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Os robôs colaborativos estão entre as tendências mais interessantes para a automação de fábricas, contudo a falta de trabalhadores qualificados ameaça travar esta expansão.

Segundo um relatório recente da Federação Internacional de Robótica (IFR), o número de robôs industriais no mercado europeu pode ter aumentado cerca de 7% em 2018.

A IFR prevê que para o período de 2019-2021, a taxa de crescimento anual média seja de 10%. Apesar de a curto prazo o crescimento ser incerto e abrandado por flutuações económicas globais, a tendência geral para a robótica industrial continua positiva.

A entrada da robótica no mundo alimentar permitiu automatizar muitas linhas de produção, favorecendo a performance e lucro das empresas deste setor. No entanto, existem entraves à digitalização das mesmas.

Esta é a conclusão do inquérito CSB de 2018, destinado a gestores de empresas alimentares em diferentes países.

Na visão do setor alimentar, os fatores preponderantes que fazem recuar o domínio tecnológico são as exigências de um sistema de gestão integrado, cuja interface não é amiga do utilizador, assim como o pessoal não possuí ainda qualificação para lidar com este tipo de informatização dos dados e dos processos da organização.

Dito isto, apenas 17% dos inquiridos reconhecem os benefícios da digitalização. Entre eles, a integração da inteligência artificial e o uso do blockchain como novo standard de produção em rede, aproximando produtores e consumidores. Outros fatores relevantes são a capacidade de personalização da produção de modo custo-eficiente, incluindo a melhoria de processos já existentes, e a comunicação direta com os fornecedores.

O aumento dos requisitos na venda a retalho, a legislação internacional rígida e o aumento da procura de produtos frescos e de qualidade pelos consumidores são desafios que, alegadamente, a inovação digital pretende auxiliar a ultrapassar através da criação de ferramentas tecnológicas que permitam maior controlo sobre a rastreabilidade, por exemplo.

Assim, a solução passa por maximizar a oportunidade que a digitalização oferece através da contratação de serviços externos qualificados que possam dar suporte e orientação, adequando-se à dimensão e exigências da organização.

Fonte: TecnoAlimentar e Packaging Europe

A ocorrência de quatro casos de Peste Suína Africana (PSA)em javalis no sul da Bélgica, anunciada pelas autoridades oficiais a 14 de Setembro de 2018, veio alterar o perfil do risco associado à dispersão da doença, sobretudo na Europa.

A PSA é uma doença viral em porcos e javalis que é frequentemente mortal e para a qual não existe cura. Por esse motivo, acarreta consequências socioeconómicas graves para os países lesados, bem como afeta gravemente a saúde e qualidade de vida animal.

O vírus pode persistir vários meses no ambiente e nas carcaças dos animais. Além de que, numa perspetiva do consumo humano, a cura ou fumagem da carne de animais afetados pode não ser suficiente para destruir o vírus.

Apesar dos humanos não serem susceptíveis a esta doença, ajudam na disseminação da mesma através do contato direto com os animais, seja através da sua roupa ou de outro tipo de equipamento contaminado. O contágio também pode ser feito diretamente entre os porcos provenientes de áreas afetadas e através de uma alimentação à base de desperdícios alimentares (tal encontra-se regulado e proibido por Legislação EU desde 1980).

Porque os sinais da PSA nem sempre são claros, é fulcral estar alerta para alguma sintomatologia associada. Alguns dos sintomas são:

Sintomas:

• Febre;

• Fraqueza e relutância para permanecer em pé;

• Vómitos;

• Diarreia, por vezes, com sangue;

• Pele avermelhada/azulada, sobretudo na zona das orelhas e focinho;

• Tosse e dificuldade de respiração;

• Abortos;

Se detetar ou suspeitar de algum dos pontos acima referidos deve contactar imediatamente o seu veterinário oficial. É recomendável que não movimente os animais da área afetada, evitando o contato com o exterior. Além disto, deve rever a qualidade e proveniência das rações administradas, bem como mudar o seu vestuário com frequência.

Para visualizar o vídeo informativo sobre a PSA criado pela Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA), clique aqui.

