A tecnologia não térmica tem demonstrado capacidade para reduzir microrganismos em frutas, hortícolas, cereais e outros produtos de origem vegetal. Os resultados mostram também efeitos na conservação e nas propriedades dos alimentos, embora a aplicação industrial ainda enfrente vários desafios.
Uma revisão científica publicada em 2026 na revista NFS Journal analisa o potencial do plasma frio para aumentar a segurança microbiológica e prolongar a vida útil de alimentos de origem vegetal sem recorrer às temperaturas elevadas utilizadas nos tratamentos térmicos convencionais.
A tecnologia funciona a temperaturas próximas da temperatura ambiente e gera espécies reativas de oxigénio e azoto, fotões ultravioleta, iões e outras partículas carregadas. Em conjunto, estes elementos podem provocar danos nas membranas celulares, proteínas e material genético dos microrganismos, contribuindo para a sua inativação.
Diferentes sistemas de plasma frio têm demonstrado eficácia contra bactérias, fungos, esporos, biofilmes e vírus em frutas, hortícolas, cereais, especiarias e outros produtos de origem vegetal.
Resultados variam consoante o alimento
Os estudos analisados mostram resultados distintos em função do produto e das condições utilizadas. Em morangos, por exemplo, um tratamento com plasma frio permitiu obter reduções de 2,0 a 2,2 log de Escherichia coli e de 1,3 a 1,7 log de Listeria innocua, sem alterações significativas na cor, firmeza, pH e sólidos solúveis totais nas condições avaliadas.
Nos mirtilos, o tratamento foi associado à redução da carga microbiana e da taxa de deterioração. O estudo incluído na revisão registou ainda um aumento do teor de vitamina C, bem como valores superiores de açúcares e antocianinas totais.
Também foram observados resultados em frutas e hortícolas frescos minimamente processados. A revisão refere reduções microbianas que podem atingir 5 log UFC e, em alguns casos, maior conservação da cor e das propriedades antioxidantes. Os efeitos sobre os nutrientes e a textura, contudo, variam consoante o produto e as condições utilizadas.
A aplicação não se limita a frutas e hortícolas. A revisão reúne trabalhos realizados em arroz, diferentes tipos de farinha, sementes, especiarias, sumos e proteínas vegetais. No isolado de proteína de soja, por exemplo, o tratamento foi associado a melhorias na solubilidade e nas propriedades emulsificantes e espumantes.
Tratamento exige condições específicas
A eficácia da tecnologia depende de fatores como a tensão aplicada, a duração do tratamento, a composição do gás, a humidade, a configuração do equipamento e as características do próprio alimento.
A estrutura da superfície assume particular importância. Fendas, poros e outras irregularidades dos tecidos vegetais podem proteger os microrganismos da exposição direta ao plasma e diminuir a eficácia do processo. Por esse motivo, os autores defendem a definição de condições específicas para cada produto, em vez da aplicação de um tratamento único a diferentes alimentos.
O plasma frio apresenta também uma profundidade de penetração limitada, uma vez que atua sobretudo à superfície, o que pode reduzir a eficácia perante microrganismos que se encontrem no interior dos alimentos.
Água ativada por plasma permite tratamento indireto
Outra possibilidade analisada é a utilização de água ativada por plasma. Neste processo, a água é exposta ao plasma e passa a conter espécies reativas com atividade antimicrobiana.
A solução pode ser utilizada na lavagem e imersão de frutas, hortícolas e sementes, permitindo alcançar superfícies irregulares sem ser necessária a exposição direta do alimento ao plasma.
Um dos estudos considerados na revisão registou a inativação completa, abaixo dos limites de deteção, de E. coli e Staphylococcus aureus, tanto em células livres como associadas a biofilmes, após 20 minutos de tratamento. A água manteve ainda uma atividade antimicrobiana substancial após 24 horas de armazenamento.
Os autores ressalvam, contudo, que a presença de matéria orgânica pode reduzir significativamente a eficácia antimicrobiana deste tratamento.
