Carla Almeida, Eduarda Lopes, Ana Patrícia Faria, José Azevedo, Patrícia Padrão
Journal of Food Composition and Analysis, Volume 132, 2024
Nos últimos anos, as recomendações sobre alimentação têm-se multiplicado, mas quando o assunto é sal, talvez a sabedoria popular seja uma boa referência: “O sal é como o humor, deve ser usado com moderação.”
Este trabalho apresenta uma realidade preocupante: em Portugal, 62,7% dos alimentos embalados vendidos, entre 2020 e 2021 numa das maiores cadeias de supermercados do país, excediam o limite de sódio por 100g de alimento recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Identificar os produtos de charcutaria como uma fonte alimentar de sal já é algo esperado, e foi confirmado por este estudo. No entanto, reconhecer o pão e a sopa, alimentos tão presentes no dia-a-dia dos portugueses, como fontes relevantes de sal poderá criar maior resistência ou controvérsia.
O pão, é um alimento básico na alimentação portuguesa desde tempos antigos. Neste estudo, observou-se que mais de 80% dos pães analisados ultrapassaram as recomendações de sódio da OMS (330mg/100g). Curiosamente, essa percentagem é significativamente menor quando comparada à recomendação nacional (400mg/100g) (cerca de 30%), o que nos leva a questionar: estamos realmente bem posicionados, ou deve a nossa meta nacional ser repensada?
Procuremos agora saber um pouco mais sobre os resultados observados para as sopas embaladas. Apesar das suas inúmeras vantagens nutricionais, o teor de sal em muitas delas é alarmante. De acordo com os resultados deste estudo, apenas 3 das 34 sopas embaladas analisadas não continham sal adicionado, e mais de 60% tinham um teor de sódio superior ao recomendado pela OMS (235mg/100).
O estudo revelou ainda uma realidade inesperada sobre os queijos frescos: cerca de 90% desses produtos apresentam um teor de sódio acima do limite proposto mundialmente (190mg/100g). Não podemos esquecer ainda assim, que a mediana de sódio por 100g deste tipo de queijos é a mais baixa quando comparada com versões de queijos mais curados!
Se refletirmos sobre os resultados acima mencionados, deparamo-nos com um cenário em que fazer escolhas alimentares parece cada vez mais complexo. Mas se está a pensar eliminar do seu carrinho de compras o pão, a sopa, e o queijo, repense!
Manter estes alimentos como parte de uma alimentação adequada é possível, optando por alternativas com baixo teor de sal. Sobre uma preparação com elevadíssimo valor nutricional e incomparável tradição gastronómica como a sopa, vale a pena relembrar que o seu consumo é aconselhado e recomendado.
A tomada de decisões relacionadas com o teor de sal dos alimentos depende, apesar da complexidade, de critérios claros. O desafio passa agora a ser escolher versões destes alimentos com baixo teor de sal para assegurar a manutenção de uma boa saúde cardiovascular, sem nunca esquecer que a moderação se mantém palavra de ordem.
Fonte: Pensar Nutrição
Notificação de Foco na Alemanha e Apelo ao Reforço das Medidas de Vigilância em Portugal
A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) informa que foi notificado um foco de febre aftosa pela Alemanha, numa exploração de búfalos aquáticos com 20 animais criados em regime extensivo, localizada em Bradenburg, ao norte de Berlim. Este foco levou à ativação do plano de contingência pelas autoridades alemãs, que estabeleceram zonas de restrição e aplicaram as medidas de controlo previstas no Regulamento Delegado (UE) 2020/687. Adicionalmente, foi decretada a suspensão da movimentação de ungulados por um período de 72 horas.
O vírus da febre aftosa não se transmite aos humanos não constituindo assim risco para a saúde humana.
Pese embora em Portugal não existam explorações de búfalos aquáticos, a febre aftosa é uma das doenças mais contagiosas que afeta espécies de biungulados domésticos e selvagens, incluindo bovinos, ovinos, caprinos e suínos. A sua elevada capacidade de transmissão pode provocar impactos económicos e sanitários muito graves, representando um sério entrave ao comércio internacional. Não existe tratamento para esta doença, e a vacinação é proibida na União Europeia, exceto em situações de emergência, conforme previsto no Regulamento Delegado (UE) n.º 2023/361. Apesar do seu impacto nos animais, o vírus da febre aftosa não constitui risco para a saúde humana.
A DGAV apela ao rigoroso cumprimento das medidas de biossegurança em Portugal, essenciais para prevenir a introdução desta doença no território nacional. Estas medidas incluem a desinfeção adequada de instalações, veículos e equipamentos, o controlo do movimento de animais e a vigilância permanente de sinais clínicos que possam indicar a presença de febre aftosa.
