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Celebrado a 8 de outubro, o Dia Mundial do Polvo convida-nos a descobrir um dos habitantes mais fascinantes dos oceanos. Inteligente, adaptável e fundamental para o equilíbrio dos ecossistemas marinhos, este cefalópode é muito mais do que uma iguaria apreciada à mesa.

Com oito tentáculos repletos de ventosas, três corações e uma extraordinária capacidade de camuflagem, o polvo continua a despertar a curiosidade de cientistas e amantes da natureza em todo o mundo. A data de 8 de outubro foi escolhida precisamente em alusão aos seus oito braços, celebrando um animal que habita os oceanos há mais de 300 milhões de anos.

Considerado um dos invertebrados mais inteligentes do planeta, o polvo é capaz de resolver problemas, utilizar ferramentas e adaptar o seu comportamento a diferentes situações. Possui um sistema nervoso altamente desenvolvido e cerca de 500 milhões de neurónios distribuídos entre o cérebro e os tentáculos, conferindo-lhe capacidades cognitivas que continuam a ser alvo de investigação científica. 

Além das suas impressionantes capacidades intelectuais, o polvo desempenha um papel essencial nos ecossistemas marinhos. Como predador e presa, integra complexas cadeias alimentares e contribui para o equilíbrio da biodiversidade oceânica. No entanto, enfrenta desafios crescentes, incluindo a sobrepesca, a poluição dos mares e a degradação dos habitats naturais. 

Em Portugal, onde o polvo tem uma forte relevância económica, cultural e gastronómica, esta data assume também uma dimensão de sensibilização para a gestão sustentável dos recursos marinhos. A preservação dos oceanos e das espécies que neles habitam é hoje uma responsabilidade partilhada por consumidores, setor das pescas, investigadores e decisores políticos. 

Neste Dia Mundial do Polvo, vale a pena recordar que algumas das maiores maravilhas da natureza vivem escondidas sob a superfície do mar. Entre mudanças de cor quase instantâneas, estratégias de sobrevivência surpreendentes e uma inteligência fora do comum, o polvo continua a provar que os oceanos ainda guardam muitos segredos por desvendar.

Fonte: Qualfood

 

A Organização Europeia de Ciência das Plantas (EPSO) apresentou recomendações à Comissão Europeia para reforçar o contributo da investigação vegetal para uma bioeconomia competitiva e sustentável, defendendo, entre outras medidas, a simplificação dos processos de aprovação das Novas Técnicas Genómicas (NTG).

A ciência das plantas pode desempenhar um papel determinante na concretização da estratégia europeia para uma bioeconomia competitiva e sustentável. Esta é uma das principais mensagens da posição divulgada ontem pela Organização Europeia de Ciência das Plantas (EPSO), que apresentou um conjunto de recomendações para reforçar o contributo da investigação vegetal para as prioridades estratégicas da União Europeia.

A EPSO considera que a bioeconomia não representa apenas uma resposta aos desafios ambientais, constituindo também um investimento estratégico na prosperidade, na resiliência e na segurança económica da Europa.

Na sua posição, a organização identifica várias oportunidades para valorizar o conhecimento científico sobre as plantas e acelerar a sua aplicação em diferentes setores da economia.

Mais investimento na investigação e na inovação

Entre as recomendações apresentadas à Comissão Europeia está o reforço da investigação sobre processos de produção de base vegetal, tendo em conta a sua viabilidade económica e ambiental, a escala de produção e os custos associados ao transporte de biomassa.

A EPSO defende igualmente a criação de ambientes de experimentação que permitam desenvolver e testar tecnologias de produção em fábricas de plantas e sistemas de agricultura molecular vegetal.

Estas infraestruturas poderão contribuir para aproximar a investigação científica das aplicações industriais, facilitando o desenvolvimento de novos produtos e processos de base biológica.

Simplificar a aprovação das novas técnicas genómicas

A regulamentação das novas técnicas genómicas (NTG) é outro dos temas abordados pela EPSO. A organização recomenda a simplificação e a aceleração dos procedimentos de aprovação das NTG e das plantas geneticamente modificadas, defendendo igualmente o desenvolvimento de critérios de avaliação adequados para novos alimentos, plantas obtidas por edição genética e organismos geneticamente modificados.

Estas recomendações surgem num contexto de evolução do enquadramento regulamentar europeu das NTG e de debate sobre as condições necessárias para promover a inovação no setor agrícola e agroalimentar.

Produtos de base vegetal nas compras públicas

A EPSO propõe ainda que os produtos resultantes da agricultura molecular vegetal e das fábricas de plantas sejam considerados nas políticas de contratação pública ecológica da União Europeia.

