das suas uvas na campanha de 2026-2027.

O montante, explica o ministério, será pago diretamente pelo IVDP em função da quantidade de uvas que fique por colher.

O valor atribuído será calculado comparando a produção declarada em 2026 com a produção média de cada viticultor nas cinco campanhas anteriores, ficando a concessão limitada a 1.125 euros por hectare.

Os viticultores devem identificar na candidatura as parcelas abrangidas e manter as uvas na vinha até à verificação pelo IVDP, sendo o apoio pago de uma só vez após o controlo no local.

Na nota de imprensa, o ministério explica que este regime de exceção “insere-se num quadro de medidas para normalizar o setor vitivinícola, salvaguardar a sustentabilidade económica, social e ambiental, e proteger os produtores e o património cultural e paisagístico da região duriense”.

Os problemas de escoamento de uvas agravaram-se este ano no Douro. Há viticultores que se queixam de não terem compradores, outros que só terem venda assegurada as uvas do benefício, ou seja, a quantidade de mosto que cada um pode destinar para a produção de vinho do Porto, e queixam-se também do baixo preço a que a uva lhes é paga.

Do outro lado, os operadores alertam para os ‘stocks’ cheios e as quebras nas vendas de vinhos.

Fonte: Agroportal

Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) e do Laboratório Associado para a Química Verde (LAQV-REQUIMTE) está a desenvolver ferramentas para detetar precocemente doenças nos pomares de pera-rocha da região Oeste, onde fungos, bactérias e outros microrganismos podem provocar perdas económicas aos produtores. Para tal, no próximo ano vão instalar pequenos captadores de esporos colocados, à altura da copa das pereiras, em Torres Vedras.

“Estas doenças podem comprometer seriamente a qualidade dos frutos, reduzir a produtividade dos pomares e provocar perdas económicas significativas e a longo prazo”, começa por alertar Conceição Santos, professora da FCUP e coordenadora deste projeto integrado no LAQV-REQUIMTE, citada num comunicado.

 Nesse sentido, a equipa está a desenvolver tecnologias de “diagnóstico molecular de elevada especificidade”, capazes de identificar rapidamente a presença destes organismos. Como “é o caso de uma ferramenta baseada em TaqMAN — uma tecnologia que permite detetar e quantificar, em tempo real, material genético de patógenos — para distinguir populações de Stemphylium patogénicas para a pereira”, detalha a FCUP na mesma nota.

Com esta investigação, a equipa quer perceber se nestes pomares há fungos, bactérias ou outros microrganismos causadores de doenças, antes de os seus efeitos serem visíveis na pera-rocha.

Este trabalho é desenvolvido no âmbito do projeto europeu BiomeHealth, com um financiamento de 1,5 milhões de euros — atribuídos pelo programa Horizonte Europa –, e centra-se, essencialmente, num fungo e numa bactéria. O primeiro, o Stemphylium vesicarium, é o responsável pela mancha castanha da pereira, e o segundo, “a Erwinia amylovora, pelo fogo bacteriano“.

Segundo a equipa de investigadores, “estes organismos, causadores de vários prejuízos nestas árvores de fruto, têm formas de atuação distintas. A dificuldade está em detetá-los precocemente, distingui-los e perceber quando e como devem ser atacados para reduzir a aplicação de pesticidas”.

No futuro, a equipa tenciona alargar o projeto ao resto do país para estudar a realidade dos pomares portugueses, incluindo também outras árvores de fruto, como as macieiras e os marmeleiros. Mas, por enquanto, está mais focada no desenvolvimento de ferramentas específicas para a região Oeste.

A equipa pretende capacitar investigadores, agricultores e indústria, assim como contribuir para uma agricultura mais sustentável, competitiva e resiliente.

Fonte: SAPO

 

A EFSA concluiu a reavaliação do aditivo alimentar sal de aspartame-acessulfame (E 962) e concluiu que a sua utilização não suscita preocupações de segurança. 

O sal de aspartame-acessulfame é um edulcorante autorizado para utilização numa variedade de alimentos e bebidas sem açúcar e com baixo valor energético. Uma vez ingerido, dissocia-se em seus componentes individuais aspartame e acessulfame. 

O Painel não encontrou preocupações de segurança associadas às utilizações e aos níveis de utilização atualmente comunicados de acessulfame K (E 950), aspartame (E 951) e sal de aspartame-acessulfame E 962. 

