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Portugal é um dos maiores produtores e exportadores de vinho do mundo, com vinhas que cobrem mais de 170 mil hectares e um setor que impacta direta e indiretamente mais de 168 mil empregos. Mas o vinho europeu está sob pressão e o Conselho da União Europeia decidiu agir com uma resposta de fundo.

“Embora a União continue a ser líder mundial na produção, consumo e valor exportado de vinho, as mudanças sociais e demográficas estão a ter impacto na quantidade, qualidade e tipos de vinho consumidos”, lê-se no documento oficial agora aprovado, notando ainda que “o consumo de vinho na União está no nível mais baixo das últimas três décadas”.

A isto acrescem mercados de exportação tradicionais adversamente afetados por uma combinação de tendências de consumo em queda e fatores geopolíticos, bem como uma produção cada vez mais imprevisível devido às alterações climáticas, fatores que, em conjunto, empurram os preços para baixo e esgotam as reservas financeiras dos viticultores.

Foi sob este ambiente que o Conselho da União Europeia aprovou esta segunda-feira um pacote legislativo abrangente que altera as regras de apoio ao setor vitivinícola, reconhecendo que a crise que os produtores enfrentam hoje é estrutural, e não passageira.

“Ao adotar hoje o regulamento relativo ao setor vitivinícola, menos de um ano após a sua proposta pela Comissão, o Conselho e os Estados-membros demonstram mais uma vez que estão atentos às preocupações dos agricultores e do setor agrícola, e que estão dispostos a tomar medidas eficazes para lhes dar resposta”, refere Maria Panayiotouministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Ambiente do Chipre, em comunicado, sublinhando inclusive que, desta forma, “isso garante que o setor já possa se beneficiar deles este ano.”

O regulamento agora aprovado, que foi negociado durante meses entre o Parlamento Europeu e os Estados-membros, é a resposta mais ampla das últimas décadas às dificuldades do setor. Recorde-se que o Parlamento Europeu tinha dado luz verde ao texto legislativo a 10 de fevereiro, com uma maioria esmagadora de 625 votos a favor, 15 contra e 11 abstenções, e cabia agora ao Conselho dar o passo final.

O acordo político tinha sido fechado a 4 de dezembro de 2025, na sequência de recomendações formuladas pelo Grupo de Alto Nível para a Política do Vinho, criado precisamente para identificar soluções para os desafios que o setor enfrenta.

O que muda para os produtores europeus

Para gerir melhor a oferta e evitar a sobreprodução crónica, o novo regulamento reforça o sistema de autorizações de plantação de vinhas e confere aos Estados-membros maior flexibilidade regional.

O texto reconhece que “a relação entre a oferta de produção, a procura dos consumidores e as exportações no mercado mundial é atualmente instável, resultando em graves perturbações do mercado”, e por isso permite agora que os países limitem as novas plantações em zonas com excesso de oferta, chegando mesmo a fixar limites regionais de 0% para novas autorizações.

Em situações de catástrofe natural, eventos meteorológicos extremos ou surtos de doenças, os viticultores passam ainda a ter mais um ano para plantar ou replantar vinhas afetadas, sem penalizações administrativas. O pacote prevê também um conjunto significativo de apoios financeiros:

  • No que respeita à adaptação às alterações climáticas, os Estados-membros podem agora beneficiar de um cofinanciamento europeu até 80% dos custos efetivos de reestruturação e reconversão das vinhas;
  • Para a promoção de vinhos europeus em mercados de países terceiros, como os EUA, o Canadá ou países asiáticos, o financiamento europeu pode chegar a 60% das despesas elegíveis, podendo os Estados-membros contribuir com mais 30% para pequenas e médias empresas e 20% para empresas de maior dimensão. As campanhas de promoção podem ainda ser financiadas durante três anos, renováveis por mais dois períodos de três anos, num total máximo de nove anos consecutivos.

Uma das áreas com maior impacto para os consumidores diz respeito à rotulagem dos vinhos sem álcool ou com teor alcoólico reduzido, um segmento em crescimento acelerado em toda a Europa.

O regulamento harmoniza as regras a nível europeu: vinhos com menos de 0,05% de álcool deverão ser rotulados como “alcohol-free 0,0%” (sem álcool 0,0%), enquanto vinhos com teor igual ou superior a 0,5% de álcool, mas pelo menos 30% abaixo do padrão da categoria devem ser designados como “alcohol reduced” (teor alcoólico reduzido).

O texto final reconhece que “a procura crescente por parte dos consumidores de produtos de videira com teor alcoólico reduzido, produzidos por desalcoolização, representa uma oportunidade para o setor”, clarificando que é agora possível produzir vinhos espumantes desalcoolizados a partir de vinhos tranquilos através de segunda fermentação ou adição de dióxido de carbono.

O enoturismo e as vendas diretas nas regiões produtoras surgem igualmente reforçados no novo quadro legislativo. O documento reconhece que “o enoturismo é uma atividade comercial cada vez mais importante para muitos operadores vitivinícolas”, pelo que passa a ser elegível o apoio a estruturas e instrumentos de marketing orientados para a venda direta a turistas nas regiões produtoras.

As organizações de produtores que gerem denominações de origem protegida e indicações geográficas protegidas passam também a poder aceder a apoios específicos de enoturismo, o que representa uma oportunidade direta para regiões portuguesas como o Douro, o Alentejo ou o Minho, cujos vinhos têm reconhecimento global.

Para Portugal, este pacote chega num momento em que o setor vitivinícola representa mais de 2,5% do PIB nacional e onde as exportações de vinho ultrapassaram os 965 milhões de euros em 2024, mas com o setor a mostrar grandes desafios no último ano, como espelhado pela perda de 50 mil hectares de vinhas na última década, segundo dados do Instituto da Vinha e do Vinho

Com a aprovação do Conselho concluída, o regulamento seguirá para publicação no Jornal Oficial da União Europeia, após o que entrará em vigor e começará a produzir efeitos concretos para os produtores.

