Apesar do potencial das culturas geneticamente modificadas (GM) para melhorar a agricultura e a vida dos agricultores na África Subsaariana, a adoção destas variedades enfrenta barreiras regulatórias e muita desinformação.
Um estudo realizado por cientistas da Federal University Otuoke, do Genomac Institute e da University of Birmingham revela que as culturas geneticamente modificadas (GM) podem reduzir a dependência de pesticidas químicos e aumentar a produtividade agrícola na África Subsaariana. A investigação analisou dados de estudos e políticas entre 2010 e 2025, com foco em Nigéria, África do Sul e Burkina Faso.
Segundo os investigadores, variedades resistentes a insetos mostraram-se particularmente eficazes na redução do uso de pesticidas, na diminuição dos custos de produção e na melhoria da produtividade nas explorações agrícolas. Contudo, a adoção destas tecnologias ainda é limitada na região devido a atrasos regulatórios, falta de conhecimento por parte dos agricultores, sistemas de sementes fracos e preocupações públicas crescentes.
O estudo destaca que países com políticas mais claras, sistemas de biossegurança sólidos e programas de envolvimento eficazes com agricultores registaram uma maior adoção das culturas GM. Os autores recomendam reforçar os quadros de biossegurança, investir na formação dos agricultores e promover uma coordenação regulatória regional. Além disso, salientam a importância de comunicação transparente e investigação adaptada às necessidades locais, de forma a garantir que estas tecnologias contribuam para sistemas agrícolas mais resilientes e sustentáveis.
Leia o estudo em Biology and Life Sciences Forum.
Fonte: Centro de informação de biotecnologia
Sementes de oliveira foram depositadas este ano pela primeira vez no Banco Mundial de Sementes de Svalbard, no Ártico, conhecido como “o bunker do fim do mundo”, anunciou o Conselho Oleícola Internacional (COI), organismo intergovernamental com sede em Madrid.
Este é o maior banco mundial de sementes e é conhecido como “bunker do fim do mundo” ou “arca de Noé das sementes”, por armazenar sementes de milhares de espécies agrícolas, essenciais na alimentação da Humanidade, e ter capacidade para resistir a catástrofes como terramotos, bombas, erupções vulcânicas ou outras.
As sementes de oliveira, transportadas desde Espanha, foram entregues no final de fevereiro ao Banco Mundial de Sementes de Svalbard, um arquipélago da Noruega localizado no Ártico, para passarem a integrar “o maior sistema mundial de conservação de recursos fitogénicos”, revelou o Comité Oleícola Internacional (COI).
“Trata-se de um avanço importante na proteção do património genético mundial da oliveira porque esta espécie emblemática da bacia mediterrânica, que já se cultiva nos cinco continentes, não é alheia aos grandes desafios globais como as alterações climáticas, a perda de biodiversidade ou a aparição de novas pragas e doenças”, disse o diretor executivo do COI, Jaime Lillo, citado num comunicado.
Em declarações recentes à agência Lusa, Jaime Lillo considerou que a diversidade genética que há hoje da oliveira é um “verdadeiro tesouro”, fruto de um cultivo milenar que foi selecionando e preservando as melhores qualidades para produção de azeite e azeitonas, assim como as variedades que melhor se adaptavam a solos e climas.
“Preservar a oliveira significa salvaguardar uma cultura milenar de enorme valor ambiental, capaz de atuar como sorvedouro de carbono, e garantir a produção do óleo [alimentar] mais saudável do mundo, essencial para alimentar de forma saudável e sustentável uma população global em constante crescimento”, acrescentou.
Segundo dados do COI, a cultura da oliveira ocupa atualmente cerca de 11 milhões hectares em todo o mundo, a maioria na zona do Mediterrâneo.
Espanha é o maior produtor de azeite do mundo – 1.419.000 toneladas na campanha de 2024/2025, o equivalente a cerca de 40% da produção mundial. A produção no conjunto dos países europeus alcançou 2.110.000 toneladas na mesma campanha, com 177.000 toneladas a corresponderem a Portugal, segundo os mesmos dados do COI, ainda provisórios.
