O alerta RASFF 2026.8212 refere-se à importação para a União Europeia de um produto composto — spicy pickled fish skin — proveniente da China, cuja garantia sanitária não foi preenchida corretamente, comprometendo a validação documental obrigatória para entrada no mercado europeu. Embora não haja registo de risco químico, físico ou microbiológico associado ao lote, a falha documental impede a confirmação da conformidade legal e da segurança do produto.
A notificação indica que a garantia sanitária, documento que acompanha produtos compostos contendo ingredientes de origem animal, foi preenchida de forma incompleta ou incorreta. Este documento deve confirmar:
Origem e tratamento dos ingredientes de origem animal;
Conformidade com requisitos de processamento e higiene;
Cumprimento das regras de importação previstas no Regulamento (UE) 2022/2292;
Declaração de que o produto foi elaborado em estabelecimento aprovado para exportação para a UE.
A ausência ou incorreção de qualquer destes elementos invalida a certificação, levando à retenção da mercadoria e à comunicação imediata via RASFF.
Produto composto: Pele de peixe em conserva picante / Spicy Pickled Fish Skin
País de origem: China
Categoria: Produto composto contendo ingredientes de origem animal (pele de peixe processada e condimentada)
Embora o produto seja semelhante a outros snacks de pele de peixe importados da China, não existe ligação direta com os recalls norte‑americanos de 2026, que envolveram produtos de Pangasius não elegíveis para exportação para os EUA . Aqui, o problema é documental, não de elegibilidade sanitária ou de espécie.
As autoridades europeias ativaram os procedimentos previstos:
Bloqueio do lote na fronteira;
Verificação documental aprofundada;
Possível reexpedição ou destruição, caso o operador não regularize a certificação;
Comunicação aos Estados‑Membros para garantir que o produto não entra na cadeia de abastecimento.
Este alerta reforça a importância de:
Garantir que todos os produtos compostos são acompanhados por documentação sanitária completa e correta;
Verificar previamente a elegibilidade do estabelecimento exportador;
Assegurar que a garantia sanitária cumpre integralmente os requisitos do modelo oficial da UE.
Falhas documentais continuam a ser uma das principais causas de retenção de produtos de países terceiros, mesmo quando não existe risco direto para a saúde pública.
Fonte: Qualfood
A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) abriu uma nova iniciativa destinada a apoiar pequenas e médias empresas (PME) na preparação de pedidos para a colocação de novos alimentos no mercado da União Europeia. O aconselhamento abrange projetos numa fase inicial de desenvolvimento e pedidos que se encontram próximos da submissão.
A iniciativa corresponde à terceira edição da chamada dirigida a PME que desenvolvem novos alimentos e pretende facilitar o acesso ao serviço de aconselhamento geral pré-submissão da EFSA. As manifestações de interesse podem ser apresentadas até 18 de novembro de 2026, às 12h00 em Portugal continental e na Madeira e às 11h00 nos Açores.
O apoio destina-se a empresas com pouca ou nenhuma experiência na apresentação de pedidos de autorização de novos alimentos e incide sobre os requisitos e o conteúdo que devem integrar esses processos. As duas edições anteriores, realizadas em 2024 e 2025, receberam 110 manifestações de interesse, sobretudo de empresas numa fase inicial de desenvolvimento dos produtos.
Na União Europeia, é considerado novo alimento aquele que não tenha sido consumido de forma significativa por seres humanos na UE antes de maio de 1997. A definição inclui alimentos provenientes de novas fontes, novas substâncias utilizadas na alimentação e alimentos obtidos através de novos processos ou tecnologias de produção.
Apoio começa antes da realização dos estudos
As empresas selecionadas podem receber aconselhamento em dois momentos do desenvolvimento. As reuniões de aconselhamento inicial destinam-se a PME que ainda estão a desenvolver o produto e realizaram poucos ou nenhuns estudos para sustentar o futuro pedido. Nestes casos, a submissão não deverá estar prevista para os 12 meses seguintes.
Nesta fase, a EFSA esclarece questões relacionadas com os requisitos aplicáveis ao pedido, documentação científica e administrativa, confidencialidade, obrigação de notificar determinados estudos antes do seu início e utilização das plataformas necessárias ao processo.
A segunda modalidade destina-se a empresas com o processo praticamente concluído e que prevejam submetê-lo nos 12 meses seguintes. Nestas reuniões, são também abordadas falhas frequentemente identificadas na verificação dos pedidos de novos alimentos, incluindo aspetos administrativos, científicos e relacionados com a confidencialidade.
O aconselhamento tem, contudo, limites definidos. A EFSA não faz uma verificação informal nem uma avaliação preliminar do pedido em preparação. O serviço incide sobre as regras aplicáveis e a informação exigida no processo, ficando fora do seu âmbito questões que ultrapassem as orientações disponíveis.
Objetivo é acelerar tratamento dos pedidos
A iniciativa pretende facilitar a preparação dos processos de acordo com as orientações aplicáveis e acelerar a fase inicial de tratamento dos pedidos de autorização. A EFSA indica que este efeito poderá, posteriormente, reduzir a duração da respetiva avaliação.
Todas as manifestações de interesse que cumpram os requisitos de elegibilidade terão acesso ao aconselhamento, uma vez que a iniciativa não funciona como um concurso entre empresas. Caso a procura ultrapasse a capacidade mensal, limitada a seis reuniões, terão prioridade os candidatos que nunca tenham apresentado um pedido à EFSA, seguindo-se a ordem de chegada.
As reuniões estão previstas a partir de 19 de outubro e decorrerão preferencialmente online. A informação fornecida pelas empresas no âmbito da iniciativa é tratada como confidencial. Apenas um resumo do aconselhamento poderá tornar-se público quando o futuro pedido for considerado válido, juntamente com a versão não confidencial do processo.
