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Um novo estudo sugere que os níveis de ómega-3 podem ajudar a explicar o maior risco de Alzheimer em mulheres.

Estas, geralmente, têm níveis mais altos de ácidos gordos ómega-3, mas na análise atual, mulheres com Alzheimer mostraram uma escassez surpreendente dessas moléculas lipídicas.

Há algo no cérebro feminino que o torna mais suscetível à doença de Alzheimer.

 Um novo estudo sugere que gorduras não saturadas "saudáveis", como ómega-3, podem explicar parcialmente essa discrepância.

Em comparação aos homens, as mulheres geralmente têm níveis mais altos de ácidos gordos ómega-3, mas na análise atual, mulheres com Alzheimer mostraram uma escassez surpreendente dessas moléculas lipídicas.

Os investigadores não encontraram as mesmas alterações lipídicas em homens com Alzheimer em comparação aos homens sem Alzheimer, indicando que essas gorduras podem afetar a doença de forma diferente com base no sexo.

As descobertas contribuem para uma hipótese negligenciada que existe há décadas, que implica gotículas de gordura na doença de Alzheimer.

Historicamente, esses lípidos foram ofuscados por emaranhados de tau e placas amiloides; no entanto, também são marcas registadas da doença no cérebro, indicando que o metabolismo dos ácidos gordos, de alguma forma, não funcionou.

Uma recente Comissão Lancet para a Demência estimou que 7% do risco de Alzheimer é atribuído à lipoproteína de baixa densidade (LDL), que transporta colesterol e ácidos gordos pelo corpo.

Esse fator de risco pode explicar por que as mulheres desenvolvem Alzheimer duas vezes mais do que os homens, de acordo com o estudo atual, liderado por investigadores do King's College London.

A equipa analisou as bibliotecas lipídicas de 841 participantes em seis países europeus. Em comparação com aqueles com boa saúde cognitiva ou comprometimento cognitivo leve, os participantes com doença de Alzheimer apresentaram níveis significativamente mais altos de ácidos gordos saturados "não saudáveis" e níveis significativamente mais baixos de ácidos gordos não saturados saudáveis, como ómega-3.

 "O nosso estudo sugere que as mulheres devem garantir que estão a incluir ácidos gordos ómega na sua dieta - através de peixes gordos ou suplementos", afirmou a cientista farmacêutica Cristina Legido-Quigley, do King's College.

"No entanto, precisamos de ensaios clínicos para determinar se a alteração da composição lipídica pode influenciar a trajetória biológica da doença de Alzheimer."

A investigação analisou centenas de lípidos individuais, que são transportados no sangue por lipoproteínas como LDL e HDL. Em mulheres, múltiplos lípidos foram associados à doença de Alzheimer e ao comprometimento cognitivo. No entanto, os mesmos padrões não foram observados em homens.

Em comparação com mulheres saudáveis, mulheres com Alzheimer apresentaram uma diminuição nas lipoproteínas com ácidos gordos ómega ligados.

"Embora este estudo mostre que mulheres com Alzheimer tinham níveis mais baixos de algumas gorduras não saturadas em comparação com os homens, mais estudos são necessários", explicou Julia Dudley, chefe de investigação da Alzheimer's Research UK, que não esteve envolvida no estudo.

"Isso inclui entender os mecanismos por trás dessa diferença e descobrir se mudanças no estilo de vida, incluindo a dieta, podem ter algum papel."

Historicamente, há um viés extremo na investigação sobre envelhecimento cerebral. Em 2019, apenas 5% dos estudos publicados na área de neurociência ou psiquiatria analisaram a influência do sexo.

Além disso, muitos ensaios clínicos de medicamentos para Alzheimer ainda não analisam as diferenças entre os sexos, mesmo quando elas parecem significativas à primeira vista.

 O resultado é que os cientistas não sabem por que as mulheres têm maior probabilidade de desenvolver Alzheimer, nem o que fazer a respeito disso. Embora as mulheres tendam a viver mais, mesmo os homens mais velhos têm menos probabilidade de desenvolver esse tipo de demência do que as mulheres da mesma idade.

"Entender como a doença age de forma diferente nas mulheres pode ajudar os médicos a adaptar futuros tratamentos e conselhos de saúde", concluiu Dudley.

