A Arpanon Beverage reduziu em cerca de 30 % o peso da garrafa PET de 600 ml da marca de água SENDAI, que passou a pesar nove gramas. Desenvolvida em conjunto com a Sidel, a nova embalagem é produzida numa linha com capacidade para 36 mil garrafas por hora, com uma redução de 50 % no consumo de eletricidade por unidade.
O desenvolvimento teve como objetivo reduzir a quantidade de material utilizado sem comprometer a resistência necessária durante o enchimento, manuseamento e distribuição. A solução resultou numa garrafa PET com gargalo 25/22, desenvolvida sem recurso a azoto e capaz de suportar uma carga vertical superior a 30 kg.
“O nosso objetivo era criar uma garrafa que reduzisse a utilização de material, mantendo o desempenho necessário para uma produção e distribuição eficientes”, afirma Pavares Kiatsuarpanon, diretor-geral da Arpanon. Segundo o responsável, o desenho final permitiu combinar redução de peso, resistência e eficiência operacional.
A redução de aproximadamente 30 % no peso da embalagem resultou de um processo que abrangeu o desenho da pré-forma, o desenvolvimento da garrafa e a otimização da linha de produção.
Produção duplica com menor consumo
A linha Combi instalada pela Sidel integra as operações de sopro, enchimento e colocação de tampas num único sistema e tem capacidade para produzir 36 mil garrafas por hora. A adaptação conjunta da embalagem e do processo permitiu à Arpanon duplicar a produção utilizando 25 % da mão de obra anteriormente necessária.
A pressão de sopro foi reduzida em cerca de um terço e o consumo de eletricidade por unidade diminuiu 50 %. O tempo de produção registou ainda uma redução de aproximadamente 70 %.
A combinação entre a redução do peso da garrafa e a otimização do processo permitiu também diminuir os resíduos para um quinto do nível anterior, segundo os dados divulgados pela Sidel.
“Alcançar uma garrafa de nove gramas com a resistência à carga vertical necessária exigiu uma otimização cuidadosa em todas as fases do desenvolvimento”, acrescenta Pavares Kiatsuarpanon. Segundo o responsável, a combinação entre o desenvolvimento da embalagem e a engenharia da linha permitiu criar uma solução que responde aos objetivos de redução de peso e assegura uma produção eficiente à escala industrial.
Fonte: TecnoAlimentar
Na quinta de São José, em São Pedro de Merelim, no município de Braga, o edifício do Banco Português de Germoplasma Vegetal (BPGV) é discreto e indistinto. Por fora, nada o diferencia de outras instituições públicas. O seu interior, porém, conserva uma das mais valiosas coleções de espécies cultivadas do mundo, sendo o único lugar do país onde se preserva toda a história da agricultura portuguesa.
Mais de 150 espécies e 90 géneros de cereais, plantas aromáticas e medicinais, fibras, forragens, pastagens e culturas hortícolas estão aqui documentados, assegurando a variedade biológica e a produção agrícola sustentável, no presente e no futuro.
Uma missão vital para a biodiversidade agrícola
O BPGV foi criado em 1977 e está sob a responsabilidade do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), tutelado pelo Ministério da Agricultura. A sua missão passa por recolher, conservar, caracterizar, documentar e valorizar recursos genéticos, preservando espécies autóctones e contribuindo para políticas de proteção da biodiversidade.
Trata-se de uma das maiores infraestruturas de conservação de recursos genéticos do mundo. Distribuído por dois andares e 1 900 metros quadrados, o banco integra quatro câmaras de conservação e duas de conservação in vitro.
No total, reúne 44 752 acessos, abrangendo 255 espécies e 143 géneros de plantas cultivadas, silvestres e seus parentes próximos, conservados sob a forma de sementes e propagação vegetativa.
É também aqui que se encontra a maior coleção de milho do mundo. O BPGV integra ainda o grupo restrito de cerca de 170 bancos com mais de 10 mil variedades conservadas, posicionando-se entre os 10% mais relevantes a nível global.
As coleções resultam de missões de colheita realizadas junto dos agricultores ou na natureza. Mas é nos laboratórios do edifício que ocorre todo o processo de conservação das sementes e das plantas.
Os grãos, depois de recolhidos, são selecionados a dedo. A peneira manual é a única forma de descartar os embriões danificados. A triagem é minuciosa, ficando-se apenas com os melhores exemplares para aumentar as probabilidades de germinação.