Fonte: Eco

A ASAE procedeu à monitorização da cadeia alimentar, com vista à proteção das populações e dos consumidores, à salvaguarda do regular funcionamento do mercado e à prevenção de práticas lesivas num contexto considerado de particular vulnerabilidade.

As ações permitiram identificar perdas significativas de alimentos devido à quebra da cadeia de frio em vários concelhos, bem como danos estruturais graves em estabelecimentos e falhas prolongadas no abastecimento de água e energia, fatores que condicionaram o normal exercício das atividades económicas.

Foram ainda levantados 13 processos de contraordenação, maioritariamente por faltas graves nas condições de higiene e segurança que colocavam em risco os consumidores. A autoridade determinou também quatro suspensões de atividade em estabelecimentos de restauração e bebidas por inexistência de condições mínimas de funcionamento.

No âmbito da fiscalização, foram instaurados dois processos-crime por especulação de preços, relacionados com a venda de telhas acima do valor afixado nos concelhos da Batalha e de Coimbra.

 

Fonte: ASAE

Num estudo publicado na revista Dairy Science , pesquisadores da Faculdade de Ciências Agrícolas da Universidade Estadual do Oregon e da Estação Experimental Agrícola do Oregon decidiram caracterizar o comportamento da Listeria monocytogenes em queijo fresco e queijo cotija. Os investigadores adquiriram amostras dos dois tipos de queijo de dois lotes de produção e cinco fabricantes diferentes. Os queijos foram inoculados com cinco cepas de L. monocytogenes e armazenados por 28 dias a 7 °C, período durante o qual as populações bacterianas nos queijos foram monitorizadas.

Os investigadores descobriram que as amostras de queijo cotija não permitiram o crescimento de L. monocytogenes , provavelmente devido à diminuição da atividade da água e ao pH mais baixo, mas as populações permaneceram estáveis ​​durante o armazenamento, indicando que a contaminação por L. monocytogenes  ainda representa uma preocupação.

Por outro lado, a maioria dos produtos de queijo fresco permitiu o crescimento de L. monocytogenes  em níveis superiores a 2 unidades formadoras de colónias por grama (UFC/g) ao longo de 28 dias; no entanto, as populações de L. monocytogenes foram consistentemente controladas em amostras de um produto de queijo fresco de um único fabricante, sugerindo que a formulação ou os processos de produção podem influenciar o risco.

O sal retarda o crescimento da Listeria  no queijo fresco.

Para melhor compreender as características dos queijos que influenciam o crescimento de *L. monocytogenes*  , os investigadores realizaram uma análise de regressão e descobriram que a concentração de sal é um provável preditor de crescimento no queijo fresco. Estudos de inoculação em queijo fresco, com 1 a 3% de sal, mostraram que o sal inibe o crescimento de *L. monocytogenes*  , mas não o impede completamente. Curiosamente, a maior concentração de sal testada não inibiu o crescimento de L. monocytogenes .

Tratamentos com ácidos orgânicos mostram-se promissores.

Num estudo relacionado, publicado no Journal of Food Protection , os investigadores avaliaram se o tratamento de queijos frescos contaminados com ácidos orgânicos de grau alimentício poderia inibir o crescimento de Listeria monocytogenes, preservando as propriedades organolépticas dos queijos. Os investigadores aplicaram ácidos acético, lático e propiónico na superfície dos queijos inoculados com L. monocytogenes . Eles descobriram que a imersão dos queijos em concentrações mais elevadas de ácido acético e peracético impediu o crescimento de L. monocytogenes  durante 28 dias de armazenamento a 7 °C. O ácido lático só apresentou eficácia quando o pH do queijo fresco foi ajustado para ser mais ácido, o que pode afetar o sabor.

Fonte: Food Safety

A produção europeia de vidro de embalagem registou uma quebra de cerca de 10% entre 2022 e 2024, regressando a níveis próximos dos observados durante a crise financeira de 2008–2009. O alerta foi lançado pela Federação Europeia do Vidro de Embalagem (FEVE), que aponta os elevados custos da energia e o agravamento dos encargos associados ao carbono como principais fatores de pressão sobre a competitividade industrial.

Segundo a federação, o atual contexto já está a traduzir-se no encerramento de fornos e unidades produtivas em vários países europeus, colocando em risco capacidade industrial considerada estratégica para a União Europeia. O sector representa mais de 140 fábricas em 21 Estados-Membros e tem em Portugal empresas como BA Glass, Vidrala e Verallia, representadas pela AIVE – Associação dos Industriais de Vidro de Embalagem.

A indústria do vidro de embalagem desempenha um papel central em cadeias de valor exportadoras que, no conjunto da União Europeia, representam mais de 140 mil milhões de euros por ano, cerca de 6% das exportações totais. Sectores como o vinho, as bebidas espirituosas, a alimentação premium, a cosmética e o farmacêutico dependem fortemente deste material, que é infinitamente reciclável e compatível com modelos de reutilização.

Em Portugal, enquanto exportador relevante de vinho, azeite, conservas e outros produtos de valor acrescentado, uma eventual redução da capacidade produtiva poderá traduzir-se em maior pressão sobre custos e menor competitividade internacional.

A par dos custos energéticos – que continuam significativamente superiores aos de outras regiões concorrentes -, o sector enfrenta o agravamento dos encargos no âmbito do Sistema de Comércio de Licenças de Emissão da União Europeia (EU ETS). Com a atualização prevista dos referenciais de emissões em 2026, algumas empresas poderão registar um aumento substancial dos custos associados ao CO₂ já no próximo ano.

