A notificação RASFF 2026.6245, emitida por Portugal em 14 de julho de 2026, reporta a deteção de Salmonella Typhimurium em carne de peru, constituindo um incumprimento dos critérios microbiológicos aplicáveis à segurança alimentar. A presença de Salmonella em géneros alimentícios de origem animal representa um risco direto para a saúde pública, dada a sua associação a surtos de toxi-infeção alimentar.
Agente microbiológico: Salmonella enterica subsp. enterica serovar Typhimurium
Produto afetado: carne de peru
Critério legal aplicável: ausência de Salmonella em 25 g de produto (Regulamento (CE) n.º 2073/2005)
Resultado analítico: presença confirmada do agente patogénico (informação inferida a partir da natureza da notificação; casos semelhantes indicam deteção em 25 g)
País de origem: Portugal
Tipo de notificação: alerta de risco microbiológico
Data: 14/07/2026
Sistema: Rapid Alert System for Food and Feed (RASFF)
A notificação foi desencadeada após controlos oficiais, em conformidade com o artigo 19.º do Regulamento (CE) n.º 178/2002, que obriga os operadores a retirar/recolher produtos não seguros e a comunicar às autoridades competentes.
A presença de Salmonella Typhimurium em carne de peru representa um risco elevado, atendendo à sua capacidade de causar:
gastroenterite aguda;
febre;
dor abdominal;
vómitos e desidratação;
possibilidade de infeção sistémica em grupos vulneráveis.
Com base no enquadramento legal e nas práticas de gestão de risco:
Retirada/recolha imediata dos lotes afetados do mercado;
Comunicação obrigatória à DGAV ou ASAE, conforme Esclarecimento Técnico n.º 6/DGAV/2026;
Rastreabilidade ascendente e descendente para identificar origem e destino dos produtos;
Informação aos operadores destinatários e, se aplicável, aos consumidores;
Reforço dos controlos oficiais na unidade de produção/processamento.
A deteção de Salmonella implica:
incumprimento dos critérios de segurança microbiológica (Reg. 2073/2005);
classificação do género alimentício como não seguro (Reg. 178/2002);
obrigatoriedade de retirada/recolha e comunicação às autoridades competentes;
possível necessidade de ações corretivas ao nível do operador (BPF, HACCP, higienização, controlo de fornecedores).
A notificação RASFF 2026.6245 confirma um risco microbiológico relevante em carne de peru produzida em Portugal, exigindo medidas imediatas de gestão de risco e comunicação interinstitucional. O alerta reforça a importância dos controlos oficiais e da conformidade com os critérios microbiológicos da UE.
Fonte: Qualfood
Cientistas da Universidade do Porto modificaram o comportamento molecular de um cereal africano, criando uma solução agrícola altamente nutritiva que resiste a secas extremas.
Nos laboratórios do norte de Portugal está a ser desenvolvida uma resposta revolucionária para travar um dos maiores problemas da humanidade. Uma equipa internacional coordenada pelo Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO-BIOPOLIS) da Universidade do Porto, alterou a programação interna do sorgo, um cereal que serve de base alimentar para milhões de pessoas nas regiões mais áridas do planeta.
O sucesso desta investigação tem um impacto maior num momento em que o aquecimento global impulsiona o avanço da desertificação em vários continentes. As alterações climáticas têm castigado as populações mais vulneráveis com secas prolongadas, destruindo colheitas tradicionais e empobrecendo a qualidade dos alimentos disponíveis.
O sorgo destaca-se justamente pela sua capacidade natural de sobreviver em solos fustigados pelo calor, tornando-se o alvo ideal para intervenções de biofortificação que visem salvar vidas em regiões de stress climático extremo.
Um interruptor molecular permanentemente ativo
A equipa liderada pela investigadora Ana Assunção focou os seus esforços num gene específico da planta que regula a captação de nutrientes no solo. Em colaboração com o Carlsberg Research Laboratory, da Dinamarca, os cientistas utilizaram uma tecnologia avançada de identificação molecular para isolar uma variante genética rara. Esta modificação altera o comportamento de um sensor interno responsável por gerir as reservas de minerais do vegetal.
Na sua forma natural, o organismo da planta interrompe a absorção de nutrientes assim que atinge um patamar básico. Com a nova abordagem científica, esse interruptor biológico permanece ligado de forma contínua, fazendo com que a raiz atue como se estivesse sob uma escassez constante.
