Nem todas as cerejas chegam ao consumidor, com algumas a ficarem de fora por razões tão simples como o calibre, a aparência ou outros critérios de seleção comercial. Mas estar fora do padrão definido pelo mercado não significa que a fruta tenha perdido qualidade ou potencial gastronómico. É a partir dessa ideia que a uma marca portuguesa dedicada ao universo dos vinagres, apresenta o novo Creme Balsâmico de Cereja do Fundão.
Desenvolvido em parceria com a Cerfundão, o produto utiliza cereja do Fundão com certificação IGP (Indicação Geográfica Protegida) que não reúne os requisitos necessários para ser comercializada em fresco. A estratégia passa, assim, por transformar uma matéria-prima que poderia ficar sem utilização numa nova referência com valor acrescentado e identidade própria.
Da fruta “fora do padrão” a ingrediente gastronómico
A escolha da Cereja do Fundão não é, contudo, apenas uma questão de aproveitamento. Reconhecida pela sua ligação ao território e pelo seu perfil aromático, a fruta é utilizada como ponto de partida para explorar uma utilização menos convencional do vinagre.
O novo Creme Balsâmico foi pensado para ter aplicações que vão muito além da utilização tradicional do vinagre, podendo ser utilizado em tábuas de queijos, saladas, carnes e aperitivos, mas também em propostas mais inesperadas, como gelados e outras sobremesas.
A ambição da marca passa precisamente por posicionar o vinagre como um ingrediente capaz de acrescentar equilíbrio, profundidade, alguma doçura e complexidade às receitas. “Queremos continuar a mostrar que o vinagre pode ser um produto com identidade, sofisticação e valor gastronómico. O Creme Balsâmico de Cereja do Fundão nasce de uma matéria-prima portuguesa de excelência e permite-nos valorizar cerejas que, por critérios comerciais, não seguiriam para venda em fresco, mas que mantêm todo o seu potencial. É uma forma de criar valor a partir da origem, respeitando o ingrediente e dando-lhe uma nova expressão na cozinha”, diz Margarida Salgueiro, brand manager.
O desafio de saber quais os alimentos a escolher para uma boa saúde, tendo em conta limitações como a disponibilidade, o sabor e o orçamento, é real. Embora as categorias genéricas tenham procurado simplificar as decisões dos consumidores, novas evidências apontam para a necessidade de uma interpretação matizada, a fim de melhorar a qualidade dos ambientes alimentares a nível global.
Os alimentos ultraprocessados (UPF) tornaram-se uma característica proeminente das dietas em todo o mundo. Em países como o Reino Unido e os EUA, representam já mais de metade da ingestão energética alimentar, enquanto o consumo está a aumentar rapidamente em muitos países de rendimento baixo e médio. Esta mudança alimentar global tem alimentado uma preocupação crescente, apoiada por evidências que associam um maior consumo global de UPF a um risco acrescido de obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e outras condições crónicas.
A base de uma alimentação saudável continua a ser clara
Uma alimentação saudável deve assentar em alimentos vegetais diversos, integrais e minimamente processados, incluindo vegetais, frutas, leguminosas, cereais integrais, frutos secos e sementes. Estes alimentos fornecem fibra, vitaminas e minerais essenciais, bem como uma vasta gama de compostos bioativos, constituindo a base dos padrões alimentares associados a uma melhor saúde a longo prazo.
Ao mesmo tempo, o processamento por si só pode não determinar o valor nutricional de um alimento, nem a sua contribuição para uma alimentação saudável. Os alimentos classificados como ultraprocessados diferem na sua composição nutricional, na utilização pretendida e no papel que desempenham nos padrões alimentares. Alguns alimentos, como os produtos integrais fortificados ou certas alternativas à base de plantas, podem contribuir para a adequação nutricional ou facilitar transições alimentares mais saudáveis, especialmente quando substituem alternativas menos saudáveis.
