Os retalhistas e grossistas europeus apelaram à criação de um período de transição de, pelo menos, 12 meses para a aplicação das novas regras da União Europeia relativas às embalagens e aos resíduos de embalagens, cuja entrada em vigor está prevista para agosto.
Segundo a publicação Just Food, a associação europeia EuroCommerce, que representa retalhistas e grossistas a operar na União Europeia, considera que continuam por esclarecer “questões técnicas essenciais” relacionadas com o Regulamento relativo às Embalagens e Resíduos de Embalagens (PPWR, na sigla em inglês).
Embora o regulamento tenha entrado formalmente em vigor a 11 de fevereiro de 2025, começa a ser aplicado a partir de 12 de agosto deste ano. As diferentes obrigações serão implementadas de forma faseada, com alguns requisitos, como os critérios de reciclabilidade e as metas de reutilização, a serem introduzidos progressivamente até 2030.
Numa declaração divulgada por ocasião da reunião dos ministros do Ambiente da União Europeia, realizada a 25 de junho, no Luxemburgo, a EuroCommerce defendeu um “período de transição mínimo de 12 meses” para permitir às empresas compreender e interpretar as novas exigências, testar soluções, adaptar processos e responder a eventuais dificuldades na implementação.
Entre as preocupações apontadas pela associação está a definição dos limites para a presença de substâncias perfluoroalquiladas e polifluoroalquiladas (PFAS) nas embalagens. A organização considera que, durante o período de transição, o foco das autoridades deverá centrar-se na emissão de orientações e no apoio às empresas, em vez da aplicação imediata de sanções.
A diretora-geral da EuroCommerce, Christel Delberghe, alertou que “faltam apenas algumas semanas para a implementação, mas continuam por responder questões fundamentais“. Na sua perspetiva, esta situação “não é sustentável“, apelando aos ministros da União Europeia para que assegurem maior clareza, flexibilidade e um período de adaptação realista, de forma a evitar perturbações significativas nas cadeias de abastecimento em toda a Europa.
Fonte: Grande Consumo
O sector mundial do vinho atravessou, em 2025, um contexto desafiante, marcado por tarifas comerciais, alterações climáticas, mudança nos hábitos de consumo e pressão económica sobre os mercados.
De acordo com o relatório anual da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), a superfície mundial de vinha continuou a diminuir pelo sexto ano consecutivo, atingindo sete milhões de hectares, menos 0,8% do que em 2024.
Produção continua em níveis historicamente baixos
A produção mundial de vinho foi estimada em 227 milhões de hectolitros em 2025. O valor representa uma ligeira recuperação de 0,6% face ao nível historicamente baixo registado em 2024, mas mantém a produção global em patamares reduzidos pelo terceiro ano consecutivo.
Segundo a OIV, esta evolução reflete a variabilidade climática e a redução da capacidade produtiva nalgumas regiões, embora países como o Brasil, Nova Zelândia, África do Sul e Moldávia tenham registado recuperações.
Consumo mundial cai 2,7%
O consumo mundial de vinho, por sua vez, diminuiu 2,7% face a 2024, para 208 milhões de hectolitros. A evolução foi influenciada por alterações estruturais nos mercados maduros e por pressões económicas sobre os consumidores.
Ainda assim, nem todos os mercados seguiram a tendência global. Portugal, Brasil, Japão e algumas regiões da Europa Central e de Leste registaram crescimento no consumo.
Comércio internacional também contrai
O comércio internacional de vinho também recuou em 2025. Os volumes exportados diminuíram 4,7%, para 94,8 milhões de hectolitros, enquanto o valor das exportações caiu 6,7%, para 33,8 mil milhões de euros.
A contração foi atribuída a políticas e tensões comerciais, bem como à menor procura global. Entre os dados destacados pela OIV está a quebra das importações de vinho dos Estados Unidos.
O valor das importações norte-americanas recuou para 5,5 mil milhões de euros, menos 12% do que em 2024.
Apesar da descida, o valor do comércio internacional mantém-se acima dos níveis anteriores à pandemia de Covid-19.
Mesmo num contexto de retração, o vinho mantém uma forte componente internacional. Segundo a OIV, 46% do vinho continua a ser comercializado além-fronteiras, confirmando a importância dos fluxos de exportação para a sustentabilidade económica do sector.
