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A procura global por bebidas sem álcool e funcionais continua a crescer de forma acelerada, impulsionada por preocupações com a saúde, moderação no consumo e procura por novas experiências.

A conclusão é de um novo estudo da IWSR, divulgado no final de janeiro, que aponta para um reforço estrutural destas categorias no mercado internacional de bebidas.

Bebidas sem álcool crescem 9% em volume em 2025

De acordo com o relatório, as categorias de cerveja, vinho, bebidas espirituosas e ready-to-drinks (RTD) sem álcool registaram um crescimento de 9% em volume durante o ano de 2025. A entidade prevê ainda uma expansão acumulada de 36% entre 2024 e 2029. 

Até ao final da década, o consumo global destas bebidas deverá atingir cerca de 18 mil milhões de porções, o equivalente a duas bebidas por pessoa, à escala mundial.

Este desempenho confirma a consolidação do segmento como uma alternativa credível às bebidas alcoólicas tradicionais, em linha com a crescente valorização de estilos de vida mais equilibrados.

Bebidas funcionais também ganham relevância

Paralelamente, o estudo destaca o crescimento das chamadas bebidas funcionais ou alcohol adjacent, que incluem bebidas com cânhamo não intoxicante, produtos com nootrópicos, adaptogénicos, fermentados, botânicos e chás gaseificados.

Em 2025, este segmento registou um aumento de 11% em volume. Apesar do crescimento, a IWSR sublinha que continua a representar uma categoria mais pequena quando comparada com as bebidas sem álcool.

Saúde, curiosidade e moderação impulsionam o consumo

A análise da IWSR mostra que os consumidores recorrem a estas categorias por motivações distintas. No caso das bebidas sem álcool, a principal razão é a saúde, referida por 37% dos consumidores de cerveja sem álcool e por 40% dos consumidores de vinho e espirituosos sem álcool.

Já nas bebidas funcionais, apenas 26% aponta motivos relacionados com a saúde. Cerca de 17% refere a procura por efeitos semelhantes ao álcool através de ingredientes funcionais, enquanto 20% admite consumir por curiosidade.

Estes dados evidenciam que os dois segmentos respondem a necessidades diferentes, reforçando a sua complementaridade no mercado.

 “Consumidores querem participar sem se sentirem excluídos”

Segundo Susie Goldspink, responsável pela área de bebidas sem e baixo teor alcoólico na IWSR, os produtos sem álcool permitem aos consumidores moderar o consumo sem abdicar da experiência social. “Ao imitarem o sabor e a aparência das bebidas alcoólicas, estas alternativas permitem que os consumidores participem plenamente nas ocasiões sociais, sem se sentirem excluídos”, sublinha a responsável.

A especialista acrescenta ainda que as bebidas funcionais estão a ser utilizadas sobretudo pelos seus benefícios específicos e não como instrumentos de moderação.

O estudo baseia-se num inquérito online realizado em agosto de 2025, junto de 7.973 consumidores em países como Austrália, Brasil, Canadá, França, Alemanha, Japão, África do Sul, Espanha, Estados Unidos e Reino Unido. Do total de inquiridos, 4.181 eram compradores regulares de bebidas sem ou com baixo teor alcoólico, garantindo uma amostra representativa do comportamento do consumidor.

Um novo paradigma no mercado das bebidas

A IWSR conclui que o mercado terá de se adaptar a estas novas tendências, apostando em inovação, diversificação e comunicação orientada para o bem-estar. Apesar de ambas as categorias apresentarem elevado potencial de crescimento, o estudo indica que deverão evoluir como segmentos distintos, e não como concorrentes diretos, abrindo oportunidades para fabricantes, marcas e retalhistas.

Fonte: Grande Consumo

A Comissão Europeia solicitou à European Food Safety Authority (EFSA) que realizasse um levantamento em toda a União Europeia (UE), antes e depois de alguns países atualizarem as suas recomendações sobre a frequência com que se deve consumir peixes e frutos do mar que possam conter traços de mercúrio.

Exemplos dessas espécies são grandes peixes predadores, como tubarões, peixes-espada e atuns (patudos e atuns-azuis), uma vez que se alimentam de peixes menores, fazendo com que o mercúrio se acumule neles ao longo das suas vidas.