Seguem-se a limpeza e a análise da humidade das sementes, que determinarão o tempo de seca necessário para garantir a conservação. Essas são as etapas que antecedem a pesagem, o embalamento e o percurso da semente até às câmaras de frio.
Qualquer agricultor pode ter acesso a essas sementes geneticamente melhoradas. As amostras cedidas são sempre nativas da região onde vão ser cultivadas e as únicas condições exigidas são a obrigação de multiplicar a colheita e devolver ao banco igual quantidade de sementes que foram requisitadas.
A delicadeza da conservação in vitro
Para espécies que não se conservam por sementes, o percurso é diferente. O laboratório de germinação está focado no controlo de qualidade da semente. Os grãos são lavados e desinfetados e colocados em caixas nas estufas até germinarem.
As plântulas são depois conservadas in vitro em câmaras de crescimento, proporcionando as condições ideais para crescerem. Assim que atinge alguma dimensão, o meristema, tecido vegetal que permite à planta crescer, é isolado e conservado em criopreservação para assegurar a continuidade da espécie a longo prazo.
A investigação é, portanto, um dos pilares do BPGV, sendo o trabalho desenvolvido nos laboratórios e em campo reconhecido internacionalmente. Não é por acaso que o Banco Português de Germoplasma Vegetal se tornou, inclusive, um dos principais doadores da Reserva Mundial de Sementes construída no Ártico, para fazer face a eventuais catástrofes nucleares ou ambientais.
Ao longo de quase cinquenta anos, as instalações da quinta de São José desempenharam um papel crucial na manutenção da biodiversidade agrícola portuguesa. A conservação rigorosa das coleções genéticas permitiu que a diversidade de espécies cultivadas no país permanecesse intacta, assegurando o legado genético para as gerações futuras e contribuindo para a sustentabilidade da agricultura nacional.
Fonte: tempo.pt
Os viticultores vão poder receber o pagamento da uva das campanhas de 2025 e 2026 através de uma nova linha de tesouraria de 110 milhões de euros, aprovada pelo Governo para dar liquidez às cooperativas e entidades transformadoras e permitir a reestruturação de créditos anteriores.
De acordo com o comunicado de imprensa, a Linha de Tesouraria – Setor Vinícola II financia os pagamentos da uva feitos pelas cooperativas e empresas transformadoras aos viticultores e permite ainda reestruturar créditos contraídos ao abrigo do mecanismo equivalente criado em 2024. Nos empréstimos destinados ao pagamento da produção, a bonificação de juros pode chegar aos 75%.
O acesso à linha tem uma condição ligada à compra de vinho fora do país: os beneficiários não podem ter introduzido no consumo vinho proveniente de outro Estado-Membro ou de países terceiros nas campanhas vitivinícolas de 2023/2024, 2024/2025 e 2025/2026.
A medida surge num contexto de abrandamento do consumo nos mercados nacional e internacional, dificuldades de escoamento da produção e acumulação elevada de stocks que, segundo a comunicação do Governo, têm pressionado a tesouraria das empresas do setor vinícola, sobretudo das entidades transformadoras e cooperativas que adquirem a produção aos viticultores. De acordo com o Governo, pagar aos agricultores é o objetivo central desta linha.
A nova linha integra um conjunto mais amplo de medidas do Governo para o setor vinícola. Entre as já adotadas estão as novas regras de rotulagem, o reforço do controlo e da rastreabilidade com a criação de um sistema digital, o reforço da promoção internacional, a criação do Observatório da Vinha e do Vinho, o Plano de Ação para a Gestão Sustentável e Valorização do Setor Vitivinícola da Região Demarcada do Douro (2026-2032) e a instituição do Dia Nacional da Vinha e do Vinho.
Fonte: Vida Rural
Um robô humanoide capaz de executar de forma autónoma a polinização híbrida, uma das etapas mais exigentes do melhoramento de culturas, foi apresentado na China. O GEAIR 2.0 combina robótica, inteligência artificial (IA) e biotecnologia para identificar flores, deslocar-se entre as plantas e polinizar sem supervisão humana constante.
O sistema foi desenvolvido por uma equipa do Instituto de Genética e Biologia do Desenvolvimento da Academia Chinesa de Ciências e apresentado na 33.ª edição da Conferência da Indústria de Sementes de Pequim. Segundo os responsáveis pelo desenvolvimento, o robô foi concebido para operar em ambientes agrícolas complexos sem controlo humano contínuo.