Este dado mostra que, apesar da queda no volume e no valor das exportações, o mercado mundial do vinho continua fortemente dependente da dinâmica do comércio internacional.
Produção baixa ajudou a equilibrar o mercado
A OIV sublinha que os baixos níveis de produção ajudaram a equilibrar o mercado, apesar da diminuição do consumo.
A menor produção evitou uma acumulação significativa de stocks, num ano em que a procura global voltou a contrair.
O diferencial entre produção e consumo mundial foi estimado em cerca de 18,7 milhões de hectolitros.
Além do consumo direto, o sector conta com utilizações industriais relevantes.
A OIV estima que os usos industriais do vinho, incluindo destilação, vinagre, produtos à base de vinho e bebidas espirituosas, representem em média cerca de 30 milhões de hectolitros por ano.
Esta componente contribui para absorver parte da produção e para reduzir desequilíbrios no mercado.
“O sector está a mostrar resiliência”
John Barker, diretor-geral da OIV, considera que o sector tem vindo a adaptar-se aos desafios climáticos, económicos e sociais dos últimos anos. Segundo o responsável, o sector “está a mostrar resiliência”, procurando novas oportunidades de mercado e ajustando a capacidade produtiva à evolução da procura.
Apesar da queda nas exportações, a OIV considera que o valor do comércio e dos produtos se mantém forte. John Barker sublinha ainda que recentes acordos comerciais bilaterais e multilaterais poderão ajudar a criar condições positivas para a evolução dos mercados.
Fonte: Grande Consumo
Um consórcio nacional está a desenvolver novas aplicações industriais para a resina natural, com foco na valorização de colofónia , um constituinte da resina de pinheiro, em setores como embalagens alimentares, têxtil, calçado e automóvel.
De acordo com o comunicado de imprensa, o trabalho está a ser desenvolvido no CeNTI, no âmbito do RN21, um Projeto Mobilizador de âmbito nacional centrado na produção e transformação da resina natural. O objetivo é valorizar um recurso de base biológica proveniente de florestas portuguesas e substituir materiais de origem fóssil, sem comprometer o desempenho técnico exigido pelas aplicações industriais.
Na área das embalagens, uma das principais linhas de investigação envolve o desenvolvimento de revestimentos funcionais com propriedades de barreira a gases para aplicação em embalagens e filmes biodegradáveis. No âmbito do projeto, estas soluções foram validadas para embalamento de carne a vácuo.
Foram também desenvolvidos sistemas de encapsulação de derivados de colofónia com agentes ativos de propriedades antimicrobianas e antioxidantes. Estas soluções procuram prolongar a vida útil dos produtos embalados, melhorar a segurança alimentar e contribuir para a redução do desperdício, funcionando como alternativa aos plásticos convencionais.
Além das embalagens alimentares, os derivados de colofónia estão a ser testados em aplicações para o setor têxtil. Integrados em fibras, malhas e acabamentos, estes constituintes de base natural permitiram melhorar a solidez, a resistência, a durabilidade e o desempenho funcional dos materiais.
Na indústria do calçado, a investigação centra-se sobretudo na integração de derivados de colofónia em solas e adesivos, incluindo diferentes matrizes biopoliméricas. O objetivo passa por melhorar o desempenho mecânico e a durabilidade das solas, abrindo caminho à potencial substituição de materiais sintéticos convencionais por alternativas de base biológica.
A resina natural está também a ser aplicada na indústria automóvel, através da integração de derivados de colofónia em biopolímeros termoplásticos para injeção de peças plásticas de interior. De acordo com a informação divulgada, foi possível substituir parcialmente resinas sintéticas por derivados de colofónia em até 30%, mantendo propriedades técnicas adequadas.
Segundo Lorena Coelho, investigadora responsável pelo projeto no CeNTI, a investigação procura responder à dependência de matérias-primas petroquímicas. “Enquanto as soluções convencionais dependem maioritariamente de resinas, plastificantes e aditivos petroquímicos, as tecnologias desenvolvidas permitem incorporar matérias-primas renováveis, reduzir a pegada ambiental e a dependência de recursos fósseis, sem comprometer o desempenho final. Os derivados de colofónia desenvolvidos foram, inclusivamente, ajustados e adaptados à medida de cada aplicação/setor, garantindo um desempenho equivalente ou superior”, afirma.
