Durante muitos anos, a produção agrícola assentou sobretudo em produtos de síntese química e em adubos minerais. A retirada de várias substâncias ativas, a necessidade de preservar as que restam, o desgaste da estrutura e da vida microbiana dos solos causado por rotações curtas, bem como a crescente atenção do consumidor ao que chega ao mercado, abriram espaço a novas ferramentas. Entre elas, os microrganismos têm vindo a conquistar um lugar próprio.
Os produtos de base biológica entraram, entretanto, em culturas onde, há alguns anos, dificilmente seriam considerados uma opção, do tomate de indústria ao olival, do milho às hortícolas.
O termo abrange realidades muito diferentes, de extratos vegetais a algas, de ácidos húmicos a microrganismos. São estes últimos que têm ganho mais espaço, e a razão está na forma como atuam: instalam-se, multiplicam-se e acompanham a planta ao longo do ciclo, em vez de agirem apenas no momento da aplicação.
Ao contrário dos produtos de síntese, cuja eficácia depende muito da molécula aplicada, o desempenho de um microrganismo resulta da interação entre o organismo, a planta e o ambiente, razão pela qual o posicionamento agronómico assume um papel determinante. É também por isso que o mesmo produto pode dar respostas diferentes em duas parcelas vizinhas.
É também aqui que se percebe que nem todos os produtos formulados com microrganismos são equivalentes. Produzir um microrganismo com qualidade constante exige tecnologia específica, laboratório e anos de investigação. Cada lote tem de sair com a concentração indicada no rótulo e isento de contaminantes, e nem toda a multiplicação de microrganismos oferece essa garantia. A identificação ao nível da estirpe também não é só um pormenor de rótulo, duas estirpes da mesma espécie podem comportar-se de forma distinta no campo. Sempre que fazemos uma aplicação estamos a introduzir organismos vivos num ecossistema, e convém saber exatamente quais são e o que fazem.
O contributo destes produtos para a produção de alimentos mais saudáveis é, na minha opinião, o argumento mais forte a favor da sua utilização. Há hoje soluções de base biológica com eficácias elevadas e bem documentadas, o que lhes permitiu passar de complemento a integrar de forma mais consistente o plano de tratamentos. A sua ação pode ocorrer de diferentes formas: através da competição com o agente patogénico, da produção de compostos que inibem o seu desenvolvimento, do parasitismo ou da indução das defesas naturais da planta. As vantagens somam-se ao longo do ciclo, com menor pressão de doença, sem constrangimentos de intervalo de segurança junto à colheita e com uma alternância de modos de ação que ajuda a preservar as substâncias ativas que ainda temos.
Uma população microbiana diversa e equilibrada pode ser uma importante aliada da parcela, sobretudo onde a rotação é curta ou inexistente. Convém, ainda assim, não confundir estas vantagens com liberdade no momento de aplicação. Um antagonista instala-se antes de o problema surgir, e uma aplicação isolada e tardia poderá ter eficácia limitada.
Nada disto é experimental. No Brasil, dados divulgados pela Embrapa mostram que a área tratada com agentes de controlo biológico registados passou de cerca de 22 milhões de hectares em 2018 para mais de 56 milhões em 2024. O mais relevante não é a dimensão, mas o modelo. Nas explorações mais tecnificadas, os produtos biológicos deixaram de ser encarados como alternativa aos produtos de síntese e passaram a integrar a mesma estratégia de proteção das culturas, explorando as vantagens de cada solução no momento que oferecem maior valor. Creio que é esse o caminho aplicável às nossas explorações. Os produtos de síntese continuam a resolver situações que o biológico poderá não resolver sozinho, sobretudo perante pragas e doenças com pressões elevadas.
Subsistem reservas quanto à consistência dos resultados, e a discussão é legítima. A variabilidade existe e explica-se em boa parte pelo posicionamento, pelas condições à data da aplicação e pela articulação com o restante plano fitossanitário. É agronomia, e devolve peso à decisão técnica em vez de a substituir por uma receita.
Creio que uma estratégia integrada é o caminho realista para os produtores: solos mais equilibrados, plantas mais tolerantes ao stress térmico e hídrico, menor vulnerabilidade a pragas e doenças e, no final, alimentos mais saudáveis à mesa do consumidor. Muito disto já se pratica em Portugal e na Europa. Falta generalizar o conhecimento que o sustenta, e a esse tema vale a pena voltar.
Fonte: Agroportal
Os subprodutos gerados durante o processamento de pimentos do género Capsicum constituem matérias-primas ricas em capsaicinoides, carotenoides e compostos fenólicos, com propriedades antimicrobianas e antioxidantes de elevado interesse tecnológico. A atividade antimicrobiana de subprodutos de seis variedades de pimentos picantes foi avaliada contra microrganismos de deterioração alimentar, com vista à posterior incorporação em maioneses.
Todos os subprodutos evidenciaram inibição dos microrganismos testados, embora em diferentes graus. As variedades JP, HB e CR foram selecionadas para incorporação em maioneses, com o objetivo de estudar o potencial efeito conservante em doses habitualmente consumidas.
As maioneses mantiveram-se microbiologicamente estáveis ao longo do tempo de prateleira, e observou-se menor rancificação nas formulações sem conservantes químicos, suportando a viabilidade dos subprodutos enquanto conservantes naturais e a estratégia de valorização de resíduos agroindustriais.
Introdução
A crescente procura por alimentos picantes tem vindo a registar um aumento sustentado à escala global, impulsionado pelo interesse dos consumidores por sabores intensos, ingredientes naturais e experiências sensoriais diferenciadas. Em paralelo, a transição para formulações clean label e a pressão regulatória para a redução de aditivos sintéticos têm incentivado a investigação de alternativas naturais capazes de garantir a segurança microbiológica e a estabilidade oxidativa, sem comprometer a qualidade sensorial dos produtos alimentares.
