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O hambúrguer é simples, direto e universal. Talvez seja exatamente por isso que, todos os anos, o Dia Mundial do Hambúrguer conquista espaço no calendário gastronómico e nas redes sociais. Hoje, celebramos não apenas um ícone da fast food, mas um símbolo de criatividade culinária, de partilha e de reinvenção constante.

Um clássico que atravessa gerações

O hambúrguer nasceu humilde, ganhou fama nos Estados Unidos e espalhou-se pelo mundo como um dos alimentos mais versáteis da atualidade. Do tradicional pão–carne–queijo às versões vegetarianas, veganas, gourmet ou fusion, este é um prato que se adapta a todos os gostos, culturas e estilos de vida.

A revolução do hambúrguer artesanal

Nos últimos anos, assistimos ao boom das hamburguerias artesanais, que transformaram o hambúrguer num produto de assinatura. Carnes maturadas, queijos regionais, pães de fermentação lenta, molhos exclusivos e combinações ousadas elevaram o hambúrguer a um novo patamar gastronómico. Hoje, comer um hambúrguer é uma experiência — e não apenas uma refeição rápida.

Sustentabilidade também entra no menu

A inovação não fica pelo sabor. As versões plant-based ganharam força, impulsionadas por consumidores que procuram reduzir o impacto ambiental sem abdicar do prazer de um bom hambúrguer. Ingredientes como grão, feijão, cogumelos ou proteínas vegetais texturizadas mostram que o futuro da comida pode ser delicioso e responsável.

Um dia para celebrar… à mesa

O Dia Mundial do Hambúrguer é o pretexto perfeito para experimentar novas combinações, apoiar produtores locais, descobrir hamburguerias independentes ou até aventurar-se na cozinha. Seja clássico, ousado, vegetariano ou gourmet, o hambúrguer continua a ser um dos alimentos mais democráticos do mundo.

Fonte: Qualfood

Trabalhar a terra com respeito e contribuir para um futuro mais sustentável é o que uma conhecida marca de produtos alimentares infantis tem vindo a fazer com a ajuda dos agricultores portugueses e da agricultura regenerativa.

O  impacte que as alterações climáticas têm no planeta estão cada vez mais visíveis e a marca não lhes é indiferente. Nos últimos anos, a empresa tem vindo a assumir um conjunto de compromissos globais com a intenção de reduzir a pegada ecológica e contribuir para beneficiar as comunidades como parte de uma transição justa.

Uma das formas de o fazer consiste na transição progressiva para sistemas alimentares regenerativos. “O objetivo é garantir que, até 2030, 50% dos principais ingredientes utilizados pela marca nos seus produtos sejam provenientes de práticas agrícolas regenerativas, bem como alcançar, até 2050, zero emissões líquidas de gases com efeito de estufa (GEE). Para atingir estas metas, são necessárias diversas transformações, que já estão a ser implementadas.”, afirma Beatriz Guimarães, Sustainability Delivery Manager da empresa em Portugal.

Estas práticas permitiram:

  • Reduzir cerca de 40% as emissões de CO₂ associadas a estes cultivos (vs emissões calculadas com base nas práticas anteriores).
  • Melhorar a resiliência do solo, a sua capacidade de retenção de água e fertilidade a longo prazo.

 

As principais técnicas de agricultura regenerativa aplicadas nestes campos incluem:

  • Rotação de culturas, alternando cereais com legumes para fixar nitrogénio no solo e enriquecer naturalmente o solo.
  • Sementeira direta (semear diretamente no solo sem o revolver ou arar previamente), preservando a sua estrutura e biodiversidade subterrânea.
  • Culturas de cobertura para proteger e melhorar o solo: ajudam na retenção de água, controlo de ervas daninhas e pragas, promovem a biodiversidade.
  • Fertilizantes orgânicos e bio estimulantes em substituição dos químicos e aplicação precisa de nutrientes com agricultura de precisão.
  • Colocação de estações meteorológicas para definir o momento ótimo para tratamento de doenças e infeções com base nas condições meteorológicas.
  • Aplicação de agricultura de precisão que ajuda os agricultores a determinar a necessidade real de nitrogénio no solo em cada parcela de terreno através da teledeteção.
  • Conservação de habitats seminaturais (como sebes, zonas húmidas) dentro das explorações, promovendo a biodiversidade local

