Lavar as mãos salva vidas — e 2026 volta a lembrar que este gesto básico continua a ser a primeira linha de defesa contra doenças evitáveis. Hospitais, escolas, empresas e instituições de saúde em todo o mundo assinalam hoje o Dia Mundial da Higiene das Mãos, reforçando uma mensagem clara: a prevenção começa na palma da mão.
Este ano, a Organização Mundial da Saúde destaca que até 70% das infeções associadas aos cuidados de saúde podem ser evitadas com práticas adequadas de higiene. No entanto, estudos recentes mostram que a adesão continua abaixo do recomendado, sobretudo em ambientes de grande circulação.
“A higiene das mãos não é apenas um hábito — é um compromisso com a segurança coletiva”, sublinha a OMS.
Em Portugal, várias unidades de saúde lançaram campanhas de sensibilização, com demonstrações práticas, auditorias internas e desafios interativos para profissionais e utentes. O objetivo é simples: transformar um gesto de segundos num reflexo automático.
Além do setor da saúde, também escolas e empresas reforçam hoje ações de formação, lembrando que lavar as mãos antes de comer, depois de usar transportes públicos ou ao chegar a casa reduz drasticamente o risco de transmissão de vírus e bactérias.
Num mundo onde a mobilidade é cada vez maior e os surtos se propagam com rapidez, a mensagem deste dia é inequívoca: a higiene das mãos é uma responsabilidade partilhada — e cada pessoa conta.
Fonte: Qualfood
A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e a Direção‑Geral da Economia (DGE) publicaram, a 27 de abril de 2026, a Circular n.º 02/2026, um documento que vem clarificar — de forma inédita — as obrigações dos estabelecimentos de restauração e bebidas no âmbito do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR).
Com a implementação plena do sistema volta®, o setor HORECA passa a desempenhar um papel central na recolha e encaminhamento de embalagens de bebidas de uso único, em plástico, metal ou alumínio, com volume inferior a 3 litros. Estas embalagens, quando colocadas no mercado nacional, estão sujeitas ao pagamento de um depósito que é devolvido ao consumidor quando a embalagem é entregue na rede SDR.
O que muda para restaurantes, cafés e bares?
Armazenagem obrigatória das embalagens consumidas no local — Os estabelecimentos devem garantir a armazenagem preliminar das embalagens vazias resultantes do consumo no próprio espaço;
Depósito pode ou não ser cobrado, consoante o serviço — A Circular distingue vários cenários:
Consumo no local: o depósito pode ser cobrado ou não, dependendo do modelo de venda;
Takeaway, delivery e drive‑in: o depósito é sempre cobrado no momento da venda;
Cantinas e refeitórios não HORECA: o depósito é sempre cobrado, mas não há obrigação de retoma;
Eventos e serviços não sedentários: podem existir alternativas como máquinas SDR no local ou devolução posterior.
Sem obrigação de retoma em alguns casos — Máquinas de vending e serviços takeaway não obrigam o operador a recolher embalagens — o consumidor devolve-as na rede SDR;
Encaminhamento obrigatório das embalagens — As embalagens recolhidas devem ser enviadas para:
logística inversa;
máquinas automáticas volta® (RVM);
pontos oficiais da rede SDR.
Situações sem direito a reembolso — Embalagens danificadas, sem tampa ou com código de barras ilegível não dão direito a devolução do depósito.
Um passo decisivo para a economia circular
A Circular 02/2026 reforça o compromisso nacional com metas ambientais ambiciosas, garantindo que o setor da restauração e bebidas contribui ativamente para a recolha de embalagens de elevada qualidade e para o aumento das taxas de reciclagem.
Fonte: Qualfood
A Foundation FSSC anunciou em maio de 2026 o lançamento oficial da FSSC 22000 Versão 7, uma atualização que marca um novo ciclo de exigência, harmonização e transparência para organizações certificadas em todo o mundo. A nova versão surge como resposta direta às revisões recentes da ISO 22003-1:2022, às expectativas do GFSI e às necessidades crescentes da indústria alimentar em matéria de cultura de segurança, integridade dos processos e gestão de riscos emergentes.
