Os caranguejos-violinistas da espécie Minuca vocator aspiram partículas microscópicas de plástico nos sedimentos das florestas de mangue e dos pântanos salgados onde vivem e conseguem decompô-las.
A descoberta foi feita por um grupo de cientistas da Colômbia e do Reino Unido que estudou uma população colombiana desses caranguejos. Num artigo publicado na revista ‘Global Change Biology’ explicam que esses crustáceos mobilizam grandes quantidades de sedimentos quando se alimentam ou constroem os seus abrigos.
Graças a sistemas digestivos especializados, que contêm bactérias que degradam plástico, são capazes de decompor microplásticos em meros dias, muito mais rapidamente do que se essas partículas estivessem expostas à radiação solar ou à ação erosiva das ondas.
Contudo, apesar do serviço que prestam ao livrarem os ecossistemas de microplásticos, os investigadores dizem que os caranguejos podem sofrer consequências negativas. Ao decomporem os microplásticos, nanopartículas podem alojar-se nos tecidos dos seus corpos e, dessa forma, acabar por espalhar-se pela cadeia alimentar quando são consumidos por espécies predadoras.
“Sabemos que os caranguejos-violinistas consomem uma grande gama de alimentos e que ingerem plástico em contexto de laboratório. Mas até agora não sabíamos se eles evitavam o plástico em ambientes naturais ou se se adaptavam à sua presença”, refere, em comunicado, Tamara Galloway, coautora do artigo.
A investigação foi realizada nas florestas de mangue altamente poluídas de Turbo, na costa norte da Colômbia, onde anos de expansão urbana e agrícola degradaram o ecossistema, fazendo desse local um dos mais contaminados com plástico do mundo. No entanto, é também casa de populações de caranguejos-violinistas que prosperam, apesar das adversidades, o que levou os cientistas a quererem saber o que faz com que esses animais consigam tolerar níveis tão altos de plástico.
“Estes resultados enfatizam o facto de que as criaturas vivas não são apenas componentes passivas do ecossistema marinho, mas podem encontrar formas de lidar com pressões antropogénicas crónicas de acordo com as suas histórias evolutivas”, afirma Daniela Díaz, segunda autora do estudo.
Para a investigadora, o que este trabalho desvendou poderá “levar a um melhor entendimento sobre como os animais se adaptam à poluição” e sobre as dinâmicas do plástico no ambiente.
Fonte: GreenSavers
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), através da Unidade Regional do Sul, em colaboração com a Unidade Central de Investigação Criminal (UCIC) e com o Comando Local da Polícia Marítima de Lisboa, realizaram esta semana, uma ação de fiscalização conjunta, dirigida a um armazém clandestino.
Durante esta ação, foram apreendidas cerca de 2,5 toneladas de amêijoa japónica tendo sido ainda encerrada uma estrutura de apoio logístico, dedicada à comercialização ilícita de moluscos bivalves não depurados, onde se procedia à receção, preparação e acondicionamento de amêijoa japónica capturada ilegalmente no rio Tejo, com destino a mercados de exportação transfronteiriços, constituindo uma grave ameaça à saúde pública.
Foram instaurados 2 processos de contraordenação, por falta de licenciamento das instalações (Número de Controlo Veterinário), incumprimento das regras de rotulagem em géneros alimentícios e falta de documentação obrigatória – incluindo falta de licença de mariscador/apanhador, bem como identificados vários indivíduos com ligações a esta atividade ilegal. Foi recolhida diversa documentação e material associados à atividade ilegal e ainda selada uma câmara de frio, por constituir infração grave às normas de segurança alimentar e de conservação de produtos de origem animal.
Esta intervenção conjunta insere-se numa estratégia alargada de combate à apanha e comércio ilegal de recursos marinhos, com envolvimento de várias entidades de fiscalização e investigação criminal, tendo como principal objetivo desmantelar redes criminosas responsáveis pela recolha e escoamento sistemático de amêijoa japónica, frequentemente com destino ao mercado estrangeiro e à margem das condições sanitárias exigidas por lei.
Fonte: ASAE
Em um novo estudo publicado na revista Chemical Science , investigadores demonstraram o potencial de uma nova técnica de desfluorinação baseada em nanocristais de óxido de zinco (ZnO) para o ácido perfluorooctanossulfônico (PFOS), um tipo significativo de substância per e polifluoroalquilada (PFAS), que pode solucionar os desafios de reciclagem apresentados pelas PFAS.
