Uma nova notificação de segurança alimentar foi registada no sistema europeu RASFF sob o número 2026.6950, referente à presença da bactéria Listeria monocytogenes num produto à base de carne – chouriça. Embora esta notificação específica não esteja detalhada nas fontes públicas consultadas, enquadra‑se no contexto de várias alertas graves por Listeria comunicadas na Europa ao longo de 2026, envolvendo produtos cárneos, pescado e lácteos.
Listeria monocytogenes é uma bactéria patogénica capaz de sobreviver em temperaturas de refrigeração e causar listeriose, uma infeção particularmente perigosa para grávidas, idosos e pessoas imunodeprimidas. Os sintomas podem incluir febre, vómitos, diarreia e, nos casos graves, meningite ou septicemia.
Durante março e abril de 2026, várias autoridades europeias reportaram alertas de risco grave ao RASFF devido à presença de Listeria em produtos de charcutaria, incluindo carnes processadas como lombo, jamón serrano e produtos fatiados, distribuídos em países como Espanha, França, Itália, Portugal, Bélgica e Alemanha.
Embora a notificação 2026.6950 não esteja listada publicamente, a sua natureza — produto cárneo contaminado com Listeria — é consistente com o padrão de alertas registados no período.
A chouriça, enquanto produto cárneo curado ou semicurado, pode tornar‑se um veículo de Listeria caso ocorram falhas de higiene ou contaminação pós‑processamento. A bactéria não altera o cheiro ou o aspeto do alimento, tornando a deteção visual impossível.
Retirada imediata do lote afetado do mercado;
Rastreabilidade completa para identificar origem e distribuição;
Análises laboratoriais adicionais para confirmar extensão da contaminação;
Comunicação às entidades nacionais (como a ASAE em Portugal) para ações de fiscalização.
Verificar lotes e datas de validade de chouriça adquirida recentemente;
Não consumir o produto caso pertença ao lote afetado ou apresente indicação de recolha;
Em caso de ingestão acidental, monitorizar sintomas e procurar assistência médica se necessário;
Manter boas práticas de higiene e conservação de produtos cárneos.
A presença de Listeria em produtos alimentares foi um tema recorrente em 2026, com múltiplas investigações e recolhas de produtos, sobretudo queijos frescos e carnes processadas. Autoridades como a AESAN, FDA e CDC reforçaram alertas e medidas de controlo devido ao aumento de casos e à gravidade das infeções.
Fonte: Qualfood
Investigadores da Universidade de Leiria e Oeste desenvolveram um sistema autónomo de vigilância florestal capaz de operar de forma permanente, 24 horas por dia, sete dias por semana.
De acordo com o comunicado de imprensa, a tecnologia foi criada no âmbito da evolução do projeto DBoidS – Sistema de Gémeos Digitais e Boids para a Prevenção de Fogos, desenvolvido por investigadores do CIIC – Centro de Investigação em Informática e Comunicações.
Segundo a informação divulgada, o sistema representa um avanço face ao protótipo apresentado em junho de 2025. A aquisição de novos equipamentos, incluindo drones de última geração e uma doca inteligente, permite agora a operação autónoma da solução.
Vigilância em tempo real
O sistema combina drones autónomos, inteligência artificial (IA) e gémeos digitais para vigiar áreas florestais de maior risco, recolhendo e analisando informação em tempo real.
“Quando apresentámos os resultados do DBoidS, afirmámos que o fim do projeto seria um ponto de partida e não um ponto de chegada. Foi precisamente isso que aconteceu”, afirma António Pereira, professor catedrático e investigador.
O responsável sublinha que o interesse demonstrado pelas entidades envolvidas, em particular pelo Comando Territorial de Leiria da GNR, motivou a equipa a continuar o desenvolvimento da tecnologia e a aproximá-la das necessidades operacionais de quem trabalha na proteção da floresta.“Hoje damos mais um passo importante, ao transformar uma tecnologia desenvolvida em contexto de investigação num sistema autónomo de vigilância permanente”, acrescenta.
Validação com a GNR
A colaboração com o Comando Territorial de Leiria da GNR tem permitido validar funcionalidades e introduzir melhorias ajustadas às exigências da vigilância e prevenção de incêndios rurais.