O pedido da Comissão estava relacionado com discussões com os Estados-Membros da UE sobre os limites regulamentares (denominados Níveis Máximos ou LMs) para o mercúrio em diferentes espécies de peixes e frutos do mar, e com qualquer atualização futura da AVALIAÇÃO DE RISCO da EFSA — uma área especializada da ciência aplicada que envolve a revisão de dados e estudos científicos para avaliar os riscos associados a determinados perigos. Envolve quatro etapas: identificação do perigo, caracterização do perigo, avaliação da exposição e caracterização do risco do mercúrio nos alimentos.

Um estudo realizado em toda a UE

Um primeiro levantamento foi realizado em todos os 27 Estados-Membros da UE, na Islândia e na Noruega, entre abril e maio de 2023. Um segundo levantamento foi realizado em 10 países que atualizaram suas recomendações, além de outros cinco países que não o fizeram, para permitir uma comparação.

As pesquisas incluíram uma maior proporção de mulheres grávidas (e lactantes) entre as respondentes porque o feto é o grupo mais vulnerável à exposição ao mercúrio, mas também adquire nutrientes importantes de peixes e frutos do mar presentes na dieta da mãe.

Frequência de consumo de peixe e frutos do mar

Sofia Ioannidou, especialista em consumo alimentar da EFSA e coordenadora da pesquisa, afirmou: “60% dos entrevistados nos 29 países disseram consumir peixe e frutos do mar. Cerca de um terço desses consumidores – 34% dos adolescentes e adultos e 33% das gestantes – disseram consumir espécies de peixe com os níveis máximos mais elevados de contaminação por mercúrio três ou mais vezes por semana.

“Embora essas descobertas sejam importantes, explicamos no relatório que elas devem ser tratadas com cautela devido às incertezas sobre a representatividade das pesquisas.”

Qual a quantidade ideal de peixe/frutos do mar que as pessoas devem consumir?

A maioria das autoridades nacionais da UE recomenda 1 a 2 porções por semana de espécies de peixe e frutos do mar com limites mais elevados de mercúrio (1,0 mg/kg de peso húmido do peixe) ou 3 a 4 porções de espécies com limites mais baixos de mercúrio (0,5 mg/kg ou 0,3 mg/kg de peixe). Recomenda-se frequentemente às mulheres grávidas que substituam a ingestão de peixes grandes por peixes menores com menor teor de mercúrio.

As recomendações científicas anteriores da EFSA fundamentaram as diretrizes dietéticas nacionais que visam garantir que os consumidores, em particular as mulheres grávidas (e o feto em desenvolvimento), possam beneficiar do consumo de peixe e marisco, mantendo a exposição ao mercúrio o mais baixa possível.

Os benefícios para a saúde incluem o desenvolvimento das funções cognitivas e imunológicas em bebés e a redução do risco de doenças cardiovasculares em adultos. Por outro lado, a exposição ao metilmercúrio – a forma mais perigosa de mercúrio – está associada à redução do desenvolvimento cerebral e neural no feto e em crianças pequenas.

Conhecimento das recomendações dietéticas

Pela primeira vez na história da EFSA, a pesquisa utilizou métodos das ciências sociais para investigar o conhecimento do consumidor sobre as recomendações e os benefícios e riscos associados.

A cientista social Angela Bearth é membro do Comité Científico da EFSA e também faz parte do grupo de especialistas da EFSA em métodos e consultoria de pesquisa social, responsável pela pesquisa sobre consciencialização.

Ela disse: “Embora muitos consumidores tenham indicado na pesquisa que já tinham ouvido falar das recomendações nos seus países e que as levam em consideração em suas escolhas alimentares, outros fatores, como sabor, custo e desejo por uma dieta saudável, impulsionam mudanças nos hábitos alimentares de forma mais significativa.

“Este é um fenómeno comum: os participantes de uma pesquisa dizem uma coisa, mas seu comportamento indica que outros fatores precisam ser levados em consideração.”