Os PFAS, frequentemente chamados de "químicos eternos" devido à sua persistência no meio ambiente e no corpo humano, são utilizados em aplicações industriais e de bens de consumo, como panelas antiaderentes e embalagens de alimentos , por suas propriedades de resistência à água, gordura e calor. No entanto, esses produtos químicos têm sido alvo de crescente escrutínio à medida que surgem evidências sobre seus danos à saúde humana — como o aumento do risco de cancro, danos no fígado e coração, imunológicos e desenvolvimento em bebés e crianças — enquanto continuam a se acumular na água , no solo, nos alimentos, nos animais e nas pessoas.
As associações para a manutenção da agricultura de proximidade procuram criar um modelo sustentável de agricultura através da aproximação entre consumidores e produtores.
Muito antes de se falar em cadeias de distribuição e prateleiras de supermercado anónimas, a alimentação era um elo directo entre quem a produzia e quem a consumia. Foi para resgatar essa proximidade que surgem em Portugal projectos de agricultura sustentável onde produtores e consumidores — intitulados de “co-produtores” — partilham um compromisso a longo prazo.
Saiba mais aqui.
Fonte: Público
O sector lácteo europeu vive uma situação muito difícil na sequência de um conjunto de imprudências europeias em matéria de política comercial.
Com efeito, a recente negociação das tarifas comerciais com os EUA levou a uma forte redução das barreiras alfandegárias à entrada de produtos lácteos americanos no espaço europeu, situação que já se traduziu num aumento exponencial das importações destes produtos provenientes dos EUA. Acresce que os EUA apresentam custos de produção mais baixos comparados com os da UE, além de não estarem obrigados aos mesmos patamares de exigência em matéria de segurança alimentar.
A situação piorou significativamente no dia de hoje com o anúncio por parte da China de tarifas provisórias até 42,7% aos produtos lácteos importados da União Europeia, decisão que significa, na prática, um encerramento do mercado às exportações europeias e que resulta de represálias às tarifais europeias no sector automóvel.
Concretamente, importa rever os preços de intervenção da manteiga e do leite em pó cujos valores não são revistos desde 2009 e estão desfasados da realidade, assim como os valores dos apoios para ajuda à armazenagem privada. Caso nada seja realizado nas próximas semanas, 2026 poderá assistir a um agravamento sem precedentes da crise do sector lácteo europeu.
A passividade da UE pode ser fatal para a competitividade do sector lácteo a nível europeu e apenas uma atuação robusta pode evitar prejuízos significativos nos próximos meses.
Fonte: Agroportal
Empresas com históricos mais robustos ao nível ambiental, social e de governação (os indicadores ESG) têm melhores performances do que outras quando adotam padrões mais rigorosos de auditoria.
A conclusão é de um estudo publicado recentemente na revista ‘Managerial Auditing Journal’, da autoria de investigadores da Universidade de Nagoia (Japão) e da Universidade Pepperdine (Estados Unidos da América).
Com base na análise de cerca de mil empresas no Japão entre 2009 e 2023, a dupla de académicos percebeu que as empresas com compromissos mais fortes para com a sustentabilidade e mais investidas na transparência das suas auditorias gozam de uma maior credibilidade e de uma melhor reputação que os mercados reconhecem e premeiam.
Embora reconheçam que possa haver custos acrescidos com auditorias mais minuciosas e rigorosas, os autores dizem que, no final de contas, acabará por beneficiar as empresas, por mostrar que a sua retórica se traduz e ações e mudanças concretas ao nível da forma como operam. Além disso, mostram aos investidores, de forma mais clara e suportada por auditorias mais exigentes, que vale a pena investir nelas.
“Quando as empresas com verdadeiras práticas de sustentabilidade investem fortemente em auditorias transparentes, os investidores interpretam isso como um sinal credível de força da organização”, diz, em comunicado, Hu Dan Semba, coautora do estudo.
