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Ao longo dos últimos quatro anos, mais de 14 mil cidadãos avaliaram e repensaram os seus hábitos e estilo de vida com a ajuda da DECO, no âmbito do projeto europeu PSLifestyle – Positive and Sustainable Lifestyle, informa a associação em comunicado.

Segundo a mesma fonte, o projeto envolveu uma ampla rede de parceiros nacionais e europeus, apostando em campanhas inovadoras e processos de co-criação da ferramenta LifestyleTest para capacitar os cidadãos e apoiar escolhas mais sustentáveis no seu quotidiano. A nível nacional, mais 30 entidades parceiras da DECO levaram esta ferramenta a munícipes, colaboradores, alunos e professores, através de materiais de divulgação de links personalizados.

Os resultados deste percurso coletivo estão agora reunidos no documento “PSLifestyle: a inspirar vidas sustentáveis em Portugal”, que reúne os dados sobre a pegada de carbono, os padrões de consumo e as principais barreiras à adoção de comportamentos mais sustentáveis, com base nos testes realizados em território nacional.

Em Portugal, o projeto deixa um legado “robusto: uma comunidade mais consciente, novas colaborações institucionais e ferramentas de capacitação que continuarão ativas através da DECO, promovendo escolhas de consumo mais sustentáveis. O PSLifestyle demonstra que a transição sustentável depende tanto de políticas públicas como de pequenos gestos individuais – e que, com informação e ferramentas adequadas, os cidadãos estão dispostos a contribuir para um futuro mais responsável2, refere a nota.

Assim, “acreditamos que este trabalho constitui um contributo relevante para o debate público sobre consumo sustentável e para o desenho de políticas e iniciativas nesta área”, conclui.

Fonte: GreenSavers

A indústria global enfrenta um abrandamento no crescimento da produção de proteína animal, marcado por tensões comerciais, pressões sanitárias e alterações no comportamento do consumidor. A eficiência, a sustentabilidade e a tecnologia serão fundamentais para o futuro do setor, tal como indicado no relatório 'Global Animal Protein Outlook 2026', do Rabobank.

Um crescimento desigual entre espécies

A produção mundial de proteína animal continuará a perder dinamismo em 2026, influenciada por fatores cíclicos e estruturais. Enquanto os produtos do mar e a carne de aves consolidam o seu crescimento, a carne suína e a carne de bovino deverão registar uma contração. Com efeito, prevê-se que esta seja a primeira queda da produção global de espécies terrestres em seis anos.
 
Pressão sobre as margens: custos, saúde e comércio
Embora os custos das rações se mantenham estáveis, outros fatores exercerão pressão sobre as margens: menor disponibilidade de proteína, volatilidade crescente, aumento dos custos comerciais e ameaças sanitárias. As indústrias de processamento poderão enfrentar dificuldades na otimização da sua capacidade instalada, agravadas por barreiras comerciais, tarifas e medidas protecionistas.
 
Mudança no consumidor: mais sensível ao preço e menos fiel ao produto
O abrandamento do crescimento do PIB global afetará o comportamento do consumidor, que se tornará cada vez mais sensível ao preço. Preveem-se mudanças nos padrões de consumo, com tendência para a escolha de opções mais económicas dentro de cada categoria ou mesmo para a substituição de algumas proteínas por outras. No entanto, essa substituição nem sempre é direta, uma vez que muitas proteínas não são percecionadas como equivalentes.
 
O comércio resiste, mas os desequilíbrios persistem
Apesar das tensões, o comércio internacional de proteínas animais tem demonstrado resiliência, apoiado em estratégias como o abastecimento antecipado. Ainda assim, os desequilíbrios entre a oferta e a procura continuam por resolver e espera-se que esta tendência se mantenha em 2026. As tensões geopolíticas e a evolução das políticas comerciais continuarão a condicionar os fluxos, embora novos acordos possam trazer alguma estabilidade.
 
