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Cultivar alimentos suficientes para uma população global em crescimento é, há décadas, um dos maiores desafios da humanidade. Mas a questão que hoje move cientistas e investigadores vai mais além: como fazê-lo de forma mais rápida, eficiente e sustentável? A resposta pode estar nos TALENs — Transcription Activator-Like Effector Nucleases —, uma tecnologia de edição genética de precisão que está a revolucionar a melhoría das culturas agrícolas.

Os TALENs funcionam como “tesouras moleculares”: são compostos por um domínio proteico — originalmente utilizado por bactérias para controlar genes de plantas — e por uma nuclease capaz de cortar o ADN com grande precisão. A tecnologia permite editar virtualmente qualquer sequência de ADN com uma margem de erro muito reduzida, incluindo em zonas de difícil acesso como mitocôndrias e cloroplastos. Esta versatilidade distingue os TALENs de outras Ferramentas mais conhecidas, como o CRISPR.

Do laboratório para a mesa

Os resultados práticos já chegaram ao mercado. Em 2019, o óleo de soja Calyno — produzido com recurso a TALENs e com um teor de ácido oleico superior a 80% — tornou-se o primeiro produto vegetal editado geneticamente a ser comercializado nos Estados Unidos. No sector dos cereais, investigadores conseguiram desenvolver trigo com resistência quase total ao oídio e arroz resistente ao míldio bacteriano. A batata Ranger Russet foi melhorada para reduzir o escurecimento, o amargor e os níveis de acrilamida, uma potencial substância tóxica.

Para além da alimentação humana, os TALENs abrem também caminho a biocombustíveis mais eficientes: em cana-de-açúcar e algas, a tecnologia aumentou os rendimentos energéticos e a produção de lípidos, contribuindo para o desenvolvimento de energia renovável mais acessível.

Acesso alargado e sem fins lucrativos

A organização sem fins lucrativos 2Blades detém os direitos exclusivos para uso comercial do Código TALE em plantas e tem trabalhado para garantir um acesso amplo à tecnologia. O modelo de licenciamento inclui acesso gratuito para entidades não lucrativas e organismos multilaterais — como o International Rice Research Institute (IRRI) —, assegurando que os benefícios cheguem às regiões que mais necessitam de soluções agrícolas inovadoras.

A ISAAA Inc. e a 2Blades publicaram recentemente uma monografia sobre o tema, intitulada Precision Breeding: Strengthening Crop Improvement with TALENs, disponível no site da ISAAA. O documento detalha o funcionamento da tecnologia, as suas aplicações agrícolas e o processo de edição genética.

Ao tirar partido das respostas imunitárias naturais das plantas, em vez de depender exclusivamente de produtos químicos, os TALENs não estão apenas a mudar a forma como cultivamos — estão a contribuir para a construção de uma segurança alimentar global mais resiliente num mundo em transformação.

Fonte: Centro de informação de biotecnologia

A indústria global de nutrição infantil está a atravessar uma fase de transformação profunda, impulsionada por regulamentações de segurança mais exigentes e por consumidores cada vez mais atentos à transparência e qualidade dos produtos. De acordo com a GlobalData, esta evolução está a redefinir estratégias de produção, inovação e comunicação no sector.

A entrada em vigor do Infant Formula Safety Modernization Act, em março, representa um marco importante no reforço da supervisão regulatória nos Estados Unidos. Há novas exigências ao nível de testes de patogénicos, monitorização ambiental e rapidez na comunicação de riscos de contaminação. A medida surge na sequência de incidentes recentes que expuseram fragilidades na cadeia de abastecimento.

Casos como o recall voluntário da ByHeart, em 2025, e o impacto do episódio envolvendo a Abbott Nutrition, em 2022, contribuíram para acelerar mudanças regulatórias e reforçar a necessidade de sistemas de controlo mais rigorosos.

Aposta na transparência

Perante este contexto, os fabricantes estão a investir em tecnologias avançadas de teste, maior rastreabilidade e controlo das cadeias de fornecimento. Marcas como a Bobbie têm apostado na transparência como elemento diferenciador, enquanto empresas internacionais como a Kendamil ganham espaço no mercado norte-americano com base em padrões europeus mais exigentes.