Fonte: Greensavers
Mais do que uma simples atualização legislativa, o pacote OMNIBUS sobre Segurança Alimentar e Alimentos para Animais da Comissão Europeia é visto pela CropLife Europe como uma “oportunidade para modernizar” o acesso dos agricultores europeus à inovação, sem comprometer os padrões de proteção dos consumidores e do ambiente, posição que conta com o apoio da CropLife Portugal.
De acordo com o comunicado de imprensa, nos últimos seis anos, mais de oitenta substâncias ativas, incluindo biopesticidas, deixaram de estar disponíveis para os agricultores, sem que tenha sido aprovada qualquer nova alternativa. Segundo a CropLife, quando a inovação avança mais depressa do que a regulamentação, o resultado é claro: os agricultores perdem tempo, produtividade e margem, e a União Europeia (UE) perde competitividade.
É neste contexto que o pacote OMNIBUS surge como “um passo inicial importante” para desbloquear problemas há muito identificados no sistema, salientou a CropLife, sublinhando que a aposta na simplificação, com processos de aprovação e renovação mais proporcionais, e a criação de um enquadramento mais claro para o controlo biológico são medidas positivas, necessárias e com impacto no futuro do setor.
Para João Cardoso, Diretor Executivo da CropLife Portugal, representa “um passo importante para uma implementação mais pragmática e objetiva dos regulamentos europeus, permitindo que a inovação científica em proteção das plantas chegue ao terreno com maior agilidade, sem comprometer os elevados níveis de segurança”.
Segundo a nota de imprensa, trata-se igualmente de uma oportunidade para trocar burocracia desnecessária por processos modernos, baseados na ciência, que mantêm elevados padrões de segurança e colocam, mais rapidamente, inovações comprovadas ao serviço dos agricultores.
“Esperar mais com menos ferramentas não funciona para os agricultores”, afirmou Olivier de Matos, Diretor-Geral da CropLife Europe, acrescentando ainda que “o OMNIBUS ajuda a modernizar as regras da UE para que soluções inovadoras, baseadas na ciência, cheguem mais rapidamente aos campos, mantendo elevados padrões de segurança”.
Fonte: Agroportal
Nos dias 10 e 11 de dezembro de 2025, o Instituto Tecnológico dos Plásticos (Aimplas) reuniu, em Valência, mais de uma centena de profissionais nacionais e internacionais da área da reciclagem de plásticos, no âmbito da terceira edição do Seminário Internacional de Reciclagem de Plásticos — Plasrec. Este fórum especializado contou com mais de 20 apresentações técnicas, que abordaram os desafios regulamentares, económicos e tecnológicos que influenciam a competitividade da indústria europeia da reciclagem, num contexto marcado pela transição para a economia circular e pela crescente pressão regulamentar da União Europeia.
Reciclagem de plásticos, uma questão estratégica para a Europa
Molina também destacou que a entrada progressiva em vigor da Lei de Aceleração da Descarbonização Industrial e da nova Lei da Economia Circular marcará um ponto de viragem para a indústria, com novos requisitos de rastreabilidade, triagem e qualidade do material reciclado. “A Europa decidiu reter, transformar e recuperar os seus próprios resíduos. Uma mudança que em breve será tangível para a indústria”, afirmou.
Tsunami regulamentar e perda de competitividade
Óscar Hernández, CEO da Anarpla, sublinhou que o setor da reciclagem enfrenta um verdadeiro ‘tsunami regulamentar’, agravado pela falta de controlo das importações de reciclados de baixo custo e pela concorrência do plástico virgem. Embora a capacidade de reciclagem na Europa tenha atingido 13 milhões de toneladas, Hernández advertiu que os objetivos para 2030 estão em risco devido à estagnação e ao encerramento de fábricas na UE. Para inverter esta situação, defendeu a necessidade de restabelecer condições de concorrência equitativas e de reduzir os custos energéticos que penalizam o setor.
Cristina Galán, representante da Anaip, explicou em seguida que os próximos anos serão decisivos para a transformação da conceção ecológica das embalagens na Europa. Galán explicou que a entrada em vigor do Regulamento Europeu sobre Embalagens e Resíduos de Embalagens (PPWR), obrigará a que todas as embalagens sejam recicláveis ao abrigo de um quadro metodológico harmonizado que garanta a sua segurança, sustentabilidade e qualidade do material reciclado.