Aplicação industrial ainda enfrenta desafios
Apesar dos resultados obtidos, a utilização do plasma frio à escala industrial continua limitada. Grande parte da investigação disponível foi realizada em laboratório e persistem desafios relacionados com a uniformidade do tratamento, a configuração dos equipamentos, os custos de instalação e a definição de condições adequadas para cada produto.
A exposição excessiva ao plasma pode também provocar efeitos indesejáveis, entre os quais a oxidação de lípidos, a degradação de nutrientes e pigmentos e alterações das características sensoriais. Os investigadores apontam ainda para a necessidade de estudar a eventual formação de compostos indesejáveis resultantes das reações provocadas pelo tratamento.
A revisão identifica também lacunas na avaliação da segurança a longo prazo e a ausência de protocolos de processamento internacionalmente harmonizados. A validação à escala industrial, a realização de estudos toxicológicos e a definição de requisitos regulamentares serão, por isso, determinantes para uma utilização mais alargada do plasma frio no processamento de alimentos de origem vegetal.
Leia o estudo aqui.
Fonte: TecnoAlimentar
A Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras (UCCF) da GNR apreendeu na quinta-feira 710 quilos de diversas espécies de pescado fresco no porto de pesca de Aveiro, no decorrer de uma ação de fiscalização.
Em comunicado, a GNR referiu que, no âmbito da operação destinada a controlar a comercialização, o transporte e o armazenamento de pescado fresco, os militares detetaram um homem, de 46 anos, a manusear, armazenar e comercializar o pescado no interior de um armazém.
Verificaram que o operador não possuía o Número de Controlo Veterinário (NCV) obrigatório para exercer a atividade legalmente, acrescentou.
Adicionalmente, "apuraram que uma parte significativa de pescado não se fazia acompanhar dos documentos de rastreabilidade" e, "em resultado das infrações verificadas, foi apreendida a totalidade do pescado".
A GNR elaborou um auto de contraordenação, salientando que as coimas aplicáveis a estas infrações podem atingir "o valor de 24 mil euros".
De acordo com a UCCF, o pescado apreendido será submetido a controlo higienossanitário por parte das autoridades competentes, de forma a determinar o seu destino final.
Fonte: SIC Notícias
O lançamento da Água Termal Micelar de uma empresa de água mineral insere-se na estratégia de consolidar a diversificação do seu portefólio com a expansão da sua marca de dermocosmética, desenvolvida a partir da água mineral natural alcalina.
“Desenvolvida para limpar, desmaquilhar e cuidar da pele de forma simples e eficaz, sem necessidade de enxaguamento, a nova Água Termal Micelar é dermatologicamente testada e indicada para pele normal e sensível”, apresenta a empresa.
Água mineral natural alcalina, colagénio, aloé vera e extrato de romã, ingredientes reconhecidos pelas suas propriedades hidratantes, suavizantes e protetoras, estão na base da fórmula deste novo produto, que chega ao mercado em embalagens de 250 ml e 500 ml, e está disponível em farmácias e parafarmácias, através de uma parceria de distribuição. Estará também disponível na loja online da empresa de água mineral.
“A água mineral termal sempre esteve associada à promoção da saúde e do bem-estar através das características únicas da sua água. A criação de uma linha de cosméticos. representa uma evolução natural da marca, permitindo-nos colocar as propriedades da nossa água ao serviço da dermocosmética e criar soluções que refletem a nossa visão inovadora”, afirma Vítor Hugo Gonçalves, CEO da empresa.
Fonte: HiperSuper
Estudos mostraram que as pessoas com perturbação bipolar têm padrões diferentes de bactérias intestinais. Estes estudos fazem parte de uma área em crescimento denominada “psiquiatria metabólica”, que está a investigar a possibilidade de as alterações metabólicas, como adoptar uma dieta cetogénica ou tomar probióticos, aliviarem os sintomas de várias perturbações de saúde.