 

Fonte: DGAV e EFSA

A era do vegetarianismo

  • Tuesday, 29 January 2019 11:05

De acordo com a previsão da revista inglesa The Economist, o regime vegan e vegetariano tornar-se-á uma maioria no ano de 2019.

Portugal parece obedecer a esta tendência, assim como revelam os dados mais recentes recolhidos pelo Centro Vegetariano.

O número de vegetarianos quadruplicou entre o período de 2007 e 2017, com 1,2% dos portugueses, na sua maioria, mulheres e jovens entre as idades 25 e 34 anos a não consumirem carne nem peixe.

Por outro lado, o número de vegans, isto é, população cuja dieta restringe o consumo de carne, peixe, ovos ou lacticínios aponta para os 0,6%.

Denota-se também uma tendência para a redução do consumo de carne e peixe, sendo que o seu consumo ocasional fixa nos 30%.

Ainda assim e de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), cada português consome em média 114 quilos de carne por ano. Os portugueses são também os que comem mais peixe na Europa, com um consumo anual per capita de 55 quilos.

Quanto às políticas dos governos, o Parlamento Português aprovou em 2017 uma lei que obriga as cantinas e refeitórios públicos a fornecer uma opção vegetariana.

Relativamente ao Parlamento Europeu, foi anunciado num relatório intitulado Regulatory Fitness and Performance Programme Scoreboard Summary, que, neste ano, se irá discutir a definição legal de vegetariano e vegan de forma a regulamentar este mercado.

 

Fonte: Ordem dos Nutricionistas

O RASFF (Rapid Alert System for Food and Feed) é um sistema de alerta rápido para os géneros alimentícios e alimentos para animais estabelecido nos termos do Art. N.º 50º do Regulamento (CE) nº 178/2002 .

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Este permite um intercâmbio de informações imediato e eficaz entre os estados membros, emitindo três tipos de notificações: de alerta, de informação e de notícia. Deste modo, os riscos que concernem a segurança alimentar são detetados precocemente a fim de prevenir potencial dano aos consumidores.

Uma notificação foi emitida no passado dia 22-01-2019 por Espanha, alertando para os registos incompletos de rastreabilidade de moluscos bivalves vivos oriundos de Portugal (Reference 2019.0229), bem como alertou ainda para a distribuição não autorizada de folhas de graviola (Annona muricata) originais da Colômbia (Reference 2019.0233) para os seguintes estados-membros: Andorra, Alemanha, Portugal e Espanha.

Apesar da decisão sobre as folhas de graviola categorizar-se como não grave dado tratar-se de um novo produto alimentar, a decisão sobre o risco dos moluscos bivalves vivos oriundos de Portugal permanece por esclarecer dado que os controlos fornecidos foram fracos ou insuficientes na data de amostragem (13-12-2018).

 

Fonte: Qualfood

O projeto de investigadores do Instituto Politécnico de Leiria, que visa otimizar o processo de obtenção de mel em pó, foi um dos contemplados com Bolsas de Ignição financiada pelo INOV C 2020.

Otimizar o processo de obtenção de mel em pó, assegurando a estabilidade, qualidade e segurança do mesmo é o objetivo da investigação realizada por uma equipa de investigadores do Instituto Politécnico de Leiria, anunciou hoje em comunicado o consórcio INOV C 2020, liderado pela Universidade de Coimbra.

"O mel é tradicionalmente comercializado em Portugal, no seu estado líquido ou sólido. No entanto, a crescente procura por parte das empresas do aumento de valor acrescentado dos produtos alimentares, leva à necessidade de desenvolver novas formas de comercialização do mel. A produção de mel em pó já é uma realidade fora de Portugal", explica a investigadora do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente do Instituto Politécnico de Leiria, Maria Manuel Gil, citada na nota de imprensa.

No entanto, "para a obtenção de mel em pó, são vulgarmente utilizados agentes encapsulantes à base de amido, levando a que o produto final não apresente as benéficas características nutricionais do mel puro", acrescenta a responsável, referindo que a "nova solução em estudo aposta na substituição dos agentes encapsulantes utilizados, por soluções com baixo valor energético, sem sabor distinguível e baixo teor de sódio".