Conhecimento dos benefícios versus riscos para a saúde

A pesquisa testou o conhecimento dos participantes sobre diversos benefícios e riscos à saúde associados ao consumo de peixes e frutos do mar, para estimar o grau de compreensão e retenção das recomendações dietéticas.
O Dr. Bearth afirmou: “No geral, mais consumidores (cerca de 5 em cada 10) conheciam os benefícios à saúde do que os riscos (cerca de 1 em cada 10), mas o mercúrio foi o contaminante mais amplamente reconhecido. A contaminação é definida como qualquer substância presente em alimentos que não foi adicionada intencionalmente. Os contaminantes podem surgir da embalagem, do processamento e transporte dos alimentos, das práticas agrícolas ou do uso de medicamentos veterinários. O termo não inclui a contaminação por insetos ou roedores nesses alimentos. Os resultados são consistentes com estudos anteriores que exploraram esse tema em países europeus.”

Apoio às autoridades nacionais

O relatório mostra diferenças importantes entre os países e entre a população adolescente/adulta e as mulheres grávidas, tanto em termos de consumo quanto de conhecimento das recomendações.

Essas informações, juntamente com algumas possíveis estratégias descritas no relatório, podem ser consideradas úteis para as autoridades nacionais de saúde pública em sua comunicação com os consumidores sobre esse tema.

Fonte: Agroportal

A perceção global sobre as culturas geneticamente editadas mudou significativamente desde 2018, com reguladores e indústria a adotarem posições mais favoráveis, ainda que persistam incertezas, sobretudo no comércio internacional.

 Há cerca de oito anos, o futuro das culturas agrícolas geneticamente editadas parecia comprometido, em grande parte devido a decisões judiciais hostis na União Europeia. Hoje, o cenário é diferente. Segundo Dan Jenkins, vice-presidente da empresa norte-americana Pairwise, especializada em edição genética de plantas, a tecnologia está a ganhar aceitação em várias regiões do mundo.

Num texto publicado na revista The Western Producer, o jornalista canadiano especializado em agricultura, Robert Arnason, afirma que Dan Jenkins destacou, num webinar promovido pelo Council for Agricultural Science and Technology, que os reguladores, os media e o público encaram agora a edição genética com maior abertura. A tecnologia permite alterar com precisão o código genético das plantas para introduzir características desejáveis, como maior valor nutricional ou resistência a doenças.

De acordo com Jenkins, a tendência política global aponta para regulamentações mais leves, focadas sobretudo em garantir a ausência de ADN estranho. Países como Canadá, Estados Unidos, Japão, Austrália, Índia, Reino Unido e grande parte da América do Sul optaram por enquadrar estas culturas de forma semelhante ao melhoramento convencional, desde que não envolvam material genético externo.

Arnason recorda que, em 2018, o Tribunal de Justiça da União Europeia decidiu que plantas obtidas por novas técnicas de edição genética deveriam seguir o mesmo processo rigoroso de aprovação que os organismos geneticamente modificados tradicionais — uma decisão que travou investimentos e gerou incerteza. Entretanto, a posição europeia evoluiu. Em Dezembro passado, responsáveis políticos da UE chegaram a acordo para classificar culturas desenvolvidas com “novas técnicas genómicas” em duas categorias: uma equiparada ao melhoramento convencional e outra sujeita a regras semelhantes às dos OGM, dependendo da complexidade da modificação.

Para empresas do setor, esta mudança representa um sinal positivo. Jenkins considera que a Europa está a “corrigir o rumo”, prevendo que novas regras possam estar plenamente em vigor até 2028.

No Canadá, a abordagem regulatória centra-se no produto final e não no processo, o que significa que culturas editadas geneticamente são tratadas como convencionais quando não contêm ADN externo. Isso abre portas a aplicações que vão desde a melhoria nutricional até à resistência a fungos.

Contudo, o comércio internacional continua a impor prudência. Mercados de grande dimensão, como Índia e China, ainda estão a avaliar o enquadramento destas tecnologias. Essa incerteza leva países exportadores de cereais, oleaginosas e leguminosas a avançarem com cautela.

Como sublinhou Greg Cherewyk, presidente da Pulse Canada, citado por Arnason, a indústria agrícola vê a edição genética com entusiasmo, mas reconhece que os principais mercados de exportação continuam em fase de análise — um fator decisivo para a adoção generalizada.