A organização pretende também reforçar a participação da comunidade científica nas estruturas europeias de consulta sobre economia circular e bioeconomia, de forma a assegurar que o conhecimento científico é devidamente considerado na definição e aplicação das políticas públicas.

Uma oportunidade para a investigação europeia

Com estas recomendações, a EPSO pretende contribuir para que a ciência das plantas tenha um papel mais relevante na concretização da estratégia europeia para a bioeconomia.

O documento sublinha a importância de criar condições para transformar o conhecimento científico em soluções aplicáveis, promovendo a inovação, a competitividade e a sustentabilidade em diferentes setores.

A implementação destas propostas dependerá das decisões da Comissão Europeia e dos Estados-Membros, bem como dos instrumentos de financiamento e dos enquadramentos regulamentares que vierem a ser adotados.

Mais informação em EPSO – European Plant Science Organisation, Contributions from plant research and innovation to implementing the Strategic Framework for a Competitive and Sustainable EU Bioeconomy, 1 de outubro de 2026.

Fonte: Centro de informação de biotecnologia

Campanha de Alerta | Gripe Aviária

  • Tuesday, 06 October 2026 09:02

As aves selvagens podem transportar o vírus da gripe aviária sem apresentarem sinais evidentes de doença. Durante os períodos migratórios aumenta o risco de contacto indireto com aves domésticas.
Proteger as aves domésticas do contacto direto ou indireto com aves selvagens é uma das medidas mais importantes para prevenir a doença. A adoção de medidas simples de biossegurança, como impedir o acesso das aves selvagens à alimentação e à água das aves de capoeira, é fundamental para prevenir a introdução da doença.

A gripe aviária é uma doença viral altamente contagiosa que afeta aves domésticas e selvagens. A adoção de medidas simples de biossegurança é fundamental para reduzir o risco de introdução e propagação da doença.

Para proteger as suas aves:

  • Evite o contacto com aves selvagens;
  • Proteja os alimentos e a água de bebida contra contaminação;
  • Mantenha os alojamentos limpos e em boas condições;
  • Vigie regularmente o estado sanitário das aves;
  • Comunique de imediato qualquer suspeita de doença às autoridades competentes.

Consulte o folheto informativo sobre a Gripe Aviária e o cartaz dedicado às aves selvagens para conhecer as principais medidas de prevenção.

Saiba mais sobre a Gripe das Aves: doencas-das-aves/gripe-aviaria/

Fonte: DGAV

O projeto europeu HelEx combina melhoramento convencional, genómica e edição genética para desenvolver variedades de girassol mais resilientes às alterações climáticas. A investigação procura também melhorar a qualidade das sementes e favorecer os polinizadores.

Uma resposta aos desafios climáticos

O aumento das temperaturas e a crescente irregularidade da precipitação estão a colocar novos desafios à produção de girassol na Europa. Para responder a estes problemas, o projeto europeu HelEx está a desenvolver variedades capazes de suportar melhor a seca e o calor, recorrendo à diversidade genética de espécies silvestres de girassol e a diferentes ferramentas de melhoramento vegetal.

Financiado pelo programa Horizonte Europa e coordenado pelo Instituto Nacional de Investigação para a Agricultura, Alimentação e Ambiente de França (INRAE), o projeto procura acelerar o desenvolvimento de variedades adaptadas às condições climáticas futuras, sem descurar a produtividade e a sustentabilidade da cultura.

A diversidade genética ao serviço do melhoramento vegetal

Uma das estratégias do HelEx consiste em aproveitar as características de espécies silvestres de Helianthus, algumas das quais estão naturalmente adaptadas a ambientes áridos e a temperaturas elevadas.

Os investigadores estão a identificar variantes genéticas associadas à tolerância ao stress hídrico e térmico, que poderão ser introduzidas em variedades de interesse agrícola.

Para isso, o consórcio combina métodos de melhoramento convencional, seleção assistida por marcadores moleculares, genómica e edição genética. Esta abordagem integrada permite identificar características de interesse e acelerar a sua incorporação nos programas de melhoramento.

Ensaios de campo em cinco países europeus

O projeto já identificou materiais genéticos e genes candidatos associados à tolerância à seca e ao calor. Os materiais desenvolvidos estão a ser avaliados em ensaios de campo em França, Alemanha, Hungria, Roménia e Sérvia, de modo a determinar o seu desempenho em diferentes condições ambientais.

O objetivo é verificar se as características identificadas em laboratório e durante as fases iniciais do melhoramento se traduzem numa maior resiliência das plantas em condições reais de produção.

O projeto HelEx, iniciado em maio de 2023 e com conclusão prevista para abril de 2027, envolve instituições de investigação e empresas europeias de melhoramento vegetal.