O efeito prático é um bombeamento massivo de zinco para os grãos, que passam a registar valores entre 50 e 60 miligramas por quilograma de peso seco, superando as metas de nutrição fixadas pelas agências internacionais.
Uma solução limpa e aplicável a outros alimentos
Uma das vitórias mais celebradas pela comunidade científica prende-se com a saúde do próprio vegetal. O melhoramento genético focado no valor nutricional acaba, muitas vezes, por enfraquecer o crescimento da planta ou reduzir a quantidade de sementes produzidas. Neste ensaio, porém, o aumento de micronutrientes ocorreu sem qualquer impacto negativo no desenvolvimento agronómico, mantendo a planta robusta e pronta para enfrentar o ambiente hostil do campo.
Os benefícios desta descoberta estendem-se muito além das fronteiras do cultivo do sorgo. Esta é a primeira vez que a ciência consegue modular com sucesso este tipo de sensor molecular numa cultura agrícola real.
O sucesso do método valida um conceito que os investigadores já começaram a testar noutras espécies de grande relevância para a alimentação humana, antecipando uma nova geração de supercereais mais ricos e menos dependentes de fertilizantes químicos.
Sustentabilidade para os solos do futuro
Os novos grãos representam um avanço profundo na gestão sustentável dos recursos agrícolas mundiais. Ao potenciar a eficácia com que as raízes extraem os minerais já presentes na terra, a tecnologia permite valorizar terrenos agrícolas empobrecidos sem sobrecarregar os produtores locais com custos adicionais.
A transição da investigação laboratorial para o impacto real demonstra o papel pioneiro da ciência portuguesa na geopolítica da segurança alimentar. Ao desenvolver ferramentas capazes de enriquecer a dieta de comunidades isoladas, a Universidade do Porto coloca a biologia molecular na linha da frente da adaptação humana às exigências ecológicas que marcam o nosso tempo.
Fonte: tempo.pt
A área de vinha certificada para produção de vinhos DOP e IGP nos Açores passou de cerca de 216 hectares, em 2016, para mais de 1.200 hectares em 2026, segundo dados do Instituto da Vinha e do Vinho dos Açores.
Segundo os dados mais recentes do instituto, referentes a julho de 2026, o setor conta atualmente com 104 marcas comerciais e 192 referências comerciais, os valores mais elevados de sempre. Estão também registados 35 agentes económicos certificados, distribuídos por cinco ilhas da região.
Ao nível da certificação, em cinco provas realizadas durante este ano foram submetidos 125 vinhos candidatos, correspondentes a cerca de 471 mil litros. Deste volume, aproximadamente 432 mil litros obtiveram certificação.
O secretário regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura, afirmou que “o setor vitivinícola dos Açores continua a afirmar-se como uma das fileiras agroalimentares com maior dinamismo na Região, evidenciando um crescimento sustentado, alicerçado na valorização da produção, na qualificação técnica dos agentes económicos e no investimento em inovação e investigação”.
O crescimento da fileira tem sido acompanhado pelo reforço da atividade do Laboratório Regional de Enologia.
O Laboratório Regional de Enologia mantém também atividade na área da investigação aplicada. No âmbito de uma parceria com o Centro de Biotecnologia dos Açores, dedicada ao melhoramento fitossanitário das castas tradicionais Verdelho, Terrantez do Pico e Arinto dos Açores, encontram-se disponíveis cerca de 3.700 plantas certificadas. Estas plantas serão entregues ao Instituto da Vinha e do Vinho dos Açores para posterior distribuição pelos vitivinicultores.
Está ainda prevista uma nova linha de investigação dedicada à certificação de porta-enxertos das castas tradicionais açorianas, com o objetivo de reforçar a sustentabilidade e a competitividade da vitivinicultura regional.
Para António Ventura, “o Laboratório Regional de Enologia constitui hoje uma infraestrutura científica de referência para o desenvolvimento da vitivinicultura açoriana”.
“O aumento significativo da sua atividade demonstra a confiança dos produtores e a importância que este serviço público assume na garantia da qualidade, da segurança e da valorização dos vinhos dos Açores”, acrescentou.
Fonte: Vida Rural
A associação FoodDrinkEurope publicou uma revisão de literatura científica que contesta a fiabilidade dos atuais sistemas de classificação de alimentos baseados no nível de processamento, como o sistema NOVA. A análise de artigos independentes e revistos por pares indica que o grau de processamento industrial não determina o perfil nutricional do produto final, pelo que a sua utilização para legislar ou definir políticas públicas pode induzir em erro os consumidores.
