A denominação de origem do vinho Porto está hoje mais protegida do que num passado próximo, graças a acordos internacionais com grandes países consumidores como a China ou com o Mercosul, na América do Sul. “Há 20 anos tínhamos problemas delicados em países como a Austrália, o Canadá, o Chile ou a África do Sul, Hoje, esses problemas diminuíram ou foram eliminados”, disse à agência Lusa o jurista Alberto Ribeiro e Almeida, do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP).
O especialista falava à margem do Congresso Wine Track 2018, que hoje reuniu, no Porto, empresas, marcas e cientistas num debate sobre “novas tecnologias e soluções contra a fraude e contrafação de vinhos e bebidas espirituosas”. O IVDP ocupa-se da proteção às marcas Porto e Douro e recebe “três a quatro reclamações por semana” contra registos indevidos, disse Alberto Ribeiro de Almeida.
O jurista levou a este congresso o caso de um processo que teve um desfecho desfavorável aos interesses portugueses, que foi o que opôs a denominação vinho do Porto a um uísque escocês chamado Port Charlotte. O caso foi ao Tribunal Europeu de Justiça e este não deu razão ao IVDP, que alegou, em vão, existir “risco de confusão” com o vinho do Porto.
“O tribunal ignorou a reputação e prestígio da marca Porto”, vendo nesta uma simples região e um porto, o que para Alberto Ribeiro de Almeida revelou “falta de sensibilidade”. O que o IVDP pretende, segundo resumiu, “é proteger o investimento feito pelos produtores na denominação de origem, evitando o seu registo por grupos que não têm direito a ela”.
A denominação de origem Douro encontra-se sob menos pressão do que a do Porto, mas regista um crescimento em linha com a sua crescente notoriedade internacional. “Custos económicos das infrações aos direitos de propriedade industrial” foi o título da intervenção feira por Pedro Portugal Gaspar, da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), qual lembrou apreensão, este ano, de garrafas de vinho Barca Velha e Pêra Manca que poderiam valer cerca de 10 mil euros no mercado. Inspetor-geral daquela entidade, Pedro Portugal Gaspar salientou à Lusa que os produtos têxteis e de marroquinaria” mantêm-se nos primeiros lugares da contrafação, ao passo que a área alimentar não tem igual expressão. A falsificação incide em “produtos de elevada qualidade” e de preço também elevados, como são os casos dos vinhos referidos, não afetando produtos sem valor económico relevante.
O técnico da ASAE referiu ainda que as plataformas de venda digitais são um novo desafio, porque “alargam no tempo e no espaço a procura desse tipo de produtos”, e a investigação que culminou com a apreensão daqueles vinhos contrafeitos partiu daí. “Uma pista” para o consumidor ficar alerta sobre a autenticidade do que vai comprar são “os preços, normalmente mais baixos” do que seria normal, exemplificou Pedro Portugal Gaspar, salientando também que “os produtos de maior valor comercial são os mais suscetíveis de serem adulterados”. A segurança alimentar não é uma ameaça grande, “porque aquilo é uma infração económica”, e no que diz respeito aos vinhos, completou, “em Portugal, o mercado está seguro e tem qualidade”.
Fonte: Dinheiro Vivo
A Unidade de Controlo Costeiro (UCC) da GNR apreendeu no sábado 450 quilos de amêijoa-japónica e 820 quilos de ostras portuguesas, com o valor presumível de 13.400 euros, nos concelhos de Lisboa e Alcácer do Sal.
De acordo com um comunicado divulgado este sábado, "os militares detetaram amêijoa-japónica em situação irregular, em virtude da mesma não estar a ser acompanhada, durante o transporte, dos respetivos documentos de registo, o que não permite saber a sua proveniência".
A deteção foi feita "no âmbito de ações de fiscalização de atividades relacionadas com a captura e comércio ilegal de bivalves e proteção das espécies e segurança alimentar", acrescenta a UCC.
Fonte: Correio da Manhã
O Governo dos Açores assegura a excelência do mel produzido no arquipélago e desmente que os apicultores da Região possam estar a sucumbir a práticas de produção menos recomendáveis que impliquem a sua contaminação.
Em causa está um alerta deixado por um membro dos corpos sociais da Casermel – Cooperativa de Apicultores e Sericicultores de São Miguel e publicado na edição de ontem do Açoriano Oriental (24 de outubro 2018), denunciando que há mel a ser embalado e, posteriormente, comercializado na Região que contemplou a introdução de fitofármacos aquando do respetivo processo de produção.