Fonte: CiB

As tendências do setor agroalimentar para 2026 confirmam a centralidade da proteína – sobretudo de origem vegetal – e da saúde digestiva, num contexto em que os consumidores procuram equilibrar bem-estar, indulgência, sustentabilidade e acessibilidade económica. A decisão de compra torna-se cada vez mais holística, combinando benefícios para o corpo e para a mente com responsabilidade ambiental e valor pelo dinheiro.

A evolução tecnológica, a inteligência artificial, o investimento na sustentabilidade e a inflação motivada por guerras, instabilidade geopolítica e por questões climáticas estão a mudar os padrões de consumo e a definir novos caminhos no setor agroalimentar. O preço dos produtos continua a ser uma preocupação para os consumidores, mas há outros fatores que assumem especial importância no momento da compra dos alimentos e bebidas. A aposta em produtos proteicos, sobretudo os de origem vegetal, assim como aqueles que trazem maior benefício para a saúde – particularmente intestinal e mental –, os que são mais amigos do ambiente e do planeta e os que proporcionam maior prazer estão agora no topo das preferências dos consumidores e marcam as tendências do setor agroalimentar para o ano 2026.

Estando cumprida a necessidade básica de se alimentar, os consumidores acrescentam camadas de critérios à seleção dos alimentos e bebidas que lhes permitam obter benefícios para o corpo e a mente, vivenciar experiências familiares e/ou inovadoras e que incluam conveniência e funcionalidade. Num mundo em constante mudança e cada vez mais global, os consumidores procuram também identidade e autenticidade dos produtos, numa evocação à tradição e às origens.

Estas são algumas das conclusões que a consultora internacional Innova Market Insights, a convite da PortugalFoods, entidade gestora do Portuguese Agrofood Cluster, apresentou no dia 10 de fevereiro, no seminário ‘Trends 2026’, que juntou na Fundação Dr. António Cupertino de Miranda, no Porto, mais de 300 representantes da indústria agroalimentar e do sistema científico e tecnológico nacional.

Fonte: iAlimentar

O azeite Gold Edition, produzido em Vila Flor, tornou-se o primeiro azeite português a integrar o Passaporte Digital do Produto (DPP). Através de um QR Code presente na garrafa, os consumidores podem aceder a informação detalhada sobre todo o percurso do produto, desde o olival até ao embalamento, num projeto desenvolvido pelo Azeite a Norte em parceria com o Data CoLAB e a ACUSHLA.

Rastreabilidade total acessível ao consumidor

Com a introdução do Passaporte Digital do Produto, cada garrafa passa a dispor de uma identidade digital única. A informação disponibilizada permite confirmar a origem das matérias-primas, os processos de produção, as certificações e outros dados relevantes ao longo do ciclo de vida do produto.

O acesso é feito de forma simples, através de um QR Code, permitindo ao consumidor conhecer a história completa do azeite de forma transparente e verificável.

Projeto antecipa exigência europeia
 
O DPP integra o Regulamento de Ecodesign para Produtos Sustentáveis (ESPR) da União Europeia, que prevê a obrigatoriedade de sistemas de rastreabilidade digital para diversos setores. No caso do agroalimentar, a implementação deverá ocorrer de forma gradual a partir de 2026, tornando-se, a médio prazo, condição de acesso ao mercado europeu.

Ao avançar com este projeto, Trás-os-Montes posiciona-se como território pioneiro na aplicação do DPP ao setor do azeite.

Valorização do produto e do território

Segundo o Data CoLAB, a aplicação do Passaporte Digital do Produto em ambiente real demonstrou potencial para reforçar a confiança do consumidor, combater fraudes e contribuir para a valorização económica do território.

Para o Azeite a Norte, a adesão ao projeto representa também uma afirmação da identidade regional, baseada na autenticidade, na produção certificada e na ligação ao território.

Fonte: iAlimentar

Portugal prepara-se para um crescimento económico estável em 2026 e 2027, mas um novo estudo da OCDE alerta para reformas estruturais que podem fortalecer a prosperidade a longo prazo, com impacto direto no sector agrícola e nas zonas rurais.