Mais doenças, maior biossegurança
Os surtos sanitários têm afetado tanto a produtividade como as margens. Para além de ameaças recorrentes, como a peste suína africana ou a gripe aviária, estão a emergir doenças como a miíase causada pelo verme perfurador do Novo Mundo, a língua azul, a febre aftosa ou a dermatite nodular contagiosa. Perante este cenário, cresce o interesse por novas estratégias de biossegurança, embora a sua implementação seja complexa.
 
Sustentabilidade e clima: riscos que já não podem ser ignorados
O atual contexto operacional, aliado às crescentes exigências regulamentares, está a levar as empresas a integrar os riscos climáticos e de sustentabilidade nas suas estratégias, avaliando de forma mais sistemática o seu impacto na atividade e nos resultados e promovendo uma abordagem mais abrangente e proativa.
 
Tecnologia: uma aliada ainda subutilizada
A digitalização e o recurso a tecnologias como a inteligência artificial (IA) podem ser fundamentais para melhorar a gestão dos riscos operacionais e avançar nos objetivos de sustentabilidade. Embora o investimento em tecnologia continue a ser limitado, a integração estratégica da IA pode acelerar a transformação de um setor tradicionalmente lento na adoção de inovações.
 
Diversificação e adaptação: chaves para enfrentar o futuro
Para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades, a indústria da proteína animal deverá apostar na diversificação, na consolidação e na adaptação às novas preferências dos consumidores. A combinação de eficiência operacional, resiliência comercial e visão estratégica será determinante num ambiente cada vez mais volátil.
Fonte: iAlimentar

Cientistas da Universidade da Califórnia, em Davis, desenvolveram plantas de trigo capazes de estimular a produção do seu próprio fertilizante, um avanço que poderá reduzir a poluição ambiental e diminuir significativamente os custos para os agricultores.

Uma equipa de investigadores da Universidade da Califórnia (UC Davis) conseguiu desenvolver plantas de trigo que estimulam a fixação de azoto no solo, permitindo reduzir a dependência de fertilizantes químicos. O estudo foi publicado na Plant Biotechnology Journal e recorre à tecnologia de edição genética CRISPR.

A investigação foi liderada por Eduardo Blumwald, professor do Departamento de Ciências das Plantas da UC Davis. Os cientistas utilizaram a ferramenta de edição genética CRISPR para induzir a produção de um composto químico que ocorre naturalmente nas plantas. Quando libertado no solo, esse composto estimula bactérias do solo a realizar a fixação de azoto, um processo biológico através do qual o azoto presente no ar é convertido numa forma assimilável pelas plantas.

Este mecanismo permite que o trigo beneficie indiretamente de um “fertilizante natural”, reduzindo a necessidade de aplicação de fertilizantes sintéticos, associados à poluição da água e do ar, bem como a elevadas emissões de gases com efeito de estufa.

A equipa da UC Davis já submeteu um pedido de patente para esta tecnologia, que poderá vir a ser aplicada não só no trigo, mas também noutras culturas como o arroz. Se confirmada em larga escala, esta inovação poderá representar um passo significativo rumo a uma agricultura mais sustentável e eficiente.

Fonte: CiB

 

Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), realizou, através da Unidade Regional do Sul, uma operação de fiscalização dirigida ao setor da restauração e bebidas, com o objetivo de assegurar o cumprimento da legislação aplicável e promover elevados padrões de qualidade e segurança alimentar na cidade de Lisboa.
Como balanço da operação, que incidiu na verificação do cumprimento das normas legais em vigor, nomeadamente no que respeita às condições higiossanitárias, à segurança alimentar, bem como à observância das regras aplicáveis ao exercício da atividade económica, foram fiscalizados 52 operadores económicos, tendo sido determinada a suspensão imediata de atividade de 11 deles por violação dos deveres gerais da entidade.
Foi igualmente instaurado 1 processo-crime por géneros alimentícios avariados e 30 processos de contraordenação, destacando-se como principais infrações, irregularidades relativas a falta de registos HACCP, a violação dos deveres gerais da entidade, a falta de controlo metrológico e de mera comunicação prévia, a falta de envio do original do livro de reclamações, entre outras.
Foram ainda apreendidos 95 kg de géneros alimentícios, 38,5 litros de molhos e 3 balanças, estas últimas devido à ausência de controlo metrológico.

