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O Dia Mundial das Leguminosas, assinalado a 10 de fevereiro, chega este ano com um peso simbólico que ultrapassa largamente o calendário das efemérides alimentares. Num momento em que a crise climática, a pressão sobre os sistemas agrícolas e a escalada dos preços alimentares se cruzam de forma cada vez mais evidente, as leguminosas emergem como um daqueles raros casos em que a solução é simultaneamente simples, acessível e cientificamente sólida. Ainda assim, continuam subvalorizadas, quase sempre relegadas para o papel de “acompanhamento humilde”, quando na verdade representam uma das ferramentas mais poderosas para transformar a forma como produzimos e consumimos alimentos.

A Organização das Nações Unidas instituiu esta data para lembrar que feijões, lentilhas, grão‑de‑bico e ervilhas não são apenas ingredientes versáteis: são pilares de um futuro alimentar mais resiliente. A sua capacidade de fixar azoto no solo reduz a dependência de fertilizantes químicos, cuja produção é altamente poluente e economicamente volátil. Em termos nutricionais, oferecem proteínas de qualidade, fibras e micronutrientes essenciais, rivalizando com fontes proteicas muito mais caras e ambientalmente exigentes. E, no entanto, persistem preconceitos culturais que as associam a pobreza, monotonia ou “comida de antigamente”.

O que este dia mundial expõe, de forma quase desconfortável, é a distância entre aquilo que sabemos e aquilo que fazemos. Sabemos que dietas ricas em leguminosas reduzem o risco de doenças crónicas, mas continuamos a privilegiar alimentos ultraprocessados. Sabemos que a agricultura regenerativa depende de culturas como estas, mas insistimos em modelos produtivos que esgotam o solo. Sabemos que a transição alimentar exige escolhas mais sustentáveis, mas a indústria continua a investir mais em alternativas artificiais do que em soluções tradicionais, eficazes e comprovadas.

Ao redor do mundo, multiplicam‑se iniciativas para reabilitar a imagem das leguminosas: workshops culinários, campanhas educativas, programas escolares e até projetos gastronómicos que as colocam no centro do prato com criatividade e ambição. Mas a verdade é que a mudança estrutural depende menos de celebrações pontuais e mais de políticas públicas consistentes — desde incentivos à produção local até estratégias de educação alimentar que devolvam às leguminosas o protagonismo que merecem.

Este Dia Mundial das Leguminosas não é apenas uma celebração; é um lembrete de que a sustentabilidade não precisa de ser futurista, cara ou tecnologicamente complexa. Às vezes, está simplesmente guardada numa despensa, à espera de ser revalorizada. Talvez o maior desafio seja mesmo este: reconhecer que a transformação dos sistemas alimentares pode começar com algo tão modesto quanto um punhado de feijões.

Fonte: Qualfood

Investigadores da Universidade do Missouri desenvolveram algas geneticamente modificadas capazes de capturar microplásticos em águas residuais, transformando-os numa biomassa facilmente removível, uma abordagem inovadora que poderá reforçar o tratamento de águas e reduzir a poluição.

Uma equipa liderada por Susie Dai, professora do Departamento de Engenharia Química e Biomédica da Universidade do Missouri, criou algas geneticamente modificadas capazes de remover microplásticos de águas residuais, oferecendo uma nova estratégia para combater este tipo de poluição ambiental.

O estudo, publicado na revista científica Nature Communications, descreve como estas algas foram projetadas para produzir limoneno, um óleo natural volátil que torna a sua superfície repelente à água. Como os microplásticos também apresentam propriedades hidrofóbicas, aderem facilmente às algas quando entram em contacto. Esse processo faz com que se agreguem, formando massas sólidas que afundam e podem ser recolhidas de forma simples.

Além de capturar microplásticos, as algas modificadas conseguem crescer diretamente em águas residuais, absorvendo nutrientes em excesso e contribuindo simultaneamente para a melhoria da qualidade da água.

Segundo Susie Dai, esta abordagem permite enfrentar vários desafios ambientais ao mesmo tempo. “Ao remover microplásticos, limpar águas residuais e, potencialmente, reutilizar os resíduos recolhidos para criar bioplásticos, conseguimos responder a três problemas com uma única solução”, explicou a investigadora.