Principais mudanças introduzidas pela FSSC 22000 Versão 7
Impacto para empresas certificadas
A transição para a Versão 7 será obrigatória dentro do prazo definido pela FSSC, com auditorias de certificação e recertificação a migrarem progressivamente para o novo referencial. As organizações terão de:
Relevância para o setor alimentar
A FSSC 22000 Versão 7 consolida-se como um dos referenciais mais completos e reconhecidos globalmente, especialmente para empresas que procuram:
Com esta atualização, a FSSC reforça a sua posição como um dos sistemas de certificação mais alinhados com os desafios atuais da cadeia alimentar — desde riscos emergentes até expectativas sociais e ambientais.
Fonte: Qualfood
A Comissão Europeia divulgou ontem um novo estudo sobre a frota de pesca da União Europeia, concluindo que, apesar da redução da sua capacidade ao longo dos anos, persistem desequilíbrios entre os meios disponíveis e os recursos piscícolas.
O relatório mostra que a diminuição do tamanho e da potência da frota não foi suficiente para resolver problemas estruturais, frequentemente associados ao fraco desempenho económico do sector. Entre os fatores apontados estão o aumento dos custos operacionais, a volatilidade dos mercados e a pressão contínua sobre os stocks de peixe.
Além disso, o estudo identifica desafios significativos à sustentabilidade a longo prazo, como as alterações climáticas, a perda de biodiversidade e o envelhecimento tanto da frota como da força de trabalho. Estes constrangimentos afetam a resiliência e competitividade do sector, exigindo respostas estruturais.
O estudo analisa ainda experiências internacionais e métodos alternativos para medir a capacidade de pesca, com o objetivo de melhorar a gestão da frota europeia.
As conclusões irão alimentar a avaliação em curso da Política Comum das Pescas, quadro regulatório que orienta a gestão sustentável dos recursos marinhos na União Europeia. O objetivo é encontrar um equilíbrio mais eficaz entre a capacidade da frota e as oportunidades de pesca, promovendo simultaneamente a sustentabilidade económica, social e ambiental.
Encomendado pela CINEA e elaborado por especialistas independentes, o estudo baseia-se em análise de dados, estudos de caso e consultas a stakeholders de diferentes regiões marítimas.
Fonte: Grande Consumo
Investigadores da Universidade do Missouri desenvolveram uma nova abordagem de edição genética que evita o “silenciamento” de genes em galinhas, abrindo caminho à produção estável de proteínas úteis para a medicina diretamente nos ovos.
Uma equipa de cientistas da University of Missouri, nos EUA, apresentou um avanço significativo na área da genética aviária ao desenvolver uma técnica inovadora de edição genética que poderá permitir às galinhas produzir proteínas de interesse médico nos seus ovos.
O estudo responde a um problema antigo conhecido como silenciamento epigenético, um fenómeno que faz com que genes introduzidos artificialmente no ADN acabem por ser “desligados” ao longo do tempo. Esta limitação tem dificultado a criação de linhas estáveis de animais geneticamente modificados, sobretudo quando se pretende que as alterações sejam transmitidas às gerações seguintes.
Para ultrapassar este desafio, os investigadores recorreram à tecnologia CRISPR e direcionaram a inserção genética para um gene associado à enzima GAPDH, essencial para o metabolismo da glicose. Como esta enzima está ativa em praticamente todas as células e de forma contínua, a equipa partiu do princípio de que qualquer gene inserido nesta região também permaneceria ativo.
Para confirmar a hipótese, os cientistas introduziram um marcador fluorescente que permite observar se o gene permanece “ligado”. Após vários meses e múltiplas divisões celulares, os resultados mostraram que o marcador continuava ativo, indicando que o silenciamento genético não ocorreu.
Este avanço representa uma prova de conceito importante para o desenvolvimento de galinhas geneticamente modificadas capazes de produzir, de forma consistente, proteínas com aplicações clínicas — como anticorpos usados na prevenção de doenças virais, incluindo a gripe. Atualmente, os ovos já são utilizados para a produção de alguns destes compostos, mas a nova abordagem poderá tornar o processo mais eficiente e previsível.
Além das aplicações médicas, a técnica poderá ter impacto na agricultura e na economia. Os investigadores apontam, por exemplo, a possibilidade de introduzir genes que reduzam a transmissão da gripe aviária, garantindo que estas características benéficas se mantêm ativas e são herdadas ao longo das gerações.
A investigação foi publicada na revista científica Poultry Science . Os cientistas estão agora a colaborar com parceiros académicos e industriais para explorar aplicações práticas desta tecnologia e identificar as modificações genéticas com maior potencial impacto.
Fonte: CiB
As culturas lenhosas mediterrânicas destacam-se pelo equilíbrio entre rentabilidade, estabilidade de mercado e adaptação climática.