O impacto das alterações climáticas e a forma como o clima, apesar dos avanços tecnológicos, continua a determinar a produção de azeite ficou bem patente nas últimas campanhas de produção, como realçou Jaime Lillo nas declarações à Lusa.
Por causa da seca e golpes de calor que atingiram a Península Ibérica, houve pela primeira vez desde que existem estatísticas, duas campanhas consecutivas historicamente baixas de produção de azeite, em 2022/2023 (2.760.000 toneladas) e 2023/2024 (2.589.000 toneladas), a que se seguiu, com o regresso da chuva a níveis normais, a maior produção de sempre, em 2024/2025 (3.572.000 toneladas).
A estimativa para a campanha de 2025/2026 é que a produção global atinja 3.440.000 toneladas de azeite.
As oscilações na produção tiveram impacto direto e imediato nos preços do azeite, com subidas históricas, a que se somou o aumento mundial da procura, após a pandemia da covid-19, num fenómeno associado a preocupações com a alimentação mais saudável, segundo o COI.
Depositar sementes em Svalbard, “funciona como uma espécie de seguro genético global” porque possibilita “armazenamento seguro e a longo prazo de duplicações de sementes conservadas em bancos de germoplasma de todo o mundo, com o objetivo de salvaguardar a biodiversidade das culturas face a ameaças como desastres naturais, conflitos, falhas nos bancos genéticos ou efeitos das alterações climáticas”, realçou o COI, numa informação enviada à Lusa.
As sementes de oliveira levadas para o “bunker do fim do mundo” são duplicações de sementes do Banco de Germoplasma de Oliveira da Universidade de Córdova (no sul de Espanha) e outras de exemplares silvestres de oliveira recolhidas pela Universidade de Granada (também no sul de Espanha) na Península Ibérica e nas ilhas Canárias.
No banco da Universidade de Córdova há sementes de mais de 700 variedades de oliveira, com origem em diversos países, incluindo Portugal.
“A diversidade genética é o que garante a continuidade de qualquer cultura. Sem variedade genética não é possível desenvolver novas variedades capazes de se adaptarem aos desafios atuais” e por isso é fundamental conservar os exemplares silvestres da oliveira, que frequentemente “albergam genes de resistência a doenças e a stresses abióticos, como a seca ou as altas temperaturas, e que estão pouco representados no material atualmente cultivado”, explicou a professora da Universidade de Córdova Concepción Muñoz, citada no comunicado do COI.
Depois de um processo de preparação técnica, seguiu-se o transporte e entrega no Banco Mundial de Sementes, seguindo normas internacionais aplicadas e exigidas pelo banco de Svalbard.
Este depósito, que o COI define como “um marco histórico para a conservação da diversidade genética da oliveira”, envolveu várias entidades, entre elas, O Comité Oleícola Internacional, a agência das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), o Ministério da Agricultura de Espanha e as universidades de Granada e Córdova, entre outras entidades.
O COI é uma organização intergovernamental criada sob a égide das Nações Unidas em 1959 que integra 46 países, incluindo os 27 da União Europeia. Estes 46 países representam 95% da origem da produção de azeite no mundo.
Fonte: Agroportal
Um estudo da Universidade de Aveiro (UA) chama a atenção para os impactos ambientais dos metais do grupo da platina — platina (Pt), paládio (Pd) e ródio (Rh)
Trata-se de metais usados em catalisadores automóveis, processos industriais e aplicações médicas, sendo libertados de forma contínua para o ambiente.
Apesar da sua crescente presença, os efeitos biológicos destes metais, sobretudo quando ocorrem em mistura, permanecem pouco estudados. Para colmatar esta lacuna, investigadores dos Departamentos de Biologia e Química da UA, em colaboração com o CESAM e o LAQV-REQUIMTE, avaliaram os efeitos isolados e combinados de Pt, Pd e Rh no na espécie de mexilhão Mytilus galloprovincialis, uma espécie sentinela amplamente utilizada na monitorização ambiental.