De acordo com o documento, várias entidades científicas europeias manifestaram reservas quanto à aplicação da classificação NOVA em recomendações dietéticas, apontando a falta de critérios quantitativos claros e a subjetividade na definição de “alimentos ultraprocessados”. Os críticos sustentam que o agrupamento de alimentos muito heterogéneos numa categoria única ignora o valor nutricional específico e a segurança dos ingredientes validados pelas autoridades regulamentares, como a EFSA.
A revisão destaca ainda limitações metodológicas na evidência epidemiológica disponível. Os dados apontam que a maioria dos estudos observacionais apresenta um risco elevado de enviesamento devido a fatores de confusão socioeconómicos, demográficos e comportamentais (como o tabagismo e sedentarismo) que nem sempre são controlados de forma rigorosa. Estudos recentes de intervenção sugerem que fatores como a densidade energética e a textura dos alimentos (que determinam a velocidade da digestão) têm um impacto superior no consumo total de calorias do que o nível de processamento em si.
O relatório conclui que a eliminação indiscriminada de produtos classificados como ultraprocessados pode gerar consequências indesejadas na saúde pública, comprometendo a ingestão de micronutrientes essenciais e alimentos enriquecidos. Em contrapartida, os investigadores sugerem focar os esforços na reformulação industrial para reduzir o teor de sal, açúcares e gorduras saturadas, alinhando os produtos com as orientações nutricionais vigentes.
Fonte: TecnoAlimentar
A recolha seletiva de resíduos de embalagens em Portugal praticamente estagnou no primeiro semestre de 2026. De acordo com os dados do Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens (SIGRE), foram encaminhadas para reciclagem 233.065 toneladas de embalagens, um aumento de apenas 0,9% face ao mesmo período do ano anterior.
Apesar do crescimento global, a evolução foi desigual entre materiais, registando-se quedas significativas na recolha de plástico, aço e embalagens de cartão para alimentos líquidos (ECAL), precisamente em fluxos considerados essenciais para o cumprimento das metas nacionais de reciclagem.
O vidro manteve-se como o material com maior volume recolhido, totalizando 100.343 toneladas, mas cresceu apenas 1%. Já o papel e cartão registaram uma subida de 4,8%, para 82.255 toneladas, enquanto a madeira foi o material com melhor desempenho relativo, aumentando 13,5%, para 1.650 toneladas.
Em sentido inverso, a recolha de plástico caiu 6,6%, fixando-se nas 40.031 toneladas, o aço recuou 3,3%, para 3.690 toneladas, e as embalagens de cartão para alimentos líquidos diminuíram 1,2%, para 3.997 toneladas.
Segundo a Novo Verde, estes resultados reforçam a necessidade de acelerar os esforços para cumprir as metas europeias de reciclagem, sobretudo num contexto em que Portugal enfrenta um processo de infração da Comissão Europeia relacionado com o incumprimento de objetivos anteriores.
“Não podemos ignorar estes números. Estamos perante um sinal claro de que o país precisa de acelerar o passo. Atingir as metas não é uma opção, é um dever coletivo“, afirma Pedro Simões, diretor-geral da Novo Verde.
A entidade gestora considera que a inversão desta tendência depende de um maior investimento na sensibilização da população, da modernização dos Sistemas de Gestão de Resíduos Urbanos e da adoção de tecnologias que aumentem a captação de embalagens para reciclagem.
Entre as iniciativas em curso, a Novo Verde destaca projetos de educação ambiental como a Geração Verdão e o Transformarium, bem como estudos dedicados à melhoria da eficiência da recolha seletiva, incluindo o Estudo do Contentor Amarelo e o Observatório de Reciclagem dos Plásticos.
Para a entidade, o reforço da colaboração entre cidadãos, empresas, municípios e operadores será determinante para recuperar o ritmo da reciclagem e aproximar Portugal das metas definidas pela União Europeia.
Fonte: Grande Consumo
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Fonte: Qualfood
Investigadores australianos desenvolveram um método que combina microbolhas e nanobolhas para aumentar significativamente a eficiência do tratamento de águas residuais.
Uma equipa de investigadores da Universidade RMIT, na Austrália, desenvolveu uma nova abordagem para a remoção de microplásticos das águas residuais, alcançando taxas de eliminação superiores a 90%. A técnica utiliza uma combinação de microbolhas e nanobolhas de ar, permitindo melhorar a eficácia dos sistemas de tratamento já existentes sem necessidade de alterações significativas nas infraestruturas.