O regadio intensivo (abacate, citrinos e frutos vermelhos) oferece maiores receitas por hectare, mas com maior risco hídrico e exigência técnica.
O mercado de quintas rústicas produtivas registou um crescimento de 72% no volume de anúncios em 2025, com clara preferência pela segurança hídrica e propriedades sustentáveis que rodam mais rápido.
O setor agrícola português consolida-se como um mercado estratégico para o investimento. Segundo o Relatório sobre Culturas mais Rentáveis e Sustentáveis em Portugal, elaborado pela Cocampo – a plataforma de anúncios especializada na venda e arrendamento de fincas rústicas, a combinação de práticas sustentáveis, adoção tecnológica e uma clara orientação para culturas de alto valor acrescentado está a transformar o mapa agrícola do país.
Num contexto de transição para a eficiência produtiva, o relatório sublinha que a escolha da cultura e a sua perfeita adequação territorial são os fatores determinantes para garantir rentabilidade e resiliência climática.
O equilíbrio das culturas lenhosas
A análise posiciona as lenhosas mediterrânicas — olival, vinha de qualidade e frutos secos como amendoeira e pistácio — como as culturas com melhor equilíbrio para o investidor.
Estes produtos beneficiam de uma procura global sólida e registam uma melhoria progressiva nos retornos históricos. A modernização, especialmente através de sistemas superintensivos, permite acelerar a recuperação do investimento com mecanização da colheita e otimização de custos, além de oferecer maior resiliência ao stress hídrico.
Fruticultura de alta margem: receitas e desafios
Para projetos com elevada capacidade técnica, o relatório indica que o abacate, os citrinos e os frutos vermelhos (mirtilos, framboesas e morangos) apresentam as maiores receitas potenciais por hectare.
Contudo, o sucesso destes modelos depende de disponibilidade garantida de água e de uma infraestrutura logística exigente, dada a perecibilidade dos frutos.
Dinamismo do mercado de quintas rústicas
Os dados internos da plataforma Cocampo revelam um forte dinamismo nas quintas rústicas com vocação produtiva. Em 2025 registou-se um crescimento de 72% no volume de anúncios face ao ano anterior.
A oferta concentra-se especialmente no Algarve (44,6%), Norte (14,9%), Centro (10,9%) e Alentejo (6,8%). Cerca de 48% das propriedades apresentam condições ideais para olival intensivo ou superintensivo, 18% para vinha de qualidade, 15% para frutos secos e um crescente 12% para frutos vermelhos e abacate em zonas com regadio consolidado.
A procura privilegia claramente a segurança hídrica: as pesquisas de fincas com direitos de água ou regadio aumentaram 32%. As propriedades com características sustentáveis rodam 22% mais rápido no mercado.
“A agricultura em Portugal deixou de ser uma atividade tradicional para se tornar num setor onde convergem a tecnologia de precisão e a sustentabilidade. O que realmente importa já não é apenas produzir, mas otimizar o uso da água e a saúde do solo para que cada exploração seja um ativo valioso a longo prazo”, concluem da Cocampo.
Aceda aqui ao relatório.
Fonte: Agroportal
Uma nova geração de trigo capaz de suportar secas prolongadas, ondas de calor e solos cada vez mais pobres está a ganhar forma — e o motor desta transformação não é um laboratório tradicional, mas sim inteligência artificial (IA). Investigadores europeus anunciaram esta semana um avanço que pode redefinir a segurança alimentar num planeta em aquecimento acelerado.
A tecnologia analisa milhões de combinações genéticas em minutos, algo que levaria décadas a olho humano. O sistema cruza dados de clima, solo, produtividade e resistência a pragas, identificando padrões invisíveis até para especialistas experientes. O resultado é uma espécie de “GPS genético” que aponta, com precisão inédita, quais as variedades de trigo têm maior probabilidade de prosperar num futuro climático imprevisível.
Os cientistas envolvidos descrevem o impacto como “um salto evolutivo assistido”. Em vez de esperar que a natureza faça o seu trabalho ao longo de gerações, a IA acelera o processo, permitindo que agricultores tenham acesso a sementes mais robustas muito antes de as condições se tornarem críticas.
Além de aumentar a resiliência, o sistema também ajuda a reduzir desperdício: evita testes de campo longos e dispendiosos, concentra recursos nas variedades mais promissoras e diminui a dependência de fertilizantes e irrigação intensiva.