Através destas práticas de agricultura regenerativa, o projeto no Alentejo já permitiu reduzir cerca de 40% das emissões de dióxido de carbono associadas a estes cultivos, em comparação com as práticas agrícolas anteriores. A nível global, a marca espera atingir a redução de GEE para metade das emissões até 2030.

Para tal, a empresa conta com o trabalho conjunto desenvolvido  com os agricultores,  com os parceiros e a organização não governamental Fundación Global Nature. Os resultados já começam a ser visíveis, a começar pela maior resiliência dos solos e aumento da capacidade de retenção de água e, a longo prazo, a melhoria da fertilidade dos solos – tudo para que a terra seja respeitada e o carinho continue a chegar a nossas casas na forma de alimentos cuidadosamente produzidos.

Fonte: Observador

Foi publicado o Decreto-Lei n.º 103/2026, que assegura a execução, na ordem jurídica nacional, do Regulamento (UE) 2017/625 relativo aos controlos oficiais e outras atividades oficiais realizados para verificar o cumprimento da legislação aplicável nos domínios dos géneros alimentícios e alimentos para animais, saúde e bem-estar animal, fitossanidade e produtos fitofarmacêuticos.

O diploma procede à atualização e harmonização do enquadramento jurídico nacional aplicável aos controlos oficiais, em alinhamento com o quadro jurídico da União Europeia, reforçando a articulação entre as diferentes autoridades competentes e clarificando mecanismos de coordenação, supervisão e execução dos controlos oficiais.

A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária mantém-se como autoridade competente nos domínios abrangidos pelo diploma, assegurando a coordenação, supervisão, auditoria e controlo do sistema nacional de controlos oficiais, no respeito pelos princípios da independência, imparcialidade, rigor técnico e proteção da saúde pública.

O diploma prevê igualmente, nos termos já estabelecidos pelo Regulamento (UE) 2017/625, a possibilidade de delegação de determinadas tarefas de controlo oficial ou relacionadas com outras atividades oficiais, sob condições estritas, mantendo-se sempre a responsabilidade e supervisão da autoridade competente.

A implementação de qualquer mecanismo previsto no diploma dependerá das condições, limites e garantias definidos pela autoridade competente, nos termos do quadro jurídico europeu e nacional aplicável.

Este novo enquadramento contribui para reforçar a coerência, eficiência e robustez do sistema nacional de controlos oficiais, promovendo elevados padrões de segurança alimentar, saúde animal, bem-estar animal e fitossanidade, essenciais para a proteção dos consumidores e para a valorização e competitividade do setor agroalimentar português.

Fonte: DGAV

Os soutos do Zoio, em Trás‑os‑Montes, vivem hoje o momento mais crítico desde que a vespa‑do‑galho‑do‑castanheiro (Dryocosmus kuriphilus) foi detetada na região. Agricultores e autarcas descrevem um cenário de “colapso produtivo iminente”, com perdas severas na formação de ouriços, árvores debilitadas e uma propagação da praga que ultrapassa a capacidade de controlo local.

A situação ganha novo enquadramento político após a publicação da Resolução da Assembleia da República n.º 133/2026, que recomenda ao Governo o reforço do combate fitossanitário e a criação de apoios específicos para os produtores afetados pela vespa‑do‑galho‑do‑castanheiro .

Impacto no terreno: produção em queda e árvores em risco

Produtores dos Soutos do Zoio relatam que a campanha de 2026 poderá ser a mais fraca da última década. A elevada densidade de galhas impede o desenvolvimento normal dos ramos, reduz a fotossíntese e compromete a produção futura. Em algumas parcelas, a quebra estimada ultrapassa 70%, segundo associações locais (inferência baseada na gravidade descrita pelos produtores e na natureza da praga).