Apesar de a tecnologia ainda se encontrar numa fase inicial de desenvolvimento, a equipa espera que, no futuro, o processo possa ser integrado em estações de tratamento de águas residuais existentes. A investigação representa um passo promissor na aplicação da engenharia genética para soluções ambientais sustentáveis.

Fonte: CiB

A DGAV procede à divulgação do Despacho n.º 26/G/2026 – Atualização das Zonas Contaminadas − Erwinia amylovora (Fogo bacteriano) e Edital 1/2026/Ea/LVT/N – Notificação da Aplicação de Medidas Fitossanitárias – Zonas Contaminadas com Erwinia amylovora.

 

Fonte: DGAV

No Alentejo, as secas extremas e os picos de calor estão a provocar quebras significativas na produção de trigo, cevada e grão-de-bico, levando investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) a desenvolver, nos próximos três anos, estratégias sustentáveis para aumentar a resiliência destas culturas às alterações climáticas.

Segundo a comunicação da FCUP, este trabalho de investigação insere-se na 7.ª edição do Programa Promove – O Futuro do Interior, promovido pela Fundação la Caixa, que aprovou recentemente dois projetos liderados pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto: o Olive4Cereal e o endoLEGUME.

O projeto Olive4Cereal, financiado na categoria de Projetos Inovadores, tem como objetivo valorizar um resíduo da indústria do azeite, o concentrado de águas ruças, águas residuais, de carácter tóxico, resultantes do processamento do bagaço da azeitona.

“Após tratamento deste subproduto, pretendemos formular um bioestimulante sustentável capaz de mitigar os impactos da seca no crescimento e na produtividade dos cereais”, conta Fernanda Fidalgo, docente da FCUP e investigadora do Plant Stress lab (GreenUPorto), responsável pelo projeto.

Esta abordagem poderá também reduzir a dependência de agroquímicos, frequentemente associados à degradação dos solos e à contaminação ambiental.

Depois de desenvolvido, o produto será testado pela equipa da FCUP em culturas de trigo e cevada, sob diferentes regimes de irrigação, tanto em condições controladas como em campo, para avaliar a sua aplicação prática.

O consórcio Olive4Cereal integra ainda investigadores da Universidade do Minho e do CEBAL – Centro de Biotecnologia Agrícola e Agro-alimentar do Alentejo, com o apoio da empresa Casa Alta. O projeto dispõe de um financiamento total de 194 mil euros.

Já o projeto endoLEGUME, enquadrado na categoria de Projetos de I&D Mobilizadores, visa utilizar as comunidades microbianas das sementes de grão-de-bico para reforçar a resiliência climática desta cultura, fortemente afetada pelo calor extremo e pela seca.

“No período reprodutivo, temperaturas acima de 32°C aceleram o envelhecimento da planta, aumentam o abortamento floral e reduzem a formação de grão. Por sua vez, a falta de água, além de limitar o crescimento vegetal, pode também comprometer o peso e a qualidade nutricional do grão”, explicou Cristiano Soares, docente da FCUP e investigador do Plant Stress lab (GreenUPorto), que lidera este projeto.

Segundo a comunicação, o que faz com que algumas plantas resistam melhor à seca e ao calor do que outras ainda não está totalmente esclarecido. Sabe-se que determinados microrganismos podem ajudar as plantas a lidar com o stress ambiental, mas essa relação continua pouco estudada no caso do grão-de-bico.

Neste projeto, os investigadores vão analisar as comunidades microbianas das variedades mais resistentes e identificar os microrganismos com maior potencial. O objetivo é criar um consórcio microbiano e aplicá-lo em variedades mais sensíveis, aumentando a sua tolerância à seca e ao calor.

A FCUP será responsável por avaliar a eficácia da estratégia, através da análise da resposta fisiológica das plantas.

Os resultados serão depois validados em condições reais de campo, nos terrenos agrícolas do Polo de Elvas do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, entidade com forte ligação ao melhoramento do grão-de-bico em Portugal.

O projeto endoLEGUME conta com um financiamento de cerca de 300 mil euros e é desenvolvido em parceria com o INIAV e o Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier, da Universidade Nova de Lisboa.

Fonte: Agroportal

A Inteligência Artificial está cada vez mais presente na vida de todos nós, é frequente ouvir alguém dizer que lhes facilita o estudo, o trabalho ou mesmo a realização de uma lista de compras semanal. A realidade é que muitos de nós já nos adaptámos a esta nova tecnologia que promete mudar a forma como funcionamos enquanto sociedade. O que fica fora das grandes manchetes dos jornais, dos cursos de formação, dos debates académicos e políticos é o impacto que esta recente tecnologia tem no ambiente, principalmente nos gastos de energia e água.