Esclarece o diretor regional da Agricultura, em reação à notícia divulgada neste jornal, que “as denúncias sobre a pouca qualidade do mel à venda na Região, além de não salvaguardarem o interesse do setor, pecam pelo desconhecimento e por não terem sido apresentadas às entidades competentes para efeitos de avaliação e eventuais medidas de atuação”.
José Élio Ventura considera que as declarações do responsável da Casermel vieram confundir os consumidores do mel dos Açores, ao induzir em erro práticas sanitárias que ocorrem em algumas ilhas, destinadas ao combate da ‘Varroose’.
Fonte: Agroportal
No dia em que o Parlamento Europeu (PE) aprovou uma proposta que prevê a proibição, a partir de 2021, da venda de produtos de plástico de utilização única, a APIP diz, num comentário enviado à Lusa, que a medida pode pôr em causa a saúde pública.
Segundo a proposta do PE, será proibida a venda de pratos, talheres, cotonetes, palhinhas, agitadores para bebidas e varas para balões, ente outros produtos.
Segundo a APIP a utilização de produtos plásticos descartáveis cinge-se a um nicho de mercado muito específico, numa função prática e essencialmente de “segurança, higiene e saúde pública”, pelo que proibi-la pode por em risco a “saúde pública”.
Quanto às embalagens “take away”, que estão na proposta do Parlamento, a APIP diz não as considerar descartáveis, já que podem ser lavadas e usadas pelo consumidor muitas vezes. E como são feitas de apenas um tipo de plástico são matéria reciclável, devendo ser criadas estruturas para a correta recolha e reciclagem, defende a associação.
“Informamos ainda que já existem no mercado embalagens produzidas pelos nossos associados, fabricadas com 70% de material reciclado, incluindo material pós-consumo”, diz a APIP no comentário enviado à Lusa, no qual considera que ainda é prematura uma solução para o problema do lixo de plástico baseada no biodegradável.
A APIP avisa ainda que há situações em que muito dificilmente se consegue substituir a loiça descartável, como em hospitais ou lares, por questões de segurança sanitária, ou prisões, por questões segurança das pessoas, ou ainda aviões ou locais de restauração rápida ou de grande aglomerado de pessoas.
A proposta do Parlamento Europeu foi aprovada por 571 votos a favor e apenas 53 contra.
Contactada pela Lusa a propósito da medida, Pedro Carvalho, da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) disse que as medidas vão ser analisadas e lembrou que foi lançada pela associação em maio passado a iniciativa “Menos Plástico, Mais Ambiente”, para sensibilizar restauração e população para a importância de minimizar impactos ambientais na utilização de plástico descartável.
“É claro que as grandes mudanças nunca são fáceis para as empresas, por isso, entendemos que é necessário dar-lhes tempo e toda a informação necessária para que possam adaptar-se às novas exigências”, diz a AHRESP, citando Pedro Carvalho, coordenador do departamento de investigação, planeamento e estudos.
A campanha “Menos Plástico, Mais Ambiente”, acrescentou, foi o primeiro passo da AHRESP para “a preparação dos empresários para a aplicabilidade” de novas medidas, sendo que a associação defende “políticas que incentivem as boas práticas e a mudança de comportamentos”.
Fonte: Sapo24
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) apreendeu 600 quilogramas de carne e derivados, e instaurou 31 processos de contraordenação, maioritariamente, por desrespeito das normas higiénicas, foi esta quarta-feira anunciado. "A ASAE, realizou, a nível nacional, uma operação de fiscalização de talhos com o objetivo de verificação dos requisitos legais específicos da atividade, bem como das condições de armazenamento e de conservação de produtos alimentares, de forma a garantir o cumprimento dos requisitos gerais e específicos em termos de segurança alimentar", referiu em comunicado.
Na sequência de uma fiscalização a nível nacional, foram fiscalizados 153 operadores económicos e instaurados 31 processos de contraordenação e cinco processos-crime por "géneros alimentícios avariados e abate clandestino". Entre os géneros alimentícios apreendidos estão enchidos, carne de bovino, produtos à base de carne e conservas, bem como um instrumento de pesagem.
