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Um coletivo de produtores do Douro, lançou um novo vinho,  que recupera uma casta histórica e rara da região

O Vinhas do Palácio Alvarelhão 2023 é um vinho raro e de produção muito limitada de apenas 1188 garrafas, que recupera uma das castas autóctones mais antigas do Douro, regularmente referida nos romances de Miguel Torga.

Proveniente de uma vinha plantada em 1920 em solos xistosos, o vinho presta homenagem ao Alvarelhão, uma casta autóctone já praticamente inexistente na região, de maturação longa e particularmente difícil de cultivar.

“Recuperar castas históricas como o Alvarelhão é também preservar a memória, identidade e autenticidade do Douro. Este vinho nasce de uma visão de longo prazo, onde inovação e património coexistem e se traduzem na valorização da extraordinária riqueza do Douro - património mundial da UNESCO – e uma das regiões clássicas do mundo do vinho”, afirma Filipe Caetano, Administrador-executivo, citado em comunicado.

Segundo o responsável pela viticultura e enologia, “este é um vinho muito aromático e elegante, com taninos suaves e de grande finesse, indicando potencial de envelhecimento”.

Vinificado integralmente em inox, o vinho apresenta aromas de cereja fresca, amora silvestre e ligeira romã.

Recomenda-se ser servido ligeiramente fresco, e harmoniza particularmente bem com pratos delicados, como carpaccio de vitela, robalo grelhado, tártaro de vitela ou saladas frescas. É também apto para veganos e vegetarianos.

Fonte: TecnoAlimentar

Entre 14 e 16 de maio de 2027, o Douro será anfitrião das Sessões de Vinhos Tintos e Brancos e de Vinhos Doces e Fortificados do Concours Mondial de Bruxelles (CMB), reunindo especialistas, provadores, produtores, compradores, escanções e jornalistas de todo o mundo. O anúncio foi feito pelo CMB em parceria com a Comunidade Intermunicipal do Douro (CIM Douro).

Para o CEO do Concours Mondial de Bruxelles, Quentin Havaux, a escolha é um regresso à Europa e a um dos terroirs mais emblemáticos do mundo. “Depois de termos dado destaque às vinhas emergentes do ‘planeta’ vinho, regressamos à Europa, para um dos terroirs históricos e mais emblemáticos do mundo, o berço do ilustre Vinho do Porto“, afirmou. 

Uma região com séculos de história vitivinícola

O Douro é amplamente reconhecido como a mais antiga região vinícola demarcada e regulamentada do mundo. Em 1756, a Coroa Portuguesa estabeleceu regras, limites e mecanismos de controlo para proteger a autenticidade e a qualidade dos vinhos durienses, muito antes de o conceito de denominação de origem se generalizar no universo do vinho. O Alto Douro Vinhateiro, classificado como Património Mundial da UNESCO desde 2001, estende-se por cerca de 250 mil hectares, dos quais mais de 43 mil são de vinha plantada.

A região divide-se em três sub-regiões – Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior – e acolhe mais de 116 castas autorizadas. Entre as tintas mais emblemáticas destacam-se Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Sousão e Tinta Barroca. Nas brancas, assumem relevo Rabigato, Malvasia Fina, Moscatel Galego Branco e Viosinho. O Vinho do Porto, impulsionado pelo comércio britânico a partir do século XVIII, é hoje uma das primeiras grandes marcas internacionais associadas a um território específico. 

Oportunidade estratégica de projeção internacional

Para a CIM Douro, receber o evento vai além de uma distinção honorífica. “Esta escolha distingue não apenas a excelência dos vinhos do Douro, mas também a história, a autenticidade e a capacidade de acolhimento de uma região única, onde a vinha, a paisagem e a identidade caminham lado a lado há séculos“, declarou João Gonçalves, presidente da Comunidade Intermunicipal do Douro.

O responsável acrescentou que o objetivo passa por mostrar ao mundo um Douro contemporâneo: “Queremos que quem venha ao Douro descubra muito mais do que uma região vinícola: descubra um território vivo, acolhedor, inovador e preparado para construir futuro“. A organização prevê que o evento atraia decisores, compradores, jornalistas e líderes de opinião de todo o mundo, com impacto direto na valorização dos vinhos, do turismo e da economia regional.

