A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) apresentou um novo programa global para reforçar a prevenção e o controlo de doenças animais transfronteiriças, consideradas uma ameaça à segurança alimentar, aos meios de subsistência e ao comércio.
De acordo com a comunicação, o Programa de Parceria Global da FAO para Doenças Transfronteiriças dos Animais pretende apoiar os países na resposta a doenças prioritárias, através de plataformas nacionais que reúnam governos, setor privado, produtores, fundações, organizações de agricultores e instituições financeiras.
Segundo a FAO, estas doenças podem propagar-se rapidamente entre países e afetar de forma mais intensa os países de baixo e médio rendimento. Em alguns casos, podem também chegar às populações humanas, com consequências graves.
“Devemos garantir que o próximo capítulo da saúde animal global não seja definido por crises, mas sim por cooperação, responsabilidade e sucesso partilhado”, afirmou Qu Dongyu, diretor-geral da FAO, durante um evento de alto nível com ministros e representantes governamentais.
O responsável sublinhou que as doenças animais transfronteiriças continuam a ser uma das ameaças mais urgentes à segurança alimentar global, aos meios de subsistência e à saúde.
Qu Dongyu afirmou que estas doenças “estão a espalhar-se mais depressa, mais longe e com maior impacto nas economias e nos meios de subsistência do que nunca”.
Prevenção e abordagem “One Health”
A FAO defende que a prevenção tem custos inferiores aos da inação. Segundo a organização, a recente introdução do serótipo SAT1 da febre aftosa na Ásia poderá originar perdas anuais de 2 mil milhões de dólares, de acordo com uma avaliação de impacto da FAO.
Para o diretor-geral da organização, o investimento na prevenção, numa fase inicial e através de uma abordagem integrada de “One Heatlh”, é essencial para evitar crises posteriores.
“Não podemos mais falar apenas de doenças zoonóticas. Precisamos de uma interpretação correta de uma abordagem holística de “Uma Só Saúde” que abranja a saúde do solo, a saúde animal, a saúde vegetal, a saúde humana e a saúde ambiental”, afirmou.
A 44.ª Sessão da Conferência da FAO, realizada em julho de 2025, reconheceu a importância da prevenção, deteção e resposta à disseminação de doenças animais transfronteiriças. Desde então, a organização tem promovido consultas com os seus membros, em conferências regionais e na sede da FAO, para desenvolver um novo modelo de financiamento, parceria e solidariedade.
Atualmente, 110 países enviaram cartas oficiais ao diretor-geral da FAO a manifestar interesse em aderir ao novo programa.
Novo modelo de financiamento e governação
O Programa de Parceria Global para Doenças Transfronteiriças dos Animais pretende reforçar a capacidade criada ao longo de mais de 20 anos pelo Centro de Emergência para Doenças Transfronteiriças dos Animais da FAO.
A nova abordagem representa uma mudança face aos modelos anteriores, que assentavam sobretudo em projetos financiados por doadores, com a FAO a atuar como entidade implementadora.
Com o novo programa, a FAO propõe uma arquitetura de governação global e modelos de financiamento mais diversificados. Os países passam a liderar a implementação, com apoio técnico da organização ajustado às necessidades e ao contexto local.
O modelo prevê plataformas nacionais como elemento central da resposta, polos regionais para coordenar a ação transfronteiriça e uma coordenação global assegurada pela FAO.
A organização continuará também a fornecer informação sobre doenças, alertas precoces, orientações normativas e apoio de emergência através do seu programa EMPRES.
Cinco áreas de intervenção
O programa trabalhará em cinco áreas principais: prevenção e controlo progressivo de doenças; vigilância digital, alerta precoce e inovação em saúde animal; preparação e ação antecipatória baseada no risco; resposta coordenada e rápida a emergências; e legislação, parcerias e modelos de financiamento.
O financiamento será baseado num modelo diversificado e de solidariedade. Todos os países participantes deverão contribuir de acordo com a sua capacidade, com apoio complementar de parceiros de desenvolvimento, instituições financeiras internacionais e setor privado.
Ao nível global, será criado um Comité Diretivo para orientação estratégica, com representação equilibrada entre regiões. Está também previsto um grupo consultivo técnico, que integrará parceiros técnicos relevantes e acompanhará a supervisão estratégica do programa.
Qu Dongyu definiu o GPP-TAD como “uma plataforma global sólida para a solidariedade, a responsabilidade partilhada e o investimento sustentável e previsível”.