Durante 28 dias, os mexilhões foram expostos a concentrações ambientalmente relevantes de cada metal individualmente, bem como a misturas binárias e ternárias. Foram analisados múltiplos biomarcadores associados ao metabolismo energético, às defesas antioxidantes, aos mecanismos de detoxificação e aos danos celulares, permitindo uma avaliação mecanística detalhada das respostas biológicas.
Os resultados do estudo assinado por Gabriela Praça, Marta Cunha, Mariana Rodrigues, Carla leite, Amadeu Soares, Eduarda Pereira e Rosa Freitas revelaram respostas distintas e dependentes do metal e da concentração, esclarece a Universidade de Aveiro em comunicado. A platina, sobretudo a baixas concentrações, estimulou o metabolismo energético e ativou mecanismos antioxidantes e de detoxificação. O paládio, em concentrações mais elevadas, comprometeu as reservas energéticas e a eficiência metabólica. Já o ródio destacou-se pela sua capacidade de induzir danos oxidativos significativos em lípidos e proteínas.
Quando os metais ocorreram em mistura, os efeitos tornaram-se mais complexos e não lineares. As combinações Pt+Pd e Pt+Rh foram dominadas por respostas sinérgicas, especialmente ao nível do metabolismo e da detoxificação celular. A mistura Pd+Rh apresentou maioritariamente efeitos aditivos. A exposição simultânea aos três metais (Pt+Pd+Rh) revelou um perfil distinto, com respostas maioritariamente aditivas e antagonismos específicos em biomarcadores antioxidantes e de oxidação proteica.
O comunicado frisa também que os resultados reforçam a necessidade de considerar misturas de contaminantes e exposições crónicas de baixo nível na avaliação de riscos ambientais, sublinhando a crescente preocupação com o impacto ecológico destes metais nos ecossistemas costeiros.
Fonte:TecnoAlimentar
Em 2025, 78 startups pioneiras competiram no cenário global para apresentar o futuro da tecnologia alimentar. Suas inovações destacam as forças que estão a remodelar a forma como produzimos, processamos e consumimos alimentos; e apontam para onde surgirão os próximos grandes avanços. Aqui estão as três principais tendências que impulsionam essa mudança.
O renascimento da fermentação está a todo vapor. Da fermentação de precisão que aumenta o rendimento à fermentação de biomassa que cria proteínas com rótulo limpo, essa tecnologia está a impulsionar tudo, desde frutos do mar alternativos até fibras funcionais.
Juntamente com a fermentação, a IA está a tornar-se um facilitador essencial, está a acelerar a descoberta de ingredientes, otimizando a reciclagem e personalizando a nutrição em larga escala. A circularidade continua sendo outro tema definidor, à medida que as empresas trabalham para valorizar fluxos de resíduos, reciclar subprodutos agrícolas e projetar processos com zero desperdício para atender tanto às metas ESG quanto às expectativas do consumidor.
Finalmente, a funcionalidade. Os ingredientes deixaram de ser passivos e tornaram-se bioativos, benéficos para o intestino e formulados especificamente para promover a saúde, sinalizando uma verdadeira mudança de "alimento como combustível" para "alimento como remédio".
Da região Ásia-Pacífico à EMEA e às Américas, o Global Food Tech Awards 2025 demonstra que existem pontos fortes e focos claros quando se trata de ênfase regional.
A região EMEA, por exemplo, está comprometida com soluções sustentáveis e de rótulo limpo. De proteínas de alimentos integrais a chocolate sem cacau, a região está na vanguarda da transparência e da preparação regulatória, o que é fundamental para conquistar a confiança do consumidor em mercados maduros.
Mas existe um fio condutor que une todas as regiões: a busca pela sustentabilidade aliada ao sabor e à funcionalidade sem concessões. As empresas globais de tecnologia alimentar não estão apenas a criar alternativas, mas estão também a construir cadeias de suprimentos resilientes, reduzindo a pegada de carbono e redefinindo as expectativas do consumidor.
O resultado? Um sistema alimentar que está se tornando mais inteligente, mais limpo e mais inclusivo. Aqui, inovação não é apenas uma palavra da moda, mas um plano para alimentar 10 bilhões de pessoas sem esgotar o planeta.