 
De acordo com o relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), o Produto Interno Bruto (PIB) português deverá crescer acima da média da zona euro, impulsionado pela forte procura interna e pelo equilíbrio das contas públicas. Esta situação cria espaço para investimento, essencial para apoiar a agricultura, que é uma fonte significativa de emprego nas áreas rurais e desempenha um papel relevante nas exportações.

O estudo recomenda, entre outras medidas, o desenvolvimento de competências e a melhoria do emprego, especialmente face à redução da população ativa. No sector agrícola, muitas regiões enfrentam dificuldades em atrair jovens qualificados. Investir em formação profissional, reconversão e orientação de carreira poderá acelerar a adoção de tecnologias modernas, como a agricultura de precisão e práticas sustentáveis de gestão do solo, criando oportunidades de inovação.

A OCDE sublinha ainda a importância da política habitacional, apontando que a falta de habitação acessível limita a mobilidade da mão-de-obra, especialmente trabalhadores sazonais e jovens. Reformas nesta área podem reforçar o mercado laboral rural e apoiar o crescimento agrícola.

No domínio da sustentabilidade, o relatório aconselha Portugal a intensificar a redução de emissões de gases com efeito de estufa e a adaptar-se às alterações climáticas. Para a agricultura, isto representa desafios, como a implementação de práticas de baixa emissão, mas também oportunidades, por exemplo em iniciativas de captura de carbono, tornando a produção agrícola mais competitiva. Investimento público em transporte e energia renovável pode ainda melhorar a logística e o acesso a soluções energéticas sustentáveis para o setor.

O relatório da OCDE destaca quatro eixos principais para apoiar a agricultura:

  • Desenvolvimento de competências para a força de trabalho rural;
  • Investimento público em infraestruturas e tecnologia agrícola;
  • Reformas habitacionais que tornem o trabalho em zonas rurais mais atrativo;
  • Estratégias climáticas que promovam uma agricultura sustentável.

Para o LAN (Netherlands Agricultural Network) em Portugal, o foco na agricultura climaticamente inteligente reforça estes objetivos, promovendo a partilha de conhecimentos, cadeias alimentares sustentáveis e a resiliência do setor agrícola, com benefícios económicos e ambientais a longo prazo.

Mais informação aqui.

Fonte: CiB

Apesar de desempenharem um papel essencial na saúde pública, na sustentabilidade dos sistemas alimentares e na segurança alimentar, Portugal produz apenas 15% das leguminosas que consome, de acordo com o INE, dependendo em 85% de importações.

Para assinalar o Dia Mundial das Leguminosas, a 10 de fevereiro, e reforçar a sua importância, a ProVeg Portugal emitiu um comunicado a chamar a atenção para o seu papel na saúde e segurança alimentar e incentivar a produção nacional.

A organização sublinha que promover as leguminosas é uma estratégia-chave para melhorar a saúde pública, reduzir o impacto ambiental do sistema alimentar e reforçar a soberania e segurança alimentar do país, apelando a políticas públicas e escolhas alimentares que valorizem este grupo alimentar essencial.

“As leguminosas são um alimento bastante nutritivo, que alia a sua riqueza proteica ao excelente teor em fibra. São também fontes importantes de vitaminas e minerais, como vitaminas do complexo B, cálcio, ferro, fósforo, magnésio e potássio”, explica Adriana Sousa, nutricionista da ProVeg Portugal. “O seu consumo regular contribui para a manutenção da saúde e para a prevenção de várias doenças crónicas, como a diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e alguns tipos de cancro.”

A Roda da Alimentação Mediterrânica recomenda o consumo diário de uma a duas porções de leguminosas (cerca de 80g cozinhadas por porção). Apesar da diversidade de leguminosas produzidas em Portugal, o feijão e o grão-de-bico continuam a dominar a alimentação nacional. Preservar este legado gastronómico, aliando tradição, benefícios nutricionais e impacto ambiental positivo, é fundamental. Além disso, as leguminosas são uma fonte proteica acessível e económica para as famílias portuguesas.

Depois, há também o seu papel nos ecossistemas agrícolas. “Num cenário em que mais de 30% dos solos a nível mundial sofrem degradação, erosão, perda de nutrientes e poluição2, e em que a população global deverá atingir 9,7 mil milhões de pessoas até 20503, a adoção de sistemas alimentares mais resilientes é urgente”, afirma Joana Oliveira, Diretora da ProVeg Portugal.