“Alimentos saudáveis provêm de solos saudáveis, plantas saudáveis e animais saudáveis para um ambiente saudável e uma vida saudável”, concluiu.
Fonte: Vida Rural
A rede europeia RASFF (Rapid Alert System for Food and Feed) emitiu o alerta 2026.6961 após a deteção de um teor excessivo de chumbo num hamburguer vegan colocado no mercado europeu. O incidente enquadra‑se no âmbito dos géneros alimentícios considerados não seguros, obrigando à sua retirada e comunicação às autoridades competentes, conforme previsto no Regulamento (CE) n.º 178/2002.
Produto: Hamburger vegan (marca não divulgada no alerta público);
Motivo: Contaminação por chumbo acima dos limites legais para alimentos prontos a consumir;
Origem da notificação: Estado‑Membro da UE (informação não disponibilizada publicamente);
Risco identificado: Exposição ao chumbo, metal pesado associado a efeitos adversos neurológicos, renais e ao desenvolvimento infantil;
Ação recomendada: Retirada do produto do mercado e comunicação às autoridades nacionais (DGAV ou ASAE, no caso de Portugal).
O chumbo é um contaminante químico cuja presença em géneros alimentícios é regulada pela legislação europeia. A deteção de níveis elevados em produtos vegetais processados, como burgers plant‑based, pode resultar de:
matérias‑primas contaminadas;
aditivos ou ingredientes com origem em cadeias de produção não controladas;
contaminação cruzada durante o processamento.
Estudos recentes sobre burgers vegetais — embora não relacionados diretamente com este alerta — mostram a crescente complexidade tecnológica destes produtos, incluindo a utilização de proteínas vegetais diversas, subprodutos agroalimentares e processos térmicos que exigem controlo rigoroso de segurança alimentar.
Segundo o Esclarecimento Técnico n.º 6/DGAV/2026, quando um operador identifica um alimento não seguro no mercado, deve comunicar à DGAV (This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.) ou à ASAE, sem necessidade de duplicação. A comunicação desencadeia:
avaliação do risco;
recolha/retirada do produto;
articulação entre autoridades nacionais e europeias.
Consumidores: Devem evitar o consumo do lote identificado no alerta e acompanhar atualizações das autoridades;
Operadores: Devem reforçar o controlo de matérias‑primas, monitorização de contaminantes e rastreabilidade.
Fonte: Qualfood
Os plásticos continuam a ser o principal tipo de resíduo encontrado nas praias de Portugal continental. De acordo com os resultados do Programa de Monitorização de Lixo Marinho em Praias, divulgados pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), estes materiais representaram 89,5% dos itens identificados em 2024 e 88% em 2025 nas 15 praias que integram a rede nacional de monitorização.
A monitorização foi realizada em praias distribuídas pelas cinco regiões de Portugal continental, com a colaboração dos municípios de Alcobaça, Faro, Ílhavo, Lagos, Ovar, Pombal, Póvoa de Varzim, Torres Vedras, Viana do Castelo e Vila Nova de Gaia, bem como do Centro de Monitorização e Interpretação Ambiental (CMIA) de Matosinhos e da Associação Bandeira Azul de Ambiente e Educação.
Entre os dez resíduos mais frequentemente encontrados destacam-se as beatas e os filtros de cigarro, cuja proporção aumentou de 7,2% em 2024 para 9,8% em 2025. O levantamento identificou igualmente embalagens de batatas fritas e guloseimas, cápsulas e tampas de garrafas e cotonetes com haste de plástico, cuja comercialização está proibida, mas que continuam a ser recolhidos com regularidade.
No que diz respeito à origem dos resíduos, o turismo e as atividades de recreio continuam a assumir um peso predominante, representando cerca de metade dos materiais identificados. O saneamento surge em segundo lugar, enquanto os artigos associados à pesca e à aquacultura representam entre 10% e 12% do total de resíduos cuja origem foi identificada.
Segundo a APA, a informação recolhida permitirá avaliar a eficácia das medidas implementadas para reduzir a presença de lixo marinho e apoiar a definição de futuras políticas públicas. A partir de 2026, a coordenação do programa passou a ser assegurada pela Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM).
Fonte: iAlimentar
Uma empresa portuguesa lançou uma edição limitada que combina cerveja dourada com cerveja preta, recuperando o hábito de pedir uma “Mista” nas tascas e cervejarias portuguesas.
A nova Mista chega ao mercado por ocasião do Dia Internacional da Cerveja, assinalado hoje e procura reinterpretar um ritual tradicional através de um produto preparado e embalado previamente pela marca.