Esta conclusão baseia-se na dose diária admissível previamente estabelecida. (DDA) para o aspartame de 40 mg/kg de peso corporal por dia, agora reconfirmada, e para a DDA recentemente revista para o acessulfame K de 15 mg/kg de peso corporal por dia. As estimativas atuais de exposição em todos os grupos etários permanecem abaixo destas DDAs.

Os peritos recomendam a atualização das especificações da UE para o E 962, a fim de assegurar a conformidade com as especificações para o aspartame e o acessulfame K utilizados na sua produção. 

Em consonância com a abordagem aplicada a outros edulcorantes reavaliados, recomendam igualmente a revisão dos limites para o arsénio e o chumbo nas especificações para o aspartame (E 951).

Fonte: EFSA

Agrivoltaico: A agricultura vs a energia solar

  • Wednesday, 16 September 2026 13:29

O SYMBIOSYST investiga sistemas inovadores para ir além da ideia de que a produção de energia solar e a agricultura são dois setores separados, e encontrar uma nova sinergia em que a terra e as culturas, bem como a energia fotovoltaica, possam ter uma relação mutuamente benéfica.

O projeto europeu financiado pelo programa Horizonte Europa, reúne 17 parceiros de toda a Europa e tem duração de quatro anos.

O projeto desenvolve diferentes soluções fotovoltaicas para a agricultura em campo aberto e em estufas e a sua demonstração em quatro tipos de paisagem rural, em 6 países europeus diferentes: Alemanha, Bélgica, Espanha, Itália e Portugal em culturas de frutas e legumes, e outro nos Países Baixos, sobre uma estufa. Estes estudos de caso permitirão à equipa do projeto avaliar a produção de eletricidade e o seu potencial de reutilização local em vários contextos: para satisfazer as necessidades energéticas de uma comunidade energética, de uma zona industrial, de um consórcio de frutas e legumes ou da própria exploração agrícola.

A prioridade da investigação é o bem-estar das culturas. Nas várias instalações-piloto, foram instalados sensores para medir parâmetros como a temperatura, a humidade e a radiação solar. Os indicadores agrícolas serão também monitorizados, a fim de avaliar o impacto dos sistemas fotovoltaicos nas plantas. Graças aos sistemas de monitorização «gémeos» instalados em cada local, os dados recolhidos podem ser comparados para fornecer informações concretas sobre como promover uma verdadeira simbiose entre a agricultura e a produção de energia.

Em Portugal - Horta urbana solar

O projeto está em funcionamento desde o início de 2023, combinando a produção de energia solar com a horticultura sintrópica urbana. O sistema agrovoltáico está instalado no laboratório de energia solar ao ar livre, no campus da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Fonte: Qualfood

 

A Comissão Europeia lançou um convite à apresentação de contributos para preparar dois atos que irão definir os procedimentos e requisitos de informação necessários à aplicação do novo regulamento europeu sobre plantas obtidas através de determinadas novas técnicas genómicas (NTG). Os interessados podem participar até 28 de setembro.

A Comissão Europeia abriu uma consulta destinada a recolher contributos para a preparação de dois atos jurídicos que serão fundamentais para a aplicação do novo regulamento da União Europeia sobre plantas obtidas através de determinadas novas técnicas genómicas (NTG). O convite à apresentação de contributos foi publicado a 31 de agosto e está aberto até 28 de setembro de 2026.

Os futuros atos (um ato delegado e um ato de execução) irão estabelecer, entre outros aspetos, os requisitos de informação e os procedimentos aplicáveis à verificação do estatuto das plantas NTG de categoria 1, bem como à notificação da libertação deliberada e aos pedidos de colocação no mercado de plantas NTG e de alimentos e rações que as contenham, sejam constituídos por elas ou delas produzidos.

Categoria 1: equivalência com o melhoramento convencional

O novo regulamento europeu, adotado pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho em junho deste ano, estabelece duas categorias de plantas obtidas por NTG. As plantas de categoria 1 (NTG-1) são consideradas equivalentes às plantas que poderiam ser obtidas através de métodos convencionais de melhoramento, desde que cumpram os critérios definidos na legislação.

Estas plantas ficam sujeitas a um procedimento de verificação do seu estatuto e passam a ser tratadas, em regra, de forma semelhante às plantas obtidas por melhoramento convencional, não lhes sendo aplicados os requisitos previstos na legislação europeia sobre organismos geneticamente modificados. Já as plantas de categoria 2 (NTG-2), que envolvem modificações genéticas mais complexas, continuam abrangidas pelo regime dos OGM e estão sujeitas a avaliação de risco, autorização, rastreabilidade e rotulagem.

