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A iniciativa distinguiu casos de sucesso nacionais da Agricultura, Agroindústria, Florestas e Pecuária 

Nas quatro categorias a concurso foram distinguidos: Empresa Figueirense de Pesca e Quinta Mourisca do Alendouro, com menção honrosa (Inovação de Produto), Granvinhos (Inovação de Processo), Associação de Produtores Queijo de Serpa (Novos Projetos) e Sinvepart (Sustentabilidade).

A categoria especial “Personalidade” distinguiu António Rios Amorim, Presidente e CEO do Grupo Amorim. O gestor foi reconhecido pelo processo de modernização, inovação tecnológica e internacionalização do Grupo, bem como pelo investimento permanente na sustentabilidade, na economia circular e na valorização do montado.

O Banco Português de Germoplasma Vegetal (Braga) venceu a categoria especial “Institucional”. Trata-se de uma estrutura de referência na investigação aplicada e inovação para o setor agrícola, que reúne um portefólio de projetos estratégicos com impacto direto na sustentabilidade, competitividade e modernização da agricultura.    

Ana Rosas Oliveira, Administradora Executiva do BPI, destacou que "a evolução da agricultura em Portugal evidencia a capacidade do setor para inovar, adaptar-se e gerar valor.” Realçou ainda que "O PNA distingue o contributo de todos os que reforçam a competitividade, a sustentabilidade e a projeção internacional da agricultura portuguesa."

O PNA, iniciativa promovida pelo Banco BPI e pela Medialivre, distingue as melhores práticas e projetos do setor agrícola nacional, valorizando a inovação, sustentabilidade e o empreendedorismo. A edição deste ano recebeu 369 candidaturas, representando uma ampla diversidade de setores — vinho, olival e azeite, fruta, tomate, pescas e derivados, compostagem — e uma forte distribuição geográfica, com projetos de Norte a Sul do país e das Regiões Autónomas.

Mais informação sobre os projetos premiados:

Vencedor | Inovação de Produto

Empresa Figueirense de Pesca (Figueira da Foz) – Desenvolvimento de mousse de Ómega-3 (produto exclusivo no mercado) e de espessantes naturais para cosmética, com base em economia circular 

Menção honrosa: Quinta Mourisca do Alendouro (Alfândega da Fé) – Temperos de fruta alternativos ao vinagre balsâmico, valorizando excedentes agrícolas.

Vencedor | Inovação de Processo

Granvinhos (Vila Nova de Gaia) – Centro de vinificação de última geração, com automação avançada e rastreabilidade digital.

Vencedor | Novos Projetos 

Associação de Produtores Queijo de Serpa (Serpa) – Projeto QI 4.0 com IA para garantir autenticidade do Queijo Serpa DOP.

Vencedor | Sustentabilidade

Sinvepart (Beja) – Gestão agroecológica e florestal, integrando responsabilidade social e economia circular, num modelo que cria valor para o território.

Fonte: Agronegócios

A DGAV anuncia a publicação da segunda revisão do Plano de Ação Nacional para o Uso Sustentável de Produtos Fitofarmacêuticos, aprovada pela Portaria n.º 119/2026/1, de 19 de março.

Esta atualização, desenvolvida por grupo de trabalho passou por consulta pública e baseia-se no relatório de execução relativo ao quinquénio anterior.

Fonte: DGAV

A chegada da primavera traz novidades para os profissionais das áreas Alimentar, SST e Ambiental: a Qualfood acaba de anunciar a sua Promoção de Primavera, uma iniciativa que reforça o compromisso da plataforma em tornar o trabalho técnico mais simples, rápido e eficiente.

Com a campanha, a empresa destaca a importância de ter acesso imediato à informação essencial. “Você merece não perder tempo à procura da informação: Alimentar, SST e Ambiental”, reforça a Qualfood, sublinhando que o objetivo é permitir que cada profissional ganhe tempo para o que realmente importa.

A plataforma, reconhecida pela centralização de conteúdos técnicos, legislação atualizada e ferramentas práticas, apresenta esta promoção como uma oportunidade para quem procura otimizar processos e reduzir horas perdidas em pesquisas dispersas.