Neste contexto, os pimentos do género Capsicum spp. e os seus compostos bioativos, em particular os capsaicinoides, têm suscitado um interesse científico crescente devido às suas reconhecidas propriedades antimicrobianas, antioxidantes e funcionais. Contudo, o processamento industrial de molhos e condimentos à base de pimento origina quantidades significativas de subprodutos, incluindo placenta, sementes e tecidos fibrosos, que representam habitualmente entre 5 % e 20 % da biomassa processada. Estes subprodutos, frequentemente descartados, podem reter até 80 % do conteúdo original de capsaicinoides, constituindo fontes de baixo custo para a obtenção de ingredientes de elevado valor acrescentado.
Diversos estudos demonstram que os capsaicinoides e os extratos derivados de Capsicum são eficazes na melhoria da estabilidade oxidativa de matrizes lipídicas, posicionando-se como alternativas naturais aos antioxidantes sintéticos.
Estes efeitos são frequentemente potenciados pela sinergia com outros metabolitos bioativos presentes nos subprodutos, nomeadamente compostos fenólicos e carotenoides, que contribuem para a inibição da peroxidação lipídica e para a modulação da atividade antimicrobiana. Para além disso, os subprodutos de pimentos picantes apresentam teores relevantes de fibra e proteína, ampliando o seu potencial de aplicação no desenvolvimento de novos produtos alimentares, como as maioneses propostas neste estudo.
Economia circular e valorização de subprodutos
A Agenda VIIAFood, especificamente através do subprojeto A7.4, visou a criação de uma cadeia de economia circular para o género Capsicum. Esta iniciativa foca-se na valorização de subprodutos através de métodos de extração assistida por ultrassons, para a obtenção de oleorresinas picantes, com potencial de aplicação em produtos alimentares da empresa.
Outra estratégia de valorização utilizada no âmbito deste projeto foi a aplicação direta dos subprodutos de pimentos picantes no desenvolvimento de novos produtos alimentares, como forma de redução do desperdício agroindustrial e do impacto ambiental, relembrando que estes subprodutos apresentam ainda quantidades significativas de capsaicinoides que poderão comprometer os processos de decomposição de matéria orgânica.
Assim, propôs-se a incorporação destes subprodutos de pimentos picantes em emulsões alimentares do tipo maionese, tirando partido das suas funcionalidades como conservantes naturais.
Desta forma, a estratégia apresentada reforça simultaneamente a sustentabilidade ambiental, a inovação tecnológica e o aproveitamento de matérias-primas de origem local, provenientes da Vila Feliz Cidade, um projeto de sustentabilidade e agricultura regenerativa da Casa Mendes Gonçalves, focado em educação, biodiversidade e produção local. Evoluiu de um conceito escolar para a agrofloresta, produzindo matérias-primas (onde se incluem os pimentos picantes) e envolvendo a comunidade com impacto ambiental positivo.
Avaliação da atividade antimicrobiana dos subprodutos de pimentos picantes
Foram avaliados subprodutos das variedades Habanero amarelo (HA), Habanero branco (HB), Habanero laranja (HL), Habanero vermelho (HV), Jalapeño (JP) e Carolina Reaper (CR), com diferentes níveis de pungência, produzidos segundo um sistema de agricultura regenerativa na Vila Feliz Cidade.
A atividade antimicrobiana destes subprodutos foi avaliada por meio de Drop Tests, de acordo com a metodologia descrita por Costa (et al.). Os testes incidiram sobre microrganismos específicos, contaminantes habituais na indústria de produção de molhos, nomeadamente bactérias ácido-lácticas (LAB) (Levilactobacillus brevis, Lactiplantibacillus plantarum, Lentilactobacillus parabuchneri), leveduras frutofílicas (Pichia manshurica, Zygosaccharomyces parabailii, Zygosaccharomyces rouxii) e fungos filamentosos (Aspergillus oryzae), conhecidos pela sua elevada resistência a conservantes alimentares. A avaliação foi realizada em meios de cultura adequados ao crescimento destes microrganismos (MRS, YPD, PDA) nos quais foram incorporadas diferentes proporções de subproduto (10 %, 25 % e 50 % (m/m)). Como termo de comparação (controlo positivo da viabilidade celular) utilizou-se o mesmo meio de cultura sem os subprodutos incorporados.
Os resultados obtidos permitem verificar que todas as variedades de pimento apresentam capacidade antimicrobiana impedindo, total ou parcialmente, o crescimento microbiano em meio nutritivo com incorporação dos subprodutos, traduzida na observação da redução do crescimento em várias ordens de grandeza. Esta redução foi generalizada no crescimento das bactérias lácticas testadas, embora a eficácia tenha sido variável no caso de leveduras e fungos. Contra as leveduras frutofílicas e o fungo filamentoso, observaram-se melhores desempenhos para HL, HB, CR e JP. Para além disso, não se verificou relação direta entre pungência (associada a capsaicinoides) e atividade antimicrobiana, sugerindo contributos de outros metabolitos (fenólicos e carotenoides) e de efeitos de matriz.
Potencial conservante dos subprodutos de pimentos picantes - aplicação em maioneses
Para avaliar do potencial conservante dos subprodutos de pimentos picantes selecionaram-se as variedades Jalapeño (JP) e Habanero Branco (HB), com base nas suas eficácias antimicrobianas, viabilidade sensorial e estabilidade tecnológica.