O regulamento entrou em vigor a 16 de julho de 2026, mas só será aplicável a partir de 17 de julho de 2028. Até essa data, as plantas e produtos obtidos através de mutagénese dirigida ou cisgénese continuam sujeitos às regras atualmente aplicáveis aos OGM.

Testbiotech contesta critérios de segurança

A abertura deste processo de implementação motivou críticas da organização alemã Testbiotech, que considera que a Comissão deveria aproveitar esta fase para reforçar as garantias de proteção da saúde e do ambiente.

Entre as propostas apresentadas pela organização está a atualização do Anexo I do regulamento, que estabelece os critérios para determinar se uma planta NTG pode ser considerada equivalente a uma planta obtida por melhoramento convencional. A Testbiotech argumenta que a evolução das técnicas de edição genética permite atualmente produzir alterações que podem ultrapassar as características normalmente obtidas através do melhoramento convencional e que estas possibilidades deveriam ser consideradas.

A organização defende também a criação de procedimentos que permitam avaliar a probabilidade de uma determinada planta NTG poder, de facto, ser produzida através de métodos convencionais. Outra das propostas é que os produtores apresentem previamente publicações científicas que descrevam em detalhe as modificações genéticas introduzidas.

A Testbiotech considera, contudo, que estas medidas não resolvem aquilo que identifica como uma limitação estrutural do novo regulamento: a ausência de uma avaliação de risco ambiental para as plantas NTG de categoria 1. Na sua perspetiva, esta situação poderá permitir a entrada no mercado de plantas com determinadas características potencialmente relevantes para o ambiente sem uma avaliação ambiental específica.

A organização refere, a título de exemplo, possíveis impactos relacionados com a disseminação não controlada das plantas, os polinizadores, os organismos do solo, as cadeias alimentares e a capacidade de invasão. O regulamento estabelece, no entanto, algumas exceções, nomeadamente para determinadas plantas NTG com tolerância a herbicidas ou que produzam substâncias com ação inseticida.

Regulamento entra agora na fase de implementação

A Comissão Europeia salienta que os atos delegado e de execução em preparação serão essenciais para tornar operacional o novo quadro regulamentar. O objetivo é que estejam adotados até à data de aplicação do regulamento, em julho de 2028.

A consulta constitui, assim, uma oportunidade para investigadores, empresas, organizações, autoridades e outros interessados contribuírem para a definição dos procedimentos que irão determinar, na prática, como serão verificadas e regulamentadas as futuras plantas NTG na União Europeia.

Como participar na consulta pública?

Até 28 de setembro de 2026, é possível participar nas duas consultas públicas:

NGT de categoria 1 — contributos sobre os requisitos de informação e os procedimentos para verificar se uma planta reúne os critérios para ser classificada como NGT-1.

Participar na consulta sobre NGT-1:
Consulta pública da Comissão Europeia — NGT de categoria 1

NGT de categoria 2 — contributos sobre os procedimentos de avaliação de risco, autorização, monitorização e métodos de deteção aplicáveis às plantas NGT-2 e aos produtos delas derivados.

Participar na consulta sobre NGT-2:
Consulta pública da Comissão Europeia — NGT de categoria 2

Fonte: Centro de informação de biotecnologia

A GEA está a desenvolver soluções para adaptar o processamento de azeite às alterações nas condições de produção no Mediterrâneo, com tecnologias destinadas a reduzir o consumo de água, recuperar mais valor dos subprodutos e manter o rendimento e a qualidade do azeite. A empresa está também a trabalhar em projetos-piloto orientados para o aproveitamento integral da azeitona. 

As temperaturas mais elevadas e a irregularidade da precipitação estão a alterar as condições em que a azeitona chega aos lagares. Segundo a GEA, o calor excessivo durante a colheita está a favorecer a oxidação e a fermentação das azeitonas antes de chegarem ao lagar, aumentando os níveis de ácidos gordos livres e reduzindo o teor de polifenóis. A redução do teor de azeite no fruto pode também dificultar a extração. 

Steffen Hruschka, engenheiro sénior de processos da GEA, explica que a maturação mais rápida está a obrigar a antecipar a colheita, que pode decorrer com temperaturas próximas dos 30 °C, face aos 10 a 17 °C anteriormente registados. Nestas condições, “manter a qualidade torna-se muito difícil”, afirma. 