Mais do que resistência à seca

A investigação não se limita à adaptação climática. O HelEx está também a estudar características que podem beneficiar os polinizadores, nomeadamente a coloração ultravioleta das flores e a composição do néctar.

Paralelamente, os investigadores estão a explorar o potencial de variedades com maior teor de proteína nas sementes, procurando identificar novas oportunidades para a valorização alimentar do girassol.

Estas linhas de investigação refletem uma abordagem que procura conciliar a produtividade agrícola com a biodiversidade e a utilização mais eficiente dos recursos.

Uma cultura estratégica para a Europa

A Europa é uma das principais regiões produtoras de girassol a nível mundial, pelo que a adaptação desta cultura às alterações climáticas tem implicações para a produção agrícola e para o abastecimento de óleos vegetais.

Os resultados do HelEx poderão contribuir para o desenvolvimento de variedades mais adaptadas às condições futuras. Contudo, a sua utilização comercial dependerá da validação agronómica dos materiais e das etapas subsequentes de melhoramento e registo.

Mais informação em CORDIS – Comissão Europeia, A bright future for drought-resistant sunflowers, atualizado a 22 de setembro de 2026.

Fonte: Centro de informação de biotecnologia

Álcool: 1 em 20 europeus bebe todos os dias

  • Tuesday, 06 October 2026 08:48

Em 2025, 4,8% da população da União Europeia com 16 ou mais anos consumiu álcool diariamente, segundo dados do Eurostat. O consumo semanal abrangia 19,2% da população e o mensal 21,8%.

No conjunto, a maioria dos europeus consumia álcool com menor frequência ou não tinha consumido bebidas alcoólicas em 2025. Cerca de 20,7% bebiam menos de uma vez por mês, enquanto 33,5% nunca tinham consumido álcool ou não o tinham feito durante o ano.

A frequência de consumo varia significativamente em função da idade. Entre os jovens dos 16 aos 24 anos, apenas 0,8% consumiam álcool diariamente. A proporção aumentava progressivamente com a idade, atingindo 8,9% entre as pessoas com 65 ou mais anos.

Homens bebem com maior frequência

As diferenças entre homens e mulheres são igualmente expressivas. Em 2025, 56,5% dos homens com 16 ou mais anos consumiram álcool pelo menos uma vez por mês, face a 35,9% das mulheres.

O consumo diário, semanal e mensal foi, de forma consistente, mais frequente entre os homens do que entre as mulheres.

Menor consumo entre grupos vulneráveis

A situação socioeconómica também surge associada à frequência de consumo. As pessoas em risco de pobreza ou exclusão social apresentaram menor probabilidade de consumir álcool do que aquelas que não se encontravam nessa situação.

Entre as pessoas em risco de pobreza ou exclusão social, 47,5% nunca tinham consumido álcool ou não o tinham feito em 2025, uma proporção bastante superior aos 29,9% registados entre as pessoas que não estavam em risco.

Os dados fazem parte da publicação Key figures on European living conditions – 2026 edition, do Eurostat, dedicada às principais condições de vida na União Europeia, com particular atenção aos grupos mais vulneráveis.

Fonte: Grande Consumo

Investigadores desenvolveram um sistema de edição genética CRISPR-Cas9 na leguminosa Medicago lupulina, conseguindo alterar a estrutura das folhas. A investigação poderá facilitar futuros estudos destinados a melhorar características das plantas utilizadas na alimentação animal.

A tecnologia CRISPR-Cas9 permitiu modificar geneticamente a Medicago lupulina, uma leguminosa utilizada na alimentação animal e como cultura de cobertura. O trabalho, desenvolvido por investigadores chineses e divulgado pelo ISAAA a 30 de setembro, representa um avanço na criação de ferramentas de edição genética para esta espécie.

Os investigadores desenvolveram um sistema que permite modificar de forma direcionada o gene MlPINNA1, envolvido no desenvolvimento das folhas. A intervenção genética alterou a estrutura foliar característica da planta, que passou a apresentar cinco folíolos, em vez dos três habituais.

CRISPR-Cas9 altera a estrutura das folhas

Para conseguir a edição genética, a equipa otimizou as condições de cultura de tecidos vegetais e os procedimentos necessários à regeneração das plantas. Desenvolveu também uma construção genética CRISPR-Cas9 destinada a inativar o gene MlPINNA1.

Foram obtidas três plantas editadas geneticamente, nas quais os investigadores confirmaram, através de sequenciação, as alterações introduzidas no gene-alvo. As três apresentaram folhas com cinco folíolos, confirmando o envolvimento de MlPINNA1 no desenvolvimento da estrutura foliar.