Para os investigadores, a "produção de mel em pó constitui uma oportunidade para obtenção de novos produtos de valor acrescentado, com grande impacto na economia e imagem do setor".

Além disso, esta nova oferta "favorece o consumidor, na medida em que permite explorar outras aplicações na sua alimentação, como substituto de açúcar no café, chá ou até mesmo para utilização no setor da panificação e pastelaria".

O Politécnico de Leiria conquistou outra bolsa de ignição num projeto que visa uma solução à base de algas para aumentar a durabilidade de maçãs processadas.

"A aplicação de revestimentos de conservação comestíveis, desenvolvidos a partir de compostos de origem natural, sustentáveis e eficazes, constituem uma enorme vantagem competitiva para produtores de produtos hortofrutícolas que, desta forma, conseguem manter inalteradas as características dos produtos, minimamente processados, como é exemplo a maçã que, quando cortada, oxida rapidamente", refere a nota de imprensa.

Susana Silva, uma das investigadoras do Politécnico de Leiria, explica, citada no comunicado, que a "evolução da análise de risco alimentar tem resultado em limitações adicionais na utilização de aditivos alimentares, tornando a utilização de ingredientes de origem natural, como aditivos, e a formulação de revestimentos comestíveis, uma opção cada vez mais procurada entre produtores e investigadores".

"As propriedades funcionais e disponibilidade das macroalgas na costa portuguesa fazem destes organismos uma fonte ideal de ingredientes para revestimentos comestíveis de origem marinha", reforça a investigadora.

Segundo destacou Maria Jorge Campos, uma das investigadoras ligadas ao projeto, "com a aplicação desta nova solução, o tempo de vida útil do produto seco e embalado terá de ser superior a seis meses e, aquando a abertura da embalagem, esta não poderá perder as características de proteção do produto".

"Com o extrato hidro-etanólico da macroalga Codium tomentosum, o qual possui capacidade de manutenção da cor em maçã Fuji, minimamente processada, será possível aumentar a sua durabilidade através da capacidade de inibição da atividade das enzimas polifenoloxidase e peroxidase, envolvidas no processo de escurecimento oxidativo", sintetizou.

A funcionalidade deste extrato foi validada à escala piloto, através da otimização da sua produção e determinação do tempo de prateleira de maçã Fuji minimamente processada revestida com o extrato em ambiente industrial.

Do consórcio INOV C 2020, liderado pela Universidade de Coimbra, fazem parte dez parceiros: o Instituto Politécnico de Coimbra, o Instituto Politécnico de Leiria, o Instituto Politécnico de Tomar, o Instituto Pedro Nunes, o ITeCons, o SerQ, a ABAP, a Obitec e o TagusValley.

O INOV C 2020 é um projeto cofinanciado pelo Centro 2020, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), que tem como objetivo consolidar a Região Centro enquanto referência nacional na criação de produtos e serviços resultantes de atividades de Investigação & Desenvolvimento.

Fonte: DN

Desperdício alimentar. É para levar?

  • Friday, 18 January 2019 16:01

O desperdício alimentar é um dos grandes flagelos do século, este é acompanhado de um aumento de resíduos desnecessário que gera consequências ambientais e sociais. No sentido de mitigar este problema e de sensibilizar para a importância de uma alimentação sustentável surgiu o projeto "Dose Certa" e, mais recentemente, o "Embrulha", ambos promovidos pelo Serviço Intermunicipalizado de Gestão de Resíduos do Grande Porto (LIPOR) e pela Associação Portuguesa de Nutrição (APN).

A "Dose Certa" é um projeto de participação voluntária, totalmente gratuito e com uma metodologia de implementação adaptável à tipologia de cada estabelecimento, com vista à redução do desperdício alimentar e dos custos associados. O potencial desta iniciativa indica uma redução média do desperdício de alimentos que ronda os 30-35%. Efetivamente com o "Dose Certa" consegue-se uma atuação a montante, ajustada à tipologia e aos objetivos de todos os intervenientes (Lipor, APN e estabelecimentos de restauração), nomeadamente: práticas de compra, confeção, elaboração de menus mais equilibrados e sustentáveis e empratamento. No entanto, um dos pontos mais difíceis de se obter uma mudança substancial é nas porções servidas, em particular os pratos mais tradicionais servidos à travessa.