“Acompanhamos este projeto desde o início e reconhecemos o potencial desta tecnologia para complementar os meios atualmente disponíveis”, refere Paulo Sousa, chefe da Secção do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente do Comando Territorial de Leiria da GNR.
Segundo o responsável, num território particularmente sensível ao risco de incêndio, soluções que permitam reforçar a vigilância permanente e a deteção precoce representam “uma mais-valia”.
“Acreditamos que este sistema poderá complementar os meios atualmente existentes e esperamos que, assim que estiverem reunidas as condições necessárias, possa vir a integrar os instrumentos de apoio à nossa missão”, acrescenta Paulo Sousa.
Nesta nova fase, os investigadores pretendem consolidar a robustez da plataforma e aperfeiçoar diferentes componentes, incluindo a interface de visualização e apoio à decisão.
Fonte: Vida Rural
A Comissão Europeia divulgou o seu mais recente relatório de síntese sobre a monitorização da Resistência aos Antimicrobianos (RAM) em bactérias zoonóticas e comensais presentes em animais de produção e géneros alimentícios. O documento, fundamentado em auditorias a nove Estados-Membros (incluindo Portugal) e num inquérito abrangendo todos os países da União Europeia, a Noruega e a Islândia, revela um compromisso reforçado com a segurança alimentar, embora identifique pontos críticos na cadeia de controlo.
A resistência a antibióticos é uma das maiores ameaças mundiais à saúde pública e à economia. Segundo dados da OCDE citados no relatório, os custos de saúde e a perda de produtividade associados à RAM ascendem a cerca de 11,7 mil milhões de euros por ano nos países da UE e do Espaço Económico Europeu.
Diagnóstico positivo, mas com desvios no calendário
De forma geral, o relatório assinala melhorias claras em relação ao período de monitorização anterior (2014-2020), destacando que a recolha e amostragem de dados em matadouros e pontos de venda a retalho têm seguido rigorosamente os requisitos europeus, o que garante a comparabilidade dos dados no espaço comunitário.
Apesar do balanço francamente positivo no trabalho dos Laboratórios Nacionais de Referência, o relatório aponta constrangimentos operacionais em vários países:
Inovações e vigilância reforçada
O relatório salienta o recurso crescente ao sequenciamento completo do genoma (WGS) como alternativa aos exames fenotípicos tradicionais, uma tecnologia adotada por 11 Estados-Membros para reportar dados à Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA). Além disso, 16 países relataram desenvolver atividades de monitorização voluntárias que vão além do mínimo exigido pela lei europeia, abrangendo espécies como patos e gansos ou rastreios adicionais de MRSA.
A Comissão Europeia confirma que as conclusões deste relatório servirão de base para a futura revisão da legislação comunitária sobre RAM, prevista para o final do ano, com o objetivo de flexibilizar processos e reforçar ainda mais a vigilância "Uma Só Saúde" (One Health) em todo o continente.
Fonte: TecnoAlimentar
O que é a histamina?
A histamina é uma amina – uma pequena molécula orgânica que contém azoto – produzida a partir do aminoácido histidina. Está presente naturalmente em organismos saudáveis, onde funciona como molécula de sinalização em processos imunitários, gástricos e neurais.
Por que razão a histamina constitui um risco para a segurança alimentar?
Quando a histamina está presente em níveis elevados nos alimentos, pode causar uma intoxicação aguda denominada «intoxicação escombroide», com sintomas semelhantes aos de uma reação alérgica grave, com aparecimento rápido de rubor, urticária, dor de cabeça, palpitações cardíacas, náuseas, vómitos e diarreia, exigindo, por vezes, intervenções para salvar a vida.
Os níveis de histamina nos produtos da pesca aumentam quando os microrganismos convertem o aminoácido histidina, presente na carne do peixe, em histamina. Isto pode acontecer antes de se verificar qualquer deterioração evidente, uma vez que muitas bactérias produtoras de histamina fazem parte da microflora natural da pele, das brânquias e do intestino dos peixes recém-pescados.