Face à versão anterior, que utilizava um único braço flexível, o GEAIR 2.0 passa a trabalhar com dois braços, o que lhe permite manobrar com mais eficiência entre folhas e ramos e adaptar-se a alterações das condições dentro das plantações. A precisão no reconhecimento do estigma, o órgão reprodutor feminino da flor, subiu de 85% para 92,8%, indicam os investigadores.
Na demonstração feita em Pequim, o robô polinizou flores de tomate, com uma mão a segurar um tubo com pólen e a outra a operar uma escova de polinização. Cada polinização foi concluída em menos de 10 segundos e uma única imersão da escova no pólen foi suficiente para cerca de 50 polinizações.
A abordagem assenta também na edição genética: os investigadores criam plantas macho-estéreis com estigmas expostos, o que facilita a identificação e o acesso do robô às estruturas reprodutivas. O conceito, descrito como um “design colaborativo entre culturas e robôs”, foi detalhado num estudo publicado em 2025 na revista Cell, segundo o qual a polinização cruzada automatizada em tomate pode atingir uma eficiência comparável à dos métodos manuais. A equipa estendeu depois a abordagem à soja.
Segundo os investigadores, a automatização da polinização híbrida pode reduzir a necessidade de mão de obra, diminuir os custos de melhoramento genético e aumentar a eficiência na obtenção de híbridos, com os robôs a executar tarefas repetitivas por períodos mais longos e em condições ambientais variáveis. A polinização híbrida é fisicamente exigente e tem, em regra, de ser concluída num curto período de tempo, o que torna a automatização potencialmente útil em operações de melhoramento em larga escala.
O recurso ao melhoramento genético apoiado em IA insere-se no esforço da China para modernizar a agricultura e reforçar a produção alimentar. A produção de grãos do país atingiu um recorde de 715 milhões de toneladas em 2025 e os planos nacionais preveem elevar a capacidade total para cerca de 725 milhões de toneladas até 2030.
Concluiu-se a 20 de setembro de 2026, a campanha de monitorização no âmbito da Diretiva Quadro Estratégia Marinha (DQEM-MONIT), que permitiu recolher dados e amostras essenciais para a avaliação do estado ambiental das águas marinhas portuguesas.
A campanha oceanográfica MONIOCEAN-PP-2026 (MAR 2030) decorreu entre 8 e 20 de setembro, em toda a costa continental portuguesa, entre Caminha e Vila Real de Santo António, recolhendo amostras de sedimentos e de água, bem como de fito e zooplâncton e de fauna bentónica. Foram também obtidos dados científicos essenciais para o acompanhamento das condições do meio marinho.
A campanha decorreu no mês em que se assinalam os 130 anos da primeira campanha oceanográfica realizada em Portugal, promovida pelo Rei D. Carlos, estabelecendo uma ligação simbólica entre o início da investigação oceanográfica no país e o atual esforço de monitorização científica do oceano.
O principal objetivo da MONIOCEAN-PP-2026 foi obter informação científica atualizada e espacialmente abrangente, permitindo acompanhar a evolução do estado ambiental do meio marinho e das principais pressões associadas à atividade humana.
Os dados recolhidos constituem uma base científica importante para a avaliação do Bom Estado Ambiental (BEA) das águas marinhas portuguesas e contribuirão para a avaliação de vários descritores da Diretiva Quadro Estratégia Marinha (DQEM), nomeadamente a biodiversidade (D1), espécies não indígenas (D2), eutrofização (D5), integridade dos fundos marinhos (D6), contaminantes (D8) e lixo marinho (D10).
A monitorização realizada contribuirá ainda para o conhecimento e acompanhamento do fenómeno global da acidificação oceânica.
Com a conclusão da fase de campo, inicia-se agora o trabalho de análise laboratorial e processamento dos dados recolhidos. Os resultados desta serão fundamentais para reforçar o conhecimento científico sobre o meio marinho e apoiar a definição de políticas públicas de gestão e conservação do oceano.
Fonte: IPMA
As autoridades não conseguiram confirmar exatamente como é que cerca de 175 pessoas adoeceram com norovírus num acampamento na Bélgica, no final de agosto.
A investigação sobre o surto na Universidade de Ciências Aplicadas de Breda (BUas) envolveu o serviço regional de saúde (GGD) de West-Brabant, a Autoridade Neerlandesa para a Segurança dos Alimentos e dos Produtos de Consumo (NVWA) e a Agência Federal para a Segurança da Cadeia Alimentar (FASFC) da Bélgica.
