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A notificação RASFF 2026.5425 reporta a presença de Salmonella spp. em hambúrgueres de frango panados ultracongelados, com origem tanto em Espanha como em Portugal, elevando o nível de atenção das autoridades de segurança alimentar.

O que foi detetado

Os controlos oficiais identificaram contaminação por Salmonella spp., um agente patogénico responsável por infeções gastrointestinais que podem causar febre, vómitos, diarreia e dores abdominais. O risco é particularmente relevante em produtos de aves, que exigem cozedura completa para eliminação do microrganismo.

Origem e distribuição

A notificação indica dupla origem:

  • Espanha — país onde foram detetadas inicialmente as inconformidades;

  • Portugal — identificado como co‑originador do produto ou como parte da cadeia de produção/distribuição.

Esta ligação entre ambos os países sugere cadeias de fornecimento partilhadas, comuns no setor de produtos ultracongelados de aves.

Produto envolvido

O alerta refere-se a:

  • Hambúrgueres de frango panados ultracongelados;

  • Destinados ao consumidor final;

  • Com distribuição no mercado ibérico.

Os detalhes de lote, marca e validade não foram ainda divulgados publicamente, mas o padrão segue notificações anteriores envolvendo produtos de frango processado.

Medidas recomendadas

  • Evitar o consumo de hambúrgueres de frango panados adquiridos recentemente, sobretudo se de origem espanhola ou portuguesa;

  • Verificar a rotulagem e a origem do produto no congelador doméstico;

  • Devolver ao ponto de venda caso exista correspondência com a descrição do alerta;

  • Procurar apoio médico se surgirem sintomas após consumo.

Importância do alerta

O caso reforça a relevância do RASFF como mecanismo de resposta rápida, permitindo que Estados‑Membros atuem de forma coordenada para prevenir riscos alimentares. A identificação de Portugal como país de origem adicional aumenta a necessidade de rastreabilidade rigorosa e verificação de fornecedores.

Fonte: Qualfood 

O projeto europeu Increase - Intelligent Collections of Food Legumes Genetic Resources for European Agrofood Systems - chegou ao fim após seis anos de trabalho, deixando um legado significativo para a conservação da biodiversidade agrícola e para o desenvolvimento de sistemas alimentares mais sustentáveis. Um dos principais resultados é a plataforma de acesso aberto que reúne dados de passaporte, fenotípicos e genómicos, sobre os recursos genéticos das leguminosas alimentares.

Financiado pela União Europeia através do programa Horizon 2020, o projeto reuniu 25 parceiros de 12 países, incluindo a Universidade Católica Portuguesa (UCP), com o objetivo de preservar e promover a utilização sustentável dos recursos genéticos de quatro leguminosas alimentares fundamentais: grão-de-bico, feijão comum, lentilha e tremocilha (lupino).

A Universidade Católica Portuguesa participou no consórcio através do Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF) da Escola Superior de Biotecnologia. No âmbito do projeto, a equipa de investigadores caracterizou cerca de 1.300 amostras de feijão comum cultivadas em Espanha, Itália e Polónia ao longo de dois anos. As análises incluíram a avaliação do teor de proteína, compostos fenólicos, minerais essenciais, hidratos de carbono, óleo e humidade, contribuindo para o conhecimento da qualidade nutricional destas variedades e para o estudo das interações entre genótipo e ambiente.

“Um dos aspetos mais inspiradores do Increase foi a capacidade de envolver milhares de cidadãos na conservação da agrodiversidade europeia. Este projeto mostrou que a ciência participativa pode desempenhar um papel determinante na valorização dos recursos genéticos e na sensibilização da sociedade para a importância das leguminosas na alimentação e na sustentabilidade agrícola”, referiu Marta Vasconcelos, investigadora do Centro de Biotecnologia e Química Fina da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa e coordenadora do projeto em Portugal.