Fonte: SAPO

A aprovação de espécies de insetos para consumo humano na União Europeia acendeu um debate que, embora possa causar alguma estranheza a muitos, é cada vez mais urgente: afinal, devemos mesmo comer insetos? Esta questão pode ser vista sob múltiplas lentes. Da saúde à segurança alimentar, os argumentos, embora distintos, convergem para uma realidade inevitável: os insetos vieram para ficar.

Com níveis de proteína entre 20% e 75% do peso seco, os insetos são uma fonte nutricional altamente promissora, com muitas espécies superando mesmo os tradicionais produtos de origem animal. Além disso, fornecem aminoácidos essenciais, gorduras saudáveis (como ómega-3 e ómega-6), vitaminas (especialmente a B12) e minerais como ferro, zinco e magnésio, todos eles cruciais para a função imunitária, saúde cardiovascular e desempenho metabólico. Mais do que isso, há evidências de que o consumo de insetos pode melhorar a saúde intestinal, ajudar a regular o açúcar no sangue e até reduzir inflamações.

 No entanto, a aceitação do público ocidental ainda é um desafio. A familiaridade, o modo de apresentação (por exemplo, farinha de inseto em vez do inseto inteiro) e contextos sociais positivos podem ajudar a ultrapassar esta barreira cultural. O potencial para mitigar deficiências nutricionais, como a anemia ou a carência de vitamina B12, torna ainda mais urgente educar e informar a sociedade sobre as vantagens desta fonte alimentar alternativa.

Esta mudança de paradigma alimentar não é apenas uma hipótese teórica ou uma inovação de nicho. A própria Organização das Nações Unidas tem destacado o papel crescente dos insetos na alimentação global e incentivado a ampliação da oferta destes produtos nos supermercados.

 Do ponto de vista da segurança alimentar, destacam-se os significativos avanços regulatórios na União Europeia, nomeadamente com o Regulamento (UE) 2015/2283, que clarificou o processo de aprovação dos chamados "novos alimentos". A EFSA (Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar) desempenha um papel central, avaliando rigorosamente os riscos microbiológicos, químicos e alergénicos associados a cada espécie proposta para consumo. A presença de bactérias como Salmonella ou Listeria, fungos produtores de micotoxinas ou metais pesados são preocupações reais que exigem práticas rigorosas de produção e controlo de qualidade.

Mitigar estes riscos implica aplicar boas práticas agrícolas, garantir rações seguras, processamentos adequados (como secagem ou esterilização), rotulagem clara e rastreabilidade em toda a cadeia de produção. Ainda assim, persiste a necessidade de maior harmonização internacional, para facilitar o comércio transfronteiriço e garantir padrões uniformes de segurança.

 No cruzamento entre inovação alimentar, saúde pública e sustentabilidade ambiental, o consumo de insetos representa um terreno fértil para soluções que respondam à pressão crescente sobre os sistemas alimentares globais. A integração dos insetos na nossa dieta pode parecer ousada, mas talvez seja precisamente essa ousadia que o futuro exige.
 
Fonte: Jornal de Notícias

Atualmente, o envelhecimento global representa um desafio socioeconómico crítico, e a ingestão insuficiente de cálcio é frequente entre os idosos devido à sua baixa ingestão de cálcio, bem como à sua capacidade de digestão e absorção, o que geralmente leva à osteoporose e a doenças cardiovasculares. Portanto, o aumento da ingestão de cálcio em idosos tem atraído a atenção mundial. Como um importante componente da dieta, os grãos integrais são benéficos para a saúde humana e têm amplas perspectivas para o desenvolvimento do enriquecimento de cálcio nos alimentos.

Neste artigo, discute-se os dois lados das bebidas integrais para a saúde humana e resumem-se as vias de ingestão de cálcio na dieta. Esta revisão fornece um resumo abrangente dos fatores que inibem a absorção de cálcio nos grãos integrais e explora estratégias para melhorar a suplementação de cálcio por meio de alimentos à base de grãos integrais. Por fim, são analisadas as questões de segurança das bebidas integrais com aditivos de cálcio.

Principais resultados e conclusões

As bebidas integrais, ricas em nutrientes como fibras, vitaminas e minerais, beneficiam a saúde dos idosos. No entanto, a sua capacidade digestiva e de absorção mais fraca limita a sua capacidade de absorver o cálcio. O cálcio complexado com peptídeos é agora amplamente utilizado como transportador de iões de cálcio devido à sua baixa energia de absorção, transporte rápido e baixa saturação do transportador. Os componentes alimentares dos cereais integrais podem influenciar a absorção de cálcio, e as alterações no processamento podem ter um impacto adicional. Este artigo tem como objetivo oferecer perspetivas sobre como melhorar a eficácia da suplementação de cálcio das bebidas à base de cereais integrais, com o objetivo final de maximizar o potencial dos cereais integrais como fonte sustentável e eficaz de cálcio para a população idosa.