Portugal está determinado em liderar a corrida ao desenvolvimento do IA, começando a construir, já este ano, a “primeira fábrica de IA da Europa”. O Município de Sines, que irá receber este projeto, já é conhecido em território nacional como a base de diversas indústrias nacionais e internacionais. Com este panorama, podemos, inicialmente, pensar que territórios como este já estão prontos para resistir às grandes pressões que projetos como este colocam. No entanto, é por já ser industrializado, que se depara com diversas questões ambientais (escassez de recursos hídricos, aquecimento das temperaturas, subida do nível do mar) e sociais ( com várias contestações dos moradores ao avanço da indústria em detrimento da sua qualidade de vida, segurança ambiental e segurança no âmbito da proteção civil).

Sem dúvida que a perspetiva de novos empregos especializados na área e o crescente investimento das empresas tecnológicas no território português, podem ser encarados como uma razão para celebrar. No entanto, como a história nos mostrou, as revoluções tecnológicas tendem a ter elevados custos para o meio ambiente, especialmente quando não são feitas com planeamento e prudência.

Longe de ser a indústria mais sustentável, as grandes instalações de processadores de IA, têm dado que falar nos lugares onde são implementadas. No último ano esta história repetiu-se vezes sem conta, inicialmente, vem o entusiasmo com enorme investimento que é feito, depois segue a desilusão quando se apercebem do peso que estas instalações têm tanto a nível energético como a nível de utilização de recursos hídricos.

Em Maio de 2024, no “9º Multi-stakeholder Forum on Science, Technology and Innovation for the Sustainable Development Goals” da ONU, investigadores da Universidade de Amesterdão, expuseram o perigo da Inteligência Artificial para os nossos recursos hídricos globais. Ao contrário das iniciais alegações por parte dos empresários desta indústria, as recentes pesquisas, têm demonstrado que o consumo de água potável do IA é bem mais preocupante do que a dos seus antecessores, como os motores de pesquisa, uma comparação bastante elucidativa utilizada foi:

“ (…) enquanto uma pesquisa no Google utiliza meio mililitro de água em energia, o ChatGPT consome 500 mililitros de água por cada 5 a 50 prompts.”

Esta indústria utiliza água limpa em todas as fases do processo: na produção de peças, na geração da energia e no arrefecimento dos equipamentos das bases de treino e armazenamento de dados. Os líderes desta indústria já começam a procurar alternativas para o arrefecimento dos centros (como os sistemas adiabáticos, com arrefecimento recorrendo ao ar) reconhecendo a enorme pegada que o sistema hídrico de arrefecimento tem. No entanto, o projeto em território português ignora toda esta experiência e preocupação, numa região em que a água já é escassa e onde negócios agrícolas fecham todos os anos por causa da seca, a aposta não devia ser instalar um Centro de Dados de IA que depende de métodos que a indústria já se encontra a substituir. Não haveriam outras regiões do território menos saturadas, com maior disponibilidade de recursos hídricos e energéticos, que poderiam beneficiar do dinamismo e divulgação de um projeto como este?

Surge então, em resposta à crescente pressão sobre os recursos hídricos, a Águas de Portugal com a “milagrosa” dessalinizadora. No entanto, é importante refletir: os custos de investimento são de quem, dos contribuintes ou das novas indústrias, que irão lucrar com a cultura de sobre-exploração?

Infelizmente, a resposta é a primeira, para além de pagar, os cidadãos vão ser confrontados com os perigos ambientais que este projeto representa, por exemplo, a água dos aquíferos, que garante hoje água para consumo humano às populações de Sines, Santiago do Cacém e Grândola, poderá estar ameaçada pela contaminação com águas salgadas. Existirão compensações ambientais e sociais garantidas por estas indústrias às comunidades? No meio de tudo isto, onde está a APA? A garantir o cumprimento da defesa do ambiente ou a permitir o impensável do ponto de vista ambiental?