Não existe uma Europa resiliente, segura ou forte sem uma indústria europeia forte”, defendeu Michel Giannuzzi, presidente da FEVE, apelando à redução dos custos energéticos e à simplificação do enquadramento regulamentar para permitir à indústria continuar a investir na descarbonização.

Também Tiago Moreira da Silva, presidente da AIVE, sublinha que o vidro de embalagem é “um pilar essencial das cadeias exportadoras portuguesas”, defendendo a criação de condições que assegurem competitividade, investimento e emprego.

A FEVE reclama medidas urgentes, entre as quais a redução dos custos de energia e carbono, ajustes nas políticas de economia circular para evitar sobre-regulação, reforço dos mecanismos de defesa comercial e incentivos à procura de produtos fabricados na Europa.

O sector emprega diretamente cerca de 50 mil trabalhadores e sustenta mais de 850 mil empregos ao longo da cadeia de valor, gerando um volume de negócios superior a 300 mil milhões de euros – cerca de 1% da produção industrial da União Europeia. Para a federação, manter uma base industrial forte será determinante para preservar a competitividade exportadora e assegurar o investimento em inovação e transição climática.

Apelo a medidas urgentes

A FEVE defende a adoção de medidas que reforcem a competitividade industrial, nomeadamente:

- Redução dos custos energéticos e de carbono associados;

- Ajustes nas políticas de economia circular que assegurem estabilidade e competitividade, evitando a sobre-regulamentação e reconsiderando opções políticas anteriores, como objetivos excessivamente prescritivos de minimização de embalagens que enfraquecem a competitividade industrial europeia;

- Reforço dos mecanismos de defesa comercial para garantir condições de concorrência justa e leal: embora os acordos de comércio livre sejam essenciais para permitir o acesso a novos mercados e aumentar as exportações, é necessária uma ação mais firme contra práticas desleais para garantir condições de concorrência equitativas para as indústrias da UE, tanto no mercado interno como nos mercados internacionais, incluindo a proteção contra a fuga de carbono;

- Incentivos de mercado que estimulem a procura por produtos seguros e fabricados na Europa.

Fonte: Grande Consumo

O XVI Congresso Nacional do Milho, organizado em paralelo com o 2.º Encontro das Culturas Cerealíferas, decorreu nos dias 11 e 12 de fevereiro em Santarém. Mais de 600 participantes, entre agricultores, políticos, académicos e estudantes debateram os temas mais estratégicos para o setor dos cereais e da agricultura em geral.

O evento demonstrou, mais uma vez este ano, a capacidade mobilizadora da ANPROMIS – Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo e dos seus associados, bem como das associações parceiras na organização, nomeadamente a ANPOC – Associação Nacional de Produtores de Proteaginosas, Oleaginosas e Cereais e com a AOP – Associação de Orizicultores de Portugal.

Sumarizamos as principais conclusões deste encontro dos produtores dos cereais:

- Cereais e Soberania Alimentar: Falar de cereais em Portugal é falar de soberania alimentar, segurança do abastecimento, equilíbrio territorial e cadeias agroalimentares estruturantes — da produção animal à indústria transformadora. Portugal apresenta atualmente um grau muito reduzido de autoaprovisionamento em cereais, particularmente em milho e trigo, mantendo uma elevada dependência externa. Esta vulnerabilidade expõe o país a crises geopolíticas e flutuações de preços que não controla. Simultaneamente, verifica-se uma redução continuada das áreas de cereais praganosos e de milho, pressionadas pela baixa rentabilidade, pelo aumento dos custos de produção, pela concorrência de culturas permanentes e pela incerteza política quanto ao futuro da agricultura europeia. Esta conjugação de fatores constitui um risco estratégico e exige respostas claras e consistentes.Torna-se assim imperioso aumentar os valores atribuídos as Pagamentos Ligados para os Cereais;

- Autoaprovisionamento e Uso do Território: Portugal necessita de implementar com urgência a Estratégia +Cereais. Não é aceitável normalizar níveis tão baixos de autoaprovisionamento. Os cereais desempenham um papel essencial nas rotações culturais, na sustentabilidade do regadio, na preservação da fertilidade dos solos e na fixação de agricultores. Abandoná-los é fragilizar estruturalmente o sistema agrícola nacional;

- Acordos Comerciais e Concorrência Desleal: O setor manifesta profunda preocupação relativamente ao acordo entre a União Europeia e o Mercosul. Os produtores portugueses não estão contra o comércio internacional. Contudo, não podem aceitar concorrência desleal. Persistem diferenças significativas ao nível das matérias ativas autorizadas e das práticas fitossanitárias utilizadas em países terceiros, muitas das quais estão proibidas na União Europeia há longos anos, por razões ambientais e de saúde pública. Aos agricultores europeus são exigidos padrões cada vez mais rigorosos — e justamente — mas não pode ser admissível que se importem produtos que não cumprem essas mesmas regras. A sustentabilidade não pode ser um ónus interno e uma permissividade externa. Se a União Europeia pretende manter padrões elevados, esses padrões devem ser igualmente exigidos às importações;

- Importações da Ucrânia: A manutenção dos contingentes de importação de cereais da Ucrânia sem aplicação de direitos aduaneiros constitui outra preocupação central. Reconhecendo plenamente o contexto excecional vivido pela Ucrânia e o princípio de solidariedade europeia, importa sublinhar que essa solidariedade não pode comprometer a viabilidade económica dos agricultores europeus. A ausência de mecanismos de salvaguarda eficazes tem provocado distorções de mercado, pressionando os preços à produção e agravando a fragilidade económica de milhares de produtores. A Europa precisa de instrumentos de equilíbrio e correção que protejam quem produz dentro do seu espaço regulatório. É assim imperioso atualizar os preços de intervenção para os cereais;