Fonte: TecnoAlimentar
Uma equipa liderada pela Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM) está a desenvolver um sistema de inteligência artificial (IA) para prever e monitorizar as necessidades hídricas dos olivais. O sistema cruza dados de sensores no terreno, como a humidade do solo e as condições atmosféricas, para recomendar quando e quanta água é ideal libertar pelo sistema gota-a-gota. O agricultor gere tudo numa aplicação do telemóvel ou computador e, mesmo sem instalar sensores, poderá obter recomendações com dados de estações meteorológicas e satélites.
As alterações climáticas e as secas longas têm vindo a afetar as oliveiras, que podem deixar de produzir ou morrer, diminuindo a qualidade e quantidade da azeitona e aumentando o preço do azeite ao consumidor. Com o novo sistema, os agricultores vão poder prever as necessidades, ter planos ótimos de irrigação e também perceber os nutrientes que a árvore precisa, melhorando assim a produção e reduzindo o desperdício de água.
O projeto é coordenado pela investigadora Cecília Coelho, no Centro de Matemática da ECUM. A iniciativa tem como parceiros a Associação de Agricultores do Vale da Vilariça e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. O trabalho decorre de 2025 a 2028, sendo financiado em 280 mil euros pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), pela Fundação “la Caixa” e pelos parceiros.
A equipa já recolheu dados atmosféricos e do solo numa exploração em Vilarelhos, no Vale da Vilariça. Os modelos e o software irão ser melhorados com base na experiência dos membros da associação de agricultores. “Quem não quiser comprar os sensores, poderá também utilizar o software, porque vamos instalar uma estação atmosférica local”, diz Cecília Coelho. Os dados recolhidos no terreno, por satélite ou por modelos de IA, serão disponibilizados online. Pretende-se que o sistema possa ser mais tarde implementado noutras zonas de Portugal e em Espanha. O objetivo é tornar a produção olivícola mais eficiente e sustentável, beneficiando os agricultores, as economias locais, os ecossistemas e os consumidores.
Fonte: UMinho
A água não está apenas a tornar-se mais escassa em várias regiões do mundo. Está também a tornar-se mais variável e imprevisível, com períodos de seca e cheias a sucederem-se em diferentes partes do planeta. É uma das principais preocupações destacadas por especialistas na sequência do mais recente relatório da Organização Meteorológica Mundial (WMO) sobre o estado dos recursos hídricos globais.
“O relatório mostra que a variabilidade da água, e não apenas a sua escassez, está a tornar-se um desafio determinante à escala global”, considera Jennifer McKay, professora de Direito Empresarial na Adelaide University, numa reação divulgada pelo Science Media Centre.
A especialista chama a atenção para o facto de várias regiões estarem a enfrentar mudanças mais frequentes entre secas e cheias, ao mesmo tempo que se mantêm as tendências de redução do armazenamento de água doce e da massa dos glaciares.
O relatório da WMO mostra que 2025 foi um dos anos com menores caudais dos rios em mais de três décadas. Os caudais estiveram abaixo do normal em 36% da área das bacias hidrográficas globais e, pelo sétimo ano consecutivo, as bacias com condições consideradas “normais” foram uma minoria.
Entre 1991 e 2020, em média, 46% das bacias apresentavam condições normais. Nos últimos sete anos, essa proporção variou entre 34% e 38%.
“Um mundo mais frágil”
Para Mattia Saccò, investigador da Curtin University, a situação é particularmente preocupante porque a redução não se limita aos rios.
“O relatório destaca tendências alarmantes de declínio em todos os principais componentes do ciclo global da água”, afirma o investigador, referindo-se sobretudo à perda de reservas como os glaciares e as águas subterrâneas.
Estas reservas são particularmente importantes porque funcionam como fontes de água durante períodos em que a precipitação é insuficiente. A sua degradação pode ter consequências que ultrapassam a disponibilidade imediata de água, afetando a biodiversidade e a estabilidade dos ecossistemas.
Saccò alerta ainda para possíveis efeitos em cadeia, incluindo a degradação de florestas e zonas húmidas dependentes das águas subterrâneas e a salinização dos solos, com consequências para os ecossistemas e para a agricultura.
Na sua avaliação, a combinação destas tendências está a tornar o mundo “mais frágil”.
Secas, cheias e pouco tempo para recuperar
A sucessão de fenómenos extremos é outro dos aspetos destacados pelos especialistas. Segundo a WMO, nos últimos cinco anos os serviços meteorológicos e hidrológicos nacionais relataram cheias e secas recorde em diferentes regiões do mundo.
Em alguns locais, praticamente não houve tempo de recuperação entre um fenómeno extremo e o seguinte.
Entre 2021 e 2025, as bacias do La Plata e da Amazónia, o Médio Oriente e o Corno de África registaram situações persistentes de seca com duração de vários anos. Em sentido contrário, cheias severas atingiram repetidamente regiões da África Ocidental e Central e do Sudeste Asiático.
A Ásia e África foram as regiões mais afetadas por fenómenos hidrometeorológicos extremos em 2025. Em conjunto, representaram pelo menos metade dos fenómenos extremos relacionados com a água registados nos últimos cinco anos e mais de 80% das mortes associadas.
Para Jennifer McKay, estes dados mostram a necessidade de alterar a forma como se planeia a gestão da água.
A especialista defende que as decisões de longo prazo devem ter em conta uma maior variabilidade climática, em vez de dependerem exclusivamente dos padrões históricos de precipitação e disponibilidade de água.
Glaciares e águas subterrâneas sob pressão
A instabilidade do ciclo da água surge acompanhada por uma tendência mais lenta, mas igualmente significativa: a redução das reservas de água.
O armazenamento de água em terra apresenta uma tendência negativa persistente desde 2014-2016. Este indicador inclui águas subterrâneas, lagos e rios, humidade dos solos, vegetação, neve e gelo.
Os glaciares perderam 408 gigatoneladas de massa durante o ano hidrológico de 2025, com todas as principais regiões glaciadas a registarem perdas pelo quarto ano consecutivo.
Também as águas subterrâneas apresentam sinais de pressão. Entre 2022 e 2025 foram observados défices persistentes em várias regiões, incluindo partes da Europa, das Américas, do Médio Oriente, da Índia, de África Austral e da Austrália.