Os dados do inquérito global de consumidores da GlobalData, realizado em 2025, revelam que 62% dos consumidores valorizam rótulos claros com informação nutricional detalhada. 52% destacam a importância da indicação de alergénios. Estes números refletem uma crescente consciencialização e exigência por parte dos consumidores.

Em paralelo, a inovação continua a avançar. Grupos como a Danone e a Nestlé têm vindo a desenvolver fórmulas mais precisas e seguras. Por sua vez, as novas empresas exploram alternativas, como a Else Nutrition, que aposta em soluções de base vegetal.

Segundo analistas da GlobalData, a segurança deixou de ser apenas uma obrigação regulatória para se tornar um fator central de diferenciação. Num mercado cada vez mais competitivo, as empresas que conseguirem equilibrar inovação com elevados padrões de qualidade e transparência estarão mais bem posicionadas para conquistar a confiança dos consumidores.

Fonte: Grande Consumo

A International Featured Standards (IFS) anunciou a publicação da IFS Food 8 Doctrine – Versão 5, um documento normativo que reúne esclarecimentos essenciais para a correta aplicação da Norma IFS Food versão 8. A atualização, divulgada em abril de 2026, reforça a harmonização dos requisitos, introduz correções críticas e oferece orientações adicionais para situações práticas enfrentadas por empresas certificadas e organismos de certificação.

Principais destaques da nova versão

  • Requisito 1.2.6 – Erratum e clarificação A doutrina corrige e especifica as obrigações de notificação ao organismo de certificação. A versão anterior referia genericamente “qualquer recolha de produto”; agora, a obrigação aplica‑se apenas a recolhas ou retiradas determinadas por autoridades por motivos de segurança ou fraude alimentar, bem como a visitas oficiais que resultem em ações obrigatórias;
  • Circunstâncias excecionais (4‑4 II) Introduz um novo procedimento para empresas que, em situações como pandemias, conflitos ou catástrofes naturais, pretendam manter o certificado visível na base de dados IFS, mesmo com limitações operacionais;
  • Definição formal de Cultura de Segurança Alimentar (Anexo 12) A doutrina consolida o conceito, reforçando os cinco pilares: compromisso da gestão, liderança, consciencialização, comunicação e recursos;
  • Situações em que uma auditoria é considerada cancelada (1‑4.2.1) O conteúdo foi revisto para clarificar cenários que levam ao cancelamento, embora sem detalhar todas as alterações face à versão anterior.
  • Requisitos de formação para auditores e revisores (3‑2.6) Atualização alinhada com a fusão entre IAF e ILAC, que originou a Global Accreditation Cooperation Incorporated em janeiro de 2026.

Contexto e importância da doutrina

A IFS Food Doctrine funciona como um guia interpretativo oficial, esclarecendo dúvidas frequentes e garantindo uniformidade na aplicação da norma. A versão 5 acompanha a evolução regulatória e reforça a consistência técnica da IFS Food 8, cuja estrutura já havia sido revista para alinhar com o Codex Alimentarius, critérios da GFSI e requisitos de auditoria mais rigorosos.

Impacto para empresas e auditores

A atualização exige que empresas certificadas:

  • revejam procedimentos internos de notificação e gestão de incidentes;
  • reforcem programas de cultura de segurança alimentar;
  • atualizem registos e evidências de conformidade;
  • assegurem que equipas internas e auditores estejam formados segundo os novos requisitos.

Organismos de certificação devem garantir que todo o pessoal relevante esteja devidamente treinado antes da entrada em vigor das novas regras, conforme previsto no protocolo da IFS.

 Fonte: Qualfood

A marca HiPP retirou frascos de comida para bebé vendidos nos supermercados SPAR, na Áustria, depois de análises laboratoriais confirmarem a presença de veneno para ratos num produto de cenoura com batata. A polícia investiga uma possível sabotagem externa e as autoridades alertam que o consumo pode ser fatal

O alerta começou num frasco de 190 gramas de puré de cenoura com batata, daqueles que se compram para bebés a partir dos primeiros meses de vida. Um cliente do distrito de Eisenstadt-Umgebung, no estado austríaco de Burgenland, entregou o produto às autoridades e as análises laboratoriais confirmaram a presença de veneno para ratos, anunciou a polícia austríaca.