Assim, surgiu a solução "Embrulha" que consiste em disponibilizar, gratuitamente, embalagens biogradáveis aos restaurantes aderentes que tenham a apresentação, preferencialmente, com serviço à travessa. Quando um cliente não come tudo, embrulha e leva para casa o que sobrou da refeição, sem qualquer tipo de preconceito.

Os resultados finais do projeto "Embrulha" referentes ao ano de 2018 já são conhecidos e foram publicados no passado dia 17-01-2019 no Portal de Notícias do Porto. Deste modo, foram recuperadas 12,72 toneladas de alimentos nos restaurantes, o que significa que menos 2,67 toneladas de dióxido de carbono (CO2) foram emitidas para a atmosfera.

Estes resultados não só animam a continuidade do projeto como também estimulam a sua disseminação a outros estabelecimentos de restauração.

Saiba mais em:

Projeto "Dose Certa"

Projeto "Embrulha"

 

Fonte: Porto.pt

Perigos químicos nos alimentos: a política de segurança alimentar da EU protege os cidadãos, mas enfrenta desafios

Apresentado nos termos do artigo 287º, nº 4, segundo parágrafo, do Tratado de Funcionamento da União Europeia (TFUE) surge um relatório especial em 2019 (Nº2) publicado pelo Tribunal de Contas Europeu (TCE) que descreve a política de segurança alimentar da EU e os seus principais desafios no que concerne aos perigos químicos em géneros alimentícios.

A segurança alimentar é um domínio de prioridade elevada para EU, assumindo responsabilidade de protecção sobre a vida e saúde humanas. Assim, pretende-se alertar e proteger os cidadãos dos três tipos de perigo nos alimentos (físicos, biológicos e químicos) com especial ênfase nos perigos químicos.

Os perigos químicos são, por definição, substâncias que podem provocar efeitos adversos na saúde e que ocorrem naturalmente ou são adicionadas durante a produção ou manipulação dos alimentos. Alguns exemplos incluem aditivos, pesticidas e certos metais, sendo fundamental uma abordagem integrada que inclua acções ao longo de toda a cadeia alimentar. Na sua maioria, os efeitos são visíveis a longo prazo e, em alguns casos resultando da sua interacção e efeito cumulativo no corpo humano. Assim, apesar de serem um perigo silencioso, podem revelar-se fatais.

A desregulação endócrina e o aumento da resistência antimicrobiana causada pela administração excessiva de antibióticos aos animais são exemplos de riscos associados para a saúde. Outros exemplos incluem genotoxicidade, carcinogenicidade, malformações congénitas, atraso no desenvolvimento cognitivo, entre outros.

O atual modelo europeu de segurança alimentar, no que respeita às substâncias químicas, assenta em base sólidas, no entanto encontra-se sobredimensionado. Este facto pode, por vezes, incapacitar a Comissão e os Estados-Membros da sua aplicação plena. O modelo é considerado referência em todo o mundo e, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) um benefício para os seus cidadãos pelo que assenta nos seguintes pilares:

a) na sua estrutura de governação, com a repartição de responsabilidades entre agências descentralizadas da UE e a Comissão, separando a avaliação dos riscos da gestão dos riscos;

b) no seu objetivo de avaliar a segurança das substâncias químicas antes de as utilizar na cadeia alimentar;

c) na sua partilha clara de responsabilidades entre o setor privado e as autoridades de controlo públicas;

Além dos pontos referidos, a EU pretende e exige a países terceiros que se cumpram as mesmas normas elevadas de segurança a fim de garantir a segurança dos alimentos importados.