Mattia Saccò considera que esta evolução deve ser acompanhada de perto, devido à importância das águas subterrâneas para os ecossistemas e para a disponibilidade de água.
Mais dados para antecipar os extremos
Os especialistas destacam ainda a importância de melhorar a monitorização. Embora a quantidade de informação disponível tenha aumentado, África e Ásia continuam entre as regiões com menos observações hidrológicas, apesar de estarem entre as mais afetadas pelos fenómenos extremos.
Para McKay, informação hidrológica fiável é essencial para gerir riscos para as comunidades, agricultura, ecossistemas e infraestruturas.
A própria WMO defende uma maior partilha de dados e sistemas comuns de alerta precoce. A razão é simples: os sistemas de água não respeitam fronteiras políticas. Uma alteração numa bacia hidrográfica ou no regime de degelo pode afetar populações situadas a centenas de quilómetros de distância.
O relatório da WMO, que reúne dados de serviços meteorológicos e hidrológicos, investigadores e outras instituições, acompanha 15 variáveis hidrológicas, desde os caudais dos rios às águas subterrâneas, neve e gelo.
O cenário traçado não é apenas o de um planeta com menos água disponível em algumas regiões. É também o de um ciclo hidrológico mais difícil de prever e, segundo os especialistas, isso obriga a repensar a forma como as sociedades se preparam para a água que têm e para aquela que deixam de ter.
Fonte: GreenSavers
A instalação de painéis solares sobre uma vinha pode contribuir para reduzir a exposição das plantas à radiação e, simultaneamente, diminuir a evaporação de água. É uma das linhas de investigação do primeiro projeto agrivoltaico em vinha executado em Portugal, desenvolvido por uma empresa líder de energia e pelo Instituto Superior de Agronomia (ISA), na Tapada da Ajuda, em Lisboa.
O projeto-piloto procurou avaliar o potencial da agrivoltaica como estratégia de adaptação da viticultura às alterações climáticas. A tecnologia permite combinar a produção de energia renovável com a atividade agrícola no mesmo espaço, através da cobertura parcial das culturas com painéis fotovoltaicos. No caso da vinha, a redução da irradiância a que as plantas estão expostas pode influenciar o seu desenvolvimento vegetativo e as características das uvas e do vinho.
A experiência permitiu ainda produzir a primeira colheita de vinho em Portugal realizada nestas condições. Os resultados do projeto e o vinho “Luz da Tapada”, produzido a partir da colheita de 2025, serão apresentados, no Instituto Superior de Agronomia, numa sessão que inclui uma prova cega dos vinhos, divulgação dos resultados e uma visita ao projeto-piloto.
A combinação entre produção agrícola e geração de eletricidade renovável procura responder também a uma questão cada vez mais relevante num contexto de expansão das energias renováveis: como aumentar a produção solar sem acentuar a competição pelo solo agrícola.
Segundo a informação disponibilizada pela empresa, os resultados positivos obtidos no projeto-piloto estão a levar à expansão da tecnologia para outras regiões e culturas. A empresa está a testar soluções agrivoltaicas no Oeste e no Norte do país, desta vez em pomares de maçã e plantações de mirtilos.
A experiência pretende assim avaliar se a utilização combinada do solo para produção agrícola e energética pode contribuir para tornar diferentes sistemas agrícolas mais resilientes perante temperaturas elevadas, maior stress hídrico e alterações nas condições de produção associadas às alterações climáticas.
Fonte: SAPO
Mais de 5 mil milhões de pessoas em todo o mundo dependem, em alguma medida, das florestas e das árvores para a sua subsistência, mas o seu contributo para a segurança alimentar e nutricional continua pouco refletido nas estatísticas nacionais e nas políticas públicas.
A conclusão consta de um relatório global publicado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que apela à integração das florestas nas políticas dos sistemas agroalimentares.
O relatório, intitulado Florestas para alimentação: nutrindo as pessoas, sustentando o planeta, destaca o papel das florestas na redução da fome e da pobreza, num contexto em que cerca de 645 milhões de pessoas sofreram de fome crónica em 2025.
No prefácio do documento, QU Dongyu, diretor-geral da FAO, defende que a conservação e a gestão sustentável das florestas devem ser consideradas parte da resposta aos desafios alimentares. “Ao trabalharmos juntos e integrarmos plenamente as florestas nas estratégias nacionais, regionais e globais, podemos construir sistemas agroalimentares mais eficientes, inclusivos, resilientes e sustentáveis. Devemos fazê-lo, pois a conservação e a gestão sustentável das florestas são fundamentais para alimentar as pessoas, sustentar o planeta e melhorar o bem-estar das gerações presentes e futuras”, afirma.
Mundo perde 10,9 milhões de hectares de floresta por ano
O relatório surge num período em que as florestas continuam sob pressão. Na última década, o mundo perdeu, em média, 10,9 milhões de hectares de floresta por ano.
Segundo a FAO, a desflorestação e a degradação florestal reduzem a biodiversidade, enfraquecem os serviços dos ecossistemas e podem afetar a produtividade agrícola e o acesso a alimentos nutritivos.
O documento sublinha que há ligações entre cobertura florestal e qualidade da alimentação. Um estudo realizado em África, citado no relatório, concluiu que crianças que vivem em áreas com maior cobertura arbórea tendem a ter dietas mais diversificadas e nutritivas.
Florestas fornecem alimentos, proteína e rendimento
As florestas e as árvores contribuem para a segurança alimentar e nutricional através do fornecimento de frutos, nozes, tubérculos, cogumelos, insetos comestíveis e carne de animais silvestres.
Mais de 50 mil espécies silvestres são utilizadas para alimentação, medicina e outros fins, incluindo pelo menos 10 mil espécies consumidas diretamente como alimento.
Em algumas comunidades dependentes das florestas, os alimentos florestais podem fornecer até 80% das necessidades diárias de proteína.
Lenha, água e serviços dos ecossistemas
Além da alimentação, as florestas contribuem para a saúde, energia, rendimento e emprego. Mais de mil milhões de pessoas dependem de plantas medicinais provenientes das florestas.