Segundo a equipa Qualfood, a campanha de primavera pretende aproximar ainda mais os utilizadores de soluções que simplificam o cumprimento de requisitos legais e operacionais. “O Qualfood facilita a sua vida profissional”, destaca a marca, lembrando que a eficiência é um dos pilares do seu serviço.

A Promoção de Primavera já está disponível e promete ser uma das iniciativas mais relevantes do setor nesta estação, especialmente para empresas e consultores que valorizam agilidade e rigor técnico.

Peça-nos informações através do email: This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it..

Fonte: Qualfood

A redução do peso das embalagens está a afirmar-se como uma das principais estratégias da indústria das bebidas para diminuir o consumo de materiais e melhorar a reciclabilidade. Na interpack 2026, fabricantes e fornecedores apresentam soluções que combinam lightweighting, novas tecnologias de barreira, rotulagem inovadora e eficiência produtiva, refletindo a evolução do setor rumo à economia circular.

A embalagem para bebidas está a tornar-se cada vez mais leve. Enquanto principal feira mundial dedicada a soluções de processamento e embalagem, a interpack voltará a reunir, em 2026, os principais intervenientes internacionais nas áreas do enchimento, enlatamento e acondicionamento de bebidas. Este setor é atualmente impulsionado por requisitos regulamentares – como o Regulamento Europeu relativo a Embalagens e Resíduos de Embalagens –, por metas ambiciosas de sustentabilidade definidas pelos fabricantes e por mudanças no comportamento dos consumidores.

As embalagens tradicionais para bebidas, como garrafas de vidro ou PET, latas de alumínio e embalagens cartonadas, estão em transformação. A nova geração de sistemas de embalagem exige redução máxima de materiais, funções de barreira inteligentes, controlo digital dos processos e maior reciclabilidade.

Redução de peso como prioridade

A redução do peso constitui um dos principais focos de inovação. O expositor da interpack KHS, por exemplo, segue uma abordagem denominada “premium lightweight” e apresenta a Premium Lite, uma garrafa para água mineral sem gás produzida com 100% de PET reciclado e com apenas 6,2 gramas para 0,25 litros. A nova garrafa combina utilização mínima de material com uma estética premium e foi especificamente concebida para responder às exigências das modernas linhas de produção de alta velocidade.

Esta solução é produzida na máquina de moldagem por estiramento e sopro KHS InnoPET Blomax Series V, que assegura estabilidade de processo e elevada precisão em produções de grande volume.

No domínio da proteção do produto e da economia circular, a KHS avança ainda mais com a nova garrafa Supreme PET. A empresa utiliza a sua tecnologia Plasmax, que aplica um revestimento interno de óxido de silício com menos de 100 nanómetros de espessura. Este revestimento atua como vidro, protegendo bebidas sensíveis ao oxigénio – como chá verde premium – contra a oxidação e prolongando significativamente o prazo de validade.

Ao mesmo tempo, a garrafa mantém-se totalmente reciclável: durante o processo de reciclagem, a camada vítrea é removida numa solução alcalina sem contaminar o PET. A combinação entre elevada proteção do produto, compatibilidade com rPET e velocidades industriais até 60 mil garrafas por hora demonstra a evolução das tecnologias de barreira orientadas para a circularidade.

Rótulos facilmente recicláveis

A opção EcoFloat White permite aos engarrafadores substituir embalagens opacas em HDPE ou PET por garrafas transparentes em PET. 
Para além da redução de materiais, a reciclabilidade dos componentes individuais assume crescente relevância. A CCL Label, também expositora na interpack 2026, apresenta inovações orientadas para a economia circular, demonstrando como o design da embalagem pode apoiar ativamente os sistemas de reciclagem.

Na área das mangas e rótulos, a empresa aposta em soluções compatíveis com reciclagem. O EcoFloat é uma manga retrátil baseada em poliolefinas de baixa densidade que, durante o processo de separação sink-float do PET, flutua enquanto os flocos de PET afundam, permitindo uma separação física essencial para a reciclagem “garrafa a garrafa” de elevada qualidade.

A opção EcoFloat White, destinada a produtos sensíveis à luz, permite ainda substituir embalagens opacas em HDPE ou PET por garrafas transparentes em PET.