Criado em 1994, o Concours Mondial de Bruxelles avalia anualmente mais de 15.000 vinhos provenientes de todo o mundo, através de provas cegas conduzidas por um painel independente de especialistas internacionais. A CIM Douro, a maior do país, agrupa 19 municípios dos distritos de Bragança, Vila Real, Guarda e Viseu, numa área de 4.032 km2 e cerca de 180 mil habitantes.

Fonte: Grande Consumo

A indústria do vinho está a esgotar o recurso sem o qual nenhum vinho existe. Um relatório global lançado pela Fundação Porto Protocol propõe uma mudança de paradigma urgente.

A vinha sempre viveu à beira do impossível. Cresce em solos pobres, em encostas íngremes, sob calores que serrariam qualquer outra cultura. É essa adversidade que lhe dá carácter. Mas o que durante séculos foi uma tensão produtiva tornou-se, nas últimas décadas, uma ameaça real: a água, essa presença silenciosa que sustenta cada cacho, está a escassear de formas que a viticultura nunca antes enfrentou com esta velocidade nem com esta consistência.

Em maio de 2026, a Fundação Porto Protocol lançou Saving Every Drop in Wine: Global Insights and Solutions from the Porto Protocol Community, um relatório com mais de 200 páginas que representa, até hoje, o levantamento mais abrangente sobre gestão da água na indústria do vinho. 

Da autoria de Jihanny Brecci, o documento reúne contributos de alguns dos mais respeitados especialistas internacionais em viticultura e climatologia – entre eles Cornelis van Leeuwen, da Universidade de Bordéus, Hervé Quénol, Linda Johnson-Bell, Lucrezia Lamastra, Mimi Casteel e Nicolas Quillé MW – e cruza investigação científica com estudos de caso práticos provenientes de produtores de cinco continentes. O resultado é um diagnóstico sobre o que está realmente em jogo, e uma proposta de como repensar, estruturalmente, a relação do setor com a água.

O que os números dizem

A agricultura é responsável por cerca de 70% do consumo global de água doce. A viticultura, dentro desse universo, ocupa uma posição particularmente vulnerável: depende de um equilíbrio climático fino, de sazonalidades previsíveis e de solos com capacidade de reter humidade suficiente para atravessar os meses mais quentes. Portugal, tal como Espanha, enfrentou nas últimas colheitas os dois extremos – secas severas seguidas de chuvas recorde, criando condições de crescimento imprevisíveis. A Espanha viveu em 2025 o terceiro ano consecutivo de seca, com eventos climáticos extremos que resultaram na segunda menor colheita dos últimos 30 anos.

Os dados não deixam margem para conforto. Investigação publicada em revistas científicas de referência aponta que, se o aquecimento global ultrapassar os 2°C acima da média pré-industrial, cerca de 29% das regiões vinícolas atuais poderão registar condições climáticas demasiado extremas para produzir uvas. Um adicional de 41% poderá também tornar-se inadequado para a viticultura caso os produtores não consigam adaptar os seus métodos. As zonas costeiras e de planície da Grécia, Itália, sul da Califórnia e Espanha estão entre as mais expostas. E a emergência de novas regiões vitivinícolas em latitudes mais elevadas – Inglaterra, Escandinávia, partes do Canadá – não compensa, em volume nem em identidade, o que se arrisca a perder no Mediterrâneo.

No Douro, essa realidade é sentida já na conta da adega. A seca severa de 2022 causou perdas de 20% das colheitas na Região Demarcada do Douro, obrigando produtores a rever práticas que consideravam consolidadas. Estudos sobre os efeitos das alterações climáticas na viticultura portuguesa sugerem um declínio nas áreas adequadas ao cultivo da vinha de cerca de 20% a 80% até 2041-2070, dependendo do cenário climático e da disponibilidade de água para rega – o que coloca uma pressão adicional sobre um dos recursos que também escasseia. O paradoxo é cruel: mais calor exige mais água; mas o calor está também a secar as fontes de onde essa água deveria vir.