Leia o artigo completo aqui

Fonte: Elsevier

 

Nos movimentados portos e rotas marítimas do Mediterrâneo, é impossível ignorar o impacto do transporte marítimo no ambiente. Os navios queimam grandes quantidades de combustível, libertando emissões que contribuem para as alterações climáticas e poluem o ar ao longo da costa. Esta é uma preocupação particular no Mediterrâneo, onde o tráfego marítimo é intenso e o mar é semi-fechado, retendo a poluição perto de costas densamente povoadas.

Para resolver esta questão, o projeto GreenMED está a ajudar a traçar um novo caminho a seguir. Graças ao apoio do Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos, das Pescas e da Aquicultura (EMFAF), está a reunir parceiros da Grécia, Espanha, Chipre e Egito para preparar a indústria naval da região para a transição energética.

No centro do projeto está um novo observatório — o Observatório do Transporte Marítimo Sustentável do Mediterrâneo, um centro de descarbonização para a região oriental e mais ampla do Mediterrâneo. Este observatório está a recolher dados, a acumular conhecimentos e a envolver as partes interessadas para apoiar soluções mais limpas nos portos e no mar.

Por que o Mediterrâneo não pode esperar
A União Europeia pretende alcançar a neutralidade climática até 2050. Para isso, todos os setores precisam reduzir as emissões, incluindo o transporte marítimo. O transporte marítimo tem sido um setor difícil de descarbonizar, mas novas políticas e medidas foram introduzidas, incluindo a inclusão do transporte marítimo no Sistema de Comércio de Emissões da UE, o Fuel EU Maritime e os Regulamentos de Infraestrutura de Combustíveis Alternativos.

A GreenMED ajuda a região do Mediterrâneo a alinhar-se com estes objetivos mais amplos, concentrando-se nas necessidades, infraestruturas e oportunidades regionais.

Não se trata apenas de metas ambientais. Trata-se também do futuro das comunidades costeiras. Portos mais limpos significam melhor qualidade do ar. Novos sistemas de combustível e energia significam novas competências e empregos. E o investimento em infraestruturas verdes pode apoiar a economia em geral, protegendo simultaneamente os ecossistemas marinhos.

Leia o artigo completo aqui.

Fonte:CINEA(EC)

O transporte de produtos que requerem temperaturas controladas coloca inúmeros desafios logísticos. A manutenção da cadeia de frio é essencial para preservar a qualidade e a segurança dos alimentos perecíveis, medicamentos e vacinas, especialmente em países como Espanha e Portugal, onde a regulamentação é rigorosa e o calor pode comprometer seriamente a integridade das mercadorias.

Este tipo de transporte envolve custos mais elevados do que os habituais, devido à utilização de veículos especializados, sistemas de refrigeração e maior rastreabilidade. Neste contexto, a embalagem isotérmica estabeleceu-se como um elemento-chave para garantir uma logística do frio segura, eficiente e sustentável.

“Uma falha na temperatura pode resultar na perda de eficiência do produto ou na sua retirada do mercado, o que gera prejuízos económicos significativos para as empresas”, afirma Bernard de Paauw, diretor-geral da empresa que desenvolveu esta embalagem, em Espanha.

A empresa desenvolveu soluções inovadoras para responder a este desafio, entre as quais o papel de isolamento térmico Recycold, fabricado a partir de materiais reciclados e concebido para preservar a temperatura dos produtos refrigerados e congelados durante o transporte. Esta solução responde simultaneamente às exigências logísticas e aos objetivos ambientais das empresas.

O material — composto por 85% de fibras de papel reciclado e totalmente reciclável — contribui para a redução dos resíduos gerados durante o transporte e no final da sua vida útil. “Isto não só beneficia o ambiente, como também reduz os custos associados à gestão de resíduos, tais como as taxas de deposição em aterro ou de incineração”, acrescenta Bernard de Paauw.

A adoção de embalagens isotérmicas eficientes não só minimiza os resíduos de produtos, como também melhora a eficiência operacional, reduz os incidentes logísticos e aumenta a satisfação do cliente final.