A marca HiPP já tinha admitido no sábado que não podia excluir a hipótese de uma substância perigosa ter sido introduzida no produto e que alguns frascos pudessem ter sido manipulados. A empresa avisou que o consumo do conteúdo poderia ser fatal.

Segundo a polícia, os frascos suspeitos tinham um autocolante com um círculo vermelho no fundo e podiam apresentar sinais de abertura ou danos na tampa, ausência do selo de segurança ou um cheiro anormal. As autoridades aconselharam quem tenha tocado num produto suspeito a lavar cuidadosamente as mãos.

A investigação alargou-se entretanto a outros países. Análises iniciais a frascos apreendidos pela polícia na Chéquia e na Eslováquia também revelaram a presença de uma substância tóxica, embora as autoridades não tenham dado mais detalhes. A HiPP confirmou que os parceiros comerciais nesses países retiraram imediatamente das prateleiras os frascos de comida para bebé da marca, por precaução.

Na Áustria, a recolha abrangeu cerca de 1.500 supermercados SPAR. A SPAR Austria anunciou depois que retirou os produtos da HiPP também nos países onde opera, incluindo Eslovénia, Hungria, Croácia e norte de Itália. As lojas SPAR de outros países não pertencem à mesma estrutura austríaca, esclareceu a empresa.

A HiPP afasta, para já, uma falha de produção e aponta para uma “interferência criminosa externa” no canal de distribuição da SPAR Austria. A empresa garante que os produtos e canais de distribuição na Alemanha e noutros países europeus que não fazem parte da investigação não estão afetados.

A SPAR e a HiPP pediram aos clientes que não consumam o conteúdo dos frascos comprados na SPAR Austria e garantiram o reembolso total dos produtos devolvidos. A Agência Austríaca para a Saúde e Segurança Alimentar avisou que deve ser procurada ajuda médica imediata se algum bebé tiver ingerido o alimento contaminado.

Fonte: CNN Portugal

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), através da sua Unidade Regional do Centro e com o empenhamento da Brigada Especializada dos Vinhos e Produtos Vitivinícolas, realizou, na última semana, uma operação de fiscalização dirigida a operadores económicos com atividade de engarrafamento e comercialização de vinhos, nos concelhos da Figueira da Foz, de Vila Nova de Poiares, Cantanhede e Miranda do Corvo.

Como balanço da operação, foram apreendidos 18.305 litros de vinho tinto, branco e frisante em vários engarrafadores, e 800 rótulos, devido a irregularidades na rotulagem pela omissão de menções obrigatórias e a falta de comunicação ao Instituto da Vinha e do Vinho, I.P., e num estabelecimento de restauração e bebidas foram apreendidas vinte e seis garrafas de vinho com a indicação “Vinho Douro”, sem que a rotulagem tivesse sido previamente aprovada pelo Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, I.P.

Em consequência foram instaurados os respetivos processos de contraordenação e processo-crime por usurpação da denominação de origem “Douro”.

A ASAE sublinha que o incumprimento destes requisitos legais compromete a integridade do circuito comercial, gera desequilíbrios concorrenciais, limita a capacidade de controlo das autoridades oficiais e representa um risco para a salvaguarda e segurança do consumidor.

O sector vitivinícola é um dos setores de maior relevância na economia nacional, pelo que a ASAE continuará a acompanhar e a reforçar ações de inspeção neste setor, de modo a salvaguardar os géneros alimentícios de eventuais práticas enganosas, em todo o território nacional e em prol de uma sã e leal concorrência entre operadores económicos.