Então, quem são esses heróis inteligentes e inovadores da gastronomia e das bebidas? Conheça a ideia portuguesa.
A Nutrition from Water (NXW) proveniente de Faro, Portugal, é pioneira em nutrição natural para performance, proveniente de águas cristalinas, incluindo lagos, oceanos e geiseres termais. Sua principal inovação, o Marine Whey, oferece proteína completa e sustentável derivada de microalgas, projetada para ser incorporada facilmente em alimentos e produtos de performance, como smoothies, barras e alternativas lácteas. Com um impacto ambiental 91% menor do que o da indústria de laticínios e até 95% menor quando se utilizam matérias-primas circulares, a NXW oferece uma solução escalável para os desafios globais de desnutrição e segurança alimentar. Apoiada por acordos de parceria com grandes empresas do setor de nutrição e por distribuidores globais, a NXW está a caminho de se tornar a primeira empresa a escalar a produção de proteína de microalgas para milhares de toneladas em todo o mundo.
Conheça as outras novidades aqui.
Fonte: Food Navigator
O projeto europeu Redysign está a investigar novas soluções para melhorar a sustentabilidade das embalagens alimentares, através do desenvolvimento de materiais recicláveis, adesivos e revestimentos de base biológica, bem como de tecnologias de identificação que facilitem a reciclagem. Estas inovações visam reduzir a dependência de plásticos de origem fóssil e promover sistemas de embalagem mais circulares, em particular em aplicações exigentes como a embalagem de carne fresca.
A sustentabilidade das embalagens tornou-se um dos principais desafios para a indústria alimentar. A necessidade de reduzir o uso de plásticos derivados do petróleo, melhorar a reciclabilidade e, simultaneamente, garantir a segurança e a conservação dos alimentos está a impulsionar novas linhas de investigação em toda a Europa.
É neste contexto que surge o projeto europeu Redysign, uma iniciativa financiada pelo programa Horizon Europe que reúne centros de investigação, universidades e empresas com o objetivo de redesenhar os sistemas de embalagem alimentar numa perspetiva de economia circular.
O projeto é coordenado pelo VTT Technical Research Centre of Finland e conta com a participação de centros tecnológicos e de investigação como a Tecnalia, os RISE Research Institutes of Sweden e o Fraunhofer Institute for Process Engineering and Packaging IVV, bem como de universidades como a Lund University e a Aalto University.
O consórcio integra ainda empresas e organizações de diferentes pontos da cadeia de valor da embalagem e da alimentação, entre as quais a PackBenefit SL, a MetGen Oy, a McAirlaid’s, a Holoss – Holistic and Ontological Solutions for Sustainability, a Fábrica Nacional de Moneda y Timbre – Real Casa de la Moneda, a Fenix TNT e a Zabala Innovation, bem como operadores do setor alimentar e da distribuição, como a Atria e a Eroski.
Em conjunto, os parceiros desenvolvem novos materiais e tecnologias que permitam criar embalagens recicláveis desde a conceção, assegurando simultaneamente as características exigidas por aplicações como o acondicionamento de carne fresca.
Adesivos de base biológica para embalagens fibrosas
Uma das linhas de investigação centra-se no desenvolvimento de adesivos de base biológica para sistemas de embalagem à base de fibras.
Os adesivos habitualmente utilizados em embalagens alimentares têm, em grande parte, origem fóssil. Apesar do seu bom desempenho técnico, levantam desafios ambientais relacionados com a pegada de carbono e a dependência de recursos não renováveis.
Para responder a este desafio, investigadores do VTT estão a desenvolver adesivos a partir de matérias-primas de origem biológica. Mais concretamente, a equipa desenvolveu formulações à base de açúcares derivados da madeira, nomeadamente xilose e glicose. Estas formulações utilizam ácido cítrico como agente de reticulação e evitam o recurso a catalisadores adicionais, com o objetivo de minimizar a presença de substâncias potencialmente problemáticas em materiais destinados ao contacto com alimentos.