O evento de integração organizado pela instituição de ensino superior decorreu num parque de campismo em Poppel, na Bélgica. Participaram cerca de 900 pessoas.
Os sintomas surgiram entre 27 e 28 de agosto em jovens e monitores e incluíram náuseas, dores abdominais, diarreia e vómitos. Alguns estudantes necessitaram de uma breve hospitalização. A maioria dos afetados recuperou em poucos dias.
As fezes de quatro participantes doentes foram analisadas e revelaram resultados positivos para o norovírus.
Na semana seguinte ao evento, 347 participantes responderam a um inquérito da GGD. Embora o inquérito tenha revelado que determinados alimentos foram mencionados com maior frequência por quem adoeceu, também adoeceram pessoas que não tinham consumido esses produtos, enquanto outras que os tinham consumido não adoeceram.
As investigações às empresas de catering e aos alimentos disponíveis também não encontraram indícios de falhas ou contaminação
Entre as possíveis explicações para o incidente contam-se a transmissão por parte de um ou alguns indivíduos já infetados, a contaminação de alimentos por uma pessoa infetada no acampamento de integração ou uma combinação de vários fatores.
A BUas implementou medidas adicionais de higiene e limpeza, com pessoal extra, e aumentou a frequência da limpeza.
As recomendações para eventos futuros abrangeram a higiene das mãos, a limpeza e a gestão de casos de doença em grandes grupos. É importante que as pessoas lavem bem as mãos com água e sabão, especialmente após irem à casa de banho e antes de prepararem alimentos. Quem estiver doente deve ficar em casa e limitar o contacto com pessoas vulneráveis.
Fonte: Food Safety News
Saber de onde vêm os materiais incorporados num produto, qual o seu impacto ambiental e o que lhes pode acontecer no fim de vida passa a estar à distância de um QR code em algumas das soluções desenvolvidas pela B4Logic, foi divulgado em comunicado.
Segundo a mesma fonte, a empresa, que desenvolve formulações bioplásticas a partir da incorporação de subprodutos e resíduos de diferentes setores, criou o projeto BDigi4Sus para reforçar a comunicação de informação sobre a origem, composição e percurso dos materiais utilizados nas suas formulações.
Através de conteúdos digitais associados aos produtos desenvolvidos pelos parceiros da B4Logic, os consumidores podem consultar informação sobre os materiais incorporados, o seu impacto ambiental, a história de circularidade e o respetivo fim de vida.
A informação está organizada em quatro áreas: Storytelling, Subprodutos, Impacto Ambiental e Fim de Vida. A estrutura pretende acompanhar diferentes etapas do ciclo de vida das formulações e tornar mais acessíveis conteúdos de natureza técnica.
“O projeto procurou transformar informação técnica em conhecimento acessível, permitindo que o consumidor perceba a origem dos materiais, o seu percurso e o seu impacto”, explica Gonçalo Oliveira, gestor de Produto da B4Logic. Segundo o responsável, a iniciativa pretende também reforçar a transparência na comunicação sobre as soluções desenvolvidas pela empresa.
De conchas de bivalves a resíduos de cortiça
Entre as formulações abrangidas pelo projeto estão a B4Bivalve, que incorpora conchas de moluscos bivalves provenientes de aquacultura; a B4Coffee, produzida a partir de borras de café resultantes da preparação de café expresso em cafetarias; a B4Cork, que utiliza resíduos de cortiça; e a B4Slate, que incorpora um subproduto mineral proveniente da indústria de ardósia do Norte de Portugal.
Para cada uma destas matérias-primas secundárias, a informação disponibilizada inclui dados sobre a origem e a composição química maioritária.
O projeto contempla ainda informação relativa ao impacto ambiental das formulações, nomeadamente através de uma análise de ciclo de vida cradle-to-gate, que considera a incorporação dos subprodutos.
O fim de vida é outra das dimensões disponibilizadas, permitindo consultar informação sobre o destino dos produtos desenvolvidos a partir das formulações B4Logic e o seu potencial de circularidade.
Informação acessível no produto
As diferentes formulações têm páginas digitais próprias, disponíveis no separador “Fórmulas & Processos” do website da empresa. A mesma informação pode ser acedida através de QR codes disponibilizados aos parceiros que transformam as formulações em produtos.