Fonte: ASAE

A União Europeia emitiu um alerta através do Sistema de Alerta Rápido para Géneros Alimentícios e Alimentos para Animais (RASFF) após a deteção de níveis elevados de toxinas DSP — nomeadamente ácido ocadaico e dinofisistoxinas — em coquilhas (Donax trunculus) capturadas em Portugal. Estas toxinas, produzidas por microalgas e acumuladas em bivalves filtradores, estão associadas a intoxicações gastrointestinais quando consumidas acima dos limites regulamentares.

Segundo o enquadramento do RASFF, sempre que um Estado‑Membro identifica um risco grave e direto para a saúde humana, a informação é imediatamente comunicada à Comissão Europeia, que a distribui aos restantes países para permitir ações rápidas e coordenadas.

No caso das coquilhas portuguesas, a notificação enquadra‑se na categoria de alerta, utilizada quando o produto já se encontra no mercado e exige medidas urgentes — como recolha, suspensão de comercialização ou reforço de controlo analítico.

As toxinas DSP (Diarrhetic Shellfish Poisoning) incluem o ácido ocadaico e as dinofisistoxinas, compostos que podem provocar sintomas como náuseas, vómitos, dores abdominais e diarreia poucas horas após o consumo. Embora raramente causem complicações graves, representam um risco significativo para consumidores vulneráveis e exigem vigilância apertada por parte das autoridades.

A Direção‑Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), ponto de contacto nacional do RASFF, está a acompanhar a situação e a coordenar ações com operadores e entidades regionais para garantir que os produtos contaminados não chegam ao consumidor.

Este episódio reforça a importância do sistema europeu de alerta rápido, que permite detetar, comunicar e agir rapidamente.

Fonte: Qualfood

A International Coffee Partners (ICP) assinalou o seu 25.º aniversário com um investimento acumulado de 25 milhões de euros em projetos de apoio à produção sustentável de café.

Criada em 2001, no contexto de uma crise mundial do café, a organização nasceu de uma iniciativa conjunta de empresas europeias,  que decidiram cooperar de forma pré-competitiva para tornar a produção mais resiliente e sustentável.

Ao longo de um quarto de século, a ICP desenvolveu projetos centrados nas necessidades reais dos pequenos produtores. Assim, procurou promover não só a melhoria da produtividade e qualidade, mas também o fortalecimento das comunidades agrícolas e das economias locais. “Atualmente, a ICP adota uma abordagem holística que abrange não só a produtividade e a qualidade, mas também o fortalecimento dos negócios familiares, a resiliência climática, o envolvimento dos jovens e a igualdade de género”, refere a organização.

Desde a sua fundação, mais de 125.700 famílias de produtores participaram em projetos da ICP em 13 países. Desse modo, beneficiaram de práticas agrícolas mais sustentáveis e de sistemas de produção diversificados.

A organização trabalhou também com mais de 2.700 organizações de agricultores, contribuindo para a profissionalização de cooperativas e para o acesso a mercados mais competitivos.

A aposta na formação tem sido outro pilar central, com destaque para a inclusão. Em 2025, 45% dos participantes nas ações de formação eram mulheres e 22% jovens entre os 18 e os 35 anos.

Num contexto de crescente pressão climática e económica, a ICP tem vindo a apostar na disseminação de técnicas de adaptação e na diversificação de culturas. O objetivo é aumentar a resiliência das famílias produtoras e melhorar os seus rendimentos.

Os projetos são implementados em países como Brasil, Etiópia, Honduras, Indonésia, Tanzânia e Uganda, garantindo uma atuação próxima das comunidades.

Fonte: Grande Consumo

Uma nova variedade de banana que não escurece após o corte, desenvolvida por uma empresa britânica de biotecnologia agrícola, obteve aprovação regulamentar no Japão e no Brasil, permitindo a sua importação, comercialização e consumo nestes mercados, bem como a produção em território brasileiro.

Segundo a empresa, a autorização nestes dois países representa um passo relevante para a introdução desta variedade em mercados estratégicos da cadeia mundial de frutas frescas. No Japão, um mercado caracterizado por elevados padrões de qualidade e consistência, a nova banana surge alinhada com as exigências de frescura e segurança alimentar.