"As infrações contraordenacionais referem-se na sua maioria a desrespeito das normas higiénicas e técnicas aplicáveis na distribuição, preparação e venda de carnes e seus produtos, incumprimento das regras sobre a rastreabilidade e rotulagem de carne [e] falta de requisitos de temperaturas", indicou.
Fonte: Correio da Manhã
Os investigadores apuraram que os químicos e os pesticidas tipicamente utilizados na fruta e nos vegetais cultivados podem provocar tumores, o que significa que uma opção orgânica pode prevenir o aparecimento da patologia potencialmente mortal.
Para efeitos daquela pesquisa, os cientistas questionaram 68,946 indivíduos franceses acerca das suas dietas e depois observaram o seu percurso durante cinco anos – 1,340 dos voluntários desenvolveram cancro durante esse período de tempo.
A pesquisa detetou que aqueles que ingeriam mais alimentos orgânicos apresentavam uma probabilidade 25% mais reduzida de desenvolver tumores, comparativamente aqueles que não incluíam – ou apenas raramente – esses alimentos no seu regime alimentar.
Ainda assim, os cientistas admitiram que o estudo não é totalmente capaz de estabelecer uma ligação definitiva entre o consumo de uma dieta não orgânica e de aparecimento de cancro – salientando que os indivíduos mais afluentes tendem a ser mais saudáveis, estando igualmente mais predispostos a adquirir e consumir alimentos mais caros e orgânicos.
O estudo foi publicado no periódico científico JAMA Internal Medicine, e o final do artigo concluía: “Uma frequência mais elevada no consumo de comida orgânica está associada a um menor risco de cancro; e se em pesquisas posteriores os dados apurados forem confirmados, então promover a ingestão destes alimentos entre a população em geral poderá ser uma estratégia preventiva promissora no combate ao cancro”.
Fonte: Notícias ao Minuto
O PNPAS tem vindo a alertar para a importância da regulação do marketing alimentar dirigido a crianças. A OMS publicou agora uma análise sobre a implementação das recomendações relativas ao marketing de alimentos e bebidas não alcoólicas dirigido a crianças. Em particular a alimentos ricos em gorduras, sal e açúcares.
De acordo com o relatório, 54% dos países na região Europeia da OMS reportaram que estão a tomar medidas para limitar o marketing de alimentos dirigido a crianças. No entanto, muitos países ainda não apresentam ou aplicam medidas específicas para a limitação do marketing dirigido a crianças. Em Portugal, esta regulação continua por aprovar.
Pode consultar o relatório aqui.
Fonte: Nutrimento
O dispositivo foi criado por uma parceria entre duas empresas que concorriam ao desafio Water Abundance XPrize. Criada em 2016, a competição consiste em obter água limpa e potável do ar utilizando sistemas com recursos renováveis. A tecnologia procura atenuar as condições em zonas de desastres naturais ou regiões onde a água não abunda.
Este ano, o desafio consistia em criar um aparelho capaz de extrair pelo menos 2.000 litros de água da atmosfera por dia, o suficiente para as necessidades de cerca de 100 pessoas. A máquina teria de utilizar energia limpa e o custo da água obtida não poderia ultrapassar os 2 cêntimos por litro. O dispositivo criado pelo consórcio venceu o prémio de 1,5 milhões de dólares.
A invenção chama-se WEDEW (wood-to-energy deployed water) e foi criada utilizando dois sistemas já existentes. O primeiro, é uma caixa que simula a forma como as nuvens são criadas, que aquece o ar para criar condensação e dessa forma obter água. Esta é guardada num tanque dentro de um contentor, que depois pode ser ligada a uma máquina ou uma torneira.
No entanto, este sistema utiliza muita eletricidade, e por isso, foi introduzido um gaseificador de biomassa, um recurso de energia de baixo-custo, explica a publicação Fast Company. O sistema utiliza recursos de biomassa disponíveis no local, sejam pedaços de madeira ou cascas de coco, capazes de alimentar a máquina e dessa forma produzir água través do ar com um custo inferior. A empresa afirma que os resíduos são depois transformados em adubo para o solo.
Em locais onde estes recursos naturais não abundam, o dispositivo pode ser alimentando por energia solar ou baterias, em alternativa à biomassa.
Fonte: tek.sapo.pt
Demonstrado que foi em agosto de 2016 o interesse de Portugal na exportação de bovinos, foi efetuado contacto junto dos Serviços Veterinários Oficiais da Arábia Saudita, no sentido de obter a indicação dos requisitos sanitários aplicáveis.