O resultado demonstra a possibilidade de utilizar a edição genética para modificar características específicas da Medicago lupulina, uma espécie para a qual as ferramentas de transformação genética ainda são limitadas.

Novas ferramentas para o melhoramento de plantas forrageiras

O desenvolvimento deste sistema de edição genética poderá facilitar a investigação de outras características agronómicas da Medicago lupulina, nomeadamente as relacionadas com a produção e a qualidade da forragem.

A possibilidade de modificar genes específicos abre novas oportunidades para estudar os mecanismos genéticos envolvidos em características de interesse agrícola. A ferramenta poderá também ser útil na investigação de espécies relacionadas, como a luzerna (Medicago sativa).

Contudo, a alteração da estrutura das folhas não demonstra, por si só, um aumento da produtividade ou do valor nutricional da planta. Serão necessários estudos adicionais para determinar se a característica introduzida proporciona efetivamente vantagens agronómicas.

Potencial para uma produção pecuária mais sustentável

As plantas forrageiras desempenham um papel importante na alimentação animal e nos sistemas agrícolas, contribuindo também, no caso das leguminosas, para a fixação biológica do azoto.

O desenvolvimento de ferramentas de edição genética adaptadas a estas espécies poderá facilitar a investigação de características que contribuam para melhorar a produtividade e a qualidade da forragem.

O estudo agora divulgado constitui um avanço metodológico neste domínio, ao disponibilizar um sistema CRISPR-Cas9 que poderá ser utilizado em futuras investigações sobre o melhoramento genético de plantas forrageiras.

Mais informação em ISAAA – Crop Biotech Update, CRISPR-Cas9 Editing Opens New Paths for Forage Improvement, 30 de setembro de 2026.

Fonte: Centro de investigação de biotecnologia

Quando o álcool sai, o terroir fica?

  • Tuesday, 06 October 2026 08:23

Pode existir terroir num vinho desalcoolizado? E porque é que, cinco anos depois de a lei europeia abrir essa porta, quase nenhuma região portuguesa a atravessou? O mercado cresce, mas as grandes denominações de origem continuam cautelosas perante uma categoria que levanta dúvidas sobre identidade, qualidade e valor.

Diz-se, no sector, que a União Europeia “proíbe” as denominações de origem nos vinhos sem álcool. Não é bem assim. A lei distingue dois produtos diferentes – o totalmente desalcoolizado e o parcialmente desalcoolizado – e só fecha a porta ao primeiro. Ao segundo, deixou-a entreaberta desde 2021, à condição de cada região decidir atravessá-la. 

Uma indicação geográfica portuguesa já o fez e outras estão a avançar nesse sentido. As grandes denominações de origem – Douro, Vinho Verde, Alentejo – continuam paradas à entrada. A pergunta interessante deixou, então, de ser “porque é que a União Europeia não deixa” e passou a ser “porque é que, podendo, quase ninguém decidiu ainda avançar?”.

Convém situar primeiro a escala do que está em jogo. Segundo a IWSR, entidade de referência na análise de mercados de bebidas, as categorias de vinho sem e com baixo teor alcoólico cresceram 9% em volume em 2025, com uma expansão acumulada de 36% projetada até 2029. Entre 2019 e 2024, esse crescimento foi transversal aos oito principais mercados analisados pela IWSR, ainda que a ritmos muito diferentes: mais moderado em mercados maduros como a França (+4%) ou a Alemanha (+9%) e muito mais acelerado em mercados anglófonos e no Japão – os Estados Unidos cresceram a um ritmo anual composto de 23%, o Canadá de 27% e o Japão de 26%. Estimativas de consultoras situam o valor global da categoria de vinho sem álcool acima dos dois mil milhões de dólares, cerca de 1,73 mil milhões de euros, com taxas de crescimento anual compostas próximas dos dois dígitos até ao final da década – as estimativas exatas variam consoante a fonte, mas convergem todas na mesma direção. 

Não é, portanto, uma categoria residual à espera de enquadramento legal: é um segmento que já cresce a dois dígitos em vários dos maiores mercados do mundo e que a Europa, historicamente mais conservadora nesta matéria, começa agora a acompanhar.

A porta que a lei deixou aberta

O ponto de partida jurídico está no Regulamento (UE) 2021/2117, que alterou a organização comum de mercado dos produtos agrícolas e, pela primeira vez, deu um nome legal a uma categoria que já existia nas prateleiras de meia Europa: o vinho desalcoolizado. A norma distingue dois produtos. Um é o vinho “desalcoolizado”, com um título alcoométrico igual ou inferior a 0,5% vol. – na prática, sem álcool. O outro é o vinho “parcialmente desalcoolizado”, que mantém um teor de álcool acima desse limiar, mas abaixo do mínimo exigido para a categoria de origem. A distinção não é cosmética: determina tudo o que vem a seguir.