Uma nova linguagem para a água

A proposta central do relatório Saving Every Drop in Wine não é técnica – ou não apenas. É, antes de tudo, conceptual. Durante demasiado tempo, a água foi tratada pela indústria como um input de produção: algo a gerir, a reduzir, a otimizar. O relatório desafia esse enquadramento, argumentando que essa abordagem é, ela própria, parte do problema. A água não é um recurso isolado. Faz parte de sistemas naturais complexos – ciclos de solo, coberturas vegetais, ecossistemas de bacia hidrográfica – que, quando degradados, deixam de funcionar como reguladores do ciclo hídrico. Uma vinha que esgota o seu solo e elimina a vegetação de suporte está, literalmente, a destruir a sua própria capacidade de reter água.

A viticultura regenerativa surge, neste contexto, como uma das abordagens mais promissoras: ao restaurar a saúde do solo, melhora a capacidade de retenção de humidade e reduz a necessidade de irrigação artificial. Tecnologias de viticultura inteligente, que utilizam sensores e sistemas de monitorização para controlar o uso da água e a saúde da vinha em tempo real, surgem como complemento indispensável, permitindo intervir com precisão em vez de irrigar por precaução ou por rotina.

O relatório, construído a partir do conhecimento coletivo da comunidade Porto Protocol, recusa a ideia de uma solução única. As realidades vitivinícolas são demasiado diversas – do Douro xistoso ao Alentejo argiloso, das encostas da Borgonha aos vales da Napa Valley – para admitir respostas universais. O que propõe é, antes, um princípio comum de orientação: trabalhar com os sistemas naturais, regenerando e fortalecendo os ecossistemas dos quais a produção depende, em vez de os forçar a compensar défices que foram criados pelas próprias práticas agrícolas.

Porto Protocol: a rede que veio do Douro

A origem do Porto Protocol é, por si só, reveladora do que está em causa. A iniciativa foi fundada por Adrian Bridge, CEO da Taylor’s Port, em 2018, com base na convicção de que os efeitos das alterações climáticas podem ser atenuados se todos desempenharem o seu papel. O primeiro evento de lançamento teve Barack Obama como orador principal; o segundo, em março de 2019, contou com Al Gore. Não se tratou de um exercício de relações públicas. O Porto Protocol reúne hoje 500 adegas em 20 países, representando 75.000 hectares de vinhas e 1,2 mil milhões de litros de vinho produzido anualmente.

O que une esta comunidade é uma ideia simples, enunciada por Adrian Bridge com a clareza de quem gere uma empresa com mais de três séculos de história: “Podemos competir em marcas. Não devemos competir em clima.” A lógica é impecável. A água, o solo e o ar são bens comuns. Melhorá-los – ou destruí-los – tem consequências que não ficam dentro das fronteiras de uma quinta nem de uma denominação de origem.

O relatório Saving Every Drop in Wine insere-se numa estratégia mais ampla da Fundação Porto Protocol, que já lançou documentos sobre embalagem e sustentabilidade do packaging, e que agora coloca a água no centro da sua agenda de investigação. O lançamento está a ser acompanhado por uma série de workshops dedicados à gestão hídrica e à adaptação climática no setor vitivinícola, abertos a produtores, técnicos e investigadores em todo o mundo.

A autora do relatório, Jihanny Brecci, definiu-o como “um documento vivo, construído a partir da inteligência coletiva da comunidade Porto Protocol”. A expressão não é retórica. Um documento vivo, por definição, não fica fechado numa gaveta depois do lançamento. Serve para orientar decisões, para alimentar debates, para mudar práticas no terreno. Esse é o teste real de qualquer relatório sobre sustentabilidade: não o reconhecimento que recebe, mas as escolhas que inspira.

O vinho é uma das mais antigas expressões culturais da humanidade. A sua relação com a água – com a chuva que cai no momento certo, com o lençol freático que alimenta as raízes em agosto, com o rio que tempera o microclima da encosta – é tão antiga quanto a própria vinha. O que mudou não é essa dependência. O que mudou é que essa água já não pode ser tratada como garantida. E reconhecer isso, com a seriedade que o momento exige, pode ser a diferença entre uma indústria que sobrevive às próximas décadas e uma que produz, cada vez mais, vinhos de despedida.

Consulte aqui o relatório.