O projeto destacou-se pela sua forte componente de ciência cidadã. Através de uma aplicação móvel desenvolvida no âmbito da iniciativa, mais de 27 mil cidadãos europeus participaram na avaliação e conservação de variedades de feijão comum, cultivando plantas em jardins, escolas e espaços urbanos e partilhando observações com a comunidade científica. Este modelo foi possível graças a um enquadramento legal, incluindo o Standard Material Transfer Agreement (SMTA) para a troca rastreável de sementes, no âmbito do Tratado Internacional sobre os Recursos Fitogenéticos para a Alimentação e a Agricultura da FAO. Esta experiência foi distinguida com o Prémio da União Europeia para a Cidadania e Ciência, tornando-se uma referência internacional na promoção da participação pública na investigação científica.

Outro resultado em destaque foi a criação das chamadas ‘Coleções Inteligentes’, subconjuntos cuidadosamente selecionados de recursos genéticos que representam, de forma eficiente, a diversidade existente nos bancos de genes. Estas coleções combinam diversidade genética representativa, dados fenotípicos harmonizados (características observáveis das plantas) e informação genómica de alta resolução. “Para o feijão comum, por exemplo, foram geradas cerca de oito mil linhas geneticamente estáveis, apoiadas por sequenciação genómica extensiva e ensaios de campo em múltiplos locais europeus”, esclareceu Marta Vasconcelos. No caso do lupino, trata-se da caracterização mais completa alguma vez realizada para esta cultura. Estes recursos permitem aos investigadores identificar, de forma muito mais eficiente, características genéticas importantes e desenvolver novas variedades adaptadas às condições ambientais em constante mudança.

Utilizando tecnologias avançadas de genómica e 'ómicas', o Increase identificou também regiões genéticas importantes em várias leguminosas: no grão-de-bico, regiões associadas à tolerância à seca; na lentilha, genes que ajudam as plantas a adaptarem-se a condições de altitude; e no feijão comum, genes que conferem resistência a doenças. Combinando estes dados com novos métodos estatísticos, os cientistas conseguem agora identificar genes cujos efeitos dependem do ambiente em que a planta cresce. Esta informação alimenta modelos preditivos que permitem determinar quais as variedades mais adequadas a cada contexto, hoje e no futuro, face às alterações climáticas.

Embora o projeto tenha terminado em abril de 2026, os recursos genéticos, os dados científicos e as ferramentas desenvolvidas vão permanecer disponíveis para investigadores, agricultores, melhoradores de plantas e bancos de genes em toda a Europa. A continuidade da comunidade criada em torno da iniciativa será assegurada pela associação Diversitas, criada para dar seguimento às atividades de conservação descentralizada e investigação participativa iniciadas pelo projeto.

Fonte: iAlimentar

O Governo aprovou o arranque dos trabalhos da proposta da Estratégia Industrial Verde, um instrumento previsto na Lei de Bases do Clima destinado a apoiar a transição climática do setor industrial e a reforçar a competitividade sustentável das empresas. A decisão foi formalizada através do Despacho n.º 7909/2026, publicado esta quarta-feira, 24 de junho, em Diário da República.

A proposta vai ter um horizonte temporal até 2040 e fica a cargo da Adene - Agência para a Energia e do IAPMEI - Agência para a Competitividade e Inovação, em articulação com o Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG), a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), e a Direção-Geral da Economia (DGE).

Segundo o despacho, a estratégia deve procurar maximizar o valor económico associado à transição energética, promover investimentos em atividades de elevado valor acrescentado e aproveitar a competitividade da eletricidade renovável para reduzir custos operacionais e mitigar o défice de produtividade nacional.

O diploma estabelece igualmente como prioridades a modernização e descarbonização da base industrial existente, em particular nos setores eletrointensivos e de difícil descarbonização, bem como a convergência com os instrumentos de política industrial europeus para reforçar a autonomia estratégica das cadeias de valor nacionais e o acesso a financiamento.

A proposta deve incluir um diagnóstico das cadeias de valor industriais nacionais e do respetivo potencial de descarbonização, uma avaliação das oportunidades de desenvolvimento tecnológico, industrial e económico associadas à industrialização verde e uma estimativa dos impactos esperados na economia, no emprego e no sistema energético.