Para os vinhos sem denominação de origem ou indicação geográfica, a lei permite as duas desalcoolizações, total ou parcial. Para os vinhos com DOP ou IGP, só permite a parcial. Um Vinho Verde, um Douro ou um Alentejo não pode, por definição legal, ser totalmente desalcoolizado e continuar a chamar-se Vinho Verde, Douro ou Alentejo. Mas pode ser parcialmente desalcoolizado e manter essa denominação – com uma condição: a região tem de alterar o seu caderno de especificações para prever expressamente essa possibilidade.

A Comissão Europeia clarificou esta distinção em pormenor numa comunicação publicada no Jornal Oficial da União Europeia em 2024, com perguntas e respostas sobre a aplicação das regras de desalcoolização. O documento explica que um vinho parcialmente desalcoolizado pode continuar a ser considerado vinho da categoria de origem, desde que a desalcoolização ocorra depois de o vinho ter atingido plenamente as características exigidas para essa categoria e sejam usados processos enológicos autorizados. Por outras palavras, do ponto de vista regulamentar europeu, “vinho sem álcool já não é vinho”, é uma simplificação. A questão não é se pode continuar a ser vinho – é se pode continuar a ser “aquele” vinho, com aquele nome de origem.

Porquê a cautela extra para as denominações protegidas? O próprio regulamento dá a explicação: tratava-se, em 2021, de produtos ainda inovadores e a Comissão Europeia considerou necessário mais tempo e mais evidência para garantir que a remoção total do álcool não comprometia as características diferenciadoras dos vinhos protegidos por uma DOP ou IGP. Ou seja, a lei não decidiu que a origem desaparece com o álcool. Decidiu apenas que ainda não há garantias suficientes de que não desapareça e empurrou essa decisão para as próprias regiões, caderno de especificações a caderno de especificações. É aqui que a história fica mais interessante do que a versão simplificada que circula no sector.

Um Vinho Verde, um Douro ou um Alentejo não pode, por definição legal, ser totalmente desalcoolizado e continuar a chamar-se Vinho Verde, Douro ou Alentejo. Mas pode ser parcialmente desalcoolizado e manter essa denominação – com uma condição: a região tem de alterar o seu caderno de especificações para prever expressamente essa possibilidade

Portugal já começou a atravessá-la

Em Portugal, uma indicação geográfica já atravessou essa porta. O Conselho Geral da Comissão Vitivinícola Regional do Tejo, entidade gestora da IGP Tejo, deliberou em novembro de 2024, e voltou a deliberar em julho de 2025, a introdução da desalcoolização parcial nas condições de produção e comercialização da região. A alteração foi publicada em Diário da República a 1 de agosto de 2025, através do Aviso n.º 19336/2025/2, e o próprio texto do aviso sublinha que se trata de uma inovação tornada possível pelo Regulamento (UE) 2021/2117. Na prática, é permitida a desalcoolização parcial de vinhos com direito ao uso da IGP Tejo.

O Instituto da Vinha e do Vinho (IVV) confirma que o Tejo não está sozinho. “Esta possibilidade já se encontra prevista na IGP Tejo e na IGP Península de Setúbal. Está igualmente em fase final de introdução na IGP Lisboa”, responde Francisco Toscano Rico, presidente do instituto. É um dado que muda a moldura da questão: a “porta legal” aberta em 2021 não ficou por atravessar. Já há, hoje, indicações geográficas portuguesas com vinho parcialmente desalcoolizado previsto no seu enquadramento regulamentar.

Mas há uma distinção que o sector tende a esbater e que aqui importa manter rigorosa: Tejo, Setúbal e Lisboa são IGP – Indicação Geográfica Protegida –, não DOP – Denominação de Origem Protegida. É um nível de proteção mais lato, historicamente associado a critérios de produção menos estritos do que os das denominações de origem propriamente ditas, como Douro, Vinho Verde, Dão, Bairrada ou Alentejo. Nenhuma destas grandes DOP portuguesas alterou, até à data desta reportagem, o seu caderno de especificações para admitir vinho parcialmente desalcoolizado sob o respetivo nome de origem.

Quem tem de dar esse passo? Não é o Estado. “As alterações às condições de produção e comercialização dos vinhos DOP e IGP são promovidas pelas regiões, através das respetivas entidades gestoras e em representação dos viticultores e produtores”, explica o porta-voz do IVV. “Nos termos da regulamentação europeia, não compete ao Estado desencadear estas alterações. O seu papel consiste em avaliar as propostas apresentadas, apreciar a sua conformidade regulamentar e os respetivos impactos para a região e para o sector”. No caso português, é o próprio IVV quem faz essa apreciação e tramitação – mas só depois de a proposta chegar de uma comissão vitivinícola regional.