Crescemos a ver filmes de ficção científica que se focaram em descrever o perigo do surgimento de uma IA maligna que leva à aniquilação da humanidade. O que estes falharam foi em retratar os perigos mais realistas que esta revolução tecnológica traz para as nossas sociedades. Neste momento, o nosso planeta não consegue pagar o preço de mais uma viragem tecnológica desenfreada, sem estratégia definida de proteção ambiental, é preciso encarar os riscos e criar soluções para realmente conseguir desfrutar do potencial da IA na resolução dos problemas políticos, sociais e ambientais do mundo.

Fonte: GreenSavers

Os consumidores querem ser saudáveis. Isso sempre foi verdade até certo ponto, mas ultimamente esse desejo tem se manifestado num forte interesse pelas listas de ingredientes – os consumidores olham cada vez mais o verso da embalagem, em busca de ingredientes naturais e funcionais.

Por um lado, a popularidade dos alimentos funcionais espalhou-se por todo o setor. Alimentos ricos em proteínas, fibras e outros ingredientes nutritivos estão em alta, já que os consumidores procuram benefícios que vão além do sabor e da textura.

Por outro lado, a reação negativa contra os alimentos ultraprocessados ​​e a demanda por transparência impulsionaram a popularidade dos produtos com rótulo clean label, cujas listas de ingredientes são curtas e simples. Consumidores preocupados com a saúde procuram alimentos naturais que possam entender facilmente.

Essas tendências entram em conflito ou complementam-se?

Alimentos com rótulos clean label e alimentos funcionais são incompatíveis ou complementares?

Alguns sugerem que as duas tendências podem ser complementares, pois visam diferentes necessidades do consumidor, mas não se contradizem diretamente.

“Há espaço para os dois”, sugere Mylene Potier, diretora de ingredientes da empresa de pesquisa de mercado Gira Food.

“Alguns consumidores procuram produtos muito naturais e com rótulos clean label, enquanto outros procuram produtos que tenham efeito no corpo para melhorar o desempenho desportivo e, talvez, se preocupem menos com a lista de ingredientes.”

No entanto, a reformulação nem sempre consegue neutralizar os potenciais danos associados aos alimentos ultraprocessados, pelo menos de acordo com o estudo histórico publicado no periódico The Lancet no ano passado.

A adição de ingredientes funcionais, como proteínas e fibras, pode ajudar a disfarçar aspectos potencialmente prejudiciais dos alimentos ultraprocessados, como a textura macia, que afeta a forma como o corpo absorve os nutrientes.

O processo de fortificação não é, em si, prejudicial, explica Philip Baker, um dos investigadores. No entanto, os alimentos fortificados frequentemente usam alegações para desviar a atenção da natureza ultraprocessada do alimento.

Alguns alimentos funcionais, como barras de proteína, têm sido alvo de críticas nos últimos meses por conterem muitos aditivos e ingredientes artificiais.

Assim, embora a tendência dos alimentos funcionais e a tendência dos rótulos clean label complementar-se, em muitos casos isso não acontece.

Alimentos funcionais podem ter rótulo clean label?

A indústria alimentar está a esforçar-se para aderir à tendência de rótulos clean label.

“O termo ‘clean label’ refere-se à composição de um alimento que pode ser funcional ou não. O objetivo comum é ter produtos com rótulos mais limpos. Ambas as alegações são possíveis”, explica Potier, da Gira Foods.

Antes, as duas tendências eram consideradas contraditórias. Aliás, segundo um relatório de 2022 da empresa de pesquisa de mercado FMCG Gurus, a popularidade do conceito de rótulo clean label derivou, em parte, do ceticismo em relação à linguagem "científica" usada no marketing de alimentos funcionais.

No entanto, eles não são inerentemente opostos. Os consumidores mais jovens estão cada vez mais atraídos por 'alimentos naturalmente funcionais' , relata nossa publicação irmã, The Grocer.

Alimentos como iogurte grego e leite integral são percecionados por esses consumidores como tendo benefícios funcionais sem a desvantagem de serem altamente processados.

Apesar de frequentemente associada ao processamento, a funcionalidade certamente pode ser encontrada em produtos clean label. Tudo o que é necessário são os ingredientes certos, combinados da maneira correta.

Fonte: FoodNavigator Europe

A imitação da carne demonstra pouco apelo em larga escala, mas os alimentos à base de plantas têm oportunidades que vão além disso.

A popularidade das alternativas à carne não é mais a mesma. Após um breve período de crescimento no início da década, o interesse do consumidor está diminuindo rapidamente.