A empresa está, por isso, a estudar formas de ajustar os parâmetros das linhas automatizadas para manter o rendimento e a qualidade do azeite em condições de processamento mais exigentes. Os sistemas de arrefecimento são outra das soluções apontadas para limitar os efeitos das temperaturas mais elevadas. 

Menos água no processamento

A redução do consumo de água constitui outra área de intervenção. A GEA introduziu no início da década de 1990 o decanter de duas fases como alternativa ao processo convencional de separação em três fases. Atualmente utilizado no setor, o sistema reduz a necessidade de água no processamento e a quantidade de águas residuais geradas. 

A empresa considera que a adaptação dos lagares passa também pela recuperação de valor dos fluxos secundários do processamento, nomeadamente a água de vegetação e o bagaço húmido.

Este último representa cerca de 80 % do peso total da azeitona processada e contém azeite, água e matéria orgânica com potencial de aproveitamento. A GEA desenvolveu um método de reprocessamento que permite recuperar azeite adicional e reduzir o teor residual de azeite no bagaço. O azeite recuperado deixa de ter qualidade de azeite virgem extra, mas pode ser utilizado em aplicações alimentares e industriais. 

A água recuperada do bagaço fresco contém açúcares e polifenóis não oxidados, com possíveis aplicações nas indústrias química, cosmética, alimentar e de alimentação animal. A fração sólida contém, por sua vez, açúcares, proteínas, amido e celulose e pode ser encaminhada para produção de bioenergia, alimentação animal ou produção de húmus. 

Projetos testam aproveitamento integral da azeitona

A GEA está a trabalhar com o laboratório Eurofins Analytik, em Hamburgo, e outros parceiros em projetos-piloto de resíduo zero destinados a extrair valor da totalidade da azeitona. O objetivo é substituir um modelo linear por um sistema em que bagaço, caroços e água de vegetação são tratados como recursos para novos processos. 

Parte deste modelo já está a ser testada em condições reais de produção no sul da Europa. Em Espanha, um produtor integrou um decanter da GEA para valorizar os fluxos secundários da produção de azeite, reduzindo os resíduos do processamento e obtendo receitas adicionais através do aproveitamento de caroços, água de vegetação e bagaço. 

Hruschka estima ainda que metade do peso da colheita de azeitona pode ser transformada em matéria orgânica para produção de húmus. Tomando como referência uma colheita de sete milhões de toneladas de azeitona em Espanha, o potencial corresponderia a 3,5 milhões de toneladas de material utilizável por ano.

Fonte: TecnoAlimentar

A reformulação de alimentos pode responder à melhoria do perfil nutricional, à substituição de ingredientes, à utilização de novas matérias-primas, à otimização de custos ou a novas exigências do mercado. Estas alterações podem, contudo, modificar atributos do produto e a experiência do consumidor.

Quando se trata de um alimento já comercializado, existe uma referência anterior sobre características como sabor, aroma, textura ou aparência. Mesmo uma reformulação tecnicamente adequada pode gerar rejeição quando modifica de forma relevante os atributos que o consumidor associa ao produto. 

Análise identifica alterações sensoriais

A avaliação pode começar por determinar se existem diferenças percetíveis entre a formulação original e a nova versão. Para esse efeito, podem ser utilizadas provas discriminativas, enquanto as metodologias descritivas permitem identificar os atributos alterados, bem como a direção e a intensidade dessas alterações.

Esta análise permite detetar, por exemplo, um aumento do amargor, uma redução da intensidade aromática ou alterações na textura e na aparência antes de a formulação ser concluída. Permite ainda determinar quais os atributos que devem permanecer estáveis para preservar a identidade sensorial do alimento. 

Consumidor determina relevância das diferenças

A existência de uma diferença sensorial não significa, por si só, que a aceitação do produto seja afetada. Os testes com consumidores permitem avaliar a aceitação, as preferências, os pontos fortes e fracos do perfil sensorial e a intenção de compra.

Estes testes podem ser realizados durante a seleção de protótipos, ao longo da reformulação ou antes do lançamento do produto. A avaliação pode decorrer em condições controladas ou em contexto real de consumo, nomeadamente no domicílio.

A combinação de um painel treinado com testes junto dos consumidores permite, assim, responder a duas questões distintas. Primeiro, identificar o que mudou no alimento. Depois, determinar se essa alteração é relevante para quem o consome. 