A Comissão Europeia tenciona adotar atos de execução que definam o cálculo e a verificação do conteúdo reciclado, bem como adotar um rótulo harmonizado, também em formato digital, e um método oficial baseado em tecnologias de marcação para identificar a composição das embalagens, incluindo os materiais compósitos. A partir de 12 de agosto de 2026, deixará de ser possível comercializar embalagens em contacto com os alimentos que contenham PFASs acima dos limites estabelecidos pelo regulamento.
Galán salientou também que será atingido um novo marco em 2028, quando todas as embalagens sujeitas a conteúdo reciclado tiverem de indicar a sua percentagem de material reciclado ou de base biológica de acordo com as especificações oficiais. “O design para reciclagem deixará de ser uma recomendação e passará a ser um requisito legal”, afirmou.
Impacto industrial do novo quadro regulamentar
A complexidade do contexto industrial refletiu-se na intervenção de Irene Mora, representante da Plastics Europe, que analisou a deterioração da competitividade do setor na Europa. Mora explicou que a produção europeia de plásticos caiu 12,4% desde 2018, que quase 3.000 empresas fecharam desde 2022 e que cerca de 35.000 empregos foram perdidos nesse período.
Este declínio, associado ao crescimento acelerado em regiões como a China, coloca a Europa num momento crítico, precisamente quando o novo quadro regulamentar entra em vigor. Irene Mora sublinhou que a aplicação do PPWR em 2026 exigirá uma maior disponibilidade de material reciclado, sistemas de recolha e triagem mais eficientes e uma maior rastreabilidade em todos os fluxos. “A indústria precisa de segurança jurídica e de condições equitativas para competir. Sem isso, será difícil cumprir os objetivos de circularidade para 2030 e 2050”.
Tecnologias de recolha, triagem e valorização
Daniel Carrero, em representação da Picvisa, apresentou um sistema de trituração, separação e triagem de plásticos de solas de sapatos utilizando visão artificial, capaz de gerar um material recuperado denominado ‘Ecoflake’. Como explicou, “a visão artificial permite recuperar materiais que antes se perdiam sistematicamente. Representa um salto de eficiência na classificação antes da reciclagem”, sublinhando o papel estratégico destas tecnologias face aos requisitos de qualidade mais elevados exigidos pela regulamentação europeia.
Marc Puyuelo, da Coleo, abordou o desafio colocado pelas fibras sintéticas no setor têxtil e o seu potencial para uma reciclagem verdadeiramente circular, enquanto Albert Sabala, da Hera Holding, analisou a evolução do setor a ‘três velocidades’: um rápido progresso tecnológico, uma regulamentação que tenta acompanhar o ritmo e um mercado que, apesar de responder às exigências da sustentabilidade, continua a enfrentar obstáculos estruturais. A sessão terminou com Ettore Musacchi, da Associação Europeia de Reciclagem de Pneus (Etra), que abordou o alinhamento da reciclagem de pneus com o Pacto Verde Europeu e o impacto da competitividade e das novas tecnologias no futuro do setor.
Resíduos complexos e reciclagem avançada
No bloco seguinte, Adrián Morales, da Aimplas, apresentou as tecnologias inovadoras desenvolvidas para a reciclagem de resíduos complexos, como as baterias de iões de lítio, os componentes elétricos e eletrónicos e as embalagens multicamadas. Ángel Martínez, da Acteco, descreveu uma situação de ‘guerra’ e um ‘sistema em colapso’ devido ao encerramento de instalações, embora tenha apontado oportunidades associadas a tecnologias emergentes como a reciclagem hidrotérmica, com a capacidade de gerar materiais de muito alta qualidade.
Vincent Rerat, da Brüggemann, apresentou as soluções Bruggolen R-8897 e R-8899 para melhorar a qualidade e o desempenho do PP/EPDM pós-consumo, explicando como os aditivos podem otimizar a compatibilidade e prolongar a vida útil do material reciclado. José Antonio Alarcón, da Petcore, abordou os desafios técnicos e regulamentares da reciclagem de tabuleiros multicamadas e as soluções emergentes para melhorar a sua reciclabilidade sem comprometer a funcionalidade da embalagem.
O primeiro dia terminou com a votação do público para escolher a equipa vencedora da ‘hackathon’ desenvolvida em paralelo com as sessões, organizada pela Cátedra Aimplas-UV.