 No Brasil, um dos maiores produtores e consumidores de banana a nível mundial, a aprovação abre caminho à produção local. O país representa cerca de 10% da produção global desta fruta, e a introdução da nova variedade poderá contribuir para reduzir perdas ao longo da cadeia de valor, ao mesmo tempo que diversifica a oferta disponível no mercado interno.

A característica diferenciadora desta banana é a sua capacidade de manter o aspeto e a qualidade após ser descascada ou cortada, permanecendo amarela por mais tempo. Esta propriedade permite reduzir o desperdício em diferentes fases da cadeia, incluindo retalho, restauração e distribuição.

 Segundo o responsável da empresa, “estas aprovações representam um grande passo em frente para levar produtos inovadores e com redução de desperdício aos consumidores em todo o mundo”. O responsável acrescenta que “o Japão e o Brasil desempenham papéis cruciais no mercado global de frutas, e estas decisões refletem a crescente confiança internacional em novas tecnologias agrícolas projetadas para cadeias de suprimentos modernas”.

A variedade foi lançada comercialmente em 2025 e corresponde à primeira nova variedade de banana introduzida em mais de 75 anos.

Fonte: Vida Rural

 

Investigadores do Instituto Universitário de Ciências da Saúde (IUCS) concluíram que as explorações intensivas de gado do Norte podem ser reservatórios de uma bactéria resistente, associada a infeções hospitalares, defendendo a “necessidade urgente” de uma vigilância integrada.

Os resultados do estudo, que vai ser apresentado hoje num congresso internacional no Porto, mostram “a necessidade urgente de uma vigilância no âmbito da abordagem One Health dos enterococos [a bactéria estudada], clinicamente relevantes no gado, especialmente em sistemas de produção intensiva”, observou a investigadora Ana Raquel Freitas, do IUCS da Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário (CESPU), em declarações à Lusa.

A professora explicou que a abordagem One Health (uma só saúde, em português) defende que a saúde humana está intimamente ligada à saúde animal e ambiental, pelo que a vigilância deve ter isso em conta.

O controlo “neste tipo de ambientes de produção” não inclui obrigatoriamente a pesquisa por bactérias resistentes a antibióticos, nomeadamente a que agora foi estudada pelo instituto da CESPU, com sede em Gandra, Paredes, no distrito do Porto, referiu a investigadora.

Na investigação, a equipa analisou as fezes das vacas e todo o ambiente da exploração, tendo encontrado a bactéria “nas máquinas, nos robôs do leite, nas botas do explorador, do veterinário, no intestino dos veterinários, dos tratadores, do dono da exploração, etc”, observou Ana Raquel Freitas.

“O uso de antibióticos neste tipo de produção intensiva de animais está muito mais apertado, mas ainda são usados antibióticos nos animais doentes. E as bactérias já estão instaladas, já estão lá. Conseguem persistir, manterem-se ao longo de gerações e ao longo das cadeias. Isto não vai desaparecer nunca. Portanto, a vigilância tem que ser apertada”, vincou.

O estudo centrou-se na bactéria ‘Entorococcus’ e encontrou também “variantes com resistência a antibióticos considerados críticos, como a linezolida”, um antibiótico “muito importante para tratar infeções humanas, de última linha”.

“Esta é uma bactéria que existe no nosso intestino. É uma bactéria que faz parte do nosso trato gastrointestinal, do homem e dos animais, e que nos faz falta, até nos faz bem. No entanto, é também uma bactéria oportunista, ou seja, que pode causar infeções em determinados contextos, nomeadamente pacientes hospitalizados, pacientes com imunodepressão ou doenças”, afirmou Ana Raquel Freitas.

A origem da bactéria é desconhecida, notou.

“Como é que elas vão parar aqui aos bovinos? Não sabemos. O circuito, até pode ser de origem humana. Até podem vir na ração ou do ambiente. O importante aqui é o risco inerente, quer por contacto direto com os tratadores, os veterinários, com o animal, quer pela cadeia alimentar, porque nós comemos esta carne e bebemos o leite”, observou.