Avaliação deve acompanhar a reformulação

A avaliação sensorial deve ser integrada desde as primeiras fases do desenvolvimento, em vez de ser utilizada apenas para validar o produto final. A definição prévia dos atributos que devem ser preservados, das diferenças consideradas aceitáveis e das expectativas do consumidor permite utilizar os resultados para orientar sucessivas reformulações. 

A avaliação pode também ser utilizada quando a nova formulação é associada a alegações sensoriais, como maior cremosidade, melhor textura ou sabor mais intenso. Nestes casos, é de salientar a necessidade de demonstrar a melhoria através de estudos concebidos em função do benefício que se pretende comunicar. 

Desta forma, a análise sensorial permite avaliar não apenas a viabilidade técnica da reformulação, mas também o impacto das alterações na perceção e aceitação do produto antes da sua introdução no mercado.

Fonte: TecnoAlimentar

ASAE | Operação Vindimas 26

  • Tuesday, 15 September 2026 13:08

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) realizou, no passado dia 11 de setembro, uma operação de fiscalização, apoiada pelas Brigadas Especializadas dos Vinhos e Produtos Vitivinícolas e pelo Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, I.P. (IVDP), em plena época das vindimas, direcionada à verificação do cumprimento dos requisitos legais aplicáveis ao setor vitivinícola nacional, tendo a ação decorrido na Região Demarcada do Douro, abrangendo os concelhos de Alijó, São João da Pesqueira e Vila Nova de Foz Côa, com o objetivo de reforçar os mecanismos de controlo associados à produção, circulação e autenticidade dos produtos vitivinícolas.
As ações decorreram em estreita colaboração com o IVDP, tendo sido fiscalizados 43 veículos de transporte de uva, numa atuação articulada no terreno que permitiu reforçar o controlo da autenticidade e da qualidade das uvas, tendo esta intervenção conjunta como objetivos assegurar a defesa do setor vitivinícola nacional, combater a fraude e o crime económico, garantir a leal concorrência entre operadores, proteger o consumidor, assegurar o cumprimento das regras aplicáveis à circulação de uvas, mostos e vinhos e salvaguardar as Denominações de Origem Porto e Douro, bem como a Indicação Geográfica Duriense.
As operações contaram ainda com o apoio da Guarda Nacional Republicana, no âmbito do controlo rodoviário do trânsito de viaturas cisternas e de mercadorias.
Importa referir que, durante o ano e até ao período anterior às vindimas, as ações de fiscalização incidem maioritariamente sobre o controlo das existências dos produtos e sobre o transporte de vinhos e produtos vínicos. Na época das vindimas, estes controlos são reforçados, incidindo especialmente sobre o trânsito das uvas, com o objetivo de rastrear a efetiva colheita e assegurar o respetivo registo obrigatório.

Fonte: ASAE

Investigadores da Universidade de Leeds desenvolveram uma abordagem que combina inteligência artificial e física estatística para identificar proteínas vegetais com potencial para funcionar como emulsificantes. O modelo identificou cerca de 800 proteínas promissoras, muitas das quais ainda não tinham sido consideradas para esta função. 

Os emulsificantes permitem combinar óleo e água e manter as misturas estáveis, sendo utilizados em produtos alimentares como molhos, gelados e maionese. Existe um interesse crescente em encontrar alternativas naturais e mais sustentáveis aos emulsificantes existentes, incluindo os obtidos a partir de proteínas animais, como as caseínas e as proteínas do soro do leite. 

A identificação de novas proteínas vegetais com propriedades funcionais apresenta, contudo, dificuldades devido ao elevado número de possibilidades. A avaliação individual em laboratório implica tempo e custos elevados e depende, em grande medida, de processos de tentativa e erro. 

Inteligência artificial reduz universo de proteínas

A equipa começou por utilizar um modelo de simulação baseado em física estatística para analisar a interação das proteínas com as interfaces entre óleo e água. Para funcionar como emulsificante, uma proteína tem de se fixar nessa interface e ajudar a estabilizar a mistura. 

Os investigadores recorreram depois à aprendizagem automática para identificar as regiões e características específicas das proteínas que influenciam esse comportamento. A combinação das duas abordagens permitiu prever quais as proteínas vegetais com maior probabilidade de apresentar propriedades emulsificantes semelhantes às proteínas de origem animal. 