Sendo a febre aftosa uma doença de notificação obrigatória para a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), para a União Europeia e para as autoridades nacionais, os produtores, médicos veterinários, comerciantes e transportadores devem comunicar imediatamente qualquer suspeita aos serviços regionais e locais da DGAV.
Informações detalhadas sobre a febre aftosa, incluindo medidas de prevenção e resposta, estão disponíveis no portal da DGAV em doencas-dos-bovinos/febre-aftosa/
Fonte: DGAV
A entrada de aves em zonas de proteção ou vigilância, face à gripe aviária, provenientes de estabelecimentos fora das zonas de restrição, só é possível se estas se destinarem ao abate imediato, clarificou a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária.
“Apenas poderão ser autorizadas entradas nas zonas de proteção e na zona de vigilância de aves, provenientes de estabelecimentos situados fora das zonas de restrição, caso o destino seja o abate imediato em centros de abate localizados nestas zonas”, lê-se numa nota informativa da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV).
Por outro lado, não podem ser concedidas derrogações à entrada de aves, de estabelecimentos que estão fora das zonas de restrição, para cria ou recria, para explorações dentro destas mesmas áreas.
Quando são confirmados focos de infeção pelo vírus da gripe aviária em aves domésticas, são estabelecidas zonas de restrição sanitária num raio de três quilómetros (zona de proteção) e de 10 quilómetros (zona de vigilância) em redor de cada foco.
Entre estas restrições está a proibição dos movimentos de aves e dos seus produtos.
Na segunda-feira, a DGAV anunciou que tinha sido detetada gripe das aves numa exploração de galinhas poedeiras em Sintra, Lisboa, tendo sido aplicadas as medidas de controlo, que incluem a inspeção do local onde a doença foi detetada, o abate dos animais infetados e a limpeza das instalações.
O número de galinhas que morreram pela doença ou foram abatidas na sequência da confirmação do foco ascende a 55.427, o que corresponde ao total dos animais daquela exploração.
Foram ainda impostas restrições à movimentação e as explorações com aves nas zonas de restrição (num raio de 10 quilómetros em redor do foco) estão a ser vigiadas.
A DGAV pediu também a todos os operadores que comuniquem qualquer suspeita de doença, sublinhando que a deteção precoce dos focos “é essencial para a implementação célere de medidas de controlo”.
No mesmo dia em que foi confirmado o caso em Sintra, a Direção-Geral da Saúde (DGS) esclareceu que, até à data, não tinham sido identificadas pessoas com sintomas ou sinais sugestivos de infeção por este vírus (H5N1).
A transmissão do vírus para humanos acontece raramente, tendo sido reportados casos esporádicos em todo o mundo.
Contudo, quando ocorre, a infeção pode levar a um quadro clínico grave.
A transmissão ocorre, sobretudo, através do contacto com animais infetados ou com tecidos, penas, excrementos ou inalação de vírus por contacto com animais infetados ou ambientes contaminados.
Na sequência deste caso, Macau e Hong Kong proibiram a importação de frango a partir de Lisboa.
Já tinham sido confirmados em Portugal, na corrente época epidemiológica, três casos de infeção pelo vírus da gripe aviária de alta patogenicidade em aves selvagens, nomeadamente numa gaivota-de-patas-amarelas, em Quarteira, Loulé, numa gaivota-de-asa-escura, em São Jacinto, Aveiro, e numa gaivota-de-patas-amarelas em Olhão, Faro.
Fonte: Agroportal
A Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA) acaba de anunciar que mais de 35% do vinho produzido na região já é feito de forma mais sustentável por produtores certificados no âmbito do Programa de Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo (PSVA).
O selo de produção sustentável do PSVA, atribuído pelos quatro organismos de certificação parceiros da CVRA, já foi obtido por 25 produtores alentejanos que incluem a produção de uvas de 404 viticultores que cuidam de 7.470 hectares de vinha – o que representa 31,8% da área de vinha do Alentejo e mais de um terço do vinho produzido, de um total de 121 milhões de litros de vinho.
Francisco Mateus, presidente da CVRA, declara que “estes resultados são a evidência do elevado compromisso que os produtores do Alentejo têm para com o desenvolvimento sustentável das vinhas e adegas, com impacto na qualidade do vinho, nos ecossistemas e biodiversidade, na escolha de materiais utilizados na produção e nas embalagens, na gestão de água e energia, na promoção da economia circular e no desenvolvimento socioeconómico de uma região onde a cultura da vinha e a produção de vinho são muito significativos”.