Com os rótulos WashOff, a CCL responde também às exigências dos processos industriais de lavagem em sistemas reutilizáveis e de refill. Estes rótulos autoadesivos podem ser removidos em banho alcalino sem deixar resíduos, apoiando sistemas reutilizáveis de vidro e PET. Paralelamente, a nova tecnologia adesiva EcoShear melhora a reciclabilidade das garrafas de vidro descartáveis, permitindo a remoção quase total dos rótulos em filme.

Um adesivo para rotulagem de alta velocidade

Mesmo componentes aparentemente secundários estão a ganhar importância. A Henkel Adhesive Technologies apresenta um novo adesivo termofusível (hot-melt), isento de óleo mineral, com uma taxa de remoção de até 98% durante a reciclagem. Os resíduos são separados do fluxo de material juntamente com os restos dos rótulos.

Compatível com rótulos de papel e plástico, a solução assegura funcionamento estável em velocidades até 40 mil garrafas por hora, mantendo temperaturas de processamento relativamente baixas, entre 110 e 140 °C. Tal contribui para proteger os equipamentos, reduzir o consumo energético e aumentar a fiabilidade operacional.

Substituir rótulos por marcação laser

Outra abordagem passa por eliminar completamente os rótulos. A Krones desenvolveu a solução DecoBeam, que permite marcar diretamente garrafas PET e rPET com laser. Informações como quantidade líquida, ingredientes, data de validade e elementos gráficos são gravadas diretamente na embalagem, reduzindo materiais e facilitando a reciclagem.

Estão disponíveis dois métodos de marcação: lasers CO₂ produzem marcações mais claras, enquanto lasers de fibra criam inscrições negras. Logótipos, gráficos e elementos de design podem igualmente ser integrados.

Para recipientes de vidro, a Krones disponibiliza ainda o sistema INKpression, que transfere tinta diretamente para o recipiente. Neste caso, o design final é transferido integralmente a partir de um suporte, em vez de ser aplicado através de impressão convencional.

Cresce a procura por latas

A popularidade das latas de bebidas continua a aumentar. As vendas de refrigerantes e bebidas energéticas em lata registam atualmente forte crescimento, sobretudo entre consumidores mais jovens. Na Europa, a taxa de reciclagem ultrapassou 76% em 2023 e continua a subir, segundo dados das associações Metal Packaging Europe e European Aluminium. Sistemas de depósito e retorno contribuem significativamente para este desempenho, permitindo atingir taxas próximas dos 90%.

Muitos fabricantes estão, por isso, a expandir a oferta neste formato. A Coca-Cola Europacific Partners Germany (CCEP DE), por exemplo, está a investir numa nova linha de enchimento de latas na unidade de Halle, cuja entrada em funcionamento está prevista para o verão de 2026. O investimento multimilionário responde ao aumento da procura: apenas no mercado alemão, as vendas de bebidas em lata cresceram cerca de 12% no último ano.

Embalagens cartonadas com bom desempenho ambiental

Apesar das opiniões divergentes, as embalagens cartonadas para bebidas combinam várias vantagens tecnológicas: baixo peso, opacidade, reciclabilidade e composição maioritariamente baseada em fibra de cartão (cerca de três quartos do material), complementada por barreiras que protegem o produto e prolongam o prazo de validade.

Segundo a associação alemã FKN, o setor encontra-se mais avançado em reciclagem do que muitas vezes se assume. O sistema inclui empresas como Tetra Pak, SIG Combibloc e Elopak, bem como a unidade de reciclagem Palurec, no Knapsack Chemical Park. Na Alemanha, cerca de 36 mil toneladas anuais de plástico e alumínio provenientes destas embalagens são recicladas. Ainda assim, o país falhou a meta legal de reciclagem pelo terceiro ano consecutivo em 2024, segundo a Zentrale Stelle Verpackungsregister.

Tampas ligadas geram resistência dos consumidores

Um estudo do Nuremberg Institute for Market Decisions (NIM) indica que a maioria dos consumidores considera pouco práticas as tampas ligadas (tethered caps), obrigatórias desde meados de 2024 em embalagens de bebidas de utilização única. Estas tampas permanecem ligadas à embalagem após a abertura, com o objetivo de reduzir resíduos plásticos e facilitar a reciclagem. Contudo, dois terços dos inquiridos criticam a dificuldade de utilização, sobretudo ao beber e servir.