A FAO refere também que cerca de 1,8 mil milhões de pessoas dependem da lenha para cozinhar.
As florestas apoiam ainda a biodiversidade, a fertilidade do solo, os recursos hídricos e a mitigação das alterações climáticas. As bacias hidrográficas florestadas fornecem água doce a mais de 85% das principais cidades e sustentam a agricultura, a pecuária e as pescas através de serviços como regulação hídrica, proteção do solo, ciclagem de nutrientes, polinização, controlo de pragas e conservação da biodiversidade.
Em muitas regiões, as florestas podem gerar até 20% do rendimento familiar rural e funcionar como redes de segurança em períodos de insegurança alimentar ou dificuldades económicas.
Contributo varia entre regiões
O relatório assinala diferenças regionais relevantes no papel dos alimentos florestais.
Em algumas zonas de África, certas comunidades obtêm até 80% da sua proteína diária a partir de carne de animais silvestres.
Na Amazónia, o peixe representa 44% do total de alimentos consumidos em peso, a par de carne de animais silvestres, castanha-do-pará e açaí.
A Ásia é a região com maior número de espécies florestais silvestres utilizadas para alimentação.
Na Europa, um inquérito realizado em 28 países concluiu que 90% dos inquiridos consomem pelo menos um alimento da floresta por ano, enquanto mais de um terço consome carne de caça anualmente.
Na América do Norte, a carne de animais silvestres é mais utilizada para fins recreativos do que de subsistência.
FAO pede políticas integradas
Apesar da relevância das florestas para a segurança alimentar e nutricional, o relatório conclui que este contributo ainda não está suficientemente refletido nas políticas e no planeamento dos sistemas florestais e agroalimentares.
A FAO aponta como obstáculos a falta de definições e metodologias globalmente aceites para medir alimentos florestais e serviços dos ecossistemas florestais, bem como a fragmentação das políticas públicas.
O relatório apresenta 12 recomendações para aproveitar melhor o contributo das florestas. Entre elas estão a adoção de políticas integradas e adaptadas ao contexto, o reforço dos quadros legais, a diversificação dos sistemas de produção, a promoção da gestão sustentável dos alimentos florestais e o aumento do investimento público.
A FAO recomenda ainda o reforço dos sistemas de dados sobre a relação entre florestas e alimentação, mais investimento em investigação, inovação e tecnologia, desenvolvimento de capacidade institucional e humana e parcerias multissetoriais entre governos, sociedade civil e setor privado.
Segundo a organização, num contexto de aumento dos preços dos alimentos e da energia, instabilidade económica, impactos climáticos e crescimento populacional, as florestas deverão assumir um papel mais relevante no reforço da segurança alimentar, na melhoria da nutrição e na resiliência das comunidades.
Fonte: Vida Rural
Portugal produz mais azeite e vinho do que aquele que consome, mas a abundância registada nas estatísticas está longe de significar prosperidade para todos os agricultores. Quatro produtores dos 2 setores, descrevem dificuldades no escoamento, pressão sobre os preços e custos de produção que continuam elevados. E deixam vários pedidos ao Governo.
Os números mostram um país excedentário nas duas fileiras. Segundo dados do INE relativos a 2025, o grau de autoaprovisionamento atingiu 247,9% no azeite e 107,2% no vinho. Ou seja, Portugal produz bastante mais azeite do que necessita para o consumo interno e, no caso do vinho, mantém igualmente uma produção superior às necessidades nacionais.
A situação parece, à primeira vista, confortável. Mas os indicadores nacionais escondem realidades muito diferentes entre regiões, modelos de produção e dimensão das explorações. Produzir acima das necessidades internas não significa que toda a produção seja facilmente vendida, muito menos que o preço recebido pelo agricultor cubra os custos.
“Quando se olha para estes números parece que estamos todos a ganhar dinheiro. Não estamos. O país pode produzir muito azeite e exportar muito azeite, mas isso não significa que o produtor tenha margem”, afirma ao 24notícias António Martins, olivicultor de Trás-os-Montes.
O setor do azeite português sofreu uma transformação profunda nas últimas décadas, sobretudo com o crescimento do olival intensivo e superintensivo no Alentejo. O aumento da produtividade colocou Portugal numa posição claramente excedentária e reforçou a capacidade exportadora.
Essa evolução, porém, criou uma realidade muito desigual. Os sistemas modernos, altamente mecanizados e com grandes áreas de produção, coexistem com milhares de pequenos olivicultores tradicionais, sobretudo no Norte e Centro, que têm custos e produtividades muito diferentes.
António Martins diz que a preocupação de um pequeno produtor não está no grau de autoaprovisionamento do país, mas no preço que consegue obter pela produção.
“Produzir mais não me serve de nada se depois tiver de vender abaixo do custo. Posso ter uma campanha excelente e chegar ao fim com menos dinheiro. É isso que muitas pessoas não percebem quando olham apenas para a produção nacional”, refere.
O produtor aponta a mão de obra como uma das principais dificuldades. A subida dos custos com combustíveis, fertilizantes e tratamentos também pesa nas contas.
“Num olival tradicional há trabalhos que não conseguimos mecanizar como numa exploração intensiva. Se a azeitona baixa e tudo aquilo que utilizamos para produzir sobe, a conta é muito simples, a margem desaparece”, acrescenta.
Maria Fernandes, produtora de azeite no Alentejo, enfrenta uma realidade diferente, mas identifica o mesmo problema, a pressão sobre o preço.
“Temos de competir num mercado internacional. Espanha influencia enormemente o preço e há azeite a entrar de outros países a valores com os quais é muito difícil competir. Quando o mercado baixa, essa redução acaba por chegar rapidamente ao produtor”, explica A produtora considera que Portugal deve concentrar-se menos na quantidade e mais no valor acrescentado. “Não precisamos de produzir por produzir. Precisamos de vender melhor. Se Portugal aumentar a produção 20%, mas o agricultor receber menos por cada quilo, não vejo isso como uma vitória”, diz.
Os dois produtores defendem que o Governo deve distinguir melhor os diferentes modelos de olivicultura e criar mecanismos específicos para preservar o olival tradicional.