Foi recebida informação de intenção de visita de delegação daquele país a Portugal, que decorreu em março de 2017.
Posteriormente, e após conversações por força de questões de ordem sanitária e outras no seguimento da informação recebida sobre os requisitos sanitários exigidos, foi elaborada a respetiva certificação sanitária, que engloba também os ovinos e caprinos, obtendo em outubro de 2018 a aprovação final daquele país.
Está assim aberta a possibilidade de exportação de bovinos, ovinos e caprinos para a Arábia Saudita a partir de Portugal, devendo os interessados neste comércio contactar as Direções de Serviços de Alimentação e Veterinária Regionais ou os serviços competentes das Regiões Autónomas (DSAVR/RA), para obtenção de mais informação no âmbito e emissão da certificação sanitária aplicável.
Fonte: DGAV
No domínio da alimentação existem algumas regras básicas que nos permitem comer melhor e mais saudável ao longo do ano. Variar, porque cada alimento tem uma composição nutricional muito distinta. Comer produtos frescos e da época sempre que possível, pois é uma forma de se evitar aditivos e perdas de nutrientes durante o processamento industrial. E por fim, consumir produtos nacionais ou da nossa tradição alimentar. Produtos com os quais nos relacionamos há muito tempo, que permitem manter postos de trabalho e reduzir o impacto ambiental causado pelo transporte e excesso de embalagem.
Estas premissas seriam todas válidas se não estivemos a atravessar uma época especial. Hoje vivemos até muito tarde como nunca aconteceu na história da humanidade. Atualmente, Portugal possui um milhão de cidadãos com mais de 75 anos e a esperança média de vida à nascença ultrapassa os 80 anos, quando no tempo dos nossos bisavós, em 1920 (o primeiro ano para o qual há dados para Portugal) seria de apenas 35,6 anos.
Do ponto de vista alimentar, não podemos querer ter a comida dos nossos avós, por muitas e doces recordações que possam trazer. Primeiro, porque queremos viver até mais tarde do que eles e os nossos pâncreas, os nossos fígados e os nossos corações não podem ter uma sobrecarga de açúcar, álcool e sal como tinham quando vivíamos em média 35 anos e não 80 anos. Também não gastamos a energia que gastávamos porque chegaram as máquinas que vieram substituir muito do nosso trabalho braçal mais intenso. Por outro lado, temos hoje um planeta com mais de 7,6 biliões de pessoas para alimentar quando em 1920 este valor não chegava aos 2 biliões. Isso significa que certas práticas, agressivas para o planeta e para a biodiversidade, como o consumo regular de carne de vaca ou de peixe do oceano, terão de ser colocadas em causa.
Os recursos são escassos e assistimos a uma dramática alteração climática pela mão humana que poderá em 20 anos fazer perder totalmente o gelo do Árctico, originando alterações no planeta que colocarão em causa a vida humana como a conhecemos hoje. E depois, e mais importante do que tudo, temos tecnologia que nos permite produzir comida de forma mais limpa, mais segura e sem recorrer a conservantes como o sal, o fumo e o açúcar que utilizávamos abundantemente no passado.
Isto significa rejeitar alguns produtos tradicionais que sempre comemos, e abrir os braços a outros, que nunca provamos, mas que teremos de comer se queremos continuar neste planeta por mais algum tempo. Entre os alimentos que teremos de reduzir o consumo e alterar a produção estará o consumo frequente de carne, de produtos cárneos fumados e salgados (charcutaria), refrigerantes tradicionais e processados com pouco valor nutricional como aperitivos fritos e salgados e pastelaria hipercalórica. Pelo contrário, as fontes de proteína de menor impacto ambiental como as leguminosas (feijão, grão, lentilha, ervilha), os insetos ou fruta e hortícolas produzidos no interior de casa e em meio urbano ganharão expressão, em particular à medida que as cidades forem crescendo.
Com estas premissas, comer de forma responsável passará cada vez mais por ingredientes produzidos localmente (que poderão ser novos para a cultura alimentar local) e com reduzido impacto ambiental na produção, embalagem e transporte, em combinação com elevado valor nutricional e distribuição da riqueza produzida para quem produz. A cultura e a tradição alimentar do passado são recursos cuja reinterpretação nos pode ajudar a desenhar as soluções do futuro, mas não vale a pena defender tudo o que é tradicional, porque não é necessariamente bom.
Fonte: Visão
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