Tradicionalmente, a “Mista” é preparada no momento, juntando no mesmo copo dois tipos de cerveja. A proposta da marca combina a frescura e a leveza de uma cerveja dourada com a intensidade e a riqueza de sabor de uma cerveja preta.
Ao mesmo tempo, a marca identifica uma renovação destes estabelecimentos, com novos conceitos gastronómicos e linguagens visuais que procuram preservar a essência tradicional, adaptando-a a públicos e ocasiões de consumo diferentes.
A Mista apresenta um perfil aromático que combina notas de cereal e notas torradas, acompanhado por uma textura cremosa. A cerveja tem 4,7% de teor alcoólico e foi desenvolvida para acompanhar refeições e momentos de convívio à mesa.
A edição limitada já está disponível nos principais hipermercados e supermercados do país, em embalagens de seis garrafas Mini de 25 centilitros.
“Nasce da vontade de recuperar um ritual há muito associado às tascas e reinterpretá-lo através de uma proposta mais contemporânea, sem perder a sua autenticidade”, afirma Filipa Magalhães, responsável de marketing da Cerveja. Segundo a responsável, o lançamento procura dar um novo significado a um hábito de consumo enraizado na cultura portuguesa e torná-lo acessível a outras ocasiões.
O posicionamento entre tradição e modernidade estende-se à identidade visual da nova cerveja. A embalagem recupera referências aos azulejos portugueses e outros códigos visuais associados às tascas, reinterpretados através de uma linguagem gráfica mais simples e contemporânea.
O contraste entre tons claros e escuros representa o encontro entre as cervejas dourada e preta, enquanto o escudo e os restantes elementos visuais preservam a identidade histórica da marca.
Na imagem de apresentação do produto, a garrafa surge acompanhada por um copo onde são visíveis os tons escuros da mistura e a espuma clara, reforçando visualmente a combinação entre os dois estilos de cerveja.
Em paralelo com o lançamento, a marca está a promover um inquérito anónimo para conhecer a opinião dos consumidores sobre a relevância atual das tascas. A marca pretende perceber o significado atribuído a estes estabelecimentos e o papel que continuam a desempenhar na vida dos portugueses, num momento em que vários conceitos tradicionais estão a ser recuperados e adaptados a novos públicos.
A iniciativa associa, assim, o lançamento do produto a uma reflexão mais ampla sobre a evolução das tascas, entre a preservação da identidade popular e a emergência de espaços renovados, com novas propostas gastronómicas e formas de comunicação.
Fonte: Grande Consumo
O Dia Internacional da Cerveja, celebrado todos os anos na primeira sexta‑feira de agosto, volta a mobilizar apreciadores, bares e cervejarias em dezenas de países. Criada em 2007, em Santa Cruz (Califórnia), por um grupo de amigos liderado por Jesse Avshalomov, a data tornou‑se um movimento global que hoje reúne eventos em mais de 80 países e milhares de cidades.
O objetivo da efeméride é simples e universal:
Reunir amigos para apreciar cerveja;
Homenagear mestres cervejeiros e profissionais do setor;
Celebrar a diversidade de estilos que fazem da cerveja uma das bebidas mais antigas e populares do mundo.
A tradição ganhou força graças ao caráter social da bebida e ao crescimento da cultura cervejeira artesanal, que impulsionou festivais, concursos e novos estilos em vários países — incluindo o Brasil, hoje um dos maiores produtores e consumidores do mundo.
Embora o Dia Internacional da Cerveja seja recente, a bebida tem raízes milenares: civilizações da Mesopotâmia já produziam cerveja há mais de 8.000 anos, com registos como o famoso Hino a Ninkasi, dedicado à deusa suméria da cerveja.
Ao longo dos séculos, monges europeus aperfeiçoaram técnicas de fermentação, e a Revolução Industrial transformou a cerveja num produto global. Hoje, estilos como IPA, stout, lager e weissbier fazem parte de um universo que continua a expandir‑se.
Em cidades de todos os continentes, bares e cervejarias organizam:
degustações temáticas;
lançamentos de rótulos especiais;
festivais ao ar livre;
promoções e brindes.
A escolha da sexta‑feira não é aleatória: marca o início do fim de semana e incentiva o convívio — exatamente o espírito que inspirou os criadores da data.
Embora não seja uma efeméride oficial, o Dia Internacional da Cerveja tem vindo a ganhar espaço em eventos locais, sobretudo em cidades com forte tradição de bares e cervejarias artesanais, como Porto, Braga e Lisboa.