Fonte: sapo.pt

Um estudo desenvolvido pela Universidade de Coimbra detetou a presença generalizada de microplásticos nas águas doces dos rios Rio Mondego e Rio Vouga, revelando níveis elevados destas partículas em várias zonas e alertando para os riscos ambientais e para a saúde humana.

A investigação foi conduzida pelo Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, em parceria com o Instituto Indiano de Educação e Pesquisa Científica de Calcutá, e analisou ecossistemas de água doce nas regiões de Coimbra e Aveiro.

Os investigadores concluíram que os microplásticos estão amplamente disseminados nos dois rios. Entre os materiais mais encontrados destacam-se o polietileno e o polipropileno, plásticos frequentemente utilizados em embalagens descartáveis.

Segundo a investigadora Seena Sahadevan, estes materiais resultam sobretudo da degradação de plásticos de utilização única que, ao fragmentarem-se em partículas cada vez menores, permanecem no ambiente sem desaparecer.

O estudo identificou ainda zonas particularmente afetadas. No rio Mondego, os valores mais elevados foram registados na região de Coimbra. Já no rio Vouga, a maior concentração foi detetada numa praia fluvial de Macinhata do Vouga, em Águeda.

De acordo, com a aluna investigadora Sarra Ben Tanfous, os níveis mais altos surgiram em áreas próximas de atividades agrícolas e zonas turísticas, o que poderá ajudar a explicar a maior concentração de resíduos plásticos.

Os especialistas alertam que estas partículas representam um risco porque acabam por entrar na cadeia alimentar. Os organismos aquáticos, nomeadamente invertebrados, ingerem os microplásticos e estes são posteriormente transferidos ao longo da cadeia trófica, podendo chegar ao consumo humano.

A maioria das partículas encontradas tinha menos de um milímetro, o que facilita o transporte nas massas de água e a ingestão por diferentes espécies aquáticas.

Embora o estudo classifique o risco ecológico global como baixo a moderado, algumas zonas apresentam níveis potencialmente elevados, reforçando a necessidade de monitorização contínua das águas doces.

Fonte: Sic Notícias

A utilização crescente de plástico reciclado em embalagens alimentares e noutros materiais em contacto com alimentos traz benefícios ambientais, mas levanta preocupações de segurança química, segundo um novo relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

O relatório, intitulado Food safety implications of recycled plastics and alternative food contact materials, defende a necessidade de discutir normas globalmente uniformizadas para estes materiais. A publicação surge num contexto de crescimento do mercado global de embalagens alimentares, estimado em 505,27 mil milhões de dólares em 2024 e projetado para atingir 815,51 mil milhões de dólares em 2030.

De acordo com a FAO, a procura por embalagens alimentares está a ser impulsionada por alterações nos padrões de consumo e nos estilos de vida, incluindo o consumo de snacks, refeições prontas, fast food e bebidas engarrafadas.

Os materiais em contacto com alimentos desempenham um papel relevante na redução das perdas e do desperdício alimentar, ao prolongarem o prazo de validade e protegerem a qualidade dos alimentos. A FAO associa esta função à redução de custos de produção, à melhoria da eficiência dos sistemas agroalimentares, ao apoio à segurança alimentar e nutricional e à sustentabilidade ambiental.

No entanto, o uso generalizado de materiais de base plástica, com longos períodos de permanência no ambiente, tem contribuído para o aumento dos resíduos plásticos a nível global. Apesar de menos de 10% dos resíduos plásticos gerados globalmente terem sido reciclados até agora, a FAO prevê que esta percentagem aumente por razões de sustentabilidade, o que coloca novas questões de segurança química dos alimentos.

O relatório defende que os objetivos ambientais devem ser prosseguidos em paralelo com a proteção da saúde, tendo em conta a possibilidade de contaminação química e de migração de substâncias dos materiais em contacto com alimentos para os próprios alimentos.

“Queremos reciclar mais plástico, mas também queremos garantir que, ao resolver um problema, não criamos novos problemas. A segurança alimentar deve ser uma consideração central na transição para sistemas agroalimentares e padrões de consumo alimentar mais sustentáveis”, afirma Corinna Hawkes, diretora da Divisão de Sistemas Agroalimentares e Segurança Alimentar da FAO.