António Martins considera insuficiente tratar da mesma forma explorações com estruturas de custos completamente diferentes. “Um olival tradicional numa encosta de Trás-os-Montes não consegue competir em custos com centenas de hectares mecanizados. Se queremos manter estes olivais, o Estado tem de reconhecer essa diferença. Caso contrário, muitos vão simplesmente ser abandonados”, avisa.
Já Maria Fernandes pede maior fiscalização da cadeia comercial e transparência na formação dos preços, mas rejeita que a solução passe apenas pela atribuição de subsídios. “O que queremos é conseguir viver do que produzimos. Os apoios podem ser necessários em determinadas situações, mas não podem substituir um mercado que remunere adequadamente o agricultor”, salienta, referindo depois que a valorização da origem também é apontada como fundamental.
“Portugal já sabe produzir azeite de grande qualidade. Agora tem de conseguir que essa qualidade seja paga. É aí que precisamos de promoção externa, diferenciação e uma indicação de origem que seja clara para o consumidor”, acrescenta.
A situação do vinho apresenta características diferentes. Portugal também produz acima das necessidades internas, mas algumas regiões enfrentam um problema crescente de stocks, redução da procura e dificuldades no escoamento das uvas.
No Douro, a pressão tem sido particularmente intensa. O Governo reconheceu a existência de stocks acumulados e dificuldades de comercialização e aprovou, em setembro, um apoio extraordinário que pode atingir 12 milhões de euros para viticultores da região sem capacidade para escoar a produção.
João Carvalho, viticultor do Douro, diz que a expressão “excesso de produção” tem uma tradução muito concreta para quem vive da vinha.
“É ter as uvas prontas para vindimar e não saber quem as compra. Ou saber que há comprador, mas o preço que nos oferecem não chega para pagar aquilo que gastámos durante o ano”, diz, garantindo que a incerteza começa muito antes da vindima.
“Passamos meses a tratar da vinha. Pagamos mão de obra, combustível, produtos fitossanitários, máquinas. Depois chegamos a setembro sem saber quanto vamos receber. Nenhuma empresa consegue funcionar normalmente desta maneira”, salienta.
Para João Carvalho, a existência de um setor exportador forte não resolve automaticamente o problema de quem produz a matéria-prima.
“Portugal pode exportar centenas de milhões de euros de vinho e o viticultor continuar em dificuldades. A questão é perceber quanto desse valor chega efetivamente a quem tem a vinha”, salienta.
Ana Sousa, viticultora da região do Dão, considera que o problema ultrapassa o Douro e alerta para dificuldades noutras regiões.
“Fala-se muito do Douro porque a situação é particularmente grave, mas há produtores com problemas de escoamento e de rentabilidade noutras zonas do país. Uma política para o vinho tem de olhar para Portugal inteiro”, afirma ao 24notícias.
A produtora defende que os apoios extraordinários podem ser necessários para impedir o abandono imediato das explorações, mas considera que não resolvem o problema estrutural.
“Não quero receber um subsídio para continuar a perder dinheiro no ano seguinte. Quero vender as minhas uvas ou o meu vinho a um preço que permita pagar os custos e continuar a trabalhar”, diz, apontando ainda a entrada de vinho estrangeiro a preços reduzidos como uma das matérias que exigem maior fiscalização.
“Não sou contra as importações. Estamos num mercado aberto e também precisamos de exportar. O que tem de existir é rastreabilidade absoluta. O consumidor deve saber de onde vem aquilo que está a comprar e nós precisamos de competir com regras iguais”, salienta.
Os dois viticultores defendem maior previsibilidade na relação entre produtores e compradores. João Carvalho, por exemplo, considera que os contratos deveriam ser celebrados antes da vindima e estabelecer claramente quantidades e condições.
“Não podemos descobrir o preço das uvas quando elas já estão praticamente dentro da adega. Precisamos de contratos, previsibilidade e preços que tenham alguma relação com os custos de produção”, afirma, pedindo também uma estratégia permanente para lidar com os excedentes.“Todos sabemos que existem stocks. Não vale a pena esconder o problema. Temos de decidir como equilibramos produção e procura sem destruir o rendimento de quem vive da vinha”, salienta.
Por sua vez, Ana Sousa acrescenta a necessidade de reforçar a promoção internacional dos vinhos portugueses.
“Temos castas que outros países não têm, regiões reconhecidas e uma diversidade extraordinária. Portugal dificilmente vai ganhar uma guerra mundial de preços. Temos de ganhar pela diferenciação e pelo valor”, aponta.
Apesar das diferenças entre vinho e azeite, as quatro fontes convergem num ponto, nomeadamente que o grau de autoaprovisionamento mede a capacidade de Portugal satisfazer as necessidades internas, mas não mede o rendimento dos agricultores.
No azeite, uma produção muito superior ao consumo obriga o setor a depender dos mercados externos para absorver uma parte significativa da oferta. No vinho, o equilíbrio é mais próximo, mas a acumulação de stocks e as diferenças regionais podem criar excedentes que pressionam os preços pagos aos produtores.
Para António Martins, é precisamente esta distinção que falta quando se fala da autossuficiência alimentar portuguesa. “Podemos dizer que Portugal tem azeite mais do que suficiente. É verdade. Mas a pergunta seguinte tem de ser: conseguimos pagar justamente a quem o produz?”; questiona.
Pelo mesmo diapasão afinal João Carvalho, que faz uma leitura semelhante para o vinho. “Produzir muito não significa viver bem. Podemos ter vinho nas adegas e uvas nas vinhas e, ao mesmo tempo, agricultores sem rendimento. O objetivo não pode ser simplesmente produzir mais. Tem de ser produzir aquilo que conseguimos valorizar”, acrescenta.
Resumidamente, é neste ponto que os dois setores se encontram. Portugal conseguiu alcançar uma capacidade produtiva que lhe permite satisfazer o consumo interno e exportar. O desafio está agora em transformar essa capacidade em rendimento sustentável para quem mantém as vinhas e os olivais.