Os adesivos foram avaliados através de vários ensaios laboratoriais, com o objetivo de analisar a resistência da selagem e o comportamento face à humidade em diferentes materiais, como cartão ou estruturas combinadas de cartão e película. Os resultados indicam que algumas das formulações apresentam um desempenho promissor para aplicações em embalagens alimentares.
Revestimentos de barreira de base biológica para embalagens de carne fresca
Outra linha de investigação centra-se no desenvolvimento de revestimentos de barreira de base biológica aplicáveis a embalagens fibrosas destinadas ao acondicionamento de alimentos.
No caso da carne fresca, as embalagens devem assegurar proteção contra o oxigénio, a humidade e a gordura, de forma a preservar a qualidade do produto durante o seu prazo de validade. Estas propriedades são geralmente obtidas através de estruturas multicamada que combinam cartão com camadas plásticas, o que dificulta a reciclagem.
Para ultrapassar este desafio, o projeto Redysign está a desenvolver revestimentos à base de biopolímeros que podem ser aplicados sobre suportes de cartão através de diferentes técnicas. O objetivo é melhorar as propriedades de barreira do material fibroso sem comprometer a sua reciclabilidade.
As primeiras avaliações experimentais incidem sobre a resistência destes revestimentos à humidade e às gorduras, dois fatores críticos em aplicações como a embalagem de carne fresca. O desenvolvimento destas soluções poderá viabilizar embalagens à base de fibras com características funcionais comparáveis às dos materiais multicamada convencionais, mas com menor dependência de plásticos de origem fóssil.
Identificação inteligente para melhorar a triagem de embalagens
Para além do desenvolvimento de novos materiais, o projeto Redysign investiga também soluções para melhorar a gestão das embalagens no final do seu ciclo de vida.
Um dos principais desafios na reciclagem de embalagens fibrosas provenientes do setor alimentar é a presença de resíduos de alimentos, gorduras ou outros contaminantes, que dificultam a sua correta triagem nas instalações de tratamento.
Para responder a este problema, os investigadores estão a desenvolver sistemas de identificação baseados em marcadores específicos integrados nos diferentes componentes da embalagem, como a bandeja, o material absorvente ou a película de selagem. Esta abordagem permite melhorar a rastreabilidade e facilitar a identificação nos processos de triagem automática.
No âmbito do projeto, foram desenvolvidos sistemas de deteção que combinam tecnologias espectroscópicas e de visão artificial, como Raman, NIR e análise de imagem RGB. Estas ferramentas permitem detetar tanto os marcadores incorporados na embalagem como a presença de contaminantes orgânicos – como sangue, óleos ou gorduras – em resíduos provenientes do acondicionamento de carne.
Um dos avanços mais relevantes foi o desenvolvimento de um marcador Raman pela Fábrica Nacional de Moneda y Timbre – Real Casa de la Moneda, posteriormente integrado em tabuleiros termoformados fabricados pela PackBenefit. Os ensaios realizados pela Tecnalia, tanto em condições estáticas como dinâmicas, demonstraram a capacidade destes sistemas para detetar os marcadores em ambiente industrial, confirmando o seu potencial para melhorar a triagem e a reciclagem de embalagens fibrosas.
A combinação de sensores espectroscópicos com sistemas de visão artificial permitiu ainda desenvolver modelos preditivos capazes de correlacionar informação visual com a composição química dos materiais, o que poderá melhorar a identificação de superfícies contaminadas e aumentar a precisão dos processos de triagem.
Fonte: iAlimentar
Num momento em que o planeta enfrenta níveis históricos de produção de lixo, o Dia Internacional do Resíduo Zero, celebrado a 30 de março, ganha força como um dos movimentos ambientais mais inspiradores do ano. De Lisboa a Porto, passando por pequenas comunidades rurais, multiplicam‑se iniciativas que mostram que reduzir, reutilizar e repensar o consumo já não é apenas uma tendência — é uma urgência global.
Ao longo do dia, escolas, empresas e autarquias promoveram ações de sensibilização, oficinas de compostagem, trocas de roupa e até “desafios do frasco”, onde participantes tentam condensar uma semana inteira de resíduos num único recipiente. A adesão surpreendeu até os organizadores, que destacam o crescente interesse dos portugueses por práticas sustentáveis.