Entre as áreas de preocupação identificadas estão os riscos associados às matérias-primas usadas em materiais de base biológica, derivados de recursos naturais e renováveis como milho, cana-de-açúcar e mandioca. A FAO refere a possibilidade de introdução de perigos como pesticidas, toxinas naturais ou alergénios.

O relatório aponta ainda preocupações relacionadas com novas substâncias adicionadas intencionalmente, incluindo nanomateriais, utilizados para melhorar o desempenho dos materiais ou permitir funções de embalagem ativa.

A FAO defende processos eficazes de limpeza e remoção de químicos durante a reciclagem de plástico destinada a materiais em contacto com alimentos. O relatório refere também a necessidade de sistemas adequados de controlo e triagem de fluxos de resíduos, capazes de separar embalagens plásticas de uso alimentar antes da reciclagem, de acordo com códigos de identificação de resinas específicos por polímero sintético.

Outro ponto destacado é a exposição a microplásticos e nanoplásticos em alimentos e bebidas. Segundo o relatório, a ausência de métodos analíticos validados para a sua deteção e identificação tem impedido as autoridades reguladoras de determinar um risco claro para a saúde humana.

A FAO identifica ainda potenciais questões no comércio internacional devido à falta de harmonização regulamentar entre países. Segundo a organização, a uniformização de normas pode apoiar avaliações de risco robustas e baseadas na ciência, bem como contribuir para objetivos internacionais de redução de resíduos plásticos.

Fonte: Vida Rural

A União Europeia deu esta quarta-feira (20/05/2026) um passo decisivo na transição para a economia circular com a entrada em vigor das novas regras para o transporte de resíduos e o lançamento da plataforma digital DIWASS, que passa a monitorizar eletronicamente os movimentos de resíduos entre Estados-membros.

A nova regulamentação substitui os antigos sistemas em papel por um sistema digital em tempo real, reforçando a transparência, segurança e eficiência no controlo de resíduos transportados dentro da União Europeia.

A partir de agora, todos os transportes de resíduos sujeitos ao procedimento de consentimento prévio informado – incluindo resíduos perigosos, resíduos urbanos mistos ou materiais contaminados – terão obrigatoriamente de ser processados através da plataforma digital DIWASS.

Segundo a Comissão Europeia, esta transformação permitirá melhorar a rastreabilidade de matérias-primas secundárias, reduzir a dependência de importações de matérias-primas virgens e reforçar a autonomia estratégica europeia.

A comissária europeia do Ambiente, Jessika Roswall, sublinhou que o acesso a matérias-primas é hoje “uma questão estratégica” e defendeu que o novo sistema ajudará a Europa a “assumir maior controlo sobre os seus próprios fluxos de recursos”. É assim “que construímos uma Europa resiliente e autossuficiente, ao mesmo tempo que reduzimos a burocracia e combatemos o comércio ilegal”.

Bruxelas estima que a digitalização permita reduzir cerca de 1,4 milhões de euros por ano em custos administrativos, enquanto reforça o combate ao tráfico ilegal de resíduos.

Para as empresas, o novo sistema promete acelerar aprovações, reduzir atrasos fronteiriços e simplificar processos de reporte através da submissão automática de dados e do acompanhamento em tempo real das remessas.

As autoridades nacionais passam igualmente a ter acesso instantâneo à informação sobre transportes de resíduos, facilitando o controlo, a fiscalização e a recolha de dados para obrigações europeias.

Apesar da digitalização obrigatória, a União Europeia acordou um período de transição para resíduos não perigosos destinados à reciclagem, conhecidos como “green-listed waste”. Nestes casos, os operadores poderão continuar a utilizar procedimentos em papel até 31 de dezembro de 2026.

As novas regras introduzem ainda procedimentos simplificados para acelerar aprovações de transporte de resíduos perigosos dentro da União Europeia e apertam o controlo sobre exportações de resíduos plásticos para países terceiros.

A partir de agora, todas as exportações de resíduos plásticos passam a necessitar de autorização prévia. A partir de novembro de 2026, a exportação destes resíduos para países fora da OCDE será proibida.