- O Futuro da Política Agrícola Comum: O setor acompanha com apreensão a perspetiva de redução do financiamento da futura Política Agrícola Comum (PAC). A PAC não é apenas um instrumento de apoio ao rendimento. É um pilar de coesão territorial, estabilidade económica e segurança alimentar na União Europeia. Para culturas exigentes em investimento, tecnologia e gestão de risco — como o milho, os cereais praganosos e o arroz — uma PAC forte, previsível e devidamente financiada é absolutamente determinante para assegurar competitividade e continuidade produtiva;

- “Água que Une”: A estratégia “Água que Une”, apresentada pelo Governo, representa uma visão estruturante para o futuro: ligação entre territórios, eficiência no uso da água e adaptação às alterações climáticas. O investimento em infraestruturas hídricas é investimento em soberania, resiliência e futuro. Num contexto de variabilidade climática crescente, é nos períodos de abundância que se deve preparar o país para os ciclos de escassez. A oportunidade política atualmente existente em torno da gestão da água não pode ser desperdiçada nem adiada. O país exige ação;

- Uma Europa que resolve problemas: O Congresso assinalou os 40 anos de adesão de Portugal à União Europeia. A opinião foi unânime: estamos melhor na UE do que fora dela. O futuro requer confiança e foco numa Europa eficaz em solucionar desafios;

- Compromisso do Setor: Os produtores de cereais portugueses pedem regras justas, coerência política e condições para continuar a produzir. O setor quer produzir mais, melhor e de forma sustentável. Para isso, necessita de políticas que não penalizem quem cumpre, de uma Europa que proteja os seus agricultores e de um país que reconheça o valor estratégico da sua agricultura.

A ANPROMIS, a ANPOC e a AOP reafirmam a sua disponibilidade para o diálogo institucional, para a construção de soluções e para a defesa firme dos produtores nacionais. Porque sem cereais não há soberania alimentar. E sem agricultores não há futuro!

Fonte: AgroNegócios

Um novo estudo levado a cabo por uma equipa de investigadores da Universidade de Harvard sugere que reduzir o consumo de hidratos de carbono nem sempre é o melhor para a sua saúde. O mais importante é a qualidade dos hidratos.

Se estiver a tentar melhorar a sua saúde cardíaca, é provável que lhe tenham recomendado uma dieta com baixo teor de hidratos de carbono ou de gordura. Segundo um novo estudo publicado no Journal of American College of Cardiology, porém, limitar a quantidade de hidratos e de gordura pode não garantir uma diminuição do risco de desenvolver doença cardíaca.

Investigadores de Harvard analisaram dados sobre dietas e os seus resultados na saúde de cerca de 200.000 profissionais de saúde recolhidos ao longo de 30 anos e mediram o risco associado de doença cardíaca. Os investigadores compararam os profissionais de saúde que praticaram uma dieta com baixo teor de hidratos de carbono e descobriram que o risco de desenvolver doença cardíaca poderia aumentar até 14 por cento se a pessoa consumisse regularmente hidratos de carbono refinados ou prejudicais. No entanto, se a pessoa ingerisse hidratos saudáveis, como cereais integrais, o risco diminuía 15 por cento.

Este estudo sugere que a saúde “não se limita a reduzir hidratos de carbono ou gorduras”, diz Zhiyuan Wu, bolseiro de investigação de pós-doutoramento no Departamento de Nutrição da Universidade de Harvard e co-autor do estudo. “A nossa mensagem principal é que a qualidade da alimentação é mais importante.”

Uma vez que se trata de um estudo de observação, os investigadores não conseguem provar diretamente que determinadas dietas levaram os participantes do estudo a desenvolver doença cardíaca. No entanto, o facto de o estudo ter acompanhado um grande número de pessoas durante um longo período de tempo é “impressionante”, diz Camilla Dalby Hansen, investigadora na Universidade do Sul da Dinamarca, em Odense, que não participou no estudo.

Os investigadores deram um passo além e recolheram dados biológicos para ajudar a contrapor potenciais vieses de auto-relato dos questionários de saúde, diz Wu. Colheram ainda amostras de sangue de mais de 11.000 participantes e conseguiram medir o seu metaboloma, as pequenas moléculas das células e dos tecidos, corroborando as suas conclusões anteriores. “Eles foram bem-sucedidos recorrendo a uma metodologia muito complicada”, diz Hansen. “Aquilo que me faz muito feliz é o acrescento do metaboloma. É uma grande novidade e é muito excitante”.

Destaque para os super alimentos

O organismo precisa de macronutrientes – hidratos de carbono, proteínas e gorduras – que nos dão energia e promovem a nossa saúde em geral. E não faltam alimentos para obtê-los: carne, fruta, flocos de aveia, fast food, gelados e legumes, entre outros.

No entanto, os alimentos possuem qualidades diferentes. Neste estudo, por exemplo, os investigadores de Harvard fizeram uma distinção entre hidratos de carbono refinados de baixa qualidade e hidratos de carbono de alta qualidade, como cereais integrais.

A investigação também distinguiu a qualidade das fontes de gordura. Uma dieta não-saudável e de baixa qualidade, com gorduras transgénicas ou saturadas – presentes em alimentos como carnes vermelhas, natas e manteiga – não é facilmente metabolizada pelo organismo. As gorduras prejudiciais estão frequentemente associadas a riscos mais elevados de desenvolver doenças como diabetes tipo 2 e doença cardíaca.

Pelo contrário, as gorduras saudáveis e de alta qualidade, como as que existem nos abacates e nos frutos secos, são fáceis de decompor e transformar em energia – e também nos mantêm saciados. “As gorduras são os macronutrientes mais espantosos de todos”, diz Hansen. “Protegem a saúde do cérebro, o funcionamento das hormonas e a pele, além do sistema cardiovascular, ao limpar os resíduos das artérias.”