A responsável destaca ainda a versatilidade dos derivados de colofónia. “Os derivados de colofónia têm uma grande versatilidade em termos de química e aplicações. Uma das principais vantagens destas soluções é precisamente a sua versatilidade. Além de apresentarem uma maior compatibilidade com biopolímeros, estas formulações podem ajustar-se a diferentes matrizes poliméricas, processos industriais, setores e aplicações. Assim, é possível obter melhores resultados em termos de propriedades/funcionalidades, tais como estabilidade, durabilidade, mecânicas e de barreira”, explica.
Para Lorena Coelho, os resultados obtidos representam uma inovação relevante no contexto nacional por disponibilizarem alternativas de base biológica face às soluções fósseis dominantes no mercado.
“Embora existam desenvolvimentos internacionais neste domínio, a integração destas tecnologias em cadeias de valor industriais nacionais posiciona o país de forma competitiva e diferenciadora face ao exterior, promovendo a transição para materiais mais sustentáveis e com valor acrescentado”, conclui.
Fonte: Vida Rural
É já no próximo dia 3 de julho que vai ser conhecida a equipa vencedora da 10.ª edição do Prémio Ecotrophelia Portugal. A iniciativa, organizada pela PortugalFoods desde 2017, vai distinguir, entre as oito equipas em prova, a proposta de alimento do futuro que melhor incorpore os princípios da inovação, da ecologia e da sustentabilidade.
Os produtos a concurso, para além da sua abordagem ecoinovadora, devem ainda responder aos requisitos fundamentais de qualquer produto alimentar, nomeadamente o sabor, a textura, as propriedades organoléticas e a experiência de consumo.
Para eleger o produto que melhor se enquadra nos objetivos desta competição, o Prémio Ecotrophelia Portugal conta com um júri multidisciplinar composto por representantes da academia, da indústria agroalimentar, do ecossistema de inovação e tecnologia, bem como de áreas complementares, como a gastronomia, o marketing e a comunicação.
Ao longo de um dia marcado pela exigência e competitividade, as equipas têm de apresentar e defender os seus projetos, através de provas de produtos, demonstrando a viabilidade económica, o potencial de mercado e a proposta de valor agregada dos mesmos, incluindo aspetos como a embalagem, o design e o plano de marketing. No final, só uma equipa vai ser vencedora, mas todos os participantes saem a ganhar. Além dos prémios monetários atribuídos, as equipas finalistas vão ter acesso a um programa desenvolvido pelo EIT Food, a principal entidade europeia de inovação alimentar, impulsionada pelo Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia (EIT), que une e dinamiza um ecossistema alargado de empresas, startups, centros de investigação e universidades a nível internacional. Os vencedores, além do prémio monetário atribuído, ganham também a oportunidade de participar na competição Ecotrophelia Europe, que coloca frente a frente os projetos vencedores das competições nacionais, de mais de uma dezena de países europeus. O concurso internacional decorre a 18 e 19 de outubro na SIAL, em Paris, um dos principais palcos internacionais para a indústria agroalimentar, reconhecida pelo foco na inovação e por reunir produtores, distribuidores, importadores e exportadores de todo o mundo. Para reforçar a preparação para esta competição internacional, a equipa vencedora vai receber três apoios tendentes a melhorar o produto para a competição europeia:
As outras equipas podem também ser premiadas, uma vez que há outras distinções em competição:
No total, à 10ª edição do Prémio Ecotrophelia Portugal 2026, foram submetidas 21 candidaturas, que incluíram a participação de 80 alunos de 11 instituições de ensino distintas. Destas, foram selecionadas as oito equipas finalistas que vão estar em competição no próximo dia 3 de julho, sexta-feira. As categorias dos produtos incluem: recheios/cremes para barrar, bebidas, snacks e um molho.
Fonte: iAlimentar
A civilização contemporânea assemelha-se cada vez mais a um grande navio em viagem. Grande, sofisticado, veloz, cheio de tecnologia e aparentemente seguro. No entanto, a cada travessia, enquanto aumenta potência nos motores, o desgaste do casco deixa entrar lentamente a água pelos porões. No convés discutem-se economia, inteligência artificial, energia, rotas comerciais, defesa e disputas geopolíticas. Os motores trabalham sem descanso e a travessia continua por mares largos e estreitos. Entretanto, o casco já não parece ter a solidez de outros tempos.