“O modelo identificou cerca de 800 proteínas vegetais que podem potencialmente atuar como emulsificantes, muitas das quais nunca tinham sido consideradas para este fim”, afirma Anwesha Sarkar, codiretora do NAPIC na Universidade de Leeds. 

A investigadora considera que os resultados mostram como a inteligência artificial pode acelerar a identificação de proteínas com potencial funcional face às abordagens experimentais tradicionais. 

Proteínas de ervilha e batata testadas

Depois da seleção computacional, os investigadores testaram várias proteínas disponíveis comercialmente para verificar se os resultados experimentais correspondiam às previsões do modelo. As proteínas de ervilha e de batata demonstraram propriedades emulsificantes eficazes, sustentando as previsões obtidas através da abordagem baseada em inteligência artificial. 

A metodologia permite, assim, selecionar previamente as proteínas com maior potencial para posterior avaliação laboratorial. Segundo a Universidade de Leeds, esta abordagem poderá reduzir o tempo e os recursos necessários nas fases iniciais de investigação e acelerar o desenvolvimento de novos ingredientes. 

Para a indústria alimentar, a aplicação poderá ser particularmente relevante no desenvolvimento de produtos de base vegetal e de ingredientes mais sustentáveis, ao permitir explorar um conjunto mais alargado de fontes proteicas com potencial funcional. 

O trabalho resulta da colaboração entre investigadores da Faculdade de Ciência Alimentar e Nutrição da Universidade de Leeds e Rik Sarkar, especialista em aprendizagem automática da Universidade de Edimburgo. A investigação foi liderada por Simha Sridharan e supervisionada por Anwesha Sarkar. 

O estudo científico, intitulado Data-driven pipeline enables discovery of plant protein surfactants, foi publicado na revista Communications Chemistry e está disponível em acesso aberto.

Fonte: TecnoAlimentar

Os Estados Unidos estão a enfrentar vários grandes surtos de salmonela associados a alimentos e animais de estimação. Centenas de pessoas ficaram doentes em dezenas de estados e foi registada uma morte.

Os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos estimam que a salmonela provoque cerca de 1,35 milhões de infeções todos os anos, com cerca de 420 mortes. Na maioria das vezes, os alimentos são os responsáveis, mas os animais de estimação também podem constituir um problema.

O que está a causar os surtos de salmonela este verão?

Um dos surtos ainda em curso envolve ovos produzidos no Texas e vendidos a granel e em supermercados. A Midwest Poultry Services recolheu mais de 1,5 milhões de embalagens de uma dúzia de ovos com casca devido a uma possível contaminação. No entanto, a Agência dos Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos afirma que o produtor não é responsável por todos os casos de doença, pelo que está a investigar para determinar quais poderão ser as outras fontes.

Outro surto envolve pimentos jalapeño recolhidos do mercado, cultivados em Sinaloa, no México, e distribuídos pela Coast Citrus Distributors.

Existem também vários surtos associados a animais: oito surtos em vários estados relacionados com o contacto com galinhas e patos criados em quintais, bem como um surto muito mais pequeno associado a crianças que manusearam camaleões-de-véu de estimação.

Onde estão a ocorrer os surtos?

Ovos

No surto associado a ovos, foram registados 98 casos, com 26 hospitalizações, em 17 estados.

Os ovos foram vendidos em lojas Kroger no Texas e Louisiana; em lojas Brookshire Grocery no Texas, Oklahoma, Arkansas e Louisiana; e em estabelecimentos de venda a retalho mais pequenos nestes estados, bem como no Novo México e no Mississippi.

Os ovos foram vendidos sob várias marcas, incluindo Simple Truth, Brookshire’s, Country Morning, Kroger e Cal-Maine, com datas de “vender até” ou “consumir de preferência até” entre 20 de julho e 17 de agosto.

Pimentos jalapeño

Até 5 de agosto, segundo o CDC, foram registados 345 casos de salmonela associados a pimentos jalapeño em 27 estados, com 36 hospitalizações conhecidas.

O CDC afirma que o verdadeiro número de casos é “provavelmente muito superior” ao que está a ser comunicado. As equipas continuam a entrevistar as pessoas doentes para determinar o que comeram, mas a maioria referiu ter comido num restaurante de estilo mexicano, como o Chipotle ou o Qdoba, em algum momento entre 14 de junho e 14 de julho. Ambas as empresas disseram que, entretanto, deixaram de servir esses produtos.