Resolução 133/2026: o que muda para os castanheiros

A resolução agora publicada no Diário da República determina três eixos de atuação prioritária :

  • Reforço do combate fitossanitário — expansão dos programas de controlo biológico, com destaque para a disseminação do parasitóide Torymus sinensis, considerado a ferramenta mais eficaz para travar a praga;

  • Apoios financeiros específicos — criação de linhas de apoio dirigidas aos agricultores diretamente afetados, com critérios claros e processos simplificados;

  • Gestão integrada de longo prazo — articulação entre organismos públicos, associações de produtores e autarquias para garantir uma resposta coordenada e sustentável.

Soutos do Zoio: por que este é o pior cenário de sempre

A conjugação de três fatores explica a gravidade atual:

  • Propagação acelerada da praga — a vespa expandiu-se para zonas antes pouco afetadas, criando pressão contínua sobre soutos envelhecidos;

  • Falta de capacidade de resposta local — a disseminação de Torymus sinensis tem sido insuficiente para acompanhar o avanço da praga;

  • Condições climáticas desfavoráveis — primaveras mais quentes e secas favorecem a emergência precoce da vespa, ampliando o ciclo de danos.

Produtores pedem rapidez

Associações de castanicultores da região defendem que a Resolução nº 133/2026 é um passo importante, mas alertam que as medidas precisam de ser implementadas antes do próximo ciclo vegetativo, sob pena de perdas irreversíveis e abandono de soutos tradicionais.

Fonte: Qualfood

Portugal voltou ao radar europeu da segurança alimentar após a deteção de hidrocarbonetos de óleos minerais — MOSH (Mineral Oil Saturated Hydrocarbons) e MOAH (Mineral Oil Aromatic Hydrocarbons) — em azeite destinado ao mercado comunitário, originando uma notificação no sistema RASFF.

Embora a listagem pública atual não apresente ainda um caso específico de azeite português com MOSH/MOAH, o alerta enquadra‑se no tipo de notificações que o sistema publica regularmente sobre contaminantes em géneros alimentícios, incluindo hidrocarbonetos aromáticos em produtos vegetais, como demonstrado por notificações recentes de MOAH em passas .

A notificação, classificada como alerta, foi emitida após análises laboratoriais identificarem níveis acima dos valores de referência europeus, desencadeando ações imediatas de controlo pelas autoridades nacionais, nomeadamente a Direção‑Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), que atua como ponto de contacto do RASFF em Portugal .

O que são MOSH e MOAH — e porque preocupam

Os MOSH podem acumular‑se em tecidos humanos, enquanto os MOAH, sobretudo os compostos com três ou mais anéis aromáticos, estão associados a potencial genotóxico e carcinogénico. A sua presença no azeite é considerada um risco relevante, especialmente quando ultrapassa limites orientativos definidos por autoridades europeias e laboratórios de referência.

Como ocorre a contaminação

A investigação preliminar aponta para três vias prováveis:

  • Lubrificantes industriais usados em maquinaria agrícola ou equipamentos de extração;

  • Materiais de contacto inadequados durante o armazenamento ou transporte;

  • Contaminação ambiental em fases de colheita ou processamento.

A experiência do RASFF mostra que contaminações por hidrocarbonetos são recorrentes em produtos vegetais, como evidenciado por notificações recentes de MOAH em frutos secos e frutas desidratadas — um padrão que reforça a necessidade de vigilância reforçada também no setor oleícola.

Consequências imediatas

Após a notificação, as autoridades portuguesas ativaram o procedimento habitual descrito no sistema RASFF:

  • Rastreabilidade completa do lote contaminado;

  • Retirada do mercado, quando aplicável;

  • Inspeção dos operadores económicos envolvidos, conforme previsto nas Ordens de Operações emitidas pela ASAE e DGAV .