Nos Estados Unidos, o líder americano de estilo político difícil de ignorar e até de acompanhar, ameaça, tranquiliza e volta a ameaçar. E, o mundo inteiro navega ao sabor dessas oscilações. Basta olhar para as ameaças de tarifas sobre produtos agroalimentares europeus ou para os recuos em políticas climáticas. A Europa observa, reage devagar e tenta encontrar equilíbrio entre prudência e falta de liderança. Entre exigências ambientais cada vez mais rigorosas e a entrada de produtos provenientes de mercados sujeitos a enquadramentos regulamentares distintos, acumulam-se constrangimentos e divergências por exemplo relativamente a OGM, pesticidas, novos ingredientes ou novos alimentos e suplementos alimentares. Por exemplo:a carne proveniente de mercados longínquos continua a suscitar preocupações relacionadas com rastreabilidade, utilização de hormonas de crescimento ou determinados tratamentos tecnológicos; os suplementos alimentares, sempre a suscitarem desconforto no que diz respeito à sua segurança; a soja, reconhecida como excelente fonte proteica, sustenta uma forte dependência externa. A Europa promove políticas ambientais exigentes, mas continua dependente da importação de alimentos produzidos a milhares de quilómetros de distância. E, no entanto, o navio segue.
Continuamos a viajem, a consumir e a produzir. As cadeias logísticas funcionam, os supermercados mantêm-se abastecidos e a tecnologia dá-nos uma ilusão permanente de controlo. A contaminação deixou de ser apenas um acidente isolado para integrar discretamente o quotidiano das sociedades modernas. Basta olhar para o noticiário para perceber que há infiltrações em todas as áreas da sociedade: na política, na finança e até no futebol. Lembremo-nos que os navios não afundam por causa de uma única vaga. Afundam quando pequenas infiltrações deixam de ser vistas como problema.
Também no ambiente os sinais se acumulam silenciosamente. Oceanos sujeitos a pressões crescentes, solos agrícolas exaustos, florestas vulneráveis e recursos naturais consumidos a um ritmo difícil de sustentar. Em certas regiões travam-se guerras onde a dimensão ecológica raramente passa de nota de rodapé. Continua-se a investir recursos na remediação ambiental, descontaminação de solos, tratamento de águas e monitorização alimentar. Mas persistimos em modelos de produção e consumo que alimentam o problema na origem. Como no navio, onde parte da tripulação tenta escoar a água enquanto outra continua a abrir novas fissuras no casco.
A indústria alimentar encontra-se inevitavelmente no centro desta viagem. Falar de contaminação é falar de segurança alimentar, confiança do consumidor e saúde pública. Embora alguns atributos dos alimentos sejam visíveis, muitos daqueles que o consumidor procura e valoriza não o são. O desafio deixou de ser apenas produzir mais; passou a ser garantir segurança num ambiente cada vez mais pressionado. Talvez o maior risco do nosso tempo não seja apenas a contaminação, mas a extraordinária capacidade coletiva de nos habituarmos a ela.
O Homem é um animal de hábitos, como nos ensinou Aristóteles na sua teoria sobre o comportamento e a normalidade. Os navios não afundam quando a água entra, mas quando a tripulação aceita a água nos porões como parte normal da viagem. Os consumidores dependem cada vez mais de indicadores de confiança para verificar a qualidade e segurança dos alimentos. Importa, por isso, manter confiança na ciência, na inteligência coletiva e na capacidade humana de corrigir trajetórias. Afinal, os navios não se constroem para permanecer no porto. Constroem-se para enfrentar o mar, mesmo quando o horizonte se torna menos nítido.
Fonte: TecnoAlimentar
As estratégias integradas que combinam tratamentos avançados de sementes, inovação em fertilizantes e práticas de gestão da saúde do solo estão a ganhar peso na resposta aos desafios de produtividade e sustentabilidade no setor mundial agrícola.
A conclusão consta do relatório Transforming Agricultural Productivity Through Integrated Seed, Fertiliser and Soil Health Strategies, da Frost & Sullivan, que analisa a evolução do mercado global de tratamentos de sementes e fertilizantes.