“Não se trata de perfeição, mas de progresso”, afirmou uma das coordenadoras do movimento, sublinhando que pequenas mudanças individuais podem gerar impactos coletivos significativos.
Especialistas lembram que o conceito de resíduo zero não significa produzir absolutamente nenhum lixo, mas sim minimizar ao máximo o desperdício, privilegiando escolhas conscientes — desde evitar embalagens descartáveis até optar por produtos duráveis e reparáveis.
Com a pressão ambiental a aumentar e a economia circular a ganhar terreno, o Dia Internacional do Resíduo Zero surge como um lembrete poderoso: cada gesto conta. E, pelo que se viu hoje, os portugueses estão prontos para fazer a diferença.
Fonte: Qualfood
O projeto europeu BioSupPack, coordenado pela Aimplas (Associação Espanhola de Investigação em Plásticos), concluiu com sucesso o desenvolvimento de materiais bioplásticos de alta performance a partir de bagaço de cerveja, abrindo caminho para embalagens mais sustentáveis e circulares.
Ao longo de cinco anos, o consórcio validou seis inovações-chave que permitem substituir plásticos fósseis por alternativas de base biológica, apoiando o cumprimento do Regulamento Europeu de Embalagens e Resíduos de Embalagem (PPWR).
A iniciativa envolveu 18 parceiros e contou com financiamento de 7,6 milhões de euros da União Europeia, no âmbito do programa Horizonte 2020.
Segundo Rosa González Leyba, coordenadora do projeto na Aimplas: “Demonstrámos que é possível criar uma verdadeira economia circular, transformando bagaço de cerveja em materiais de embalagem valiosos e recicláveis, incluindo através de tecnologias inovadoras como a reciclagem enzimática. Obtivemos protótipos de embalagens rígidas para alimentos e outros setores, muito próximos dos equivalentes atualmente no mercado.”
Entre as seis inovações validadas destacam-se processos de produção de PHB a partir de bagaço de cerveja, formulações PHA para revestimentos biodegradáveis, embalagens compostáveis à base de fibras, e materiais para embalagens rígidas recicláveis mecanicamente e enzimaticamente. O consórcio desenvolveu ainda protótipos de garrafas e expositores, bem como sistemas de triagem de resíduos adaptados a estas novas embalagens.
Estas soluções permitem que produtores de biopolímeros, biorefineries, fabricantes de embalagens e marcas de alimentos, cosméticos e bens de consumo incorporem tecnologias circulares e biobaseadas nas suas cadeias de produção, respondendo às exigências de sustentabilidade e reciclabilidade previstas para 2030.
O BioSupPack fornece ainda evidência prática para políticas europeias como o Pacto Ecológico Europeu e a Estratégia da Bioeconomia da UE, reforçando a resiliência industrial, a autonomia de recursos e os objetivos climáticos, ao mesmo tempo que cria novas cadeias de valor na bioeconomia circular.
Fonte: iAlimentar
As leguminosas estão a recuperar um lugar de destaque nas paisagens agrícolas portuguesas, afirmando-se como culturas estratégicas num momento em que a sustentabilidade, a resiliência e a dieta mediterrânica ganham renovada importância. Grão-de-bico, feijão-frade, tremoço, fava e outras espécies voltam a ser valorizadas tanto pela sua versatilidade agronómica como pelo seu contributo nutricional e ambiental.
Investigadores do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV) — Elsa M. Gonçalves, Graça Pereira, Isabel Duarte, Ana Barata, Madalena Vaz e Carlos Gonçalves — têm vindo a destacar o papel central destas culturas na transição para sistemas agrícolas mais equilibrados e adaptados às alterações climáticas.
O regresso à dieta mediterrânica
Num país onde a dieta mediterrânica é património cultural e nutricional, as leguminosas representam um elo entre tradição e inovação. Ricas em proteína vegetal, fibras e micronutrientes, são cada vez mais procuradas por consumidores atentos à saúde e ao impacto ambiental das suas escolhas alimentares.