João Barroso, coordenador do PSVA, reconhece ainda que “a massa critica encontrada no Alentejo no que respeita à produção sustentável é única em Portugal e considerada internacionalmente uma das mais exigentes e reputadas, o que reflete o empenho dos nossos produtores em adotar práticas sustentáveis em prol da sociedade como um todo”.
O Alentejo é pioneiro em Portugal na implementação de práticas sustentáveis no setor vitivinícola e, como explica Francisco Mateus, “temos a ambição de crescer nestes resultados ao nível regional, mas também de ver os produtores a exibirem com orgulho a certificação de produção sustentável dos Vinhos do Alentejo, contribuindo para que o nosso país se destaque no panorama internacional”.
No total, o PSVA já integra mais de 637 membros dos quais 25 certificados, tendo sido atribuída a primeira certificação de produção sustentável em dezembro de 2020 e, a mais recente, em novembro do ano passado. Os produtores certificados são sujeitos a auditorias anuais para avaliar o cumprimento dos 171 critérios de avaliação do PSVA, iniciativa criada pela CVRA em 2013 e lançada oficialmente em 2015.
Fonte: Grande Consumo
Um estudo da Universidade de Illinois, publicado na revista Global Change Biology, revela que plantas de batata geneticamente modificadas podem produzir tubérculos até 30% maiores sob condições de ondas de calor, sem comprometer a qualidade nutricional.
Um estudo publicado na Global Change Biology mostra que as plantas de batata geneticamente modificadas podem produzir batatas 30% maiores em condições de onda de calor, sem afetar a sua qualidade nutricional. A investigação foi realizada por uma equipa de especialistas liderada por Katherine Meacham-Hensell, da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos.
“Se vamos satisfazer a necessidade de alimentos nas regiões mais expostas à redução da produção agrícola devido ao aquecimento global da temperatura, precisamos de produzir culturas que possam suportar ondas de calor mais frequentes e intensas… O aumento de 30% na massa de tubérculos observado nos nossos ensaios de campo demosntra que é possível melhorar a fotossíntese para permitir culturas adaptadas ao clima”, disse Meacham-Hensold.
O objetivo da equipa de investigação era alterar a fotorrespiração das plantas de batata, que, segundo estudos anteriores, é muito afetada pelas altas temperaturas. A fotorrespiração, também chamada ciclo fotossintético oxidativo do carbono, é um processo do metabolismo vegetal em que a enzima RuBisCo permite que a fixação do dióxido de carbono reaja com o oxigénio em vez de com o dióxido de carbono. “Este processo consome muita energia, o que afeta a capacidade da planta para produzir o seu próprio alimento”. Os investigadores modificaram as plantas para evitar a via fotorrespiratória original e produzir tubérculos maiores.”
Leia o estudo em Global Change Biology.
Fonte: CiB - Centro de Informação de Biotecnologia
“[…] O engarrafador ou o responsável pela colocação do produto vitivinícola no mercado deve entregar no Instituto da Vinha e do Vinho (IVV) um exemplar dos rótulos, previamente à sua utilização no mercado nacional ou no de outros países, quando se trate de produtos vitivinícolas sem direito a DO [Denominação de Origem], nem IG [Indicação Geográfica]”, lê-se no documento.
O envio pode ser feito através da plataforma eletrónica Sistema de Informação da Vinha e do Vinho (SIVV).
Segundo a mesma nota, os exemplares enviados ao IVV devem identificar, em milímetros, a dimensão dos carateres das respetivas indicações obrigatórias.
Caso os rótulos não cumpram esta obrigação, posteriormente, podem ser adotadas medidas tendo em vista a “reposição da legalidade”.
No entanto, o IVV esclareceu que, neste caso, os engarrafadores ficam sujeitos a sanções.
O IVV está integrado na administração indireta do Estado, com autonomia administrativa.
Este instituto atua na cobrança de taxas, coordena a aplicação de medidas de gestão do património vitícola e desenvolve ações para o reforço da competitividade e internacionalização do setor.
Fonte: Sapo24
A Comissão Europeia, através do Centro Comum de Investigação (JRC), lançou recentemente o EU Food System Monitoring Dashboard, uma ferramenta para monitorizar a sustentabilidade do sistema alimentar da União Europeia (UE). Este painel avalia a sustentabilidade a partir de três perspetivas: ambiental, económica e social, utilizando um conjunto abrangente de indicadores.