Fonte: iAlimentar

Imagine que, a cada minuto, 18 estádios de futebol desaparecem no mundo. Agora, repita o exercício visualizando cada um desses espaços repleto de árvores que morrem. Parece uma imagem saída de um filme catastrófico que antecipa o fim do planeta. Mas não. Esta é mesmo a realidade quando analisamos a perda de floresta tropical primária a nível global. E se a estes dados da “Global Forest Review”, relatório anual do World Resources Institute que analisa informação sobre o estado das florestas, juntarmos informação sobre todos os tipos de floresta, o cenário amplia a sua imagem devastadora.

Na véspera do Dia Internacional das Florestas, que se celebra este sábado, verifica-se que em Portugal, só em 2024, o país perdeu 30 mil hectares de floresta, grande parte da destruição provocada por incêndios florestais, mas também devido ao crescente abandono rural, à acumulação de biomassa combustível, às alterações climáticas, que aumentam a frequência de ondas de calor e de secas, e também por pragas e doen­ças, agravadas por stresse hídrico. A boa notícia é que a combinação de ferramentas tecnológicas, dados transparentes e políticas públicas de gestão e ordenamento do território eficazes permite trilhar um caminho de proteção e restauro destes ecossistemas essenciais. Mais do que é do conhecimento público, há muita investigação em torno do tema da floresta, que, apesar de ainda não ter saído do laboratório, representa soluções promissoras para garantir a sustentabilidade destes ecossistemas.

Bem perto de Aveiro, num pequeno e discreto edifício integrado na Quinta de S. Francisco, há um autêntico santuário de biodiversidade, onde coabitam mais de 400 espécies de flora e cerca de 70 de aves, num conjunto de laboratórios. Ali, lado a lado com os tubos de ensaio, estão equipamentos tecnológicos que guardam a investigação que se faz no Raiz — Instituto de Investigação da Floresta e Papel, organismo privado e sem fins lucrativos que nasceu há 40 anos de uma parceria entre a então Portucel, as Universidades de Aveiro e Coimbra e o Instituto Superior de Agronomia.

Naquele que é hoje reconhecido como o maior instituto privado na Europa e um dos maiores do mundo dedicado à I&D (investigação & desenvolvimento) da floresta de eucalipto e seus produtos, Catarina, Daniela e André são alguns dos cientistas por detrás da inovação que contribui para o registo das 53 famílias de patentes, facto que coloca o instituto entre os primeiros, de acordo com o “Barómetro Inventa 2024 — Patentes Made in Portugal”. Carlos Pascoal Neto, diretor-geral do Raiz, sublinha: “Somos a primeira entidade privada, não académica, neste ranking.”

“É um mundo fascinante, que poderá representar a próxima vantagem competitiva para Portugal”, 
diz Carlos Neto.

Regressemos aos bastidores da investigação no Raiz. No laboratório de pragas, Catarina Gonçalves trabalha no controlo biológico de insetos que atacam o eucalipto. Mostra o minúsculo parasitoide bom que revolucionou o combate ao gorgulho. “Chegam a parasitar mais de 90% dos ovos.” O processo é lento e rigoroso: cada novo organismo benéfico passa meses em quarentena e testes exaustivos para garantir que não afeta espécies nativas.

Noutra frente de combate, Daniela Ferreira lidera o programa de melhoramento genético do eucalipto, um trabalho de décadas que permitiu ganhos de “40% em produtividade e na qualidade da madeira”. O processo é longo — cada ciclo demora 15 a 20 anos —, mas essencial para criar plantas mais resistentes à seca e às pragas.

Numa vertente mais tecnológica, André Duarte, especialista em deteção remota, explica que hoje é possível antecipar fenómenos como pragas ou incêndios graças à leitura de padrões de dados em imagens de satélite e drones. “Às vezes parece que a informação não nos diz nada, mas quando juntamos tudo conseguimos explicar o fenómeno”, afirma. Todos os anos a sua equipa produz cartografia de perigosidade, essencial para ações de prevenção. Do Raiz já saiu investigação que se transformou em produto. Por exemplo, a embalagem sustentável, desenvolvida a partir de um material moldado 100% de fibra de eucalipto, pensada para substituir plásticos de uso único, que já está em produção industrial.