Entre os elementos a integrar constam ainda a identificação de obstáculos regulamentares, financeiros, infraestruturais ou relacionados com qualificações, bem como a definição das medidas necessárias para concretizar a estratégia, acompanhadas por um calendário de implementação e mecanismos de monitorização.

O plano de trabalhos determina que, até 31 de agosto de 2026, sejam realizadas ações de auscultação junto de organismos tutelados, associações setoriais e do público em geral, além da definição das áreas estratégicas prioritárias e da elaboração de um diagnóstico quantificado da base industrial verde.

Numa fase posterior, a concluir até 30 de novembro de 2026, devem ser consolidados os contributos recolhidos, elaborada a proposta da Estratégia Industrial Verde e desenvolvidos o roteiro de execução, os indicadores de desempenho, as metas e o modelo de avaliação dos impactos na economia e no emprego.

Concluída esta etapa, a proposta vai ser sujeita aos procedimentos de consulta pública e ao parecer prévio do Conselho para a Ação Climática (CAC), conforme previsto na Lei de Bases do Clima.

Fonte: iAlimentar

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) publicou um novo recurso para ajudar as partes interessadas na segurança alimentar a compreender as medidas que podem tomar para mitigar a resistência aos antimicrobianos (RAM) de origem alimentar.

O uso excessivo ou indevido de antimicrobianos e a eliminação inadequada destes em animais destinados à produção alimentar e na agricultura podem resultar na contaminação dos alimentos e do ambiente, criando riscos para a segurança alimentar e contribuindo para o aumento global da RAM.

Algumas estimativas sugerem que, até 2050, poderão morrer prematuramente até 300 milhões de pessoas em todo o mundo devido à resistência aos medicamentos. Em 2019, estimou-se que 4,95 milhões de mortes estivessem associadas à RAM bacteriana e 1,27 milhões fossem atribuídas a esta.

Por conseguinte, a nova publicação da FAO incentiva os produtores alimentares e as autoridades a promoverem e implementarem intervenções como programas de vacinação, monitorização do cumprimento da legislação, investigação sobre alternativas aos antibióticos na agricultura e programas de sensibilização dos consumidores. A publicação remete para textos específicos do Codex e outros recursos sobre a utilização de antimicrobianos nos sistemas agroalimentares, com o objetivo de ajudar as partes interessadas em todos os pontos da cadeia de valor a mitigar a RAM de origem alimentar.

A publicação completa pode ser consultada aqui.

Fonte: Food Safety

 

As serras e planícies portuguesas, que nos últimos anos viram a paisagem transformar-se com o avanço de gigantescas torres eólicas e extensos espelhos fotovoltaicos, preparam-se para conhecer regras inéditas de convivência com a tecnologia verde.

Esta mudança de rumo surge em resposta direta aos sinais de saturação ecológica visíveis em vários pontos do território nacional. A proliferação acelerada destas grandes centrais vinha gerando forte contestação devido à fragmentação de habitats e à mortalidade de fauna silvestre.

O novo diploma tem como intuito criar um escudo protetor para espécies que viram o seu espaço vital encolher significativamente, traçando uma linha vermelha que os promotores energéticos deixam de poder atravessar.

O mapa dos territórios protegidos pelo Estado

Até agora, a ausência de uma proibição explícita permitia que novos empreendimentos avançassem sobre áreas de elevada sensibilidade ecológica. Casos emblemáticos como o Parque Eólico de Silves, localizado no nordeste algarvio, ou as torres geradoras em Arcos de Valdevez, que tocam a área do Parque Nacional da Peneda-Gerês, ilustram bem este conflito de interesses entre a transição energética e o património natural.

Da mesma forma, os aerogeradores instalados em Torre de Moncorvo vinham levantando fortes preocupações devido ao impacto na Zona Especial de Proteção do Alto Douro Vinhateiro.