Deste modo, a variedade Jalapeño (JP) foi selecionada pela inibição completa de leveduras frutofílicas, mesmo na concentração mais baixa de 10 %, aliada à sua menor pungência de entre as variedades testadas. Por outro lado, a variedade Habanero Branco, revelou ser o subproduto mais equilibrado entre os Habaneros, apresentando uma eficácia elevada contra BAL e fungos filamentosos, complementando a ação do Jalapeño ao garantir uma barreira microbiológica eficaz contra os contaminantes mais indesejados da indústria de molhos e promovendo um produto clean label. Esta variedade tem ainda a seu favor a sua cor clara, o que constitui uma vantagem tecnológica crítica para maioneses. Ao contrário das variedades vermelhas, esta variedade permite a valorização de subprodutos sem causar alterações visuais no produto final, mantendo o aspeto tradicional do molho, o que poderá ser relevante para os consumidores.
Avaliou-se a inibição do crescimento em maioneses com e sem o subproduto e com e sem o conservante químico (sorbato de potássio), por comparação com uma maionese comercial. O estudo do tempo de prateleira das maioneses foi efetuado em condições aceleradas de conservação, i.e., as amostras foram armazenadas durante 120 dias a 35 °C, sendo periodicamente monitorizados parâmetros físico-químicos (pH, estabilidade da emulsão), sensoriais (aparência, aroma) e microbiológicos (contagens de mesófilos, leveduras e bolores, bactérias ácido-lácticas e Enterobacteriaceae). Recorrendo a esta metodologia de estudo, em condições de armazenamento acelerado, foi possível inferir o comportamento das maioneses ao longo do tempo de prateleira de 9 meses a 20 °C.
Os resultados apresentados evidenciam diferenças relevantes entre as formulações, nomeadamente ao nível da estabilidade do pH, comportamento da emulsão e suscetibilidade à oxidação lipídica.
Na aplicação em maioneses, o pH manteve-se abaixo de 4 em todas as amostras ao fim de 120 dias, garantindo ambiente inibitório para microrganismos contaminantes, o que foi corroborado pelas contagens microbianas que permaneceram abaixo dos níveis guia recomendados. Este efeito é particularmente relevante no caso das maioneses com subproduto e sem adição de conservante (J_S e HB_S), indicando o seu potencial como conservantes clean label. Para além disso, nas maioneses com subproduto de pimento (JP e HB), as versões sem conservante (JP_S e HB_S) apresentaram um pH inicial mais baixo (mais ácido), mais favorável para a conservação e segurança alimentar.
Relativamente à evolução do pH ao longo do tempo, verifica-se que as formulações com conservantes químicos tendem a apresentar aumentos ao longo do armazenamento, destacando-se HB_C e JP_C, sem, no entanto, atingir valores que ponham em causa a segurança do produto. Em contraste, as amostras sem conservantes exibiram maior estabilidade, em particular HB_S e CT_S, enquanto JP_S apresenta apenas uma variação moderada.
No que respeita à estabilidade da emulsão, esta foi mantida na Referência (produto comercial) e Controlo de laboratório sem conservante químico (CT_S). Nas amostras com conservante, a separação de fases ocorreu por volta dos 2 meses, enquanto as versões sem conservante mantiveram-se estáveis por pelo menos 3 meses. Estes resultados indicam que a adição de conservantes químicos não melhorou a integridade estrutural das emulsões. Importa ainda considerar que a interação entre antioxidantes naturais e aditivos externos pode afetar o desempenho global do sistema. Tal como foi referido por Joshi (et al.), as misturas de compostos fenólicos podem apresentar efeitos sinérgicos ou antagónicos, dependendo da sua proporção e ambiente químico, o que pode explicar o desempenho inferior das formulações com conservantes.
Quanto ao nível de rancificação, as formulações JP_S e HB_S destacam-se por apresentarem valores baixos, enquanto as restantes amostras exibem rancidez moderada. Este resultado sugere um efeito protetor associado à presença de compostos bioativos provenientes de Capsicum. De facto, os pimentos deste género são ricos em compostos fenólicos, flavonoides e capsaicinoides com reconhecida atividade antioxidante, capazes de inibir a oxidação lipídica em matrizes alimentares complexas. Em emulsões como a maionese, estes compostos tendem a acumular-se na interface óleo-água, onde a oxidação ocorre preferencialmente, desempenhando um papel determinante na sua inibição.
Em termos industriais, os resultados indicam que formulações clean label contendo ingredientes ricos em compostos fenólicos podem oferecer vantagens ao nível da estabilidade oxidativa, mesmo quando a estabilidade física da emulsão não é totalmente otimizada. No entanto, a ausência de melhoria na estabilidade estrutural evidencia a necessidade de otimização adicional da formulação e do sistema emulsificante, de forma a garantir desempenho global consistente.
Conclusões e perspetivas futuras
Os subprodutos de Capsicum testados exibem potencial como ingredientes conservantes naturais contra microrganismos de deterioração.
Em maioneses, os subprodutos de pimentos picantes mostraram um desempenho equivalente ao controlo (CT), com manutenção dos valores de pH, da estabilidade de emulsão e apresentado perfis microbiológicos em conformidade ao longo do tempo de prateleira definido.
A ausência de uma correlação com pungência abre caminho à padronização por marcadores não-pungentes (por exemplo, fenóis ou carotenoides) e à aplicação de mistura de variedades de pimento, interessante para as empresas em termos logísticos.
Esta abordagem valoriza resíduos agroindustriais e promove a sustentabilidade de cadeias de valor alimentares.
Fonte: TecnoAlimentar
O Dia Mundial do Vegetarianismo, assinalado todos os anos a 1 de outubro, volta a colocar no centro da discussão pública os impactos das escolhas alimentares na saúde, no bem-estar animal e no ambiente.