O painel de monitorização é um recurso essencial para compreender o estado atual e as tendências da sustentabilidade alimentar na UE. Abrange todas as etapas da cadeia de abastecimento alimentar, desde a produção primária até ao consumo, e aborda aspetos como as alterações climáticas, a biodiversidade, viabilidade económica justa na cadeia de valor alimentar e o ambiente alimentar.
A par deste recurso, o JRC publicou o relatório intitulado “EU food system monitoring framework. From concepts to indicators“, que detalha o desenvolvimento do painel de monitorização e os princípios que orientaram a seleção dos indicadores. Este relatório destaca a importância de um sistema alimentar justo, saudável e amigo do ambiente, e identifica lacunas de conhecimento que precisam ser abordadas para melhorar a monitorização futura.
O novo painel e o relatório são ferramentas valiosas para os decisores políticos, partes interessadas e cidadãos, fornecendo informações relevantes sobre a sustentabilidade do sistema alimentar da UE e ajudando a orientar políticas e ações futuras.
O artigo foi publicado originalmente em GPP.
Fonte: Agroportal
A banana está novamente ameaçada por um fungo conhecido como Fusarium oxysporum cubense (Foc), causador da doença do Panamá. Infeta o solo e bloqueia os canais que transportam água e nutrientes para a planta, fazendo-a murchar e morrer. Não há cura conhecida. Uma das soluções passa pela utilização da tecnologia dos OGM.
Enquanto os humanos têm duas cópias de cada cromossoma (diplóides), algumas plantas podem ser poliplóides, com múltiplas cópias genéticas. A banana moderna é triploide – tem três cópias de cromossomas –, o que a torna estéril. No entanto, as bananas podem ser propagadas a partir de rebentos ou do rizoma da planta-mãe.
Num texto publicado no site do American Council on Science and Health, Charles Dinerstein, cirurgião vascular e ex-diretor desta organização de promoção da ciência , afirma que a natureza triploide da banana é simultaneamente uma vantagem e uma fraqueza. “Esta característica permitiu produzir uma fruta nutritiva e de sabor consistente, mas também a tornou vulnerável a doenças, já que todas as bananas são clones genéticos. Embora a clonagem facilite a produção em grande escala, também aumenta o risco de pandemias agrícolas, como aconteceu com a praga da videira francesa no século XIX.”
No mesmo texto, Charles Dinerstein escreve que a banana está novamente ameaçada por um fungo conhecido como Fusarium oxysporum cubense (Foc), causador da doença do Panamá. “Este fungo infeta o solo, bloqueando os canais que transportam água e nutrientes para a planta, fazendo-a murchar e morrer. Não há cura conhecida.” O Foc pode passar despercebido durante muito tempo, facilitando a sua disseminação. Plantas aparentemente saudáveis são replantadas, espalhando o fungo. Além disso, o Foc gera novas variantes.
Ainda segundo Charles Dinerstein, a variedade original de banana, Gros Michel, foi devastada por este fungo. A variedade Cavendish foi inicialmente resistente, mas uma nova variante, o TR4, está agora a afetá-la. O TR4 surgiu na Ásia nos anos 80 e já se espalhou pela Ásia, África Ocidental e Colômbia, onde foi declarado o estado de emergência.
As plantações de banana são altamente dependentes de pesticidas, sendo uma das culturas que mais utiliza químicos a nível global. A monocultura – a prática de cultivar apenas uma variedade genética – facilita a propagação de doenças como o TR4. Apesar das tentativas de controlo, como a quarentena e a gestão do solo, o fungo continua a espalhar-se. Algumas práticas agrícolas, como a rotação de culturas com alho-francês chinês, mostraram-se eficazes na redução da doença. No entanto, estas soluções ainda não são suficientes.
Uma potencial solução, acrescenta Charles Dinerstein, “é a utilização de organismos geneticamente modificados (OGM). A banana que consumimos é, de certa forma, um OGM natural devido à sua natureza triploide. No entanto, a única maneira de diversificar geneticamente as bananas é através da intervenção humana, seja por técnicas tradicionais ou avançadas. Genes resistentes ao TR4 foram identificados numa variedade selvagem de banana e inseridos na Cavendish, criando uma versão transgénica chamada QCAV-4.” Esta variedade, mais resistente ao TR4, foi aprovada para produção comercial na Austrália em 2023, tornando-se o primeiro país a autorizar esta banana geneticamente modificada.
Apesar disso, a Europa continua relutante em aceitar a tecnologia OGM, colocando em risco uma grande parte do mercado global de bananas. Esta resistência já afetou outras culturas, como a batata Innate, cuja produção foi boicotada por ativistas que ameaçaram as grandes empresas consumidoras.