Fonte: ASAE

A necessidade de garantir segurança alimentar, de forma sustentável e economicamente viável, acelerou, recentemente, a investigação em novas fontes de proteína e processos de produção. Esta “transição proteica” não se limita à redução do consumo de carne mas implica a diversificação das fontes de proteína e um reposicionamento estratégico da indústria alimentar. A combinação da biotecnologia, engenharia de alimentos, economia circular e inovação empresarial virá a permitir soluções inovadoras para criar alimentos mais sustentáveis e nutritivos e responder a desafios ambientais, nutricionais e económicos.

Entre as alternativas à carne encontram-se produtos vegetais, biomassa obtida por fermentação em biorreatores, incluindo fermentação de precisão (que usa microrganismos modificados geneticamente para produzir proteínas idênticas às de origem animal), proteínas de insetos e carne cultivada. Estas abordagens apresentam diferentes níveis de maturidade tecnológica e potencial de aplicabilidade em grande escala. Os produtos vegetais e as micoproteínas (derivadas do micélio de fungos, produzido por fermentação) demonstram viabilidade industrial e crescente aceitação no mercado global. Embora promissoras, tecnologias mais disruptivas, como a carne cultivada e fermentação de precisão, apresentam custos elevados e dependência de capital intensivo. Estes desafios representam riscos mas também oportunidades de liderança tecnológica em mercados emergentes de alto valor.

A consolidação da transição proteica exige investigação científica para reduzir custos, aumentar rendimentos e garantir segurança alimentar. Uma atividade coordenada das universidades, centros de investigação, startups e grandes empresas permitirá criar ecossistemas robustos, que aliem conhecimento científico e capacidade industrial para acelerar a transferência tecnológica, do laboratório para o mercado.

A dimensão global e a competição internacional da transição proteica exige atenção às patentes, propriedade intelectual e alianças estratégicas. No plano nutricional, são necessários mais estudos sobre novas proteínas e ingredientes, dependendo o sucesso da transição proteica também de fatores socioculturais e regulatórios. É crucial a aceitação pelo consumidor, nunca subestimando a dimensão cultural da alimentação e a resistência social, sobretudo no sul da Europa, a perceção de segurança alimentar e comunicação transparente sobre o valor nutricional e impacto ambiental na redução de emissões de gases com efeito de estufa. Também uma rotulagem transparente, regulação harmonizada e uma transição que não prejudique agricultores e produtores pecuários, são essenciais. As políticas públicas e normas internacionais podem acelerar ou travar essa transição. 

A transição proteica é um instrumento estratégico para a sustentabilidade, competitividade e autonomia da Europa que, tal como o resto do mundo, enfrenta um ponto de inflexão nos sistemas alimentares impulsionado por vários desafios. Estes vão desde os exigentes compromissos climáticos e a necessidade de segurança e autonomia alimentar, às pressões sobre recursos naturais, exigências éticas e sociais relativas ao bem-estar animal e à crescente procura de proteínas acessíveis, nutritivas e de baixo impacto ambiental. Neste contexto, o EASAC – European Academies´ Science Advisory Council, órgão científico consultivo das academias europeias, publicou, no final de 2025, o relatório Meat Alternatives – Considerations for Sustainable Protein Choices sobre o potencial, os riscos e as implicações das “alternativas à carne”. Com uma base científica sólida, este relatório exige uma leitura crítica pois as alternativas à carne são parte da solução, não uma fórmula milagrosa.

Pela relevância do tópico, e tendo na devida atenção o contexto nacional, este relatório será debatido na próxima quinta feira, dia 8 de janeiro, durante a tarde, na Academia das Ciências de Lisboa (ACL). A ACL é membro do EASAC e de outras redes internacionais de academias científicas que multiplicam a força coletiva da ciência, oferecendo respostas conjuntas a desafios globais, com legitimidade e autoridade técnica. Tal permite que o aconselhamento científico, independente e baseado em evidências, chegue a níveis políticos onde se tomam decisões com impacto nacional e mundial.

