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O Dia Internacional do Chá, celebrado a 21 de maio, volta a colocar no centro das atenções uma das bebidas mais antigas e influentes da história humana — um ritual que atravessa culturas, geografias e séculos, mantendo-se hoje como símbolo de bem‑estar, encontro e sustentabilidade.

Uma celebração global que vai além da chávena

Instituído pela ONU, o dia pretende valorizar o impacto económico, social e ambiental da cadeia do chá — desde os pequenos produtores que dependem desta cultura para sobreviver até às comunidades que preservam técnicas ancestrais de colheita e secagem. O chá é hoje cultivado em mais de 35 países e consumido diariamente por milhares de milhões de pessoas, tornando‑se uma das bebidas mais apreciadas do planeta.

Um património cultural vivo

Da cerimónia japonesa do chanoyu às casas de chá britânicas, passando pelos chás fermentados chineses ou pelas infusões aromáticas do Magrebe, cada cultura transformou o chá num gesto de identidade. Mais do que uma bebida, é um ritual de pausa, de partilha e de ligação — um momento que resiste à pressa do quotidiano moderno.

Sustentabilidade no centro da conversa

Este ano, a discussão internacional destaca a urgência de proteger os ecossistemas onde o chá é produzido. Alterações climáticas, pressão sobre os solos e desigualdades laborais continuam a desafiar o setor. Organizações internacionais reforçam que práticas agrícolas regenerativas, comércio justo e inovação tecnológica são essenciais para garantir o futuro desta cultura milenar.

Tendências que estão a transformar o consumo

  • Chás artesanais — pequenos produtores e lotes exclusivos ganham destaque;
  • Infusões funcionais — combinações com gengibre, cúrcuma ou adaptogénicos;
  • Chá gelado premium — versões naturais e menos açucaradas conquistam o verão;
  • Cerimónias contemporâneas — experiências sensoriais que unem tradição e design.

Um brinde à pausa que nos aproxima

Num mundo acelerado, o Dia Internacional do Chá lembra‑nos que há gestos simples capazes de criar comunidade, inspirar reflexão e promover escolhas mais sustentáveis. Hoje, cada chávena é um convite a abrandar, a cuidar e a celebrar a diversidade que nos une.

Fonte: Qualfood

No passado mês de Março, a Águas de Santo André (AdSA) e a Universidade de Évora estabeleceram um protocolo de colaboração para o desenvolvimento de um estudo técnico sobre a utilização de água residual tratada na produção de hidrogénio verde, no âmbito do projeto H2tALENT – Alentejo Green Hydrogen Valley.

A iniciativa visa avaliar a viabilidade técnica, económica e ambiental da utilização de água residual tratada como recurso hídrico alternativo em processos de eletrólise, contribuindo simultaneamente para a transição energética, a economia circular e a valorização dos recursos do território.

No âmbito deste protocolo, a Águas de Santo André disponibiliza amostras de água residual tratada produzida na ETAR de Ribeira dos Moinhos, bem como informação técnica relevante, permitindo à Universidade de Évora desenvolver o estudo científico necessário. A universidade assegura a coordenação técnica e científica do trabalho e a partilha de resultados com a AdSA, salvaguardando a confidencialidade e os direitos de propriedade intelectual.

A ETAR de Ribeira dos Moinhos apresenta condições operacionais e qualidade do efluente tratado que lhe conferem potencial de reutilização, posicionando-se como um caso de estudo relevante, numa altura em que a gestão eficiente da água e a produção de energia limpa assumem um papel estratégico para o desenvolvimento regional.

Este protocolo insere-se no projeto H2tALENT, coordenado pela Universidade de Évora, que pretende afirmar o Alentejo como um ecossistema integrado de referência na produção de hidrogénio verde, com soluções sustentáveis e passíveis de replicação noutros territórios.

