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O setor agroalimentar está a atravessar uma transformação sem precedentes, impulsionada por novas exigências dos consumidores, avanços tecnológicos e um quadro regulatório cada vez mais rigoroso. Em 2026, segurança alimentar, qualidade e inovação deixaram de ser pilares isolados para se tornarem uma estratégia integrada que redefine a competitividade das empresas.

Nos últimos meses, várias organizações portuguesas têm investido em tecnologias emergentes — desde sensores inteligentes para monitorização em tempo real até sistemas de rastreabilidade baseados em dados — que permitem identificar riscos mais cedo e garantir maior transparência ao longo da cadeia de valor. Especialistas destacam que estas ferramentas reduzem desperdício, aumentam a eficiência e reforçam a confiança do consumidor.

Paralelamente, a procura por produtos mais seguros e sustentáveis está a pressionar a indústria a adotar práticas de controlo mais robustas. Laboratórios e entidades certificadoras reportam um aumento significativo na adesão a auditorias voluntárias e programas de melhoria contínua, sinalizando uma maturidade crescente do setor.

A inovação também se estende ao desenvolvimento de novos ingredientes e processos produtivos. Empresas portuguesas têm apostado em biotecnologia, fermentação de precisão e embalagens ativas que prolongam a vida útil dos alimentos sem comprometer a qualidade. Estas soluções, antes vistas como futuristas, começam agora a ganhar escala comercial.

Para os especialistas, o futuro da segurança alimentar passa por uma abordagem colaborativa, onde produtores, distribuidores, entidades reguladoras e consumidores trabalham em conjunto para garantir padrões mais elevados. A convergência entre tecnologia, ciência e boas práticas promete não só reduzir riscos, mas também abrir caminho para produtos mais nutritivos, sustentáveis e alinhados com as expectativas de um mercado global em rápida evolução.

Fonte: Qualfood

No Alentejo, a ocorrência de secas extremas e picos de calor tem provocado quebras avultadas na produção de trigo, de cevada e de grão-de-bico. Perante este cenário, investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) vão desenvolver, ao longo dos próximos três anos, estratégias sustentáveis para melhorar a resposta destas culturas agrícolas aos efeitos das alterações climáticas.

Este trabalho de investigação decorre no âmbito da 7.ª edição do Programa Promove – O Futuro do Interior, promovida pela Fundação “la Caixa”, que aprovou recentemente dois projetos liderados pela FCUP: o Olive4Cereal e o endoLEGUME.

Aproveitar um resíduo da indústria do azeite para proteger o trigo e a cevada

O Olive4Cereal, financiado na categoria de Projetos Inovadores, pretende valorizar um resíduo da indústria do azeite – o concentrado de águas ruças– águas residuais, de natureza tóxica, resultantes do processamento do bagaço da azeitona.

“Após tratamento deste subproduto, pretendemos formular um bioestimulante sustentável capaz de mitigar os impactos da seca no crescimento e na produtividade dos cereais”, conta Fernanda Fidalgo, docente da FCUP e investigadora do Plant Stress lab (GreenUPorto), responsável pelo projeto.

Esta estratégia poderá ainda contribuir para reduzir a dependência de agroquímicos, associados à degradação dos solos e à contaminação ambiental.

Depois de formulado, o produto será testado pela equipa da FCUP em culturas de trigo e de cevada sob diferentes regimes de irrigação, tanto em condições controladas, como em campo, de forma a testar a sua viabilidade prática.

Do consócio Olive4Cereal fazem ainda parte investigadores da Universidade do Minho e do CEBAL – Centro de Biotecnologia Agrícola e Agro-alimentar do Alentejo, com o apoio da empresa Casa Alta.

Tornar o grão-de-bico mais resiliente aos efeitos da seca e do calor

Já o endoLEGUME, inserido na categoria Projetos de I&D Mobilizadores, tem como objetivo utilizar as comunidades microbianas das sementes de grão-de-bico para aumentar a resiliência climática desta leguminosa, cuja produção tem sido muito afetada pelos efeitos do calor e da seca.

“No período reprodutivo, temperaturas acima de 32°C aceleram o envelhecimento da planta, aumentam o abortamento floral e reduzem a formação de grão. Por sua vez, a falta de água, além de limitar o crescimento vegetal, pode também comprometer o peso e a qualidade nutricional do grão”, explica Cristiano Soares, docente da FCUP e investigador do Plant Stress lab (GreenUPorto), que lidera este projeto.

Mas o que torna algumas plantas mais tolerantes aos efeitos da seca e do calor do que outras? Sabe-se que certos microrganismos podem ter um papel benéfico na resposta das plantas ao stress ambiental; no entanto, essa relação não está ainda devidamente explorada no caso do grão-de-bico.