O programa da sessão, “Alternativas à carne: desafios científicos, empresariais e estratégicos para a Europa”, foi organizado em colaboração com o professor e investigador do Instituto Superior Técnico e do iBB-Instituto de Bioengenharia e Biociências, Frederico Ferreira, que foi um dos revisores do relatório por indicação da ACL e que coordena projetos sobre carne e peixe cultivados em laboratório. No debate participarão representantes de empresas do setor, como a PFX Biotech Lda e a Cell4Food, com atuação nas áreas da biotecnologia, fermentação e desenvolvimento de novos alimentos, a CellAgri Portugal, entidade dedicada à agricultura celular e às tecnologias associadas, a PortugalFoods – Associação do Setor Agroalimentar Português que representa a indústria agroalimentar nacional e os seus ecossistemas de inovação, e a DGAV – Direção-Geral da Alimentação e Veterinária, a autoridade pública com competências em segurança alimentar e enquadramento regulamentar.

Fonte: Semanário SOL

A campanha nacional ‘Desperdício Zero, Impacto Duplo’ está de regresso para a sua segunda edição, reforçando a aposta numa abordagem integrada aos desafios ambientais e sociais em Portugal. A iniciativa, promovida pela ERP Portugal, pela marca portuguesa de eletrodomésticos Orima e pela Refood, arrancou no dia 1 de janeiro e prolonga-se até 5 de junho de 2026, Dia Mundial do Ambiente, com o objetivo de expandir a rede de recolha de pilhas e lâmpadas e, em simultâneo, apoiar o combate ao desperdício alimentar.

Depois de, na primeira edição, ter permitido a recolha de 1,6 toneladas de resíduos, a campanha regressa com uma ambição reforçada e alcance nacional, apostando na mobilização da sociedade para a correta gestão de resíduos perigosos e para a redução do desperdício alimentar, um problema estrutural no país.

Um duplo desafio ambiental e social

Os dados mais recentes da Eurostat indicam que cada português desperdiça, em média, mais de 180 quilos de alimentos por ano, colocando Portugal como o quarto país da União Europeia com maior taxa de desperdício alimentar. É neste contexto que a Refood assume um papel central, ao recuperar excedentes alimentares e transformá-los em refeições destinadas a famílias em situação de carência.

A campanha ‘Desperdício Zero, Impacto Duplo’ pretende, assim, sensibilizar para a urgência da redução do desperdício alimentar, enquanto promove o correto encaminhamento de resíduos perigosos, como pilhas e lâmpadas. Ao participar, os cidadãos contribuem para a proteção do ambiente e para o reforço da capacidade operacional da Refood no terreno.

Estamos muito contentes por lançar a segunda edição da campanha ‘Desperdício Zero, Impacto Duplo’, que é um testemunho do poder da colaboração entre a ERP Portugal, a Orima e a Refood para enfrentar desafios ambientais e sociais críticos”, afirma Rosa Monforte, diretora-geral da ERP Portugal. “Ao facilitar a recolha e reciclagem de pilhas e lâmpadas, estamos a gerar um verdadeiro impacto duplo, dando igual destaque à missão da Refood no combate ao desperdício alimentar”, acrescenta.

Recolha alargada e incentivos à participação

Para tornar a entrega de pilhas e lâmpadas mais acessível, os núcleos da Refood, distribuídos de norte a sul do país, vão funcionar como pontos de recolha entre as 18h00 e as 21h00. A ERP Portugal ficará responsável pela recolha e pelo encaminhamento adequado destes resíduos para reciclagem, assegurando o cumprimento das normas ambientais em vigor.

Como incentivo adicional, a Orima vai oferecer equipamentos de refrigeração novos e mais eficientes aos núcleos da Refood que recolherem maiores quantidades de resíduos. Esta medida visa reforçar a capacidade de armazenamento de alimentos da organização e melhorar a eficiência energética das suas operações.