Os investigadores criaram diferentes categorias de dietas saudáveis e não-saudáveis enquanto conduziam o estudo. Uma dieta saudável incluía mais proteínas e gorduras vegetais ou proteínas e gorduras de alta qualidade, bem como hidratos de carbono de alta qualidade. Por outro lado, uma dieta não-saudável continha bastantes hidratos de carbono de baixa qualidade e proteínas e gorduras animais, que foram consideradas uma fonte de baixa qualidade neste estudo.

Os resultados mostram claramente que as diferenças na qualidade das gorduras e dos hidratos de carbono pode reduzir o risco de doença, mesmo que os participantes consumissem menos hidratos ou gorduras. Mais especificamente, os participantes que consumiam hidratos de carbono de qualidade e proteínas e gorduras vegetais corriam menor risco de desenvolver doença cardíaca do que os que consumiam hidratos de carbono mais refinados e gorduras e proteínas de origem animal.

Além disso, as proteínas e gorduras de fontes animais estão co-relacionadas com as gorduras saturadas e transgénicas, o que também pode aumentar o risco de doença cardiovascular.

Hansen considera que uma das limitações do estudo é a forma como simplifica as categorias de “saudável e prejudicial”, considerando as gorduras e proteínas de origem animal prejudiciais. “Na minha opinião, nem todas as proteínas animais e nem todas as gorduras animais são prejudiciais”, diz ela.

Wu concorda que algumas proteínas animais magras podem ser benéficas, como o iogurte. Outros especialistas dizem que este estudo sublinha as vantagens adicionais de consumir cereais integrais e proteína e gorduras de origem vegetal, em vez de outros tipos. “Não está a dizer para as pessoas não consumirem proteína animal, mas para se focarem em alimentos integrais e em proteínas e gorduras vegetais”, como leguminosas, diz Jennifer Sacheck, professora na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de Brown. “Consumir mais alimentos de origem vegetal tem demonstrado benefícios para a saúde ao longo da história.”

Marcadores de sucesso no organismo dos participantes

As amostras de sangue colhidas ao longo do estudo também fornecem informação sobre a saúde dos participantes. Aqueles que praticam versões mais saudáveis de dietas com baixo teor de hidratos de carbono e de gordura têm níveis mais elevados de colesterol bom e níveis inferiores de triglicéridos, que são produzidos quando o nosso organismo atinge um limite calórico saudável. Os níveis mais altos de colesterol bom podem proteger o organismo de desenvolver doença cardíaca, eliminando o colesterol mau das nossas artérias.

Os investigadores também analisaram os metabolitos, ou seja, os resíduos moleculares que permanecem no organismo após a metabolização. “Quando dizemos que estamos a comer determinadas coisas, o nosso metaboloma confirma-o”, diz Sacheck.

Um dos metabolitos, o ácido hipúrico, estava mais associado aos participantes que praticavam as dietas com baixo teor de hidratos de carbono e de gordura mais saudáveis. O ácido hipúrico pode ser outro indicador de uma dieta rica em frutos e legumes. As conclusões validam a modelação do risco e sugerem que as dietas mais saudáveis conduzem a melhores resultados biológicos.

Wu diz que as pessoas que praticaram uma dieta saudável com baixo teor de hidratos de carbono e uma dieta saudável com baixo teor de gorduras evidenciaram sinais sobrepostos de boa saúde. Na sua opinião, isto reforça que temos muitas opções para escolher a dieta que queremos praticar – neste caso, com baixo teor de hidratos de carbono ou com baixo teor de gorduras – desde que nos foquemos no consumo de alimentos integrais e fontes de gorduras e hidratos de carbono de alta qualidade. “Acho que dá mais flexibilidade às nossas preferências, garantindo, na mesma, a proteção cardiovascular”, diz Wu.

Fonte: National Geographic

Dois projetos financiados pela União Europeia estão a marcar o caminho para reduzir os resíduos plásticos, aumentar a circularidade e demonstrar que os produtos de base biológica constituem uma alternativa viável para o futuro.

A transição para embalagens sustentáveis tem sido tradicionalmente um objetivo ambicioso, mas os resultados dos projetos Circk-Pack e Fresh aproximaram essa visão da realidade. Ambas as iniciativas rompem com o modelo linear de “produzir, utilizar e descartar” e evidenciam que a eficiência industrial pode caminhar lado a lado com a responsabilidade ambiental.

O projeto Circ-Pack enfrentou o desafio de repensar todo o ciclo de vida das embalagens plásticas através da introdução de polímeros biodegradáveis e da aplicação de critérios avançados de ecodesign. Os seus desenvolvimentos abrangem desde frascos de champô e sacos de plástico até cápsulas de café e tabuleiros alimentares.

Enquanto iniciativa integrada no programa Horizon 2020, o Circ-Pack coordenou o trabalho de 22 parceiros de toda a Europa, entre os quais engenheiros químicos, empresas de gestão de resíduos e marcas de grande consumo. O objetivo consistiu em garantir que as soluções concebidas em laboratório funcionassem de forma eficaz em instalações reais de reciclagem.

Em vez de se centrar numa única solução, o projeto atuou em três frentes. Por um lado, substituiu substâncias químicas de origem fóssil por polímeros de base biológica. Por outro, redesenhou tabuleiros alimentares multicamada complexos para que pudessem ser facilmente separados nos seus materiais originais. Além disso, impulsionou a melhoria dos sistemas de triagem através da atualização de equipamentos de deteção por infravermelhos nas centrais de seleção, com o objetivo de evitar que materiais valiosos acabassem em aterro.

Esta abordagem multissetorial permitiu melhorar os processos de triagem e reciclagem, reduzir a dependência de recursos fósseis, diminuir o consumo de água e reduzir o potencial de aquecimento global associado às embalagens plásticas.