Segundo o relatório, este mercado deverá crescer de 7,98 mil milhões de dólares em 2025 para 11,52 mil milhões de dólares em 2032, num contexto em que os agricultores enfrentam maior pressão para melhorar a produtividade, responder aos impactos climáticos, lidar com a degradação dos solos e produzir com recursos mais limitados.
A Frost & Sullivan aponta que, perante a perda de fertilidade dos solos, padrões meteorológicos mais imprevisíveis e a necessidade de produzir mais alimentos com menos recursos, os métodos tradicionais baseados no aumento da utilização de fatores de produção estão a tornar-se menos eficazes.
Neste contexto, os agricultores estão a adotar estratégias orientadas para reforçar a resiliência do solo, melhorar a eficiência no uso de nutrientes e promover o vigor das culturas desde as fases iniciais de desenvolvimento.
Esta mudança está a impulsionar o investimento em revestimentos avançados de sementes, tratamentos biológicos, fertilizantes de libertação controlada, tecnologias de estabilização de nutrientes e práticas regenerativas de gestão do solo.
“A agricultura enfrenta atualmente enormes desafios”, afirmou Brian Balmer, responsável pela área de Chemicals, Materials & Nutrition da Frost & Sullivan. E continua: “mas existem soluções que podem ajudar a aliviar esses desafios e, ao mesmo tempo, apontar para um futuro mais sustentável para a agricultura”.
O relatório identifica também diferenças regionais nas estratégias de utilização de fatores de produção agrícolas. A América do Norte, a América do Sul e a Europa lideram atualmente a adoção de tecnologias avançadas de agricultura de precisão e gestão de fatores de produção.
Já os principais mercados agrícolas da Ásia apresentam, segundo a análise, oportunidades de crescimento para soluções centradas na eficiência e na saúde do solo.
Fonte: Vida Rural
O Governo determinou que os viticultores passam a estar obrigados a apresentar uma declaração de colheitas até 31 de outubro de cada ano, cerca de um mês antes do que estava anteriormente estipulado, foi anunciado.
A declaração “deve ser apresentada até 31 de outubro de cada ano”, lê-se numa portaria assinada pelo ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, publicada em Diário da República.
No diploma, o Governo indicou que o prazo de entrega, inicialmente, terminava em 15 de novembro de cada ano, tendo sido, posteriormente, alterado para o dia 30 do mesmo mês por conveniência administrativa.
Contudo, justificou um novo ajustamento com a “atual situação do setor vitivinícola”, de modo a assegurar a conformidade dos registos obrigatórios, prevenir eventuais manipulações e reforçar a competitividade.
Ainda assim, ressalvou, que em casos excecionais poderá haver uma prorrogação.
Os viticultores associados a uma ou mais adegas ou agrupamentos e que lhe tenham entregado a totalidade da sua produção de uvas ou de mosto, “tendo reservado o direito de obter por vinificação uma quantidade inferior a 1.000 litros para consumo do agregado familiar”, ficam isentos de apresentar a declaração, “desde que a adega ou agrupamento em causa esteja obrigado a fazê-lo”.
A declaração deve ser submetida através do Sistema de Informação da Vinha e do Vinho (SIVV).
A portaria em causa entrou em vigor na quarta-feira.
Fonte: Agroportal
A integração de subprodutos pecuários como fertilizantes orgânicos na cultura do tomate para a indústria está a ganhar tração em Portugal e noutros países mediterrânicos, impulsionada pela necessidade de reduzir custos, melhorar a saúde do solo e cumprir metas de sustentabilidade exigidas pela indústria agroalimentar.
Uma solução circular para um setor pressionado
Com o aumento dos custos dos fertilizantes minerais e a crescente pressão para reduzir a pegada ambiental da produção agrícola, produtores e indústrias estão a olhar para efluentes pecuários tratados, compostos orgânicos, farinhas de ossos e digestatos de biogás como alternativas viáveis para nutrir os campos de tomate.
Estes subprodutos, quando devidamente estabilizados e aplicados de forma controlada, permitem:
Resultados promissores em produtividade e qualidade
Ensaios conduzidos por centros de investigação e organizações de produtores mostram que a aplicação de fertilizantes orgânicos de origem pecuária:
A indústria do tomate, fortemente dependente de contratos de fornecimento estáveis, vê nesta abordagem uma forma de reforçar a resiliência da produção e mitigar riscos associados a volatilidade de preços dos fertilizantes.