As culturas leguminosas contribuem para a melhoria da fertilidade do solo através da fixação de azoto atmosférico, reduzindo a necessidade de fertilizantes sintéticos, diminuindo as emissões de gases com efeito de estufa e aumentando a retenção de água e a matéria orgânica do solo, o que se traduz numa poupança económica para os agricultores, com menos custos em fertilizantes e maior rendimento agrícola.

Em 2025, foi criado o Grupo Colaborativo da Estratégia Nacional pela Proteína Vegetal, que reúne atualmente mais de 64 entidades. O grupo, que surgiu de uma iniciativa da ProVeg Portugal, une pela primeira vez a nível nacional, vários intervenientes da cadeia de valor das leguminosas, principalmente produtores e empresas, mas também outras ONG e a academia. Do trabalho conjunto deste grupo surgiu uma proposta dirigida ao Governo para a criação de uma estratégia nacional que promova a produção e o consumo de proteína vegetal, com especial enfoque nas leguminosas, alinhada com o Plano Nacional Energia e Clima 2030 (PNEC 2030).           

A proposta inclui nove medidas estruturais, definidas através de um processo de co-criação e consenso, como a redução do IVA das leguminosas (discutido e rejeitado em Assembleia) e o reforço do apoio técnico aos agricultores. Todas as organizações com atividade em Portugal podem consultar a proposta e juntar-se à iniciativa através do formulário de adesão disponível online.

Fonte: TecnoAlimentar

A Direção‑Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) disponibiliza, a partir de 9 de fevereiro de 2026, novas funcionalidades no Portal de Dispensa, destinadas aos distribuidores por grosso de alimentos medicamentosos. Estas melhorias integram a evolução contínua da Prescrição Eletrónica Médico‑Veterinária (PEMV) e reforçam o compromisso da DGAV com a modernização administrativa e a digitalização dos serviços públicos, no âmbito do projeto PRR HubRAM.

As novas funcionalidades permitem:

  • A validação de receitas de alimento medicamentoso provenientes de outros Estados‑Membros (atualmente limitado a Espanha), tanto eletrónicas como manuais;
  • A seleção do país de origem (neste momento apenas Espanha) e a indicação da pré‑mistura medicamentosa equivalente autorizada em Portugal;
  • A identificação automática das equivalências regulamentares entre pré‑misturas medicamentosas (atualmente disponíveis para Espanha);
  • A melhoria do processo de registo, rastreabilidade e conformidade legal, assegurando a correta correspondência entre alimentos medicamentosos prescritos e dispensados.

Estas alterações visam simplificar os procedimentos dos operadores, reforçar a qualidade da informação registada e garantir o cumprimento das obrigações dos Regulamentos (UE) 2019/4 e 2019/6, que estabelecem os requisitos europeus aplicáveis ao fabrico, comercialização, utilização e dispensa de alimentos medicamentosos.

O Manual do Utilizador atualizado (versão de janeiro 2026) encontra‑se disponível para consulta no Portal da DGAV em DGAV_Portal-de-Dispensa_Novas-Funcionalidades-AM-outros-EM, incluindo instruções detalhadas para:

  • Acesso à plataforma
  • Validação de receitas eletrónicas com origem noutro Estado‑Membro
  • Validação de receitas manuais
  • Procedimentos específicos de correspondência e equivalência de pré‑misturas

A DGAV continuará a disponibilizar apoio técnico através do HelpDesk, designadamente para situações em que se verifique a ausência de equivalência de pré‑misturas medicamentosas.

Fonte: DGAV

Entre um crescimento económico moderado, cadeias de valor sob pressão e uma aceleração tecnológica sem precedentes, 2026 afirma-se como um ano de decisões críticas para a indústria. Mais do que antecipar cenários, as empresas são chamadas a transformar tendências estruturais em vantagem competitiva num contexto marcado por maior seletividade económica.