Atualmente, o legado do Circ-Pack prolonga-se através de serviços especializados de consultoria que apoiam as marcas na transição para embalagens mais limpas e circulares, contribuindo para reduzir de forma permanente a pegada ambiental dos produtos de higiene e alimentação.

Tabuleiros biodegradáveis para refeições prontas

Enquanto o Circ-Pack se dirige ao mercado de consumo em geral, o projeto Fresh concentrou a sua inovação num setor específico com elevados volumes de resíduos: o das refeições prontas a consumir.

Os tabuleiros de plástico de origem fóssil, amplamente utilizados no catering aéreo, em operações militares e nos serviços de entrega ao domicílio, têm representado durante anos um problema ambiental. O projeto Fresh desenvolveu uma alternativa totalmente biodegradável e de base biológica, questionando o uso destes materiais convencionais.

A partir de um compósito de base celulósica combinado com tecnologias inovadoras de laminação, o projeto demonstrou que as alternativas de base biológica podem cumprir os requisitos do mercado. Os novos tabuleiros satisfazem exigências fundamentais, como a conservação prolongada dos alimentos (vida útil alargada) e a aptidão para utilização em micro-ondas.

O impacto foi imediato e quantificável. Num período de três anos e meio, o projeto conseguiu reduzir o consumo de plástico em cerca de 200 toneladas ao substituir as embalagens de aproximadamente nove milhões de refeições no mercado retalhista do Reino Unido. O principal parceiro comercial do Fresh foi a empresa finlandesa Huhtamaki, com ampla presença industrial neste país.

A substituição de tabuleiros de plástico preto não reciclável por soluções de base fibrosa nas gamas completas de produtos dos supermercados permitiu eliminar cerca de 40% da pegada de plástico dos retalhistas nesta categoria.

No caminho para a sustentabilidade

O sucesso do Circ-Pack e do Fresh não só representa um avanço em termos de inovação, como também contribui diretamente para o roteiro da União Europeia rumo a um futuro com menos resíduos.

À medida que o Regulamento relativo a Embalagens e Resíduos de Embalagens começa a ser aplicado, ambos os projetos oferecem um modelo técnico alinhado com o objetivo comunitário de que todas as embalagens sejam recicláveis ou reutilizáveis até 2030. Através do desenvolvimento de materiais de base biológica e de elevada qualidade, estas iniciativas enquadram-se igualmente na futura Lei da Economia Circular, cujo propósito é duplicar a taxa de circularidade na Europa.

Ambos os projetos demonstram que é possível reduzir os resíduos e a poluição por plásticos e que os objetivos ambientais da União Europeia podem ser alcançados num prazo mais curto do que o previsto.

Fonte: iAlimentar

As alterações climáticas já estão a reduzir colheitas de café e a pressionar preços globais, conclui nova análise da organização científica Climate Central. O trabalho conclui que o aumento do número de dias com calor extremo está a empurrar vastas áreas nas principais regiões produtoras para além do limiar térmico considerado prejudicial para as plantas de café: 30 ºC. A partir deste patamar de calor, a planta do café entra em stress térmico. 

“As alterações climáticas estão a transformar o café — um dos produtos agrícolas mais consumidos e comercializados do mundo, com uma estimativa de 2200 milhões de chávenas consumidas todos os dias — num cultivo cada vez mais vulnerável”, refere o comunicado de imprensa sobre a análise da Climate Central.

O estudo compara dados reais de temperatura entre 2021 e 2025 com um cenário hipotético sem emissões de carbono provenientes de combustíveis fósseis e conclui que o calor adicional induzido pelas alterações climáticas está a afectar a produção e preços do café.

Cinco países têm mais problemas, mas impacto é global

Os cinco maiores produtores — Brasil, Vietname, Colômbia, Etiópia e Indonésia — registaram, em média, 57 dias extras de calor prejudicial por ano devido às alterações climáticas, revela a análise. Estes países fornecem cerca de 75% do café mundial, “o que significa que qualquer perturbação local tem repercussões imediatas no mercado global”.

Numa análise mais detalhada, o estudo nota que estes cinco países enfrentam agora mais de 144 dias por ano com temperaturas acima do limiar prejudicial. “Sem a influência das alterações climáticas, haveria menos 57 dias por ano com este tipo de calor”, refere a análise.

No mapa dos principais produtores, os autores destacam o Brasil, que enfrentou uma média de 70 dias adicionais de temperaturas acima do limiar crítico. “Mas o fenómeno é transversal: todos os 25 países analisados, responsáveis por 97% da produção global, registaram aumentos semelhantes”, lê-se na análise.

Em média, acrescentam, cada um dos países produtores “acumulou 47 dias extras de calor prejudicial por ano”. Um aumento de temperatura que, segundo a Climate Central, não teria ocorrido sem a acumulação de carbono na atmosfera.

Menos, pior e mais caro

Quando as temperaturas ultrapassam os 30 ºC, as plantas de café entram em stress térmico, nota o relatório, que elenca três das principais consequências: redução do rendimento das colheitas, diminuição da qualidade dos grãos, maior vulnerabilidade a pragas e doenças.

“A conjugação destes factores ameaça não só a quantidade, mas também o perfil sensorial do café — um elemento central para mercados especializados e para a diferenciação de origem”, argumentam os peritos da Climate Central.

No entanto, esta “pressão climática” não é distribuída de forma equitativa. Como é comum em tantos outros indicadores, afecta sobretudo os mais pequenos produtores. “Cerca de 80% dos produtores de café no mundo são pequenos agricultores, responsáveis por aproximadamente 60% da oferta global.” Apesar do prejuízo, esta importante fatia de produtores recebeu apenas “0,36% do financiamento necessário para adaptação climática em 2021”.

A Climate Central estima que o custo médio da adaptação climática para uma exploração de um hectare seja de 2,19 dólares (1,86 euros) por dia — um valor inferior ao preço de uma única chávena de café em muitos países consumidores. Só que, “para agricultores com margens reduzidas, este investimento é frequentemente incomportável”, concluem.