Os níveis elevados de histamina no peixe estão normalmente relacionados com o manuseamento inadequado da temperatura. Quando o peixe é armazenado durante demasiado tempo a temperaturas elevadas, as bactérias podem converter a histidina presente na carne em histamina.
Cadeia alimentar, desde a colheita até ao consumo
A manutenção da cadeia de frio é importante para prevenir a formação de histamina.
As enzimas histidina descarboxilases, responsáveis pela conversão, mantêm o potencial de atividade a temperaturas de refrigeração e podem sobreviver à congelação; por isso, a histamina pode acumular-se durante o armazenamento refrigerado se a cadeia de frio não for devidamente mantida.
Uma vez formada, a histamina é estável ao calor e persiste durante a cozedura, o enlatamento ou a fumagem.
As espécies mais suscetíveis de serem afetadas são aquelas com níveis elevados de histidina de origem natural, incluindo peixes da família Scombridae, como o atum, a cavala e o bonito, bem como as anchovas, os arenques, as sardinhas e o mahi-mahi (peixe-golfinho).
A histamina no peixe é uma toxina microbiológica ou um risco químico?
A histamina no peixe é classificada como um risco químico, apesar de ser produzida por via microbiológica. Num plano HACCP, a histamina (scombrotoxina) seria listada como um risco químico resultante de um controlo inadequado da temperatura.
Fonte: The Rotten Apple
No Douro está a verificar-sem uma antecipação da vindima em cerca de uma a duas semanas, neste ano em que se prevê um aumento de 25% na produção de vinho nesta região, segundo associações do setor.
“A antecipação da vindima é um facto, é uma realidade que nós estamos a assistir, não só em relação ao ano passado, mas também uma antecipação em relação àquilo que é habitual”, afirmou hoje à agência Lusa Rui Soares, presidente da Associação de Viticultores Profissionais do Douro (Prodouro).
Na região, já há produtores a cortarem uvas para os vinhos espumantes e, até à próxima semana, prevê-se o arranque da vindima de uvas brancas de uma forma mais generalizada.
“O ano passado já tinha sido uma vindima precoce, este ano ainda é mais precoce que o ano passado, o que significa que realmente as uvas estão a ficar maduras mais cedo que o normal”, acrescentou Rui Soares.
O dirigente da Prodouro apontou para uma vindima cerca de uma semana mais cedo do que no passado, mas, se se comparar com a média da região, poder-se-á estar a falar de um avanço de quase duas semanas.
“Aquilo que nós vemos é que os bagos estão a evoluir, do ponto de vista da maturação, de uma forma mais precoce daquilo que foram as vindimas anteriores. Estamos perante uma antecipação que pode ser de 15 a oito dias face à data normal de vindima”, referiu também, o diretor-geral da Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense (ADVID), Luís Marcos.
Este responsável adiantou ainda que o que se prevê, com esta antecipação, “é que provavelmente a partir da próxima semana, talvez mais perto do final da semana, se possa iniciar uma vindima mais generalizada de uvas brancas, principalmente em zonas mais precoces da região em que a maturação está mais antecipada”.
O Douro não é uma região homogénea, pelo que há sub-regiões em que a maturação está mais avançada do que noutras.
Rui Soares disse que há um conjunto de fatores que explicam esta antecipação, num ano em que o ciclo começou também ele de forma precoce.
“Ou seja, o abrolhamento foi cedo e essa antecipação manteve-se ao longo do ciclo. A floração também foi mais cedo que o normal, o pintor aconteceu mais cedo que o normal, ou seja, todos os estados fenológicos da vinha mantiveram essa antecipação”, referiu.
Para isso contribuiu também, segundo explicou, o “tempo relativamente ameno”, apontando apenas para golpes de calor no início de julho, bem como as reservas hídricas que resultaram de um inverno generoso em termos de chuva.
“Portanto, a planta esteve sempre a trabalhar confortável. Temperaturas amenas, humidade no solo, a planta nunca parou, foi sempre trabalhando, foi sempre produzindo os seus assimilados e a antecipação da vindima é o resultado disso, deste conjunto de fatores”, realçou.