Fonte:iAlimentar

Farinhas brancas mais saudáveis, sem alteração do sabor, textura e preço? Sim, é possível. A tecnologia de edição genética CRISPR pode ajudar a melhorar a saúde alimentar através de pão e farinhas mais nutritivas, mantendo o sabor e o custo.

O Chile aprovou, pela primeira vez nas Américas, um trigo desenvolvido com recurso à tecnologia CRISPR — um método de edição genética de alta precisão. O cereal, criado, distingue-se por ter um teor de fibra até dez vezes superior ao trigo convencional. A decisão das autoridades chilenas abre caminho para ensaios em campo e validação comercial, tal como acontece com variedades tradicionais, marcando um marco internacional na biotecnologia agrícola.

Segundo a empresa responsável, o objetivo é simples: tornar o pão branco — um dos alimentos mais consumidos no Chile e na Argentina — mais saudável. Nestes países, a ingestão média de fibra é menos de metade do recomendado pelas diretrizes de saúde, o que aumenta riscos para o bem-estar da população.

Até agora, a indústria tentou enriquecer a farinha com fibras de milho, batata ou banana, mas estas soluções afetavam o sabor e a textura, além de encarecerem os produtos. Por outro lado, a farinha integral nunca conquistou a maioria dos consumidores, devido ao gosto, ao hábito e ao preço. Com o novo trigo, será possível produzir farinhas brancas mais ricas em fibra, sem comprometer a qualidade nem a acessibilidade.

O projeto é resultado de uma parceria entre a investigação e duas históricas empresas de sementes, uma chilena e uma argentina. A inovação contou ainda com apoios públicos de investigação e poderá ter impacto global, já que o mercado de fibras de trigo deverá mais do que duplicar até 2033.

A tecnologia CRISPR, muitas vezes descrita como uma “tesoura molecular”, permite editar com precisão o próprio genoma das plantas, sem recorrer a genes externos, o que significa que não se trata de um organismo transgénico. No caso do trigo, cuja informação genética é cinco vezes maior que a humana, esta abordagem permite acelerar processos que, com métodos tradicionais, demorariam até 15 anos.

Depois da decisão chilena, a empresa de investigação já submeteu pedidos de avaliação regulatória na Argentina e prepara-se para fazê-lo em mercados estratégicos como o Brasil e os Estados Unidos. Em paralelo, negocia com grandes indústrias alimentares da América Latina para testar, já em 2026, a utilização deste trigo em pães e bolachas.

Se bem-sucedida, esta inovação poderá transformar um alimento tão comum como o pão num aliado mais forte da saúde pública, colocando o Chile na linha da frente mundial da edição genética aplicada à alimentação.

Fonte:CiB

O presidente da maior cooperativa leiteira em Portugal,  Idalino Leão, apontou hoje que o setor atravessa uma fase de "estabilidade e previsibilidade", algo que se tem refletido positivamente na rentabilidade dos produtores.

"Neste momento, o setor da produção de leite está a viver um período de estabilidade e também de alguma previsibilidade, mesmo num contexto de turbulência europeia e mundial com guerras, taxas e inflações. Essa estabilidade tem proporcionado alguma rentabilidade para os agricultores", afirmou o presidente Idalino Leão, à Lusa.

 Apesar dessa estabilidade, Portugal teve, em 2024 e segundo o Instituto Nacional de Estatística, um ligeiro aumento nas importações de produtos lácteos, algo que o líder da maior cooperativa leiteira do país sente que pode ser invertido.

"Portugal é excedentário em leite líquido, mas ainda é deficitário em produtos lácteos. Existem algumas subcategorias, de gordura e proteína, que ainda não produzimos e, para corresponder às necessidades, recorremos a importações. Não por falta de capacidade produtiva, mas porque algumas grandes marcas internacionais conseguem colocar no nosso mercado a preços mais baratos", explicou.

O dirigente acrescentou que a estratégia tem de passar por um reforço da qualidade do leite nacional, apostando na valorização dos produtos sólidos.

"É um caminho que o setor também está a fazer, explicando de forma pedagógica a importância de produzirmos cada vez mais sólidos, porque são esses que nos vão permitir, na fase industrial, reduzir este défice", apontou.

Também nesse capítulo, a modernização tecnológica foi outro dos pontos destacados por Idalino Leão, que lembrou que a digitalização, a robotização e até o recurso à inteligência artificial já são uma realidade plenamente integrada nas explorações.