Reciclagem química e novas rotas tecnológicas
Durante o segundo dia, Santiago Llopis, da Aimplas, deu uma visão geral das técnicas de reciclagem química existentes, desde as mais consolidadas até às inovações mais recentes. Richard Aceituno, da GSF, abordou as técnicas de pirólise e a utilização de catalisadores para melhorar a qualidade dos produtos líquidos e eliminar contaminantes como halogéneos, metais e heteroátomos. Irene Méndez, da Entzimatiko, apresentou soluções de despolimerização enzimática e o potencial da biotecnologia para a reciclagem avançada de plásticos e têxteis. Hernán Calvo, da Plastic Energy, defendeu a reciclagem química como um motor da economia circular, destacando as oportunidades de mercado e os modelos de colaboração para aumentar a escala. Jorge Ávila, da Modus/Intecsa, apresentou o primeiro projeto industrial de reciclagem química de poliéster em Espanha.
Oliver Dietrich, da Messer, mostrou aplicações de reciclagem mecânica com azoto líquido, enquanto Carlos Gómez, da Promak, apresentou as vantagens do sistema de duplo parafuso Bandera para a reciclagem de materiais complexos. Peter Kolbe, da Kubota Brabender, centrou-se na gestão de materiais heterogéneos, e Bárbara Franch, da Ube, apresentou casos de sucesso com teores de materiais reciclados entre 10% e 30%, mantendo um elevado desempenho técnico.
Entre as duas últimas sessões, os projetos Cíclicom e Free4lib, nos quais a Aimplas participa, foram apresentados por Pablo Ferrero e Alicia Barbas. O seminário terminou com uma mesa-redonda sobre o cumprimento dos objetivos de reciclagem em setores como o têxtil, o elétrico-eletrónico, o automóvel e as energias renováveis, com apresentações de José David Allo, da Texfor; Paula Quintanilla, da Sostenplas; Juan Antonio Ruiz, da Antolín Ingeniería; e Helena Abril, da Aemac, que desmistificou o mito da não reciclabilidade dos materiais compósitos e apresentou soluções em biocompósitos e projetos de I&D como o Rewind.
A Plasrec contou com o apoio da Picvisa, GSF Up Cycling, Entzimatiko, Promak Solutions, Gravipes, Kubota Brabender, Anarpla, Anaip, Mayper, Acteco, Modus e Messer.
Fonte: iAlimentar
Portugal continua a registar um atraso significativo na recolha seletiva de biorresíduos alimentares, com apenas 19% dos alojamentos do território continental integralmente abrangidos por este serviço. A conclusão consta do Inquérito de Diagnóstico de 2025, realizado pela Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), que traça um retrato preocupante do cumprimento das obrigações legais nesta área.
O relatório, baseado nas respostas de 222 entidades gestoras (EG) – representando 94% do universo nacional – revela que 51% das EG afirmam já ter implementado a recolha seletiva de biorresíduos até outubro de 2025. No entanto, a maioria admite não cobrir a totalidade da área sob a sua responsabilidade, o que se traduz numa cobertura efetiva ainda muito limitada. Segundo Vera Eiró, presidente do Conselho de Administração da ERSAR, “como a maioria das entidades não disponibiliza o serviço em toda a sua área de intervenção, apenas 19% dos alojamentos do território continental estão efetivamente cobertos”.
Este cenário coloca o país longe do cumprimento da obrigação legal em vigor desde 31 de dezembro de 2023, bem como das metas definidas no Plano Estratégico para os Resíduos Urbanos (PERSU 2030) e nas diretivas europeias. O objetivo nacional passa por garantir a recolha seletiva de biorresíduos em todo o território até 2030, com metas intermédias para 2026 e 2035. “Estamos com um atraso significativo, que exige um esforço acelerado para evitar o incumprimento das metas europeias”, alerta Vera Eiró.
Entre os principais obstáculos identificados pelas entidades gestoras estão a baixa adesão da população, mesmo após campanhas de sensibilização, a insuficiência de meios financeiros e humanos e diversos constrangimentos operacionais, como dificuldades logísticas, morosidade nos concursos públicos e falta de articulação entre a gestão em alta e em baixa.