Um passo estratégico para a agricultura circular
A valorização de subprodutos pecuários encaixa diretamente nas prioridades europeias de economia circular, redução de emissões e melhoria da saúde dos solos. Para os produtores, representa uma oportunidade de:
Para o setor pecuário, abre‑se uma via de integração com a horticultura industrial, criando novos mercados para subprodutos que antes tinham destino limitado.
O que vem a seguir
O próximo desafio passa por normalizar critérios de qualidade, garantir segurança microbiológica e otimizar planos de fertilização que combinem nutrientes orgânicos e minerais de forma eficiente. A indústria do tomate já sinalizou interesse em apoiar projetos-piloto e sistemas de certificação que reforcem a confiança na utilização destes materiais.
Fonte: Qualfood
A inteligência artificial já está a influenciar a forma como os consumidores europeus descobrem, comparam e escolhem produtos, mesmo que a compra totalmente autónoma por agentes de IA ainda esteja numa fase inicial.
A conclusão é da McKinsey, no artigo “Europe’s agentic commerce moment: Decision influence is here; execution is coming”, desenvolvido pela QuantumBlack, a unidade de IA da consultora.
Segundo a análise, o chamado comércio agêntico não deve ser entendido apenas como o momento em que um bot compra automaticamente em nome do consumidor. No curto prazo, o impacto mais relevante está a acontecer antes da transação: na descoberta, na comparação, na recomendação e na formação do conjunto de opções que o consumidor considera.
IA entra no funil antes da compra
A McKinsey estima que, até 2030, o comércio agêntico possa orquestrar entre três e cinco biliões de dólares a nível global, à medida que os agentes de IA ganham influência na descoberta, decisão e transação em várias categorias.
Para marcas e retalhistas, a questão estratégica deixa de ser apenas como converter clientes humanos. Passa também a ser como permanecer visível, compreensível e recomendável quando o primeiro “cliente” no funil é um agente de inteligência artificial.
Quando a avaliação se desloca para interfaces mediadas por IA, fatores tradicionais como posicionamento, publicidade ou experiência de utilizador continuam relevantes, mas deixam de ser suficientes. As ofertas passam a ter de ser recuperáveis, comparáveis e defensáveis na lógica de um sistema de IA.
84% usa IA no dia a dia
O estudo da McKinsey baseia-se num inquérito a consumidores em França, Alemanha e Reino Unido. Segundo os dados, 84% dos consumidores europeus inquiridos diz utilizar ferramentas de IA no seu dia a dia. Os usos mais comuns passam pela pesquisa de temas gerais, referida por 57%, e pela escrita ou melhoria de conteúdos, indicada por 44%.
No contexto de compra, 38% afirma usar ferramentas de IA para pesquisar produtos e serviços ou decidir o que comprar.
A utilização da IA no percurso de compra surge sobretudo nas fases iniciais da jornada. Entre os consumidores europeus que usam IA no processo de compra, 63% recorre a estas ferramentas para comparar marcas, modelos, preços e avaliações. Outros 55% usa IA para aprender sobre uma categoria ou produto, enquanto 46% recorre a estas soluções para descobrir novos produtos ou obter inspiração.
Estes dados mostram que a IA está a ser adotada primeiro como uma camada de apoio à decisão, comprimindo processos de pesquisa e comparação que antes exigiam a consulta de múltiplos sites, plataformas e fontes de informação.
Influência cresce mais depressa do que execução
A McKinsey sublinha que a influência da IA na decisão está a crescer mais rapidamente do que a infraestrutura de execução ou a confiança dos consumidores na autonomia total. Ou seja, quando o consumidor chega ao site de uma marca ou de um retalhista, parte do trabalho de avaliação pode já ter sido feito dentro de uma interface de IA.
Esta mudança obriga as empresas a pensar a visibilidade de produto para além dos seus próprios canais. A descoberta pode começar no ChatGPT, no Gemini, em agentes integrados em retalhistas ou em assistentes de compra de terceiros.
A confiança dos consumidores europeus, por seu turno, varia consoante o papel atribuído à IA. Os consumidores mostram-se mais confortáveis quando a IA ajuda a resumir avaliações, comparar opções, destacar vantagens e desvantagens ou recomendar a melhor escolha. Nestes casos, a tecnologia apoia o julgamento, mas mantém a decisão final nas mãos da pessoa.