Fonte: Agroportal

Em 2023, a área agrícola total em produção biológica em Portugal estava contabilizada em 860 878 hectares. O Despacho agora assinado pelo ministro da Agricultura e Mar vem esclarecer procedimentos, definir responsabilidades e, em alguns casos, operacionalizar instrumentos.

Na agricultura, o modo de produção biológica é um sistema global de gestão das explorações agrícolas e de produção de géneros alimentares que combina vários fatores em simultâneo.

Por um lado, implica a adoção das melhores práticas ambientais, um elevado nível de biodiversidade, a preservação dos recursos naturais, a aplicação de normas exigentes em matéria de bem-estar dos animais e um método de produção em sintonia com a preferência de certos consumidores por produtos obtidos utilizando substâncias e processos naturais.

Mais do que uma técnica agrícola, a prática da agricultura biológica é uma forma de estar mais próxima da natureza e das pessoas, também porque se baseia no respeito pelos ciclos naturais, na proteção da biodiversidade e na valorização dos recursos locais, promovendo ainda um equilíbrio entre o ser humano e a natureza.

Mais. Está demonstrado que este modo de produção agrícola pode desempenhar um papel importante na mitigação dos efeitos das alterações climáticas e na restauração da biodiversidade.

O que significa ser biológico?

É um facto que os produtos de origem agrícola biológica estão cada vez mais presentes nos nossos mercados e nas superfícies comerciais da chamada grande distribuição e, mesmo, nos pequenos estabelecimentos de bairro.

A associação ambientalista ZERO questiona, porém, sobre o que significa, na verdade, o termo biológico.

Numa outra perspetiva, “podemos olhar a agricultura biológica como um sistema de regulamentação e certificação da aplicação de normas em matéria de bem-estar dos animais e método de produção obtida com utilização de substâncias e processos naturais”, acrescenta a associação ambientalista.

A agricultura biológica também é conhecida como “agricultura orgânica” (no Brasil e em países de língua inglesa), “agricultura ecológica” (em Espanha e na Dinamarca) ou “agricultura natural” (no Japão).

Portugal: 860 878 ha em modo biológico

Em 2023, a área agrícola total em produção biológica em Portugal estava contabilizada em 860 878 hectares, o que representava uma proporção de 22,3% da Superfície Agrícola Utilizada (SAU) e um aumento de quatro vezes em cinco anos.

Portugal registou, aliás, um aumento da área agrícola em produção biológica para todos os grupos de culturas, com prevalência gradual em “prados e pastagens permanentes” que, em 2023, representaram 50,5% da área total em modo de produção biológica.

O Despacho nº 5207/2026 que o ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, fez publicar esta semana determina agora a criação e operacionalização de uma plataforma digital de suporte aos modos de produção biológica e produção integrada.

O Ministério da Agricultura fala de um “reforço da partilha de informação entre entidades públicas e o controlo destes regimes” de produção agrícola: biológica e integrada.

São, assim, disposições e diretrizes específicas no quadro da ação governativa e que careciam de publicação em Diário da República, para serem formalizadas, tornando públicas as decisões e orientações definidas pelas entidades competentes.

Controlo da comercialização pela ASAE

Em Portugal, o controlo oficial da produção biológica é regulamentado pelo Plano de Controlo em Regimes de Qualidade (Produção Biológica) – PNCP, coordenado pela Direção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (“DGADR”).

Este controlo incide sobre as fases de produção, preparação, distribuição, importação e colocação de produtos biológicos à disposição do consumidor final.

A verificação destas práticas cabe aos organismos de controlo reconhecidos pela DGADR, que verificam os sistemas de controlo disponíveis através de uma supervisão anual.

Numa outra vertente, o controlo da comercialização dos produtos biológicos nos vários locais de venda é assegurado pela Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE).

A associação ZERO alerta, contudo, para o facto dos organismos de controlo serem, “sobretudo, empresas privadas , cuja fonte de receita é advém dos produtores que controlam”.

Assim sendo, “apesar da existência de uma supervisão robusta, este possível conflito de interesses pode levar a lacunas no controlo”, avisa a ZERO.

Fonte: tempo.pt