Fonte: Qualfood
Uma equipa de investigadores liderada pela Universidade Northwestern, nos Estados Unidos da América (EUA), desenvolveu uma célula de combustível que utiliza microrganismos presentes no solo para gerar eletricidade, com potencial aplicação na alimentação de sensores usados na agricultura de precisão.
O dispositivo, de pequenas dimensões, produz energia ao capturar os eletrões libertados pelos microrganismos durante a decomposição da matéria orgânica.
Segundo os cientistas, esta abordagem permite gerar quantidades reduzidas de eletricidade, suficientes para alimentar sensores subterrâneos sem recurso a baterias convencionais.
A tecnologia foi testada na monitorização de parâmetros como a humidade do solo e a deteção de toque, podendo também ser aplicada no acompanhamento de movimentos de fauna em áreas agrícolas. O sistema inclui ainda uma antena que transmite dados utilizando sinais de radiofrequência existentes.
Segundo os investigadores, o dispositivo demonstrou funcionamento consistente em diferentes condições, incluindo solos secos e ambientes alagados, apresentando uma duração cerca de 120% superior à de sistemas semelhantes.
A agricultura de precisão depende de redes alargadas de sensores para monitorizar variáveis como humidade, nutrientes e contaminantes, apoiando a tomada de decisão e a gestão da produção. No entanto, o fornecimento de energia a estes dispositivos continua a ser um desafio, devido à necessidade de substituição de baterias ou às limitações dos sistemas solares.
“Se imaginarmos um futuro com biliões destes dispositivos, não podemos construir cada um deles com lítio, metais pesados e toxinas perigosas para o ambiente, por isso, precisamos de encontrar alternativas que forneçam pequenas quantidades de energia”, afirmou Bill Yen, líder do projeto. O investigador acrescenta que, enquanto houver carbono orgânico no solo, “a célula de combustível pode potencialmente durar para sempre”.
As células de combustível microbianas funcionam de forma semelhante a baterias, mas utilizam bactérias para libertar eletrões que geram corrente elétrica. “Esses microrganismos já vivem no solo um pouco por todo o lado e, por isso, podemos usar sistemas de engenharia simples para capturar a eletricidade que produzem”, referiu George Wells, um dos autores do estudo, sublinhando que a tecnologia se destina a aplicações de baixo consumo.
Para ultrapassar limitações associadas a versões anteriores, a equipa desenvolveu um novo design que posiciona os componentes em orientação perpendicular, permitindo manter simultaneamente condições de humidade e acesso ao oxigénio. Esta configuração melhora o desempenho em ambientes secos e aumenta a resistência a inundações.
O protótipo final foi testado em condições reais, tendo gerado, em média, 68 vezes mais energia do que a necessária para o funcionamento dos sensores. O trabalho continua em desenvolvimento, com foco na melhoria da eficiência e na utilização de materiais biodegradáveis.
Fonte: Vida Rural
Estudo mostra que um sistema de inteligência artificial pode reconhecer doenças em folhas com alta precisão e acelerar a monitorização das lavouras, abrindo espaço para respostas mais rápidas no campo e decisões orientadas.
Quando uma lavoura começa a perder vigor, a folha quase sempre dá os primeiros sinais. Manchas, mudanças de cor, deformações e áreas secas costumam aparecer antes de o problema se transformar em queda de produtividade. Um estudo aceite para publicação na Scientific Reports, que apresenta um sistema de inteligência artificial capaz de classificar doenças foliares com alta precisão e velocidade.
No trabalho, os investigadores desenvolveram o modelo DeepGreen, baseado numa arquitetura Conv-7 DCNN (Rede Neural Convolucional Profunda com 7 camadas convolucionais) com camada de atenção modificada, para identificar doenças em folhas de tomate, batata e pimentão. O resultado reportado foi de 99,18% de acurácia, com precisão média de 99,17%, números que colocam o sistema entre os mais fortes do conjunto comparado no artigo.
Uma foto da folha pode tornar-se alerta mais rápido
O estudo parte de uma ideia fácil de perceber: usar imagens das folhas para reconhecer padrões que, a olho nu, podem ser confundidos ou percebidos tarde demais. Para treinar o sistema, os autores utilizaram o banco PlantVillage, disponível publicamente no Kaggle, com 20.638 imagens distribuídas em 15 categorias ligadas a folhas saudáveis e doentes de tomate, batata e pimentão. As imagens passaram por redimensionamento, normalização e aumento artificial de dados para reforçar o treino do modelo.