Considerando esta informação, o TCE identificou desafios que o modelo enfrenta relativamente à sua execução, constatando:

a) a necessidade de elaboração e registo de um maior número de substâncias químicas que constituam perigo, suportadas por aconselhamento científico para fundamentar a legislação;

b) a necessidade de explorar a sinergia entre sistemas de controlo públicos e privados para maximizar a sustentabilidade do modelo no seu todo;

c) a necessidade de uma maior uniformização dos critérios de perigo em produtos importados;

d) a necessidade de definir o tipo de medida coerciva a tomar em caso de incumprimento;

Em recomendações finais e com base nas constatações prévias, o TCE formula então três sugestões para a continuação do desenvolvimento do quadro jurídico contra os perigos químicos:

a) no âmbito do programa para a adequação e a eficácia da regulamentação (REFIT) relativo ao quadro jurídico que rege os géneros alimentícios, os alimentos para animais, os animais vivos e as plantas, avaliar as possíveis alterações à legislação que rege os perigos químicos tendo em conta a capacidade para a aplicar de forma coerente. Além disto, harmonizar as participações do sector público e privado para um controlo mais eficaz;

b) no que diz respeito aos resíduos de pesticidas nos alimentos, explicar qual a medida que tomará para manter o mesmo nível de garantia dos alimentos produzidos na UE e dos importados, ao mesmo tempo que respeita as normas da OMS;

c) fornecer mais orientações aos Estados-Membros sobre a aplicação de medidas coercivas. A Comissão deve igualmente pôr em prática as oportunidades que detetou para melhorar os seus procedimentos de acompanhamento do cumprimento das normas alimentares da EU;

Como parte integrante da EU, Portugal partilha da responsabilidade para a sensibilização dos perigos químicos em géneros alimentícios, enquanto produtor e consumidor. Assim, uma maior rastreabilidade dos ingredientes na cadeia alimentar juntamente de exigências mais rígidas das autoridades e a correta comunicação de informação ao consumidor são o caminho mais eficaz para uma segurança alimentar melhorada.

Para ter acesso ao Relatório clique aqui.

 

Fonte: Qualfood

Investigadores da Escola Superior de Biotecnologia do Porto concluíram, com base num inquérito realizado a 100 portugueses sobre mitos alimentares, que as estratégias de comunicação sobre segurança e higiene alimentar não estão a ser "eficazes", disse a responsável.

O inquérito online, que tinha como propósito desvendar se os mitos alimentares dos portugueses e se as ideias preconcebidas eram assentes em pressupostos científicos, envolveu cerca de 100 pessoas que, no total, apresentaram variados mitos e “crenças populares”.

Paula Teixeira, a investigadora responsável pelo projeto ‘SafeconsumE’ em Portugal, revelou que o inquérito demonstrou que as estratégias e mensagens sobre higiene e segurança alimentar “não estão a ser eficazes” e que é necessário “implementar e adotar novas medidas de comunicação”.

“Muitas das mensagens em higiene e segurança alimentar não estão a ser eficazes. O problema não é dos consumidores, o problema é dos comunicadores, porque a mensagem não está a passar de forma convincente”, salientou.

De acordo com a investigadora, muitas das questões identificadas pelos inquiridos eram "comuns", como a regra dos cinco segundos, as cozinheiras terem sempre as mãos limpas, lavar a carne antes de a cozinhar ou até o prazo de validade dos iogurtes.

Contudo, foram questões como o “mito dos ovos”, o guardar alimentos quentes no frigorífico e o facto de as pessoas acreditarem “piamente nos seus sentidos”, que causaram maior “incredibilidade” à equipa.

“Algumas pessoas disseram que os ovos que flutuam na água estão estragados. O ovo pode até não estar estragado, mas regra geral, não se deve comer. Outras disseram o que, de facto, é mito: que para saber se um ovo é seguro devo verificar se flutua ou não em água. Não podemos verificar isso, apenas em laboratório”, frisou.

Relativamente aos alimentos quentes serem guardados no frigorífico, Paula Teixeira explicou que não é “por serem guardados quentes que se estragam”, mas sim porque demoram mais tempo a arrefecer, dando “tempo suficiente aos organismos que vão estragar o alimento para crescerem”.