Fonte: Qualfood
O chamado café de especialidade está a consolidar-se como uma das categorias mais dinâmicas do mercado das bebidas premium, deixando de ser um nicho artesanal para assumir um papel cada vez mais relevante no retalho, na restauração e na indústria das embalagens.
A conclusão é da GlobalData, que identifica esta evolução como uma oportunidade de crescimento para marcas que apostem na qualidade, inovação e sustentabilidade.
Segundo o estudo Hot Topics Case Study: Specialty Coffee, a transformação da categoria é impulsionada pela procura crescente de produtos premium, personalizados, com benefícios funcionais, origem certificada e embalagens mais sustentáveis.
O café de especialidade, caracterizado pela utilização de grãos de origem única e perfis de sabor diferenciados, está também a afirmar-se como plataforma para novas propostas de valor.
Os dados do inquérito global realizado pela GlobalData no terceiro trimestre de 2025 mostram que 51% dos consumidores consideram que a informação sobre o país de origem, o processo de fabrico e as certificações presentes na embalagem influencia a decisão de compra.
Além disso, 67% afirmam estar mais disponíveis para adquirir produtos de marcas alinhadas com os seus valores pessoais, reforçando a importância da sustentabilidade, da rastreabilidade e da transparência na estratégia das empresas.
A componente funcional surge como uma das principais áreas de inovação da categoria. Marcas como a Four Sigmatic popularizaram o café com cogumelos funcionais, enquanto outras apostam em cold brew, formulações clean label e novos perfis aromáticos para responder ao interesse crescente dos consumidores por bebidas que conciliem prazer e bem-estar.
Para Shagun Sachdeva, responsável pela área de Consumo e Foodservice da GlobalData, o café está a reforçar a sua ligação ao universo da saúde sem perder o posicionamento premium.
“O café sempre esteve associado à energia e à concentração, mas o café de especialidade está agora a alargar esse papel, combinando sabor premium com ingredientes funcionais e formatos personalizados“, afirma.
A restauração continua a desempenhar um papel central na expansão desta categoria. Os cafés estão a evoluir para espaços de socialização, trabalho remoto e descoberta de novos produtos, proporcionando experiências que incluem métodos de preparação diferenciados, histórias sobre a origem dos grãos, lotes limitados e bebidas personalizadas.
Exemplos como Starbucks, Blue Tokai Coffee Roasters, Intelligentsia e Onyx Coffee Labs demonstram como o café de especialidade pode crescer através da combinação entre lojas físicas, comércio eletrónico, subscrições e ofertas premium.
Segundo a GlobalData, formatos sazonais, cold brew e bebidas visualmente apelativas têm sido utilizados para captar consumidores mais jovens e diferenciar a oferta na restauração.
A sustentabilidade deixou de ser um elemento diferenciador para passar a constituir um requisito competitivo. A rastreabilidade da exploração agrícola até à chávena, o comércio direto com produtores e as certificações de qualidade assumem um peso crescente na construção da confiança dos consumidores.
Ao mesmo tempo, a indústria continua a desenvolver soluções para reduzir o impacto ambiental, como cápsulas compostáveis em ambiente doméstico e sistemas de preparação sem cápsulas, procurando conciliar conveniência e redução de resíduos.
Marcas como Luckin Coffee e Laviet Coffee apostam em cadeias de abastecimento integradas, café de origem única e embalagens sustentáveis para reforçar a credibilidade junto dos consumidores.
Para a GlobalData, o café de especialidade está a afirmar-se como uma plataforma de inovação transversal ao retalho, à restauração, às embalagens e às marcas de consumo.
A consultora considera que as empresas com maior potencial de crescimento serão aquelas que conseguirem combinar qualidade sensorial, ingredientes funcionais, abastecimento responsável, experiências diferenciadas e uma comunicação clara sobre a origem e os valores associados aos seus produtos.
Fonte: Grande Consumo
Uma nova notificação de segurança alimentar foi registada no sistema europeu RASFF sob o número 2026.6950, referente à presença da bactéria Listeria monocytogenes num produto à base de carne – chouriça. Embora esta notificação específica não esteja detalhada nas fontes públicas consultadas, enquadra‑se no contexto de várias alertas graves por Listeria comunicadas na Europa ao longo de 2026, envolvendo produtos cárneos, pescado e lácteos.
Listeria monocytogenes é uma bactéria patogénica capaz de sobreviver em temperaturas de refrigeração e causar listeriose, uma infeção particularmente perigosa para grávidas, idosos e pessoas imunodeprimidas. Os sintomas podem incluir febre, vómitos, diarreia e, nos casos graves, meningite ou septicemia.