Na prática, isto significa transformar a câmara numa espécie de triagem inicial. O sistema não “cura” a planta e tampouco substitui o especialista, mas pode encurtar o intervalo entre o aparecimento do sintoma e a decisão de manejo. Segundo o artigo, o modelo também teve desempenho compatível com aplicações em tempo real, com 112,49 quadros por segundo, tempo de inferência de 18,34 segundos para 2.064 amostras de teste e 8,89 milissegundos por imagem.
Porque isto interessa além do laboratório?
O ponto mais relevante da investigação não é apenas a taxa alta de acerto, mas a utilidade prática de ganhar tempo. Em culturas sensíveis, dias de atraso entre o primeiro sintoma e a resposta no campo podem elevar perdas e encarecer o manejo. O estudo mostra que a proposta superou modelos conhecidos usados como comparação, como VGG-19, MobileNet, ResNet50V2, InceptionV3 e DenseNet121; neste conjunto, o DenseNet121 foi o melhor entre os pré-treinados, com 93,12% de acurácia, abaixo dos 99,18% do modelo proposto.
Numa rotina agrícola, uma ferramenta assim pode ajudar a:
O valor está em acelerar a leitura inicial do problema, principalmente quando a área é grande ou o acompanhamento precisa de ser frequente.
Alta precisão não elimina a necessidade de validação
O próprio artigo faz um alerta importante: mesmo com resultado muito alto, ainda existe possibilidade de erro. Os autores destacam que falsos negativos podem atrasar o tratamento e ampliar perdas, enquanto falsos positivos podem levar a intervenções desnecessárias e aumentar custos.
Outro sinal interessante é que o modelo também foi testado noutros conjuntos de dados. No banco de milho, alcançou 97,38% de acurácia; no de alface, 0,97. Estes números sugerem potencial de generalização, mas ainda não resolvem a principal pergunta do uso quotidiano: como o sistema se comporta em campo real, com variações de luz, sombra, poeira, sobreposição de folhas e câmaras diferentes.
A notícia, portanto, não é a chegada de uma solução mágica, e sim o avanço de uma ferramenta que pode tornar a monitorização agrícola mais rápida, mais padronizado e mais útil para decisões práticas.
Fonte: tempo.pt
Investigadores na África do Sul desenvolveram a primeira videira geneticamente editada no continente africano. Os cientistas usaram a tecnologia CRISPR para aumentar a resistência a doenças e melhorar a tolerância à escassez de água. Um avanço com potencial para proteger a produção de uvas das alterações climáticas.
Uma equipa de cientistas da Stellenbosch University e do Agricultural Research Council, na África do Sul, alcançou um marco histórico na biotecnologia africana ao desenvolver a primeira videira editada geneticamente no continente.
O trabalho, publicado na revista científica Plant Stress, utilizou a tecnologia CRISPR-Cas9 para desativar um gene específico, conhecido como VvDMR6.1, associado à suscetibilidade das plantas a infeções.
O principal objetivo foi combater o míldio, uma doença fúngica devastadora que representa uma ameaça constante à viticultura em todo o mundo. Ao silenciar este gene, os cientistas conseguiram reduzir significativamente a vulnerabilidade da videira ao agente patogénico.
Além da resistência a doenças, os resultados revelaram um benefício adicional inesperado: as plantas editadas demonstraram maior capacidade de conservação de água. Este efeito duplo sugere que uma única alteração genética direcionada pode reforçar simultaneamente a defesa contra pragas e a adaptação a condições ambientais adversas, como a seca.
De acordo com a investigadora principal, Manuela Campa, esta inovação surge num momento crítico, em que as alterações climáticas estão a intensificar tanto os períodos de seca como a incidência de doenças nas culturas agrícolas.
Embora a edição genética já seja amplamente aplicada em culturas anuais, a sua utilização em espécies lenhosas perenes, como a videira, tem sido limitada devido aos longos ciclos de melhoramento e à complexidade dos processos de regeneração. Este avanço poderá, assim, abrir caminho a práticas agrícolas mais sustentáveis e resilientes em África.
Esta descoberta tem implicações importantes para o futuro da produção de vinho e de uvas de mesa no continente, ajudando a proteger culturas de elevado valor económico face a um ambiente cada vez mais instável.
Leia aqui o estudo.
Fonte: Centro de informação de biotecnologia
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