A Taylor Farms recolheu, entretanto, produtos preparados com jalapeños frescos da Coast Citrus Distributors devido a uma possível contaminação por Salmonella. Os jalapeños foram utilizados em molhos salsa, molhos de queijo e sanduíches e foram vendidos em lojas Hannaford, Kroger, Target, Trader Joe’s, Walmart e Whole Foods em dezenas de estados. Os produtos tinham datas de consumo preferencial até 16 de agosto.

“Até à data, a Taylor Fresh Foods não tem conhecimento de quaisquer casos de doença comunicados associados aos seus produtos que contêm jalapeños”, afirmou a empresa.

Aves criadas em quintais

Os surtos associados a aves criadas em quintais envolvem 814 pessoas em 44 estados. Os únicos estados que não registaram um surto de salmonela relacionado com bandos de aves criadas em quintais são a Carolina do Sul, o Novo México, o Arizona, o Delaware, Rhode Island e o Havai.

Um quarto das pessoas que ficaram doentes eram crianças com menos de 5 anos.

O maior destes surtos apresentou aquilo a que o CDC chamou um “número invulgarmente elevado de pessoas que relataram contacto com patos”.

Até 27 de julho, 201 casos foram suficientemente graves para necessitarem de cuidados hospitalares e uma pessoa morreu.

Camaleões

O surto que envolveu camaleões-de-véu começou em fevereiro e a investigação foi dada como concluída em junho. Os animais de estimação foram comprados em diferentes lojas e todos os casos ocorreram em crianças com menos de 3 anos.

Duas crianças ficaram doentes no Nebraska e foram registados casos isolados no Iowa, Oklahoma e Texas.

Duas das crianças tiveram de ser hospitalizadas, segundo o CDC.

Quanto tempo demora a Salmonella a manifestar-se?

Os sintomas de Salmonella começam normalmente entre seis horas e seis dias depois de uma pessoa entrar em contacto com a bactéria através de alimentos ou bebidas contaminados, ou através da interação com um animal ou uma superfície contaminados.

As pessoas tendem a ficar doentes mais rapidamente quando são expostas a maiores quantidades da bactéria. A quantidade de Salmonella presente em produtos hortofrutícolas tende a ser menor do que em alimentos preparados, que muitas vezes apresentam um risco elevado de contaminação cruzada e podem ser armazenados durante mais tempo a temperaturas incorretas, permitindo a multiplicação de uma maior quantidade de bactérias.

Quais são os sintomas da Salmonella?

As pessoas que contraem Salmonella desenvolvem normalmente cólicas abdominais, febre, náuseas ou vómitos e podem ter diarreia com sangue. Podem também apresentar articulações dolorosas e inchadas ou dores intensas nas costas. Algumas podem sentir necessidade de urinar com maior frequência e ter dor ao urinar. Também foram registados suores noturnos, mal-estar geral e dor no peito.

Os sintomas duram normalmente entre quatro e sete dias.

O que devo fazer se contrair Salmonella?

A maioria das pessoas recupera totalmente sem tratamento. Podem ocorrer sintomas mais graves em pessoas com doenças subjacentes, grávidas, idosos, crianças pequenas e pessoas com o sistema imunitário enfraquecido.

Algumas pessoas com casos graves — com febre alta ou diarreia incapacitante com sangue — podem precisar de receber cuidados hospitalares.

Os antibióticos normalmente não são recomendados para a Salmonella  porque estes medicamentos podem fazer com que a pessoa permaneça portadora da bactéria durante mais tempo, segundo o Dr. Elie Saade, especialista em doenças infecciosas dos University Hospitals, em Cleveland.

Os doentes “podem melhorar, mas a Salmonella permanece no intestino ou no organismo durante mais tempo, pelo que continuam infeciosos durante mais tempo”, afirmou Saade.

Se a doença for grave, se se tiver espalhado para o sangue ou se o doente tiver o sistema imunitário enfraquecido, os adultos podem receber os antibióticos ciprofloxacina, azitromicina ou ceftriaxona. As crianças são tratadas com amoxicilina ou trimetoprim-sulfametoxazol.

Antidiarreicos como o Imodium A-D podem aliviar as cólicas, mas o medicamento também pode prolongar a diarreia, pelo que muitos médicos recomendam apenas repouso e a ingestão de muitos líquidos.

Como podem os médicos saber se tenho Salmonella ou ciclosporíase?