Quanto ao facto de as pessoas recorrem aos sentidos para detetar se o alimento está estragado, a investigadora esclareceu que grande parte das bactérias que causam a doença “não estragam nada”, na medida em que são “tão silenciosas” que não é notória qualquer alteração.

Segundo a responsável, é por isso necessário "arranjar formas" de desmistificar algumas questões e perceber quais são as "barreiras" à implementação de práticas seguras, de modo a transmitir a mensagem correta aos consumidores.

Paula Teixeira revelou que estão a ser preparadas atividades para serem demonstradas em escolas, uma estratégia que acredita ser “importante” e que vai levar à alteração de alguns comportamentos.

O estudo desenvolvido pela Escola Superior de Biotecnologia (ESB) da Universidade Católica Portuguesa do Porto, insere-se no projeto europeu ‘SafeconsumE’, uma iniciativa que envolve 11 países e que pretende, num prazo de cinco anos, alterar comportamentos e dotar o consumidor de ferramentas que permitam implementar melhores práticas de segurança alimentar.

 

Fonte: Sapo

Esta é a primeira vez que o café integra a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza como espécie em vias de extinção.

60% das 124 espécies de café no mundo estão em vias de extinção, avança um estudo publicado na quarta-feira nas revistas ScienceAdvances e Global Change Biology. Segundo os investigadores, a desflorestação, as alterações climáticas, a propagação de doenças e fungos patogénicos são as principais causas para esta redução, que pode até 2088 fazer com que a produção de café diminua em pelo menos 50%.

O estudo do Royal Botanic Gardens de Kew, no Reino Unido revela ainda que as medidas de conservação dos grãos de café atualmente são "inadequadas". 28% das espécies de café silvestre crescem fora das áreas protegidas e apenas 55% são preservadas em bancos de sementes.

"Se não fosse pelas espécies selvagens, hoje não teríamos tanto café no mundo para beber", disse Aaron Davis, um dos organizador do estudo, à BBC. "Se olharmos para a história do cultivo de café, nós usamos as espécies silvestres para tornar a recolha do café mais sustentável".

Esta é a primeira vez que o café é classificado como ameaçado no ranking oficial da Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza.

"Tendo em conta a importância do café arábica para a Etiópia e para o mundo, precisamos de fazer o máximo para entender os riscos para a sua sobrevivência na natureza", referiu Tadesse Woldemariam do Fórum de Meio Ambiente e Café de Adis Abeba, citado pela BBC. A Etiópia é a "casa" do café arábica, que cresce naturalmente nas florestas tropicais. Há ainda outros focos mundiais como a ilha de Madagáscar ou algumas partes da Índia, do Sri Lanka e da Austrália.

Nós usamos maioritariamente grãos de café de duas espécies nos milhares de misturas de café disponíveis - arábica e robusta. Ainda há uma terceira espécie - Libéria - mas esta raramente é utilizada comercialmente. Embora nem todos os grãos selvagens saibam bem, estes contêm sempre genes que podem ser aproveitados para continuar a preservar a espécie.

 

Fonte: DN

 

37 especialistas de 16 países trabalharam durante três anos para elaborar um modelo de dieta sustentável para o ser humano e para o planeta. A conceituada revista Lancet publicou as conclusões.

O diagnóstico faz parte de um relatório de uma comissão de especialistas da revista científica Lancet, segundo o qual o planeta não terá capacidade de alimentar tantas pessoas sem uma transformação dos hábitos alimentares, uma melhoria na produção e uma redução do desperdício.

E essa mudança, para o consumo de alimentos mais saudáveis, também vai evitar a morte prematura de 11 milhões de pessoas em cada ano, reduzindo a morte de adultos entre 19% e 23,6%.

Segundo os especialistas, uma dieta-padrão saudável e planetária consistirá em aproximadamente 35% das calorias provenientes de grãos integrais e tubérculos, em ter nas plantas a principal origem da proteína (incluindo-se apenas cerca de 14 gramas de carne vermelha por dia), e no consumo de 500 gramas de vegetais e frutas por dia.