O estudo surge numa altura em que a poluição por microplásticos é considerada um dos principais desafios ambientais à escala global. As estações de tratamento de águas residuais constituem uma das principais vias de dispersão destas partículas, que conseguem frequentemente ultrapassar os processos convencionais de filtragem e acabam por atingir rios, oceanos e ecossistemas naturais.
Segundo Biplob Pramanik, professor associado da Universidade RMIT e autor principal da investigação, a nova solução oferece uma resposta prática para reduzir este problema.
“As estações de tratamento de águas residuais são uma importante fonte de libertação de microplásticos para o ambiente. A nossa abordagem é simples de implementar e aumenta significativamente a sua remoção logo na fase inicial do tratamento”, explica o investigador.
Microbolhas e nanobolhas aumentam eficácia
A investigação centrou-se numa versão melhorada do processo de flotação por ar dissolvido, uma tecnologia amplamente utilizada no tratamento de água. Este método consiste em ligar partículas contaminantes a bolhas de ar, que as transportam até à superfície para posterior remoção.
Os resultados demonstraram que a utilização simultânea de microbolhas e nanobolhas é mais eficaz do que a utilização isolada de qualquer uma das tecnologias.
As microbolhas fornecem a força necessária para elevar as partículas à superfície, enquanto as nanobolhas favorecem a adesão e agregação dos microplásticos, aumentando o contacto entre partículas e tornando o processo mais eficiente.
Desempenho mantém-se em condições reais
A investigadora Sirajum Monira, que desenvolveu o trabalho durante o seu doutoramento na RMIT, destacou que o método manteve elevados níveis de desempenho mesmo em condições semelhantes às encontradas nas águas residuais reais.
“Substâncias como matéria orgânica, gorduras e óleos, normalmente consideradas obstáculos ao tratamento, não reduziram a eficácia do processo”, afirma.
Em alguns casos, estas substâncias contribuíram mesmo para melhorar os resultados, ao favorecer a agregação dos microplásticos em partículas maiores e mais fáceis de remover quando combinadas com os coagulantes habitualmente utilizados no tratamento de águas.
Os investigadores sublinham ainda que a captura dos microplásticos numa fase precoce impede a sua concentração nas lamas produzidas pelas estações de tratamento, reduzindo o risco de regressarem ao ambiente através da utilização de biossólidos.
Próximo passo é testar a tecnologia em escala real
Após a validação bem-sucedida da técnica em laboratório, a equipa pretende agora estabelecer parcerias com operadores do setor da água para testar o sistema em condições reais de funcionamento e em diferentes tipos de águas residuais.
Os investigadores acreditam que a adoção desta solução poderá representar um avanço importante no combate à poluição por microplásticos, contribuindo para a proteção dos ecossistemas aquáticos e da saúde humana.
Fonte: GreenSavers
O processamento alimentar é uma etapa essencial para garantir a segurança microbiológica, a estabilidade e as características sensoriais desejáveis dos alimentos. Contudo, também pode conduzir à formação de contaminantes com relevância toxicológica e tecnológica. Entre os principais contaminantes resultantes do processamento destacam-se a acrilamida em alimentos ricos em amido, os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos em produtos fumados e grelhados, o 5-hidroximetilfurfural em alimentos açucarados, as aminas biogénicas em produtos fermentados e os contaminantes associados à refinação de óleos vegetais, como o 3-monocloropropano-1,2-diol.
A formação destes compostos depende de fatores como a temperatura, o tempo de processamento, a composição da matriz alimentar e a atividade microbiana. Embora alguns destes processos contribuam para características sensoriais apreciadas pelo consumidor, a presença de determinados contaminantes pode representar um risco à saúde e comprometer a qualidade e a conformidade regulamentar dos alimentos.
Este artigo revê os principais contaminantes formados durante o processamento alimentar, abordando os mecanismos de formação, as implicações para a segurança e qualidade dos alimentos, o enquadramento regulamentar e as estratégias de mitigação aplicáveis às técnicas de processamento na indústria alimentar. A adoção de práticas controladas e de estratégias tecnológicas adequadas é fundamental para reduzir a formação destes compostos, sem comprometer a segurança e a aceitabilidade dos produtos finais.
Introdução
Os contaminantes derivados do processamento alimentar são compostos formados durante a transformação industrial ou culinária dos alimentos, como resultado de reações químicas e microbiológicas associadas às condições de processamento.