Os sintomas da Salmonella podem, por vezes, ser semelhantes aos da ciclosporíase, outra doença transmitida por alimentos que tem estado recentemente nas notícias.

Se houver sangue na diarreia, diz Saade, é mais provável que se trate de Salmonella .

“A Cyclospora normalmente dura mais do que alguns dias e, geralmente, os sintomas aparecem e desaparecem. Com a Cyclospora, as pessoas melhoram e depois voltam a ter diarreia”, afirmou.

“Com a Salmonella, normalmente ficam mesmo muito doentes e depois melhoram. Os sintomas não aparecem e desaparecem e duram apenas alguns dias.”

Os médicos também podem realizar análises laboratoriais a uma amostra de fezes, mas o diagnóstico de uma infeção por Cyclospora exige um teste molecular específico que nem sempre está incluído nas culturas de fezes de rotina.

A Salmonella pode transmitir-se entre pessoas, mas a Cyclospora não. Os médicos irão perguntar se o doente teve contacto próximo com outra pessoa a quem tenha sido diagnosticada Salmonella.

Como prevenir a Salmonella?

“Limpar, separar, cozinhar e refrigerar” são as palavras que deve recordar para evitar a Salmonella.

Lave as mãos com água e sabão durante pelo menos 20 segundos antes e depois de manusear alimentos e animais de estimação, como galinhas, tartarugas e répteis, que podem transportar a bactéria.

Na cozinha, limpe bancadas, tábuas de cortar e utensílios, sobretudo depois de entrarem em contacto com carne ou ovos crus.

Lave vegetais como alface e jalapeños antes de os utilizar.

Mantenha aves, ovos, marisco e carne crus afastados de alimentos prontos a consumir, como frutas e legumes.

É possível eliminar a Salmonella dos alimentos através da confeção, mas estes têm de ser totalmente cozinhados — nada de ovos crus ou com a gema líquida. Utilize um termómetro alimentar para garantir que as aves são cozinhadas até aos 73,9°C e a carne picada ou pratos com ovos até aos 71,1°C.

Se estiver a cozinhar frango ou ovos, afirmou Saade, não manuseie depois vegetais sem lavar as mãos, de forma a evitar a contaminação cruzada.

E, se adoecer com Salmonella, não cozinhe para outras pessoas, porque também pode fazê-las adoecer.

Refrigere alimentos como ovos e carne. Coloque as sobras e outros alimentos perecíveis no frigorífico no prazo de duas horas e mantenha o frigorífico a 4°C ou a uma temperatura inferior.

No que diz respeito às infeções por Salmonella provenientes de animais de estimação, o CDC recomenda que crianças com menos de 5 anos não tenham contacto com camaleões. A agência também recomenda manter limpos os materiais e habitats de aves criadas em quintais e de camaleões e sugere que ninguém, independentemente da idade, beije ou aconchegue os seus camaleões ou galinhas.

Porque é que existem tantas doenças transmitidas por alimentos?

Os casos de Salmonella mantiveram-se relativamente estáveis ao longo da última década, segundo um estudo baseado em dados do Serviço de Segurança e Inspeção Alimentar do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.

A Salmonella é um organismo que faz parte da flora natural de muitos animais. Não lhes provoca doença, mas pode ser prejudicial para os seres humanos quando os nossos alimentos ou água entram em contacto com esses animais ou quando os seres humanos interagem diretamente com eles.

“A infeliz realidade de muitos dos nossos surtos de doenças transmitidas por alimentos é a contaminação fecal dos nossos alimentos, e isso pode ter muitas origens diferentes”, afirmou a Dra. Haley Oliver-Jischke, especialista em segurança alimentar que também exerce funções como vice-reitora sénior para o sucesso académico e dos estudantes na Universidade Purdue.

Historicamente, existe uma sazonalidade nas doenças transmitidas por alimentos, afirmou.

“Há a época da Cyclospora, a época que ninguém alguma vez quis. Vai-te embora, época da Cyclospora. Mas isso está associado à temperatura, portanto, a tempo mais quente”, afirmou Oliver-Jischke.

“Observamos várias doenças transmitidas por alimentos que, de facto, acompanham o tempo mais quente, e essa é também a sua época de crescimento. Se a água estiver mais quente, organismos como a Salmonella conseguem multiplicar-se nessa água mais quente, pelo que podem atingir quantidades mais elevadas. Portanto, trata-se realmente do ambiente em que os organismos vivem juntamente connosco.”

Fonte: CNN Portugal