Por isso, neste projeto, os investigadores vão caracterizar as comunidades microbianas presentes nas variedades mais tolerantes e identificar os microrganismos mais promissores. A equipa pretende, desta forma, reunir um consórcio microbiano e integrá-lo numa formulação a ser aplicada em variedades mais sensíveis aos efeitos da seca e do calor.

Já começaram os testes com a planta de grão-de-bico em câmaras de crescimento. 

A FCUP será responsável pela avaliação da eficácia desta estratégia, através da caracterização da resposta fisiológica das plantas.

Após este trabalho, os resultados serão validados em condições de campo nos terrenos agrícolas do Polo de Elvas do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), uma entidade fortemente ligada ao melhoramento desta cultura em Portugal.

O endoLEGUME realiza-se em parceria com o INIAV e com o Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier, da Universidade Nova de Lisboa.

Fonte: FCUP

A World Organization for Animal Health (WOAH)  lançou as Diretrizes para Mitigar o Risco de Transmissão de Doenças na Interface entre Animais Selvagens e Pecuários para Facilitar o Comércio Seguro , fornecendo aos Serviços Veterinários orientações práticas para gestão dos riscos de transmissão de doenças onde animais selvagens e pecuários interagem. As diretrizes respondem diretamente às necessidades dos membros de controlar doenças animais transfronteiriças, mantendo a continuidade do comércio nacional e internacional seguro.

As diretrizes oferecem abordagens práticas para gestão do risco de transmissão de doenças entre animais selvagens e animais domésticos numa ampla gama de sistemas agrícolas. Elas propõem uma metodologia estruturada que permite aos Serviços Veterinários gerir cenários de transmissão de doenças entre animais selvagens e animais domésticos por meio de programas personalizados de mitigação de riscos, adaptados às condições e necessidades locais.

Em vez de oferecer soluções prescritivas, as diretrizes apresentam uma estrutura flexível para abordar as interfaces entre a vida selvagem e o gado.

Estudos de caso e exemplos de campo ilustram como as medidas de mitigação de riscos podem ser adaptadas a diferentes contextos epidemiológicos.

A gestão eficaz do risco de doenças deve ser adaptada às realidades locais, levando em consideração a geografia, os sistemas de produção, as espécies da fauna silvestre e a doença em questão. Todas as intervenções devem estar em conformidade com as normas internacionais da WOAH e com as regulamentações nacionais pertinentes.

A utilização eficaz dessas medidas requer uma sólida formação em ciências veterinárias, particularmente em epidemiologia de doenças, e beneficia do conhecimento em ecologia da vida selvagem. Uma compreensão clara do cenário específico de impacto sobre a vida selvagem, das práticas agrícolas e das principais vias de risco é essencial para uma implementação bem-sucedida.

Fonte: WOAH

As autoridades canadenses garantem que a carne é segura e não exigirá rotulagem especial. A tecnologia permite reduzir as infeções nos animais e o uso de antibióticos e melhorar o bem-estar animal.

O Canadá deu luz verde à utilização, para fins alimentares, de porcos geneticamente modificados resistentes ao vírus da Síndrome Reprodutiva e Respiratória Suína (PRRSV), uma das doenças mais prejudiciais para a suinicultura a nível mundial. A decisão foi anunciada a 23 de janeiro de 2026, através de uma declaração conjunta da Health Canada e da Agência Canadiana de Inspeção Alimentar (CFIA).

De acordo com as autoridades, os alimentos produzidos a partir destes animais foram considerados “seguros e eficazes” para consumo humano e também adequados para uso em rações destinadas a outros animais de produção.

O PRRSV é um vírus responsável por causar problemas respiratórios e falhas reprodutivas nos suínos, resultando em perdas económicas significativas para os produtores. A introdução destes porcos resistentes poderá ajudar a evitar surtos em larga escala, reduzindo a necessidade de antibióticos e contribuindo para melhores condições de bem-estar animal.

Os animais foram desenvolvidos pela empresa Genus PLC, em parceria com a PIC Canada, Ltd. Aprovações semelhantes já existem noutros países, como os Estados Unidos, Brasil, Colômbia e República Dominicana.

Segundo a Health Canada, não será necessária rotulagem especial para os alimentos derivados destes porcos, uma vez que a avaliação de risco não identificou preocupações relevantes para a saúde ou segurança. Apesar de a comercialização estar aprovada no Canadá, a Genus PLC indicou que não pretende avançar com a venda destes animais sem obter autorizações adicionais noutros mercados considerados estratégicos.