O aumento da procura interna e externa tem impulsionado agricultores e cooperativas a recuperar variedades tradicionais e a investir em novas técnicas de produção, mais eficientes e adaptadas às condições edafoclimáticas portuguesas.
Sustentabilidade no centro da estratégia
As leguminosas desempenham um papel essencial na sustentabilidade dos solos. A sua capacidade de fixar azoto atmosférico reduz a necessidade de fertilizantes sintéticos, contribuindo para a diminuição de emissões e para a melhoria da fertilidade natural. Além disso:
Para os investigadores do INIAV, estas características tornam as leguminosas uma peça-chave na adaptação da agricultura portuguesa às exigências ambientais e económicas do futuro.
Uma oportunidade económica em expansão
A valorização das leguminosas não se limita ao campo. A indústria alimentar tem vindo a desenvolver novos produtos — farinhas, bebidas vegetais, snacks, massas — que respondem às tendências de consumo e criam novas oportunidades de mercado.
Com o apoio de programas europeus e nacionais, vários produtores estão a apostar na certificação, na diferenciação e na exportação, reforçando a competitividade do setor.
Investigação que liga passado e futuro
O trabalho do INIAV tem sido determinante na preservação de recursos genéticos, na caracterização de variedades tradicionais e no desenvolvimento de soluções inovadoras para melhorar a produtividade e a qualidade das culturas. Esta investigação permite:
Fonte: Qualfood
Entre custos energéticos imprevisíveis, solos degradados e uma gestão hídrica fragmentada, o setor agrícola enfrenta um conjunto de pressões que afetam diretamente a rentabilidade e a capacidade de investimento das explorações. Na segunda parte do 2.º Fórum Agricultura Sustentável ficou evidente que a competitividade futura dependerá da capacidade de reduzir dependências externas e de reorganizar a governação dos recursos essenciais.
Na sua apresentação, onde partilhou a experiência e a estratégia operacional da Quinta da Cholda, João Coimbra demonstrou que a pressão económica não é conjuntural, mas estrutural. O CEO descreveu um modelo que “está a estrangular os agricultores”, sobretudo devido ao peso da energia nos custos de produção. “Quanto mais cara for a energia, cada vez mais alto é o dever do gestor”, afirmou, sublinhando que a volatilidade energética se tornou um risco sistémico para a agricultura intensiva. A resposta da exploração que dirige tem sido uma transição profunda para práticas regenerativas, não apenas por razões ambientais, mas por racionalidade económica. João Coimbra explicou que 95% do que está num bago de milho “é grátis”, porque resulta de carbono captado da atmosfera. “O que está dentro de um bago de milho é carbono. A indústria paga-me para o absorver”, disse.
A estratégia da Quinta da Cholda assenta na redução drástica de mobilizações, para cortar consumo energético, e na substituição progressiva de fertilização química por processos biológicos. “Evitar a todo o custo as máquinas pesadas” tornou-se uma regra, porque a mobilização profunda destrói biologia, aumenta compactação e consome combustível. A exploração está a ativar a biologia existente no solo, recorrendo a culturas de cobertura, raízes profundas e bio-inoculantes produzidos internamente. Como explicou João Coimbra, “os nossos solos estão encharcados naquilo que os nossos pais e avós aplicaram durante 50 ou 70 anos”, e a prioridade é libertar nutrientes já presentes, reduzindo compras externas. O agricultor defende ainda que, ao aprofundar a camada fértil através das raízes, pode “dobrar a exploração sem comprar um hectare de terra” aumentando o volume de solo útil disponível.
Os resultados começam a ser visíveis. Apesar de uma quebra de produção de 5%, a margem subiu mais de 20%. Mas, alertou, o maior obstáculo é cultural. “O agricultor não foi formado para isto… é quase uma revolução”, reconheceu, apontando para a necessidade de literacia técnica e investigação aplicada para acelerar a transição.
Ribatejo pode ser ainda mais exportador
Se o solo foi tema da primeira apresentação depois do intervalo, a água dominou o último painel de debate. “O Ribatejo no rumo da sustentabilidade: desafios e oportunidades do regadio e da diversificação regional” foi o tema que encerrou este fórum. Segundo os participantes, a região enfrenta simultaneamente secas prolongadas e episódios de cheias que, defendem, poderiam ser mitigados “com uma boa governação”.