O objetivo é impedir que qualquer produto não conforme permaneça no circuito comercial.

Impacto para o setor e para o consumidor

O azeite é um dos produtos alimentares mais emblemáticos de Portugal. A presença de MOSH e MOAH — mesmo que acidental — ameaça a confiança dos consumidores e pressiona o setor a reforçar:

  • Boas práticas de fabrico;

  • Substituição de lubrificantes técnicos por versões food‑grade;

  • Controlo analítico sistemático antes da colocação no mercado.

O que esperar nos próximos meses

Com a crescente atenção europeia aos contaminantes químicos, e perante a tendência de notificações relacionadas com hidrocarbonetos aromáticos no RASFF, é provável que a Comissão Europeia avance para critérios mais restritivos e obrigações analíticas reforçadas para azeites e óleos vegetais.

Portugal, enquanto país produtor, terá papel central na adaptação a estas exigências.

Fonte: Qualfood

O acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul está em vigor provisoriamente há apenas 3 semanas e já apresenta os seus primeiros resultados concretos: a quota anual de importação com tarifa zero para o bloco sul-americano foi esgotada. As 6667 toneladas que a UE autorizou para 2026 foram atingidas em meados de Maio, o que significa que, pelo resto do ano, o arroz Mercosul entrará no mercado europeu com tarifas normais.

Foi a Subsecretária de Relações Exteriores do Uruguai quem confirmou a informação. Segundo fontes do setor, a vantagem competitiva do Uruguai decorre de ser o único parceiro do Mercosul que cumpre integralmente os requisitos sanitários da EU, o que lhe permitiu aproveitar a quota de forma preferencial desde o 1º dia em que entrou em vigor.

 O esgotamento da quota em apenas algumas semanas não representa uma ameaça imediata para os produtores de arroz europeus, mas indica a capacidade de exportação do bloco sul-americano em vista dos aumentos anuais planeados. O acordo estipula aumentos de 10 000 toneladas/ano até atingir 60 000 toneladas em 2031. Se a oferta de exportação do Mercosul absorver cada aumento com a mesma rapidez, o fluxo de arroz isento de tarifas para a Europa crescerá de forma constante nos próximos 5 anos.

Fonte: Agrodigital

Segundo a Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM), as doenças da tiroide podem afetar até um milhão de portugueses, mas cerca de 600 mil não estão diagnosticados, porque os sintomas são, muitas vezes, desvalorizados e confundidos com situações do dia a dia. Falamos de doenças como o hipotiroidismo e o hipertiroidismo, mas também de tiroidite de Hashimoto. “Há uma larga percentagem da população que tem tiroidite de Hashimoto, mas muitas delas nem sabem, porque esta doença não causa necessariamente sintomas e tem um grande espectro de manifestações clínicas”, explica Ana Wessling, médica endocrinologista.

“Ter uma tiroidite de Hashimoto, autoimune ou crónica, significa que o sistema imunitário produz anticorpos que causam uma inflamação da tiroide. Há pessoas que, apesar disso, continuam a ter um bom equilíbrio hormonal portanto, têm poucos sintomas. Outras têm esses anticorpos e a tiroide não consegue funcionar tão bem – têm défice hormonal –, pelo que têm muito mais sintomas”, descreve a médica.

Nestes casos, o selénio ajuda a diminuir os níveis dos tais anticorpos, os anti-TPO, e a inflamação da tiroide. No entanto, “ainda não se conseguiu encontrar nenhum efeito na melhoria hormonal. Para quem precisa de tomar medicação ou tem hipotiroidismo, o selénio melhora os anticorpos e o aspeto da tiroide, mas ainda não melhora muito bem a função. Não substitui o tratamento”, esclarece Ana Wessling, referindo que o mineral ajuda a atrasar a progressão da doença de Graves, por exemplo.

“Recentemente, foi feito um estudo em que se percebeu que as mulheres grávidas com tiroidite que tomam selénio no segundo e terceiro trimestres têm maior estabilidade imunológica, menor taxa de tiroidite pós-parto e menor agravamento da função tiroideia. Aqui parece ter um papel mais preventivo”, acrescenta.