A regulamentação revista sobre transporte de resíduos foi adotada em abril de 2024 e integra a estratégia europeia para promover a economia circular, reforçar a reciclagem e combater o comércio ilegal de resíduos.

Em 2024, foram transportadas cerca de 26 milhões de toneladas de resíduos entre Estados-membros sob o regime de consentimento prévio informado, enquanto outros 50 milhões de toneladas de resíduos não perigosos circularam dentro do mercado europeu.

Fonte: Grande Consumo

Um estudo encomendado pela organização ambientalista internacional Greenpeace encontrou microplásticos em alimentos para bebés embalados em bolsas flexíveis com tampa, um tipo de embalagem cada vez mais utilizado, noticiou esta quinta-feira a agência noticiosa espanhola EFE.

A investigação, que analisou amostras de produtos das multinacionais Nestlé e Danone, detetou até 54 partículas de microplástico por grama de alimento em bolsas de iogurte Gerber, marca da primeira empresa, e até 99 em bolsas de puré de fruta Happy Baby Organics, da segunda, comercializadas sobretudo na América do Norte.

O estudo, realizado pelo instituto de investigação norueguês SINTEF Ocean, analisou três embalagens dos dois produtos e encontrou microplásticos em todos os casos, bem como substâncias químicas associadas ao plástico, incluindo um disruptor endócrino (substância química que interfere no sistema hormonal) nas embalagens da Gerber.

A investigação sugere uma ligação entre o plástico que reveste o interior das embalagens, especificamente o polietileno, e alguns dos microplásticos detetados.

Fragmentos de plástico com menos de cinco milímetros de diâmetro, os microplásticos levam ao "stress" oxidativo (desequilíbrio entre a produção de radicais livres e a capacidade de os neutralizar) associado ao risco de inflamação, problemas cardiovasculares e respiratórios e cancro.

"O estudo é um alerta para os pais em todo o mundo que dependem destas marcas", disse Joëlle Hérin, especialista em consumo e economia circular da Greenpeace Suíça, citada pela EFE.

A ativista pediu às multinacionais que informem sobre as medidas que estão a tomar para eliminar os microplásticos.

Em resposta à EFE, a Nestlé afirmou que compreende as preocupações que o estudo levanta e que as "leva muito a sério", mas acrescentou que os seus produtos "são seguros para consumo" e que são aplicados controlos rigorosos na produção, incluindo na seleção e gestão das embalagens.

Dados de 2025 indicam que as embalagens flexíveis são o tipo de invólucro que mais cresce, representando 37% do mercado mundial.

A Greenpeace sublinha que milhões destas embalagens com alimentos são compradas todos os dias, "o que significa que milhões de bebés podem ingerir microplásticos juntamente com a comida".

As embalagens representam aproximadamente 40% da produção global de plástico e a organização ambientalista lidera os apelos para um tratado global para limitar esta indústria, com as negociações a serem dificultadas pela pressão de vários países, principalmente os produtores de petróleo.

Fonte: Jornal de Notícias

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), através das suas Unidades Regionais, realizou, nas últimas semanas, uma operação nacional dirigida ao comércio eletrónico de géneros alimentícios de estabelecimentos retalhistas, bem como à verificação de práticas de bloqueio geográfico injustificado – geoblocking, nas vendas online ou outras formas de discriminação previstas na legislação em vigor.

Esta operação teve como propósito proceder à verificação do cumprimento legal sobre a informação disponibilizada ao consumidor relativamente aos géneros alimentícios vendidos online, abrangendo menções obrigatórias, indicação de alergénios, alegações nutricionais e demais elementos de rotulagem, e ainda, avaliar aspetos legais e estruturais do comércio eletrónico, nomeadamente o acesso às interfaces online, as condições de entrega para todo o território nacional, o cumprimento das regras de venda com redução de preços ou a informação pré‑contratual disponibilizada ao consumidor.

No total, foram fiscalizados 418 operadores económicos, com a instauração de 65 processos de contraordenação, tendo sido detetadas várias infrações - incumprimento nas práticas leais de informação, práticas de bloqueio geográfico e restrições injustificadas no acesso às interfaces online ou nas condições de entrega, violação das normas aplicáveis à venda à distância e à prestação de informação pré contratual, bem como a falta do livro de reclamações eletrónico ou da sua divulgação, entre outras.