Julianne Armijo era adolescente e conduzia de regresso a casa vinda de uma aula de violino quando se sentiu inundada por uma onda de desespero. Os médicos acharam que era depressão, mas na casa dos seus 20 e 30 anos, os estados depressivos foram-se intercalando periodicamente com episódios maníacos, acabando por conduzir ao diagnóstico correcto de perturbação bipolar grave.
Após o diagnóstico, Armijo esforçou-se para encontrar tratamentos que mantivessem os sintomas sob controlo. Mesmo tomando dois medicamentos comummente prescritos – um antidepressivo e um anticonvulsivo –, os sintomas manifestavam-se ocasionalmente. Durante um episódio ocorrido há quatro anos, ela deu por si a pular em cima de escavadoras e tractores num local de construção às três da manhã, sentindo que as árvores à sua volta brilhavam e respiravam.
Quando os médicos trocaram o antidepressivo por um antipsicótico que lhe embotava o humor e a concentração, Armijo, uma enfermeira de família e doutoranda de enfermagem com 39 anos residente em Ann Arbor, no Michigan, começou a explorar outros remédios lhe permitissem fazer o desmame daquele fármaco. Na escola de enfermagem, descobrira que a dieta cetogénica, que elimina os hidratos de carbono e aumenta dramaticamente a ingestão de gordura, reduzia a ocorrência de convulsões epilépticas em crianças há mais de um século. Uma vez que a epilepsia também é tratada com fármacos anticonvulsivos, ela achou que poderia haver uma ligação – uma crença reforçada pelos estudos antigos que encontrou sobre os potenciais efeitos da dieta cetogénica na saúde mental. Há três anos, achando que tinha pouco a perder, decidiu experimentar.
“Senti diferença logo nas primeiras semanas”, diz Armijo. “Foi transformador perceber que em vez de picos altos e depressões profundas, conseguia ter alterações de humor normais.”
Não é tão rebuscado como parece. Normalmente, as células transformam os hidratos de carbono num açúcar chamado glucose para produzir energia. Em muitas doenças neurodegenerativas, incluindo perturbação bipolar, esquizofrenia e Alzheimer, o cérebro perde a capacidade de queimar devidamente a glucose, diz Shebani Sethi, investigadora de psiquiatria na Universidade de Stanford. “É como se as células estivessem esfomeadas e não conseguissem comer.” Por conseguinte, um cérebro afectado por uma doença mental pode funcionar melhor quando as células cerebrais passam a usar gordura em vez de hidratos de carbono como combustível.
Enquanto Armijo explorava a dieta cetogénica como tratamento alternativo, investigadores como Sethi, que cunhou o termo psiquiatria metabólica para descrever esta área em crescimento, têm vindo, cada vez mais, a fazer o mesmo. Estudos de pequena dimensão defendem a adesão à dieta cetogénica (comumente apelidada de keto) para melhorar uma série de condições psicológicas. Os cientistas também estão a investigar outras intervenções que influenciem a forma como as células cerebrais obtêm energia e se regulam. Alguns médicos mantêm-se cépticos, mas os dados iniciais são promissores.
Fonte: National Geographic Portugal
Os sistemas tradicionais utilizados na cadeia de frio recorrem sobretudo a limites fixos de temperatura para identificar situações de risco. Esta abordagem pode, contudo, não refletir a evolução real da qualidade dos alimentos ao longo do armazenamento e transporte. Segundo o estudo, um produto mantido continuamente a 6,5 °C pode não acionar um alerta definido para os 8°C, apesar de a sua vida útil diminuir cerca de 40 % face às condições ideais de conservação.
Para responder a esta limitação, os investigadores desenvolveram o sistema Quality-Aware Decision Intelligence, QADI, que combina modelos físicos de degradação com aprendizagem automática e um modelo de linguagem. A informação recolhida através de sensores, incluindo dados de temperatura, é utilizada para estimar o estado de qualidade do produto e a vida útil restante, permitindo relacionar essa evolução com as condições logísticas.