Se podem, porque não avançam?

Isto desloca a pergunta. Já não é “porque é que a lei não deixa” – é “porque é que as regiões que podiam ainda não pediram”. E, aqui, as respostas recolhidas pela Grande Consumo junto de produtores e entidades desenham um retrato mais matizado do que uma simples resistência corporativa.

O IVV, pelo seu lado, não esconde abertura. “Não tenho melancolias nem reservas ideológicas sobre a presente matéria”, resume Francisco Toscano Rico, que diz acompanhar a evolução do mercado sem pressa de tomar posições precipitadas. “Se uma determinada inovação permitir aumentar a competitividade, gerar maior valor acrescentado para a produção e manter a qualidade e a reputação dos vinhos portugueses, então, deve ser analisada de forma positiva e responsável”, acrescenta, comparando o caso ao que o instituto diz querer fazer em breve com castas resistentes a doenças. Ao mesmo tempo, avisa: “Existem regiões que poderão optar por integrar estas categorias e outras que poderão entender que não se enquadram no seu posicionamento. Essa diversidade é legítima e deve ser respeitada”.

A ViniPortugal, responsável pela promoção internacional da marca Wines of Portugal, ocupa uma posição mais cautelosa e não hesita em nomear o que está em jogo. “Quando um vinho não pode apresentar no rótulo uma DO ou uma IG, como acontece atualmente com os vinhos sem álcool, perde-se uma parte importante dessa capacidade de diferenciação”, afirma Frederico Falcão, presidente da ViniPortugal, para quem a origem é “um dos principais ativos do vinho português”. Questionado diretamente sobre se defenderia junto do IVV ou da Comissão Europeia uma alteração que permitisse a alguma denominação portuguesa admitir vinho parcialmente desalcoolizado, a resposta não é um sim. É um “depende do sector”: “A ViniPortugal estará sempre disponível para participar na reflexão sobre a evolução do enquadramento regulamentar, desde que qualquer alteração resulte de um amplo consenso do sector.” E esse consenso, garante Frederico Falcão, ainda não existe.

Onde está, então, essa falta de consenso? A ViniPortugal aponta três causas concretas: uma categoria “ainda relativamente recente em Portugal e que não é ainda totalmente aceite por todos os produtores”; uma procura “ainda limitada quando comparada com mercados como a Alemanha, os Países Baixos ou os países nórdicos” e uma tecnologia de desalcoolização “que ainda não está igualmente disponível para todos os produtores”, seja pelo processo em si, seja pelo investimento que implica.

É precisamente nesse ponto – o que a tecnologia consegue ou não preservar – que entra a distância entre o discurso institucional e a experiência de quem já fez o produto. A José Maria da Fonseca é pioneira em Portugal nesta categoria: começou a investigar a desalcoolização em 1998 e lançou o O%riginal em 2009, “muito antes de existir mercado”. Questionado se sente perda de valor comercial por não poder usar uma denominação de origem, o head of Marketing da casa, António Soares Franco, não hesita: “Hoje, honestamente, não. Nesta categoria, o valor constrói-se pela confiança na marca e pela qualidade na prova”. A empresa comunica a casta – Sauvignon Blanc, atualmente – e aquilo que a lei permite, mas prescinde, sem drama aparente, do nome da região. “É natural que o enquadramento das denominações venha a evoluir, e acompanharemos essa evolução com interesse”, acrescenta, mais como observação do que como reivindicação.

A Real Companhia Velha, a maior casa histórica do Douro, fundada em 1756, oferece uma terceira posição – talvez a mais reveladora de todas, porque separa a questão jurídica da questão do produto. “Faz sentido” abrir uma denominação histórica a uma categoria tão recente, responde o presidente, Pedro Silva Reis, comparando o percurso ao da cerveja sem álcool, que “levou décadas a chegar a uma solução competente”, mas “chegou a bom porto”. A empresa diz ver “com abertura uma eventual evolução da região” e admite estar “a estudar opções com atenção”. Mas trava a expectativa com uma frase que devolve a discussão ao copo: “Ao dia de hoje, ainda não fomos capazes de nos surpreender (positivamente) com um vinho desalcoolizado que consideremos ‘bom’”. Sobre parcelas como o Samarrinho ou vinhas centenárias, a resposta é ainda mais direta: um processo de desalcoolização preservaria essa identidade? “Receio que não.”