A qualidade nutricional e o processamento devem ser considerados em conjunto
A categoria NOVA UPF coloca os doces açucarados, as bebidas energéticas e os snacks amplamente comercializados ao lado de alguns pães integrais, alimentos fortificados e produtos proteicos à base de plantas. No entanto, um hambúrguer à base de plantas que substitui a carne processada tem implicações nutricionais e ambientais muito diferentes das de uma bebida açucarada que substitui a água, mesmo que ambos possam ser classificados como ultraprocessados. À medida que as evidências evoluem, as orientações e políticas de saúde pública devem ter em conta estas diferenças. Considerar todos os UPF como nutricionalmente equivalentes apenas porque partilham a designação de «processados» pode correr o risco de simplificar excessivamente as orientações, desencorajar substituições mais saudáveis no sistema alimentar e ignorar oportunidades para apoiar transições alimentares mais saudáveis.
O guia de evidências da PAN International sobre o UPF, desenvolvido em colaboração com a GFI Europe, destaca estudos que revelam uma variação considerável entre as alternativas à carne de origem vegetal. Enquanto algumas apresentam um elevado teor de sal, outras fornecem proteínas e fibras, podendo oferecer benefícios para a saúde e para o ambiente quando consumidas em substituição da carne vermelha convencional ou da carne processada. O seu valor depende da sua composição, da frequência com que são consumidas e, fundamentalmente, do que substituem na dieta.
As orientações de saúde pública devem, por conseguinte, dar prioridade aos alimentos vegetais integrais e minimamente transformados e limitar os produtos com elevado teor de sal, açúcares livres e gorduras saturadas. Ao mesmo tempo, as orientações e as políticas devem também ajudar os consumidores a identificar certas opções de produtos transformados que possam contribuir para padrões alimentares mais saudáveis.
Fonte: New Food Magazine
A Associação Smart Waste Portugal destaca que a economia circular está presente em muitas escolhas do quotidiano e que, no conjunto, estas práticas podem evitar despesas desnecessárias e traduzir-se numa poupança de centenas de euros ao longo do ano.
O desperdício alimentar é uma das áreas em que a relação entre circularidade e poupança é mais evidente. Segundo os dados provisórios mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), relativos a 2024, foram desperdiçadas em Portugal mais de 1,8 milhões de toneladas de alimentos, o equivalente a 161,2 kg por habitante. Cerca de 65% do total teve origem no consumo doméstico.
Este desperdício tem também uma expressão financeira. Uma estimativa divulgada pela Too Good To Go em 2024, com base nos dados europeus então disponíveis, apontava para cerca de 350 euros por pessoa, por ano, gastos em alimentos que não chegam a ser consumidos. Num agregado de três pessoas, o valor desperdiçado aproxima-se dos mil euros anuais.
Quando a compra é necessária, os artigos em segunda mão ou recondicionados podem ser uma alternativa mais económica, desde roupa a mobiliário e equipamentos eletrónicos. No caso de objetos utilizados apenas ocasionalmente, como ferramentas ou material de lazer, alugar, pedir emprestado ou partilhar pode substituir a aquisição e contribuir para a poupança. Vender, trocar ou doar o que deixou de ser usado permite ainda prolongar a vida dos produtos.
Estas escolhas traduzem a economia circular no quotidiano. O conceito não se resume à reciclagem: começa antes de um produto se transformar em resíduo, ao reduzir consumos desnecessários e manter bens e materiais em utilização durante mais tempo através da manutenção, reparação, reutilização, partilha e recondicionamento.
Em 2026, o Dia da Sobrecarga da Terra de Portugal ocorreu a 7 de maio, segundo a Global Footprint Network, o que significa que a partir desse dia passamos a viver em crédito ambiental com o planeta e a consumir os recursos do futuro.
A Associação Smart Waste Portugal defende que aproximar a economia circular dos cidadãos exige demonstrar os seus benefícios concretos no dia a dia. A mudança não depende, contudo, apenas das famílias. Ao nível das empresas, estas devem disponibilizar produtos mais duráveis e reparáveis, peças e serviços de reparação, enquanto as políticas públicas devem tornar a reutilização, a partilha e a compra em segunda mão opções acessíveis.
Fonte: Grande Consumo
Os microplásticos e os nanoplásticos podem ajudar as bactérias patogénicas a sobreviver aos esforços de eliminação, permitindo-lhes persistir nos sistemas de água potável, de acordo com um novo estudo publicado na revista Water Research.
Mais especificamente, os investigadores descobriram que os nanoplásticos podem reforçar os biofilmes bacterianos que se desenvolvem no interior das condutas de água potável e noutras infraestruturas hídricas. Estes biofilmes tornaram-se mais resistentes à desinfeção com cloro, o que pode tornar mais difícil a erradicação das bactérias patogénicas dos sistemas de tratamento e distribuição de água.