Durante março e abril de 2026, várias autoridades europeias reportaram alertas de risco grave ao RASFF devido à presença de Listeria em produtos de charcutaria, incluindo carnes processadas como lombo, jamón serrano e produtos fatiados, distribuídos em países como Espanha, França, Itália, Portugal, Bélgica e Alemanha.
Embora a notificação 2026.6950 não esteja listada publicamente, a sua natureza — produto cárneo contaminado com Listeria — é consistente com o padrão de alertas registados no período.
A chouriça, enquanto produto cárneo curado ou semicurado, pode tornar‑se um veículo de Listeria caso ocorram falhas de higiene ou contaminação pós‑processamento. A bactéria não altera o cheiro ou o aspeto do alimento, tornando a deteção visual impossível.
Retirada imediata do lote afetado do mercado;
Rastreabilidade completa para identificar origem e distribuição;
Análises laboratoriais adicionais para confirmar extensão da contaminação;
Comunicação às entidades nacionais (como a ASAE em Portugal) para ações de fiscalização.
Verificar lotes e datas de validade de chouriça adquirida recentemente;
Não consumir o produto caso pertença ao lote afetado ou apresente indicação de recolha;
Em caso de ingestão acidental, monitorizar sintomas e procurar assistência médica se necessário;
Manter boas práticas de higiene e conservação de produtos cárneos.
A presença de Listeria em produtos alimentares foi um tema recorrente em 2026, com múltiplas investigações e recolhas de produtos, sobretudo queijos frescos e carnes processadas. Autoridades como a AESAN, FDA e CDC reforçaram alertas e medidas de controlo devido ao aumento de casos e à gravidade das infeções.
Fonte: Qualfood
Investigadores da Universidade de Leiria e Oeste desenvolveram um sistema autónomo de vigilância florestal capaz de operar de forma permanente, 24 horas por dia, sete dias por semana.
De acordo com o comunicado de imprensa, a tecnologia foi criada no âmbito da evolução do projeto DBoidS – Sistema de Gémeos Digitais e Boids para a Prevenção de Fogos, desenvolvido por investigadores do CIIC – Centro de Investigação em Informática e Comunicações.
Segundo a informação divulgada, o sistema representa um avanço face ao protótipo apresentado em junho de 2025. A aquisição de novos equipamentos, incluindo drones de última geração e uma doca inteligente, permite agora a operação autónoma da solução.
Vigilância em tempo real
O sistema combina drones autónomos, inteligência artificial (IA) e gémeos digitais para vigiar áreas florestais de maior risco, recolhendo e analisando informação em tempo real.
“Quando apresentámos os resultados do DBoidS, afirmámos que o fim do projeto seria um ponto de partida e não um ponto de chegada. Foi precisamente isso que aconteceu”, afirma António Pereira, professor catedrático e investigador.
O responsável sublinha que o interesse demonstrado pelas entidades envolvidas, em particular pelo Comando Territorial de Leiria da GNR, motivou a equipa a continuar o desenvolvimento da tecnologia e a aproximá-la das necessidades operacionais de quem trabalha na proteção da floresta.“Hoje damos mais um passo importante, ao transformar uma tecnologia desenvolvida em contexto de investigação num sistema autónomo de vigilância permanente”, acrescenta.
Validação com a GNR
A colaboração com o Comando Territorial de Leiria da GNR tem permitido validar funcionalidades e introduzir melhorias ajustadas às exigências da vigilância e prevenção de incêndios rurais.
“Acompanhamos este projeto desde o início e reconhecemos o potencial desta tecnologia para complementar os meios atualmente disponíveis”, refere Paulo Sousa, chefe da Secção do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente do Comando Territorial de Leiria da GNR.
Segundo o responsável, num território particularmente sensível ao risco de incêndio, soluções que permitam reforçar a vigilância permanente e a deteção precoce representam “uma mais-valia”.
“Acreditamos que este sistema poderá complementar os meios atualmente existentes e esperamos que, assim que estiverem reunidas as condições necessárias, possa vir a integrar os instrumentos de apoio à nossa missão”, acrescenta Paulo Sousa.
Nesta nova fase, os investigadores pretendem consolidar a robustez da plataforma e aperfeiçoar diferentes componentes, incluindo a interface de visualização e apoio à decisão.