"Quando ouço falar de inteligência artificial parece uma novidade, mas para nós isso já é passado. A zootecnia e a agricultura de precisão são algo que já fazemos há muitos anos. Hoje o setor é completamente robotizado", vincou.

No plano europeu, Idalino Leão manifestou preocupação com eventuais cortes nos apoios oriundos da Política Agrícola Comum (PAC), que poderão acontecer em 2027.

"A nossa agricultura ainda precisa de investimento. Nós não podemos abdicar desta fatia importante através do apoio direto dos fundos comunitários. Temos de diminuir o nosso défice agroalimentar e, neste clima de incerteza geopolítica, a questão da alimentação é também uma questão de soberania e de defesa", afirmou.

Idalino Leão foi, ainda, questionado sobre os impactos negativos ou oportunidades que a questão das tarifas impostas pelos Estados Unidos da América poderá ter no setor, a nível nacional, apesar de as exportações de leite para o mercado americano serem residuais.

"Creio que o problema será mais na questão da alimentação animal, na importação de soja ou milho, dos quais somos deficitários. Se isso acontecer, vai obrigar, obviamente, a um aumento dos custos de produção dos agricultores, que se refletirá em toda a fileira agroalimentar", partilhou.

Idalino Leão abordou estes temas na projeção da 11.ª edição da AgroSemana -- Feira Agrícola do Norte, promovida pela cooperativa, que acontece entre 4 e 7 de setembro, no Espaço Agros, na Póvoa de Varzim, distrito do Porto.

O evento, que no ano passado foi visitado por cerca de 80 mil pessoas, mantém o objetivo de aproximar agricultores e consumidores, através de um programa diversificado que conjuga conhecimento técnico, valorização animal e momentos de convívio.

De acordo com a organização, haverá seminários e conferências com especialistas internacionais dedicados à cultura do milho e à produção animal, bem como concursos pecuários onde estarão presentes alguns dos melhores exemplares do país.

A programação inclui ainda gastronomia, espetáculos musicais e uma vertente familiar, com visitas às quintas para dar a conhecer de perto a vida dos agricultores e os cuidados com o bem-estar animal.

"É novamente o espírito de abrirmos as nossas portas, mostrarmos aquilo que somos, sem dogmas, sem mitos, provando aos nossos consumidores que sabemos fazer produtos seguros e saudáveis", sintetizou Idalino Leão.

Fonte: Notícias ao Minuto

Uma empresa desenvolveu uma técnica patenteada que permite utilizar até mais 30% do fruto do cacau na produção de chocolate, sem comprometer o sabor. Segundo a empresa, esta abordagem não só reduz o desperdício, como também ajuda os agricultores a obter um maior rendimento e valor das suas colheitas de cacau.

Tradicionalmente, apenas os grãos de cacau são usados na produção de chocolate. Estes grãos são colhidos, fermentados, secos, torrados e depois moídos até se transformarem numa pasta, o chamado licor de cacau. No entanto, grande parte do fruto do cacau, incluindo a polpa, a placenta e a casca da vagem, continua a ser largamente desperdiçada.

Com a nova técnica, todo o conteúdo interno da vagem é recolhido como uma massa húmida, que fermenta naturalmente. Esta massa é depois moída, torrada e seca em flocos de chocolate, que podem ser utilizados na produção.

 Louise Barrett, diretora do Centro de Investigação e Desenvolvimento em Confeitaria da empresa em York, no Reino Unido, afirmou: “com as alterações climáticas a afetarem cada vez mais os rendimentos das culturas de cacau em todo o mundo, estamos a explorar soluções inovadoras que possam ajudar os agricultores a maximizar o potencial das suas colheitas. Esta técnica revolucionária permite utilizar mais do fruto, ao mesmo tempo que continuamos a oferecer chocolate delicioso aos nossos consumidores. Embora este projeto ainda esteja numa fase piloto, estamos atualmente a explorar formas de aplicar esta inovação a uma escala maior“.

Esta técnica tem o potencial de aumentar significativamente a quantidade de matéria-prima de cacau disponível para os agricultores, além de lhes libertar tempo precioso. Com um processo de extração mais eficiente, os produtores poderão dedicar-se mais a práticas agrícolas sustentáveis, como a poda das árvores de cacau.