Tanto os promotores da tecnologia como as autoridades canadenses sublinham ainda o compromisso com a transparência e com a comunicação pública, numa fase em que esta inovação começa a chegar ao mercado.

Mais informações aqui.

Fonte: Centro de Informação de Biotecnologia

Na indústria alimentar a higienização é uma etapa fundamental que vai muito além do cumprimento de leis e normas. Fatores como lavagens frequentes, ambientes húmidos e uso contínuo de detergentes e desinfetantes são o que provoca mais desgaste nos equipamentos industriais, em particular nos sistemas de acionamento. O resultado? Maior risco de paragens, aumento dos custos de manutenção e diminuição da vida útil dos componentes que não se encontram preparados para estas condições extremas.

Um dos principais desafios reside precisamente nas zonas de difícil acesso, onde a acumulação de resíduos pode comprometer a produção ou até mesmo originar contaminações. É precisamente por isto que a tendência do setor passa por reduzir ao máximo superfícies rugosas, arestas e zonas de retenção.

A este desafio acresce as, cada vez mais, rigorosas normas de higiene e auditorias que obrigam as empresas a procurar soluções que simultaneamente garantam os requisitos e tenham a robustez necessária para que não haja perda de desempenho a nível operacional.

São equipamentos concebidos especificamente para estes ambientes, como os motorredutores em aço inoxidável da SEW‑EURODRIVE, que respondem a estes desafios. As séries RES.. (redutores de engrenagens helicoidais), KES.. (redutores de engrenagens cónicas) e WES.. (redutores de engrenagens SPIROPLAN®) baseiam‑se num conceito modular comum e distinguem‑se pelo seu design higiénico, com superfícies lisas e resistentes a ácidos e alcalinos, facilitando a limpeza e reduzindo o risco de acumulação de resíduos.

Quando combinadas com motores assíncronos em aço inoxidável, estas soluções dão origem aos motorredutores RES../KES../WES., concebidos para elevada eficiência, baixa necessidade de manutenção e longa vida útil. Para aplicações que exigem maior flexibilidade de integração, os adaptadores em aço inoxidável AESMS.. e AESQS.. permitem a montagem de motores normalizados IEC ou NEMA ou ainda servomotores.

Para aplicações onde a dinâmica e o posicionamento são críticos, como equipamentos de corte ou fatiamento, a SEW‑EURODRIVE disponibiliza ainda motorredutores e servomotores em aço inoxidável das séries PSH.. e CM2H.., desenvolvidos segundo rigorosos princípios de design higiénico e preparados para ambientes sujeitos a lavagens intensivas.

Para além da higiene as soluções da SEW‑EURODRIVE contribuem diretamente para a eficiência operacional, aumentando a vida útil dos equipamentos, reduzindo intervenções de manutenção e assegurando maior fiabilidade do processo produtivo.

Mais do que fornecer tecnologia, a SEW‑EURODRIVE aposta na compreensão das condições reais de operação de cada cliente, apoiando a indústria alimentar na criação de ambientes mais seguros, eficientes e sustentáveis.

Fonte: iAlimentar

A utilização de plantas medicinais possui uma longa tradição em múltiplas culturas e nos sistemas de saúde, principalmente naqueles que integram práticas ancestrais. Nos últimos anos, o mercado de produtos à base de plantas tem vindo a registar um crescimento significativo. No entanto, face ao aumento da procura destes produtos, vários estudos têm levantado preocupações quanto à sua origem botânica.

As adulterações, sejam intencionais ou acidentais, constituem um risco para a qualidade dos produtos e a segurança dos consumidores. Desta forma, a verificação da autenticidade botânica das matérias-primas é essencial para assegurar a qualidade, eficácia e segurança dos produtos à base de plantas, tais como os suplementos alimentares que incluem plantas medicinais como ingredientes. Contudo, a identificação da origem botânica continua a representar um desafio significativo para diferentes sectores, tais como farmacêutico, suplementos alimentares e cosmético.

As incertezas quanto à espécie botânica decorrem de uma série de fatores que incluem a ausência de boas práticas de cultivo e colheita, a recolha silvestre por trabalhadores não especializados, as possíveis falhas nas cadeias de abastecimento e/ou processos industriais (que podem conduzir a trocas, misturas ou adulterações das matérias-primas) e insuficiências nos sistemas de controlo de qualidade. 

Entre os problemas mais comuns, destaca- se a substituição acidental por plantas morfologicamente semelhantes e a adulteração intencional por espécies mais acessíveis e economicamente vantajosas.