Fonte: SAPO
Editar um gene numa planta é apenas uma parte do processo. Depois de uma célula vegetal ser geneticamente modificada, é necessário conseguir fazê-la desenvolver-se novamente até formar uma planta completa. E esta etapa pode ser particularmente difícil em algumas culturas. É precisamente esse obstáculo que uma equipa de investigadores da Texas A&M AgriLife Research, da Universidade de Maryland e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) procurou ultrapassar com uma abordagem denominada CRISPR-Combo.
O trabalho, publicado na revista Nature Communications a 5 de agosto de 2026, combina a edição de um gene de interesse com a ativação simultânea de genes da própria planta que controlam processos relacionados com a formação de novos tecidos.
Quando editar não chega
A tecnologia CRISPR permite fazer alterações dirigidas no DNA. No entanto, depois da edição, a célula modificada precisa de regenerar e dar origem a raízes, caules e folhas até formar uma planta completa.
Algumas espécies são particularmente difíceis de regenerar em laboratório. É o caso de culturas como os citrinos, a batata, o morango e o choupo, o que pode limitar a aplicação de técnicas de edição genética nestas plantas.
O CRISPR-Combo procura resolver este problema ativando genes morfogénicos, isto é, genes envolvidos na capacidade das células vegetais para se dividirem e desenvolverem novos tecidos. Em vez de introduzir genes externos para estimular a regeneração, a estratégia utiliza genes que já fazem parte do genoma da própria planta. A equipa combina essa ativação com a edição genética pretendida.
Resultados diferentes consoante a cultura
Nos ensaios realizados, a abordagem aumentou a eficiência de regeneração em diferentes espécies. Na batata, algumas das combinações testadas elevaram a regeneração de rebentos para valores entre 45% e 70%, comparativamente com cerca de 30% a 35% nos controlos. Nos citrinos, uma cultura particularmente difícil de regenerar, algumas combinações permitiram ultrapassar os 80% de eficiência de regeneração, face a valores inferiores a 60% nos controlos. No choupo, a ativação de determinados pares de genes permitiu obter novos rebentos em menos de um mês, sem recorrer às hormonas vegetais normalmente utilizadas para estimular este processo.
Os resultados mostram que a estratégia pode ajudar a reduzir um dos principais obstáculos técnicos à utilização da edição genética em determinadas culturas.
Da célula editada à planta
Para os investigadores, melhorar a regeneração pode ter consequências importantes no desenvolvimento de novas variedades. Uma alteração genética promissora pode ser introduzida numa célula em laboratório, mas, se essa célula não conseguir originar uma planta saudável, a alteração não chega à fase seguinte de investigação.
O CRISPR-Combo poderá, por isso, contribuir para encurtar o tempo necessário para desenvolver plantas editadas e alargar o número de culturas que podem beneficiar da edição genética.
Os resultados são, contudo, experimentais e foram obtidos nas culturas e combinações genéticas estudadas. Será necessário realizar investigação adicional para determinar a eficácia da abordagem noutras variedades e condições.
Fonte: CiB
Se alguma vez se tiver interrogado por que razão alguns pequenos-almoços nos mantêm satisfeitos até à hora de almoço, enquanto outros nos dão vontade de abrir o frigorífico uma hora mais tarde, a resposta reside no sofisticado sistema de controlo de apetite do nosso organismo.
O controlo do esvaziamento gástrico – a velocidade com que o alimento sai do estômago – é frequentemente discutido pelos especialistas em saúde como uma solução para comer menos e, consequentemente, perder peso. No entanto, manter-se cheio durante mais tempo não se resume a abrandar a digestão. “Agora também sabemos que o apetite é regulado por uma rede complexa entre o intestino e o cérebro que envolve os níveis de açúcar no sangue, hormonas intestinais, sinais nervosos transmitidos pelo tracto gastrointestinal e regiões do cérebro que governam a fome e a saciedade,” diz Aaron Yeoh, gastroenterologista da Stanford Health Care.
Embora não exista um truque capaz de influenciar todos os componentes deste sistema complexo, existem hábitos simples e comprovados pela ciência que podem manter-nos saciados durante mais tempo e ajudar-nos a comer menos, seja para perder peso ou melhorar a digestão. “O objectivo é ter uma digestão saudável e bem regulada e não tentar abrandá-la ao máximo”, diz Yeoh.
Encha o prato de fibra
Se existe um hábito que os cientistas recomendam sistematicamente para prolongar a sensação de saciedade, “ingerir mais fibra dietética é, provavelmente, o que é sustentado por evidências mais fortes”, diz Jen Messer, dietista certificada e antiga presidente da Academia de Nutrição e Dietética de New Hampshire.
Uma das razões para tal é que a fibra solúvel forma um gel no estômago que abranda o movimento dos alimentos, enquanto as fibras insolúveis acrescentam volume, contribuindo para nos manter saciados durante mais tempo.
Além disso, quando as bactérias do estômago fermentam, determinadas fibras produzem ácidos gordos de cadeia curta “que estimulam as células a libertar hormonas reguladoras do apetite, incluindo a GLP-1”, explica James Hill, director do Centro de Investigação de Obesidade e Nutrição da Universidade do Alabama em Birmingham.
Isto é importante porque a GLP-1 ajuda a transmitir a saciedade ao cérebro, abranda o esvaziamento do estômago e promove a libertação de insulina – efeitos que podem diminuir o desejo de continuar a comer. Os populares medicamentos à base de GLP-1 imitam este sinal natural da hormona, mas “um dos maiores equívocos da era da GLP-1 é que estas medicações funcionam apenas abrandando o esvaziamento gástrico”, diz Yeoh. Elas também actuam nas vias cerebrais que regulam o apetite e a ingestão de alimento e ajudam a controlar o açúcar no sangue, estimulando a libertação de insulina quando a glucose é elevada, entre outros mecanismos.
No entanto, os estudos defendem os efeitos de aumentar a ingestão de fibra sem recorrer necessariamente a medicação à base de GLP-1, incluindo um estudo decisivo que descobriu que o consumo consistente de mais fibra aumenta a saciedade, diminui a ingestão de calorias e ajuda a manter um peso saudável – descobertas que estudos subsequentes reforçaram em populações mais diversificadas.