Para a Águas de Santo André, esta colaboração reforça o compromisso com a inovação, a sustentabilidade e a resiliência das infraestruturas do ciclo urbano da água, contribuindo para a descarbonização e para a criação de valor ambiental e social no Alentejo Litoral. O protocolo vigorará até 28 de fevereiro de 2029, acompanhando a duração do projeto H2tALENT.

Fonte: Agroportal

O Dia Mundial da Metrologia, celebrado a 20 de maio, volta a lembrar ao mundo que por trás de cada decisão técnica, comercial, científica ou de segurança existe uma base silenciosa, mas essencial: a precisão das medições. Este ano, o tema internacional destaca o papel crescente da metrologia na transição digital e na sustentabilidade, reforçando a necessidade de sistemas de medição robustos num planeta que exige cada vez mais rigor.

A ciência que garante que o mundo funciona

Da balança do supermercado aos sensores que monitorizam a qualidade da água, dos laboratórios que validam alimentos seguros às indústrias que dependem de tolerâncias milimétricas, a metrologia está em todo o lado — mesmo quando não a vemos.

É esta ciência que assegura que um litro é sempre um litro, que um termómetro mede a temperatura correta e que os padrões internacionais permitem que países e empresas falem a mesma “língua” técnica. Sem ela, não haveria comércio justo, inovação fiável ou segurança alimentar consistente.

2026: o ano da metrologia para a confiança digital

Com a digitalização acelerada, a metrologia enfrenta novos desafios:

  • Sensores inteligentes que recolhem dados em tempo real;

  • Cadeias de valor automatizadas que dependem de medições contínuas;

  • Inteligência artificial que exige dados fiáveis para decisões críticas;

  • Rastreabilidade reforçada para garantir confiança em ambientes digitais.

A metrologia moderna já não se limita ao laboratório: está integrada em sistemas complexos que suportam energia, saúde, ambiente, indústria alimentar e mobilidade.

Segurança alimentar: quando medir é proteger

No setor agroalimentar, a metrologia é decisiva para:

  • Validar equipamentos de controlo;

  • Garantir conformidade legal;

  • Monitorizar parâmetros críticos como temperatura, humidade ou pH;

  • Apoiar auditorias e certificações.

Sem medições fiáveis, não há segurança, não há qualidade e não há confiança.

Uma celebração global com impacto local

Instituições de metrologia em todo o mundo assinalam o dia com debates, demonstrações e iniciativas que reforçam a importância desta ciência para a economia e para a vida quotidiana. Em Portugal, laboratórios acreditados e entidades reguladoras sublinham o papel da metrologia na competitividade das empresas e na proteção dos consumidores.

Conclusão

O Dia Mundial da Metrologia lembra-nos que medir é mais do que obter números: é garantir confiança, segurança e progresso. Num mundo cada vez mais digital, a metrologia torna-se ainda mais vital — a base invisível que sustenta decisões críticas e assegura que o futuro é construído com rigor.

Fonte: Qualfood

O Dia Europeu do Mar, celebrado anualmente a 20 de maio, volta a colocar o mar no centro da agenda pública, sublinhando o seu papel estratégico para a economia, a ciência e a sustentabilidade ambiental. Criada em 2008 pela Declaração Tripartida Comum da Comissão Europeia, do Conselho da UE e do Parlamento Europeu, esta data pretende reforçar a consciência coletiva sobre as oportunidades e desafios que os mares representam para o futuro da Europa.

Um continente moldado pelo mar

Com 68.000 km de costa e um terço da população a viver a menos de 50 km do litoral, a Europa é profundamente marítima. Em Portugal, essa identidade é ainda mais evidente: o país possui uma das maiores Zonas Económicas Exclusivas do mundo, com 1,7 milhões de km², e uma costa que ultrapassa os 2.500 km.

O mar é fonte de biodiversidade, energia renovável, conhecimento científico e desenvolvimento económico — desde a biotecnologia marinha à aquacultura, passando pela vigilância costeira, transporte marítimo e turismo azul.