A Adega do Cartaxo, cooperativa da região do Tejo, já tem produto no mercado: lançou, em 2025, duas referências desalcoolizadas, Absolvido branco e Absolvido espumante branco – não sob a marca Tejo, que reserva para os vinhos tradicionais da casa, mas como marca própria. Questionado se a adega teria interesse em que a região admitisse vinho parcialmente desalcoolizado com o nome “Tejo” no rótulo, o diretor de enologia, Pedro Gil, é pragmático: “Neste momento, não me parece que seja uma necessidade, uma vez que já é permitido como Indicação Geográfica do Tejo”. Ou seja, para quem já está a produzir, a IGP já chega. A denominação não é hoje o que falta.

No outro extremo do espectro está uma categoria diferente, mas que ilumina por contraste até onde vai a diversidade de posições no sector: o Vinho do Porto. Adrian Bridge, CEO da The Fladgate Partnership, que junta a Taylor’s e outras marcas históricas do Douro, não deixa margem para ambiguidade quando questionado se a casa alguma vez equacionou uma versão sem álcool ou desalcoolizada de um dos seus vinhos: “Não. O Vinho do Porto é uma categoria única, definida por um método de produção muito específico, no qual a fortificação desempenha um papel essencial. O álcool não é um elemento acessório; faz parte da identidade do vinho, do seu equilíbrio e da sua longevidade.” É uma posição de outra natureza jurídica – o Porto é vinho fortificado, não um table wine, e a discussão da desalcoolização parcial em IGP não se aplica da mesma forma –, mas serve de baliza: entre quem já vende vinho sem álcool sem sentir falta da denominação e quem recusa sequer equacionar a hipótese, o sector português cobre hoje todo o espectro possível.

“Existem regiões que poderão optar por integrar estas categorias e outras que poderão entender que não se enquadram no seu posicionamento. Essa diversidade é legítima e deve ser respeitada”

Uma escolha ainda em aberto

O que resulta deste cruzamento de respostas é uma história mais interessante do que a ideia de partida. Não é verdade que a Europa tenha fechado a porta às denominações de origem nos vinhos sem álcool – fechou-a apenas à desalcoolização total e deixou entreaberta a parcial. Também não é totalmente verdade que Portugal ainda não tenha decidido nada – a IGP Tejo já decidiu, a IGP Península de Setúbal já prevê essa possibilidade e a IGP Lisboa está em fase final de introdução. O que ainda não aconteceu foi a decisão simétrica nas grandes denominações de origem, aquelas cujo nome carrega mais peso histórico e comercial. E, lendo as respostas de quem gere essas denominações, a razão não parece ser jurídica. É comercial, é tecnológica e é, sobretudo, uma questão de produto: ninguém, entre os grandes nomes do Douro, disse ainda ter provado um vinho desalcoolizado que mereça, na sua opinião, levar o nome da região.

Essa última frase é, também, uma ponte. Porque a questão de saber se um Douro parcialmente desalcoolizado pode um dia usar essa denominação depende de uma resposta que a lei, sozinha, não dá: depois de retirado o álcool, quanto do lugar de onde esse vinho nasceu permanece efetivamente no copo?

Fonte: Grande Consumo

A FEFAC, federação europeia da indústria de alimentos compostos para animais, pediu à União Europeia (UE) um plano de contingência urgente para salvaguardar o fornecimento de matérias-primas para alimentação animal, alertando que a seca, a rutura no corredor do Mar Negro e o novo regulamento contra a desflorestação ameaçam o abastecimento do setor pecuário no ano comercial de 2026/27.

O alerta consta de uma carta enviada ao ministro Martin Heydon, que preside ao Conselho de Agricultura e Pescas (AGRIFISH) no âmbito da Presidência irlandesa do Conselho da UE.

Segundo a federação, o efeito combinado de três pressões excecionais está a ameaçar as cadeias de abastecimento de fontes de fibra, energia e proteína para alimentação animal: a seca severa do verão, a interrupção do fornecimento de cereais ucranianos através do corredor do Mar Negro e a entrada em aplicação iminente do Regulamento da UE contra a Desflorestação (EUDR).

O impacto destas pressões aumenta de forma significativa o risco de rutura no fornecimento de matérias-primas essenciais, afirma a carta. O presidente da FEFAC, Nicolas Coudry-Mesny, alerta que a escassez e o aumento dos custos podem comprometer a viabilidade da produção de leite, carne de suíno e de aves na UE, agravar a inflação dos preços dos alimentos e aumentar a dependência de importações de produtos de origem animal.

A federação insta a Comissão Europeia e os Estados-Membros a criarem um plano de contingência antes do final de 2026, que identifique todas as medidas disponíveis para mitigar a menor disponibilidade interna de cereais para alimentação animal e para responder às restrições ao abastecimento a partir do Mar Negro, em particular de milho e de farelos de oleaginosas.