Fonte:Grande Consumo

Os benefícios da aveia na alimentação

  • Friday, 29 August 2025 08:27

Proteínas, hidratos de carbono de absorção lenta são alguns dos benefícios alimentares deste cereal

Uma marca de alimentação, destacou um conjunto de benefícios da aveia, acompanhados de dicas de utilização.

O facto de ser um cereal rico em hidratos de carbono de absorção lenta é um dos benefícios destacados, aliado ao seu elevado teor em fibra solúvel e insolúvel. Além disso, os beta-glucanos presente neste cereal contribuem para a manutenção dos níveis normais de colesterol no sangue.

A aveia é também uma fonte de manganês, biotina, fósforo, magnésio, cobre, ferro, zinco, potássio e folato – além de fitoquímicos com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias.

Em termos de sugestões, podem ser utilizados flocos de aveia grossos em overnight oats e flocos de aveia finos em papas de aveia doces ou salgadas. A aveia pode também ser adicionada a sopas e guisados para dar corpo e fibra, ou como substituto de pão ralado em panados, ou como base para hambúrgueres vegetarianos caseiros. Já a farinha de aveia pode ser usada em pães, bolachas, bolos, panquecas e como base para pizzas mais leves.

Fonte: TecnoAlimentar

A vindima de 2025 apresenta-se como uma das mais desafiantes das últimas décadas para as regiões do Douro, Alentejo e Vinho Verde. Com as vinhas ainda a ser cuidadosamente monitorizadas e os primeiros cortes de uvas brancas já em curso, as equipas de viticultura e enologia perspetivam rendimentos mais baixos, mas com promissores sinais de qualidade superior.

O ano vitícola de 2025 foi marcado por uma inconstância climática sem precedentes. Se o ciclo anterior em 2024 foi moderado, este ano trouxe extremos: dezembro fechou excecionalmente seco, seguido de um inverno e início de primavera marcados por precipitação anómala em janeiro, março e abril. Só na região do Douro, março ficou para a história como o mais chuvoso deste século — um fator que influenciou o abrolhamento das vinhas, registado na última semana do mês, em linha com a média dos últimos 30 anos.

No entanto, esta abundância hídrica não persistiu. Entre Junho e Julho, a ausência quase total de chuva e a ocorrência de quatro ondas de calor — uma delas particularmente severa — provocaram um défice de precipitação acumulada de 34% no Douro. Durante a primeira quinzena de Agosto, a região viveu dez dias consecutivos com temperaturas máximas acima dos 40ºC, superando o recorde do verão de 2003, que registara sete dias seguidos nestas condições extremas. No Alentejo e em Monção e Melgaço, embora as temperaturas não tenham atingido os mesmos picos, a ausência de chuva fez-se igualmente sentir.

 Impacto nas vinhas: bagos menores, sinais de qualidade

As reservas de água acumuladas no início da campanha permitiram uma floração rápida e, no geral, um bom vingamento. Contudo, o calor intenso e persistente condicionou o desenvolvimento dos bagos, que apresentam tamanhos até 30% inferiores à média na região do Douro — uma redução que poderá impactar significativamente o volume da produção.

Apesar do cenário adverso, os primeiros indicadores são positivos quanto à qualidade das uvas. Estudos de maturação conduzidos pelas equipas da Symington desde o início de Agosto apontam para uvas saudáveis, com um ciclo fenológico a evoluir dentro da normalidade. O acompanhamento rigoroso das castas tintas, ainda em maturação, e as vindimas já em curso das uvas brancas reforçam o otimismo moderado dos especialistas em relação ao potencial enológico deste ano.

Nas propriedades da Symington espalhadas pelo Douro, Alentejo e região de Monção e Melgaço, os preparativos para a vindima estão em ritmo acelerado. Adegas emblemáticas como a Quinta da Fonte Souto, no Alentejo, e a Quinta do Sol, no Douro, já abriram portas para receber as primeiras uvas, enquanto outras adegas especializadas aguardam o arranque pleno da campanha.

Segundo Charles Symington, diretor de produção e principal enólogo da Symington Family Estates, “vivemos uma vindima desafiante, em que a resiliência das vinhas e o trabalho das equipas são postos à prova. Apesar da quebra de produção, acreditamos que a qualidade poderá surpreender positivamente, sobretudo nas castas tintas, caso se confirmem as previsões de temperaturas mais amenas e algumas chuvas nos próximos dias“.

Fonte: Grande Consumo