Erro médio de 7,2 horas na previsão
A avaliação incidiu principalmente sobre leite pasteurizado, tendo sido também considerados cenários com brócolos. O sistema registou um erro médio absoluto de 7,2 horas na previsão da vida útil, comparativamente às 30,9 horas obtidas pelo modelo baseado apenas em parâmetros físicos.
Nos cenários de encaminhamento analisados, o QADI selecionou a decisão considerada ótima em 99,5 % dos casos. Quando a componente de raciocínio baseada no modelo de linguagem foi retirada, este valor desceu para 45,5 %, resultado que os autores apontam como indicador da importância desta componente na qualidade das decisões.
O sistema considera ainda a relação entre o tempo estimado de transporte e a vida útil restante do produto para determinar o risco operacional. Desta forma, procura transformar a previsão da qualidade numa indicação que possa apoiar decisões ao longo da cadeia de frio.
Validação em condições reais ainda é necessária
Os autores salientam, contudo, algumas limitações. A avaliação quantitativa é mais aprofundada para o leite pasteurizado, enquanto a validação dos parâmetros utilizados para outros produtos, como os brócolos, é menos extensa. Os cenários analisados também não representam todas as condições que podem ocorrer numa cadeia logística real.
A investigação aponta, por isso, para a necessidade de validar o sistema com dados logísticos reais e operadores, bem como de alargar a abordagem a diferentes produtos e mecanismos de deterioração.
Fonte: TecnoAlimentar
Empresa líder de embalagem, apresentou a primeira embalagem de cartão do mercado para atum de conserva. Esta solução, embalada, foi lançada em maio, na Suécia, em parceria com um retalhista, no formato Mini de 200 mililitros, e estará disponível para produtores e marcas de alimentos em todo o mundo.
O desenvolvimento resulta de uma colaboração que combina a experiência da empresa em tecnologias de processo e embalagens alimentares com décadas de know-how na produção de conservas de peixe e marisco.
A embalagem é uma alternativa à base de papel às latas tradicionais, oferecendo aos produtores uma forma diferenciadora de inovar numa das categorias mais estabelecidas da indústria de conservas de peixe e marisco. A empresa prevê que o mercado global de atum de conserva cresça cerca de 12%, atingindo os 12.4 mil milhões de unidades até 2030 – o que reflete a procura crescente por opções de proteína acessíveis, versáteis e de longa conservação.
A empresa destaca também o desempenho ambiental da solução. Segundo a empresa, a embalagem apresenta a menor pegada de carbono entre todas as embalagens da sua categoria: 85% inferior à das latas de aço e 83% inferior à dos frascos de vidro.
Em escala, isto equivale a menos 21.000 toneladas de CO₂ por cada 1 milhão de latas. Para além disso, a embalagem é fabricada com até 71% de papel certificado FSC, proveniente de florestas renováveis geridas de forma responsável.
Além da composição, a forma retangular e compacta do cartão possibilita otimizar o armazenamento, aumentando a eficiência na prateleira e permitindo expor mais produto por metro linear. Da mesma forma, as superfícies grandes e planas oferecem maior área para comunicação de marca.
A robustez do formato e a sua forma retangular favorecem igualmente a eficiência em armazém e simplificam o processo de “pick & pack” para retalhistas online, sendo particularmente adequado para e-commerce, entregas ao domicílio e kits de refeição – oferecendo o mesmo impacto para quem vê o produto no ecrã, que numa prateleira de loja.
A empresa de conservas vai lançar no mercado várias categorias de produtos nesta embalagem, tanto sob as suas próprias marcas, como sob marcas de terceiros.
À medida que aumenta a procura por alimentos convenientes e focados em proteína, o atum de longa conservação está a evoluir. Esta solução transformadora dá resposta a esta mudança, ajudando os produtores a ir além das latas para modernizar a categoria, diferenciar as suas marcas e apoiar sistemas alimentares mais sustentáveis.