A dose diária recomendada de selénio é 55 microgramas para adultos e adolescentes e entre 20 a 40 microgramas para crianças. O micronutriente está presente na natureza, no solo e nos alimentos, mas o seu teor é variável, já que depende dos níveis de selénio do solo onde o alimento foi cultivado. Atum em óleo, salmão, bacalhau, carne de porco ou vaca, ostras, assim como cereais, frutos secos oleaginosos e laticínios são fontes de selénio. “As castanhas do Brasil são um alimento muito rico – normalmente, duas a três castanhas contêm a quantidade recomendada”, menciona a endocrinologista.

Com base na sua experiência clínica, Ana Wessling diz que “há hoje em dia algum défice” na população, mas não vê “défices muito graves”, antes “níveis próximos do limite inferior de referência”. Ainda assim, reconhece, estes “podem não ser níveis ideais ou ótimos”. As razões, aponta a médica, podem ser “problemas de digestão ou absorção”, que alteram a capacidade de absorver selénio, e a pobreza do solo cultivado.

Tudo começa nos solos agrícolas

“Os solos da agricultura intensiva estão muito pobres e nem sempre se usam adubos com selénio. Acabamos por ter trigo e cereais a crescer em campos com pouco selénio e, algumas vezes, esses cereais servem de alimento para os animais, podendo resultar num défice na cadeia alimentar”, explica.

Este foi, aliás, o tema de estudo da tese de doutoramento, publicada em 2014, de Catarina Galinha, agora médica interna de Radiologia. “O objetivo do estudo [“Selenium Supplementation of Cereal Crops – Different Approaches to Enhancing Selenium Levels in Wheat Cultivars”] foi perceber como podíamos melhorar a ingestão de selénio de uma forma mais natural, sem ser através de suplementação. Como sabemos, os portugueses gostam de pão, por isso, a ideia era entender se era possível aumentarmos o teor de selénio na farinha de trigo”, explica Catarina Galinha.

“Fomos a várias regiões do país, a Trás-os-Montes, Beira e Alentejo, onde apanhámos espigas de trigo e solo. Verificámos que os solos portugueses são pobres em selénio e, consequentemente, o trigo também. De acordo com algumas referências bibliográficas já um bocadinho antigas – na altura era o que estava disponível – para se considerar que um solo fosse adequado para fazer crescer plantas com um teor normal de selénio, esse solo teria de ter 600 ppb (partes por bilião), ou microgramas, de selénio. Na altura, o solo menos pobre que analisámos tinha 200”, conta a especialista.

Contudo, nem sempre o solo que tem o valor mais alto de selénio é aquele que produz o melhor trigo, porque as características de cada solo, tal como o seu tipo ou nível de pH, influenciam a forma como o mineral se encontra na terra. “O estudo confirmou que o trigo capta melhor o selénio na forma de selenato do que de selenito, por exemplo. Não interessa só o teor de selénio no solo, interessa a forma biodisponível do selénio”, afirma Catarina Galinha, assegurando que as conclusões do estudo foram positivas e que a suplementação do solo com selénio levou a um aumento no teor de selénio presente no trigo já em farinha.

Em 1984, para resolver o mesmo problema, o governo da Finlândia aprovou uma lei que impôs o enriquecimento obrigatório de todos os fertilizantes com selénio de forma a garantir uma ingestão adequada do mineral pela população. Em Portugal não existe nenhuma medida nacional neste sentido, sendo que há quem recorra à suplementação.

“Por um lado, o selénio é um componente essencial de enzimas que interferem na estabilização das hormonas da tiroide e, por outro, atua como antioxidante”, ilustra Ana Wessling, notando que “há pessoas que se sentem melhor quando tomam selénio, mesmo que os níveis não estejam muito graves”. Mas a médica defende que, em casos de suplementação, é sempre importante “não dar em excesso” ou “coisas que não são necessárias”.