A FEFAC pede ainda que o plano reduza as complexidades de abastecimento associadas à aplicação do EUDR a ingredientes essenciais, nomeadamente o farelo de soja e o farelo de palmiste. Segundo a federação, estas dificuldades podem levar à rutura da cadeia de abastecimento e à perda de acesso a importações vitais para o setor.

Fonte: Vida Rural

A Comissão Europeia, através da Direção-Geral da Saúde e da Segurança dos Alimentos (DG SANTE), publicou o documento Guidelines on the determination of processing factors, destinado a apoiar autoridades competentes e operadores do setor alimentar na determinação de fatores de processamento aplicáveis aos contaminantes presentes nos géneros alimentícios.

Estas orientações surgem no contexto da aplicação do Regulamento (UE) 2023/915, que estabelece os teores máximos de determinados contaminantes nos alimentos. Sempre que não existam limites específicos definidos para alimentos transformados, secos, diluídos ou compostos, os operadores devem poder justificar os fatores utilizados para avaliar o cumprimento da legislação, incluindo os efeitos dos processos tecnológicos na concentração dos contaminantes.

O guia explica o conceito de fator de processamento (Processing Factor – PF), definido como a relação entre a concentração de um contaminante no produto transformado e a sua concentração na matéria-prima correspondente. O documento descreve ainda os diferentes tipos de fatores de processamento, incluindo fatores específicos para determinado contaminante e produto, bem como fatores genéricos associados a operações como a secagem ou a diluição.

Para os operadores das empresas do setor alimentar, estas orientações constituem uma ferramenta particularmente relevante.

O documento destaca ainda que a correta determinação dos fatores de processamento é essencial para demonstrar a conformidade dos alimentos transformados com os teores máximos de contaminantes previstos na legislação da União Europeia e para assegurar uma abordagem harmonizada entre operadores e autoridades de controlo.

A DGAV recomenda aos operadores que produzam ou comercializem alimentos transformados que consultem estas orientações, em particular nos casos em que seja necessário justificar o impacto dos processos produtivos nos níveis de contaminantes dos produtos finais.

Consulte o documento completo: Guidelines on the determination of processing factors.

UE duplica valor das importações de café

  • Friday, 02 October 2026 13:56

A União Europeia importou 2,9 milhões de toneladas de café de países terceiros em 2025, um volume apenas ligeiramente superior aos 2,7 milhões de toneladas registados em 2015, segundo dados divulgados pelo Eurostat. Em valor a evolução foi mais expressiva: as importações passaram de 8,6 mil milhões de euros para 18,7 mil milhões, mais do dobro numa década.

O Brasil foi o principal fornecedor de café à União Europeia, com 1,005 milhões de toneladas, correspondentes a 34% das importações extra-UE. O Vietname surge em segundo lugar, com 587.500 toneladas (20%), seguido do Uganda, com 262.400 toneladas (9%), da Colômbia, com 162.900 toneladas (6%), e das Honduras, com 136.500 toneladas (5%).

Alemanha lidera importações

A Alemanha foi o principal destino das importações europeias de café em 2025, com 1,01 milhões de toneladas, equivalentes a 34% do total importado pela UE de países terceiros.

A Itália surge em segundo lugar, com 608.000 toneladas (21%), seguida de Espanha, com 281.600 toneladas (10%), Bélgica, com 269.200 toneladas (9%), e Países Baixos, com 216.600 toneladas (7%).

Em conjunto, estes cinco países concentraram mais de 80% das importações extra-UE de café no ano passado.

Produção europeia cresce 12%

Apesar de depender das importações para o abastecimento de café verde, a União Europeia dispõe de uma indústria de transformação relevante. Em 2025, os países da UE produziram mais de 2,2 milhões de toneladas de café, incluindo café torrado e descafeinado e sucedâneos de café.

O volume representa um crescimento de 12% face a 2015, quando a produção se situava nos 2 milhões de toneladas. Em valor, a produção europeia de café aproximou-se dos 19 mil milhões de euros em 2025.

A Alemanha foi também o principal produtor europeu, com 561.200 toneladas, ou 25% da produção total dos países da UE que reportaram dados. A Itália ficou em segundo lugar, com 514.200 toneladas (23%), seguida de Espanha, com 211.900 toneladas (10%).

França, com 146.800 toneladas (7%), Polónia, com 134.800 toneladas (6%), Suécia, com 79.400 toneladas (4%), e Finlândia, com 39.000 toneladas (2%), completam os sete maiores produtores.

No conjunto, estes sete países foram responsáveis por 77% da produção de café da União Europeia em 2025.

Fonte: Grande Consumo