Inovação e economia azul em destaque

A celebração deste ano volta a sublinhar o papel da Economia Azul, um setor em rápido crescimento que combina tecnologia, sustentabilidade e cooperação internacional. Projetos europeus e nacionais — como sistemas de vigilância costeira, plataformas de biotecnologia marinha ou soluções para energias renováveis offshore — mostram como a investigação está a transformar o mar num laboratório vivo de inovação .

Em Portugal, centros de investigação, startups e programas de empreendedorismo continuam a impulsionar novas soluções para a exploração sustentável dos recursos marinhos, reforçando o papel do país como referência na economia do mar.

Sustentabilidade e consumo responsável

A data é também um momento para refletir sobre a necessidade de proteger os ecossistemas marinhos. A preservação ambiental, a gestão sustentável das pescas e a recuperação dos habitats oceânicos são prioridades destacadas pelas autoridades europeias e nacionais.

Portugal, um dos países com maior consumo de pescado na UE — cerca de 55,6 kg per capita/ano, mais do dobro da média europeia — enfrenta o desafio de equilibrar tradição, economia e sustentabilidade. Estudos recentes reforçam a importância de gerir capturas, monitorizar contaminantes e promover escolhas alimentares responsáveis.

Uma celebração que aproxima cidadãos e oceano

Por toda a Europa, o Dia Europeu do Mar mobiliza escolas, municípios, empresas, ONG e centros de investigação. Conferências, workshops, atividades educativas e eventos costeiros procuram aproximar os cidadãos do oceano e reforçar a literacia marítima, especialmente entre os mais jovens.

Em síntese

O Dia Europeu do Mar é mais do que uma efeméride: é um lembrete de que o futuro da Europa — e de Portugal — depende da forma como cuidamos, exploramos e inovamos no oceano. Num momento em que a transição climática e a economia sustentável são prioridades globais, o mar continua a ser uma das maiores oportunidades e responsabilidades do continente.

Fonte: Qualfood

As abelhas estão a desaparecer — e com elas, uma parte essencial do nosso futuro alimentar. No Dia Mundial das Abelhas, celebrado a 20 de maio, especialistas, agricultores e organizações ambientais reforçam um alerta que já não pode ser ignorado: sem polinizadores, não há agricultura sustentável, biodiversidade equilibrada ou segurança alimentar.

A urgência por trás da data

Criado pela ONU, o dia pretende chamar atenção para o declínio global das populações de abelhas, afetadas por pesticidas, perda de habitat, doenças e alterações climáticas. Segundo estimativas internacionais, cerca de 75% das culturas alimentares dependem, em maior ou menor grau, da polinização — um serviço ecológico que as abelhas prestam gratuitamente e com uma eficiência que nenhuma tecnologia conseguiu igualar.

Impacto direto no prato dos consumidores

Frutas, legumes, frutos secos, café e até o chocolate dependem da ação destes insetos. A sua redução já se reflete em quebras de produtividade agrícola e aumento de custos, pressionando cadeias de abastecimento e consumidores. Para investigadores e produtores, proteger as abelhas é proteger a economia alimentar.

Iniciativas que estão a fazer a diferença

Em Portugal e na Europa multiplicam-se projetos de agricultura regenerativa, corredores ecológicos e práticas de manejo que reduzem o uso de pesticidas. Municípios têm criado zonas de flora melífera e campanhas de sensibilização para jardins urbanos mais amigos dos polinizadores. Estas ações mostram que a recuperação é possível — mas exige compromisso contínuo.

O que podemos fazer já
  • Plantar espécies melíferas — lavanda, rosmaninho, alecrim e trevos são excelentes opções;

  • Evitar pesticidas — sobretudo durante a floração;

  • Apoiar apicultores locais — consumo responsável fortalece práticas sustentáveis;

  • Criar pequenos refúgios urbanos — hotéis de insetos, vasos floridos e áreas sem corte frequente.