A confiança diminui quando a IA se aproxima da execução, como preencher carrinhos, concluir o checkout ou fazer encomendas recorrentes automaticamente. A conclusão da McKinsey é clara: os consumidores não rejeitam o julgamento da IA, mas resistem a uma autoridade sem limites.
Delegação terá de ser reversível e transparente
Para os consumidores europeus, a delegação de decisões a agentes de IA parece depender de três condições: reversibilidade, responsabilização e consentimento explícito. A reversibilidade implica que a ação possa ser desfeita. A responsabilização exige clareza sobre quem responde quando algo corre mal. E o consentimento explícito pressupõe limites bem definidos sobre o que o agente está autorizado a fazer.
Para as empresas, isto significa que a confiança deve ser tratada como uma funcionalidade do produto, e não apenas como um problema de comunicação.
Adoção varia pouco entre categorias
A utilização de IA para informar decisões de compra já é relativamente transversal. Segundo a McKinsey, a adoção concentra-se entre 30% e 36% em várias categorias, sugerindo que a IA está a funcionar como uma camada geral de avaliação e não apenas como ferramenta para compras altamente tecnológicas.
A utilização tende a ser ligeiramente superior em categorias mais intensivas em pesquisa, como vestuário e calçado, saúde e produtos médicos, eletrónica de consumo e viagens, onde os consumidores enfrentam maior complexidade, mais alternativas e maior necessidade de comparação.
Uma categoria destaca-se pela menor adoção: a ótica. Segundo o estudo, apenas 13% dos consumidores recorre à IA nesta categoria. A explicação apontada pela McKinsey está menos relacionada com falta de complexidade informativa e mais com a importância do ajuste físico, da avaliação presencial e da baixa frequência de compra.
Isto sugere que o comércio agêntico não avançará de forma uniforme. O seu desenvolvimento dependerá da categoria, do nível de risco percebido, da necessidade de validação física e do grau de confiança do consumidor.
Fidelidade às marcas será reconfigurada
A McKinsey considera que a mediação por agentes de IA não significa necessariamente o fim da fidelidade às marcas, mas antes a sua reconfiguração. A fidelidade poderá passar a ser expressa através de preferências explícitas dadas aos agentes, como marcas autorizadas, marcas excluídas ou critérios de escolha definidos pelo utilizador.
Ao mesmo tempo, agentes de IA poderão apresentar marcas desconhecidas que correspondam melhor às preferências, valores ou estética do consumidor, alargando os conjuntos de consideração.
Uma das principais implicações para marcas e retalhistas é a necessidade de competir por decisões mediadas por IA, e não apenas pela atenção humana. A McKinsey fala na importância da legibilidade para máquinas. Na prática, isto significa garantir dados de produto ricos, estruturados e consistentes, taxonomias claras, nomes coerentes, argumentos comprováveis e sinais de credibilidade reconhecíveis por sistemas automatizados.
A visibilidade deixa de depender apenas de publicidade, placement ou experiência visual. Passa também a depender da capacidade de uma marca ser compreendida, comparada e justificada por um agente de IA.
“Agent engine optimization” ganha relevância
A análise aponta para a emergência de uma lógica próxima do que alguns já designam por agent engine optimization. Tal como o SEO obrigou marcas e retalhistas a otimizar conteúdos para motores de busca, o comércio agêntico poderá obrigar as empresas a otimizar produtos, claims, dados e reputação para agentes de IA.
Neste novo contexto, a prioridade passa por garantir que as ofertas são interpretáveis, recomendáveis e defensáveis dentro de ambientes automatizados de comparação.
A McKinsey identifica três prioridades para empresas que queiram manter relevância no comércio agêntico. A primeira é competir por decisões mediadas por IA, garantindo que produtos e marcas podem ser encontrados e compreendidos por agentes inteligentes.
A segunda é desenhar experiências de IA assentes em confiança, com explicações claras, confirmação humana e possibilidade de reversão.
A terceira é preparar a infraestrutura de execução, nomeadamente pagamentos, identidade, autorização e integração de dados, para um cenário em que a transação assistida por IA ganhará maior relevância.