No domínio do financiamento, as EG referem como principais fontes o POSEUR, os programas do Fundo Ambiental e os apoios comunitários previstos no PERSU 2030. Ainda assim, muitas entidades consideram que estes apoios são insuficientes ou chegam com atraso, condicionando a implementação dos sistemas de recolha.
Outro ponto crítico destacado pelo relatório é a fraca adoção do modelo tarifário Pay-As-You-Throw (PAYT), que visa incentivar a redução e separação de resíduos através de uma tarifação proporcional à produção. Em 2025, apenas 21% das entidades gestoras implementaram este sistema, praticamente sem evolução face ao ano anterior. A maioria continua a aplicar modelos indexados ao consumo de água, considerados menos eficazes na promoção da separação na origem.
As principais barreiras à adoção do PAYT incluem a complexidade técnica, os custos elevados de implementação e a resistência dos utilizadores, associada à perceção de aumento de encargos. Ainda assim, a ERSAR defende que “uma maior generalização do PAYT poderia dar um contributo decisivo para o cumprimento das metas europeias e para a redução da deposição de resíduos em aterro”.
Para inverter o atual atraso, a entidade reguladora sublinha a necessidade de reforçar os apoios financeiros, envolver mais ativamente as populações e assegurar uma monitorização contínua do cumprimento das obrigações legais por parte dos municípios, como condição essencial para uma gestão mais sustentável dos resíduos urbanos de origem doméstica.
Fonte: Grande Consumo
Importância da manutenção da biodiversidade da videira
Portugal tem inscritas na base de dados internacional de variedades de videira (VIVC) 250 variedade autóctones, num total de 350 variedades autorizadas a fazer vinho em Portugal.
Tendo em atenção a dimensão do país, um número tão elevado de variedades é demonstrativo da importância e da antiguidade da cultura da vinha no nosso país.
Um número tão elevado de variedades permite elaborar um leque enorme de tipos de vinho, em função das caraterísticas da variedade e das combinações entre elas.
Um vinho de lote é sempre mais complexo que um vinho elementar (de uma casta), pois, embora haja variedades que, devido às sua caraterísticas, permitem obter bons vinhos elementares, a generalidade não o permite. Níveis equilibrados de acidez, açúcar, compostos fenólicos, taninos e outros compostos, são raros num única variedade. Assim, o lote, desde que estudado para obter um determinado vinho com equilíbrio, complexidade e potencial de envelhecimento, é mais indicado que o vinho elementar.
Portugal tem este potencial, é prioritário e determinante mantê-lo para manter o nosso prestígio no setor, senão estaremos a concorrer diretamente com vinhos do “novo mundo”, bons, mas sem personalidade.
Riscos de extinção de variedades de videira
Esta riqueza em biodiversidade está em risco por vários fatores:
No passado, plantava-se o porta-enxerto e no ano seguinte recolhia-se noutra vinha, do próprio ou de alguém conhecido, o material vegetativo da casta ou castas que pretendíamos multiplicar. Era este material que era enxertado no porta-enxerto plantado no ano anterior.
Este material vegetativo, normalmente era constituído por várias castas que eram, assim, propagadas.
Atualmente, para instalar uma nova vinha, contratamos com um viveirista a aquisição de enxerto-prontos de uma casta, que já vem do viveiro enxertada e é plantada diretamente no terreno.
Passámos de uma plantação multivarietal para uma monovarietal, indutora de uma grande perda de biodiversidade.
O consumidor moderno tende a valorizar o consumo de vinhos monovarietais ou com poucas castas, identificadas na rotulagem das garrafas.
Devido a preocupações ambientais, há necessidade de reduzir ao máximo a aplicação de pesticidas, nomeadamente fungicidas anti-míldio e anti-oídio, as doenças mais frequentes na vinha.
Esta necessidade levou à criação e plantação de castas resistentes a estas doenças criptogâmicas.
Estas castas são novas e podem contribuir para o abandono das castas tradicionais, geralmente bastante sensíveis a estas doenças e mais onerosas no seu combate.
Medidas de mitigação e recuperação varietal
Não há um modo ótimo de evitar a redução do património genético da videira.
Contudo, há ações Fonte: Agroportalque podem minorar ou inverter a tendência acima expressa:
Fonte: Agroportal
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