Criado em 1977 pela Sociedade Vegetariana da América do Norte e adotada mundialmente no ano seguinte, a data pretende transformar uma opção individual numa conversa coletiva sobre o futuro da alimentação.
Em Portugal, o movimento tem crescido de forma expressiva: 120 mil pessoas já seguem uma dieta vegetariana, quatro vezes mais do que há uma década, acompanhando a expansão de restaurantes e opções vegetais nas grandes cidades.
A celebração marca também o início de um mês dedicado à sensibilização, que culmina a 1 de novembro com o Dia Mundial do Veganismo. Durante estas semanas, multiplicam-se iniciativas, desde desafios de 24 horas sem carne a workshops, menus especiais e ações informativas sobre nutrição vegetal.
Especialistas em saúde reforçam que dietas ricas em vegetais, leguminosas e fruta estão associadas a menor risco cardiovascular, diabetes tipo 2 e alguns tipos de cancro — benefícios que ajudam a explicar a adesão crescente em vários países.
Mais do que uma tendência, o vegetarianismo afirma-se como uma mudança estrutural na forma como as sociedades encaram a alimentação, convidando à reflexão sobre o impacto das escolhas individuais no planeta e nos sistemas alimentares.
Celebrado a 1 de outubro, o Dia Nacional da Água marca o início do ano hidrológico, precisamente quando as reservas hídricas estão nos níveis mais baixos e começa, habitualmente, a época das chuvas. Este momento simboliza a necessidade de reforçar a eficiência hídrica, reduzir perdas e apostar em soluções alternativas como a reutilização de águas residuais tratadas, hoje vista não como opção, mas como oportunidade estratégica para o país.
Desafios crescentes: escassez, extremos climáticos e pressão sobre os ecossistemas
O Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV) alerta que a água deve ser tratada como bem comum global e direito humano, exigindo uma gestão ética que equilibre necessidades humanas, ecossistemas e atividades económicas. Os episódios extremos — alternância entre precipitação intensa e longas fases de seca — estão a agravar a pressão sobre o recurso, exigindo planeamento, transparência e participação pública nas decisões.
De norte a sul do país, empresas e entidades públicas assinalam a data com ações de sensibilização:
Águas de Portugal promove oficinas ambientais, visitas técnicas e protocolos para incentivar o consumo de água da torneira, incluindo a entrega de garrafas reutilizáveis a alunos e instalação de bebedouros nas escolas;
EPAL, em Lisboa, reabre o Pátio da Água com atividades de celebração, música, experiências e ações de rua que destacam a qualidade da água da torneira e a importância do seu consumo sustentável.
A nova Estratégia Nacional de Gestão da Água – “Água Que Une” define uma visão integrada para as próximas décadas, com cerca de 300 medidas destinadas a aumentar a disponibilidade hídrica em mais de 1 000 milhões de m³, através de:
Redução de perdas nas redes;
Reutilização de águas residuais tratadas;
Reabilitação de rios e ribeiras;
Reforço do armazenamento;
Digitalização do ciclo da água;
Resiliência hídrica no Alentejo.
Esta estratégia reforça a necessidade de eficiência, inteligência e resiliência na gestão do recurso.
O Dia Nacional da Água é mais do que uma efeméride: é um alerta nacional para a urgência de proteger um recurso vital, cada vez mais escasso e pressionado pelas alterações climáticas. Entre iniciativas de sensibilização, novos programas de gestão e uma estratégia nacional robusta, Portugal reforça o compromisso de garantir água para as pessoas, para a economia e para os ecossistemas — hoje e no futuro.
Fonte: Qualfood
O Dia Internacional do Café, celebrado a 1 de outubro, volta a destacar a importância cultural, económica e social de uma das bebidas mais consumidas do planeta. A data, reconhecida oficialmente pela Organização Internacional do Café (OIC) desde 2015, pretende unir produtores, consumidores e todos os que encontram no café um ritual diário de pausa, energia e encontro.
O café é hoje o produto tropical mais comercializado do mundo, sustentando os meios de subsistência de até 25 milhões de famílias agrícolas, sobretudo em países em desenvolvimento. Brasil, Vietname e Colômbia lideram a produção global, enquanto a União Europeia e os Estados Unidos figuram entre os maiores mercados consumidores.
Mais do que uma bebida, o café é um símbolo universal de convivência — presente nas primeiras horas da manhã, nas pausas de trabalho, nas conversas prolongadas e nas tradições que moldam culturas inteiras.
A criação do Dia Internacional do Café surgiu da necessidade de dar visibilidade aos produtores, frequentemente afetados por volatilidade de preços, custos crescentes e desigualdades ao longo da cadeia de valor. A celebração global pretende sensibilizar para práticas mais sustentáveis, justas e resilientes, valorizando o conhecimento agrícola, a proteção dos ecossistemas e a importância das comunidades rurais.
Café de origem — lotes exclusivos e rastreabilidade ganham força;
Métodos artesanais — V60, Chemex e prensa francesa conquistam novos consumidores;
Sustentabilidade cafeeira — foco em agricultura regenerativa, comércio justo e adaptação climática;
Cafés especiais — qualidade, perfis sensoriais e inovação na torra.
A campanha internacional recente destaca a mensagem “Café, seu ritual diário, nossa jornada compartilhada”, reforçando que cada chávena resulta de uma rede global de colaboração — agricultores, cooperativas, exportadores, torrefadores, baristas e consumidores.
Neste 1 de outubro, o Dia Internacional do Café celebra não apenas o sabor e o aroma que conquistam o mundo, mas também as pessoas, os territórios e as histórias que tornam esta bebida um património vivo. Cada chávena é um convite a abrandar, partilhar e valorizar quem está na origem deste ritual global.