No pipeline de inovação há muito mais. Biocompósitos que reduzem em 40% a 50% o uso de plástico fóssil. Couro sintético à base de celulose. Nanocelulose para cosmética e saúde. Prebióticos extraídos da pasta branca. Óleos essenciais retirados das árvores. Celulose bacteriana com aplicações que vão da medicina regenerativa à proteção balística. “É um mundo fascinante”, resume Carlos Pascoal Neto. E ao percorrermos os corredores do Raiz percebemos que não é exagero, mas sim uma antevisão do que “poderá ser a próxima grande vantagem competitiva de Portugal”.

Fonte: Jornal Expresso

Às vésperas do Dia Mundial da Água, celebrado a 22 de março, cidades de todo o mundo preparam-se para lembrar que o recurso mais simples e essencial da vida está sob pressão como nunca antes. De campanhas educativas a ações comunitárias, o planeta mobiliza-se para proteger cada gota.

Este ano, o tema global — “Água para a Paz” — destaca como o acesso à água potável pode ser tanto uma ponte para a cooperação quanto uma fonte de conflito. Organizações internacionais alertam que mais de dois mil milhões de pessoas ainda vivem sem acesso seguro à água, um número que continua a crescer com as alterações climáticas e a urbanização acelerada.

No Porto, escolas, associações ambientais e autarquias juntam esforços para promover atividades que vão desde limpezas de rios a oficinas sobre consumo consciente. Especialistas reforçam que pequenas mudanças no quotidiano — como reduzir desperdícios, reutilizar água e optar por produtos mais sustentáveis — podem ter impacto real.

“Proteger a água é proteger o futuro”, afirmam investigadores da área ambiental, sublinhando que a gestão responsável deste recurso será decisiva para a estabilidade social e económica nas próximas décadas.

Enquanto o mundo se prepara para assinalar a data, a mensagem é clara: a água não é apenas um recurso natural — é um direito humano, um motor de desenvolvimento e um elo vital entre povos e ecossistemas.

Fonte: Qualfood

A participação ativa das mulheres em projetos comunitários de conservação da vida selvagem está associada a melhores resultados na proteção da biodiversidade, segundo um estudo internacional liderado por investigadores da University of Queensland, na Austrália.

A investigação, publicada na revista científica Journal of Environmental Management, analisou 32 projetos de gestão da vida selvagem em cinco continentes — África, Ásia, América Latina, América do Norte e Austrália — e concluiu que as iniciativas com maior envolvimento feminino apresentam impactos mais positivos na recuperação de espécies e na gestão de habitats.

De acordo com a investigadora Margaret Chapman, muitas vezes o papel das mulheres nestes projetos é pouco documentado, apesar de estas possuírem conhecimentos detalhados sobre os ecossistemas locais.

“Em muitas comunidades, as atividades do quotidiano dão às mulheres uma perspetiva única sobre a paisagem, as interações entre humanos e animais e as mudanças sazonais”, explica a investigadora. “Quando as mulheres não são plenamente incluídas nos projetos, a compreensão do território fica incompleta.”

Os autores do estudo verificaram que os projetos com melhores resultados eram aqueles em que as mulheres tinham não apenas participação, mas também voz nas decisões, poder de voto e posições de liderança.

Entre os exemplos analisados estão iniciativas de recuperação de habitats para o Greater Bilby na Austrália, a redução da caça furtiva através de patrulhas lideradas por mulheres na África do Sul, Zimbabué e Nepal, e projetos que aumentaram a proteção do Snow Leopard na Ásia e na América do Sul.

Segundo os investigadores, a inclusão das mulheres contribuiu também para aumentar a sobrevivência de crias de tartarugas marinhas em projetos na América Central e para restaurar habitats degradados e espécies vegetais no Senegal.

Para a coautora do estudo, Salit Kark, alcançar metas globais de conservação exige envolver toda a comunidade. “Garantir que diferentes formas de conhecimento são valorizadas e que as mulheres têm oportunidades de participação e liderança é fundamental para o sucesso das iniciativas de conservação”, afirma.

Os autores defendem ainda que a valorização do conhecimento feminino pode ter efeitos duradouros, ao inspirar as gerações mais jovens a envolverem-se na proteção da natureza.