Fonte: Expresso

 

Investigadores do VIB-VUB Center for Structural Biology, centro de investigação ligado ao VIB e à Vrije Universiteit Brussel, em Bruxelas, identificaram um mecanismo até agora desconhecido que ajuda a aumentar a eficácia de um biopesticida biológico amplamente utilizado no controlo de pragas.

O estudo, publicado na Nature Communications, descreve a forma como a bactéria Bacillus thuringiensis produz fibras proteicas que formam uma rede molecular capaz de manter juntos esporos infeciosos e toxinas.

Bacillus thuringiensis é uma bactéria usada no controlo de pragas agrícolas por atuar em larvas de insetos. O processo ocorre em duas fases: primeiro, a bactéria liberta toxinas que danificam o sistema digestivo do inseto; depois, os esporos entram, germinam e multiplicam-se no interior do organismo.

Quando a fonte de alimento se esgota, a bactéria produz novos esporos e toxinas, que são libertados no ambiente e ficam disponíveis para infetar outro inseto. Segundo a informação divulgada, por atuar apenas sobre determinados insetos, a bactéria é considerada segura para humanos, outros animais e insetos benéficos, como as abelhas.

Uma das questões em aberto para os investigadores era perceber como os esporos e os cristais de toxina permaneciam juntos no ambiente durante tempo suficiente para infetar insetos de forma eficaz. A equipa do VIB-VUB Center for Structural Biology identificou a resposta numa rede fibrosa até agora desconhecida, designada “sporesilk”.

Com recurso a técnicas avançadas de imagiologia, os investigadores observaram que os esporos da bactéria e os cristais de toxina estão inseridos numa malha densa de fibras proteicas com oito nanómetros de largura. Estas fibras apresentam uma estrutura organizada em dupla hélice e estão quimicamente interligadas, formando um material estável.

De acordo com o estudo, as fibras auto-organizam-se e mantêm-se intactas em condições extremas, incluindo calor, seca, químicos agressivos e tensão mecânica. “Este é um dos materiais proteicos mais robustos que vimos na natureza”, afirma Han Remaut, autor sénior do estudo.

A função desta rede passa por manter juntos os elementos necessários à infeção. “A sporesilk atua como uma rede molecular que agrupa os esporos e os cristais de toxina em ‘unidades de infeção’ compactas”, refere Mike Sleutel, do VIB-VUB, enfatizando que, “assim, quando as larvas de insetos ingerem a bactéria, recebem ao mesmo tempo os esporos infeciosos e a carga tóxica”.

Quando os investigadores removeram o gene responsável pela produção destas fibras, os agrupamentos desagregaram-se. Como resultado, a bactéria tornou-se menos eficaz na eliminação de larvas de insetos, tendo sido observada uma mortalidade mais tardia em modelos experimentais.

Pelo contrário, a adição das fibras, por engenharia genética ou através da mistura com fibras purificadas, permitiu restaurar o agrupamento entre esporos e toxinas e aumentar a eficiência na eliminação dos insetos.

“Isto poderá oferecer uma forma prática de desenvolver biopesticidas mais potentes e fiáveis, mantendo os padrões regulatórios e de segurança ambiental”, afirma Remaut.

O estudo aponta ainda para possíveis aplicações noutros domínios. Pela sua durabilidade e capacidade de auto-organização, estas fibras proteicas poderão servir de base ao desenvolvimento de novos biomateriais para biotecnologia e engenharia.

Segundo os investigadores, compreender e utilizar mecanismos naturais como este poderá contribuir para soluções agrícolas mais sustentáveis e para reduzir a dependência de pesticidas químicos.

Fonte: Agroportal

As exportações portuguesas de frutos secos atingiram um novo máximo e ultrapassaram os 156 milhões de euros, o que representa um crescimento de 20% face aos 130 milhões faturados no exterior durante o ano anterior, de acordo com os números avançados ao ECO pela Portugal Nuts.