É esta mudança nos hábitos alimentares que levará à diminuição em 50% do consumo de carne vermelha e açúcar e a um aumento de 50% de consumo de frutos secos, verduras, legumes e fruta.

Esta mudança, diz-se no relatório, garante um sistema alimentar mundial e não põe em causa os limites do planeta na produção de alimentos, tendo em conta por exemplo as alterações climáticas, a perda de biodiversidade, o uso da terra e da água e o ciclo dos nutrientes.

E essa mudança, segundo o documento, é "urgentemente necessária", já que mais de três mil milhões de pessoas sofrem de desnutrição e a produção de alimentos está a exceder a capacidade do planeta, impulsionando as alterações climáticas, a perda de biodiversidade e o aumento da poluição pelo uso excessivo de fertilizantes.

O relatório da Comissão EAT, da Lancet, propõe uma dieta baseada em alimentos à base de plantas e com pouca quantidade de alimentos de origem animal, de grãos refinados, comida altamente processada e açucares.

"As dietas atuais estão a levar a Terra além dos seus limites ao mesmo tempo que causam problemas de saúde. Tal coloca ambos, pessoas e planeta, em risco", diz o documento.

Tim Lang, da Universidade de Londres, um dos membros da comissão, diz que "os alimentos que comemos e a forma como os produzimos determinam a saúde das pessoas e do planeta, e atualmente estamos a fazer isto de forma muito errada".

A Comissão EAT é um projeto a três anos que reúne 37 especialistas de 16 países, com experiência em saúde, nutrição, sustentabilidade ambiental, sistemas alimentares, economia e governança política.

No relatório, os responsáveis salientam que o aumento da produção alimentar nos últimos 50 anos contribuiu para o aumento da esperança de vida, e para a redução da fome, da mortalidade infantil e da pobreza global, mas notam que esses benefícios estão agora a desviar-se para dietas pouco saudáveis, altas em calorias, açucares, amidos refinados e excesso de carne, e baixo teor de frutas, legumes, grãos integrais, frutos secos, sementes e peixe.

Atualmente, diz-se no documento, os países da América do Norte comem quase 6,5 vezes mais carne do que o recomendado, enquanto no sul da Ásia se come metade do que era suposto. Todos os países estão a comer mais vegetais ricos em amido, como a batata e a mandioca, do que o recomendado, 1,5 vezes mais no sul da Ásia ou 7,5 vezes mais na África subsaariana.

No modelo proposto aumenta-se o consumo de ácidos polinsaturados saudáveis e reduz-se o consumo de gorduras saturadas, e aumenta-se também a ingestão de micronutrientes essenciais como o ferro, o zinco, o ácido fólico, a vitamina A e o cálcio. A falta de vitamina B12 (muito presente em alimentos de origem animal) poderá ter de ser compensada.

Os autores notam ainda que é necessário descarbonizar mais rápido do que o previsto o sistema energético, para permitir alimentar 10 mil milhões de pessoas em 2050 sem produzir mais gases com efeito de estufa. E que é preciso reduzir a perda de biodiversidade e o uso de fósforo (fertilizantes) e não aumentar o uso de azoto (em fertilizantes também).

E propõem que sejam criadas políticas para encorajar as pessoas a escolher dietas saudáveis, restrições de publicidade e campanhas de educação. Depois os preços dos alimentos devem refletir os custos de produção, mas também os custos ambientais, pelo que pode haver aumento dos custos para consumidores, podendo ser necessárias políticas de proteção social.

E o desperdício alimentar deve ser reduzido pelo menos a metade. Notam os responsáveis que esse desperdício acontece em países pobres durante a produção, devido a mau planeamento, falta de acesso a mercados e falta de estruturas de armazenamento e processamento.

Nos países ricos o desperdício é causado sobretudo pelos consumidores e pode ser resolvido com campanhas que melhorem hábitos de compra, o entendimento dos rótulos, e o armazenamento, preparação, proporções e uso de sobras.

A Lancet lançará este ano vários relatórios, o próximo, no final do mês, será sobre obesidade, desnutrição e alterações climáticas.

 

Fonte: DN