Fonte: GreenSavers

Portugal volta a celebrar o Dia Mundial da Árvore, uma data que ganha cada vez mais força num país onde a preservação ambiental se tornou prioridade. De norte a sul, multiplicam-se as iniciativas que pretendem não só plantar árvores, mas também cultivar consciência.

Em várias escolas, alunos já ensaiam as atividades que irão realizar: desde a plantação de espécies autóctones até pequenas exposições sobre a importância das florestas. Educadores destacam que envolver as crianças é essencial para criar uma cultura de responsabilidade ambiental que perdure no tempo.

Associações ambientais e autarquias também se mobilizam. Estão previstas ações de reflorestação, caminhadas interpretativas e workshops sobre biodiversidade. Em Braga, voluntários irão recuperar uma zona afetada por incêndios, transformando um cenário de destruição num símbolo de renascimento.

Especialistas lembram que cada árvore plantada é um investimento no futuro. Além de captarem dióxido de carbono, as árvores regulam a temperatura, protegem solos e criam habitats indispensáveis para inúmeras espécies. “O Dia Mundial da Árvore é um lembrete de que a natureza não precisa apenas de celebração, mas de compromisso”, sublinha uma engenheira florestal envolvida nas ações de amanhã.

Com o país mobilizado, a data promete deixar raízes profundas — não só na terra, mas também na consciência coletiva.

Fonte: Qualfood

Portugal apresenta um dos sistemas alimentares mais resilientes do mundo, com uma pontuação de 76,83 pontos, segundo o Resilient Food Systems Index: Global Report, estudo da Economist Impact, que analisa a capacidade dos países para assegurar alimentos suficientes, acessíveis e nutritivos mesmo perante perturbações económicas, climáticas ou logísticas.

Produção concentrada aumenta risco global

O índice revela que apenas 15 países produzem 70% dos alimentos mundiais e que a maioria destes também integra o grupo dos maiores exportadores, responsáveis por mais de 60% das exportações globais. Esta concentração significa que fragilidades locais podem gerar efeitos em cadeia nos mercados internacionais.

Apesar de vários grandes produtores e exportadores apresentarem resultados acima da média global, nenhum demonstra robustez suficiente para proteger o sistema alimentar mundial de perturbações significativas.

Clima continua a ser o ponto mais frágil

A resposta ao risco climático surge como o pilar mais fraco do índice, com uma média global de 56,43 pontos. O relatório indica que, embora muitos países invistam em investigação agrícola de baixas emissões e em práticas agrícolas sustentáveis, o compromisso político com medidas de mitigação e adaptação permanece reduzido.

De acordo com o estudo, a limitação não está na inovação, mas na implementação efetiva de metas específicas para o setor agrícola e em planos concretos de execução.

Acessibilidade alimentar esconde fragilidades nutricionais

Os países analisados apresentam, em geral, bons resultados na acessibilidade económica dos alimentos. Contudo, o índice alerta que, em 62% dos países, a dieta saudável mais barata representa cerca de dois terços do rendimento das famílias mais pobres, evidenciando vulnerabilidades persistentes.

O relatório aponta três fatores essenciais para tornar dietas saudáveis mais acessíveis: políticas fiscais que favoreçam alimentos nutritivos, orientações alimentares alinhadas com sustentabilidade e saúde pública, e comércio internacional aberto e diversificado.

Infraestruturas e mercados determinam resiliência

O estudo destaca ainda que a melhoria da disponibilidade alimentar depende fortemente de infraestruturas básicas, como eletricidade, transportes, conectividade e cadeias de frio. Apesar do apoio generalizado à adoção de tecnologias agrícolas, os ganhos são mais significativos quando acompanhados por investimento público e privado nestas bases estruturais.

A Economist Impact sublinha que muitos agricultores continuam a captar retornos limitados devido a custos de transporte elevados, regras comerciais fragmentadas e insuficiência de cadeias logísticas refrigeradas, consideradas essenciais para reduzir desperdícios e melhorar o acesso ao mercado.

Segundo o relatório, reforçar ligações entre produção, armazenamento e distribuição permitirá transformar ganhos de produtividade em rendimentos mais elevados e maior estabilidade alimentar a longo prazo.