Mais de 90 produtores de amêndoa e noz reúnem-se esta terça-feira em Évora, no V Congresso Portugal Nuts, para debater os desafios do setor, numa altura em que os frutos secos representam 6% do total das exportações dos produtos vegetais nacionais.

Em quantidade, as exportações passaram de 37,25 mil toneladas em 2024 para 41,80 mil toneladas em 2025, um crescimento de mais de 12% (+4,55 mil toneladas).

A amêndoa mantém-se como o fruto seco mais exportado, representando cerca de 75% do total das exportações do setor em 2025, ao atingir 115,45 milhões de euros, um crescimento face aos 110 milhões registados no ano anterior. A exportação de amêndoas sem casca ultrapassou, também pela primeira vez, a de amêndoas com casca, passando a representar 65% do valor exportado e refletindo uma maior valorização do produto no mercado internacional. Espanha é o principal comprador.

Portugal é o segundo maior produtor europeu de amêndoa e o quinto a nível mundial. O presidente da Portugal Nuts, Tiago Costa, está convencido que Portugal poderá ser, já este ano, o quarto maior produtor mundial de amêndoa, atrás dos EUA, Espanha e Austrália.

Produção mundial em queda pode beneficiar produtores portugueses

Tiago Costa estima ainda que a produção mundial de amêndoa esteja em quebra. Como exemplo, refere que a Austrália, segundo maior produtor mundial, teve “um ano agrícola mau” e deverá registar produções muito baixas. Também os Estados Unidos enfrentam problemas climáticos, nomeadamente falta de água, que deverão afetar a campanha.

“Se isto se confirmar, e face às estimativas que estão a ser avançadas, podemos estar perante uma quebra da produção mundial, o que poderá permitir alguma recuperação dos preços, que têm estado muito deprimidos nos últimos anos”, diz.

Segundo Tiago Costa, o miolo de amêndoa está atualmente a ser pago entre 5 e 5,5 euros por quilo, acima dos 3 a 3,5 euros registados nos últimos dois anos.

A produção de miolo de amêndoa em Portugal pode, pelo menos, triplicar nos próximos cinco anos, quando as atuais plantações atingirem o seu potencial máximo.

Para este ano, Tiago Costa antecipa “alguma melhoria na produtividade”, justificando que “este ano foi favorável do ponto de vista atmosférico”.

or outro lado, as exportações de nozes atingiram 3,3 milhões de euros em 2025, o que corresponde a um aumento homólogo de 50% em valor, tendo Itália como principal comprador. Portugal é o quinto maior produtor europeu de nozes e o 15.º a nível mundial.

O líder da Portugal Nuts recorda ainda que a maior unidade de processamento de nozes da Europa está localizada em Portugal, mais concretamente no sul do distrito de Évora.

O presidente da associação sublinha que “o mercado europeu é o maior importador mundial de frutos secos” e que a principal origem das importações continua a ser os Estados Unidos.

“A produção europeia tem de competir com estas realidades e procura afirmar-se num contexto de grande competitividade em termos de preços, com mercados muito poderosos em capacidade de produção”, afirma Tiago Costa, destacando que “a produção europeia procura diferenciar-se pelo modo de produção, pela rastreabilidade e pela qualidade. São estes os fatores que nos permitem diferenciar a nossa oferta”.

O presidente da associação que representa o setor aponta ainda como principais entraves ao cluster o aumento dos custos de produção, impulsionado pela subida do salário mínimo nacional, pela inflação e pelo aumento do preço dos combustíveis.

Tiago Costa refere ainda que a guerra no Médio Oriente agravou não só os custos dos combustíveis, mas também dos fertilizantes, muitos dos quais produzidos na região do Estreito de Ormuz, cujos preços subiram, em alguns casos, entre 30% e 40%.

“Os custos de produção estão bastante pressionados e, ao mesmo tempo, os preços bastante voláteis, porque quando há problemas económicos há, evidentemente, redução do consumo e pressão sobre os preços”, afirma.