Uma mensagem que não pode esperar

O Dia Mundial das Abelhas não é apenas uma celebração simbólica. É um lembrete de que a sobrevivência destes insetos é inseparável da nossa. Cada ação — individual ou coletiva — contribui para travar um declínio que já está a moldar o futuro da agricultura e da biodiversidade.

Fonte: Qualfood

A Comissão Europeia adotou o Plano de Ação para a Fertilização, uma iniciativa destinada a apoiar os agricultores perante o aumento dos custos e a escassez de fertilizantes, reforçar a produção interna e reduzir a dependência da Europa face às importações.

Segundo a comunicação, o plano combina medidas de apoio imediato com ações de longo prazo para aumentar a resiliência do abastecimento e acelerar a transição para fertilizantes de base biológica, de baixo carbono e circulares.

De acordo com a Comissão, as perturbações no abastecimento e a volatilidade dos preços têm colocado os agricultores europeus sob maior pressão, expondo a vulnerabilidade da Europa a choques externos no fornecimento de fertilizantes. O executivo comunitário sublinha que o plano pretende contribuir para a segurança alimentar e para a autonomia estratégica europeia, mantendo simultaneamente objetivos climáticos e ambientais.

Para a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, “com este Plano de Ação, estamos a investir numa indústria europeia de fertilizantes mais forte, a apoiar os agricultores europeus e a acelerar a inovação em soluções sustentáveis e de produção local”. A responsável acrescenta que “a atual crise dos combustíveis fósseis demonstra que a liderança climática e a resiliência económica estão interligadas”.

 No apoio de curto prazo, a Comissão prevê um apoio excecional direcionado aos agricultores europeus que enfrentam custos elevados com fertilizantes, através dos instrumentos existentes da política agrícola da União Europeia (UE). Está prevista a proposta de mobilização do orçamento comunitário para reforçar a reserva agrícola com um montante considerado “substancial”, a apresentar antes do verão, com o objetivo de proporcionar alívio imediato de liquidez antes do próximo ciclo de produção.

A Comissão irá também apresentar um pacote legislativo direcionado para permitir aos Estados-Membros tirar maior partido do apoio disponível nos atuais Planos Estratégicos da Política Agrícola Comum (PAC). O pacote deverá incluir um novo regime de liquidez para apoiar o fluxo de caixa, maior flexibilidade para os adiantamentos e incentivos reforçados para práticas agrícolas mais eficientes na utilização de fertilizantes.

 O plano inclui ainda medidas relacionadas com a gestão de nutrientes, o desenvolvimento e adoção de práticas agrícolas mais eficientes e uma maior aposta nos Serviços de Aconselhamento Agrícola no âmbito da PAC. A Comissão prevê igualmente apresentar medidas para facilitar a utilização de digestatos, com salvaguardas ambientais, e clarificar regras da Diretiva Nitratos na sequência da sua próxima avaliação.

No eixo industrial, Bruxelas pretende apoiar a produção interna de fertilizantes para evitar a desindustrialização, garantir abastecimentos estáveis e reduzir a dependência de importações. A Comissão aponta para uma utilização mais ampla de fertilizantes orgânicos e de base biológica, bem como de alternativas aos fertilizantes minerais tradicionais.

 Entre as soluções referidas estão a biomassa de algas, corretores de solo, soluções microbianas, bioestimulantes e a recuperação de azoto e fósforo a partir de lamas de depuração. A Comissão pretende ainda reduzir burocracia e barreiras de mercado, e propor medidas para aumentar a procura de fertilizantes sustentáveis produzidos localmente.

O plano prevê também o reforço da transparência do mercado. A Comissão irá lançar uma parceria para a cadeia de valor dos fertilizantes da UE, reunindo produtores, agricultores e Estados-Membros. No âmbito desta parceria, será organizado um primeiro diálogo político nos próximos meses para abordar desafios no abastecimento, produção, comercialização e utilização de fertilizantes.