Em ambos os casos, a composição fitoquímica é alterada, podendo não se obter a atividade terapêutica pretendida e até mesmo comprometer a saúde do consumidor. A adulteração da origem botânica torna-se particularmente difícil de detetar quando os produtos passam por um processamento intensivo que altera ou elimina as suas características originais. As limitações associadas aos métodos tradicionais de identificação botânica baseados em características morfológicas, tais como análises macro e microscópicas, tornam-se evidentes em produtos processados, tais como extratos, pós, cápsulas ou comprimidos. Nestes casos, os traços distintivos das plantas frequentemente desaparecem ou são significativamente alterados.

Adicionalmente, a elevada semelhança morfológica entre espécies do mesmo género ou de géneros taxonomicamente complexos torna a identificação visual ainda mais desafiante. Do mesmo modo, as análises fitoquímicas, embora úteis, nem sempre são suficientemente específicas, já que os mesmos compostos podem estar presentes em diferentes espécies vegetais, nem sempre existindo compostos específicos que funcionem como marcadores de espécie.

Diante destas limitações, é cada vez mais patente a necessidade de recorrer a métodos de autenticação mais robustos capazes de responder aos desafios impostos pelas atuais formas de processamento. Neste contexto, as técnicas de biologia molecular baseadas na análise do DNA oferecem soluções eficazes para a identificação de espécies vegetais, mesmo em matrizes complexas ou degradadas.

O artigo comleto foi publicado na TecnoAlimentar 45, outubro/ dezembro 2025, dedicada ao tema "Suplementos alimentares: Benefícios e autenticidade".

Fonte: TecnoAlimentar

Total de 44 espécies extinguiram-se em 2025

  • Monday, 02 February 2026 12:36

Entre as espécies declaradas extintas estão várias de aves, mamíferos e invertebrados que já pertencem à categoria que os especialistas chamam “irreversível”.

Um total de 44 espécies animais, fungos e vegetais foram declaradas extintas em 2025, segundo avaliações científicas realizadas por especialistas em todo o mundo, refletidas na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).

O maçarico-de-bico-fino (Numenius tenuirostris), uma ave migratória que durante séculos aparecia no céu da Europa, Ásia e norte de África, foi uma das espécies declaradas extintas.

Outra foi o caracol-cone (Conus lugubris), um pequeno caracol marinho que habitava as costas de Cabo Verde e cuja picada era venenosa para os humanos, mas era apontado pelos cientistas como relevante para o equilíbrio da biodiversidade do oceano.

Entre os desaparecimentos definidos em 2025, também está o musaranho (Crocidura trichiura) da ilha do Natal, um pequeno insetívoro, semelhante a um rato, com cerca de 15 centímetros, que foi avistado pela última vez na década de 1980.

A UICN alerta que atualmente são mais de 48.600 as espécies em perigo de extinção, número que representa cerca de 28% do total de espécies avaliadas, sendo as cigarras (71%), os corais (44%), os anfíbios (41%) e os tubarões e raias (38%) alguns dos mais ameaçados.

“As espécies avaliam-se com critérios quantitativos que medem o risco de extinção, como a dimensão e a tendência da população, a área de distribuição, o grau de fragmentação, velocidade da queda [do seu número] e a probabilidade de extinção estimada”, explicou à agência EFE a coordenadora do Programa de Espécies no Centro de Cooperação do Mediterrâneo da UICN, Catherine Numa.

Estes critérios, comuns a todos os grupos biológicos, permitem classificar as espécies desde a categoria ‘preocupação menor’ até ‘extinta’.

Segundo dados da UICN, nos últimos cinco anos, quase um total de 310 espécies passaram à categoria ‘extinta’, embora o número também esteja relacionado com os estudos realizados.

A organização alerta que “a taxa de extinção é hoje muito maior” e são observados “padrões muito claros”, como a perda e degradação do habitat, a introdução de espécies invasoras (que não são caraterísticas de determinada região), a sobre-exploração, a frequência de doenças e as alterações climáticas.

Todos estes padrões têm em comum a atividade humana, direta ou indiretamente, mas a humanidade ainda está a tempo de salvar muitas espécies, defendeu Catherine Numa.

Fonte: Green Savers

Avaliar diretamente o animal — e não apenas as condições do seu ambiente — é o princípio fundador da Welfair, a certificação de bem-estar alimentar independente, gerida pelo Institute of Agrifood Research and Technology da Catalunha (IRTA) em colaboração com a Neiker-Tecnalia e baseada no projeto European Welfare Quality e no projeto European AWIN. Em entrevista à Grande Consumo, Carles Rosell, CEO da Welfair, explica como a certificação, assente em evidência científica, auditorias independentes e critérios homogéneos, se afirma como um novo eixo competitivo no sector agroalimentar europeu, com crescente adesão de produtores, marcas e retalhistas, incluindo em Portugal.