A tecnologia está a ser aplicada em áreas como embalagens, filmes plásticos e mobiliário. O objetivo é estabelecer uma ligação direta entre o produto final e a origem dos materiais que o compõem, permitindo ao consumidor consultar essa informação no momento em que contacta com o produto.
A estrutura digital foi concebida para poder ser aplicada a outras formulações, incluindo soluções que venham a ser desenvolvidas no futuro, acompanhando a evolução do portefólio da empresa.
Fonte: GreenSavers
Um consórcio liderado pela Wageningen University & Research vai investigar a transformação de correntes residuais de leguminosas, colza e batata em novos alimentos destinados ao consumo humano.
O projeto VASCO recebeu cerca de quatro milhões de euros de financiamento da Nederlandse Organisatie voor Wetenschappelijk Onderzoek (NWO) e vai recorrer à extração de proteínas e à fermentação para valorizar matérias-primas atualmente subaproveitadas.
O projeto Valorising agricultural crop side streams into consumer foods (VASCO) reúne universidades, instituições de ensino, empresas, organizações setoriais e entidades públicas. O objetivo é desenvolver, ao longo dos próximos seis anos, processos que permitam aproveitar correntes secundárias da indústria alimentar que atualmente são encaminhadas para alimentação animal, produção de biogás ou outras utilizações de menor valor.
Entre os exemplos identificados encontra-se o bagaço de colza resultante da extração do óleo. Este material contém cerca de 30 % de proteína, mas é atualmente utilizado sobretudo na alimentação animal e pouco aproveitado para consumo humano. O projeto vai também trabalhar com correntes provenientes de leguminosas e da transformação de batata.
Segundo Heidy den Besten, professora de Microbiologia Alimentar na Wageningen University & Research, cerca de 20 % destas correntes perdem-se devido a características como a cor ou a forma, ou a problemas de coordenação logística ao longo da cadeia.
Extração e fermentação alteram propriedades
Para transformar estas matérias-primas em alimentos, os investigadores vão utilizar, isoladamente ou em conjunto, duas tecnologias – a extração de proteínas e a fermentação. Parte da separação será realizada por processos a seco, considerados pelo projeto mais sustentáveis do que os métodos convencionais de extração por via húmida.
A fermentação recorrerá a bactérias e fungos para modificar as características das matérias-primas. Os microrganismos podem remover compostos indesejáveis, como glucosinolatos e ácido fítico, e melhorar o sabor e o aroma dos produtos finais. Algumas bactérias podem ainda produzir vitaminas normalmente associadas sobretudo a produtos de origem animal, incluindo B12 e K2, aumentando o valor nutricional dos produtos desenvolvidos.
No caso das correntes residuais de batata, os investigadores vão avaliar a possibilidade de cultivar fungos utilizando estes materiais como substrato. A biomassa fúngica rica em proteína resultante poderá depois ser utilizada como ingrediente alimentar.
Entre as aplicações previstas encontram-se ingredientes para alternativas à carne, produtos para barrar, snacks e alimentos fermentados semelhantes ao tempeh. O projeto pretende chegar a produtos próximos da entrada no mercado e, por isso, vai envolver os consumidores desde as primeiras fases de desenvolvimento.
Consórcio analisa obstáculos à comercialização
O VASCO vai também analisar os obstáculos que dificultam a comercialização de alimentos produzidos a partir destas correntes. Produtores de matérias-primas, fornecedores de ingredientes, empresas alimentares, retalhistas, investigadores e decisores políticos vão participar na identificação dos principais entraves ao longo da cadeia.
“Muitas vezes, as empresas só se atrevem a investir quando existe procura suficiente, enquanto os supermercados só incluem os produtos quando têm a certeza de que existe um fornecimento fiável”, explica Heidy den Besten.
O consórcio reúne grupos de investigação da Wageningen University & Research, outras universidades, instituições de ensino, empresas, organizações setoriais e entidades públicas. Entre os parceiros encontram-se AB Enzymes, Royal Avebe, The Protein Brewery, Unilever, Van Loon Group e Zwanenberg.
Além do desenvolvimento de novos produtos, o projeto pretende criar um modelo que possa ser aplicado a outras cadeias agroalimentares. “Se funcionar para as correntes residuais de leguminosas, colza e batata, poderá servir de exemplo para correntes de outras culturas”, afirma Den Besten.