Fonte: Qualfood
Nos primeiros oito meses, o ano de 2026 fica marcado pela força com que a poluição atravessou continentes. O relatório Atmosphere Watch conclui que "o fumo dos incêndios florestais, o pó do deserto e outras formas de poluição atmosférica nociva para a saúde percorreram, por vezes, milhares de quilómetros."
A força da poluição tem alterado “a qualidade do ar para milhões de pessoas muito para além da fonte original”. Também a exposição global ao fumo dos incêndios florestais “está a aumentar”. A explicação está nos fogos “mais extremos nas proximidades de áreas povoadas, refere o relatório assinado pelo Serviço Copernicus.
O Atmosphere Watch aponta os "megaincêndios" em França, Espanha e Bélgica que “provocaram o transporte intenso de fumo, causando impactos na qualidade do ar a milhares de quilómetros de distância.”
No caso francês, a 22 de julho, deflagraram grandes incêndios florestais nas regiões francesas de Gironde e Landes. A situação obrigou a “uma das maiores retiradas de população desde a Segunda Guerra Mundial” e os impactos do fumo na qualidade do ar fizeram-se sentir a centenas de quilómetros.
Quase em simultâneo, em Espanha, teve início um grande incêndio na província de Ávila que se juntou a outro em Madrid.
Mais de 50 mil hectares arderam e 56 mil pessoas tiveram que abandonar as suas habitações.Para além de “quase 30.000 pessoas confinadas em ambientes fechados para evitar a exposição ao fumo nocivo.”
Estes dois incêndios em Espanha “registaram, por uma margem expressiva, as maiores emissões de carbono provenientes de incêndios florestais desde, pelo menos, 2003”, sublinha o documento do Copernicus.
Sendo certo que em ambos houve “emissões extremas de partículas finas” prejudiciais para a saúde.
Outro caso analisado foi o incêndio florestal na Bélgica em agosto, na reserva natural High Fens. Teve uma intensidade como não se via há cem anos no país. As colunas de fumo foram tão intensas que “atravessaram a Alemanha, chegando mesmo à Polónia.” Ou seja, mais de mil quilómetros.
O Atmosphere Watch destaca também a longa distância que atravessaram os fumos provenientes de incêndios florestais na América do norte, em 2026. “Algumas destas plumas atravessaram o Atlântico e chegaram a partes da Europa”.
Durante o Mundial de Futebol, em julho, o fumo dos intensos incêndios florestais no Canadá, espalhou-se “em vastas plumas por milhares de quilómetros através do norte da América do Norte em direção ao Atlântico.”
Então, foram emitidos alertas de saúde relacionados “com a qualidade do ar em muitas cidades, incluindo Nova Iorque e Nova Jérsia, poucos dias antes da final do Campeonato do Mundo, a 19 de julho.”
No Sudeste Asiático, os incêndios sazonais contribuíram para a formação de um nevoeiro transfronteiriço generalizado, afetando países como a Tailândia e o Laos.
O início do El Niño, previsto para ser um dos mais fortes dos últimos anos, está já a agravar as condições propícias a incêndios na Indonésia. “É provável que outras regiões, incluindo a Amazónia, enfrentem condições semelhantes no próximo ano”, alerta o Copernicus.
O relatório alerta também para a poeira do Saara que se deslocou “repetidamente muito para além do Norte de África.”
O Serviço de Monitorização da Atmosfera Copernicus acompanhou várias situações em que a “poeira e fumo da África Ocidental” viajou para o Atlântico Norte chegando a Cabo Verde e às Canárias”. O resultado foi o nevoeiro e a má qualidade do ar que as populações respiraram. Também foi registada “deslocação de poeira através do Atlântico em direção às Caraíbas.”
De acordo com vários estudos, lembra o relatório Atmosphere Watch, “os impactos do fumo dos incêndios florestais e da poeira podem ter sido negligenciados durante muito tempo. As evidências científicas sobre os efeitos da exposição a partículas finas e ao ozono na saúde pública aumentam de dia para dia."
Um estudo recente estimou que a exposição global às emissões dos incêndios florestais aumentou 40 por cento em 20 anos, apesar da redução da área ardida.
A subida deve-se ao crescimento populacional e ao aumento da intensidade dos incêndios associado às alterações climáticas.
Fonte: RTP Notícias
A Associação Europeia de Comerciantes de Cereais e Grão (COCERAL) reviu em baixa a previsão para a colheita de cereais da UE e do Reino Unido em 2026, estimando agora uma produção de 279 milhões de toneladas.
Segundo a nova estimativa, a mesma fica abaixo dos 286,6 milhões de toneladas previstos em julho e distante dos 307,4 milhões de toneladas registados em 2025.
A COCERAL enfatiza que a revisão é relevante para a fileira cerealífera europeia e para os operadores ligados à indústria alimentar e à distribuição, num contexto em que a evolução das colheitas condiciona a disponibilidade de matéria-prima nos mercados.
Trigo mole também revisto em baixa
A produção de trigo mole é agora estimada em 137,5 milhões de toneladas, abaixo dos 140,8 milhões de toneladas previstos anteriormente e dos 148,7 milhões de toneladas registados em 2025.
Segundo a COCERAL, a colheita nas principais zonas do norte de França resistiu às ondas de calor de maio e junho em condições adequadas. Já as colheitas na Alemanha e na Polónia foram mais afetadas e ficaram abaixo das expectativas iniciais.
No caso da cevada, a estimativa sobe ligeiramente face à previsão anterior, de 57,6 para 57,9 milhões de toneladas. Ainda assim, o valor fica abaixo dos 63,3 milhões de toneladas registados no ano passado.