Leia a entrevista aqui.

 

Já falhou alguma resolução de fim de ano? Talvez uma promessa de praticar mais exercício físico, ler mais livros… mas e aquela resolução de “começar a optar por escolhas mais sustentáveis”? A verdade é que, mesmo que tenha falhado, ainda vai a tempo de refletir sobre as suas escolhas e de perceber como estas impactam o planeta.

O início de um novo ano está, normalmente, associado a um momento de balanço e reflexão, mas também pode ser a oportunidade perfeita para pensar no impacto ambiental das suas ações e para estabelecer metas mais conscientes em relação ao consumo de recursos e aos hábitos do dia a dia.

A nossa pegada ambiental não é invisível. Tudo aquilo que fazemos tem impacto: o tempo que passamos no banho, a distância que viajamos de carro ou avião, ou até ao tipo de alimentação que escolhemos. Estes comportamentos repetem-se ao longo do tempo e, quando todos agimos de forma semelhante, têm um impacto significativo no ambiente.

A boa notícia é que existem ferramentas com a capacidade de ajudar a traduzir escolhas em números concretos, permitindo identificar onde podemos melhorar e reduzir a nossa pegada.

Calculadora Ambiental da DECO PROteste é um ótimo exemplo, permite ter consciência da pegada ambiental que cada um de nós tem no planeta, ao possibilitar a avaliação do impacto individual em áreas como o consumo de água e energia, a mobilidade, a reciclagem e os hábitos de compra.

A consciência é o primeiro passo para um futuro mais sustentável.

Fonte: GreenSavers

Uma coligação de organizações não-governamentais de ambiente, saúde e agricultura, alerta que foi encontrado “cocktails de pesticidas” tóxicos em maçãs vendidas na Europa.

Em comunicado, a PAN Europe, que inclui as portuguesas Zero e Quercus, analisou 59 amostras de maçãs em 12 países da União Europeia e na Suíça, para detetar resíduos de pesticidas. Portugal não foi abrangido por este estudo.

Num relatório divulgado esta quinta-feira, diz terem sido detetados resíduos de pesticidas em 85% das amostras, de tal forma que a coligação alerta para o que descreve como “a quase sistemática contaminação de maçãs convencionais com cocktails de pesticidas”. Em algumas das amostras foram detetadas até sete substâncias químicas diferentes.

Os ambientalistas dizem que se essas maçãs fossem vendidas na forma de comida para bebé processada, como purés de fruta, esses produtos seriam banidos, uma vez que os resíduos de pesticidas excedem os limites definidos como seguros para crianças com menos de três anos de idade.

“Há cada vez mais evidências científicas sobre o facto de a exposição a pesticidas através da comida estar relacionada com a infertilidade e possivelmente com cancros”, afirma, em comunicado, Gergely Simon, da PAN Europe.

“A exposição constante dos cidadãos a misturas de substâncias tóxicas através dos alimentos, ar ou poeiras não é levado em consideração”, lamenta, acrescentando que “este assunto importante tem de ser endereçado pelos reguladores”.

Setenta e um por cento das amostras de maçã testadas continha resíduos de pelo menos um pesticida pertencente à categoria da UE dos mais tóxicos, os chamados “candidatos para substituição”, que o bloco está a tentar abandonar.

Segundo o relatório, 64% das amostras continham pelo menos um pesticida à base de substâncias per- e polifluoroalquiladas (PFAS), também conhecidas como “químicos eternos”. Por exemplo, o Fludioxonil, um pesticida à base de PFAS, foi encontrado em quase 40% das amostras testadas, uma substância classificada como disruptor endócrino em 2024 na UE.

O Fludioxonil já devia ter sido banido, diz a PAN Europe, “mas os Estados-membros andam a bloquear isso há já um ano”. “É tóxico para o fígado e rins dos humanos e dizima peixes e anfíbios nos ambientes aquáticos.”

Martin Dermine, diretor-executivo da coligação, argumenta que “se a UE e as autoridades reguladoras nacionais implementarem devidamente a lei, uma série de pesticidas detetados nas maçãs há muito que teriam sido proibidos”.

Os autores do relatório recomendam aos consumidores na Europa que deem preferência a maçãs orgânicas ou então que tirem a casca de maçãs produzidas de modo convencional, essa última sugestão abrangendo também outras frutas e os vegetais para reduzir a quantidade de pesticidas que possam ser ingeridos.

Fonte: GreenSavers