Apesar destes benefícios, Messer comenta que a maioria dos americanos consome apenas metade da dose diária recomendada de fibra: 14 gramas por cada 1.000 calorias, cerca de 28 gramas numa dieta de 2.000 calorias. (Em Portugal, de acordo com o Inquérito Alimentar Nacional e de Actividade Física, a ingestão média diária de fibra na população portuguesa é de apenas 17,8 gramas, o que constitui um défice substancial face às recomendações da Organização Mundial da Saúde)
Em vez de depender de suplementos, porém, ela recomenda a obtenção de fibra através de alimentos como feijões, lentilhas, aveia, bagas, maçãs, legumes, frutos secos, sementes e cereais integrais – que também fornecem vitaminas, minerais, antioxidantes e outros compostos vegetais benéficos.
A proteína também é altamente eficaz para controlar a fome, uma vez que é amplamente considerada “o macronutriente que mais enche”, diz Messer.
Isso deve-se em parte ao facto de a proteína costumar demorar mais tempo a digerir do que os hidratos de carbono refinados e as refeições ricas em proteína estimularem as hormonas reguladoras do apetite, “enquanto também suprimem a grelina, a nossa principal hormona da fome”, explica Hill.
A digestão e processamento da proteína também consomem mais energia do que os hidratos de carbono ou a gordura. Juntamente com o seu poder relativamente elevado de saciedade por caloria, isto significa que o aumento da ingestão de proteína pode “conduzir a perda de peso através de uma diminuição geral da ingestão de calorias”, diz Jennifer Manne-Goehler, médica e especialista em GLP-1 do Mass General Brigham, em Boston, no estado de Massachusetts.
Os estudos reflectem estes efeitos, incluindo investigações que demonstram que dietas com maior teor de proteína aumentam consistentemente a saciedade, diminuem a ingestão de calorias e ajudam a manter um peso saudável.
Ingerir proteína suficiente não exige comprimidos ou pós dispendiosos. “Os alimentos ricos em proteína” costumam ser suficientes para “diminuir a fome ao longo do dia”, diz Joan Salge Blake, dietista certificada e professora de nutrição da Universidade de Boston. Ela recomenda incluir pelo menos uma proteína – como ovos, iogurte grego, queijo cottage, peixe, aves, carnes magras, tofu, feijões ou lentilhas – em cada refeição.
Limite o consumo de alimentos ultra-processados
Aquilo que consumimos em menor quantidade também é importante. Limitar o consumo de alimentos ultra-processados e hidratos de carbono refinados pode ajudar-nos a sentirmo-nos satisfeitos com menos calorias.
Isso deve-se ao facto de esses alimentos serem “frequentemente ricos em cereais refinados, amidos e açúcares acrescentados, que não possuem uma estrutura alimentar natural”, diz Dariush Mozaffarian, cardiologista e director do Food is Medicine Institute da Universidade de Tufts. Como tal, são absorvidos rápida e completamente “no início do tracto digestivo, aumentando o nível de açúcar no sangue, fazendo o fígado produzir gordura e privando o microbioma intestinal de nutrientes”.
Os estudos comprovam-no, incluindo um estudo decisivo no qual pessoas que praticaram uma alimentação ultra-processada consumiram cerca de 500 calorias extra por dia do que as que seguiram uma alimentação minimamente processada.
Sequencie as refeições
Por vezes, não é apenas o que come, mas a ordem pela qual come.
É por isso que o sequenciamento das refeições – comer vegetais e proteína antes de alimentos ricos em hidratos de carbono – “emergiu como uma estratégia forte, sustentada por evidências consistentes a curto prazo”, diz Messer. A investigação sugere que esta abordagem aumenta a GLP-1, suprime a grelina e melhora a regulação da glucose.
Num ensaio clínico frequentemente citado, pessoas com diabetes tipo 2 tinham níveis de açúcar no sangue e picos de insulina significativamente mais pequenos quando ingeriam vegetais e proteína antes dos hidratos de carbono, apesar de ingerirem a mesma quantidade dos mesmos alimentos. Uma revisão sistemática subsequente chegou a conclusões semelhantes.
Blake diz que sequenciar as refeições também pode reduzir naturalmente a ingestão de calorias porque comer primeiro os alimentos ricos em fibra e proteína expande o estômago e atrasa o seu esvaziamento, fazendo-nos sentir mais saciados e comer menos durante a refeição”.
Assim que começamos a comer, o nosso estômago, intestinos e cérebro começam a trocar sinais de saciedade, mas essas mensagens demoram tempo a ser transmitidas. “Comer mais devagar dá-nos tempo para os sinais transmitidos entre o intestino e o cérebro nos dizerem que estamos cheios antes de ingerimos comida em excesso”, explica Fatima Cody Stanford, médica especialista em obesidade e cientista na Faculdade de Medicina de Harvard.
Comer mais devagar também mantém os receptores que assinalam a saciedade activos durante mais tempo, diz Hill; e alguns estudos de pequena escala descobriram que pessoas que comem mais devagar tendem a consumir menos calorias, sentindo-se mais cheias.
Por muitas dessas razões, mastigar bem os alimentos também pode ser útil, pois também dá ao cérebro mais tempo para processar os sinais sensoriais transmitidos pela refeição, gerando desse modo “uma resposta de saciedade ainda maior por caloria” do que comer o mesmo alimento rapidamente, diz Ciarán Forde, director do Sensory Science and Eating Behavior da Universidade de Wageningen.
Para além de mastigar mais devagar, Stanford recomenda colocar menos comida na boca de cada vez, pousar o garfo entre garfadas, diminuir o uso de ecrãs enquanto come e prolongar as refeições até cerca de 20 minutos para que os sinais de saciedade naturais do organismo tenham tempo de processar a informação.