A Orima tem como objetivo facilitar as tarefas domésticas e, simultaneamente, melhorar a qualidade de vida das famílias. Com a produção de eletrodomésticos mais eficientes, conseguimos ajudar a construir um futuro mais sustentável, mas também sensibilizar para a necessidade urgente de combater o desperdício alimentar”, sublinha Cecília Almeida, diretora de marketing da Orima.

Parcerias com impacto no terreno

Para Hunter Halder, presidente do Movimento Refood, esta parceria reforça a coerência da missão da organização. “A Refood transforma desperdício alimentar em nutrição para alimentar quem mais precisa e para promover o bem-estar de toda a comunidade. Estamos muito felizes por, uma vez mais, juntar esforços com a ERP Portugal e a Orima para reduzir a degradação do nosso meio ambiente”, afirma.

Ao aliar reciclagem de resíduos perigosos e combate ao desperdício alimentar, a campanha ‘Desperdício Zero, Impacto Duplo’ posiciona-se como um exemplo de ação colaborativa com impacto real, convidando os portugueses a fazer parte de uma solução que beneficia simultaneamente o ambiente e a sociedade.

Fonte: Grande Consumo

O Governo lançou um apoio financeiro dirigido ao investimento em equipamentos e infraestruturas de eficiência energética, bem como à produção e armazenamento de energia no setor agrícola, com uma dotação global de 15 milhões de euros, financiada pelo Fundo Ambiental e operacionalizada pelo Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas (IFAP).

De acordo com o comunicado de imprensa do Executivo, o apoio destina-se a produtores agrícolas e agropecuários, cooperativas, associações, organizações de produtores e associações de regantes, com o objetivo de modernizar as explorações, reduzir os consumos energéticos, diminuir as emissões de gases com efeito de estufa (GEE) e reforçar o recurso a energia proveniente de fontes renováveis.

O financiamento é atribuído a fundo perdido, sob a forma de reembolso dos investimentos realizados, podendo cobrir até 100% do valor elegível. As candidaturas serão submetidas através do portal do IFAP, nos termos e prazos a definir em aviso a publicar no site do Fundo Ambiental.

Para a Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, “esta medida concretiza uma aposta clara na eficiência energética como fator de competitividade e de sustentabilidade ambiental da agricultura portuguesa, contribuindo simultaneamente para o cumprimento dos objetivos nacionais em matéria de clima e energia”.

Já para o Ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, “estamos a apoiar investimentos que contribuem para uma agricultura mais moderna, a competitividade do setor, a redução dos custos energéticos e a melhoria do rendimento dos agricultores”.

Fonte: Vida Rural

A procura constante de um estilo de vida mais saudável, com o objetivo de aumentar a longevidade e a qualidade de vida, está intrinsecamente associada ao aumento da procura e do consumo de suplementos alimentares.

Estes produtos, ricos em nutrientes ou outras substâncias com efeito nutricional ou fisiológico, apresentados de forma doseada (cápsulas, comprimidos, ampolas, saquetas ou conta-gotas), destinam-se a suplementar ou complementar um regime alimentar normal. De forma geral, podem ser classificados em três categorias: vitaminas e minerais, plantas e extratos botânicos, fibras alimentares, prebióticos e probióticos, ácidos gordos essenciais e aminoácidos.

Vitaminas e minerais

As vitaminas, micronutrientes essenciais ao normal funcionamento e desenvolvimento do organismo, possuem diversas funções bioquímicas como antioxidantes, coenzimas, hormonas ou mediadores da sinalização celular. Ao contrário dos restantes nutrientes, são necessárias pequenas quantidades de vitaminas para garantir um metabolismo saudável. Estas dividem-se em duas classes: as hidrossolúveis e as lipossolúveis. A primeira classe, onde se incluem as vitaminas do complexo B e a vitamina C, são facilmente absorvidas ao longo do trato gastrointestinal e devem ser consumidas diariamente. Já as lipossolúveis, como as vitaminas A, D, E e K necessitam de bílis ou lipase pancreática, assim como a ingestão de alguma gordura para que a sua absorção ocorra e, devido à sua capacidade de armazenamento no fígado e no tecido adiposo, o seu consumo pode ser menos regular.