O efeito consequente é fácil de imaginar: perante estes desafios que os produtores enfrentam, o preço do café aumenta. “Os preços globais do café têm sido particularmente voláteis, atingindo máximos históricos em Dezembro de 2024 e novamente em Fevereiro de 2025”, anota a análise.

No caso dos Estados Unidos, as tarifas sobre importações brasileiras impostas pela Administração de Donald Trump agravaram ainda mais os custos, mas a Climate Central insiste que, acima de tudo, foi “o clima extremo nas regiões produtoras que contribuiu de forma significativa para os recentes picos de preços”.

Chuvas, secas e pragas

Se o calor não bastasse, a produção de café enfrenta ainda outros desafios, entre os quais os investigadores destacam a chuva irregular, as secas e pragas. “A irregularidade da precipitação está a tornar o cultivo ainda mais difícil. A produção de café exige entre 1500 e 2000mm de chuva por ano, de forma consistente.” Em vez disso, o clima em mudança trouxe temporadas prolongadas de seca que, inevitavelmente, reduzem a produção e, por isso, fazem aumentar o preço.

Somam-se ainda pragas e doenças que “gostam” e prosperam em locais com temperaturas mais elevadas, como a ferrugem do café (uma doença devastadora causada por um fungo da ferrugem, Hemileia vastatrix) e a broca-do-café (causada por um besouro [Hypothenemus hampei] cuja larva se alimenta das sementes do café). São ameaças que também “afectam a qualidade e quantidade das colheitas e tornam a gestão agrícola mais dispendiosa”.

Arábica: a variedade mais ameaçada

Entre as variedades de café que existem, a arábica é uma das populares, já que representa entre 60% e 70% da produção mundial. O problema é que “é especialmente sensível ao calor”. Alguns estudos citados pela Climate Central mostram que temperaturas entre 25 ºC e 30 ºC já representam uma séria ameaça, e acima de 30 ºC tornam-se “extremamente prejudiciais”.

Fonte: Jornal Público

Uma crise de contaminação está a abalar o setor de fórmulas infantis. A cereulida – uma toxina capaz de causar náuseas e vómitos intensos e, em casos extremos, doenças mais graves – foi detectada em produtos de grandes fabricantes, incluindo Nestlé e Danone. Recolhas globais já estão em andamento, e pais e responsáveis ​​são aconselhados a evitar os lotes afetados e verificar se há stocks do produto nas suas despensas.

A fonte da contaminação já foi identificada: um fornecedor terceirizado de óleo de ácido araquidônico (ARA). Mas essa revelação já é notícia velha. Nas últimas 24 horas, uma nova onda de desdobramentos surgiu. Aqui estão seis das atualizações mais significativas na crise de contaminação por cereulídeos.

1. Os fabricantes enfrentam um impacto financeiro, mas as consequências só serão visíveis no próximo ano

Tem havido muita especulação sobre as perdas financeiras que os fabricantes enfrentam relativamente a este tipo de recall global. A Nestlé, por exemplo, afirmou que os produtos recolhidos representam menos de 0,5% de suas vendas anuais.

Hoje cedo, quando a multinacional suíça divulgou os seus resultados para o ano fiscal de 2025, a diretora financeira Anna Manz afirmou que não espera que os custos – compostos pelo próprio recall e pelas perdas de vendas devido à falta de stockdo produto – ultrapassem CHF 200 milhões (€ 219 milhões).

O que permanece desconhecido é o impacto financeiro de qualquer dano à reputação sofrido pelos fabricantes envolvidos. No caso da Nestlé, alguns analistas acreditam que as consequências podem ser significativamente maiores – potencialmente em torno de 1 bilhão de francos suíços.

Seja qual for o valor final, só o saberemos no próximo ano, quando a Nestlé divulgar seus resultados do ano fiscal de 2026. "O impacto financeiro será visível no próximo ano", confirmou Manz, acrescentando que os impactos potenciais – estimados em uma pequena queda de 0,2% – já foram considerados nas projeções, que devem ficar em torno de 3% a 4% de crescimento orgânico no próximo ano.

Caso os impactos na reputação ou no consumidor se revelem piores do que o esperado, o crescimento provavelmente ficará na extremidade inferior dessa faixa.

2. A Nestlé não foi contatada pelas autoridades francesas

Em França, as autoridades iniciaram investigações sobre a forma como foram geridas as retiradas de fórmulas infantis do mercado. Entre as marcas envolvidas estão Nestlé, Danone, Lactalis, Babymio e La Marque en Moins.

Segundo a Procuradoria de Paris, a decisão de investigar o caso foi motivada pelo “grande número de denúncias” recebidas em todo o país e pela “complexidade técnica das investigações”. A Procuradoria também recebeu uma denúncia da organização de defesa do consumidor Foodwatch, além de queixas de pessoas que relataram que seus filhos vomitaram após consumirem fórmula infantil. Promotorias locais em três cidades francesas também estão a investigar a morte de três bebés .

Mas, apesar das investigações em curso, a Nestlé não foi contatada pelas autoridades francesas, afirmou o CEO Philipp Navratil durante a reunião de imprensa desta manhã. “Há uma investigação em andamento. É claro que colaboraremos se formos contatados.”

Até o momento, não há nenhuma ligação entre doenças ou mortes infantis e "qualquer produto de fórmula infantil da Nestlé", confirmou ele.

3. O risco atual de contaminação para bebés é baixo

França não é o único país a relatar bebés com sintomas estomacais após ingerirem fórmula infantil. Áustria, Bélgica, Dinamarca, França, Luxemburgo, Espanha e Reino Unido também relataram casos semelhantes. Mas, embora as investigações sobre possíveis ligações entre a contaminação por cereulídeos e as doenças continuem, novas descobertas sugerem que o risco atual de contaminação é baixo.