Os microplásticos e os nanoplásticos já constituem uma preocupação crescente para a saúde pública devido à exposição alimentar através dos alimentos e da água, cuja extensão e impactos na saúde ainda não são totalmente compreendidos. O estudo mais recente sugere que estas partículas de plástico podem afetar indiretamente a saúde humana, influenciando o comportamento de agentes patogénicos como a Escherichia coli nos sistemas de água.
«É muito importante compreender melhor os efeitos adversos dos nanoplásticos na saúde humana, e não apenas nos seres humanos, mas também no ambiente, que influencia indiretamente a saúde humana», afirmou Jingqiu Liao, Ph.D., professor assistente de Engenharia Civil e Ambiental na Virginia Tech e um dos autores do estudo. «Os nanoplásticos podem aumentar a capacidade de sobrevivência dos agentes patogénicos resistentes aos antimicrobianos, o que pode ser prejudicial para o ambiente e teria implicações para a saúde pública.»
O estudo foi elaborado por investigadores da Virginia Tech, da Universidade Rice, da Academia Chinesa de Ciências, do Instituto Federal Suíço de Ciência e Tecnologia Aquática e da Universidade de Zhejiang.
Fonte: Food Safety Magazine
Os incêndios marcaram o ano de 2017 e afetaram 86% da área total da Mata Nacional de Leiria, uma propriedade rústica do domínio privado do Estado, com a área de 11.021,44 hectares, situada no concelho da Marinha Grande, administrada pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). Para além de reduzirem a cinzas o pinhal existente, os incêndios causaram impactes incalculáveis, potenciaram a disseminação de espécies de plantas invasoras já estabelecidas, como a acácia-de-espigas (Acacia longifolia) e o chorão-dapraia (Carpobrotus edulis), as quais, beneficiando da ação do fogo, têm vindo a colonizar novas áreas. Nos anos seguintes ao grande incêndio de 2017, a Mata Nacional tem vindo a beneficiar de um vasto conjunto de investimentos com vista à recuperação do coberto arbóreo, através de fundos públicos e apoios de cidadãos, empresas e fundações. Em 2018, a ZERO aceitou o desafio do ICNF, celebrando-se um protocolo para o efeito, de plantar espécies autóctones.
Em 2023, a ZERO iniciou um novo projeto que foge à lógica de uma “tradicional” reflorestação plantação de árvores, incidindo no restauro de dois habitats naturais de conservação prioritária, ao abrigo da Diretiva Europeia Habitats: o zimbral dunar e os nano-bosques de samoucos e medronheiros. Este projeto concretiza-se nos talhões 144 e 160 da Mata Nacional de Leiria, numa área com cerca de 80 hectares.
Leia o relatório do projeto aqui.
Fonte: ZERO
As autoridades de saúde federais e estaduais continuam a investigar o maior surto conhecido de ciclosporíase na história dos EUA, que já se alargou a 15 estados e envolve mais de 22 000 casos confirmados e suspeitos. O surto, associado a alface iceberg contaminada proveniente do centro do México, resultou nas duas primeiras mortes confirmadas de sempre registadas num surto de ciclosporíase nos EUA. As autoridades de saúde pública estão a exortar os consumidores, restaurantes e retalhistas a manterem-se alertas, uma vez que a investigação continua e se prevê que sejam notificados mais casos.
Os números oficiais do CDC são inferiores aos relatados a nível estadual: 10 468 casos confirmados em laboratório a nível nacional, com mais 12 255 casos suspeitos a aguardar confirmação. No entanto, as autoridades de saúde reconhecem que estes números provavelmente representam apenas uma fração do surto total, uma vez que muitas pessoas com sintomas ligeiros não procuram cuidados médicos e muitos casos não são devidamente diagnosticados devido à dificuldade em detetar a Cyclospora. O CDC estima que, para cada caso confirmado, possa haver várias infeções adicionais não notificadas, o que significa que o verdadeiro impacto da doença poderá ser substancialmente superior.
Até à data, 47 estados notificaram casos de ciclosporíase em vários surtos distintos em 2026, com pelo menos 517 pessoas a necessitarem de hospitalização. O número de casos em 2026 já é quatro vezes superior ao total registado em 2025.