Comércio conversacional pode escalar antes da autonomia total
A consultora considera ainda que o comércio conversacional poderá ganhar escala antes da delegação totalmente autónoma. À medida que alguns ambientes de IA começam a ligar recomendações a opções de compra integradas, a fronteira entre descoberta, comparação e transação torna-se mais fluida.
Contudo, a autonomia completa deverá crescer de forma seletiva, primeiro em casos mais limitados, reversíveis e de menor risco, antes de avançar para decisões recorrentes ou de maior envolvimento.
O estudo mostra que, de facto, a IA está a alterar a lógica da jornada de compra. O impacto imediato não está na substituição total do consumidor, mas na forma como as preferências são formadas e as opções são filtradas antes da visita ao site, à loja ou à aplicação de uma marca.
Para o retalho e para as marcas de grande consumo, isto cria um novo desafio competitivo: estar presente nos canais onde a decisão começa, mesmo quando esses canais não são humanos, visuais ou controlados pela própria marca.
Fonte: Grande Consumo
Pela primeira vez em quase trinta anos, a União Europeia autorizou um novo ingrediente alimentar à base de fungos. Aprovado ao abrigo do rigoroso regulamento de “Novos Alimentos”, o Fermotein promete reforçar o mercado de proteínas sustentáveis. O caso, que envolveu um processo de avaliação de seis anos, ilustra tanto o elevado padrão de segurança europeu como a oportunidade de otimizar os processos de inovação no bloco.
O que é o Fermotein?
Desenvolvido pela startup neerlandesa The Protein Brewery, o Fermotein é uma micoproteína produzida através da fermentação de biomassa. A inovação reside na utilização de uma espécie específica de fungo filamentoso (o R. pusillus). Embora este fungo já fosse aplicado na produção de enzimas para o fabrico de queijos, esta é a primeira vez que é utilizado como ingrediente principal num alimento.
O resultado é um produto de alto valor nutricional, rico em proteínas completas e fibra alimentar, além de conter diversas vitaminas e minerais. No contexto europeu, o ingrediente foi desenhado para enriquecer o perfil de laticínios vegetais, ser incorporado em farinhas para panificação e servir de base para a nutrição desportiva personalizada.
Além das vantagens nutricionais, o impacto ambiental do novo ingrediente é reduzido. Segundo um estudo realizado pela Universidade de Wageningen, a produção do Fermotein requer entre 5 a 30 vezes menos água e 5 a 20 vezes menos terra por quilo de proteína do que os laticínios convencionais.
Esta aprovação surge num momento em que a União Europeia procura fortalecer a economia do seu setor agroalimentar. Atualmente, a Europa importa 66% dos alimentos de alto teor proteico para animais. Face à instabilidade nas cadeias de abastecimento globais e às alterações climáticas, a diversificação de fonte surge como uma ferramenta estratégica. Projeções da consultora Systemiq indicam que, com o enquadramento adequado, as proteínas alternativas poderão injetar 111 mil milhões de euros por ano na economia da UE até 2040, apoiando mais de 414 mil postos de trabalho.
O desafio do tempo de resposta regulatório
Apesar do marco histórico, a transição para o mercado europeu continua a ser um processo de longo prazo. O percurso do Fermotein demorou seis anos desde a submissão inicial em 2020, um prazo superior ao de outros mercados como os Estados Unidos e Singapura, por exemplo.
O setor da biotecnologia alimentar aponta que, embora o rigor da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) seja uma garantia essencial de segurança para os consumidores, existe uma margem significativa para aumentar a eficiência. Prazos mais previsíveis são vistos como um fator fundamental para atrair investimentos a longo prazo.
Especialista e reguladores concordam que o objetivo é melhorar a agilidade dos processos sem comprometer as exigências científicas. Para esse equilíbrio, tem sido propostas as seguintes medidas de cooperação: guias de orientação atualizados, diálogo científico prévio e espaços de experimentação regulatória.
A chegada do Fermotein valida a capacidade de inovação da UE e demonstra o potencial de regulamento dos “Novos Alimentos”. O próximo passo reside em dotar o sistema das ferramentas necessárias para que as futuras soluções sustentáveis possam ser integradas no mercado ao ritmo exigido pelas metas ambientais e económicas do bloco.
Fonte: TecnoAlimentar
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