Fonte: TecnoAlimentar
A época de migração das aves no outono aumenta de forma significativa o risco de propagação do vírus da gripe aviária.
No âmbito da Campanha da EFSA NoBirdFlu 2026, a DGAV divulga as medidas de biossegurança que podem ajudar os avicultores, os proprietários de pequenos bandos de aves domésticas e os veterinários, a reduzir o risco de transmissão da gripe aviária.
Veja o vídeo aqui.
Fonte: DGAV
Os dois países partilham uma extensa rede hídrica, mas a gestão nem sempre é consensual.
Metade da água disponível em Portugal provém de bacias hidrográficas partilhadas. Mas a maior fatia está em território espanhol - cerca de 78% situa-se em Espanha, ficando o nosso país com apenas 22%. Esta geografia promove uma desigualdade estrutural. Quem está a montante decide, enquanto quem está a jusante adapta-se.
Uma geografia com benefícios e desvantagens
Os principais rios internacionais que atravessam a Península Ibérica são o Minho, Lima, Douro, Tejo e Guadiana. Todos eles nascem e percorrem longos troços em Espanha antes de entrarem em Portugal.
O Douro nasce na serra de Urbión e percorre quase 600 quilómetros em território espanhol antes de chegar à fronteira. Só depois entra em Portugal, onde segue até ao Atlântico.
Essa configuração geográfica acaba por resultar numa dupla relação com os rios transfronteiriços. Por um lado, Portugal beneficia de volumes de água que não são gerados no seu território.
Por outro lado, depende da forma como esses recursos são geridos a montante, tanto em quantidade como em qualidade. Essa dependência tem alimentado, ao longo do tempo, uma relação diplomática, mas de desconfiança em relação aos espanhóis.
O Tejo como espelho de um conflito permanente
É no Tejo que muitas das tensões acabam por desaguar. Ao longo dos anos, Portugal tem criticado a forma como Espanha cumpre os caudais mínimos previstos. Em vez de uma libertação regular, foram frequentes os casos em que a água foi descarregada em grandes volumes concentrados no final de períodos semanais ou trimestrais.
A isto junta-se a pressão adicional de usos internos em Espanha, como o transvase Tejo-Segura, que desvia água para outras regiões. Embora Espanha defenda que cumpre os mínimos acordados, Portugal questiona se esse cumprimento é suficiente para garantir o equilíbrio ecológico dos rios.
A Convenção que regula os caudais e as falhas que persistem
Pode até parecer que a gestão dos rios corre ao sabor das correntes, mas há regras definidas desde 1998 na Convenção de Albufeira. O tratado estabelece caudais mínimos, cria mecanismos de cooperação e define um enquadramento para lidar com períodos de seca e de cheia.
Em situações de seca, a Convenção admite exceções. Os caudais podem ser reduzidos, desde que justificados e comunicados a Portugal. E, em teoria, os volumes não libertados podem ser compensados mais tarde. Em caso de cheias, o foco está na coordenação, na troca de informação e no aviso prévio de descargas.
Os entendimentos que saíram da cimeira em Faro
Na 35.ª cimeira ibérica, realizada em Faro em outubro de 2024, foram dados alguns passos considerados importantes. Pela primeira vez, foi acordada a introdução de caudais mínimos diários no Tejo, uma reivindicação antiga de Portugal.
As medidas ficam, ainda assim, aquém das ambições portuguesas. O sistema mantém-se híbrido, combinando regras antigas com novos compromissos que dependem da vontade política e da cooperação entre os dois países.
Um equilíbrio de interesses ainda por construir
A gestão dos rios partilhados entre Portugal e Espanha é um exercício constante de equilíbrio. De um lado, persistem tensões relacionadas com a irregularidade dos caudais, a aplicação de exceções em períodos de seca e a pressão sobre os recursos hídricos. Do outro, registam-se progressos, como o reforço da cooperação e a introdução de novas regras mais próximas das preocupações ambientais.
Em plena era de alterações climáticas, em que a água se torna mais escassa e imprevisível, esta relação ganha maior importância. O desafio passa por construir uma visão comum que reconheça os rios como sistemas dinâmicos e interdependentes.
O futuro destes cursos de água dependerá, sobretudo, da capacidade de Portugal e de Espanha articularem os seus recursos hídricos como um único ecossistema que ultrapassa fronteiras e protege os rios ibéricos como um todo.
Fonte: Tempo
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