Milho é a cultura com maior revisão em baixa
O milho é a cultura mais penalizada na nova previsão. A COCERAL reduziu a estimativa de julho, já considerada baixa, de 52,7 para 48,6 milhões de toneladas. Em 2025, a produção tinha atingido 56,5 milhões de toneladas.
A revisão é atribuída às condições extremamente quentes e secas durante a polinização nas principais zonas produtoras da Europa ocidental e central.
Em França, a produção de milho deverá cair para 7,6 milhões de toneladas, face aos 13,8 milhões de toneladas de 2025 e aos 9,4 milhões previstos anteriormente. De acordo com a COCERAL, este será o valor mais baixo em mais de 20 anos.
Na Hungria, a produção esperada é de 1,9 milhões de toneladas, abaixo dos 3,8 milhões de toneladas registados em 2025. A organização aponta ainda para rendimentos abaixo do esperado e para uma forte redução das sementeiras na UE.
Colza mantém produção próxima da campanha anterior
Na colza, a previsão para a UE e Reino Unido é de 21,3 milhões de toneladas, ligeiramente acima dos 21,2 milhões de toneladas previstos anteriormente e próxima dos 21,4 milhões de toneladas registados em 2025.
Segundo a COCERAL, o regresso dos rendimentos a níveis médios, depois dos valores elevados observados em 2025, foi compensado por um aumento da área cultivada, que passou de 6,4 para 6,8 milhões de hectares.
A organização refere ainda que os danos provocados pelas ondas de calor foram menores nesta cultura do que no trigo e no milho.
Espanha deverá produzir menos 23,4% de cereais
Para Espanha, a COCERAL estima uma produção total de cereais de 19,4 milhões de toneladas em 2026, menos 23,4% do que os 25,4 milhões de toneladas registados em 2025. A área cultivada deverá situar-se nos 5,35 milhões de hectares, abaixo dos 5,58 milhões de hectares do ano anterior.
O trigo mole deverá atingir 5,7 milhões de toneladas, menos 26% do que em 2025, enquanto o trigo duro deverá cair para 527 mil toneladas, uma redução de 34,4%. A cevada deverá recuar para 6,7 milhões de toneladas, face aos 10,1 milhões de toneladas do ano anterior.
O milho é a exceção entre os cereais espanhóis, com uma produção prevista de 4,4 milhões de toneladas, acima dos 4 milhões de toneladas de 2025. A área deverá aumentar de 330 mil para 370 mil hectares.
A aveia deverá cair para 1 milhão de toneladas, o triticale para 676 mil toneladas e o centeio para 225 mil toneladas. O sorgo e os cereais mistos mantêm-se em 29 mil toneladas.
Nas oleaginosas, a COCERAL prevê para Espanha uma produção total de 1,19 milhões de toneladas, mais 2,5% do que em 2025. O girassol deverá subir para 948 mil toneladas, enquanto a colza deverá recuar para 238 mil toneladas.
Fonte: Vida Rural
A qualidade e a origem dos alimentos estão entre os fatores mais importantes nas decisões de compra dos consumidores europeus, numa altura em que cresce também a preocupação com a segurança do abastecimento alimentar.
Segundo o mais recente Eurobarómetro dedicado à agricultura e à Política Agrícola Comum (PAC), 79% dos europeus considera importante ou muito importante que os alimentos tenham sido produzidos na União Europeia.
O estudo mostra ainda que 89% valoriza produtos provenientes de cadeias de abastecimento curtas e a mesma percentagem considera importante que a produção respeite padrões mais exigentes de proteção ambiental e bem-estar animal.
Esta foi a primeira edição do Eurobarómetro em que os consumidores foram questionados especificamente sobre a importância da origem europeia dos alimentos. Quase oito em cada dez entrevistados consideram esse fator importante ou muito importante, reforçando a relevância da proveniência na construção de confiança e valor associado ao produto alimentar.
A Comissão Europeia conclui que qualidade e origem são hoje dois dos principais motores das escolhas alimentares, juntamente com elementos como cadeias curtas, padrões ambientais, bem-estar animal e distintivos de qualidade.
Com base nestes resultados, Bruxelas pretende lançar uma nova campanha dedicada aos alimentos europeus, iniciativa anunciada anteriormente pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
O reconhecimento da importância do sector agrícola é igualmente elevado. 95% dos europeus considera que a agricultura e as zonas rurais são importantes para o futuro da União Europeia, enquanto 93% atribui importância à garantia de um abastecimento alimentar estável.
A segurança alimentar surge também associada à crescente instabilidade climática. A maioria dos participantes considera que a segurança dos alimentos melhorou ou se manteve estável durante a última década, mas mais de nove em cada dez reconhecem que os fenómenos meteorológicos extremos podem afetar a segurança e o fornecimento de alimentos.
O resultado reforça a ligação entre produção agrícola, alterações climáticas e disponibilidade de produtos, numa altura em que a cadeia alimentar europeia enfrenta maior exposição a secas, cheias e outros eventos extremos.
Quando questionados sobre as prioridades futuras para a política agrícola e de desenvolvimento rural, 55% dos europeus aponta a necessidade de garantir preços razoáveis dos alimentos para os consumidores.
A garantia de um nível de vida digno para os agricultores surge logo depois, mencionada por 53% dos participantes.
Outras prioridades incluem assegurar um abastecimento alimentar estável na União Europeia, referido por 50%, proteger o ambiente e combater as alterações climáticas, com 47%, garantir formas sustentáveis de produção de alimentos, com 46%, e promover crescimento e emprego nas zonas rurais, com 45%.
Os dados mostram, assim, uma preocupação simultânea com preço, segurança de abastecimento, rendimento agrícola e sustentabilidade.