Fonte: iAlimentar

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) está a realizar ações de fogo controlado para prevenção de incêndios e renovação de pastagens, tendo intervencionado cerca de 800 hectares na zona Norte na campanha 2025/26.

“Isto é uma ação de fogo controlado com um duplo objetivo: criação de pasto para gado e também serve de mosaico para retirar carga à paisagem e servir de zona de oportunidade de combate se ocorrer um incêndio no verão”, afirmou o técnico do ICNF Artur Borges.

O responsável, que falava à agência Lusa durante uma ação de fogo controlado na Serra do Marão, concelho de Amarante, apontou ainda para o treino dos operacionais.

“O treino está sempre inerente às ações de fogo, porque o fogo controlado de inverno é o melhor treino para o verão, para o combate”, referiu.

As campanhas decorrem anualmente entre os meses de setembro/outubro e abril, mas as condições meteorológicas verificadas neste inverno, com muita chuva e vento, dificultaram a realização do fogo controlado.

Esta semana estavam reunidas condições pelo que decorreram ações um pouco por toda a região, desde Ponte de Lima, Melgaço, Montalegre, Bragança, Ribeira de Pena, Vinhais a Arouca ou Vale de Cambra

“Temos toda a gente no terreno estes dias a fazer o máximo, de manhã à noite”, afirmou Miguel Gonçalves, diretor regional adjunto do ICNF Norte.

O responsável disse que, até ao momento, foram executados mais de 800 hectares na região, cerca de 400 hectares nas serras do Marão e Montemuro, e referiu que as equipas envolvem também, entre outros, bombeiros, elementos dos gabinetes técnicos municipais das câmaras ou militares da Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS) da GNR .

Miguel Gonçalves realçou que estas ações são complementares com outras iniciativas que visam a prevenção e mitigação dos incêndios, adiantando que desde 2020, no Norte, foram instalados mais de 8.000 hectares de rede primária de faixas de gestão de combustível .

No dia em que a Lusa acompanhou a equipa liderada por Artur Borges, foram executadas três parcelas em simultâneo na Serra do Marão.

“Temos cerca de três dias sem chuva, a humidade relativa anda a rondar os 40%, 30%, com algum vento, mas é um vento seco e, portanto, temos reunidas as condições de ignição e de condução de fogo dentro de segurança”, explicou.

Há sempre um risco associado, pelo que a ação foi acompanhada por elementos da Corpo Nacional de Agentes Florestais (CNAF) do ICNF e sapadores florestais dos baldios.

“Os meios são dimensionados de acordo com a dimensão da parcela e com a meteorologia que vai estar no dia da queima”, explicou Artur Borges.

Este é o chamado fogo bom. “O fogo que nós fazemos é um fogo que é feito em condições benéficas para o território”, salientou, acrescentando que cria “uma zona tampão” que pode proporcionar uma oportunidade efetiva de combate a um incêndio.

O planeamento das áreas a intervir nas zonas de montanha também é feito com o envolvimento dos pastores.

“É um território que tem ainda gado e, portanto, nós queremos fixar as pessoas no território”, referiu Artur Borges.

E, para o produtor de vacas maronesas, José Teixeira, a renovação das pastagens representa “a diferença entre estar aberto ou estar fechado”.

A sua exploração está localizada em Canadelo, Amarante, distrito do Porto, e, segundo explicou, as suas 20 vacas adultas andam pela serra à procura de alimento e, por isso considerou “essencial que as pastagens sejam renovadas e que haja queimadas todos os anos”.

“Elas [vacas] são autónomas, a comer, a beber, e eu não tenho despesa com elas. Só assim é que se pode ser produtivo no final do ano, porque de outra forma, se estivesse aqui a alimentá-las diariamente, era impossível”, referiu.

Artur Borges salientou o “trabalho de proximidade” com os pastores “para ver o que é que eles precisam, onde é que eles precisam e conjugar isso com a estratégia de defesa do território e de gestão do mesmo”.

O fecho da época de queima, entre o final de março e meados de abril está dependente do ano hidrológico, mas também está relacionado com fatores relacionados com a reprodução das espécies e os valores ambientais a preservar.

No Marão, inserido na Rede Natura 2000, estas são preocupações que têm que ser tidas em conta.

Fonte: Agroportal