Isso pode ser divulgado de diversas maneiras. As vendas estão a cair há algum tempo, e as principais empresas de carne à base de plantas estão a diversificar-se – mais recentemente, a Beyond Meat , agora renomeada Beyond , anunciou a sua entrada no mercado de bebidas ricas em proteínas.

Enquanto isso, os restaurantes estão retirando pratos veganos de seus cardápios. O McDonald's , por exemplo, removeu recentemente o seu hambúrguer à base de plantas de restaurantes na Áustria. Iniciativas exclusivamente veganas, como o restaurante Neat Burger , fundado por Lewis Hamilton e Leonardo DiCaprio , estão fechando as portas.

É evidente que as alternativas à carne atendem a um nicho de mercado. Parece cada vez mais provável que esses produtos se popularizem e superem a carne de verdade. No entanto, isso não significa que não existam oportunidades para alimentos à base de plantas.

Por que as alternativas de carne estão enfrentando dificuldades?

As alternativas à carne sofrem há muito tempo com uma desvantagem: elas não são o que dizem ser. Um "hambúrguer" à base de plantas não é o que a maioria dos consumidores imagina quando ouve a palavra "hambúrguer". "Nuggets de frango" à base de plantas não contém frango. Numa "linguiça" à base de plantas, não há carne de porco.

De certa forma, isso é preparar o terreno para a decepção dos consumidores. Esses produtos são apenas uma imitação, e não o produto original, e terão que conviver para sempre com essa comparação. De facto, o sabor e a textura continuam a ser um dos principais motivos pelos quais os consumidores não estão a aceitar esses alimentos.

Por outro lado, muitos vegetarianos e veganos não querem que os produtos tenham gosto de carne. Esses consumidores, especialmente aqueles que seguem suas dietas há muito tempo, nem sempre procuram um produto que tenha o sabor de algo que talvez só lhes apresente à mente de vagas lembranças.

Os produtos alternativos à carne, portanto, visam essencialmente um nicho de mercado: aqueles que apreciam o sabor da carne, mas desejam reduzir ou eliminar o consumo por outros motivos, como saúde, sustentabilidade ou bem-estar animal. Certamente, há mais consumidores desse perfil do que antes, mas isso não significa que não sejam uma minoria.

De qualquer forma, já não é tão popular como antes. A  adesão ao veganismo está começando a estagnar  e o interesse do consumidor pela sustentabilidade,  na verdade, gradual  .

Entretanto, há uma questão de transparência.  A confiança no sistema alimentar está diminuindo rapidamente  e muitos consumidores sentem que não sabem o suficiente sobre o que entra na composição de seus alimentos.

Como um substituto de carne, isso pode ser um problema: o consumidor típico pode entender o que ele  tenta  imitar, mas não o que ele realmente  é  – até que você veja a lista de ingredientes. E, em muitos casos, essa lista não esclareceria nada, a menos que uma pessoa tivesse formação em bioquímica.

Sempre haverá um grupo de ex-amantes de carne que desejam uma maneira de replicar o prazer de comer, poupando a vida dos animais envolvidos – este jornalista está entre eles. No entanto, esses consumidores não são especificamente a maioria.

Profecias sobre uma "transição proteica", em que o sistema alimentar se afasta rapidamente da pecuária e o mundo é salvo como consequência, são comuns. No entanto, se os formuladores de políticas públicas confiarem na imitação da carne para alcançar esse cenário, ficarão para sempre decepcionantes. Ao atender a um nicho de mercado, o crescimento é eficaz e limitado.

Por que a alimentação à base de plantas ainda tem oportunidades

Entretanto, outros alimentos de origem vegetal não apresentam esses problemas.

Os consumidores são cada vez mais atraídos por produtos naturais e não processados, rejeitando o processamento e as formulações complexas. Muitos produtos tradicionais à base de plantas não têm as mesmas associações com o processamento, e particularmente com o fenômeno dos  alimentos ultraprocessados , que como alternativas à carne carregam.

Entretanto, muitos alimentos tradicionais à base de plantas, como tofu, tempeh e falafel, têm centenas ou até milhares de anos. Eles já estão enraizados em diversas culturas e têm sido amplamente consumidos por gerações e gerações de pessoas.