A colheita inicia-se pelos espumantes, em que se querem uvas menos maduras, e segue-se depois o corte das uvas brancas mais precoces, como Viozinho ou Moscatel galego, depois terá seguimento com os vinhos rosés e, por fim, os tintos.
Rui Soares referiu ainda que se perspetiva uma colheita de boa qualidade, salientando que as “uvas estão promissoras” nesta altura.
As previsões da ADVID, divulgadas em julho, apontam para um aumento de produção no Douro na ordem dos 25% comparativamente com a produção declarada em 2025, que foi de 178 mil pipas de vinho (550 litros cada).
Também o Instituto da Vinha e do Vinho (IVV) estima que a produção de vinho na campanha 2026/27 atinja um volume de 6,7 milhões de hectolitros a nível nacional, mais 12% do que no ano anterior, com os aumentos percentuais mais expressivos registados em quatro regiões: Douro (mais 25%), Alentejo (15%), Península de Setúbal (15%) e Trás-os-Montes (15%), que juntas representam um acréscimo aproximado de meio milhão de hectolitros face à campanha anterior.
O Dia Mundial da Ostra, celebrado hoje, destaca o papel essencial deste molusco na economia costeira, na sustentabilidade dos ecossistemas marinhos e na cultura gastronómica de vários países, incluindo Portugal.
A data, que tem ganho relevância internacional, pretende sensibilizar para a preservação dos habitats naturais, promover práticas de aquacultura responsáveis e valorizar a qualidade nutricional e culinária da ostra.
Relevância ambiental
As ostras são consideradas verdadeiros engenheiros dos ecossistemas. Filtram grandes volumes de água — até 200 litros por dia — contribuindo para a melhoria da qualidade das zonas costeiras. Além disso, formam recifes que funcionam como barreiras naturais contra erosão e como abrigo para diversas espécies marinhas.
Produção e consumo em Portugal
Portugal tem vindo a reforçar a sua presença na produção de ostra portuguesa (Crassostrea angulata) e ostra japonesa (Crassostrea gigas), sobretudo em regiões como Ria Formosa, Aveiro e Setúbal. O setor tem registado crescimento devido à procura internacional e ao investimento em métodos de cultivo mais sustentáveis.
Gastronomia e tradição
A ostra ocupa um lugar de destaque na gastronomia nacional e internacional. Consumida ao natural, com limão, ou integrada em pratos mais elaborados, é valorizada pelo seu sabor mineral e pela textura delicada. Restaurantes e produtores assinalam a data com degustações, eventos temáticos e ações de sensibilização sobre consumo responsável.
Segurança alimentar e controlo
No contexto europeu, o consumo de bivalves exige atenção rigorosa à classificação das zonas de produção, ao controlo de biotoxinas marinhas e à monitorização de contaminação microbiológica. Autoridades e produtores reforçam que a compra deve ser feita apenas através canais certificados, garantindo rastreabilidade e conformidade com a legislação.
A celebração do Dia Mundial da Ostra reforça a importância de políticas públicas que apoiem a aquacultura sustentável, promovam a investigação científica e assegurem a proteção dos ecossistemas costeiros. Organizações internacionais e nacionais sublinham que o futuro da produção de ostras depende da adaptação às alterações climáticas, da gestão responsável dos recursos e da valorização económica do setor.
Fonte: Qualfood
A União Europeia publicou no Jornal Oficial da União Europeia dois novos regulamentos que atualizam e reforçam os limites máximos de contaminantes presentes nos géneros alimentícios, aprofundando a proteção da saúde pública e alinhando a legislação com as mais recentes avaliações científicas da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA).
Regulamento (UE) 2026/1825 - Estabelece novos teores máximos para 3-monocloropropanodiol (3‑MCPD), os seus ésteres de ácidos gordos e os ésteres glicidílicos em diversos alimentos. Inclui regras específicas para:
- Alimentos para bebés;
- Alimentos transformados à base de cereais destinados a lactentes e crianças pequenas;
- Alimentos compostos com óleos e gorduras adicionados As novas disposições entram em vigor a 1 de janeiro de 2027.