O panorama das centrais solares de grande dimensão também motivou alertas urgentes da comunidade científica e de associações ambientalistas. A Central Solar da Beira, planeada para a zona envolvente do Parque Natural do Tejo Internacional, em Castelo Branco, enfrentou forte oposição por ameaçar ecossistemas vulneráveis.


Noutro ponto, a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves contestou severamente a central fotovoltaica Sophia, localizada na região Centro, demonstrando que a barreira física dos painéis fragmenta corredores ecológicos vitais para mamíferos e avifauna.

Já na central de Ferreira do Alentejo, a associação Zero identificou riscos sérios para a sobrevivência de aves estepárias raras, como a abetarda e o sisão, que dependem das planícies abertas de cereais para nidificar.

Regras claras para acelerar no local certo

Com o novo enquadramento normativo, os projetos que incidam nestas áreas geográficas proibidas serão liminarmente recusados ou forçados a mudar de localização.

O texto legal estabelece que a energia fotovoltaica deve expandir-se preferencialmente através de estruturas já artificializadas, incentivando o aproveitamento de telhados industriais, recintos residenciais, parques de estacionamento e antigas minas desativadas.

Como contrapartida para o setor empresarial, a estratégia nacional identifica zonas de desenvolvimento preferencial, onde os processos de licenciamento ambiental serão consideravelmente mais céleres e previsíveis.

Esta clarificação territorial surge quando se discutem os mapas de aceleração energética do país. Embora esses planos setoriais excluíssem os parques das áreas protegidas pela Rede Natura 2000, subsistia uma lacuna que permitia submeter propostas para zonas adjacentes através de avaliações de impacto ambiental. A estratégia agora publicada fecha essa porta, definindo claramente onde a instalação é estritamente proibida.

Dos fungos esquecidos à proteção do lobo

A nova estratégia ambiental vai muito além da regulação do setor das energias limpas. O documento acolheu mais de metade das propostas apresentadas na consulta pública, integrando novidades estruturais profundas.

Uma das medidas mais relevantes concede um estatuto de proteção inédito aos fungos, grupo biológico essencial para o equilíbrio florestal, até agora esquecido pela legislação. O plano prevê a realização de um inventário nacional e o lançamento da primeira lista vermelha de espécies de fungos ameaçadas em Portugal.

A nível de fauna e flora, o diploma reativa a obrigatoriedade de implementar planos de ação urgentes destinados à preservação do lobo-ibérico, do lince-ibérico e de aves necrófagas.

Cidadãos e proprietários como guardiões da natureza

A governação ambiental do país ganha novas ferramentas práticas com a introdução do princípio do protetor-recebedor. O mecanismo visa remunerar financeiramente os proprietários privados e os gestores rurais que promovam boas práticas de conservação, reconhecendo o seu papel como guardiões do território.

Para viabilizar estes pagamentos, o Estado vai promover um mercado voluntário de carbono azul, focado nos ecossistemas marinhos, e um quadro nacional de créditos de natureza.

O envolvimento da sociedade civil na recolha de dados científicos passa também a estar formalmente oficializado. A ciência cidadã será utilizada como um instrumento estratégico da administração pública, através da criação de plataformas digitais para validar as observações biológicas registadas pela população e por programas escolares.

A obrigatoriedade de proteger os geossítios nos planos diretores municipais é mais uma regra que a nova estratégia de biodiversidade impõe às autarquias. 

Por fim, a geodiversidade é elevada ao mesmo patamar de relevância jurídica da biodiversidade animal e vegetal, obrigando os municípios a delimitar e proteger os geossítios diretamente nos seus planos diretores municipais.

Leia a nova Estratégia Nacional para a Biodiversidade aqui

Fonte: Tempo

 

A diversificação das fontes de proteína na Europa pode contribuir para reduzir pressões ambientais, reforçar a resiliência dos sistemas alimentares e criar novas oportunidades para a agricultura e a indústria alimentar, segundo um relatório da Agência Europeia do Ambiente (AEA).

relatório Diversificação de proteínas — riscos e oportunidades estratégicos para sistemas alimentares sustentáveis analisa o papel das diferentes fontes de proteína no contexto europeu e defende uma transição gradual, e não uma substituição direta da produção pecuária.