A banana é um alimento essencial para a segurança alimentar de cerca de 400 milhões de pessoas em todo o mundo. Desde a sua viagem da Nova Guiné até ao mercado global, a história da banana revela a vulnerabilidade dos sistemas agrícolas. “Para garantir a sobrevivência da banana, serão necessárias soluções como a modificação genética, práticas agrícolas sustentáveis e cooperação internacional”, defende o autor.
Fonte: CiB - Centro de Informação de Biotecnologia
No início de janeiro, foi identificado um foco de infeção pelo vírus da Gripe Aviária de Alta Patogenicidade (GAAP) numa exploração no concelho de Sintra, em Lisboa. Já esta segunda-feira, a Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA) emitiu um alerta sobre um surto de gripe das aves na região de Lisboa.
Será que é seguro continuar a comer frango ou ovos, mesmo que o animal tenha sido infetado? Donald W. Schaffner, diretor do Department of Food Science, dos Estados Unidos, revelou à Forbes que não existe motivo de preocupação desde que tudo seja bem cozinhado.
"Estudos mostraram que seguir as melhores práticas atuais de cozinha irá tornar inativos os níveis altos desse organismo com uma grande margem de segurança", revela.
"Cozinhe a carne completamente, mas isso já deveria fazer de qualquer maneira. Siga as mesmas regras de manuseio de carne crua e para cozinhar como normalmente faria para prevenir doenças bacterianas, como a salmonella."
Já no caso dos ovos, que muitas vezes acabam por ser consumidos não totalmente cozinhados, será que é idêntico? Neste caso, o melhor é optar por cozinhá-los durante mais uns minutos.
“Certifique-se de que os ovos estejam totalmente cozidos para que as gemas não fiquem moles ou líquidas”, pode ler-se num comunicado do New Hampshire Department of Health and Human Services, dos Estados Unidos, em relação às boas práticas na cozinha relacionadas com a gripe aviária.
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) já tinha deixado algumas considerações sobre este tema. "A maioria dos casos [de infeção] relatados parece ter tido origem no estreito contacto e manipulação de animais infectados, sendo fortes as evidências de que este vírus não se transmite aos humanos através da alimentação."
“Tendo por base o princípio da precaução e dado que há outras doenças das aves, como a salmonelose e a campilobacteriose, que se transmitem aos humanos através carnes pouco cozinhadas, recomenda-se que só se consuma carne de aves e de ovos que durante o seu processo de cozedura tenham atingido os 70ºC, temperatura que garante a destruição do vírus H5N1, assim como de salmonella, campylobacter jejuni e outras bactérias”, continuam.
Fonte: Notícias ao Minuto
A 3 de janeiro, foi confirmado um foco de infeção por vírus da Gripe Aviária de Alta Patogenicidade (GAAP) numa exploração de galinhas poedeiras, no concelho de Sintra, distrito de Lisboa.
As medidas de controlo e erradicação do foco foram de imediato implementadas pelos serviços da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), conforme previsto no plano de contingência da gripe aviária. Estas ações incluem a inspeção ao local onde a doença foi detetada, a eliminação dos animais afetados, a limpeza e desinfeção das instalações, a restrição da movimentação e a vigilância das explorações com aves situadas nas zonas de restrição, num raio de até 10 km em redor do foco.
Os operadores são os primeiros responsáveis pelo estado sanitário dos seus animais e devem comunicar de imediato qualquer suspeita de doença à DGAV. A deteção precoce de focos é essencial para a implementação célere de medidas de controlo, evitando a disseminação da doença e minimizando perdas para o setor.
Perante a evidência de circulação do vírus da GAAP, a DGAV apela a todos os detentores de aves para que cumpram rigorosamente as medidas de biossegurança e as boas práticas de produção avícola. Estas incluem evitar contactos diretos ou indiretos entre aves domésticas e aves selvagens, reforçar os procedimentos de higiene de instalações, equipamentos e materiais, e aplicar um controlo rigoroso dos acessos aos estabelecimentos onde as aves são mantidas.
As informações sobre prevenção e biossegurança estão disponíveis na página dedicada à Gripe Aviária no portal da DGAV, onde pode encontrar um cartaz, folhetos informativos e um vídeo.
As medidas de controlo aplicadas nas zonas sujeitas a restrições sanitárias são determinadas pelo Edital n.º 26 da Gripe Aviária, disponível para consulta no portal da DGAV, em www.dgav.pt.
Fonte: DGAV
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