A Política Agrícola Comum mantém também um elevado nível de apoio. Cerca de 70% dos europeus considera que a PAC beneficia todos os cidadãos e não apenas os agricultores, enquanto aproximadamente 85% entende que aumentar a competitividade da agricultura deve ser uma prioridade importante desta política.
Mais de dois terços consideram também que a PAC está a cumprir um papel relevante na proteção ambiental e no combate às alterações climáticas.
Na avaliação mais detalhada da política, 78% considera que a PAC contribui para garantir um abastecimento alimentar estável, 71% associa-a à gestão sustentável dos recursos naturais e 70% considera que reforça a posição dos agricultores na cadeia alimentar.
O Eurobarómetro revela igualmente uma visão globalmente positiva sobre os acordos comerciais da União Europeia. 70% considera que estes acordos são positivos para os consumidores de produtos alimentares, enquanto 64% acredita que beneficiam a agricultura europeia.
Ao mesmo tempo, a exigência em relação às importações é elevada: 89% defende que produtos agrícolas provenientes de países terceiros só devem entrar na União Europeia se tiverem sido produzidos de acordo com padrões europeus de ambiente, bem-estar animal e condições laborais.
A perceção dos consumidores aponta, assim, para um equilíbrio entre abertura comercial e reciprocidade das condições de produção.
Fonte: Grande Consumo
O Conselho definiu hoje a sua posição sobre a parte remanescente do pacote de simplificação «Omnibus X». O pacote visa reduzir custos e encargos administrativos desnecessários, mantendo simultaneamente os padrões extremamente elevados da UE para a segurança dos alimentos e dos alimentos para animais, bem como para a proteção da saúde humana e animal e a proteção do ambiente. Na prática, a proposta simplifica regras e procedimentos identificados como particularmente onerosos pelas partes interessadas e autoridades em toda a legislação da UE — desde os produtos fitofarmacêuticos e produtos biocidas até aos alimentos para animais, controlos oficiais e saúde e bem-estar animal.
O mandato de negociação de hoje abrange nomeadamente o regulamento relativo aos limites máximos de resíduos, o regulamento relativo aos produtos fitofarmacêuticos, bem como o regulamento relativo aos produtos biocidas, entre outros.
O mandato aprovado hoje surge na sequência da adoção, em 11 de maio de 2026, de um regulamento que prorroga os períodos de proteção de dados relativos aos biocidas, e da aprovação, em 27 de maio de 2026, da posição de negociação do Conselho sobre regras atualizadas para a utilização sustentável de pesticidas.
«Hoje, o Conselho deu mais um passo em frente no cumprimento do pacote de simplificação da segurança dos alimentos e dos alimentos para animais. É isto que a simplificação deve proporcionar: um setor agroalimentar europeu mais competitivo e resiliente, com menos burocracia e sem compromissos na segurança alimentar ou na proteção ambiental. Este pacote é um elemento-chave no âmbito do Roteiro “Uma Europa, Um Mercado”. A Presidência está totalmente empenhada em trabalhar para alcançar o ambicioso prazo de um acordo com o Parlamento Europeu até ao final do ano.» - Thomas Byrne – Ministro de Estado da Irlanda para os Assuntos Europeus e Defesa
«Os agricultores e as empresas agroalimentares da Europa precisam de maior previsibilidade e de menos encargos desnecessários para poderem investir, inovar e competir no mercado global, mantendo os elevados padrões de saúde e ambientais que sustentam a confiança dos nossos cidadãos. O acordo de hoje no Conselho é um passo importante para aliviar a carga administrativa dos agricultores e do setor agroalimentar em toda a UE.» - Martin Heydon – Ministro da Agricultura, Alimentação e Mar da Irlanda
Principais alterações introduzidas pelo Conselho
A Presidência tratou o pacote de simplificação «Omnibus X» com a máxima prioridade. Os Estados-Membros partilham este sentido de urgência e, por conseguinte, preservaram a orientação principal das propostas da Comissão.
Regulamento relativo aos limites máximos de resíduos (LMR)
Um limite máximo de resíduos (LMR) é o nível mais elevado de resíduos de pesticidas legalmente tolerado dentro ou sobre alimentos ou alimentos para animais de origem vegetal e animal.
A alteração proposta ao regulamento LMR diz respeito a resíduos, em alimentos ou alimentos para animais importados, de certos pesticidas que já não podem ser utilizados na UE devido à sua natureza particularmente perigosa. Devido às suas propriedades intrínsecas, as substâncias ativas contidas nesses pesticidas poderiam, por exemplo, provocar cancro, ser tóxicas para a reprodução, afetar o sistema endócrino ou ter efeitos negativos a longo prazo no ambiente. O objetivo final é deixar de permitir a importação de produtos que contenham tais resíduos de pesticidas e, dessa forma, manter um elevado nível de proteção da saúde humana e do ambiente, salvaguardando também a competitividade da UE.
A este respeito, o mandato do Conselho mantém o princípio de reduzir os LMR existentes para o zero técnico relativamente a substâncias particularmente perigosas, após uma avaliação de impacto prévia, tal como proposto pela Comissão. O texto do mandato alarga também o âmbito das substâncias abrangidas, não só a substâncias com certas propriedades particularmente perigosas, mas também a substâncias cujas condições específicas de utilização conduzam a riscos inaceitáveis para as abelhas melíferas ou para as águas subterrâneas.
Conforme proposto originalmente pela Comissão, para os produtos que estavam em conformidade com os LMR anteriores (antes da sua redução), o mandato do Conselho mantém também a possibilidade de estabelecer disposições transitórias para permitir que esses produtos continuem a ser colocados no mercado durante um determinado período de tempo, a fim de evitar o desperdício alimentar.