 De acordo com a AEA, a ingestão média de proteína entre adultos na União Europeia (UE) situa-se entre 80 e 85 gramas por pessoa por dia, acima das necessidades da maioria dos grupos populacionais. Os produtos de origem animal representam cerca de 60% da ingestão total de proteína, o que, segundo o relatório, sugere margem para reequilibrar as fontes proteicas, mantendo uma nutrição adequada.

O atual sistema proteico europeu está associado a pressões ambientais relevantes. A produção pecuária responde por mais de 65% das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) da agricultura na UE, enquanto o pastoreio e a produção de rações ocupam, em conjunto, mais de metade da área agrícola.

 O relatório aponta ainda impactos associados ao azoto proveniente da pecuária e do uso de fertilizantes, que contribui para a poluição da água e para a eutrofização. Em 2023, a agricultura foi responsável por cerca de 94% das emissões de amoníaco da UE, uma fonte relevante de poluição atmosférica por partículas finas.

A dependência externa é outro dos fatores identificados. O sistema pecuário europeu depende fortemente da importação de ração, com a UE a importar quase dois terços da ração rica em proteína usada na produção animal. O fornecimento está concentrado em poucos países, sobretudo Brasil, Argentina e Estados Unidos. Só as importações de soja ascendem a cerca de 30 milhões de toneladas por ano, maioritariamente destinadas à alimentação animal.

 Segundo a AEA, a expansão da soja está associada à desflorestação e perda de biodiversidade em partes da América do Sul. O relatório refere ainda que as tensões geopolíticas dos últimos anos, o aumento dos preços da energia e dos fertilizantes e as perturbações nas cadeias de abastecimento evidenciaram vulnerabilidades associadas a estas dependências.

Reequilíbrio gradual, não substituição
A Agência Europeia do Ambiente sublinha que nem todos os sistemas pecuários têm a mesma pegada ambiental. O pastoreio extensivo em pastagens pode apoiar a conservação da biodiversidade e a gestão da paisagem, sendo que cerca de um em cada três habitats protegidos na Europa depende do pastoreio.

Por essa razão, o relatório enquadra a diversificação proteica como um reequilíbrio gradual da oferta e dos padrões de consumo de proteína na Europa, a desenvolver em paralelo com sistemas pecuários mais sustentáveis e com atenção à proteção dos meios rurais e das economias regionais.

A diversificação proteica é apresentada como um conjunto de soluções complementares. Além de alimentos vegetais já estabelecidos, como leguminosas e alternativas à carne e aos laticínios, o relatório analisa opções emergentes, incluindo insetos, fermentação de biomassa, fermentação de precisão e carne cultivada.

Proteínas vegetais com benefícios mais imediatos

As proteínas vegetais são identificadas como a opção com benefícios ambientais mais imediatos. De acordo com o relatório, beneficiam de sistemas de produção estabelecidos, mercados mais maduros e maior familiaridade dos consumidores.

A AEA considera que estas fontes têm potencial para reduzir emissões de GEE, poluição por azoto e pressões sobre o uso do solo, criando também oportunidades de recuperação da natureza e de novo valor ao longo dos sistemas agrícola e alimentar.

As vias emergentes de diversificação poderão oferecer vantagens ambientais, tecnológicas ou estratégicas em aplicações específicas, incluindo diversificação de rações, menor dependência do uso do solo e novas oportunidades nas cadeias de valor alimentar e de alimentação animal. Contudo, muitas continuam a enfrentar desafios relacionados com custos de produção, necessidades de infraestrutura, complexidade regulamentar e níveis incertos de aceitação pelos consumidores.