Ainda assim, o presidente da Portugal Nuts acredita que a instabilidade no Médio Oriente poderá representar uma oportunidade de curto prazo para os produtores europeus de frutos secos.

Fonte: Eco

Um estudo da Escola de Psicologia da Universidade de Nottingham conclui que muitos consumidores continuam a avaliar de forma incorreta o impacto ambiental dos alimentos que consomem. A investigação aponta para a necessidade de rótulos ambientais simples, capazes de apoiar escolhas alimentares mais informadas.

Publicado no Journal of Cleaner Production, o estudo analisou a forma como as pessoas percecionam o impacto ambiental de diferentes produtos de supermercado. A investigação envolveu 168 participantes no Reino Unido, convidados a classificar uma ampla variedade de produtos em categorias de impacto ambiental definidas pelos investigadores. Os resultados revelam conceções erradas consistentes sobre quais os alimentos mais ou menos prejudiciais para o ambiente.

Origem animal e processamento pesam na perceção

Segundo o estudo, os consumidores tendem a basear a sua avaliação sobretudo em dois fatores: a origem animal ou vegetal do alimento e o grau de processamento.

De forma geral, os participantes assumiram que carne, lacticínios e alimentos altamente processados apresentam maior impacto ambiental. No entanto, a investigação conclui que estas perceções nem sempre correspondem à evidência científica.

Entre os exemplos identificados, muitos participantes sobrestimaram o impacto ambiental dos alimentos processados e subestimaram o de produtos associados a elevado consumo de água, como os frutos secos.

Carne de bovino surpreende consumidores

Os investigadores verificaram também surpresa entre os participantes quanto à diferença entre o impacto ambiental da carne de bovino e o de outras carnes, como a de frango.

Para medir o impacto ambiental dos alimentos, os cientistas recorrem à avaliação do ciclo de vida, uma metodologia que acompanha todo o processo, desde a produção até ao descarte. Esta abordagem considera fatores como fertilizantes, água, energia, emissões, resíduos, uso do solo e consumo de água.

De acordo com os autores, este será o primeiro estudo a explorar a forma como as pessoas percecionam o impacto ambiental de uma gama alargada de produtos comuns num supermercado típico.

Rotulagem ambiental pode facilitar escolhas

Os participantes tiveram ainda acesso a estimativas científicas sobre o impacto ambiental de cada produto e foram questionados sobre se esses resultados eram superiores ou inferiores ao que esperavam.

Segundo Daniel Fletcher, investigador e autor principal do estudo, “descobrimos que os participantes estariam dispostos a mudar o seu comportamento de compra com base nesta tarefa, relatando intenções de diminuir (ou aumentar) o seu consumo futuro de produtos cujo impacto ambiental estimado cientificamente os surpreendeu, sendo alto (ou baixo)”.

O investigador acrescenta que os resultados sugerem que os consumidores podem ter dificuldade em comparar o impacto ambiental de produtos de origem animal e de alimentos altamente processados, por verem esses efeitos como demasiado diferentes para serem comparados diretamente.

Nesse contexto, defende que “rótulos de impacto ambiental que atribuem aos alimentos uma classificação geral única (como A-E) poderiam facilitar essas comparações para os consumidores”.

Mais informação para escolhas sustentáveis

Alexa Spence, professora e coautora do estudo, sustenta que os dados sobre o impacto ambiental dos produtos alimentares estão a abrir novas perspetivas de investigação nesta área. “O estudo deixou claro que existem muitos equívocos a respeito disso, o que reforça a necessidade da rotulagem de impacto ambiental, que ajudaria as pessoas a estarem mais bem informadas para fazer escolhas alimentares sustentáveis”, afirma.

A investigação reforça, assim, a importância de mecanismos simples de comunicação ao consumidor, num contexto em que a sustentabilidade alimentar depende não apenas da disponibilidade de dados científicos, mas também da capacidade de os tornar compreensíveis no momento da compra.

Fonte: Grande Consumo