A Comissão irá reforçar a monitorização do mercado e as capacidades de alerta precoce, propondo um quadro para garantir dados regulares e atualizados sobre fertilizantes na UE. Está ainda previsto um relatório sobre a forma como os custos relacionados com o Mecanismo de Ajustamento de Carbono Fronteiriço e com o Regime de Comércio de Licenças de Emissão são repercutidos nos preços dos fertilizantes pagos pelos agricultores e, em última instância, nos preços dos alimentos.

Para aumentar a preparação face a choques externos, Bruxelas irá avaliar opções de armazenamento e outros instrumentos para garantir fertilizantes e fatores de produção essenciais. Estas opções poderão incluir existências sazonais ou mínimas e, se adequado, mecanismos de contratação conjunta.

A Comissão enquadra o plano num contexto em que os fertilizantes são essenciais para a produtividade agrícola, a viabilidade das explorações e a segurança alimentar, representando uma parte relevante dos custos de produção. O aumento dos custos, refere o executivo comunitário, pode levar os agricultores a reduzir as taxas de aplicação ou as áreas cultivadas, com impacto potencial no rendimento das culturas, na produção alimentar e na resiliência do setor agroalimentar europeu.

Fonte: Vida Rural

Foram encontrados pesticidas cuja utilização ou venda não é autorizada na UE em produtos alimentares de consumo corrente, como arroz, chá e especiarias. Novos testes laboratoriais realizados em 64 produtos provenientes dos Países Baixos, França, Áustria e Alemanha detetaram resíduos de vários pesticidas — incluindo substâncias que já não são autorizadas na UE.

Embora estas substâncias químicas não sejam permitidas no mercado da UE, podem ainda ser exportadas dos Estados-Membros europeus para países terceiros. A partir daí, podem regressar à Europa como resíduos em alimentos importados — um «boomerang de pesticidas tóxicos» que coloca os consumidores em risco.

Relatório da foodwatch com todos os resultados dos testes

64 produtos testados — 45 continham resíduos de pesticidas não aprovados
Os testes laboratoriais abrangeram grãos de arroz, paprica em pó, diferentes tipos de chá, sementes de cominho e caril em pó.

Os resultados são alarmantes:

- 49 produtos continham resíduos de um ou mais pesticidas.

- 45 produtos continham resíduos de pesticidas não aprovados na UE.

- 14 amostras continham resíduos acima do limite legalmente permitido e, por isso, não deveriam estar no mercado.

- Todas as amostras de paprica em pó, malagueta e cominho testadas continham resíduos de pesticidas não aprovados.

- Uma amostra de paprica em pó continha 22 pesticidas diferentes, incluindo seis não aprovados na UE.
Entre os pesticidas não aprovados detetados com frequência incluíam-se o clorfenapir, a bifentrina, o espirotetramato, a clotianidina, o tiametoxam, o imidaclopride e o isoprotiolano.

De acordo com dados oficiais da Agência Europeia dos Produtos Químicos, seis destes pesticidas foram exportados dos Estados-Membros da União Europeia para países terceiros em 2024–2025.

Leia o relatório aqui.

Fonte: Foodwatch

A evolução do trigo cultivado foi significativamente influenciada pela competição por luz e espaço, num processo evolutivo que favoreceu plantas mais rápidas e competitivas, segundo um estudo internacional publicado na revista Current Biology.

A investigação, liderada por cientistas da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, analisou a forma como as primeiras práticas agrícolas moldaram as características do trigo ao longo de um período estimado entre 1.000 e 2.000 anos.

De acordo com os resultados, o cultivo em campos organizados criou um ambiente altamente competitivo, onde as plantas que cresciam mais rapidamente e conseguiam superar as vizinhas tinham maior probabilidade de sobreviver e reproduzir-se.

Segundo a análise, este processo levou ao desenvolvimento de variedades com características descritas como mais “competitivas”, incluindo folhas maiores, crescimento mais ereto e maior capacidade de continuar a crescer em condições de elevada densidade.