Fonte: Food Poisoning News
Testes realizados no Brasil apontaram problemas na classificação de azeites comercializados por três marcas portuguesas vendidos como extra virgem, segundo resultados preliminares divulgados no âmbito de uma ação civil pública, ainda não considerados conclusivos pelas autoridades brasileiras.
As análises foram realizadas no âmbito de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF), na sequência de uma determinação judicial, tendo os resultados preliminares apontado diferenças entre a classificação declarada nos rótulos e a verificada nas amostras, de acordo com a imprensa local.
Segundo dados oficiais, o Brasil importa a maior parte do azeite que consome, com Portugal a ser o maior exportador, enviando 53% das gorduras e óleos vegetais que se consomem no Brasil.
Questionado na quinta-feira pela Lusa, o Ministério da Agricultura e Pecuária esclareceu que os resultados são preliminares e ainda estão sujeitos a perícia e contraprova, pelo que não permitem conclusões definitivas sobre a conformidade dos produtos.
O ministério sublinhou à Lusa que as classificações preliminares, por si só, não indicam risco para a saúde pública, acrescentando que as situações que possam representar perigo para os consumidores são alvo de medidas imediatas de fiscalização e comunicação.
O ministério escusou-se, contudo, a confirmar oficialmente as marcas envolvidas nas análises, alegando que os procedimentos de fiscalização ainda estão em curso e que as empresas têm direito às contraprovas previstas na legislação.
“O direito às análises periciais e contraprovas é assegurado por lei às empresas em observância ao contraditório e à ampla defesa”, acrescentou.
A classificação de um azeite como virgem extra exige o cumprimento de determinados parâmetros de qualidade, sendo a categoria virgem inferior e a lampante destinada, em regra, à refinação, não podendo ser comercializada diretamente para consumo como azeite.
“No comércio regular de azeites importados, o número de não conformidades é baixo e as não conformidades detetadas em geral não representam riscos à saúde do consumidor”, reforçou o Governo brasileiro, recordando que como 99% do azeite consumido no Brasil é importado, a fiscalização é um trabalho contínuo de vigilância e não um problema pontual com prazo para encerrar.
“A maior preocupação da pasta está relacionada com as fraudes no mercado interno, que são cometidas por empresas clandestinas que misturam óleos vegetais, geralmente de soja, com corantes e aromatizantes. Esses produtos, sim, têm risco para a saúde do consumidor, pois são produzidos sem qualquer controle e com matérias-primas de natureza desconhecida”, acrescentou.
Fonte: Agroportal
Uma manada de vacas nativas do Gerês está na região da Serra da Estrela a ajudar na prevenção de incêndios florestais. Estão em treino em Gouveia e são controladas por um pastor virtual.
Não há pastor ou cão para guiar o gado: é a tecnologia que faz a vigilância, com uma espécie de pastor virtual.
Em Gouveia, na Área Integrada de Gestão da Paisagem do Aljão, a URZE, uma associação florestal, tenta desta forma fazer o caminho para a prevenção de incêndios florestais.
O objetivo é alargar o projeto, que se desenvolve em cooperação com a Cooperativa de Arcos de Valdevez, aos agrupamentos de baldios da região. Para já, o tempo é de treino, com uma coleira em cada animal que vai dando informações.
As vacas cachenas são nativas do Gerês. Custam cerca de 500 euros por cabeça e as coleiras vêm da Nova Zelândia, que têm um custo idêntico. A aplicação que gere o gado foi desenvolvida em Espanha.
Estes animais comem as infestantes mimosas, difíceis e onerosas de eliminar pela mão do homem.
Fonte: Agroportal
O mel, tradicionalmente visto como um produto natural, puro e seguro, está a entrar no radar das autoridades europeias devido à deteção crescente de contaminantes emergentes — substâncias que não eram monitorizadas de forma sistemática, mas que agora revelam presença relevante e potencial impacto na saúde pública.
Principais achados recentes
Porque estes contaminantes preocupam
A presença de contaminantes emergentes no mel não significa automaticamente risco elevado, mas abre novas questões regulatórias e científicas:
Situação na União Europeia
A EFSA e o sistema RASFF têm registado um aumento de notificações relacionadas com mel, sobretudo por resíduos de medicamentos veterinários e pesticidas. Embora a maioria dos casos envolva produtos importados, os Estados‑Membros estão a reforçar a vigilância interna, incluindo Portugal.