Tal como as vitaminas, os minerais são elementos químicos inorgânicos necessários para o normal funcionamento bioquímico do organismo, devendo ser obtidos através da alimentação, já que não são sintetizados pelo organismo. Podem ser divididos em microminerais (ferro, zinco, iodo), necessários em pequenas quantidades e envolvidos em diversos processos metabólicos e macrominerais (magnésio, potássio, fósforo, sódio e cálcio), necessários em quantidades superiores e com papel fundamental na função muscular e nervosa, no equilíbrio hidroeletrolítico e na formação óssea.

A ingestão inadequada de vitaminas e minerais pode levar a uma diversidade de síndromes de gravidade variável. Uma alimentação equilibrada é, na maioria dos casos, suficiente para responder às necessidades do organismo. No entanto, situações específicas, como aumento das exigências fisiológicas e dietas restritivas, podem justificar o uso de suplementos multivitamínicos-minerais. Exemplos destas situações incluem a gravidez e a amamentação, o envelhecimento e o exercício físico excessivo. A incidência de algumas patologias, como a alopecia, a anemia e a osteoporose, ou doenças que reduzam a absorção de nutrientes, também implicam suplementação.

A vitamina D, por exemplo, desempenha um papel fundamental na saúde óssea e na imunidade, sendo recomendada em idosos ou populações com baixa exposição solar. As vitaminas do complexo B possuem uma variedade de ações no organismo, estando envolvidas em reações metabólicas essenciais como síntese de hormonas, metabolismo de proteínas e de hidratos de carbono. O ácido fólico (vitamina B9), por exemplo, é fundamental na formação e maturação de glóbulos vermelhos e reduz o risco de algumas anomalias congénitas, sendo a sua suplementação essencial durante a gravidez. A vitamina B12 é frequentemente necessária em dietas vegetarianas e veganas, já que a sua obtenção está dependente do consumo de produtos de origem animal. Quanto aos minerais, o magnésio tem sido associado a benefícios a nível da função muscular, fadiga e qualidade do sono, embora a sua eficácia dependa da sua forma química e biodisponibilidade. O zinco contribui para o aumento da imunidade, síntese de DNA e para a cicatrização de feridas, enquanto o ferro é essencial para prevenir ou controlar a anemia ferropriva. O selénio, micromineral com elevada capacidade antioxidante, protege as células de danos oxidativos.

Plantas e extratos botânicos

A utilização de substâncias químicas sintéticas na saúde está, hoje em dia, amplamente estabelecida. Contudo, a procura e utilização de alternativas mais naturais tem vindo a aumentar. Uma das formas mais antigas de cuidados de saúde conhecidas pela humanidade é a utilização de plantas medicinais ou dos seus respetivos extratos. Uma planta medicinal caracteriza-se por ter na sua composição moléculas capazes de exercerem efeitos farmacológicos que permitem a sua utilização direta ou indireta na prevenção ou tratamento de determinada patologia, como hipertensão, hipercolesterolemia, infeções urinárias, gripes e constipações ou distúrbios gastrointestinais. Estas moléculas, metabolitos secundários da planta, podem ser fenólicos, terpenos, esteróides, alcaloides e flavonoides, estando a elas associadas diversas ações benéficas. Destas, destaca-se a atividade antioxidante, que auxilia na redução dos danos provocados pelo stress oxidativo, o qual contribui para o desenvolvimento e agravamento de diversas doenças crónicas, como diabetes, doenças cardiovasculares ou neurodegenerativas e tumores.

Leia o artigo completo na TecnoAlimentar 45, outubro/ dezembro 2025, dedicada ao tema "Suplementos alimentares: Benefícios e autenticidade".