Para compreender estas alterações, os investigadores recorreram a modelos de simulação do crescimento das plantas. A análise identificou o ângulo das folhas como um fator determinante: plantas com folhas mais eretas conseguiam captar mais luz e sombrear as restantes, ganhando vantagem nos estádios iniciais de desenvolvimento.

O estudo evidencia, no entanto, uma mudança significativa na evolução do trigo em sistemas agrícolas modernos.

“Embora a evolução tenha favorecido concorrentes fortes, a agricultura moderna adensou as plantações nos campos para obter altos rendimentos. Essa prática exige culturas capazes de cooperar em vez de competir”, afirmou Colin Osborne, professor da Universidade de Sheffield.

Neste contexto, a melhoria genética passou a privilegiar variedades menos competitivas, com folhas mais pequenas e caules mais curtos, direcionando a energia das plantas para a produção de grão. A utilização de fertilizantes e herbicidas reduziu também a necessidade de competição direta entre plantas.

Os resultados apontam para uma transição estrutural na evolução do trigo, de culturas adaptadas à competição em sistemas agrícolas primitivos para variedades selecionadas para cooperação em sistemas intensivos, com implicações para o melhoramento futuro desta cultura.

Fonte: Vida Rural

Menos de metade dos consumidores europeus confia nos alimentos que consome e apenas 36% considera que esses alimentos são sustentáveis. Os dados constam do relatório “O Estado da Confiança no Sistema Alimentar Europeu”, divulgado pela EIT Food.

O relatório indica que a confiança no sistema alimentar europeu começa a recuperar depois da quebra registada em 2023, mas permanece desigual entre os diferentes intervenientes da cadeia alimentar.

“A confiança é uma condição fundamental para o bom funcionamento de um sistema alimentar”, afirma Klaus G. Grunert, professor e membro do EIT Food. Segundo o responsável, “os resultados mostram que a confiança está a recuperar em toda a Europa, mas não de forma uniforme entre todos os intervenientes”.

O estudo analisou a evolução das atitudes dos consumidores face a agricultores, retalhistas, fabricantes, restaurantes e empresas de catering, bem como autoridades públicas, entre 2021 e 2025. De acordo com os dados, a confiança aumentou em todos os setores desde 2023, ano em que tinha atingido o nível mais baixo.

Os agricultores são os intervenientes do sistema alimentar europeu que mais confiança inspiram junto dos consumidores. Mais de dois terços dos inquiridos, 68%, afirmaram confiar no setor agrícola no ano passado. Os restaurantes e empresas de catering também registaram uma melhoria, com a confiança a subir de 48% para 53%. No retalho, o nível de confiança situou-se em 54%.

Apesar da recuperação, fabricantes e autoridades públicas continuam entre os grupos que menos confiança geram, embora tenham recuperado face a níveis historicamente baixos.

“Apesar destas melhorias, a confiança geral nos alimentos permanece limitada”, refere o relatório. O documento acrescenta que, embora os consumidores percecionem cada vez mais os alimentos como mais saudáveis, seguros e autênticos, menos de metade expressa confiança nos alimentos em geral, enquanto a perceção de sustentabilidade continua particularmente baixa.

Para a EIT Food, esta desconexão evidencia a necessidade de reconstruir a confiança não apenas nas instituições do sistema alimentar, mas também nos alimentos consumidos diariamente.

Klaus G. Grunert considera que “transparência, competência e cuidado serão essenciais para colmatar estas lacunas e apoiar a transição para dietas mais saudáveis e sustentáveis”.

Os resultados baseiam-se no estudo TrustTracker da EIT Food, realizado anualmente desde 2018. Em 2025, participaram quase 20 mil consumidores de 18 países europeus, contribuindo para um conjunto de dados que abrange cerca de 140 mil inquiridos nos últimos sete anos.