O relatório aponta também oportunidades económicas. O consumo global de proteínas alternativas poderá aumentar mais de sete vezes até 2035, enquanto o mercado das proteínas vegetais deverá crescer de cerca de 24 mil milhões de dólares em 2025 para 35 mil milhões de dólares em 2030.

Segundo a análise, a Europa está bem posicionada para competir em segmentos de maior valor, incluindo alimentos de base vegetal, proteínas obtidas por fermentação e ingredientes mais sustentáveis para alimentação animal.

Segundo a análise, o reforço da produção europeia de culturas proteicas é apresentado como uma via para fortalecer a resiliência dos sistemas alimentares.

Fonte: Vida Rural

Agricultores no Reino Unido estão a testar mapas de previsão de lesmas desenvolvidos com modelos computacionais, no âmbito de um projeto de investigação que procura melhorar o controlo desta praga e reduzir o uso de pesticidas.

De acordo com os responsáveis do projeto, a ferramenta permite identificar zonas de maior risco nos campos cultivados e direcionar melhor a aplicação de armadilhas.

 No Reino Unido, os prejuízos em trigo e colza causados por lesmas estão estimados em quase 44 milhões de libras por ano. Além dos cereais, as lesmas consomem sementes de cevada, aveia e trigo, alimentam-se de folhas jovens em germinação e podem danificar batata e culturas hortícolas.

O trabalho está a ser desenvolvido no âmbito do projeto Slimers, um programa de três anos iniciado em 2023 e com conclusão prevista para o final de agosto. O projeto tem um orçamento de 2,6 milhões de libras, é financiado pelo Departamento de Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido e liderado pela British On-Farm Innovation Network.

A iniciativa recrutou 28 agricultores “caçadores de lesmas” para trabalhar com cientistas e aprofundar o conhecimento sobre o comportamento destes invertebrados.

Para recolher dados, os agricultores instalaram armadilhas nas suas explorações. A informação obtida foi integrada num modelo computacional, que utiliza um algoritmo para prever onde as lesmas poderão surgir nos campos cultivados. Foram também recolhidas amostras de solo.

Os mapas de previsão resultantes foram testados por 16 agricultores durante o último outono e inverno. De acordo com a informação divulgada, a ferramenta já permitiu reduzir para metade a quantidade de armadilhas utilizadas no controlo da praga.

 Charles Paynter, agricultor de Bedfordshire envolvido no projeto desde o início, afirma que já reduziu o uso de pesticidas. “O meu limiar para tomar medidas de controlo é agora mais elevado, porque consegui comprovar que posso avaliar os riscos da atividade das lesmas com maior precisão”, afirmou.

O projeto surge também num contexto de maior procura por alternativas aos pesticidas. O metaldeído, substância química comummente usada em produtos para controlo de lesmas no Reino Unido, foi proibido em 2022, o que levou ao aumento da utilização de grânulos de fosfato férrico.

Segundo os investigadores, há confiança no funcionamento da ferramenta. “Já sabíamos que as lesmas não surgiam aleatoriamente nos campos, mas que formavam manchas distintas de acordo com o tipo de solo e as condições climáticas”, afirmaram.

Os responsáveis acrescentam ainda que os dados recolhidos pelos agricultores permitiram aprofundar esse conhecimento e confirmar a hipótese sobre a forma como os focos de lesmas se reorganizam após períodos de encharcamento.

“Em solos com mais abundância de água, os aglomerados tornam-se instáveis e desfazem-se, mas agora confirmámos que se reformam temporariamente em locais onde não os esperaríamos em condições normais e, em seguida, regressam rapidamente às suas áreas previstas assim que as condições típicas do solo retornam”, explicaram.

Outra vertente do projeto Slimers está dedicada ao desenvolvimento de variedades de trigo resistentes à lesma. Os cientistas identificaram três áreas do genoma do trigo associadas à resistência à lesma, uma descoberta que poderá apoiar o desenvolvimento de novas variedades menos suscetíveis a esta praga.

Fonte: Vida Rural

No São João, até a nossa equipa faz uma pausa para ver balões, comer sardinhas e tentar não levar com um martelo na cabeça.