O início de 2026 encontra o tecido industrial europeu num momento de estabilização frágil, após vários anos de choques sucessivos – pandemia, inflação elevada, conflitos geopolíticos e disrupções logísticas. Embora os indicadores macroeconómicos apontem para alguma normalização, subsistem condicionantes estruturais que limitam o crescimento e impõem maior rigor nas decisões de investimento. Neste contexto, temas como sustentabilidade, digitalização, reorganização das cadeias de abastecimento e governação tecnológica deixam de ser abordagens prospetivas e passam a integrar o núcleo da estratégia empresarial.

Impactos setoriais: desafios comuns, respostas diferenciadas

Indústria de plásticos

Para a indústria de plásticos, 2026 deverá ser um ano de consolidação de tendências já em curso. A pressão para reduzir a pegada ambiental, aumentar a circularidade e responder a exigências regulatórias mais rigorosas mantém-se elevada. Neste contexto, a inovação em materiais, o ecodesign e a integração de dados ao longo do ciclo de vida do produto tornam-se fatores críticos de competitividade, sobretudo num ambiente marcado por custos energéticos e matérias-primas voláteis.

 Indústria alimentar

A indústria alimentar apresenta perspetivas relativamente favoráveis em 2026. Dados do INE indicam um crescimento nominal de 8,1% nas exportações de produtos alimentares e bebidas, refletindo a procura externa e a valorização de produtos transformados. Em paralelo, o setor enfrenta desafios significativos em termos de custos, segurança alimentar e rastreabilidade, tornando a digitalização da cadeia de abastecimento e a automação determinantes para responder a exigências regulatórias e às expectativas dos consumidores.

Indústria de produção agrícola

A agricultura enfrenta desafios específicos associados à pressão climática e à necessidade de produzir mais com menos recursos. A inovação, a eficiência no uso da água e da energia e a digitalização dos processos produtivos tornam-se centrais, num contexto em que são exigidos elevados padrões de qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade, alinhados com as tendências discutidas no âmbito do BCSD Portugal.

Decidir em contexto de incerteza

Mais do que um ano de rutura, 2026 afirma-se como um ano de decisões exigentes.

Como foi salientado no encontro do BCSD Portugal, sustentabilidade, tecnologia e inovação não são apenas temas para comunicar, mas prioridades que requerem execução coordenada entre empresas, governos e sociedade.

Num ambiente marcado por crescimento moderado, disrupção tecnológica e pressão regulatória, a vantagem competitiva dependerá da capacidade de interpretar sinais, integrar diferentes dimensões da estratégia e transformar incerteza em ação informada. Para a indústria, construir resiliência, flexibilidade e visão de longo prazo deixa de ser opcional e passa a ser condição de sobrevivência.

Fonte: iAlimentar

Um estudo recente sugere que o movimento das aves aquáticas pode desempenhar um papel crucial na propagação do vírus da gripe aviária.

A conclusão é de um artigo científico, de que é coautor David Rodrigues, professor da Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC), que revelou como as interações entre o ambiente, o comportamento migratório das aves e a dinâmica das doenças infeciosas contribuem para a disseminação desse vírus, destacando as aves aquáticas como hospedeiras-chave.

 Segundo a comunicação da ESAC, partindo da premissa de que os movimentos dos animais influenciam a propagação de doenças infeciosas e são parcialmente moldados pelas condições ambientais, uma equipa de investigadores analisou dados de telemetria de 4.606 indivíduos de 26 espécies de aves aquáticas, combinando-os com informações sobre cobertura do solo, clima e vegetação.

Os dados revelaram que as aves aquáticas se deslocavam menos em áreas com maior heterogeneidade na cobertura do solo e maior densidade populacional humana.

 Além disso, as distâncias de movimento previstas para as aves aquáticas apresentaram uma correlação fraca, mas positiva, com as distâncias entre as deteções do vírus H5N1 altamente patogénico em aves aquáticas selvagens, sugerindo que as condições ambientais podem, de facto, contribuir para a propagação desta doença, influenciando os seus padrões de movimento.

Segundo a comunicação da ESAC, este estudo, ao integrar os movimentos da vida selvagem com outros fatores que influenciam a dinâmica das doenças infeciosas, como a produção pecuária e a mobilidade humana, serve como uma ferramenta valiosa para a previsão de surtos e para a definição de estratégias de intervenção na prevenção de contágios.

Fonte: Vida Rural