Fonte: Agroportal

 

Muitos plásticos acabam no mar e nos oceanos devido à má gestão do ser humano, poluindo-nos e pondo em risco os animais – e a nós próprios. Da China, surge agora um pequeno contributo para combater este flagelo.

Dependendo do tipo, o plástico pode demorar entre cem e mil anos a degradar-se, com uma média de 500 anos. Por exemplo, uma garrafa PET (um dos objectos de plástico mais usados em todo o mundo) pode demorar mil anos a decompor-se completamente. Os sacos de plástico demoram mais de 150 anos. A sua má gestão fez com que os mares e oceanos estejam muito poluídos, dando origem a “ilhas de plástico”. Não só tornam a paisagem “feia”, como os animais podem ficar feridos ou morrer por sua causa.

Os plásticos mais prejudiciais são os microplásticos (com menos de 5 mm). As estações de tratamento não conseguem retê-los, por isso, chegam directamente ao mar e são ingeridos pelos animais, os mesmos que depois consumimos. Para reduzir a poluição por plástico é necessário, em primeiro lugar, diminuir a sua quantidade. Em segundo, se, por algum motivo for necessário usá-lo, devemos reutilizá-lo ao máximo, sem que se torne prejudicial para a saúde e o meio ambiente. Por fim, devemos reciclá-lo. Quase todos conhecem a teoria, mas poucos a põem em prática. Por conseguinte, os investigadores desenvolveram um novo tipo de plástico que se autodestrói.

Um método para activar os esporos na água

Uma equipa de investigadores utilizou duas estirpes bacterianas que trabalharam conjuntamente e decompuseram completamente o plástico em apenas seis dias, sem gerar microplásticos. Zhuojun Dai, um dos autores principais do estudo, explicou que “a constatação de que os plásticos tradicionais duram séculos, enquanto muitas das suas aplicações, como as embalagens, têm uma vida útil curta, levou-nos a perguntar: “poderíamos incorporar a decomposição directamente no ciclo de vida do material?”

Aparentemente, há muitos micróbios capazes de decompor longas cadeias de polímeros em fragmentos mais pequenos através da acção de enzimas. Uma vez que os plásticos são polímeros, estas enzimas, ou os micróbios que as produzem, poderiam ser incorporadas em plásticos biológicos. “Ao incorporar estes micróbios, os plásticos poderiam ‘ganhar vida’ e autodestruir-se, transformando a durabilidade de um problema numa característica programável”, explicou Dai.

As tentativas anteriores basearam-se principalmente numa única enzima, por isso Dai e os seus colegas quiseram melhorar a eficiência da decomposição. Como? Modificando geneticamente a bactéria Bacillus subtilis para produzir duas enzimas cooperantes: uma decompõe os polímeros em fragmentos mais pequenos, enquanto a outra decompõe lentamente os fragmentos nas suas unidades monoméricas constituintes a partir de cada extremidade.

Os investigadores decidiram misturar a forma latente dos esporos de B. subtilis com policaprolactona, muito comum na impressão 3D e em algumas linhas cirúrgicas, para proteger os micróbios antes de serem necessários. O plástico vivo resultante da experiência tinha propriedades mecânicas semelhantes às das películas de policaprolactona, sem as modificar. Acrescentando-lhes um caldo nutritivo a 50 graus Celsius, os esporos foram activados, reduzindo o plástico aos seus componentes essenciais em apenas seis dias.

Para uma investigação mais profunda, os especialistas criaram um eléctrodo de plástico portátil a partir do seu plástico vivo e descobriram que funcionava como se esperava, decompondo-se completamente em duas semanas. Este é apenas o ponto de partida, uma vez que os investigadores esperam desenvolver um método para activar os esporos na água, o destino final de grande parte da poluição por plástico. Embora este trabalho tenha incidido num único polímero, é possível utilizar uma estratégia semelhante noutros tipos de plástico, incluindo os que se encontram comummente nos plásticos de uso único.

Fonte: National Geographic