As autoridades portuguesas têm vindo a:
Reação do setor apícola
Associações de apicultores reconhecem o desafio, mas alertam que:
O que esperar nos próximos meses
Especialistas antecipam:
Fonte: Qualfood
Os resultados mostram que ações familiares, como reciclar ou reduzir o desperdício alimentar, são frequentemente consideradas das mais importantes para reduzir a pegada de carbono. Em contrapartida, comportamentos como viajar menos de avião, utilizar menos o automóvel ou reduzir o consumo de carne vermelha são frequentemente subvalorizados, apesar de terem um potencial muito superior para reduzir emissões.
Muitas pessoas acreditam estar a adotar os comportamentos mais eficazes para combater as alterações climáticas, mas tendem a sobrestimar o impacto de ações como a reciclagem e a subestimar medidas com um efeito muito maior na redução das emissões de gases com efeito de estufa. A conclusão é de um estudo internacional publicado na revista científica Nature Sustainability.
A investigação, que envolveu cerca de 3.000 adultos nos Estados Unidos, contou com a participação de investigadores da Universidade de Genebra, da Universidade de Basileia e da Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia.
Os resultados mostram que ações familiares, como reciclar ou reduzir o desperdício alimentar, são frequentemente consideradas das mais importantes para reduzir a pegada de carbono. Em contrapartida, comportamentos como viajar menos de avião, utilizar menos o automóvel ou reduzir o consumo de carne vermelha são frequentemente subvalorizados, apesar de terem um potencial muito superior para reduzir emissões.
Os investigadores designam esta capacidade de compreender o impacto climático das diferentes escolhas do quotidiano por “competência carbónica” (carbon competence), ou seja, o grau de conhecimento que cada pessoa tem sobre a eficácia das suas ações na mitigação das alterações climáticas.
Segundo Claudia Schneider, psicóloga ambiental da Universidade de Canterbury e coautora do estudo, compreender corretamente o impacto das diferentes escolhas é essencial para que as pessoas possam tomar decisões mais eficazes. “As diferentes ações têm potenciais muito distintos para reduzir emissões, mas muitas pessoas não têm uma perceção correta dessa diferença. Se queremos que façam escolhas informadas, precisamos de comunicar muito melhor quais são as medidas de baixo, médio e elevado impacto”, afirma.
Os atalhos mentais influenciam as escolhas
O estudo conclui que esta perceção errada não resulta apenas da falta de informação. Os investigadores identificaram vários mecanismos psicológicos que condicionam a forma como as pessoas avaliam o impacto ambiental dos seus comportamentos.
Um deles é a chamada heurística da disponibilidade, através da qual as pessoas tendem a atribuir maior importância às ações que lhes ocorrem mais facilmente ou que são mais divulgadas.
Outro é o raciocínio motivado, que leva muitos indivíduos a acreditar que os comportamentos que já adotam são particularmente eficazes, reforçando uma imagem positiva de si próprios.
Para os autores, estes fatores explicam por que motivo simplesmente informar as pessoas sobre quais as ações mais eficazes produz resultados limitados.
Comunicação mais direcionada poderá ser mais eficaz
Ao longo de três estudos envolvendo 2.924 participantes, os investigadores avaliaram a forma como os inquiridos classificavam o potencial de redução de emissões de 34 comportamentos relacionados com os transportes, a alimentação e outras atividades do quotidiano.
A equipa testou ainda diferentes formas de melhorar esta compreensão. Os resultados mostram que fornecer informação adicional ou indicar quais as medidas com maior impacto pode ajudar algumas pessoas, mas os efeitos variam significativamente entre diferentes grupos da população.
Por isso, os autores defendem que as campanhas de sensibilização sobre alterações climáticas devem ser mais direcionadas e adaptadas aos diferentes públicos, em vez de recorrerem a mensagens uniformes.
Embora o estudo tenha sido realizado nos Estados Unidos, os investigadores consideram que os mecanismos psicológicos identificados são comuns a outros países e poderão ajudar a melhorar as estratégias de comunicação sobre ação climática a nível internacional.
Fonte: GreenSavers
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