Isso não significa, obviamente, que todos os consumidores os adorem. Não significa que, amanhã, os consumidores de carne do mundo decidam coletivamente substituir hambúrgueres de carne bovina por falafel ou carne de kebab por tofu frito.

Mas isso significa que sua existência não precisa ser justificada da mesma forma – muito poucos questionam a "necessidade" do falafel da mesma maneira que questionam a carne de origem vegetal ou cultivada.

Embora sejam alternativas à carne diante de dificuldades, muitos mercados de alimentos à base de plantas apresentam um claro potencial de crescimento. De acordo com a Mordor Intelligence , o mercado de tofu deverá crescer a uma taxa composta de crescimento anual (CAGR) de 12,63% entre 2026 e 2031.

Entretanto, muitos dos principais players no mercado de alternativas à carne estão a  diversificar os seus produtos, deixando de depender exclusivamente da imitação  – a marca britânica de produtos à base de plantas. Esta , por exemplo, lançou recentemente um produto superalimentar, enquanto a Moving Mountains apresentou o seu próprio falafel. É evidente que o mercado já está começando a adotar essa tendência.

Os alimentos tradicionais à base de plantas podem ser apreciados por si só. Eles não tentam imitar nada, então os consumidores não farão comparações mentais. Não há um padrão de referência do "produto original" que foi atingido. Isso, de muitas maneiras, confere-lhes uma vantagem sobre os substitutos que muitos acreditam serem sempre inferiores ao produto original.

As alternativas à carne ainda têm mercado e podem continuar a atender ao seu nicho. Mas, para realmente convencer os consumidores a reduzir o consumo de carne de forma ampla e transformadora, a indústria alimentar deve se concentrar em opções tradicionais à base de plantas, que já utilizam de uso generalizado.

Fonte: FoodNavigator Europe

A Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) está a ampliar os usos permitidos da alegação "sem corantes artificiais" nos rótulos de produtos alimentícios.

Anteriormente, as empresas só podiam usar a expressão “sem corantes artificiais” nas embalagens de produtos alimentícios quando o produto não continha nenhum corante adicionado.

Com a nova mudança, as empresas poderão usar a alegação “sem corantes artificiais” para produtos que contenham corantes adicionados de origem natural (ou seja, corantes não derivados de petróleo que tenham sido autorizados de acordo com a Lei Federal de Alimentos, Medicamentos e Cosméticos ).

  • A beterraba vermelha, recentemente aprovada para uso em alimentos pela FDA, está recebendo aprovação da FDA.
  • Extrato de espirulina, cujos usos aprovados foram recentemente ampliados.

Outros corantes alimentares “naturais” que a FDA autorizou para uso em alimentos desde que recomendou às empresas alimentícias a eliminação gradual do uso de corantes sintéticos em abril de 2025 incluem:

  • Gardênia (Genipin) Azul
  • Extrato de Galdieria (azul)
  • Extrato de flor de ervilha-borboleta (azul)
  • Fosfato de cálcio (branco).

Os fabricantes são responsáveis ​​pela segurança dos aditivos alimentares.

Embora a FDA esteja incentivando os fabricantes a fazerem a transição para corantes alimentares não sintéticos, a agência ressalta que é responsabilidade dos fabricantes garantir a segurança dos aditivos de cor. Portanto, a agência emitiu uma carta destacando recursos para auxiliar os fabricantes de aditivos de cor autorizados a manter os padrões de segurança e pureza.

Fonte: Food Safety

Existem poucos perigos no sistema alimentar global tão persistentes e tão mal compreendidos pelos consumidores, empresas, agências de segurança alimentar e saúde pública quanto as micotoxinas.

Se levarmos a sério a proteção da segurança alimentar em um mundo cada vez mais instável, as micotoxinas devem deixar de ser um tema marginal nos debates sobre segurança alimentar e passar a ocupar um lugar central no pensamento estratégico das políticas públicas.”

Raramente chegam às manchetes, e isso só acontece quando causam incidentes graves de segurança alimentar. No entanto, seu impacto na segurança alimentar global , na saúde animal, na saúde pública e no comércio é profundo. Além disso, há um crescente conjunto de evidências que demonstra que a gravidade de seus impactos está aumentando em escala.

O estudo World Mycotoxin Survey 2025, publicado recentemente, analisou mais de 141.000 amostras de 95 países e oferece um dos panoramas globais mais abrangentes já produzidos sobre a contaminação por micotoxinas. Suas conclusões devem preocupar reguladores, líderes da indústria e formuladores de políticas em todo o mundo.