Por isso, os serviços Qualfood estarão temporariamente encerrados — mas não se preocupe: o acesso à base de dados continua firme e forte, sem saltar fogueiras.

Voltamos no dia útil seguinte, renovados e prontos para tudo.

Aproveite o feriado e deixe-se contagiar pelo espírito sanjoanino!!

Fonte: Qualfood

Investigadores chineses identificaram um gene no milho que pode aumentar de forma significativa o teor de proteína nas sementes.

estudo, publicado na revista Nature , aponta uma nova possibilidade para desenvolver variedades de milho com maior valor proteico, sem reduzir o rendimento em grão.

De acordo com os cientistas, o milho tem um papel relevante na segurança alimentar global, mas o teor de proteína não foi uma prioridade ao longo do processo de domesticação e melhoria da cultura. Segundo os investigadores, várias características genéticas associadas a níveis mais elevados de proteína foram-se perdendo nas variedades cultivadas.

Como resultado, muitas variedades modernas de milho apresentam baixos teores de proteína na semente, contribuindo para uma maior dependência de farinha de soja importada na alimentação animal.

O gene agora identificado foi encontrado no teosinto, a planta silvestre que deu origem ao milho moderno. De acordo com o estudo, este gene ajuda a planta a utilizar melhor o azoto na produção de proteínas.

Os investigadores verificaram que esta característica se tornou rara nas variedades modernas de milho, estando presente em apenas 2,1% das linhas analisadas.

A equipa testou a introdução deste gene, em combinação com outro gene anteriormente identificado, num híbrido de milho bastante cultivado na China. O resultado foi um aumento do teor de proteína da semente de 8,5% para 12% a 13%.

O teor de proteína da planta inteira também aumentou, passando de 7% para mais de 9%, sem comprometer o rendimento em grão.

Segundo os autores, a investigação ajuda a explicar por que razão o milho perdeu parte do seu teor proteico ao longo da domesticação. O estudo indica também que a recuperação de características genéticas presentes em parentes selvagens da cultura pode ser uma ferramenta útil para a melhoria de novas variedades.

Os investigadores sublinham que a descoberta poderá contribuir para o desenvolvimento de milho com maior teor de proteína, com potencial interesse para a alimentação humana e animal.

Fonte: Vida Rural

A ideia nasceu de um problema cada vez mais evidente na indústria alimentar: a produção de cacau está sob pressão.

Pode um chocolate não ter cacau e, ainda assim, saber a chocolate? A pergunta parece quase uma provocação, mas é precisamente essa a promessa da ChoViva, uma alternativa desenvolvida pela start-up alemã Planet A Foods a partir de sementes de girassol fermentadas e torradas. A ‘Euronews’ mostra como esta empresa bávara quer responder à crise do cacau com uma solução regional, mais barata e com menor impacto ambiental.

A ideia nasceu de um problema cada vez mais evidente na indústria alimentar: a produção de cacau está sob pressão. As alterações climáticas, as pragas, a monocultura e a concentração da produção em poucos países tornam a matéria-prima mais vulnerável. Sara Marquart, cofundadora da Planet A Foods com o irmão, Maximilian, recorda que existe um cenário segundo o qual metade da oferta de cacau poderá desaparecer até 2050.

A dependência global é outro ponto crítico. Cerca de 80% do cacau consumido no mundo tem origem em apenas dois países, o Gana e a Costa do Marfim. Para produzir cacau, há zonas onde a floresta tropical é derrubada e substituída por plantações, em regiões particularmente frágeis e já afetadas por padrões climáticos cada vez mais instáveis.

Foi neste contexto que a Planet A Foods começou a desenvolver uma alternativa. A ChoViva não usa um único grão de cacau. Em vez disso, recorre sobretudo a sementes de girassol, submetidas a processos de fermentação, torrefação e transformação que procuram replicar os aromas do chocolate tradicional.