Gonçalo Morais Tristão lembrou que “usamos apenas 20% dos recursos hídricos. Por isso, temos de participar ativamente na gestão da água”, defendendo que o setor agrícola deve ter um papel mais direto nas decisões estratégicas. A crítica mais forte recaiu sobre a falta de articulação entre entidades públicas. Segundo o diretor da FENAREG (Federação Nacional de Regantes de Portugal) e presidente do COTR (Centro Operativo e de Tecnologia do Regadio), a resposta às cheias recentes mostrou um desequilíbrio evidente. “Há um desequilíbrio entre áreas do Estado que se deviam complementar.” Enquanto algumas entidades ambientais têm meios e autonomia, estruturas ligadas à agricultura “não têm capacidade para intervir em situações excecionais”.
O painel abordou ainda a necessidade de reforçar o regadio e de considerar interligações entre bacias. Gonçalo Morais Tristão lamentou que a estratégia nacional não seja “mais ambiciosa”, incluindo cenários de transvases que ficaram, há décadas, por explorar. Luís Seabra, da Associação de Agricultores do Ribatejo, reforçou que 2026 “é um ano de partida” para uma mudança estrutural na forma como o país gere fenómenos extremos, defendendo que “temos de inverter completamente a forma como reagimos”.
Para o dirigente, o Ribatejo continua a ser um território “muito rico e com muito potencial”, mas que “está abandonado há décadas”, apesar de possuir recursos hídricos estratégicos. Luís Seabra insistiu que o próximo ano tem de marcar um verdadeiro arranque nesta mudança, mas avisou que isso não acontecerá “com falinhas mansas”, sublinhando que qualquer transformação só será possível “com o associativismo dos agricultores”, que considera essencial para garantir escala, influência e capacidade de execução num território que, apesar do abandono, continua a ser decisivo para a produção nacional.
No mesmo painel, Paulo Carvalho, CEO da Vivid Farms, trouxe à conversa a dimensão económica e sanitária da agricultura regenerativa, sublinhando que o setor não pode ser visto apenas pela lente ambiental. Sublinhando o facto de que a empresa que fundou coloca “cinco milhões de refeições por mês na mesa dos portugueses”, destacou que a agricultura biológica, biodinâmica e regenerativa tem hoje um impacto direto na saúde pública. “Temos de tratar a nossa saúde com os alimentos que comemos”, afirmou, defendendo que a política agrícola deve ser encarada como política de saúde. Em jeito de brincadeira, Paulo Carvalho sugeriu uma mudança estrutural na governação. “O Ministério da Saúde devia começar no Ministério da Agricultura”. Para o responsável, o projeto da Vivid Farms, com apenas três anos, demonstra que a regeneração do solo pode ser simultaneamente um modelo de negócio competitivo e um instrumento de redução de custos futuros no sistema de saúde.
Fonte: Eco
As autoridades europeias de segurança alimentar abriram uma investigação após o Sistema de Alerta Rápido para Géneros Alimentícios e Alimentos para Animais (RASFF) registar uma notificação por incompatibilidade de marca de identificação num lote de Oncorhynchus keta (salmão‑keta) importado para o mercado europeu. A incongruência foi detetada durante controlos oficiais de rotina, quando o número de identificação presente na rotulagem não correspondia ao declarado na documentação de origem.
O que motivou o alerta
Sobre a espécie envolvida
O Oncorhynchus keta é um salmão do Pacífico conhecido por nomes como salmão‑cão ou keta. É capturado em regiões que vão da Coreia e Japão até ao Alasca e Califórnia, sendo comum no comércio europeu sob várias designações nacionais.
Medidas em curso
Impacto no mercado
Embora não haja, até ao momento, indicação de risco sanitário direto, a ocorrência reacende o debate sobre a importância da rastreabilidade rigorosa em produtos da pesca — especialmente numa espécie amplamente comercializada e com múltiplas designações comerciais na UE.
Fonte: Qualfood
Subscreva a Base de dados Qualfood Negócios!