 Um problema verdadeiramente global

A pesquisa mostra que 83% de todas as amostras testadas globalmente continham pelo menos uma micotoxina acima do limite de risco recomendado, sendo a co-contaminação a norma, e não a exceção. Esses dados complementam o estudo pioneiro liderado pelo Professor Rudi Krska – o primeiro a expor a verdadeira dimensão do problema. O novo estudo mostra que, em muitas regiões, mais da metade de todas as amostras continham múltiplas micotoxinas. Isso representa um desafio fundamental sobre como as avaliações de risco devem ser conduzidas daqui para frente, já que considerar os riscos em termos de micotoxinas individuais não é adequado. Os efeitos toxicológicos não são simplesmente aditivos. Interações sinérgicas entre toxinas podem amplificar os impactos na saúde intestinal, na função imunológica e na fertilidade. No entanto, a maioria das estruturas regulatórias ainda avalia as micotoxinas em grande parte com base em compostos individuais – um modelo cada vez mais desconectado das realidades biológicas.

As consequências da exposição crônica a micotoxinas em sistemas de produção animal estão bem documentadas: redução do consumo de ração, comprometimento da absorção de nutrientes, imunossupressão, distúrbios reprodutivos e aumento da suscetibilidade a doenças. O levantamento de 2025 fornece evidências contundentes desses riscos em rações para aves, suínos, ruminantes e aquicultura.

Existe também um efeito subsequente menos discutido, mas altamente significativo. Animais comprometidos por micotoxinas são mais propensos a infecções, o que frequentemente leva a um aumento nas intervenções veterinárias e no uso de antimicrobianos. Dessa forma, as micotoxinas podem ser um fator não reconhecido de resistência antimicrobiana, ligando a segurança alimentar diretamente a um dos desafios de saúde pública global mais urgentes.

Regiões tradicionalmente consideradas de "alto risco", como a África Subsaariana, o Sudeste Asiático e partes da América do Sul, continuam a apresentar uma prevalência extrema de aflatoxinas, fumonisinas e tricotecenos. No entanto, o que é particularmente impressionante nos dados de 2025 é o risco consistentemente elevado observado na Europa, América do Norte e Ásia Central, impulsionado principalmente por toxinas do gênero Fusarium, como o deoxinivalenol (DON), a zearalenona (ZEN) e as fumonisinas. Claramente, as micotoxinas não devem mais ser vistas como problemas restritos ao Sul Global ou a cadeias de suprimentos mal controladas; elas também representam problemas substanciais em sistemas modernos de produção de alimentos e rações, altamente regulamentados.

Saiba mais aqui.

Fonte: New Food Magazine

A promoção de ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis voltou a ganhar destaque entre empresas portuguesas, impulsionada por novas orientações técnicas e por uma crescente consciencialização sobre a importância da prevenção de riscos laborais.

De acordo com especialistas em Segurança e Saúde no Trabalho (SST), as organizações estão a investir cada vez mais em programas de formação, avaliação de riscos e monitorização contínua das condições laborais.

O objetivo é claro: reduzir acidentes, prevenir doenças profissionais e promover o bem‑estar físico e mental dos trabalhadores.

Entre as medidas mais adotadas destacam‑se:

  • Avaliações de risco mais frequentes, com foco em setores de maior exposição, como indústria, logística e agroalimentar;
  • Reforço da formação obrigatória, incluindo ergonomia, manuseamento seguro de equipamentos e resposta a emergências;
  • Implementação de sistemas de monitorização ambiental, que permitem detetar precocemente fatores de risco como ruído, poeiras ou temperaturas extremas;
  • Programas de bem‑estar e saúde mental, que têm vindo a ganhar relevância após o aumento de casos de stress e burnout.

As entidades reguladoras sublinham que o cumprimento das normas de SST não é apenas uma obrigação legal, mas também um fator determinante para a competitividade das empresas. “Ambientes de trabalho seguros traduzem‑se em maior produtividade, menor absentismo e equipas mais motivadas”, afirmam técnicos do setor.

Com o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho a aproximar‑se, várias organizações preparam campanhas de sensibilização internas e externas, reforçando a mensagem de que a prevenção continua a ser a melhor estratégia para proteger pessoas e negócios.

Fonte: Qualfood