Sara Marquart explica que grande parte do sabor associado ao chocolate não vem diretamente do grão de cacau, mas do processamento. Segundo a investigadora, cerca de 80% dos aromas e compostos de sabor do cacau resultam de etapas como a fermentação, a torrefação e a conchagem, o processo lento em que os ingredientes são misturados até atingir textura e sabor característicos. 

A lógica da ChoViva é aplicar esse conhecimento a outras matérias-primas. Se o sabor depende sobretudo do processamento, então as sementes de girassol podem servir de base para criar uma experiência semelhante à do chocolate, mas com cadeias de abastecimento mais curtas e ingredientes de origem europeia.

A ‘Euronews’ relata mesmo uma prova cega em que a repórter não conseguiu distinguir uma tablete de chocolate de leite tradicional de uma tablete de ChoViva. No laboratório da empresa, em Munique, o responsável pelo desenvolvimento de produto, Lukas Göldner, mostra como os ingredientes são moídos, laminados, liquefeitos e temperados até obterem brilho, textura crocante e capacidade de derreter na boca.

A start-up foi fundada em 2021 e reúne investigadores e profissionais da indústria alimentar de 18 países. A matéria-prima da ChoViva é produzida em Pilsen, na Chéquia, e depois fornecida a fabricantes de confeitaria em vários mercados europeus. A empresa afirma produzir atualmente 10.000 toneladas por ano.

A promessa ambiental é uma das principais apostas. Segundo os dados apresentados pela Planet A Foods, a ChoViva tem uma pegada de carbono 73,6% inferior à do cacau. Na versão de leite, a pegada climática é de 2,8 kg de CO2e por quilo, contra 10,6 kg de CO2e por quilo no chocolate tradicional.

A empresa estima ainda que, se todos os consumidores na Alemanha substituíssem o chocolate por ChoViva, tendo em conta um consumo médio anual de 9,2 quilos por pessoa, seria possível poupar até 72 quilos de CO2 por pessoa por ano. A redução total poderia chegar a cerca de 6,02 mil milhões de quilos de CO2 apenas no mercado alemão.

A crise do cacau acabou por acelerar o interesse da indústria. Sara Marquart recorda que, quando a empresa começou, muitos no setor ridicularizaram a ideia de fazer chocolate sem cacau. Mas a crise de 2023, 2024 e 2025 mudou o tom da conversa. Com o preço do cacau a duplicar, triplicar ou mesmo quadruplicar em alguns momentos, uma alternativa mais barata tornou-se muito mais difícil de ignorar.

O impacto já chegou a fabricantes tradicionais. Em França, a Abtey Chocolaterie, empresa familiar da Alsácia com cerca de 80 anos de história, foi a primeira do país a integrar parte da produção com ChoViva. A proprietária e diretora-geral, Anne-Catherine Wagner-Abtey, conta que a empresa trabalhou durante nove meses com a Planet A Foods para adaptar a fluidez do novo ingrediente às máquinas já existentes.

A decisão foi arriscada, mas acabou por abrir novos mercados. A chocolateria, que tradicionalmente concentrava a produção no Natal e na Páscoa, passou a trabalhar de forma mais contínua ao longo do ano. O volume de negócios anual subiu para 21 milhões de euros e a empresa exporta atualmente para 47 países.

Ainda assim, a ChoViva não pretende necessariamente substituir todo o chocolate tradicional. A própria Abtey garante que continuará a produzir as receitas de chocolate do avô da atual proprietária. O objetivo passa antes por encontrar alternativas que façam sentido num mercado pressionado por preços altos, escassez de matéria-prima e exigências ambientais crescentes.

Para a Planet A Foods, a ambição é tornar o chocolate “à prova de futuro”, usando ingredientes regionais e cadeias de produção mais próximas. Sara Marquart resume a visão da empresa de forma simples: garantir que as próximas gerações continuam a poder comer chocolate, mesmo num mundo em que o cacau pode tornar-se cada vez mais caro, escasso e vulnerável.

Fonte: Executive Digest