Dar um passeio depois de comer
Estudos mostram que dar um passeio ligeiro de 10 a 20 minutos após as refeições pode ajudar os músculos a utilizarem os nutrientes de forma mais eficiente, reduzindo a subida dos níveis de açúcar no sangue após a refeição e até aumentando modestamente a resposta da GLP-1 natural do organismo, diz Stanford. Estes níveis mais constantes de açúcar no sangue e uma maior saciedade também contribuem para evitar que a fome volte pouco depois da refeição.
Alguns estudos também sugerem que dar um passeio após uma refeição pode diminuir a circulação de triglicéridos – as gorduras que circulam na corrente sanguínea após a refeição – ajudando os músculos a utilizar esses nutrientes para gerar energia. Estas são algumas das razões pelas quais Yeoh diz que caminhar após a refeição é um dos “hábitos com melhores evidências de promover as vias de saciedade naturais do organismo”.
No entanto, essas dicas não são benéficas para todos. Para pessoas com gastroparesia, por exemplo, abrandar intencionalmente o esvaziamento do estômago pode agravar náuseas, vómitos e resultar numa má absorção dos nutrientes.
As pessoas que tomam medicação à base de GLP-1 também devem lembrar-se de que esses medicamentos já abrandam o esvaziamento gástrico, por isso, acrescentar outras estratégias para abrandar a digestão pode aumentar efeitos gastrointestinais secundários, sem causar benefícios adicionais, adverte Stanford.
E as pessoas com diabetes que tomam insulina ou sulfonilureias devem consultar a sua equipa médica antes de fazerem grandes alterações na sua dieta porque as flutuações na altura em que a glucose é absorvida podem afectar os níveis de açúcar no sangue as necessidades da medicação. As pessoas que padeçam de síndrome do intestino irritável, ou outras perturbações gastrointestinais, também devem ter cuidado e aumentar gradualmente a ingestão de fibra, a fim de minimizar inchaço e desconforto.
Também vale a pena recordar que “os maiores benefícios costumam advir da combinação de vários hábitos simples e não de um único truque”, diz Yeoh – desde que praticados de forma consistente.
“O segredo é priorizar a consistência, em vez da perfeição”, diz Stanford. “Pequenos hábitos repetíveis geram frequentemente os maiores benefícios com o menor esforço”.
Fonte: National Geographic Portugal
As previsões agrícolas do INE, reportadas a 31 de agosto de 2026, apontam para uma evolução globalmente favorável das culturas de primavera/verão, com destaque para as fruteiras: a amêndoa deverá crescer 40%, o pêssego 30%, a pera 20% e o kiwi 10% face à campanha anterior.
Segundo o boletim mensal da agricultura e pescas do INE, na vinha, mantém-se a previsão de um aumento de 12% na produtividade da uva para vinho e de 10% na uva de mesa.
Na pera, a colheita da pera Rocha está praticamente concluída no Oeste, principal região produtora, confirmando uma campanha mais favorável do que as anteriores. A maior carga de frutos e a menor incidência de fogo bacteriano e estenfiliose sustentam uma produtividade prevista de 14,6 toneladas por hectare, 8% acima da média do último quinquénio, embora as temperaturas elevadas do verão tenham resultado em calibres geralmente inferiores aos de 2025.
A amêndoa deverá atingir 1,55 toneladas por hectare, 63% acima da média do último quinquénio, com acréscimos significativos de produtividade no Alentejo e no Centro. No pêssego, a produção nacional deverá chegar às 36 mil toneladas, sustentada pelas produtividades elevadas na Cova da Beira.
Nos cereais, o milho de regadio deverá registar uma produtividade 5% superior à da campanha anterior, enquanto no sequeiro se prevê uma quebra de 5%. As previsões agrícolas confirmam ainda uma campanha normal no arroz e no tomate para a indústria, com produtividades semelhantes às de 2025.
Na batata, com as colheitas praticamente concluídas, a produção de regadio deverá atingir 299 mil toneladas (+10%), mas a campanha tem sido marcada, em algumas regiões, por dificuldades de escoamento e forte pressão sobre os preços no produtor, associadas à concentração da oferta e à concorrência de batata importada. No sequeiro, a produção deverá diminuir 15%, para cerca de 15 mil toneladas.
Nas pastagens, as temperaturas elevadas e a reduzida precipitação mantiveram os prados de sequeiro secos. A menor produção de fenos e forragens conservadas tem obrigado as explorações pecuárias a recorrer às reservas e à aquisição de alimentos para suplementação dos efetivos, situação particularmente evidente no Alentejo.
Em agosto de 2026, as variações homólogas mais significativas no índice de preços de produtos agrícolas no produtor registaram-se nos ovinos e caprinos (+18,6%), na batata (-30,2%) e nos suínos (-21,9%). Face ao mês anterior, destacaram-se as subidas dos hortícolas frescos (+16,9%) e as descidas da batata (-18,3%) e do azeite a granel (-11,4%).
Nos meios de produção, em junho de 2026, o índice de preços de bens e serviços de consumo corrente (INPUT I) aumentou 2,1%, refletindo sobretudo os acréscimos dos adubos e corretivos (+26,3%) e da energia e lubrificantes (+17,3%), enquanto os alimentos para animais desceram 4,6%.
Na produção animal, o peso limpo de gado abatido e aprovado para consumo em julho totalizou 41 282 toneladas (+0,9%), com aumentos nos suínos (+2,0%) e ovinos (+3,9%). A recolha de leite de vaca subiu 2,3%, para 165,5 mil toneladas, e o volume total de produtos lácteos cresceu 12,3%. A produção de ovos para consumo aumentou 7,0%, enquanto a de frango recuou 4,8%. Nas pescas, o volume de capturas aumentou 5,6% em julho, para 17 090 toneladas, com uma receita de cerca de 40,2 milhões de euros (+1,6%).
Quanto às reservas hídricas, as principais albufeiras com aproveitamento hidroagrícola estavam a 78% da capacidade total em 31 de agosto, acima da média de agosto do período 1991-2025 (68%), embora algumas, como a da Idanha, a do Pego do Altar, a de Odivelas e a do Roxo, apresentassem já níveis próximos dos 50%.
Fonte: Vida Rural
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