Regulamento relativo aos produtos fitofarmacêuticos (PF)
Este regulamento diz respeito à colocação no mercado de produtos fitofarmacêuticos, definindo a forma como os PF são autorizados na UE.
Para incentivar a inovação e promover o desenvolvimento de alternativas sustentáveis aos PF convencionais para a agricultura, o mandato prevê que as substâncias de biocontrolo beneficiem de um procedimento de apreciação rápida (fast-track), sendo-lhes dada prioridade na avaliação antes da sua aprovação. Ao mesmo tempo, às substâncias ativas de baixo risco e aos PF que as contenham serão concedidas aprovações e autorizações por prazo ilimitado.
Além disso, para outras substâncias e PF que as contenham, os períodos de aprovação serão alargados para 15 anos na primeira aprovação e para 25 anos nas renovações subsequentes, com algumas exceções.
A duração da proteção dos ensaios e relatórios de estudos de PF será alargada de 10 para 13 anos para a primeira autorização de PF regulares, e de 13 para 15 anos para PF de baixo risco. Estes ensaios e relatórios de estudos serão carregados numa base de dados recém-criada ao nível da UE.
Para compensar os períodos de aprovação mais longos, o texto introduz salvaguardas mais fortes, nomeadamente através de uma revisão periódica da literatura científica e dos dados de monitorização disponíveis por parte da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos, bem como de um tratamento mais cauteloso das substâncias classificadas como «carcinogénicas, mutagénicas ou tóxicas para a reprodução, categoria 2».
Regulamento relativo aos produtos biocidas
Os produtos biocidas são utilizados para proteger seres humanos, animais, materiais ou artigos contra organismos prejudiciais, como pragas ou bactérias, pela ação das substâncias ativas contidas no produto biocida.
O mandato do Conselho mantém o princípio atualmente aplicável de aprovações de substâncias ativas com uma data de expiração, embora com um período de aprovação prolongado, nomeadamente de 15 anos para as primeiras aprovações e de 25 anos para as renovações subsequentes. Isto é considerado adequado e suficiente para resolver os atrasos estruturais no programa de revisão das substâncias ativas.
Regulamento relativo aos aditivos para alimentação animal
A proposta da Comissão introduz várias medidas direcionadas de simplificação para os aditivos destinados à alimentação animal. Estas incluem a eliminação da exigência de renovação sistemática para a maioria dos aditivos autorizados, a otimização dos procedimentos para modificações de autorizações existentes e a viabilização da rotulagem digital para certas informações.
Regulamento relativo aos alimentos e alimentos para animais geneticamente modificados
O mandato do Conselho baseia-se na intenção da Comissão de clarificar que os produtos de fermentação produzidos com a utilização de microrganismos geneticamente modificados (MGM) não são alimentos ou alimentos para animais «produzidos a partir de OGM», ao mesmo tempo que introduz alterações destinadas a garantir um elevado nível de proteção da saúde humana e animal, bem como do ambiente.
Entre estas medidas encontra-se o desenvolvimento de orientações pela Comissão sobre boas práticas de fabrico destinadas a minimizar a presença de material residual de MGM nos produtos alimentares ou de alimentação animal relevantes.
Próximos passos
A Presidência do Conselho iniciará as negociações com o Parlamento Europeu assim que este último adotar a sua posição, com vista a alcançar um acordo provisório rápido sobre o conjunto do pacote «Omnibus X» até ao final de 2026.
Fonte: Agroportal
O comércio agroalimentar da União Europeia (UE) alcançou um excedente de 30,1 mil milhões de euros no primeiro semestre de 2026, um aumento de 2,9 mil milhões em relação ao ano anterior, conforme divulgado pela Comissão Europeia esta segunda-feira.
Apesar deste aumento no excedente, as exportações totais caíram 2%, atingindo 117,2 mil milhões de euros. Esta diminuição deveu-se principalmente à redução nas exportações de produtos como cacau, carne de suíno e azeite. Em particular, as exportações de azeite e azeitonas caíram 432 milhões de euros (-13%), refletindo a queda nos preços do azeite (-6%) e nos volumes exportados (-7%), especialmente para os EUA, Canadá, Austrália e Japão.
Por outro lado, houve um crescimento significativo nas exportações para alguns países. As exportações para o Egito aumentaram 22%, impulsionadas pelo trigo, enquanto as vendas para a Ucrânia cresceram 10% devido ao aumento das bebidas espirituosas. As exportações para a Turquia subiram 7%, com destaque para a carne de vitela e de vaca.
As exportações de outros produtos de origem animal registaram um aumento de 549 milhões de euros (cerca de 11%), e as bebidas espirituosas e licores subiram 470 milhões de euros.
As importações agroalimentares, por sua vez, diminuíram 3,6%, totalizando 93,4 mil milhões de euros. O valor total das importações atingiu 108,6 mil milhões de euros, uma redução de 4,5 mil milhões em termos homólogos. As importações de cacau da Costa do Marfim destacaram-se ao diminuírem 21%, e tanto Camarões quanto Nigéria registaram quedas de 46%.
Entre os produtos importados, as categorias de café, chá, cacau e especiarias caíram 4,8 mil milhões de euros (-19%), enquanto as importações de cereais e laticínios diminuíram 11% e 19%, respetivamente. Em contrapartida, as importações de fruta e frutos de casca rija subiram 587 milhões de euros (cerca de 3%), juntamente com um aumento nas importações de produtos não comestíveis para uso técnico e de margarina e outros óleos e gorduras.
O Reino Unido, Estados Unidos e Suíça mantêm-se como os principais destinos das exportações agroalimentares da UE, enquanto Brasil, Estados Unidos e Reino Unido estão no topo das importações para o bloco europeu.
Fonte: Dinheiro vivo
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