Tatiana Liceti, Executive Vice President, Packaging Solutions da empresa líder, comentou: “Com a primeira embalagem de cartão para atum em conserva, estamos a oferecer aos produtores e às marcas uma nova forma de se destacarem na prateleira, protegendo e aumentando a quota de mercado, apoiando uma produção escalável e competitiva em termos de custos, e modernizando a categoria com uma alternativa à base de papel às latas, ao mesmo tempo que contribuímos para sistemas alimentares mais sustentáveis, através de uma produção e distribuição mais inteligentes”.
Jesús M. Alonso Escurís, presidente da empresa de conservas, disse: “Após o lançamento bem-sucedido na Suécia, assistimos a uma forte dinâmica de mercado e estamos confiantes de que esta tendência continuará, à medida que cresce a procura por produtos mais convenientes, modernos e sustentáveis”.
Fonte: Grande Consumo
A Eurostat acaba de divulgar os valores referentes à produção de gelados no ano passado. Os números indicam que a União europeia produziu 3,44 mil milhões de litros de gelado, representando um aumento de 1,9% face a 2024 (3,38 mil milhões de litros).
A Alemanha manteve a liderança, com 608 milhões de litros em 2025. A Itália (549 milhões de litros) e a França (525 milhões de litros) vieram logo a seguir. A lista dos principais produtores incluiu ainda a Espanha (457 milhões de litros) e a Bélgica (274 milhões de litros).
Os números revelam ainda que todos estes cinco países, quando comparando com os dados de 2024, registaram um aumento da produção: +10% para a Itália, +6% para a Bélgica, +4% para a França, +2% para a Espanha e +0,2% para a Alemanha.
Os dados também mostram que, em 2025, os países da UE exportaram 289,8 milhões de quilos de gelado para países fora da UE e importaram 77,8 milhões de quilos. As exportações aumentaram 10% em relação a 2024 (+26 milhões de kg), enquanto as importações subiram 12% (+8,5 milhões de kg).
França manteve o papel de maior exportador de gelados da União Europeia, exportando 59,1 milhões de quilos de gelados para países fora da UE em 2025.
Notas metodológicas
Fonte: Grande Consumo
O Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas (IFAP) abriu, através de financiamento do Fundo Ambiental, um concurso para apoiar a conversão de matos em novas pastagens, com uma dotação total de mais de 2,6 milhões de euros.
O apoio visa reduzir a suscetibilidade a grandes fogos com recurso à substituição de superfícies arbustivas não geridas, por superfícies de pastagem sob compromisso de gestão de combustível. Assim, o programa pretende reforçar a prevenção estrutural de incêndios através da valorização da pastorícia extensiva tradicional.
Estas superfícies caracterizam-se por apresentarem predominância de vegetação arbustiva superior a 50 % da parcela, com altura superior a 50 cm, e que não reúnam condições para utilização agrícola ou alimentação animal.
Além disso, o regulamento esclarece ainda que as despesas objeto de financiamento ao abrigo deste apoio não podem beneficiar de qualquer outro financiamento público para os mesmos custos.
É importante relembrar que, no início do ano, o Governo aprovou um programa de apoio ao pastoreio extensivo, com financiamento até 30 milhões de euros por ano, destinado a reduzir o risco de incêndios rurais através da diminuição da carga combustível.
As candidaturas já estão abertas devem ser submetidas no portal do IFAP, consoante a dotação disponível. A seleção das candidaturas é efetuada com base no orçamento disponível e, por isso, o concurso deverá ser interrompido quando esse montante esgotar.
Fonte: SAPO
Uma empresa norte-americana está a utilizar a tecnologia de edição genética CRISPR para desenvolver amoras sem sementes, sem espinhos e mais produtivas. Sediada na Carolina do Norte, nos EUA, a start-up pretende reunir várias características favoráveis numa única planta e reduzir de décadas para poucos anos o tempo necessário para obter novas variedades.
As amoras com esta combinação de características não deverão chegar aos supermercados dos Estados Unidos antes de 2030. A empresa trabalha também em pêssegos sem caroço, cerejeiras de porte arbustivo, culturas resistentes a doenças e árvores de fruto capazes de produzir a primeira colheita mais cedo.