Segundo a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), isso deve-se aos recalls em larga escala já em curso em vários países. No entanto, as autoridades alertam que poderão ocorrer mais casos se os produtos recolhidos permanecerem nas casas das pessoas.

4. Sim, o problema remonta à China. Não, não foi uma decisão para reduzir custos

Um fornecedor chinês de óleo ARA, adicionado às fórmulas infantis para auxiliar no desenvolvimento do cérebro e da visão, foi identificado como a fonte da contaminação por cereulídeo. Hoje, ficamos sabendo que, pelo menos para a Nestlé, a decisão de optar por esse fornecedor não foi tomada com o objetivo de reduzir custos. "Não se tratava de custo", explicou o CEO Navratil. "Tratava-se de garantir a segurança do fornecimento de fórmulas infantis."

Ele está a referir-se ao histórico da produção de óleo ARA. Durante anos, apenas um único fornecedor produziu esse ingrediente essencial – um risco evidente para a cadeia de suprimentos de qualquer fabricante. Para reduzir esse risco e diversificar suas fontes de fornecimento, a Nestlé contratou um produtor com sede na China. “O fornecedor foi auditado e aprovado pelo controlo de qualidade”, disse Navratil.

Desde então, a Nestlé expandiu ainda mais sua base de fornecedores e agora trabalha com diversos fabricantes de óleo ARA. Assim que a fonte de contaminação foi identificada, a empresa interrompeu o fornecimento ao fornecedor envolvido.

5. As marcas podem entrar com ações judiciais contra o fornecedor da ARA

Em casos de recalls globais como este, os proprietários das marcas assumem publicamente a responsabilidade. Mas ficou claro que a fonte da contaminação estava mais acima na cadeia de suprimentos. O fornecedor de óleo ARA envolvido também enfrenta consequências financeiras, pois presume-se que tenha violado o contrato ao não cumprir os padrões de segurança exigidos. Uma violação tão grave como essa pode levar à rescisão do contrato sem pagamentos adicionais.

Mas a situação pode piorar muito para um fornecedor, já que as marcas têm o direito de entrar com ações judiciais. A Nestlé confirmou que tem esse direito, mas ainda não o fez. "Nosso foco tem sido o recall e agora é restabelecer o fornecimento", disse Navratil.

6. Novos procedimentos de teste para o óleo ARA em andamento

Os fabricantes estão agora a trabalhar arduamente para suprir as lacunas de fornecimento. Para a Nestlé, esse é o foco principal, com o CEO Navratil a confirmar que a empresa tem enviado “produtos seguros e com controlo de qualidade” desde que o recall foi concluído.

A novidade são os procedimentos adicionais de teste de óleo ARA, que não existiam anteriormente porque a contaminação por cereulídeos no óleo era considerada um "risco desconhecido". Agora, todo o óleo que entra nas fábricas da Nestlé é testado e só entra em produção após ser aprovado.

A Nestlé deixou de comprar do fornecedor envolvido e e outros fornecedores de óleo ARA também estão a ser testados. Após a produção, a fórmula infantil é testada novamente antes de ser liberada para comercialização.

“Estamos a aplicar esses conhecimentos a todos os fornecedores para garantir que isto não aconteça novamente”, disse Navratil. “Todos os produtos que saem da linha de produção agora são totalmente testados e seguros.”

Fonte: FoodNavigator Europe

Os peritos da EFSA concluíram que o edulcorante sucralose (E 955) continua a ser seguro para os consumidores nas suas utilizações atualmente autorizadas como aditivo alimentar. Na sequência de uma revisão exaustiva de todos os dados científicos disponíveis, confirmaram a dose diária admissível. (DDA) de 15 mg/kg de peso corporal por dia e indica que a atual concentração ou quantidade de uma determinada substância que é ingerida por um indivíduo, população ou ecossistema numa frequência específica durante um determinado período de tempo permanece abaixo deste nível.  No entanto, a EFSA não pôde confirmar a segurança das utilizações adicionais da sucralose.

O E 955 é um edulcorante, cerca de 600 vezes mais doce do que o açúcar, que é autorizado para utilização numa gama de alimentos e bebidas com teor reduzido de açúcar e sem açúcar. 

Esta avaliação faz parte de uma revisão em curso dos aditivos aprovados antes de 20 de janeiro de 2009, tal como exigido pela legislação da UE. Os peritos da EFSA avaliaram igualmente um novo pedido para permitir a utilização da sucralose em produtos de padaria mais finos, para além do papel de bolacha e dos cones e bolachas para gelados, que já estão aprovados.

Um estudo recente descobriu que, quando o E 955 é exposto a altas temperaturas por longos períodos, o cloro pode migrar da sucralose e potencialmente formar compostos clorados, cujos efeitos na saúde são desconhecidos. 

«Confirmámos que as atuais utilizações da sucralose como aditivo alimentar são seguras. No entanto, não conseguimos chegar à mesma conclusão para as novas utilizações propostas que avaliamos, uma vez que podem envolver vários processos industriais que exigem temperaturas elevadas prolongadas», afirmou Laurence Castle, presidente do Painel Científico dos Aditivos Alimentares e Aromatizantes da EFSA. 

Além disso, os especialistas observaram que fatores como a temperatura, os tempos de cozedura e a quantidade de adoçante utilizado também podem variar muito nas cozinhas domésticas, o que significa que a formação de compostos clorados durante a preparação de produtos caseiros que exigem alta temperatura, como fritura e cozimento com sucralose, não pode ser excluída. Por conseguinte, a EFSA recomendou que a Comissão Europeia considerasse a questão da potencial formação de compostos clorados durante a cozedura doméstica com sucralose. 

Fonte: EFSA