Fonte: TecnoAlimentar

Um consórcio multidisciplinar, do qual a Universidade de Aveiro (UA) faz parte, quantifica, reduz e valoriza o desperdício alimentar, utilizando-o como matéria-prima para o desenvolvimento de novos produtos e incorporando embalagens sustentáveis, em linha com os objetivos de uma economia circular.

O projeto QuaReVAlentejo27 coloca-se na linha da frente da inovação sustentável, prometendo uma revolução na gestão do desperdício no setor agroalimentar. 

“Se a perda e o desperdício alimentares fossem um país, seriam a terceira maior fonte de emissões de gases com efeito de estufa do mundo.”, afirmou Inger Andersen, diretora executiva do Programa das Nações Unidas para o Ambiente.

Com esta urgência em mente, o QuaReVAlentejo27 propõe uma abordagem tripartida e inovadora: quantificar, reduzir e valorizar o desperdício alimentar.

O primeiro passo é o conhecimento da situação atual: pela primeira vez, serão implementados procedimentos rigorosos de medição direta do desperdício em cinco empresas copromotoras, visando uma redução mínima de 15% no desperdício gerado.

O aspeto mais entusiasmante é a valorização: o desperdício inevitável será transformado em dez novos produtos, incluindo nove produtos finais como paio de presunto, geleias e sumos de uva. Estes produtos, resultado de matéria que hoje é tratada como resíduo, tornar-se-ão novas linhas de negócio, cumprindo a visão da economia circular.

Finalmente, o projeto foca-se na sustentabilidade integral. Os novos alimentos serão embalados em soluções sustentáveis e a sua pegada ambiental será quantificada através da Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), garantindo uma valorização ambientalmente sustentável de desperdícios alimentares.

A ACV está a cargo da equipa da UA: Paula Quinteiro, coordenadora do projeto, e Ana Cláudia Dias, ambas investigadoras do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM). A ACV do produto consiste na análise sistemática dos impactes ambientais ao longo de cada etapa do seu ciclo de vida. Será seguida a metodologia formalizada pelas normas ISO 14040 e ISO 14044, incluindo as seguintes fases:

  1. definição do objetivo e do âmbito,
  2. inventário do ciclo de vida,
  3. avaliação do impacte ambiental,
  4. interpretação dos resultados.

Alinhamento com os ODS e financiamento para a inovação sustentável

Com início em janeiro de 2025 e uma duração de 36 meses, este projeto está totalmente alinhado com a Meta 12.3 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, provando que a inovação local é essencial para dar respostas a desafios globais como a fome, a soberania alimentar e as alterações climáticas.

Fonte: iAlimentar

As alterações na dieta e o envelhecimento populacional podem explicar o aumento das infeções causadas por esta bactéria e reportadas pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças

Todos os anos, milhares de pessoas na Europa adoecem após ingerir alimentos contaminados, como os ovos, carne e produtos prontos a comer entre as fontes mais frequentes de infeção. E isto acontece mesmo com elevados standards de segurança alimentar.

A tendência crescente de infeções pode refletir alterações nos padrões de consumo, como a maior preponderância de alimentos prontos a comer, manuseamento inapropriado e práticas de armazenamento. Ainda assim, no que se refere aos alimentos prontos a consumir, o nível de contaminação permanece muito baixo em todas as categorias: a proporção de amostras a exceder os limites de segurança para a Listeria monocytogenes varia entre 0 e 3 % em todos os produtos analisados, com as salsichas fermentadas a revelarem-se o produto mais frequentemente contaminado.

O ECDC apela, por isso, à proteção de grupos vulneráveis como pessoas mais velhas, grávidas, ou pessoas imunocomprometidas, através de vigilância eficaz, práticas seguras de produção e precauções em casa.

Entre as medidas de proteção caseira estão manter o frigorífico a 5 ºC ou abaixo, consumir os produtos antes da data de expiração, cozinhar os alimentos cuidadosamente, sobretudo carne, lavar as mãos, facas e superfícies após manusear alimentos crus e manter os alimentos crus separados dos cozinhados.

 Fonte: TecnoAlimentar