Edição mais rápida e precisa
O melhoramento vegetal convencional depende do cruzamento de variedades e da seleção das plantas com melhor desempenho. Trata-se de um processo lento e imprevisível, no qual a melhoria de uma característica pode prejudicar outras, como o sabor, a produtividade ou a resistência.
Com o CRISPR, os investigadores podem identificar os genes associados a determinada característica e ativá-los, desativá-los ou ajustar a sua expressão. Esta precisão permite conservar as qualidades de uma variedade e alterar apenas os aspetos pretendidos.
No caso das amoras, a empresa não precisou de cruzar uma planta sem sementes com outra de melhor sabor. Em vez disso, editou diretamente uma variedade saborosa para eliminar as sementes. A tecnologia possibilita ainda a acumulação de várias melhorias na mesma planta.
A empresa fez parceria no desenvolvimento de milho com maior rendimento, caules mais baixos e resistentes ao vento, maior tolerância ao calor e à seca e utilização mais eficiente de fertilizantes. Modelos de inteligência artificial estão também a ajudar os cientistas a determinar onde e como devem realizar as alterações genéticas.
Mercado ainda reduzido
Apesar das expectativas, o mercado dos alimentos editados geneticamente continua numa fase inicial. Em 2023, a empresa lançou nos Estados Unidos uma variedade de mostarda de folha menos amarga, mas interrompeu a sua comercialização no início de 2024 para concentrar recursos noutros projetos.
A empresa já recebeu mais de 50 aprovações regulamentares relativas a cinco culturas em nove países. Contudo, mantém apenas um produto no mercado: uma variedade de amora de elevado rendimento, comercializada em quantidades limitadas na Colômbia.
Depois da primeira experiência comercial, a empresa passou a privilegiar o licenciamento da sua tecnologia. A startup já angariou mais de 160 milhões de dólares e mantém parcerias com empresas, além de universidades e centros de investigação.
Benefícios para agricultores e consumidores
Ao contrário dos primeiros organismos geneticamente modificados, cujas principais vantagens estavam relacionadas com a produção agrícola, a empresa procura criar produtos que apresentem benefícios claros para os consumidores. A ausência de sementes, a redução do amargor, uma textura mais agradável e uma maior conservação pós-colheita são alguns dos exemplos.
Para os agricultores, as vantagens potenciais incluem colheitas mais abundantes, menor utilização de água e produtos químicos e maior resistência ao calor, à seca, às tempestades, às pragas e às doenças. A edição genética poderá ainda permitir que determinadas culturas sejam produzidas noutras regiões, épocas do ano ou tipos de solo.
A tecnologia poderá contribuir também para reduzir a pressão sobre os ecossistemas. Nas próximas décadas, o setor agrícola terá de produzir mais alimentos para uma população crescente, utilizando menos terra e diminuindo a desflorestação, as emissões de gases com efeito de estufa e o recurso a agroquímicos.
Acesso para pequenos agricultores
Por ser mais rápida e menos dispendiosa do que o desenvolvimento de organismos geneticamente modificados, a edição genética poderá tornar-se acessível a um conjunto mais vasto de instituições.
A empresa colabora com a Fundação Gates e com o Instituto Internacional de Agricultura Tropical no desenvolvimento de culturas como feijão-frade, mandioca e inhame, procurando aumentar a resistência a pragas, doenças e períodos de seca.
Entre os projetos encontra-se um inhame semianão que poderá exigir menos trabalho físico das mulheres que cultivam este alimento em vários países africanos. No entanto, os cortes no financiamento norte-americano à cooperação internacional poderão dificultar a chegada destas sementes aos agricultores de subsistência.
Aceitação pública será determinante
As culturas editadas com CRISPR ainda não enfrentaram obstáculos regulamentares ou oposição pública comparáveis aos registados pelos organismos geneticamente modificados. A técnica distingue-se por permitir alterações específicas no material genético da própria planta, sem exigir necessariamente a introdução de ADN de outras espécies.