A ASAE continuará a desenvolver ações de fiscalização no âmbito do comércio eletrónico, para verificação do cumprimento das regras para vendas online, aplicáveis a géneros alimentícios e das regras de bloqueio geográfico injustificado - geoblocking, contribuindo para a proteção dos consumidores, para a prevenção de práticas discriminatórias e para o reforço da confiança no mercado digital, assegurando assim, uma concorrência leal entre operadores económicos.

Fonte: ASAE

A União Europeia reforçou em 2025 a sua dependência de matérias-primas recicláveis importadas, com o volume líquido de importações a crescer 7,8% face ao ano anterior. Segundo dados divulgados pelo Eurostat, o bloco europeu importou 49,7 milhões de toneladas de materiais recicláveis provenientes de países terceiros e exportou 36,2 milhões de toneladas, resultando num saldo líquido de 13,5 milhões de toneladas.

O aumento representa mais cerca de um milhão de toneladas face a 2024 e confirma a tendência de a UE continuar a ser importadora líquida deste tipo de recursos desde o início da série estatística, em 2005. Ainda assim, o diferencial entre importações e exportações permanece 35,6% abaixo do pico histórico registado em 2006, quando atingiu 21 milhões de toneladas.

Os metais mantiveram-se como o principal material exportado pela União Europeia, totalizando 18,9 milhões de toneladas e representando mais de metade das exportações de matérias-primas recicláveis. Seguiram-se o papel e cartão, com 6 milhões de toneladas, e os materiais orgânicos, que ultrapassaram os 4,4 milhões de toneladas.

 No sentido inverso, os materiais orgânicos dominaram claramente as importações europeias, com 30 milhões de toneladas, equivalentes a mais de 60% do total importado. Os minerais surgem em segundo lugar, com 8,3 milhões de toneladas, seguidos pelos metais, com 6,3 milhões de toneladas.

Os dados revelam também diferenças relevantes entre o comércio de resíduos e o de matérias-primas recicláveis. Enquanto metais e papel são comercializados quase exclusivamente sob a forma de resíduos, os materiais orgânicos consistem sobretudo em subprodutos agrícolas e industriais, com os resíduos a representarem apenas uma pequena fração deste fluxo comercial.

A Turquia voltou a destacar-se como o principal destino das exportações europeias de matérias-primas recicláveis, recebendo 12,8 milhões de toneladas em 2025. Índia, Reino Unido, Egito, Noruega e Suíça figuram igualmente entre os principais parceiros comerciais da UE neste setor.

Do lado das importações, o Brasil liderou como principal fornecedor, com 11,2 milhões de toneladas enviadas para a União Europeia. Argentina, Reino Unido, Ucrânia e Estados Unidos completam o grupo dos maiores exportadores para o mercado europeu.

Os números refletem a crescente importância estratégica das matérias-primas recicláveis na economia europeia, num contexto marcado pela transição energética, pela aposta na economia circular e pela necessidade de reduzir a dependência de recursos primários externos.

Fonte: Grande Consumo

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), através da sua Unidade Regional do Centro e com o empenhamento da Brigada Especializada dos Vinhos e Produtos Vitivinícolas, realizou, na última semana, uma operação de fiscalização dirigida a operadores económicos com atividade de engarrafamento e comercialização de vinhos, nos concelhos de Anadia e Miranda do Corvo.
Como balanço da operação, foram apreendidos aproximadamente 4.360 litros de vinho tinto e branco, acondicionados em bag‑in‑box e garrafões, bem como 27.100 rótulos prontos a serem utilizados na colocação do produto no mercado. Estes rótulos recorriam a expressões associadas a Denominações de Origem (DO), incluindo referências a castas, induzindo o consumidor em erro quanto à verdadeira natureza e qualidade do produto vitivinícola. Adicionalmente, a rotulagem omitia a declaração nutricional e a lista de ingredientes, em claro incumprimento da legislação aplicável. Em consequência, foram instaurados dois processos de contraordenação, designadamente por irregularidades na rotulagem, pela omissão de menções obrigatórias e pela falta de comunicação ao Instituto da Vinha e do Vinho, I. P.

 

 


Fonte: ASAE