Embora o processamento seja essencial para garantir segurança microbiológica, estabilidade e qualidade sensorial, também pode gerar compostos com relevância toxicológica e tecnológica. Entre os principais exemplos destacam-se a acrilamida em alimentos ricos em amido, os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAP) em produtos fumados ou grelhados, o 5-hidroximetilfurfural (HMF) em alimentos açucarados aquecidos, as aminas biogénicas em produtos fermentados e os contaminantes da refinação de óleos, como o 3-monocloropropano-1,2-diol (3-MCPD) e os ésteres glicidílicos.
Na União Europeia (UE), a atenção a estes compostos aumentou, acompanhando o desenvolvimento científico e o reforço do enquadramento regulamentar, com destaque para o Regulamento (UE) 2023/915, que fixa teores máximos para vários contaminantes, e para o Regulamento (UE) 2017/2158, centrado na mitigação da acrilamida. Neste contexto, a indústria é chamada a integrar o controlo dos contaminantes derivados do processamento alimentar numa abordagem mais ampla de segurança, qualidade e conformidade legal. Este artigo sintetiza os principais exemplos, abordando mecanismos de formação, implicações para a saúde e a qualidade, enquadramento regulamentar e estratégias de mitigação.
Conceitos gerais e principais vias de formação
Os contaminantes de processamento resultam de reações térmicas e transformações microbiológicas associadas ao processamento e ao armazenamento de alimentos. Entre as principais vias de formação destacam-se a reação de Maillard, a caramelização, a oxidação lipídica e a pirólise, responsáveis pela formação de compostos como a acrilamida, o HMF, os HAP e alguns contaminantes da refinação de óleos vegetais.
Leia o artigo completo na TecnoAlimentar nº 47, abril/ junho de 2026, dedicada ao tema "Contaminantes Alimentares".
Fonte: TecnoAlimentar
Uma nova variedade de trigo editado geneticamente recebeu o estatuto de “organismo obtido por melhoramento de precisão” ao abrigo da Lei das Tecnologias Genéticas do Reino Unido, permitindo que avance para uma nova fase de avaliação e utilização.
O trigo foi desenvolvido por investigadores com recurso à tecnologia de edição genética CRISPR, com o objetivo de reduzir os níveis de asparagina livre, um aminoácido naturalmente presente nos grãos. Quando os alimentos à base de trigo são cozidos, torrados, fritos ou assados, esta substância pode transformar-se em acrilamida, um contaminante considerado tóxico e classificado como provavelmente cancerígeno para os seres humanos.
Nos ensaios realizados durante dois anos, os investigadores conseguiram reduzir em 59% a quantidade de asparagina livre no trigo através da alteração de um gene responsável pela sua produção, sem afetar a produtividade da cultura. Este resultado é considerado importante porque permite melhorar a segurança alimentar sem comprometer o rendimento das colheitas.
A aprovação surge numa altura em que a União Europeia prepara novas regras para limitar ainda mais a presença de acrilamida nos alimentos, o que poderá ter impacto em toda a cadeia de produção e transformação do trigo.
A nova variedade integra o projeto PROBITY, que pretende avaliar culturas desenvolvidas através de melhoramento de precisão em condições reais de produção. O trigo segue agora para avaliação pela Food Standards Agency, responsável pela segurança alimentar no país, antes de poder ser utilizado para alimentação humana e animal.
Caso obtenha parecer favorável, será cultivado em explorações agrícolas selecionadas e utilizado em unidades industriais para testar o seu desempenho em condições reais.
Segundo os responsáveis pelo projeto, esta decisão demonstra que o novo enquadramento regulamentar britânico para o melhoramento de precisão está a permitir que inovações com potencial benefício para agricultores, indústria alimentar e consumidores passem da investigação para a prática agrícola de forma mais rápida, mantendo os requisitos de segurança.
Fonte: CiB
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), através da sua Unidade Regional do Centro e com o empenho da Brigada Especializada dos Vinhos e Produtos Vitivinícolas, realizou, na última semana, uma operação de fiscalização direcionada à verificação do cumprimento das regras na comercialização de produtos vitivinícolas, nos concelhos de Viseu, Trancoso e Oliveira do Bairro.
Como balanço da operação, foram apreendidos aproximadamente 20.923 litros de vinho tinto e branco e de espumante de qualidade engarrafado (DOC), pronto para ser introduzido no consumo, bem como 69.550 caixas, por violação das regras na rotulagem, nomeadamente no que concerne à indicação da proveniência e às menções obrigatórias e ainda, por falta de licenciamento para o exercício da atividade. Em consequência, foram instaurados dois processos de contraordenação.
Fonte: ASAE
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