Ainda assim, permanece o risco de a tecnologia ser associada à controvérsia que rodeia os alimentos geneticamente modificados. A resistência de parte dos consumidores à aplicação de novas tecnologias na produção alimentar poderá condicionar a adoção destes produtos.
O potencial científico é significativo, mas a transformação da agricultura dependerá não apenas da eficácia das novas culturas. O preço, a regulamentação, o acesso às sementes e, sobretudo, a confiança dos consumidores determinarão se os alimentos geneticamente editados com CRISPR conseguirão passar dos laboratórios para os campos e supermercados.
Fonte: CiB
A procura por produtos biológicos continua a crescer em Portugal, impulsionada por consumidores cada vez mais atentos à saúde, à qualidade dos alimentos e à origem dos produtos. Embora o verão continue a reforçar o consumo de frutas, legumes e outras referências associadas a uma alimentação mais fresca e equilibrada, a categoria está a deixar de depender da sazonalidade e a afirmar-se como uma presença cada vez mais regular no cabaz das famílias. Paralelamente, o retalho procura alargar a oferta, reforçar as marcas próprias e democratizar o acesso a produtos certificados, conciliando qualidade com preços mais competitivos.
Os dados mostram esta evolução. Segundo a Worldpanel by Numerator, 88,2% das famílias portuguesas compram produtos biológicos pelo menos uma vez por ano, mais 8,3% do que em 2023. A frequência média de compra também aumentou, passando de 8,8 para 9,3 ocasiões anuais, sinal de que esta categoria se está a integrar de forma mais consistente nos hábitos de consumo.
Verão reforça procura por frescura e sazonalidade
Se a procura por produtos biológicos se distribui hoje ao longo de todo o ano, o verão continua a assumir um papel relevante, sobretudo nas categorias de frescos.
Esta época coincide com uma maior valorização de frutas e legumes associados à produção nacional e à sazonalidade. “Com a chegada do calor, muitos consumidores procuram diferentes variedades, como o tomate, pepino, alface, curgete, melancia, melão, pêssego, figos, nectarina, ameixa e outras, refletindo aquilo que mais valorizam nesta época: frescura, sabor, origem e uma forma de produção que respeita os recursos naturais”, explica David Monteiro.
“Durante os meses de verão, observa-se um aumento da procura por esta categoria, em linha com a maior valorização de produtos associados a hábitos de vida mais saudáveis nesta época do ano”.
“Quanto à procura por produtos biológicos, verificamos que esta não se limita a momentos específicos do ano, acompanhando a crescente valorização deste segmento nas escolhas do dia a dia dos consumidores”.
O biológico deixa de estar limitado aos frescos
Durante muitos anos, os produtos biológicos estiveram sobretudo associados às frutas e legumes. Hoje, essa realidade está a mudar.
Embora os frescos continuem a liderar a procura, a aposta estende-se a várias categorias. “O nosso compromisso continua a ser o de garantir uma oferta diversificada, que inclui frescos, laticínios, mercearia, snacks, bebidas, alimentação infantil ou refeições prontas, garantindo qualidade, confiança e conveniência para responder às necessidades do dia a dia de toda a gente”, explica David Monteiro.
“Atualmente, as categorias com maior crescimento no universo dos produtos biológicos são a alimentação infantil, os produtos de alimentação especial e as frutas e vegetais”.
Saúde continua a liderar as escolhas
Embora sustentabilidade, origem e certificação ganhem importância, a saúde continua a ser o principal fator de compra.
Segundo os dados da Worldpanel by Numerator. “A saúde continua a ser o principal fator de compra”.
A confiança na certificação assume igualmente importância crescente. “A confiança na certificação é igualmente um fator relevante, uma vez que os produtos biológicos cumprem as normas europeias de certificação”.
Certificação, origem e confiança ganham peso
À medida que o consumidor se torna mais informado, aumenta também a exigência relativamente à origem dos produtos e aos processos de produção.
Fonte: HiperSuper
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