Fonte: Vida Rural
A Comissão Europeia divulgou o seu mais recente relatório de síntese sobre a monitorização da Resistência aos Antimicrobianos (RAM) em bactérias zoonóticas e comensais presentes em animais de produção e géneros alimentícios. O documento, fundamentado em auditorias a nove Estados-Membros (incluindo Portugal) e num inquérito abrangendo todos os países da União Europeia, a Noruega e a Islândia, revela um compromisso reforçado com a segurança alimentar, embora identifique pontos críticos na cadeia de controlo.
A resistência a antibióticos é uma das maiores ameaças mundiais à saúde pública e à economia. Segundo dados da OCDE citados no relatório, os custos de saúde e a perda de produtividade associados à RAM ascendem a cerca de 11,7 mil milhões de euros por ano nos países da UE e do Espaço Económico Europeu.
Diagnóstico positivo, mas com desvios no calendário
De forma geral, o relatório assinala melhorias claras em relação ao período de monitorização anterior (2014-2020), destacando que a recolha e amostragem de dados em matadouros e pontos de venda a retalho têm seguido rigorosamente os requisitos europeus, o que garante a comparabilidade dos dados no espaço comunitário.
Apesar do balanço francamente positivo no trabalho dos Laboratórios Nacionais de Referência, o relatório aponta constrangimentos operacionais em vários países:
Inovações e vigilância reforçada
O relatório salienta o recurso crescente ao sequenciamento completo do genoma (WGS) como alternativa aos exames fenotípicos tradicionais, uma tecnologia adotada por 11 Estados-Membros para reportar dados à Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA). Além disso, 16 países relataram desenvolver atividades de monitorização voluntárias que vão além do mínimo exigido pela lei europeia, abrangendo espécies como patos e gansos ou rastreios adicionais de MRSA.
A Comissão Europeia confirma que as conclusões deste relatório servirão de base para a futura revisão da legislação comunitária sobre RAM, prevista para o final do ano, com o objetivo de flexibilizar processos e reforçar ainda mais a vigilância "Uma Só Saúde" (One Health) em todo o continente.
Fonte: TecnoAlimentar
O que é a histamina?
A histamina é uma amina – uma pequena molécula orgânica que contém azoto – produzida a partir do aminoácido histidina. Está presente naturalmente em organismos saudáveis, onde funciona como molécula de sinalização em processos imunitários, gástricos e neurais.
Por que razão a histamina constitui um risco para a segurança alimentar?
Quando a histamina está presente em níveis elevados nos alimentos, pode causar uma intoxicação aguda denominada «intoxicação escombroide», com sintomas semelhantes aos de uma reação alérgica grave, com aparecimento rápido de rubor, urticária, dor de cabeça, palpitações cardíacas, náuseas, vómitos e diarreia, exigindo, por vezes, intervenções para salvar a vida.
Os níveis de histamina nos produtos da pesca aumentam quando os microrganismos convertem o aminoácido histidina, presente na carne do peixe, em histamina. Isto pode acontecer antes de se verificar qualquer deterioração evidente, uma vez que muitas bactérias produtoras de histamina fazem parte da microflora natural da pele, das brânquias e do intestino dos peixes recém-pescados.
Os níveis elevados de histamina no peixe estão normalmente relacionados com o manuseamento inadequado da temperatura. Quando o peixe é armazenado durante demasiado tempo a temperaturas elevadas, as bactérias podem converter a histidina presente na carne em histamina.
Cadeia alimentar, desde a colheita até ao consumo
A manutenção da cadeia de frio é importante para prevenir a formação de histamina.
As enzimas histidina descarboxilases, responsáveis pela conversão, mantêm o potencial de atividade a temperaturas de refrigeração e podem sobreviver à congelação; por isso, a histamina pode acumular-se durante o armazenamento refrigerado se a cadeia de frio não for devidamente mantida.
Uma vez formada, a histamina é estável ao calor e persiste durante a cozedura, o enlatamento ou a fumagem.
As espécies mais suscetíveis de serem afetadas são aquelas com níveis elevados de histidina de origem natural, incluindo peixes da família Scombridae, como o atum, a cavala e o bonito, bem como as anchovas, os arenques, as sardinhas e o mahi-mahi (peixe-golfinho).
A histamina no peixe é uma toxina microbiológica ou um risco químico?
A histamina no peixe é classificada como um risco químico, apesar de ser produzida por via microbiológica. Num plano HACCP, a histamina (scombrotoxina) seria listada como um risco químico resultante de um controlo inadequado da temperatura.
Fonte: The Rotten Apple
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