Regulamento (UE) 2026/1890 - Pela primeira vez, fixa limites máximos para a soma de furano, 2‑metilfurano e 3‑metilfurano em:
- Alimentos transformados à base de cereais destinados a lactentes e crianças pequenas;
- Alimentos para bebés Aplicação obrigatória a partir de 1 de janeiro de 2028.
As atualizações visam:
Reforçar a proteção da saúde pública, sobretudo dos grupos mais vulneráveis;
Incorporar os dados mais recentes de monitorização sobre a ocorrência des
Harmonizar a legislação com os pareceres científicos da EFSA, que identificam riscos associados à exposição a 3‑MCPD, ésteres glicidílicos e compostos derivados de furano.
Os contaminantes abrangidos são formados durante processos tecnológicos, como o refino de óleos ou o aquecimento de alimentos.
Estudos da EFSA demonstram que:
3‑MCPD e os seus ésteres podem representar riscos para determinados grupos populacionais;
Ésteres glicidílicos constituem uma preocupação de saúde devido ao potencial carcinogénico do glicidol;
Furanos estão associados a efeitos tóxicos hepáticos, justificando limites mais rigorosos em alimentos infantis.
Calendário de aplicação
- Contaminantes abrangidos: 3‑MCPD, ésteres de ácidos gordos, ésteres glicidílicos
- Data de aplicação: 1 janeiro 2027
- Contaminantes abrangidos: Furano, 2‑metilfurano, 3‑metilfurano
- Data de aplicação: 1 janeiro 2028
Impacto esperado
As novas regras deverão:
Aumentar a segurança dos alimentos destinados a bebés e crianças pequenas;
Promover maior rigor na indústria alimentar, exigindo monitorização reforçada;
Contribuir para a estratégia europeia de zero poluição e proteção dos consumidores.
Fonte: Qualfood
A mais antiga recicladora de plásticos do país, especializada em poliolefinas como o polietileno e o polipropileno, chegou a importar material da Alemanha por falta de matéria-prima nacional. Quando a Sociedade Ponto Verde nasceu e os ecopontos começaram a alimentar o sistema, a empresa já estava preparada para tratar esse plástico.
Hoje faz muito mais do que reciclar. Com um investimento na área da desodorização, produz um material reciclado de qualidade elevada que utiliza, por exemplo, em embalagens de cosmética, substituindo por completo a matéria-prima virgem. Um salto que mostra bem como um resíduo pode ganhar valor acrescentado.
Aproveitar cada grama de plástico
A qualidade é também a obsessão da única empresa de reciclagem de PET em Portugal. Compra resíduos pós-consumo e trata-os por completo, da triagem à lavagem e purificação, até obter uma matéria-prima reciclada apta e semelhante ao material virgem.
O desafio seguinte é aproveitar ainda mais. Por cada tonelada de resíduos de PET, cerca de metade é hoje transformada numa nova garrafa. Com o apoio da Sociedade Ponto Verde ao desenvolvimento de novas tecnologias, o objetivo é aumentar esse rendimento e, a prazo, conseguir dar uma segunda vida a todos estes materiais, garantindo sempre qualidade e cumprimento da legislação.
O futuro servido de bandeja
Alguns dos maiores desafios estão nas embalagens mais complexas, como as bandejas de plástico. Uma empresa espanhola, fundada em 2020, desenvolveu e patenteou uma tecnologia capaz de deslaminar estas bandejas, separando os diferentes materiais para que cada um possa ser reciclado como um polímero puro. No processo, o vapor de água elimina os odores e os contaminantes absorvidos pelo plástico.
A colaboração com a Sociedade Ponto Verde, no âmbito do seu programa de inovação, permitiu avançar para a revalorização de resíduos plásticos que ainda hoje ficam sem solução. Um trabalho que dá um novo sentido à ideia de que o futuro pode mesmo ser “servido de bandeja”.
Reciclar mais já não chega
Reciclar cada vez mais embalagens deixou de ser suficiente. O desafio de hoje é reciclar melhor, com mais qualidade, mais inovação e mais circularidade, para que cada embalagem regresse ao ciclo com o máximo valor possível.
Fonte: Green Savers
No âmbito da 9ª Conferência Internacional sobre Sustentabilidade e Cadeia de Frio, um grupo de investigadores franceses apresentou uma nova tecnologia de refrigeração não térmica que poderá permitir um maior controlo do crescimento dos cristais de gelo.
A aplicação de campos magnéticos aos processos de refrigeração e congelação de alimentos poderá tornar-se uma alternativa promissora aos métodos convencionais. Essa é a conclusão de um artigo científico redigido pelo presidente da Comissão C2 do Instituto Internacional de Refrigeração (IIR), Alain Le Bail, em conjunto com Olivier Rouaud e Nasser Hamdami do instituto Oniris em Nantes, França, apresentado na 9ª Conferência Internacional sobre Sustentabilidade e Cadeia de Frio (ICCC2026), realizada entre os dias 12 e 14 de abril de 2026.
Segundo os investigadores, a congelação convencional conduz frequentemente à formação de cristais de gelo de grandes dimensões e de distribuição irregular, provocando ruturas celulares, perdas de líquidos durante a descongelação, alterações de textura e degradação de nutrientes. Neste contexto, têm vindo a ser estudadas tecnologias não térmicas que permitem um maior controlo da nucleação e do crescimento dos cristais de gelo, embora esta abordagem ainda se encontre numa fase inicial de desenvolvimento tecnológico.
De acordo com os estudos analisados, a utilização de campos magnéticos pode reduzir o crescimento dos cristais de gelo, contribuindo para uma melhor preservação da textura e para menores perdas de líquido. Por se tratar de um processo sem contacto direto com o alimento e sem recurso ao aquecimento, esta tecnologia apresenta também potencial para reduzir o tempo de congelação e, em determinadas condições, o consumo de energia. Os benefícios são particularmente relevantes para produtos como pescado, carne, frutas e produtos hortícolas.
Apesar deste potencial, os investigadores sublinham que subsistem limitações importantes. O desempenho varia consoante o produto, os mecanismos físicos envolvidos ainda não estão totalmente esclarecidos e a reprodutibilidade dos resultados continua a ser reduzida. Acrescem a elevada complexidade dos equipamentos e os desafios associados à escalabilidade industrial, fatores que condicionam a adoção desta tecnologia.
Os autores defendem que a investigação e o desenvolvimento deste método deverão centrar-se no esclarecimento dos mecanismos físicos, na criação de protocolos experimentais normalizados, na quantificação dos campos elétricos induzidos e na avaliação da viabilidade da sua aplicação à escala industrial.
Fonte: TecnoAlimentar
A ciclosporíase, uma infeção intestinal causada pelo parasita Cyclospora cayetanensis, ultrapassou oficialmente a marca dos 20.000 casos confirmados desde o início do surto, segundo dados atualizados das autoridades de saúde dos Estados Unidos da América.
O número representa um aumento significativo face às semanas anteriores e indica que o surto entrou numa nova fase de transmissão, mais complexa e difícil de controlar.
As autoridades destacam que, nesta etapa, o padrão de disseminação se tornou mais imprevisível.
Inicialmente concentrados em clusters associados ao consumo de produtos frescos contaminados, os casos agora surgem em cadeias de transmissão mais difusas, sugerindo múltiplas fontes de exposição.
Especialistas alertam que a evolução do surto exige reforço das medidas de vigilância, incluindo rastreabilidade alimentar, inspeções sanitárias e campanhas de sensibilização dirigidas a consumidores e operadores do setor agroalimentar.
Hospitais e centros de saúde também reportam maior procura por atendimento, sobretudo por pacientes com sintomas persistentes como diarreia prolongada, fadiga e perda de peso.
Apesar da gravidade da situação, as autoridades reiteram que a ciclosporíase não é transmitida de pessoa para pessoa, o que mantém o foco na segurança alimentar como principal eixo de contenção.
Investigações laboratoriais continuam em curso para identificar os alimentos implicados na nova fase do surto.
Com o número de casos em ascensão, espera‑se que novas orientações sejam emitidas nos próximos dias, incluindo recomendações específicas para grupos vulneráveis e operadores económicos.
Fonte: Qualfood
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